E-book Saúde mental e Trabalho no Exercício do Ensino Superior
O eBook “Saúde Mental e Trabalho: no exercício do ensino superior” foi desenvolvido como um recurso educativo voltado à promoção da saúde mental e à sensibilização sobre os impactos do trabalho no contexto das instituições públicas de ensino superior. Construído a partir da articulação entre pesquisa acadêmica, experiência prática no Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS/UFAL) e referenciais da saúde do trabalhador, o material aborda temas como riscos psicossociais, adoecimento mental relacionado ao trabalho, ergonomia, promoção da saúde mental e redes de apoio. Com linguagem acessível e abordagem interdisciplinar, o eBook integra recursos educativos complementares, como jogos interativos, podcasts, indicações de filmes e conteúdos audiovisuais, links para legislações e políticas públicas, materiais institucionais e catálogo de serviços de apoio, favorecendo uma experiência formativa ampliada e dinâmica. A obra busca fortalecer a cultura do cuidado, da prevenção e da valorização da saúde no ambiente universitário, contribuindo para reflexões e ações voltadas ao bem-estar de docentes, técnicos, gestores e demais trabalhadores da educação superior.
Documento PDF (42.4MB)
CRISTHIANE NATHÁLIA PONTES DE OLIVEIRA
ELISA MIRANDA COSTA
FABRÍCIO DA SILVA SERAFIM ALBUQUERQUE
DIEGO DERMEVAL MATOS
MARIA LUSIA DE MORAIS BELO BEZERRA
ANDREA MARQUES VANDERLEI FREGADOLLI
Saúde
ment ll e
trabalho
NO EXERCÍCIO DO ENSINO SUPERIOR
2025
C R I S T H I A N E N AT H Á L I A P O N T E S D E O L I V E I R A
E L I S A M I R A N D A C O S TA
F A B R Í C I O D A S I L VA S E R A F I M A L B U Q U E R Q U E
D I E G O D E R M E VA L M A T O S
MARIA LUSIA DE MORAIS BELO BEZERRA
A N D R E A M A R Q U E S VA N D E R L E I F R E G A D O L L I
Saúde
mental e
trabalho
NO EXERCÍCIO DO ENSINO SUPERIOR
1ª Edição
Maceió–AL
2026
Copyright © Quick Mind Editora – Todos os direitos reservados
Revisão ortográfica, Design, Capa e Ilustrações: Autores
Diagramação: Quick Mind Editora
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DIREÇÃO EDITORIAL
(Editor chefe)
Dra. Ana Marlusia Alves Bomfim/ Universidade
Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
(UNCISAL)
CONSELHO EDITORIAL
Dra. Andrea Marques Vanderlei Fregadolli
Universidade Federal de Alagoas – UFAL (Brasil)
Dr. Eduardo Cabral da Silva
Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (Brasil)
Dr. Fábio Luiz Fregadolli
Universidade Federal de Alagoas – UFAL (Brasil)
Dra. Jucelane Salvino de Lima
Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA (Brasil)
Dr. Kedes Paulo Pereira
Universidade Federal de Alagoas – UFAL (Brasil)
Dra. Laís da Costa Agra
Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ (Brasil)
Dra. Lucy Vieira da Silva Lima
Universidade Federal de Alagoas – UFAL (Brasil)
APRESENTAÇÃO
Este eBook foi concebido para professores, técnicos e
gestores das instituições públicas de ensino superior, em
especial da Universidade Federal de Alagoas, com faixa
etária entre 25 e 65 anos, grupo que concentra os
maiores desafios relacionados ao estresse ocupacional e
aos transtornos mentais. A proposta é viável por
articular pesquisa acadêmica, experiência prática no
SIASS/UFAL e recursos comunicativos acessíveis,
apoiados em metáforas, imagens e sentidos que
aproximam o conteúdo da vida cotidiana dos
trabalhadores. O tema — saúde mental e trabalho no
ensino superior — é de extrema relevância porque
impacta diretamente a qualidade do ensino, da pesquisa
e da gestão universitária, além da vida e do bem-estar
de quem sustenta a universidade pública. Assim, este
material se torna não apenas um guia reflexivo, mas
também
um
instrumento
de
sensibilização
e
transformação, ao propor caminhos coletivos para um
fazer acadêmico mais humano, saudável e sustentável .
Inspirado também na psicodinâmica do trabalho de
Christophe Dejours (1992), este material reconhece que
a organização do trabalho pode ser tanto uma fonte de
sofrimento quanto de prazer, dependendo da forma
como o trabalhador se relaciona com sua atividade e
com o reconhecimento que dela advém. Assim, falar de
saúde mental no ensino superior é também falar de
sentido, reconhecimento e cuidado.
Além disso, reconhece-se que o cuidado em saúde
mental precisa ser coletivo, institucional e não apenas
individualizado. Como defende a Organização Mundial
da Saúde (OMS, 2022), estratégias de promoção da
saúde mental no trabalho devem ser integradas às
políticas institucionais, envolvendo gestão, condições de
trabalho, suporte psicossocial e valorização dos vínculos.
Este eBook é fruto de um percurso construído no
Programa de Pós-Graduação do Mestrado Profissional
de Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), articulando
experiência profissional no SIASS/UFAL com a produção
acadêmica. Pretende-se que este material sirva como
instrumento de sensibilização, formação e transformação
para todos os trabalhadores da educação, gestores e
profissionais de saúde do trabalho.
Que a construção deste conhecimento possa
contribuir para um fazer universitário mais saudável,
ético e humano — onde seja possível ensinar, pesquisar e
servir com bem-estar.
INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
CRISTHIANE NATHÁLIA PONTES DE
OLIVEIRA
Graduada em Enfermagem pelo Centro de
Ensino Superior de Maceió (2004 - 2008). É
especialista em especialista em Oncologia
Multidisciplinar (2015-2016) e Saúde do
Trabalhador (2024). Cursando o Mestrado
Profissional de Ensino na Saúde (2024) pela
Universidade Federal de Alagoas. Servidora da
Universidade Federal de Alagoas desde 2017,
atuando na equipe de Vigilância e Promoção à
Saúde do SIASS/UFAL.
ELISA MIRANDA COSTA
Graduada em Odontologia pela Universidade
Federal
do
Maranhão
(2010-2014).
É
especialista
em
Saúde
Coletiva
pela
Universidade Cândido Mendes (2016-2017) e
em Odontopediatria pela Faculdade Sete
Lagoas de Minas Gerais (2016-2018). Cursou
Mestrado (2016-2018) e Doutorado no
Programa de Pós-Graduação em Saúde
Coletiva (2018-2021) pela Universidade Federal
do Maranhão. Atuação comon apoiadora no 3
Ciclo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da
Atenção Básica (PMAQ-AB), apoio técnico na construção da Linha de
Cuidado Materna e Neonatal, com foco no Recém Nascido de Risco
para o Estado do Maranhão pela Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS) e atuação como designer instrucional na Universidade Aberta
do SUS (UNASUS). Atualmente, atua como Professora Adjunta do
Departamento de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas, na
área de Saúde Coletiva e professora permanente do Mestrado em
Ensino na Saúde.
FABRÍCIO DA
ALBUQUERQUE
SILVA
SERAFIM
Possui ensino médio e formação técnica
integrada em Informática para Internet pelo
Instituto
Federal
de
Alagoas
(2023),
atualmente
cursando
a
graduação
de
Odontologia na Universidade Federal de
Alagoas, atua como monitor da disciplina
Histologia e Embriologia Oral no Instituto de
Ciências Biológicas e da Saúde. Possui
experiência em ensino, com participação ativa
como monitor bolsista do Projeto de Ensino “Grupo Preparatório de
Programação Olímpica - GruPPrO” no Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de Alagoas.
DIEGO DERMEVAL MEDEIROS DA
CUNHA MATOS
Possui graduação em Ciência da Computação
pela Universidade Federal de Alagoas (2010),
mestrado em Ciência da Computação pela
Universidade Federal de Pernambuco (2012),
doutorado em Ciência da Computação pela
Universidade Federal de Campina Grande
(2017) com período sanduíche no Department
of Computer Science da University of
Saskatchewan (U of S - Canadá). Atua como
Professor Adjunto da Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
Conselheiro do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES)
e Pesquisador Visitante da Escola de Educação da Universidade de
Harvard (Estados Unidos). Atua no Programa de Pós-graduação em
Informática do Instituto de Computação da UFAL, no Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina e no
Doutorado em Ensino (RENOEN) do Centro de Educação. É revisor
de periódicos internacionais (e.g., IEEE Transactions on Learning
Technologies, Frontiers in Artificial Intelligence, Smart Learning
Environments, British Journal of Educational Technology) na área de
Informática do Instituto de Computação da UFAL, no Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina e no
Doutorado em Ensino (RENOEN) do Centro de Educação. É revisor
de periódicos internacionais (e.g., IEEE Transactions on Learning
Technologies, Frontiers in Artificial Intelligence, Smart Learning
Environments, British Journal of Educational Technology) na área
de Informática na Educação. Membro do Comitê de Programa de
eventos nacionais e internacionais (e.g., International Conference on
Artificial Intelligence in Education - AIED, Intelligent Tutoring
Systems Conference - ITS, International Conference on Advanced
Learning Technologies - ICALT, e Conferência Latino-americana de
Tecnologias de Aprendizagem - LACLO) também nestas áreas. É
membro da Sociedade Brasileira de Computação, da Association for
Computing Machinery - ACM, da Institute of Electrical and
Electronics Engineers - IEEE e da International Artificial Intelligence
in Education Society (IAIED). Como pesquisador, tem se dedicado a
realizar pesquisas na área de Inteligência Artificial na Educação
(AIED), trabalhando no projeto, desenvolvimento e inovação em
tecnologias educacionais inteligentes.
MARIA LUSIA
BEZERRA
DE
MORAIS
BELO
Graduada em Ciências Biológicas (1992-1996)
pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Cursou mestrado em Química e Biotecnologia
(2001-2003) pela UFAL, doutorado em
Inovação
Terapêutica
pela
Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE). É Professora
Associada da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), lidera o Grupo de Estudos e Pesquisa
em Educação,
Saúde e
Formação
de
Educadores (GESFE/UFAL/CNPq), desenvolvendo projetos que
conectam educação, saúde coletiva, inovação pedagógica e
tecnológica. Docente permanente do Mestrado Profissional em Ensino
na Saúde (PPGPES/UFAL) da Faculdade de Medicina. Coordena o
Laboratório de Práticas Pedagógicas em Ciências Biológicas e da
Saúde (LPPCBioS/UFAL). É idealizadora da ExpoITSaúde, iniciativa
voltada à formação de educadores e divulgação científica em saúde.
ANDREA
MARQUES
FREGADOLLI
VANDERLEI
Graduada em Farmácia (1997-1999) pelo
Centro de Estudos Superiores de Maceió
(CESMAC), em Análise e Desenvolvimento de
Sistemas
(2013-2016)
pela
Universidade
Estadual
de
Ciências
da
Saúde
de
Alagoas(UNCISAL), em Educação Física pelo
Claretiano Centro Universitário, em Nutrição
(2019-2024) pelo Centro Universitário Maurício
de Nassau - Recife (UNINASSAU), em Perícia
Cibernética (202-2023) pela Faculdade Serra Geral. É especialista em
Plantas Medicinais, Farmacologia, Análises Clínicas, Farmácia Clínica
com Prescrição de Medicamentos, Psicopedagogia Clínica e
Institucional, Nutrição Materno-infantil, Perícia Judicial e Extrajudicial,
Investigação Forense e Perícia Criminal, Documentoscopia com
Ênfase em Perícia Judicial, Acupuntura e Acupuntura Estética. Cursou
mestrado em Modelagem Computacional de Conhecimento (20102011), e doutorado em Química e Biotecnologia (2011-2015) pela
Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Coordenadora e
professora/Tutora do 1 Período de Medicina com ênfase em
Anatomia, Fisiologia, Histologia, Embriologia, Biologia Celular e
Molecular,
Genética
e
Bioquímica.
Leciona
as
disciplinas
Desenvolvimento de Produtos Educacionais I e II, Pesquisa online no
Mestrado Profissional de Ensino na Saúde (MPES/UFAL). Orienta
bolsistas do CNPQ e bolsa pesquisa UFAL, da graduação de medicina.
Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ensino na Saúde
da Faculdade de Medicina da UFAL.
SUMÁRIO
01
SAÚDE MENTAL E TRABALHO: CONCEITOS E
DESAFIOS
1.1 O que é saúde mental?
1.2 Saúde mental no mundo
1.3 A relação entre saúde mental e a organização do
trabalho
1.4 O ensino superior como ambiente laboral complexo
02
ADOECIMENTO MENTAL NO TRABALHO
UNIVERSITÁRIO
2.1 Quais os principais transtornos mentais que afetam
os trabalhadores da educação superior?
2.2 Condições que favorecem o adoecimento
2.3 Dados sobre afastamentos por saúde mental
2.4 Impactos do adoecimento mental
2.5 A dimensão dos dados: o que dizem os estudos?
03
FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS
3.1 O que são riscos psicossociais no trabalho?
3.2 Organização do trabalho: entre a excelência e o
adoecimento
3.3 A invisibilidade institucional e os impactos
coletivos
3.4 Relações interpessoais e sofrimento moral
3.5 Ambientes tóxicos e a banalização do sofrimento
04
ERGONOMIA
4.1 Conceito e objetivos da ergonomia
4.2 Tipos de ergonomia: física, cognitiva e organizacional
4.3 Aplicação da ergonomia
4.4 Ergonomia e postos de trabalho
4.5 Ergonomia em serviços da educação e saúde
05
PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL
5.1 Promoção da saúde mental: um compromisso
institucional e coletivo
5.2 Vamos falar do SIASS?
5.3 Estratégia institucional e boas práticas em
Universidades Federais
5.4 Experiências internacionais inspiradoras
5.5 O papel das CIPAs e Comissões locais
5.6 Cuidados institucionais necessários
5.7 Interdisciplinaridade como Futuro das Relações de
Trabalho
06
REDE DE APOIO
6.1 A importância de buscar ajuda: quebrar o silêncio
6.2 Onde buscar ajuda: panorama da rede nacional
6.3 Serviços em Alagoas
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
INTRODUÇÃO
A saúde mental tornou-se um tema urgente e
transversal no mundo do trabalho. Dados do Global
Burden of Disease Study (GBD 2021) mostram que os
transtornos mentais já representam uma das principais
causas de incapacidade no mundo. No Brasil,
especificamente, os transtornos mentais ocupam o
segundo lugar em impacto funcional, com taxas que
ultrapassam
2.800
YLDs
(anos
vividos
com
incapacidade) por 100 mil habitantes, colocando o país
entre os mais afetados globalmente (IHME, 2024).
No trabalho, a saúde mental tem ganhado centralidade
no debate público, especialmente no contexto das
instituições públicas de ensino superior. A complexidade
das atividades desenvolvidas nas universidades — que
envolvem
ensino,
pesquisa,
extensão,
gestão
administrativa e produção científica — impõe um
conjunto de exigências aos seus trabalhadores que
ultrapassa os limites das jornadas formais. Esse cenário
tem contribuído para o aumento significativo de casos
de adoecimento psíquico entre servidores, com
destaque para professores e técnicos administrativos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde
(OMS, 2022), os transtornos mentais relacionados ao
trabalho são uma das principais causas de afastamento e
perda de produtividade no mundo. No Brasil, dados do
Ministério da Saúde e do INSS indicam que os
transtornos mentais e comportamentais estão entre os
três principais motivos de concessão de benefícios por
incapacidade laborativa, o que revela uma tendência
preocupante para a saúde pública e para o
funcionamento institucional.
No ambiente universitário, as condições de trabalho
vêm se deteriorando sob o peso de múltiplas demandas,
metas inalcançáveis, escassez de recursos humanos,
precarização de vínculos e ambientes institucionais
marcados por conflitos, assédio moral e invisibilização
das subjetividades. A esse respeito, Trevisan et al. (2023)
destacam que os professores universitários, muitas vezes
admirados por sua dedicação e conhecimento,
vivenciam sofrimento silencioso decorrente do excesso
de responsabilidades e da fragmentação do tempo.
Esses fatores têm contribuído para o aumento de casos
de exaustão, depressão, ansiedade e Burnout entre os
docentes.
Christophe Dejours, referência essencial neste debate,
enfatiza que o sofrimento no trabalho não se reduz a
uma condição individual, mas é produzido pela
organização do trabalho e pela forma como as
atividades são estruturadas e controladas. Para o autor,
o sofrimento só se torna patogênico quando não
encontra vias de sublimação, reconhecimento ou
transformação coletiva (DEJOURS, 1992). Ou seja, a
saúde mental dos trabalhadores está diretamente ligada
à possibilidade de transformar o sofrimento em sentido,
criatividade e reconhecimento.
Dados do SIASS e de estudos recentes como o de
Guerrero et al. (2011) e Pizzio & Klein (2018) apontam
que os afastamentos por transtornos mentais entre
professores universitários têm se tornado frequentes,
exigindo ações intersetoriais de promoção, prevenção e
cuidado. O desafio, portanto, é pensar estratégias
institucionais de proteção à saúde mental que
ultrapassem a medicalização do sofrimento e avancem
para abordagens integradas, participativas e coletivas.
O reconhecimento das relações entre trabalho e
sofrimento psíquico também foi incorporado às políticas
públicas. A Política Nacional de Saúde Mental, a Política
Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora
(PNSTT, 2012) e as Normas Regulamentadoras como a
NR-01 (alterada em 2024) e a NR-17, que agora incluem
os riscos psicossociais, apontam diretrizes importantes
para a atuação das instituições públicas na proteção da
saúde de seus trabalhadores.
Diante desse contexto, este eBook propõe-se a
contribuir com o debate sobre saúde mental e trabalho
no ensino superior, partindo de uma perspectiva crítica,
interdisciplinar e comprometida com a valorização do
cuidado e da dignidade dos profissionais que constroem
cotidianamente o ensino público. A partir da experiência
prática no SIASS da UFAL, da produção científica e de
contribuições teóricas fundamentais, espera-se oferecer
reflexões e caminhos possíveis para um fazer
universitário mais saudável e ético.
Capítulo 01
A mente é como um farol que
ilumina a travessia da vida:
se apagado, deixa a
navegação à deriva.
SAÚDE MENTAL E TRABALHO:
CONCEITOS E DESAFIOS
1.1 O que é saúde mental?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde
mental é um estado de bem-estar no qual o indivíduo
percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os
estresses normais da vida, trabalhar produtivamente e
contribuir para sua comunidade (WHO, 2022). No
entanto, esse conceito ultrapassa a simples ausência de
doenças mentais — envolve dimensões emocionais,
sociais e ocupacionais.
No contexto brasileiro, autores
como Maria Maeno (2019)
reforçam que a saúde mental é
condicionada pelas relações de
trabalho, organização social e
acesso a direitos. Ou seja,
trata-se de uma construção
coletiva, histórica e política, e
não
de
uma
condição
meramente individual.
Dejours (1992), por sua vez,
define a saúde mental como
algo em constante construção
e disputa no campo do
trabalho. Para o autor, o
sofrimento é parte do processo
laboral,
e
só
se
torna
patológico quando não há
espaço para ressignificação e
reconhecimento do valor do
que se faz.
1.2 Saúde mental no mundo
Muito tem sido debatido, tanto na literatura nacional
quanto internacional, sobre o expressivo aumento das
doenças mentais na sociedade contemporânea,
destacando-se como um importante entrave à redução
da morbimortalidade global (COTTA et al., 2025). Essa
realidade evidencia a urgência de políticas públicas
voltadas à saúde mental, o que levou a Organização das
Nações Unidas a incorporar essa temática aos Objetivos
do Milênio, enfatizando a necessidade de superar
barreiras estruturais e simbólicas, como o estigma
social relacionado ao adoecimento psíquico (COTTA et
al., 2025).
A American Psychological Association define saúde
mental como um estado que envolve o bem-estar
emocional, comportamental e a capacidade de lidar
com o estresse e estabelecer relações interpessoais
saudáveis (APA, 2023).
Os dados do GBD 2021 (IHME, 2024) ilustram de forma
clara a gravidade da situação no mundo: países como
Brasil, Austrália, Estados Unidos e Noruega apresentam
as maiores cargas por transtornos mentais, expressando
uma crise global de sofrimento psíquico, que transcende
fatores individuais e aponta para as contradições
contemporâneas do mundo do trabalho.
No mapa global de YLDs por transtornos mentais, o
Brasil destaca-se com cores intensas que simbolizam
não apenas números, mas histórias de vidas afetadas
por angústia, ansiedade, depressão e esgotamento.
Figura 1. Transtorno mental, ambos os sexos, todas as idades,
2021, YLDs por 100.000
1.3 A relação entre saúde mental e a organização
do trabalho
A organização do trabalho é considerada hoje um dos
principais determinantes da saúde mental dos
trabalhadores.
A organização do trabalho exerce papel central na
saúde mental dos indivíduos, podendo tanto favorecer
quanto comprometer seu bem-estar. O modo de
produção contemporâneo, orientado pela lógica da
performance e do lucro, tem intensificado as exigências,
promovendo sobrecarga, competição e medo no
ambiente laboral, o que contribui para o aumento do
sofrimento psíquico e das patologias relacionadas ao
cansaço (AREOSA, 2021). Assim, o trabalho, que deveria
ser fonte de realização, frequentemente se converte em
espaço de frustração e adoecimento, revelando os
efeitos iatrogênicos das modernas formas de gestão
sobre os trabalhadores.
Além disso, o isolamento profissional, a baixa
valorização institucional e a escassez de recursos
humanos e materiais contribuem para o esvaziamento
do sentido do trabalho, principal gatilho do sofrimento
psíquico segundo a psicodinâmica do trabalho.
1.4 O ensino superior como ambiente laboral
complexo
A universidade é um local de trabalho multifacetado. As
atribuições vão muito além da sala de aula: há o
planejamento, avaliação, produção científica, extensão,
comissões administrativas, funções de representação,
entre outras. Em muitas instituições, a carga de trabalho
real excede o que está formalizado, criando jornadas
invisíveis e exaustivas.
Trevisan et al. (2023) identificaram que mais de 60% dos
docentes universitários relatam “cansaço extremo
frequente”
e
“sentimentos
de
improdutividade
constante”. Esses achados se relacionam a um modelo
de
produtividade
acadêmica
baseado
na
competitividade, que fragiliza os vínculos e amplia o
sofrimento.
O trabalho técnico-administrativo também está
atravessado por precarização e tensões. A ausência de
reconhecimento, a subutilização de habilidades e os
processos burocráticos desumanizados contribuem para
sentimentos de desvalia e estagnação profissional.
Capítulo 02
O adoecimento psíquico é uma
rachadura invisível nas
paredes da universidade.
ADOECIMENTO MENTAL NO
TRABALHO UNIVERSITÁRIO
2.1 Quais os principais transtornos mentais que
afetam os trabalhadores da educação superior?
Os transtornos mais prevalentes entre servidores das
universidades públicas incluem:
Transtornos de ansiedade generalizada;
Transtornos depressivos maiores;
Síndrome de Burnout (esgotamento emocional,
despersonalização, baixa realização);
Transtornos do sono;
Somatizações associadas ao estresse crônico.
Estudos como os de Guerrero et al. (2011) mostram que
40,8%
dos
docentes
universitários
analisados
apresentaram algum grau de sofrimento mental, sendo a
ansiedade o sintoma mais comum. Em muitos casos, a
negação institucional e a culpabilização do trabalhador
agravam os quadros.
2.2 Condições que favorecem o adoecimento
Diversos fatores contribuem para o sofrimento psíquico
no contexto universitário:
Múltiplas
funções
acumuladas
sem
tempo
institucional para execução;
Sobrecarga emocional e intelectual;
Pressões
por
produtividade
e
desempenho
acadêmico;
Assédio moral, discriminação e microviolências
institucionais;
Falta de recursos e apoio institucional.
Dejours
(1992)
destaca
que
a
ausência
de
reconhecimento — tanto institucional quanto simbólico
— do esforço do trabalhador é o principal motor do
sofrimento patogênico.
Além disso, a ausência de espaços institucionais de
escuta, suporte psicológico ou fluxos estruturados para
lidar com o sofrimento mental, favorece a cronificação e
o absenteísmo.
2.3 Dados sobre afastamentos por saúde mental
A análise dos dados do SIASS, RAIS e relatórios do
Ministério da Gestão mostram um aumento consistente
nos afastamentos por transtornos mentais entre
professores de universidades federais desde 2016. Os
registros mais frequentes são por episódios depressivos
e transtornos ansiosos, com destaque para docentes em
regime de dedicação exclusiva.
No cenário global, o relatório do GBD 2021 destaca que
os transtornos mentais seguem como a segunda maior
causa de incapacidade funcional no Brasil, na projeção
de 1990 para 2050 (IHME, 2024). O gráfico evidencia
essa tendência, com destaque para transtornos de
ansiedade e depressão entre adultos em idade
produtiva.
Figura 2. Brasil, ambos os sexos, todas as idades, YLDs por
100.000
Os dados indicam uma discreta diferença de padrão
epidemiológico entre homens e mulheres, sendo que as
mulheres apresentam, em geral, maior carga de anos
vividos com incapacidade (YLDs) por transtornos
mentais, especialmente transtornos depressivos e de
ansiedade.
O gráfico de linha por sexo deixa claro que, ao longo do
tempo, a curva feminina tende a ser mais elevada, em
especial entre 1995 e 2020, com destaque para países
como Brasil, México, Argentina, Estados Unidos e
Austrália.
Em contrapartida, entre os homens, há uma maior
representatividade dos transtornos mentais relacionados
ao uso de substâncias psicoativas, como demonstrado
na figura específica para esse grupo, com prevalência
em países da Oceania, América do Norte e América
Latina.
Essas diferenças refletem não apenas aspectos
biológicos, mas também questões psicossociais e
culturais, como:
A maior sobrecarga doméstica e profissional vivida
pelas mulheres;
A subnotificação entre os homens por estigma e
padrões de masculinidade tóxica;
A vinculação dos homens ao uso de substâncias como
forma de enfrentamento ao sofrimento emocional
(WHO, 2022; IHME, 2024).
Figura 3. Transtornos mentais, homens, todas as idades
Figura 4. Transtornos mentais e relacionados ao uso de
substâncias, homens, todas as idades, 2021, YLDs por
100.000
Figura 5. Transtornos mentais, mulheres, todas as idades,
2021, YLDs por 100.000
Figura 6. Transtornos mentais, mulheres, todas as idades
2.4 Impactos do adoecimento mental
O adoecimento psíquico de professores e técnicos
impacta diretamente:
A qualidade do ensino e da pesquisa;
O clima organizacional e os vínculos de trabalho;
A permanência e carreira dos servidores;
Os custos institucionais com licenças, readaptação e
aposentadoria precoce.
Segundo a Fiocruz (2021), há um “custo invisível” à
universidade: a perda da potência criativa, da
cooperação e da inovação — pilares da educação
superior pública.
2.5 A dimensão dos dados: o que dizem os
estudos?
O Global Burden of Disease Study 2021 (GBD 2024) traz
evidências contundentes sobre o impacto global dos
transtornos mentais:
O gráfico “Anxiety Disorders – Brazil” (IHME, 2024)
mostra um crescimento constante da carga de
doença relacionada à ansiedade desde 1990, com
picos importantes em períodos recentes, o que
reflete o agravamento da saúde mental em contextos
sociais e econômicos instáveis.
Figura 7. Transtorno de ansiedade, ambos os sexos, todas as
idades
O Brasil se mantém como um dos países com
maior carga de transtornos mentais e
neurológicos
não
transmissíveis,
especialmente
em
faixas
etárias
economicamente ativas. Isso evidencia que
políticas
públicas
e
intervenções
institucionais precisam urgentemente focar
no ambiente de trabalho como fator
estruturante da saúde coletiva.
O avanço de transtornos como ansiedade e
depressão supera doenças infecciosas e
respiratórias, o que inverte o paradigma
tradicional da saúde pública no país.
Capítulo 03
Os riscos psicossociais são como
teias de aranha: quanto mais sutis,
mais aprisionam
FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS
3.1 O que são riscos psicossociais no trabalho?
Os fatores de risco psicossociais se referem às.
condições organizacionais, relacionais e de gestão
do trabalho que podem gerar sofrimento mental,
estresse crônico e adoecimento. A Organização
Internacional do Trabalho (OIT, 2022) e a
Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022)
reconhecem esses fatores como elementos críticos
para a saúde mental dos trabalhadores.
No contexto do ensino superior, esses riscos estão
frequentemente associados a múltiplas jornadas,
pressão por produtividade, relações de poder
hierarquizadas, instabilidade institucional e falta de
escuta institucional. A psicodinâmica do trabalho,
proposta por Christophe Dejours, reforça que a
organização do trabalho pode ser geradora de
sofrimento quando impede o reconhecimento
subjetivo e coletivo da atividade (DEJOURS, 1992).
3.2 Organização do trabalho: entre a excelência
e o adoecimento
A busca por excelência acadêmica e avaliação
institucional constante transformou o trabalho docente
em um campo de múltiplas exigências. Professores e
técnicos
enfrentam
a
demanda
de
atuar
simultaneamente no ensino, na pesquisa, na extensão, na
orientação discente e em comissões administrativas,
muitas vezes sem suporte adequado ou tempo
institucional previsto para todas essas frentes.
Segundo Trevisan et al. (2023), esse acúmulo de funções
tem levado ao crescimento dos casos de síndrome de
burnout, transtornos de ansiedade, insônia e depressão
em universidades brasileiras. O excesso de trabalho não
é apenas quantitativo, mas qualitativo: envolve
cobrança intelectual intensa, cumprimento de metas e
submissão a editais, relatórios e plataformas de controle.
Além disso, a insegurança quanto ao financiamento da
educação pública e as constantes reformas institucionais
geram incerteza e medo entre os servidores.
3.3 A invisibilidade institucional e os impactos
coletivos
Segundo análise de Klein & Pizzio (2018), o
adoecimento mental no serviço público permanece
subnotificado, sendo pouco debatido nos espaços
colegiados e de gestão. A ausência de dados
sistematizados, especialmente sobre docentes em
regime de dedicação exclusiva, dificulta a
formulação de políticas de prevenção e reabilitação.
Essa negligência institucional amplia os custos
sociais
e
econômicos
com
afastamentos,
aposentadorias precoces e redução da qualidade do
trabalho acadêmico. Além disso, compromete o
clima organizacional e gera um ciclo de sobrecarga
para os trabalhadores que permanecem em
atividade.
3.4 Relações interpessoais e sofrimento moral
As relações interpessoais assumem papel central na
preservação da saúde mental, uma vez que vínculos de
amizade, empatia, cooperação e diálogo favorecem a
construção de redes de apoio essenciais.
A literatura evidencia que a presença de suporte social
funciona como fator protetor contra o adoecimento
psíquico, ao passo que sua ausência pode intensificar o
sofrimento e a vulnerabilidade frente às pressões
laborais (BAPTISTA et al., 2019; MASSA et al., 2016;
CARLOTTO, 2002).
Nesse sentido, o fortalecimento de laços interpessoais
positivos configura-se como estratégia indispensável
para promoção do bem-estar e qualidade de vida no
trabalho docente e técnico-administrativo.
As relações interpessoais na universidade — sejam entre
docentes, servidores técnico-administrativos e discentes
— desempenham papel fundamental na promoção ou no
comprometimento da saúde mental no ambiente
acadêmico. Gatto (2024) destaca que ambientes mal
comunicados e hierarquias rígidas podem gerar
adoecimento mental, sobretudo quando aliados à
precarização laboral, assédio moral ou falta de políticas
de bem-estar institucional.
Segundo Maeno & Mendes (2019), o sofrimento moral
surge quando há um distanciamento entre os valores
pessoais e as imposições organizacionais, especialmente
quando o servidor não tem espaço para dialogar, decidir
ou questionar as ordens. Quando esse sofrimento se
torna crônico, sem possibilidade de transformação, ele
adoece.
O estudo de Ferguson et al. (2022) também mostra que
mulheres docentes vivenciam com maior intensidade o
conflito entre as exigências do trabalho e os papéis
sociais de cuidado, o que as coloca em situação de
sobrecarga emocional invisibilizada.
3.5 Ambientes tóxicos e a banalização do
sofrimento
A banalização do sofrimento psíquico nos espaços
institucionais é uma das maiores barreiras ao cuidado
em saúde mental. Segundo estudo da Fiocruz (2021),
ambientes onde prevalece a lógica da competição, do
produtivismo e do “desempenho constante” geram
trabalhadores fragilizados, inseguros e sem rede de
apoio.
O adoecimento mental, nesses contextos, não é
reconhecido como uma questão coletiva, mas tratado
como fragilidade individual — o que leva ao estigma, à
autocensura e à resistência em buscar ajuda.
Capítulo 04
Como uma bússola, a ergonomia orienta o
trabalho para o bem-estar.
ERGONOMIA: CONCEITOS,
DOMÍNIOS E APLICAÇÕES
NO AMBIENTE DE TRABALHO
4.1 Conceito e objetivos
De acordo com a Associação Internacional de
Ergonomia (IEA) e a Associação Brasileira de Ergonomia
(ABERGO), a ergonomia é a disciplina científica que
investiga as interações entre seres humanos e outros
elementos de um sistema de trabalho, aplicando
conhecimentos interdisciplinares com vistas a otimizar
tanto o bem-estar humano quanto o desempenho global
do sistema. Assim, a ergonomia busca reduzir a fadiga, o
estresse, os erros e os acidentes, favorecendo a saúde, a
satisfação e a eficiência dos trabalhadores.
4.2 Tipos de ergonomia
A ergonomia se divide em três domínios principais
segundo Ilda e Guimarães (2016):
Ergonomia física, voltada para a anatomia, fisiologia e
biomecânica, com foco em posturas, movimentos,
manuseio de materiais, distúrbios osteomusculares e
organização dos postos de trabalho;
Ergonomia cognitiva, relacionada aos processos
mentais, como percepção, memória, tomada de decisão
e carga de trabalho mental, aspectos relevantes para a
interação humano-máquina e a prevenção do estresse;
Ergonomia organizacional, que trata da estrutura sociotécnica
das
instituições,
envolvendo
gestão,
comunicação, trabalho em grupo, cultura organizacional,
teletrabalho e políticas de qualidade.
Você sabe a importância da ergonomia física,
cognitiva e organizacional no exercício do ensino
superior?
A ergonomia física auxilia na prevenção de
dores e lesões decorrentes de posturas
inadequadas;
A ergonomia cognitiva contribui para lidar com
a sobrecarga mental típica da multitarefa
acadêmica, ajudando a reduzir estresse, erros e
fadiga mental;
A ergonomia organizacional atua sobre a gestão
de tempos, turnos, carga horária e condições
coletivas de trabalho, buscando promover
ambientes mais saudáveis e colaborativos.
4.3 Aplicações da ergonomia
A aplicação da ergonomia pode se dar em diferentes
fases:
Concepção: incorporada no planejamento e
projeto de produtos, máquinas ou ambientes,
permitindo antecipar problemas;
Correção: voltada para ajustar condições
existentes e resolver situações de risco ou
desconforto já identificadas;
Conscientização: capacitação dos próprios
trabalhadores
para
reconhecer
e
corrigir
problemas cotidianos;
Participação: envolve ativamente os usuários na
busca de soluções ergonômicas para suas
atividades.
4.4 Ergonomia e postos de trabalho
Um dos focos centrais da ergonomia é o posto de
trabalho, que deve ser planejado de forma a garantir
conforto, segurança e eficiência. Isso inclui adequações
no mobiliário, organização do espaço físico, iluminação,
temperatura, ruído e disposição de equipamentos. Em
ambientes acadêmicos, a atenção especial deve recair
sobre os postos de trabalho com computadores, pois
longas jornadas de digitação e análise de dados estão
entre as principais causas de distúrbios osteomusculares
e fadiga mental.
Quais as contribuições para saúde, segurança e
produtividade?
Ao considerar as condições físicas, cognitivas e
organizacionais,
a
ergonomia
proporciona
benefícios que vão além da prevenção de doenças
ocupacionais. Ela contribui para o aumento da
motivação, melhora da comunicação entre equipes e
fortalecimento da qualidade de vida no trabalho.
Assim, investir em ergonomia no ensino superior é
investir na sustentabilidade das instituições e na
valorização de seus profissionais (IIDA; GUIMARÃES,
2016).
4.5 Ergonomia em serviços de educação e saúde
No campo da educação, a ergonomia auxilia na
adequação de mobiliário, recursos tecnológicos e
ambiente físico às necessidades dos professores,
técnicos e estudantes. Isso envolve desde a altura
correta de mesas e cadeiras até a iluminação adequada
em salas de aula e bibliotecas. Também inclui ajustes no
uso prolongado de computadores, com pausas
programadas e treinamento postural, prevenindo dores
musculoesqueléticas e fadiga visual. Além disso,
medidas organizacionais, como a gestão equilibrada de
carga horária e prazos acadêmicos, reduzem a
sobrecarga mental e favorecem a concentração.
Exemplos práticos incluem a adaptação de laboratórios
para diferentes estaturas, uso de suportes ergonômicos
para notebooks e organização de horários que evitem
longos períodos sem intervalos (IIDA; GUIMARÃES,
2016; CUNHA et al., 2023).
Nos serviços de saúde, a ergonomia é fundamental para
prevenir lesões decorrentes de esforços físicos, posturas
estáticas e movimentos repetitivos, além de lidar com
fatores psicossociais, como o estresse associado à carga
de trabalho. Profissionais de enfermagem, por exemplo,
estão expostos a riscos ergonômicos ao realizar o
transporte
manual
de
pacientes,
manipular
equipamentos pesados ou executar procedimentos em
condições físicas inadequadas.
A ergonomia oferece soluções como camas ajustáveis
em altura, carrinhos com rodas adequadas, treinamentos
em técnicas de levantamento seguro e reorganização de
fluxos de trabalho para reduzir sobrecarga física e
mental. No nível organizacional, a gestão de turnos e
pausas adequadas em plantões também constitui
medida ergonômica essencial, que impacta diretamente
na saúde dos profissionais e na qualidade do
atendimento prestado (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018;
RESEARCHGATE, 2024).
Quadro 1. Diferenças essenciais entre ergonomia e
ambiência, 2025.
Ergonomia
Ambiência
Definição
Ciência que estuda a
adaptação do trabalho ao
ser humano, considerando
limitações e capacidades
físicas, cognitivas e
organizacionais.
Conceito da Política
Nacional de Humanização
(PNH/SUS), que trata da
qualidade relacional e
simbólica dos espaços de
cuidado e trabalho.
Foco
Saúde, segurança, conforto
e eficiência no trabalho.
Acolhimento, vínculo,
humanização e bem-estar
coletivo.
Domínios
principais
Física (posturas, carga
física), cognitiva (processos
mentais) e organizacional
(gestão, comunicação).
Arquitetônico, estético,
social e simbólico.
Exemplos
práticos
Mesas ajustáveis, cadeiras
ergonômicas, iluminação
adequada, pausas
programadas, organização
de turnos.
Sala de espera com cores
acolhedoras, jardins
terapêuticos, disposição de
cadeiras que favoreçam
diálogo, música ambiente
suave.
Resultados
esperados
Redução de fadiga, estresse
e acidentes; aumento da
produtividade e satisfação.
Melhoria da experiência de
usuários e trabalhadores;
fortalecimento de vínculos e
de ambientes humanizados.
Referências
IIDA; GUIMARÃES (2016).
Ergonomia: projeto e
produção.
BRASIL. Ministério da
Saúde. Política Nacional de
Humanização – Ambiência.
Brasília: MS, 2010.
Fonte: Elaborado pelos autores
Capitulo 05
Promover saúde mental é plantar sementes
de cuidado que florescem em ambientes
saudáveis.
PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL
5.1 Promoção da saúde mental: um compromisso
institucional e coletivo
A promoção da saúde mental no trabalho é um dever
ético, político e legal das instituições p Segundo a OMS
e a OIT (2022), promover saúde mental é criar
ambientes laborais saudáveis, justos, cooperativos e
inclusivos, implicando em implementar políticas
preventivas, garantir escuta ativa, ampliar a participação
dos trabalhadores nas decisões e reduzir fatores de risco
psicossociais. Observe o quadro abaixo com diretrizes
importantes vigentes no Brasil.
O Brasil já possui diretrizes importantes como:
NR-01
e
NR-17,
com
atualizações
que
reconhecem riscos psicossociais como parte da
saúde e segurança no trabalho (BRASIL, 2024);
Política Nacional de Saúde Mental (2001);
Política de Qualidade de Vida no Trabalho
(PQVT) das IFES;
SIASS (2009): que integra ações de atenção à
saúde do servidor público;
Política de Atenção à Saúde e Segurança do
Servidor Público Federal (PASS)
Clique nos links e acesse na íntegra
5.1 Vamos falar sobre o SIASS?
A Constituição Federal de 1988 é o ponto de partida
para a construção da trajetória das políticas públicas de
segurança e saúde no trabalho dirigida aos servidores
federais. Adicionalmente, com a Lei nº 8.11211 – regime
jurídico dos servidores civis da União (RJU) – nascem as
primeiras disposições legais sobre a saúde dos
trabalhadores, embora, restritas apenas às licenças
médicas, aposentadorias por invalidez e adicionais
ocupacionais.
Portanto, para responder às necessidades mais
ampliadas e ao conceito ampliado de saúde vigentes na
Administração Pública Federal, surge a Política de
Atenção à Saúde e Segurança do Servidor Público
Federal e a criação do Subsistema Integrado de Atenção
à Saúde do Servidor Público (SIASS), política atualmente
vigente voltada para a saúde do servidor federal.
Essencialmente, o SIASS tem como objetivo “coordenar
e integrar ações e programas nas áreas de assistência à
saúde; perícia oficial; promoção, prevenção e
acompanhamento da saúde dos servidores públicos
federais”. Portanto, o SIASSconfigura-se como conquista
no que tange à segurança e saúde dos servidores
federais, por prever a provisão da sustentabilidade e
efetividade através do gerenciamento das informações
epidemiológicas e de vigilâncias dos ambientes e
processos.
O SIASS ao ser criado propôs uma mudança conceitual
em
relação
à
saúde
ocupacional
tradicional,
caracterizando-se como “[...] a expressão do poder dos
trabalhadores de ter saúde e tomar em suas mãos o
controle de suas próprias vidas, saúde e trabalho”
(p.1431). Esse novo conceito confere ao servidor público
o direito e a responsabilidade de conhecer o processo
saúde-doença relacionado ao seu trabalho.
O SIASS é espaço de acolhimento, escuta e orientação
através do seu eixo de vigilância e promoção à saúde. A
composição da equipe é multiprofissional e estruturada
com enfermeiras e auxiliares de enfermagem,
engenheiros do trabalho e técnica de segurança do
trabalho, psicólogos, assistente social, fisioterapeuta e
médicos do trabalho que realizam avaliações
ocupacionais e ações de prevenção e promoção à
saúde.
Basicamente, o subsistema nasceu em virtude das
seguintes situações:
I) adoecimentos de servidores;
II) aposentadorias por invalidez;
III) ausência de diretrizes que valorizem a saúde dos
servidores federais.
Porém, quais os desafios a serem enfrentados para
operacionalizar de fato a promoção, prevenção e
acompanhamento da saúde dos servidores públicos
federais?
A implementação efetiva do SIASS enfrenta diversos
obstáculos estruturais e conjunturais, destacando-se:
Disponibilidade de recursos financeiros e humanos;
Limitações quanto à infraestrutura adequada para
ações preventivas;
A ênfase em ações vinculadas às perícias médicas;
Falta de um plano institucional e formativo dos
profissionais envolvidos.
Esses desafios refletem um modelo biomédico e
centrado no adoecimento dos servidores federais,
acompanhado em abordagem focada na concessão de
licenças e afastamentos, em detrimento de estratégias
de vigilância, prevenção e promoção do bem-estar no
local de trabalho. Adicionalmente, a subnotificação e
subutilização dos dados gerados pelas perícias e
avaliações médicas são fatores que dificultam o
dimensionamento dos afastamentos por saúde. A coleta
mais cuidadosa de informações sobre afastamentos e
perícias são, capazes de subsidiar uma vigilância
epidemiológica em saúde do trabalhador de forma mais
robusta e apoiar políticas de prevenção, porém as
mesmas têm sido pouco aproveitadas ou não integradas
em planos de ação.
Krölls et al. (2021) apontam que os dados coletados
poderiam gerar indicadores e relatórios focados em
riscos ocupacionais, contribuindo para a redução das
doenças relacionadas ao trabalho. Entretanto, a falta de
uma cultura de gestão de dados e a fragmentação das
informações dificultam essa estratégia, limitando o
potencial transformador do SIASS (Pizzinga, 2020;
Torres; Silva, 2022).
Diante do exposto, o cenário torna-se ainda mais
complexo diante da alta prevalência de transtornos
mentais entre os servidores públicos (Salvador, 2021).
Fatores como sobrecarga de trabalho, especialmente
após a pandemia, pressões administrativas, instabilidade
orçamentária e, ambientes de trabalho inadequados
podem aumentar o risco de estresse, ansiedade e
depressão (Torres; Silva, 2022).
Embora a legislação preveja que o SIASS dê enfoque
especial a medidas preventivas, na prática, as
instituições continuam direcionando grande parte de
seus esforços à gestão dos afastamentos e perícias, ao
invés de investir consistentemente em programas que
promovam a saúde mental e a qualidade de vida
(Pizzinga, 2020).
5.3 Estratégia institucional e boas práticas em
Universidades Federais
A literatura científica e os relatos institucionais apontam
que a promoção da saúde mental deve envolver
estratégias multissetoriais. Veja quadro abaixo com
algumas das boas práticas aplicadas em universidades
brasileiras:
Quadro 2. Iniciativas para a Promoção de Saúde Mental
no Trabalho em Universidades Brasileiras, Brasil, 2025.
Universidade
Universidade
Federal de Alagoas
Universidade de
Brasília
Iniciativa
Coordenação de
Qualidade de Vida
no Trabalho
Projeto Escuta
Docente
Ações
Ações educativas e
integrativas voltadas à
segurança e saúde dos
servidores,
como
projetos,
rodas
de
conversa, campanhas
temáticas
(assédio,
adoecimento,
i )
j
Criado em parceria
com a Diretoria de
Atenção à Saúde do
Servidor (DAS/UnB),
o programa oferece
acolhimento
psicológico a
Universidade
Universidade
Federal de Minas
Gerais
Universidade
Federal de São
Paulo
Iniciativa
Ações
Observatório da
Saúde Docente
Observatório
permanente de
acompanhamento
da saúde dos
docentes, com
questionários
anônimos, grupos
Núcleo de Promoção e
Prevenção em Saúde
Mental
Fonte: Elaborado pelos autores
A universidade conta
com
psicólogos
e
psiquiatras vinculados
à
PROGEP,
que
desenvolvem
ações
com
enfoque
na
prevenção, redução do
estigma
e
atenção
í
à
úd
5.4 Experiências internacionais inspiradoras
Canadá – Universidade de British Columbia
Implementou um plano institucional de saúde mental,
com foco em:
·Redução da carga horária para docentes com laudos de
sofrimento psíquico;
·Acompanhamento de readaptação;
·Formação de gestores para identificar sinais precoces;
·Sistema de alerta institucional anônimo para casos de
assédio e burnout.
Espanha – Universidad Autónoma de Barcelona
Desenvolveu o programa “Campus Saludable”, que
inclui:
·Avaliação de riscos psicossociais por questionários
anônimos;
·Oficinas sobre saúde emocional no trabalho;
·Ações intersetoriais entre RH, saúde ocupacional e
chefias acadêmicas;
·Intervenções no clima organizacional.
Portugal – Universidade de Lisboa
Criou o “Plano de Bem-Estar Docente”, com:
·Consultórios de apoio emocional gratuitos;
·Avaliação participativa do ambiente institucional;
·Seminários e formações sobre saúde mental no ensino
superior.
5.5 O papel das CIPAs e comissões locais
As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes
(CIPAs) ganharam um novo papel com a atualização da
NR-01 (2024): além da prevenção de acidentes físicos,
devem considerar riscos psicossociais, organizacionais e
ambientais. Isso significa atuar ativamente sobre os
determinantes do sofrimento mental.
Já as comissões locais, como as Comissões de Ética,
Assédio articulam-se entre si para construir protocolos
claros de cuidado, monitoramento e responsabilização
institucional.
5.6 Cuidados institucionais necessários
Como propõem autores como Dejours (1992) e Maeno &
Mendes (2019), o reconhecimento simbólico e afetivo da
dor é o primeiro passo para transformar sofrimento em
potência e pertencimento. Portanto, determinados
cuidados institucionais são necessários para promover a
saúde mental: reconhecer o sofrimento como coletivo e
legítimo; mapear os fatores de risco psicossociais; incluir
os servidores na construção das soluções; criar redes de
apoio internas e externas e desenvolver a cultura da
escuta ativa e do respeito.
Diante do exposto, é fundamental a proposição de
ambientes de trabalho mais saudáveis e em
concordância com o conceito de ambiência. A Política
Nacional
de
Humanização
(PNH/HumanizaSUS)
preconiza a ambiência que refere-se à qualificação dos
espaços de trabalho para que se tornem mais
acolhedores, seguros e saudáveis, tanto para
trabalhadores quanto para usuários dos serviços de
saúde. A ambiência abrange não apenas a infraestrutura
física, mas também as relações sociais e a organização
do trabalho, compondo um dos eixos centrais de
promoção da saúde no SUS (BRASIL, 2010).
A PNH defende que a ambiência adequada favorece
vínculos solidários, autonomia e corresponsabilidade,
além
de
contribuir
para
a
valorização
dos
trabalhadores e para a redução do sofrimento psíquico
no cotidiano laboral (BRASIL, 2010). No ensino
superior, ambientes institucionais mais saudáveis e
humanizados podem mitigar os efeitos da sobrecarga,
do assédio moral e das relações hierárquicas rígidas que
adoecem os servidores.
No contexto das universidades, a promoção da
ambiência representa uma estratégia fundamental de
prevenção ao adoecimento mental, uma vez que
compreende não apenas a estrutura física, mas a
qualidade das relações interpessoais e das práticas
institucionais. De acordo com a Política Nacional de
Humanização (Brasil, 2010), a qualificação dos espaços
de trabalho e o estímulo a ambientes acolhedores
fortalecem a corresponsabilidade, a autonomia e o
protagonismo de gestores, trabalhadores e usuários,
contribuindo para a saúde coletiva.
5.7 Interdisciplinaridade
Relações de Trabalho
como
Futuro
das
A interdisciplinaridade é apontada como uma
possibilidade de superação da fragmentação do saber e
do trabalho, sendo essencial para uma visão integral da
saúde e das relações laborais. Conforme Pires (1998),
não se trata apenas da soma de disciplinas ou áreas de
conhecimento, mas de uma construção coletiva que
integra teoria e prática para transformação social e
promoção do humano.
Essa perspectiva favorece a cooperação entre diferentes
áreas, possibilitando respostas mais complexas e
efetivas aos problemas da saúde mental no trabalho
universitário. Além disso, a interdisciplinaridade é vista
como um caminho ético-político, que contribui para a
democratização das relações de trabalho, fortalece a
escuta ativa e estimula soluções coletivas para os
riscos psicossociais (PIRES, 1998).
A interdisciplinaridade configura-se como horizonte
promissor para a construção de ambientes acadêmicos
mais saudáveis e democráticos. Para além de articular
saberes, ela propõe uma integração efetiva entre teoria
e prática, que permite compreender e enfrentar os
fatores psicossociais de forma coletiva. Segundo Pires
(1998), a interdisciplinaridade não é apenas um arranjo
metodológico, mas uma necessidade histórica, ética e
política diante da complexidade das relações sociais e
do trabalho. No contexto universitário, essa abordagem
fortalece a cooperação entre docentes, técnicos e
gestores, promovendo práticas mais inclusivas e
preventivas do adoecimento mental.”
Capitulo 06
A rede de apoio é como um ninho: acolhe,
protege e prepara para voar novamente.
REDE DE APOIO:
ONDE E COMO BUSCAR AJUDA?
6.1 A importância de buscar ajuda: quebrar o
silêncio
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas um ato de
coragem e autocuidado. A saúde mental precisa ser
encarada como parte da saúde integral do trabalhador,
conforme estabelece a Política Nacional de Saúde do
Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT, 2012) e a
Política Nacional de Saúde Mental (BRASIL, 2001).
No entanto, o medo da exposição, o estigma, a
desinformação e a culpabilização ainda afastam muitos
servidores dos serviços de acolhimento. Por isso,
conhecer as redes de apoio disponíveis é fundamental
para garantir atendimento precoce, acompanhamento
contínuo e reinserção no trabalho com dignidade.
6.2 Onde buscar ajuda: panorama da rede
nacional
Sistema Único de Saúde (SUS)
O SUS oferece acolhimento gratuito em todo o
Brasil por meio de uma rede estruturada:
1. Unidades Básicas de Saúde (UBS): porta de
entrada para escuta e encaminhamento;
2. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS):
atendem transtornos mentais moderados a graves;
3. Ambulatórios de saúde mental: vinculados a
hospitais gerais ou universidades.
4. SAMU 192: emergência em saúde mental com
risco de vida.
Conforme o Ministério da Saúde (2023), o Brasil
conta com mais de 2.900 CAPS ativos, e esses
serviços priorizam o acompanhamento contínuo,
familiar e multiprofissional.
➤ Centro de Valorização da Vida (CVV)
O CVV realiza atendimento gratuito e sigiloso 24 horas,
por telefone (188), chat ou e-mail, com voluntários
treinados. Embora não substitua tratamento psicológico
ou psiquiátrico, é uma porta importante de escuta e
apoio emocional inicial.
Site: https://www.cvv.org.br
Acesse CVV
➤ Rede Federal de Saúde do Trabalhador: SIASS
e QVT
Todas as universidades federais devem ter núcleos do
Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor
(SIASS) e comissões de Qualidade de Vida no Trabalho
(QVT), conforme o Decreto nº 6.833/2009.
Essas estruturas são responsáveis por ações de
vigilância, promoção da saúde e acompanhamento de
servidores adoecidos, podendo oferecer:
Escuta qualificada;
Protocolos de reabilitação funcional;
Fluxos de afastamento e retorno ao trabalho;
Ações educativas e preventivas.
6.3 Serviços em Alagoas
No estado de Alagoas, a rede estadual também oferece
atendimento em saúde mental para atendimento de
transtornos mentais adulto e infantil e álcool e drogas
por meio de:
➤ CAPS Alagoas:
·CAPS III Maceió – Bairro Farol, atendimento 24h.
·CAPS AD – atendimento a transtornos relacionados
ao uso de álcool e outras drogas.
·CAPS Infantil – acompanhamento de crianças e
adolescentes.
Lista
completa
disponível
em:
https://www.saude.al.gov.br/
➤ Ambulatórios e hospitais:
Ambulatório de Saúde Mental HUPAA/UFAL –
atendimento
especializado
a
comunidade
universitária.
Hospital Escola Portugal Ramalho – referência
estadual em saúde mental. Emergências e
internamentos.
Considerações
Finais
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As informações dispostas nesse ebook em formato
didático, com acessibilidade e em formato dialógico nos
ajudam a compreender os desafios estruturais e
culturais que afetam a implementação do SIASS tornase fundamental para o aprimoramento das políticas
públicas de saúde ocupacional. Estratégias que
incentivem a capacitação das equipes, a adoção de
metodologias proativas de prevenção e a integração dos
dados no planejamento das ações podem potencializar
o impacto positivo do SIASS.
REFERÊNCIAS
ALBORNOZ, Suzana. O sentido do trabalho. 6. ed. Petrópolis:
Vozes, 2017.
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION (APA). Mental Health.
2023. Disponível em: https://www.apa.org/topics/mental-health.
Acesso em: 16 jul. 2025.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA (ABP). Saúde mental
e trabalho. Brasília: ABP, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Mental.
Brasília, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Rede de Atenção Psicossocial – RAPS.
Brasília, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. *HumanizaSUS: documento base para
gestores e trabalhadores do SUS*. 4. ed. Brasília: Ministério da
Saúde, 2010.
BRASIL. Decreto n.º 6.833, de 29 de abril de 2009. Institui o SIASS.
Diário Oficial da União.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de
dezembro de 2012. Dispõe sobre diretrizes e normas
regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília,
2012. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-desaude/pt-br/centrais-de-conteudo/resolucoes/resolucao-cns-no466-de-12-de-dezembro-de-2012.pdf. Acesso em: 11 jul. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde do
Trabalhador e da Trabalhadora. Brasília, 2012. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_saude_trabal
hador.pdf. Acesso em: 11 jul. 2025.
BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora nº 01 –
Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Atualizada em 2024. Disponível em: https://www.gov.br/trabalhoe-emprego/pt-br/assuntos/seguranca-e-saude-notrabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/nr-01. Acesso
em: 11 jul. 2025.
BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora nº 17 –
Ergonomia. Brasília. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-eemprego/pt-br/assuntos/seguranca-e-saude-notrabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/nr-17. Acesso
em: 11 jul. 2025.
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Disponível em:
https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338. Acesso
em: 16 jul. 2025.
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Vamos refletir sobre as
relações de trabalho por
meio da sétima arte?
Seguem aqui uma lista de filmes
que nos trazem uma reflexão
crítica sobre as relações de poder,
saúde mental e os desafios
contemporâneos vinculados ao
trabalho:
Tempos Modernos (Modern Times) - 1936
A obra cinematográfica “Tempos Modernos”, lançado
em 1936, estrelada por Charlie Chaplin, apresenta-o
como um operário de uma fábrica, e sua vivência em um
ambiente industrializado e estressante, sob condições
desumanas, desempenhando a atividade repetitiva de
rosquear parafusos, fora a exigência insistente do seu
patrão para maior produtividade. Expõe uma crítica
social voltada ao capitalismo, à industrialização, às
condições de trabalho e à exploração dos trabalhadores,
além da repressão de movimentos sociais.
Amor sem escalas (Up in the Air) - 2009
O filme “Amor sem escalas”, narra a história de Ryan
Bingham, um executivo profissional contratado para
demissão de funcionários, o que fazia-o viajar
constantemente e se expor a cenários imprevisíveis em
relação a resposta emocional dos demitidos. Em uma
dessas viagens, conhece Natalie Keener, uma jovem que
propõe uma forma mais barata e impessoal de demissão,
por meio de um sistema de videoconferências. Ryan
pretende mostrar a Natalie o erro desse sistema e
enfatizar a necessidade dessa interação delicada ser de
maneira presencial e cautelosa
O lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street) - 2013
O filme “O lobo de Wall Street”, conta sobre Jordan
Belfort, performado por Leonardo DiCaprio, um corretor
de ações de uma empresa que abre, juntamente com
amigos, seu próprio negócio. A obra expõe a ascensão,
marcada pelo desenvolvimento e o grande sucesso da
empresa de Jordan Belfort, que ao lidar com a fortuna
adotou um estilo de vida impulsionada pela excitação,
ganância e drogas. E também a sua queda, com o modo
de viver nocivo de Jordan e o envolvimento em crimes
fiscais, despertando o interesse do FBI em investigar o
veloz avanço da empresa, assim como seus enormes
gastos.
Cisne Negro (Black Swan) - 2010
A obra “Cisne Negro” narra a história de Nina, uma
jovem e dedicada bailarina, com o objetivo de
conquistar um papel de destaque na compania de ballet,
um ambiente extremamente competitivo e exigente. É
observada a insistente busca de Nina pela perfeição,
digna de uma majestosa apresentação do “Lago dos
Cisnes”, essa que já estava preparada performar o Cisne
Branco, mas criticada como medrosa e frágil, pelo seu
treinador, para ser o Cisne Negro. Nina evolui para um
intenso desgaste psicológico, ansiedade, agressividade,
neurose, psicose e perversão, uma enorme luta pelo
papel protagonista.
Um estranho no ninho (One Flew Over the Cuckoo's
Nest) - 1975
Na obra cinematográfica “Um estranho no ninho”,
retrata a história de Randle McMurphy, que foi internado
em um hospital psiquiátrico após fingir-se de louco,
como forma de escapar das acusações que o
condenaria. No hospital, observa-se a sua desobediência
e a busca pela liberdade, contrariando a enfermeira
Ratched, essa que estabelecia ordem e pressão sob seus
pacientes, com o objetivo deles se portarem como
“pessoas normais”. O comportamento de McMurphy
influenciava as outras pessoas ali internadas. O filme
apresenta uma crítica às instituições de saúde mental,
em relação ao tratamento dos pacientes, e a opressão
mascarada de ordem e normalidade, despertando
reflexões por muito tempo estigmatizadas.
Vamos escutar e aprender com podcasts:
Para ampliar reflexões sobre saúde mental, trabalho e
bem-estar no serviço público e no ensino superior,
apresentamos podcasts consolidados, com abordagens
atuais e linguagem acessível. São fontes ideais para
inspirar práticas saudáveis, gestão humanizada e
autocuidado institucional.
1. Trabalho Mental (Estadão)
Debate saúde emocional no trabalho,
produtividade e cultura organizacional.
Onde ouvir: Spotify | Apple Podcasts
burnout,
2. Humanamente (USP / Daniel Barros & Inês de Castro)
Analisa temas de saúde mental, neurociência e
comportamento, em formato de conversa leve e
acessível.
Onde ouvir: Spotify | Apple Podcasts
3. Trabalho em Pauta (TST – Tribunal Superior do
Trabalho)
Traz discussões sobre saúde e segurança no trabalho,
legislação, prevenção de riscos e condições laborais.
Onde ouvir: Spotify | Deezer | Apple Podcasts
4. 40 Semanas (PUCRS / Escola de Negócios)
Apresenta
temas
de
gestão
de
pessoas,
comportamento organizacional, liderança e bemestar no trabalho.
Onde ouvir: Spotify | YouTube
5. Prazeres da Vida Adulta (Gabi Butcher – Psicologia)
Fala sobre saúde mental cotidiana, ansiedade,
autocuidado, vida adulta e sobrecarga emocional.
Onde ouvir: Spotify | Apple Podcasts
Ilustração: Canva.com
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.18961595
ISBN nº 978-65-01-82904-3
Maceió - AL, 2026
Licença: Creative Commons 4.0.
https://creativecommons.org/lice
nses/by/4.0/deed.pt_BR 2023