Minuto da Ética

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                    MINUTO DA ÉTICA

LIDERANÇA, REPRESENTATIVIDADE E O FUTURO DA
GESTÃO PÚBLICA
Por Lídia Santos do Nascimento¹

O mês de julho nos convida a uma reflexão fundamental com o Dia Nacional de Combate à
Discriminação Racial (3/7). No serviço público, essa data vai muito além da celebração da
igualdade formal: ela nos convoca a pensar sobre como a Ética Pública se materializa no
desenho das nossas instituições e no topo das nossas tomadas de decisão.
Uma Administração Pública verdadeiramente ética e íntegra não pode se limitar a não
discriminar; ela deve, ativamente, ser o espelho da sociedade que buscamos construir. Sob
essa ótica, a promoção de ambientes institucionais inclusivos ganha contornos de eficiência
e justiça quando olhamos para a presença de servidoras e servidores negros, indígenas,
quilombolas, ciganos e de demais povos e comunidades tradicionais em cargos de
liderança e assessoramento.
Não se trata de um olhar assistencialista, mas de um imperativo de excelência. O Estado
brasileiro conta com profissionais dessas populações que são altamente qualificados e
preparados para o serviço público. Garantir que esses quadros plurais ocupem espaços
estratégicos de comando significa reconhecer sua competência e permitir que o topo da
gestão pública se beneficie de suas capacidades técnicas e intelectuais.
A diversidade de repertório e de vivências na liderança é um ativo indispensável para o ciclo
de políticas públicas. Planejar, implementar e avaliar ações estatais a partir de múltiplos
pontos de vista e trajetórias permite que o Estado enxergue nuances que a
homogeneidade costuma blindar. O resultado prático? Políticas públicas muito mais
assertivas, que dialogam com a real complexidade da população e que atuam de forma
cirúrgica na redução das desigualdades sociais históricas do país.
Como bem lembrado pelo Ministro Edson Fachin no XXVI Seminário de Ética na Gestão, a
era digital e a modernização do Estado exigem uma inclusão genuína, sob pena de
criarmos novas barreiras. A ética na gestão pública nos lembra que o poder do Estado deve
ser exercido por uma estrutura tão diversa quanto o povo a quem ela serve.

Combater a discriminação no ambiente institucional é, portanto, um compromisso com o
mérito, com a eficiência e com o futuro da democracia. Que este julho seja o marco para
consolidarmos lideranças estratégicas que reflitam a riqueza da nossa pluralidade e a
excelência da nossa governança.
¹ Servidora da SECE/MGI).

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