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35 ANOS PET UFAL - histórias, memórias e experiências que nos atravessam

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E-book PET UFAL 35 Anos.pdf
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                    35 ANOS
PET UFAL

histórias,
memórias e
experiências
que nos
atravessam

Organizadoras e organizador
Andrea Pacheco de Mesquita
Kall Lyws Barroso Sales
Lara Bianca Reis de Andrade
Lúcia Tone Ferreira Hidaka
Mirele Souza Urtiga

35 anos do PET UFAL: histórias,
memórias e experiências que nos
atravessam

Organizadoras e organizador
Andrea Pacheco de Mesquita
Kall Lyws Barroso Sales
Lara Bianca Reis de Andrade
Lúcia Tone Ferreira Hidaka
Mirele Souza Urtiga

Copyright Programa de Educação Tutorial da Ufal
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução
parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
Capa
Giselle Lopes dos Santos
Isidio Teixeira de Omena
Paloma Leite da Fonsêca Targino
Rodrigo Rafael Fernandes Ferreira
PET Arquitetura
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
Reitor
Josealdo Tonholo
Vice-reitora
Eliane Aparecida Holanda Cavalcanti
Pró-reitora de graduação
Eliane Barbosa da Silva
Coordenador de Desenvolvimento Pedagógico
Willamys Cristiano Soares Silva
Assistente em Administração
CDP/PROGRAD
Anthony de Souza Cunha
ISBN: 978-65-02-00964-2

Revisão
Hyago Marques
Kall Lyws Barroso Sales
Lara Bianca Reis de Andrade
Comissão do E-book
Andrea Pacheco de Mesquita
Isidio Teixeira
Kall Lyws Barroso Sales
Keuler Hissa Teixeira
Lara Bianca Reis de Andrade
Lucas Gabriel
Lúcia Tone Ferreira Hidaka
Marllus Gustavo Ferreira Passos das Neves
Mirele Souza Urtiga
Saulo Luders Fernandes
Thaissa Lúcio Silva
Comissão Científica
Andrea Pacheco de Mesquita (UFAL)
Kall Lyws Barroso Sales (UFAL)
Lúcia Tone Ferreira Hidaka (UFAL)
Keuler Hissa Teixeira (UFAL)
Marllus Gustavo Ferreira Passos das Neves (UFAL)
Saulo Luders Fernandes (UFAL)
Jonhatan Magno Norte da Silva (UFAL)
Marli de Araújo Santos (UFAL)
Andrea Pacheco de Mesquita (UFAL)
Thaissa Lúcio Silva (UFAL)
Kim Ribeiro Barão (UFAL)
Luciano Santos (UFAL)
Adriana Weber (UFAL)
Mirelle Souza Urtiga (UFAL)
Lara Bianca Reis de Andrade (UFAL

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
35 anos do PET UFAL [livro eletrônico] : histórias,
memórias e experiências que nos atravessam /
organizadoras e organizador Kall Lyws Barroso
Sales ... [et al.]. -- 1. ed. -- Maceió, AL :
Ed. dos Autores, 2026.
PDF
Outros organizadores: Andrea Pacheco de Mesquita,
Lara Bianca Reis de Andrade, Lúcia Tone Ferreira
Hidaka, Mirele Souza Urtiga
Vários autores.
ISBN 978-65-02-00964-2
1. Educação 2. Experiências de vida 3. História
4. Memórias 5. Programa de Educação Tutorial (PET)
6. Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
I. Sales, Kall Lyws Barroso. II. Mesquita, Andrea
Pacheco de. III. Andrade, Bianca Reis de.
IV. Hidaka, Lúcia Tone Ferreira. V. Urtiga, Mirele
Souza

26-346611.0

CDD-378.198
Índices para catálogo sistemático:

1. Programa de Educação Tutorial : Extensão
universitária : Educação superior 378.198
Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Sumário
Apresentação................................................................................................................................................................................................03
Andrea Pacheco de Mesquita, Kall Lyws Barroso Sales, Lara Bianca Reis de Andrade, Lúcia Tone Ferreira Hidaka , Mirele Souza Urtiga
Agradecimentos...........................................................................................................................................................................................04
Andrea Pacheco de Mesquita, Kall Lyws Barroso Sales, Lara Bianca Reis de Andrade, Lúcia Tone Ferreira Hidaka , Mirele Souza Urtiga
Sobre a capa..................................................................................................................................................................................................06
Giselle Lopes dos Santos, Isidio Teixeira de Omena, Paloma Leite da Fonsêca Targino, Rodrigo Rafael, Fernandes Ferreira, PET
Arquitetura
Prefácio.........................................................................................................................................................................................................08
Cid Olival Feitosa, Fabiana Pincho de Oliveira

1.

2.

3.

4.

5.

6.

7.
8.

9.

10.

11.

12.

PET PAESPE/Ciência e Tecnologia: Uma breve história de 13 anos de muito carinho, dedicação e paixão por transformar!
.......................................................................................................................................................................................................................13
Andressa Veríssimo de Brito, Aristides Guilherme da Silva, Matheus Henrique Monteiro Silva, Jadson César da Silva Santos, Sayonara
Esther da Silva Ferreira
PET Ambiental: O cultivo de uma jornada de inovação, reinvenção e acolhimento.............................................................................21
Ana Carina Estevam Tenório, Arthur Diegues Barros Rogerio de Oliveira, Cauê Ferreira Marinho da Silva, Daniel Muniz de Almeida,
Enric Vilela Gonzaga de Melo, João Davi da Silva Moura, Kettlen Caroline Rocha Lima Abreu, Lara Leandra Cavalcante de Oliveira
Nascimento, Louise Moreira Sampaio Costa, Luís Felipe Silva de Jesus, Maisa Gonçalves Torres da Silva, Matheus Henrique Olimpio
dos Santos, Maysa Karla Vieira dos Santos, Serena Inaê Rocha Santos, Tálison Felipe da Silva Barros, Viviane Tavares Silva, Wallace
Souza Alves e Marllus Gustavo Ferreira Passos das Neves.
PET Engenharias: semeando o conhecimento no Sertão Alagoano........................................................................................................41
Guilherme Cardial Lopes da Silva, Fábio Dantas de Melo, Victor Manoel Barbosa dos Santos, Felipe Marlon da Silva , Iranildo Campos
de Oliveira, Jonhatan Magno Norte da Silva, Agnaldo Júnior Lima dos Santos, Allan Luka Pereira dos Santos, Damião do Nascimento
Barboza, Eduarda Pinheiro Barbosa da Silva, Erik Eduardo Honorio Pereira, Silmayko Gomes da Silva, João Paulo Barros Nascimento,
Kauã Diego Abreu da Silva, Larissa Medeiros Goes, Milena Nery dos Santos
13 anos de Nesal: a universidade pública próspera na terra fértil dos saberes tradicionais...................................................................52
Amanda Rafaella Vasconcelos Farias, Débora Camylla da Silva Oliveira, Deusa Barbosa de Andrade, Evelyn Nathália Vieira Farias,
Gilvana Suane Santos de Souza, Gustavo Eduardo Avelino, Larissa Silva dos Santos, Anidayê Angelo Amorim, Luana Cláudia Ferreira
Magalhães, Lucas Flávio de Oliveira Lima, Mara Daiana Paixão Alencar, Maria Alice Teodoro da Silva, Maria Gabrielly da Silva Nunes,
Maria Rita de Carvalho Lima, Marli de Araújo Santos, Ranielli Oliveira Barbosa, Rita Gabriella Garcia Leite
Escrever para lembrar: nas tramas da memória dos trinta e cinco anos do PET Letras.......................................................................66
Alice Rodrigues Guedes, Clara Ferreira Pereira Freire, Kall Lyws Barroso Sales, Kezia Araújo Lins, Mirele Souza Urtiga, Sophia Maciel
da Silva Barros
Narrativas do PET-Psicologia Ufal: 15 anos de memória e (re)existência..............................................................................................78
Albiratan Candido Ulisses, Aline Cecílio da Silva, Ana Clara de Almeida Rocha, André Rodrigues Ferreira, Beatriz Maria Alencar Lira,
Beatriz Maria Santos Pessoa, Daniella Vieira de Almeida, Flávia Tiemi Nonaka, Isadora da Hora Rodrigues, Jhonael Ursulino da Rocha
Silva, Julia Menta Lima, Ketley Maria da Silva de Souza, Lara Bianca Reis de Andrade, Letícia Ferreira Acioli, Marielle Giovanna da
Silva Teixeira, Milena da Silva Medeiros, Saulo Luders Fernandes, Tainá de Paula Gonçalves da Silva, Williany Amorim de Oliveira
Tutoria Júnior e Nivelamento das Engenharias.......................................................................................................................................92
Evyllyn dos Santos Vieira, Marília Suelen de Barros Couto, Wislayne Souza Alves
Caminhos traçados: uma jornada pelo PET Economia da Ufal e seus egressos...................................................................................104
Antonio Bernardo Batista de Carvalho Soccol, Beatriz Duarte de Souza, Gabriel Peixoto Brandao Rodrigues, Gabriel Raymond Le
Campion, Giovanna Viana da Silva, Joao Pedro De Amorim Lucena Lima, Laila Siqueira Ribeiro Januário, Leticia Ferreira da Silva, Lucas
Matheus Falcão da Silva, Thiago Vinnicíus Meireles Toledo Santos, Wellington Domingos dos Santos, Keuler Hissa Teixeira
PET Arquitetura: mais de 25 anos arquitetando em bando entre lagoas e tabuleiros.........................................................................117
Giselle Lopes dos Santos, Alysson Melo de Santana, Lara Amorim Dantas, Adna Fernanda Litrento da Costa, Lúcia Tone Ferreira Hidaka
A educação tutorial na formação em Serviço Social da Ufal: reflexões acerca da importância do PET para uma formação crítica
e cidadã.......................................................................................................................................................................................................133
Alane Ananias da Silva, Andrea Pacheco de Mesquita, Andressa Clívia Santos Soares, Iris Leticia Soares Vieira, Jaqueline Lais da Silva
Santos, Juan Douglas Silva de Sá, Juliane Maria Batista de Araújo, Lilian Leite Macedo, Maria Eduarda da Silva Nobre, Patrícia Silva
Magalhães, Samara Lívia Silva Marcelino, Sarah Gabrielle dos Santos Nobre, Vitória Regina de Carvalho Meireles
13 anos do PET Penedo: entre diálogos e saberes...................................................................................................................................149
Ludmylla Wolpert Melo, Steven Willian Santos, Anclys Henry dos Santos Pereira, Amanda Valadão Souza, Johnatan Ferreira da Silva,
Karine Stefania Diógenes Guerra, Lucas Mariano Brito Silva, Makes Henrique dos Santos Batista, Mariana Brandão Amaral, Waleska
Davino Lima, Alexandre Ricardo de Oliveira, Diógenes Meneses dos Santos, Kim Ribeiro Barão.
A experiência transformadora do PET Química: relatos de petianos sobre os impactos do programa na vida pessoal, acadêmica
e profissional...............................................................................................................................................................................................162
Anniele Sterfany Santos Leite, Edson José da Silva, Thaissa Lúcio Silva, Vinicius Del Colle, Wanessa Kelly Vieira de Almeida, Wilmo
Ernesto Francisco Junior

Apresentação
O livro 35 anos do PET UFAL: histórias, memórias
e experiências que nos atravessam é o resultado de uma
parceria de sucesso entre os doze grupos do Programa de
Educação Tutorial (PET) e é, antes de tudo, um convite à
memória, à experiência viva, crítica e politicamente situada,
cuja história não se constrói de forma linear nem pacificada:
ela é desenhada por fragmentos, tensões, encontros e
resistências que seguem interpelando o presente e
revestindo-o de futuro.
Ao narrar os trinta e cinco anos do Programa de
Educação Tutorial na Universidade Federal de Alagoas,
celebrados em 2023, este livro, lançado três anos após esse
ano festivo, ultrapassa o registro cronológico e
institucional. O que os grupos nos apresentam nesta obra é
uma trama de vivências coletivas que transformaram
trajetórias acadêmicas, profissionais e humanas de
discentes, docentes e comunidades externas, todas
alcançadas pelas ações do PET. São memórias que revelam
como o programa se mantém como espaço fundamental
para a formação crítica, para o compromisso social e para a
defesa de uma educação pública de qualidade.
Nos capítulos escritos por discentes e docentes,
autores e autoras evidenciam a construção do PET UFAL
como uma coletividade plural, formada a partir das
especificidades de cada grupo, das áreas do conhecimento
envolvidas e das vivências singulares de seus integrantes.
Assim, 35 anos do PET UFAL: histórias, memórias
e experiências que nos atravessam não nos apresenta um
livro sobre o passado apenas, ele é um testemunho vivo de
uma experiência educacional que continua a produzir
sentidos, afetos e futuros possíveis para todas as pessoas
que fazem e fizeram parte dessa história.

Andrea Pacheco de Mesquita
Kall Lyws Barroso Sales
Lara Bianca Reis de Andrade
Lúcia Tone Ferreira Hidaka
Mirele Souza Urtiga

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Agradecimentos
O que hoje nomeamos como PET UFAL, e que se
materializa nas páginas deste livro, é fruto de um processo
coletivo que remonta a 2004, quando os grupos PET da
Universidade Federal de Alagoas se uniram para sediar o
primeiro Encontro Nacional dos Grupos PET. A partir
desse momento, não apenas se fortaleceu o diálogo entre os
grupos, como também foram criadas instâncias e
normativas que consolidaram essa articulação, a exemplo
do Grupo de Representantes Discentes dos doze grupos
PET, o G12. Desde então, o PET UFAL vem se
constituindo como uma experiência coletiva, plural e em
constante construção.
A ideia deste livro surgiu anos depois, em 2022,
durante uma reunião do Comitê Local de Acompanhamento
e Avaliação (CLAA). Inicialmente, a proposta, apresentada
pelo professor Willamys Cristiano Soares Silva,
representante da Pró-reitoria de Graduação, era reunir e
registrar as experiências dos grupos PET durante o período
da pandemia, um momento desafiador que exigiu
reinvenção e resistência. Contudo, foi em 2023, inspirado
pelas celebrações dos 35 anos do PET Letras, que o projeto
ganhou novos contornos. Inspirada por esse marco, a
professora Fabiana Pincho, tutora egressa, propôs que a
obra se ampliasse, passando a contemplar não apenas um
recorte temporal específico, mas as memórias de cada
grupo enquanto parte de uma história coletiva maior: a do
PET UFAL.
Assim, a comissão responsável pela organização do
livro assumiu um novo propósito, o de construir, por meio
da escrita, um registro da coletividade que sustenta o
programa. Ao longo de três anos, esse processo foi
atravessado por mudanças, com a entrada e saída de
diferentes membros na comissão. Ainda assim, o trabalho
permaneceu ancorado no coletivo, sendo constantemente
alimentado pelas discussões no CLAA e pelo diálogo com
os representantes discentes no G12. Por isso, agradecemos
às várias mãos pelas quais o livro passou, mãos que lutaram
para que esta proposta resistisse às transições internas no
programa e pudesse ser publicada, mesmo após a saída de
tantos nomes que ajudaram a escrevê-la.
Agradecemos, igualmente, aos e às discentes e
docentes dos doze grupos que compõem o PET UFAL, que
aceitaram o convite de compartilhar suas trajetórias e o
fizeram à sua maneira, imprimindo em cada texto a
4

singularidade de suas vozes. Um agradecimento especial
também aos e às discentes Giselle Lopes, Isídio Teixeira,
Paloma Targino e Rodrigo Ferreira, do PET Arquitetura,
que aceitaram o desafio de traduzir visualmente, na capa
desta obra, a ideia de união que atravessa este coletivo
diverso, um grupo que, apesar de suas múltiplas diferenças,
segue voando em bando.
Mais do que um registro histórico, este livro evidencia,
em suas entrelinhas, o potencial transformador do Programa
de Educação Tutorial e o modo como ele se enraíza e se
reinventa na Universidade Federal de Alagoas. Trata-se,
também, de um marco: o primeiro livro construído
coletivamente pelo PET UFAL, símbolo de uma trajetória
compartilhada e de um compromisso contínuo com o
ensino, a pesquisa e a extensão.
A todas e todos que tornaram esta obra possível, o
nosso agradecimento.
Andrea Pacheco de Mesquita
Kall Lyws Barroso Sales
Lara Bianca Reis de Andrade
Lúcia Tone Ferreira Hidaka
Mirele Souza Urtiga

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Sobre a capa
O ebook 35 anos do PET UFAL: histórias, memórias
e experiências que nos atravessam do PET UFAL, que
celebrou seus 35 anos, representa um marco significativo
na história e trajetória do programa, que tem como tríade
pesquisa, ensino e extensão. Ao longo de três décadas e
meia, o PET UFAL tem desempenhado um papel
fundamental na formação acadêmica, na promoção da
cidadania e no desenvolvimento pessoal e profissional tanto
dos estudantes envolvidos quanto do público externo
alcançado por suas ações.
Este ebook não apenas celebra as conquistas e
realizações do PET UFAL ao longo dos anos, como
também destaca sua relevância contínua na atualidade,
preservando a memória e o legado do programa. Trata-se de
uma oportunidade única de refletir sobre o impacto positivo
do PET UFAL, não apenas na trajetória dos estudantes
participantes, mas também na comunidade acadêmica e na
sociedade em geral.
De modo a representar todo esse legado construído ao
longo de seus 35 anos de existência, a capa do ebook foi
pensada a partir de uma reflexão que expressa a dinâmica
de integração entre os petianos, ancorada no lema do PET
UFAL, que permanece sendo 'Voar em bando', pois
acreditamos firmemente na importância do trabalho
coletivo e em sua força.
Nesse sentido, a espécie escolhida para representar a
identidade visual da capa foi o Anu-Branco, ave que
representa a união e cooperação nos céus alagoanos. O
Anu-Branco é caracterizado por transcender o mero
agrupamento por convivência; seu comportamento revela
uma intricada teia de relações, na qual a cooperação é um
ponto essencial para o bem-estar do grupo.
A silhueta do pássaro principal é formada por
pequenos pássaros voando em bando, representando a
participação e pluralidade de cada petiano na construção do
legado do programa ao longo desses 35 anos. Além disso, é
comum observar essas aves aladas em uma coreografia
harmoniosa, nos quais cada movimento expressa vínculos
construídos pela convivência e pela resiliência. Essa
imagem estabelece uma analogia com o fluxo migratório,
um percurso desafiador, porém repleto de aprendizados —

6

no qual a ave traça novos voos, mesmo sem a certeza exata
do destino.
A paleta de cores foi definida a partir do estudo das
identidades visuais de cada grupo PET da UFAL,
respeitando suas singularidades. Desse processo,
destacaram-se as cores vermelho, azul, laranja, amarelo e
verde. Além disso, essas tonalidades estão fortemente
presentes na fauna e na flora alagoanas, compondo de forma
autêntica e representativa a identidade visual da capa do
ebook.
O ebook do PET UFAL, em seus 35 anos, é mais do
que uma simples comemoração. Trata-se de um tributo ao
programa que contribuiu para a formação não apenas de
acadêmicos, mas de cidadãos comprometidos com o bemestar coletivo. Por meio de histórias inspiradoras e
aprendizados significativos, a obra celebra as conquistas do
passado e reafirma a importância contínua do PET UFAL
no presente. É uma ode à diversidade, inclusão e excelência
acadêmica, que têm sido a essência deste programa ao
longo dos anos. Mais do que um livro, é um legado que será
lembrado e apreciado pelas gerações futuras.
Giselle Lopes dos Santos
Isidio Teixeira de Omena
Paloma Leite da Fonsêca Targino
Rodrigo Rafael Fernandes Ferreira
PET Arquitetura

7

Prefácio
Prefaciar o livro 35 anos do PET Ufal: histórias,
memórias e experiências que nos atravessam convoca-nos
a resgatar a concepção rica e complexa de memória,
desenvolvida por Walter Benjamin (1892-1940), influente
ensaísta, crítico literário e historiador judeu-alemão. Suas
reflexões desvendam como a memória está intrinsecamente
ligada à experiência humana, à história e à cultura.
No conjunto de ensaios, intitulados de Teses sobre
o conceito de História (1940), Benjamin defende que a
história não é uma narrativa linear de progresso, mas um
campo de forças, onde o passado pode ser redescoberto e
recontextualizado para desafiar o presente. A memória,
nesse sentido, torna-se um ato político de resistência, no
qual os fragmentos do passado podem ser usados para
avaliar e reinterpretar o presente.
Revestido dessa concepção de memória, este livro
conta os 35 anos de história do Programa de Educação
Tutorial na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Muito mais que o registro de um passado, esta obra traz uma
reflexão crítica sobre as múltiplas experiências, trajetórias
e relações vivenciadas em mais de três décadas de PET na
UFAL que possibilitaram a transformação social e cultural
de inúmeros discentes, docentes e comunidade externa
alcançados pelas ações do Programa.
Essas memórias revelam a construção de uma
unidade (o PET UFAL) a partir das especificidades
advindas das circunstâncias de criação de cada grupo, das
áreas de conhecimento envolvidas, das vivências de cada
integrante. Os 12 capítulos que compõem esta obra tecem a
história do PET UFAL em seus 35 anos de existência,
repletos de desafios, trabalho constante, diálogos, conflitos,
afetos, partilhas e compromisso com a educação de
qualidade e com a formação de profissionais éticos e
preocupados com uma sociedade mais justa.
Assim, somos convidados a percorrer as linhas de
uma história incialmente traçadas por dois visionários
docentes que, em 1988, perceberam o potencial do
Programa de Educação Tutorial na Universidade Federal de
Alagoas. Primeiro, a professora Maria Denilda Moura
enxergou no PET a oportunidade de formar estudantes para
o primeiro Programa de Pós-Graduação da Ufal que ela
pretendia criar; meses depois, o professor Roberaldo
8

Carvalho de Souza, após sua experiência acadêmica no
exterior e o retorno como docente para Ufal, percebeu no
PET a oportunidade de contribuir com a graduação em
Engenharia Civil, onde iniciou sua formação. Em áreas
diferentes e no mesmo ano, ambos professores lançaram as
sementes de um programa que, na época, chamava-se
Programa Especial de Treinamento e pretendia fomentar
um espaço em que os estudantes pudessem se dedicar a uma
vida acadêmica mais intensa, oferecendo uma oportunidade
única de crescimento acadêmico e pessoal, contribuindo
para a formação de profissionais mais capacitados e
conscientes de seu papel na sociedade.
Norteados pelos mesmos princípios, surgem, em
anos distintos, o PET Economia (1991), o PET Arquitetura
(1995) e o PET Psicologia (2008). Em 2010, num
movimento de ampliação de políticas de incentivo ao
ensino superior, o MEC abre edital para criação de novos
grupos em todo o país. Na UFAL, coincidindo com o
processo de expansão e interiorização da Universidade, são
criados os grupos PET Ciência e Tecnologia (PET C&T) ou
PET PAESPE, PET Engenharia Ambiental, PET Conexões
de Saberes Serviço Social, PET Conexões de Saberes
Penedo, PET Química no Campus Arapiraca, PET
Semiárido Alagoano no campus Palmeira dos Índios
(PETNESAL) e PET Engenharias no campus Sertão.
O PET UFAL acompanhou as mudanças do
Programa em âmbito nacional, evoluindo de ações voltadas
principalmente à qualificação dos bolsistas para o ingresso
nos programas de pós-graduação, quando ainda era o
Programa Especial de Treinamento, para um Programa que
agora se dedica à melhoria dos cursos de graduação, a partir
de uma formação ampla e de qualidade, com valores que
reforçam a cidadania e a consciência social, conforme
orientação nos documentos que normatizam o Programa de
Educação Tutorial.
Além disso, o PET UFAL criou uma identidade
própria e tornou-se referência de organização em âmbito
nacional. Graças ao trabalho incansável e colaborativo de
discentes e docentes, foi estruturado o Comitê Local de
Acompanhamento e Avaliação (CLAA) em 2012, o que
possibilitou a elaboração de resoluções que aprovaram a
Normatização do PET e o Regimento do CLAA na UFAL,
em 2019, uma vitória para toda comunidade petiana, agora
formalmente reconhecida pela Instituição.
Essa trajetória de sucesso e reconhecimento
institucional se reflete também nas histórias individuais dos
diversos grupos PET UFAL. No primeiro capítulo, a
9

história do PET Ciência e Tecnologia (PET C&T) se
entrelaça com a história do Programa de Apoio aos
Estudantes de Escolas Públicas de Alagoas (PAESPE), este
último criado pelo Professor Dr. Roberaldo Carvalho de
Souza para ampliar o acesso do jovem de escola pública à
Universidade Federal de Alagoas. O PET C&T surge com
o objetivo de acolher os estudantes do PAESPE aprovados
no vestibular e que precisam de apoio para permanecer e
concluir a graduação. Assim, o grupo é conhecido como
PET PAESPE.
O PET Engenharia Ambiental iniciou suas
atividades antes mesmo da criação oficial do grupo,
seguindo o modelo de atuação do bem sucedido grupo PET
Engenharia Civil. O capítulo destaca a criação da
identidade do PET UFAL, de “voar em bando”, e ressalta
que o PET não é apenas um programa que busca a formação
acadêmica de excelência, mas também que procura
entender a realidade na qual está inserido para promover e
reconhecer a importância da formação política e cidadã.
O PET Engenharias demonstrou empenho e
dedicação para iniciar um programa num campus em
construção, o campus Sertão. Evidenciou como o PET
acompanhou as transformações nacionais e locais,
resultantes do processo de expansão da UFAL, alinhadas à
política nacional de interiorização do ensino superior. Entre
tantas peculiaridades, destacamos a forte atuação do grupo
na comunidade externa, como escolas públicas e lideranças
comunitárias.
O PET Nesal surge com o objetivo de pensar o
semiárido alagoano numa perspectiva interdisciplinar por
meio do diálogo entre os cursos de Serviço Social e
Psicologia, em Palmeira dos Índios – AL. Os variados
projetos de atuação do grupo contribuem para discussão de
temas relevantes, como as questões étnico-raciais, e para o
desenvolvimento da realidade local, especialmente
envolvendo grupos como quilombolas, comunidades rurais
e indígenas.
O PET Letras rememora, nas linhas traçadas
nos seus 35 anos de existência, resistência e reexistência, a
contribuição do programa nas mais variadas instâncias da
Faculdade de Letras, em especial na formação de docentes
e discentes que passaram pelo grupo. Destaca como o PET
é um programa de vanguarda, que sempre promove a
discussão de temáticas inovadoras que desafiam a todos a
construir uma nova sociedade, mais inclusiva e justa
socialmente.

10

O PET Psicologia tece o capítulo a partir da
análise temática de cartas escritas por egressos (discentes e
tutores) cujo destinatário é o próprio programa. Nas cartas,
prevalece a ideia que a experiência e a vivência pessoal são
ressignificadas coletivamente e se transformam na memória
social do grupo. Salienta que o PET busca subverter uma
lógica estabelecida de educação que insiste em oprimir,
promovendo outra que amplifica vozes historicamente
silenciadas e, assim, constrói uma nova forma de educação
baseada no respeito às diferenças e no sentimento de
pertencimento.
O PET Engenharia Civil traz para o texto o
relato de alguns egressos, mostrando como o grupo atua de
forma orgânica com as instâncias deliberativas do curso de
Engenharia Civil, como o Colegiado, desenvolvendo ações,
como o Nivelamento para os Feras e a Tutoria Junior,
determinantes para a redução da evasão no curso.
No capítulo dedicado ao PET Economia, os autores
traçam o perfil dos estudantes que integraram o grupo no
período de 2012 a 2023 e a contribuição do programa na
formação acadêmica, profissional e pessoal desses
discentes, utilizando-se de uma abordagem quantitativa dos
dados apresentados nos relatórios disponibilizados no
Sistema de Gestão do Programa de Educação Tutorial
(SIGPET) e na Pró-Reitoria de Graduação da Ufal
(PROGRAD).
O PET Arquitetura celebra os 35 anos do PET
Ufal e os 50 anos do curso de bacharelado em Arquitetura
e Urbanismo na Ufal ao rememorar a construção coletiva
do PET Arqui em seus 29 anos de existência a partir da
descrição e da análise dos ciclos vivenciados pelo grupo sob
a gestão de 5 tutores. São mostrados os desafios enfrentados
e as mudanças realizadas por cada tutor/a numa gestão
marcadamente horizontal, identificada como o DNA do
grupo.
No capítulo dedicado ao grupo Serviço Social,
os autores mostram como o PET SSO colabora há 14 anos
com a formação crítica do curso de Serviço Social,
especialmente na discussão de temas, como as relações
étnico-raciais, gênero e sexualidade. O grupo atua em
consonância com as propostas do Colegiado do Curso e
contribui significativamente com a inserção dos temas
transversais e a curricularização da extensão nas inúmeras
atividades planejadas, executadas e avaliadas pelo grupo.
O PET Conexões de Saberes Penedo é por
natureza um PET interdisciplinar, já que é composto por
discentes de cinco cursos: Turismo, Engenharia de Pesca,
11

Ciências Biológicas, Engenharia de Produção e Sistemas de
Informação. O capítulo mostra como a interdisciplinaridade
se faz presente nas atividades do grupo, como os integrantes
a concebem e como é desafiante construir a unidade dentro
da diversidade.
Por fim, o último capítulo do livro é dedicado
às memórias dos integrantes do PET Química (discentes e
tutores). Os relatos expõem algumas contribuições do
programa para a vida acadêmica e profissional de seus
integrantes, com destaque para a gestão do tempo para
estudo, a criação de vínculos interpessoais e do sentimento
de pertencimento ao curso.
As histórias apresentadas ao longo dos 12 capítulos
refletem um contínuo e dinâmico processo de construção
coletiva, não desprovida de diferenças, mas enriquecida por
singularidades,
afetos,
respeito,
acolhimento
e
pertencimento. Assim como a memória individual é
moldada pelas experiências e perspectivas únicas de cada
pessoa, a memória coletiva do PET UFAL é construída a
partir das narrativas e vivências de seus diversos
integrantes. A história do programa não é apenas um
registro de eventos passados, mas um tecido vivo de
experiências, emoções e aprendizados que continuam a
influenciar o presente e a inspirar o futuro.
Cid Olival Feitosa
Fabiana Pincho de Oliveira

12

CAPÍTULO 1
PET PAESPE
Ciência e
Tecnologia

13

1. PET PAESPE/Ciência e Tecnologia: Uma breve
história de 13 anos de muito carinho, dedicação e
paixão por transformar!
Autores/Autoras
Andressa Veríssimo de Brito
Aristides Guilherme da Silva
Matheus Henrique Monteiro Silva
Jadson César da Silva Santos
Sayonara Esther da Silva Ferreira
É impossível contar a história do PET PAESPE –
Ciência e Tecnologia sem antes falar um pouco sobre a
trajetória do programa que inspirou a criação do grupo e
cuja sigla trazemos com orgulho em nosso nome.
Em 1992, um episódio marcante ocorreu quando um
professor universitário encontrou uma jovem estudando
sozinha em uma das salas de aula do Centro de Tecnologia
da Universidade Federal de Alagoas (CTEC/UFAL). Após
uma breve conversa, descobriu-se tratar-se de uma
estudante do ensino médio que estava se preparando para o
vestibular daquele ano.
Esse diálogo impactou profundamente o professor
Roberaldo Carvalho de Souza, que pôs-se a refletir sobre a
difícil realidade enfrentada por diversos estudantes de
escola pública diante da falta de oportunidades e melhor
qualidade no ensino ofertado.
Desse modo, com o objetivo de evitar que esses
alunos desistissem do sonho de ingressar na Universidade e
conquistarem uma qualidade de vida melhor, o professor
criou o Programa de Apoio aos Estudantes das Escolas
Públicas do Estado (PAESPE).
Desde sua criação, o Programa de Apoio a
Estudantes de Escolas Públicas (PAESPE) tem
desempenhado um importante papel na educação dos
jovens que dele participam, contribuindo para aumentar o
número de estudantes oriundos de escolas públicas que
ingressam no ensino superior e conseguem se formar e obter
sucesso em suas vidas profissionais.
O PAESPE alcança esse objetivo ao oferecer
ambientes de aprendizado dinâmicos, centrados na
acessibilidade e adaptados para atender às necessidades
individuais dos participantes. Exemplos notáveis de
sucesso e relatos inspiradores integram os mais de trinta
anos de história desse Programa.

14

Além do impacto social significativo, o PAESPE é
de extrema relevância para o nosso grupo, o PET PAESPE
– Ciência e Tecnologia, pois nossas origens estão
intimamente ligadas ao próprio Programa. Isso é
evidenciado, por exemplo, pelo fato de o termo Ciência e
Tecnologia ter sido acrescentado informalmente ao nome
do grupo com o objetivo de destacar as diferentes áreas de
conhecimento que o integram desde sua origem, muito
embora o nome oficial permaneça PET PAESPE.
E agora podemos estar pensando “Entendi, que
massa a história do PAESPE! Mas, e onde vocês entram
nisso tudo?”. Bom, tudo teve início e a partir da seguinte
indagação do professor Roberaldo: “Agora, dentro da
universidade, como oferecer um acolhimento eficaz aos
estudantes que passaram pelo PAESPE e conquistaram a
tão sonhada vaga na UFAL?”
Ele viu o PET como uma solução para o
atendimento, crescimento e transformação para esses
alunos e incentivou a formação de um grupo assim na
UFAL. Dessa forma, no dia 01 de dezembro de 2010 e após
um processo seletivo nacional foi fundado um grupo PET
que tinha por objetivo acolher os estudantes dos cursos de
exatas da UFAL que foram oriundos de instituições
públicas, com foco nos egressos do PAESPE. Portanto, não
poderíamos ter um nome melhor, inicialmente, do que PET
PAESPE.
A decisão de permitir apenas a entrada de estudantes
de escolas públicas, instituições filantrópicas ou bolsistas
de escolas particulares foi feita para abrir mais
oportunidades para esses alunos, especialmente aqueles que
vieram do PAESPE. Isso tem permitido que os membros do
nosso grupo entendam de forma profunda os desafios
enfrentados
pelos
alunos
do
PAESPE, já que eles próprios também passaram por
experiências semelhantes anteriormente. Além disso, eles
servem como inspiração para esses alunos, pois
demonstram que estudantes em condições similares a deles
conseguiram chegar nos locais onde eles também sonham
em estar.
A jornada universitária é um grande desafio repleto
de tantos caminhos a serem explorados que às vezes
ficamos perdidos no meio das possibilidades. Neste caso,
temos a figura do tutor uma espécie de “guia” ou orientador
que nos auxilia, a partir da própria experiência, em relação
às escolhas acadêmicas e pessoais que nos aflige durante a
vida universitária.

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O professor Luciano Santos, nosso primeiro tutor,
desempenhou um papel pioneiro e relevante na criação do
programa. Ele enfrentou os desafios junto com o grupo,
oferecendo o apoio necessário para manter o programa em
funcionamento e encorajou os tutorandos a traçarem seus
próprios caminhos, como verdadeiros desbravadores,
contribuindo para a formação das primeiras experiências,
culturas e identidades do nosso grupo. Foi com ele e com a
primeira geração de petianos que surgiu o termo 'Ciência e
Tecnologia' que foi incorporado ao nome do grupo.
Nosso segundo mentor foi o fundador do nosso
PET, o professor Roberaldo Carvalho. Ele trouxe toda a sua
experiência e conhecimento para ajudar os membros a
traçarem bons caminhos e a formarem uma nova identidade
para o PET PAESPE, que agora é denominado de PET
PAESPE – Ciência e Tecnologia, formando profissionais
que nos orgulhamos de olhar seus nomes na plaquinha de
aposição.
Dando progressão à passagem, tivemos o professor
Eduardo Lucena. Ele é o exemplo perfeito do ditado "o bom
filho à casa torna". Tendo sido orientado por um grupo PET
durante sua graduação, ele retornou como guia para
retribuir tudo o que havia recebido. Consigo, trouxe novas
metodologias e o desejo de transformar o PET pra melhor
sempre zelando pelo acolhimento e direcionando os
petianos por meio de indagações, pensamentos, perguntas,
mas nunca com a resposta pronta, esta sairia com o
amadurecimento do próprio estudante. Além disso, é
bastante renomado entre as mais diversas gerações de
petianos por ser extremamente versado na arte de
providenciar pizzas e lanchinhos para o grupo.
Atualmente, o professor Luciano retornou às suas
origens e decidiu embarcar novamente na jornada como
tutor do C&T. Depois de tantos anos, ele retorna
continuando o ambiente leve e espontâneo, além de adorar
trazer reflexões e dinâmicas para enriquecimento do grupo.
Outra coisa que podemos citar é sua facilidade em fazer mil
coisas ao mesmo tempo, ler seis livros em uma semana só
por puro interesse em algo novo e muitas outras qualidades.
Desde a sua criação em 2011 até 2023, o grupo tem
mantido uma série de atividades anuais, algumas delas
incluem as aulas no PAESPE e no PAESPE Jr., a Semana
da Capacitação, o Seminário de Pesquisa (SEMP), a
Reunião Temática, Capacitação Interna (CAPINT), a
Tutoria Jr., os Cursos para a Comunidade, o PET sem
Fronteiras, a Engenharia em Prática e o Encontro da Língua
Inglesa como Ferramenta (ELIF), entre outros.
16

Algumas atividades passaram por adaptações, como
a antiga Semana da Capacitação, que foi reformulada como
Ciclo de Capacitação para atender às demandas atuais dos
estudantes do CTEC e de instituições externas. Agora, esses
cursos são oferecidos de forma mensal, a depender do
público alvo. Além disso, a Monitoria de Cálculo 1 foi
incorporada ao Manual de Sobrevivência de Cálculo 1, uma
apostila abrangendo todo o conteúdo da ementa do curso de
Cálculo 1. Essa iniciativa resultou do esforço conjunto dos
membros do C&T, com o propósito de continuar
fornecendo suporte aos universitários e ajudar a suprir suas
necessidades de forma eficiente, sempre divulgando aos
calouros no Nivelamento das Engenharias.
Além disso, é digno de nota mencionar uma das
atividades mais inspiradoras, que é o Cursos para a
Comunidade. Esta iniciativa tem como objetivo capacitar
pessoas da comunidade externa à UFAL. Muitas vezes, os
participantes mais dedicados são os pais e responsáveis dos
alunos do PAESPE, que por vezes enfrentam desafios
financeiros significativos. Portanto, a atividade visa
melhorar a qualidade de vida deles por meio da obtenção de
novas habilidades, como demonstrado na última edição,
que envolveu a produção de produtos de limpeza, como a
fabricação de sabão em barra a partir de matérias-primas
reutilizáveis como o óleo de cozinha usado. Além disso, o
programa aborda tópicos sobre como administrar um
negócio próprio. Ao final deste curso, fomos calorosamente
aplaudidos pela organização exemplar da atividade e pela
dedicação e atenção dedicadas a todos os participantes.
Mas não é só de trabalho que se vive o petiano.
Muitos dias acabam em pizza. A salinha do C&T é lugar de
vivência e afeto para cada um do nosso grupo. Ela sabe
sentir como estamos e quando estamos passando por um
momento de estresse, ficando até mais quieta quando
precisamos.
É um espaço no qual fazemos quase tudo. Temos
reuniões, estudamos, realizamos nossas refeições (um café
sempre cai bem, não é mesmo?). Tiramos dúvidas dos
alunos e até de nós mesmos (a gente que lute!), acolhemos
nossos colegas de curso, e ela é até dormitório para quem
conseguir dormir. Há também os nossos armários, pois
neles estão guardados um pedacinho da vida de cada
membro. Há quem guarde o trivial, como livros e
anotações, mas há quem guarde bolachas de sete dias! Já dá
para imaginar o caso, né?
Depois daquela prova complicada, temos a certeza
que é o lugar onde iremos encontrar aconchego, uns
17

tocando violão e outros pandeiro, indo do pagode ou
sertanejo. Tudo isso compõe nosso lar, o que torna o
pedacinho do céu.
O espaço de reuniões vira um QG de estudos
durante as revisões pré prova. No verão, nosso principal
alívio é o ar condicionado da sala que a torna ainda mais
convidativa, apesar de dividir opiniões entre seus
moradores por promover a discórdia entre os calorentos e
friorentos.
Nossa sala conta a história do grupo. Tem registrado
em suas paredes quem já passou por essa grande família,
deixando um pouco de si para as futuras gerações. É muito
mais que apenas a sala no bloco velho do Centro de
Tecnologia da Universidade Federal de Alagoas, é a
segunda (ou primeira?) casa de muitos de nós.
Presente no e-book em comemoração aos 10 anos
do PET C&T, possuímos um cordel de sala que representa
como conquistamos nosso espaço:
“Para contar essa história é preciso no tempo voltar, Para lá de 2010
é que esse conto começa a se traçar. Vamos falar da sala desse grupo
que acabara de se criar, Nosso espaço desde cedo aprendemos a
compartilhar
O que não é e todo mal, precisamos concordar
No CEENG dividimos o espaço com quem já estava lá. Vem cá! Com
um canto só nosso mais fácil seria trabalhar
Até que o dia chegou, uma sala do CTEC o grupo ganhou, Uma sala
grande só pra gente se divertir e produzir
Agora era só arrumar para o nosso jeito ficar. Com um espaço
nosso, ficou ainda mais fácil nos unir
Escolhemos a cor vermelha para nos representar. Ganhamos uma
mesa grande, pru móde de nos reunir. Para melhorar, as paredes
fomos correndo pintar
A sala e a mesa nós já tínhamos, precisávamos só melhorar. Então
para o projeto realizar, o IPC tivemos que cobrar
Mas 2017 chegou trazendo um grande sonho a se concretizar
Acompanhado da linha Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
E como todo apoio e empenho, o projeto agora vamos executar. Até
que terminou, a coisa márlinda o nosso xodozinho ficou. Ela é bem
mais que só uma sala, é local de apoio, é um lar.”

Matheus Silva:
“Estar no PET C&T fez toda a diferença na minha vida, eu vim do
interior de Pernambuco para Maceió para realizar o sonho que tinha
de ter um diploma em Engenharia Química. E com isso muitas vezes
me senti sozinho, quando entrei no PET ganhei uma família e um
segundo lar (a sala de permanência). O PET me deu condições de
conhecer diversas pessoas e aprender a ser alguém melhor,
pessoalmente e profissionalmente, com todas elas. Se eu sou quem sou
hoje é graças a esse programa e tudo que ele me ensinou. Eu realmente
me encontrei nesse programa, e agradeço por ele ter me proporcionado

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tantas

boas

vivências,

algo

que

desejo

a

todos.“

Aristides Guilherme:
“Sou o Aristides, no momento deste relato, estou há um ano e dois
meses no PET C&T. Ao ingressar no curso de Eng. Civil, nos idos de
fevereiro de 2020, meu primeiro contato com os grupos PET do CTEC
foi por meio do Nivelamento das Engenharias. Nesse evento, como de
costume, cada grupo discente realizou uma breve apresentação acerca
da sua história e atuação na UFAL, no entanto, entre tantos grupos, de
imediato, o PET C&T foi aquele ao qual tive maior interesse, com
efeito, foi amor à primeira vista! Após esse vislumbre inicial, o que
restou foi aguardar o processo seletivo, que participei em meados de
junho de 2022 e felizmente fui aprovado. Enquanto membro do
programa, pude perceber rapidamente o seu impacto, seja nos cursos
de graduação ou para a comunidade externa, com as aulas, ou melhor,
mais do que isso, com o apoio que o grupo exerce no PAESPE e
principalmente, aos próprios membros do PET C&T. Com seus
inúmeros desafios, o PET C&T é um espaço de estudo, de acolhimento,
de exercício de reflexão, de criatividade e de muitos outros aspectos
positivos, porém, resumindo em uma única palavra, posso dizer que o
PET C&T é um lugar de transformação. Neste breve relato, deixo meus
sinceros agradecimentos a todos aqueles que fizeram/fazem parte da
história do PET C&T. Uma vez petiano, sempre petiano! “

Tácio Valmir:
“De todas as experiências dentro da UFAL, com certeza o PET foi a
mais enriquecedora. Dentro do programa, pude vivenciar diversos
momentos de engrandecimento pessoal e profissional. Conviver com os
demais petianos, por exemplo, e consequentemente fazer novos amigos,
que farão parte da minha vida por muitos anos, foi fundamental para
que eu pudesse engrandecer a minha jornada acadêmica. Além disso,
em especial, no desenvolvimento das atividades de ensino e de
extensão, pude experienciar diversos momentos emocionantes ao ter
contato, por exemplo, com os alunos do PAESPE Jr e com alunos da
própria universidade e tendo acesso a novas perspectivas trazidas por
eles, que permanecerão em minha memória por toda a minha vida.”

Sayonara Ferreira:
“Minha passagem pelo PET foi marcada pelo meu amadurecimento
pessoal e acadêmico. Dificilmente irei esquecer a sensação de orgulho
ao ver serem realizadas as atividades que pude contribuir do início ao
fim. Além disso, as lembranças dos debates durante as reuniões de
planejamento, que outrora me causavam euforia, hoje me trazem
conforto, por saber que tais conversas contribuíram para a construção
não apenas de minha formação, mas de todos os discentes do CTEC
que foram impactados de alguma forma por tais eventos. Para mim, a
sala de permanência é o espaço no qual podemos sugerir e debater
ideias, visando não apenas a tríade petiana, mas também o
fortalecimento dos laços fraternos criados entre os integrantes do
grupo.”

Jennifer Trindade:
“A minha experiência com o PET é única, não há palavras para
descrever o quão especial esse programa é para minha vida, me ajuda

19

a me tornar uma pessoa melhor, me salvou de vários momentos
sufocantes, me faz rir e me ajuda a querer continuar correndo atrás dos
meus sonhos e objetivos. Muito obrigada PET C&T por ser luz na
minha vida.”

Victor Puça :
“Aqui quem fala é o Victor, o PET foi o primeiro grupo que me norteou
na UFAL. Um dos valores do PET é de formar profissionais
capacitados e que são capazes de mudar o mundo, assim que li isso
pensei: é ali onde eu devo estar; minha ideia sempre foi de seguir
carreira acadêmica; sempre quis estar com os melhores. No PET fui
acolhido e acolhi, aprendi e ensinei, e desde então a vida na graduação,
ao mesmo tempo que desafiadora, é leve. O grupo potencializou minhas
habilidades e me ajudou no processo ao lidar com meus defeitos. As
atividades feitas, as integrações, as amizades, inclusive elas, tudo no
PET é mágico. As tardes de CINEPET, as Tutorias aos sábados, as
aulas no PAESPE Jr. e todas as outras coisas, nada sai da balança.
Minha eterna gratidão ao PET pelo que eu aprendo a cada dia, no
modo como as trocas sociais e culturais ocorrem.”

Andressa Veríssimo:
“O PET C&T foi como uma segunda casa e como uma segunda família
disfuncional (risos). Nele, me senti pertencente em todos os momentos,
seja eles da graduação (que era meu escape quando estava
completamente esgotada fisicamente e mentalmente) ou das próprias
convivências nos momentos descontraídos ou nas atividades. Pude
conhecer cada pessoa e descobri um universo desconhecido em cada
uma delas. Pude fazer amizades com todos e até com outros PETs. São
laços únicos e firmes que levarei para toda vida. Foi uma das decisões
mais assertivas que tomei durante a graduação e que com certeza
agregou na minha formação. O C&T oferece todo o carinho e vontade
de fazer valer a pena que marcará para sempre. Minha sincera
gratidão ao programa e a todos!”

Referências:
ALCÂNTARA, Valéria Patrícia da Silva; BARBOSA,
Marlos Ferreira et al . 10 anos do PET C&T. [S.l.: s.n.],
2020. Projeto gráfico por Jullian Cristini de Araújo Silva.

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CAPÍTULO 2
PET Engenharia
Ambiental

21

2. PET Ambiental: O cultivo de uma jornada de
inovação, reinvenção e acolhimento
Autores/Autoras
Ana Carina Estevam Tenório, Arthur Diegues Barros
Rogerio de Oliveira, Cauê Ferreira Marinho da Silva,
Daniel Muniz de Almeida, Enric Vilela Gonzaga de Melo,
João Davi da Silva Moura, Kettlen Caroline Rocha Lima
Abreu, Lara Leandra Cavalcante de Oliveira Nascimento,
Louise Moreira Sampaio Costa, Luís Felipe Silva de Jesus,
Maisa Gonçalves Torres da Silva, Matheus Henrique
Olimpio dos Santos, Maysa Karla Vieira dos Santos,
Serena Inaê Rocha Santos, Tálison Felipe da Silva Barros,
Viviane Tavares Silva, Wallace Souza Alves e Marllus
Gustavo Ferreira Passos das Neves.
Introdução
Escrito por Marllus, Lara e Serena

O PET Engenharia Ambiental, conhecido como
PET Amb, criado com o Edital nº 09 - PET 2010 do
Ministério da Educação (MEC), foi viável a partir criação
do Pré-PET, em 2009, numa coalizão de discentes com o
Prof. Christopher Souza, almejando um espaço de aquisição
de conhecimentos acadêmicos, científicos e técnicos, bem
como sentimento de pertencimento à Universidade Federal
de Alagoas. Desde a oficialização como PET, o grupo
desenvolveu atividades de tutoria na tríade Ensino,
Pesquisa e Extensão, inicialmente inspirando-se em outros
grupos, depois inspirando e inovando. Este capítulo
sintetiza essa trajetória de ação para busca da identidade e
melhoria do curso, da busca da própria identidade, das
alegrias e desafios que marcaram e ainda marcam estes 13
anos de existência. Mostrando ainda como o grupo procura
se conhecer e se aproximar mais — com integração,
partilhas e aprofundamento na filosofia petiana —, na
incessante luta por um ensino público, de qualidade e
socialmente referenciado.
O capítulo está estruturado da forma cronológica,
com os tópicos 2009 a 2012: como tudo começou; 2013 e
2014: aprendendo que bons voos não se fazem na solidão;
2015: reestruturação; 2016: replanejar; 2017: ganhando
visibilidade; 2018: autonomia e novos desafios; 2019: cara
nova, casa nova; 2020: wi-fi pet – quebrando a internet; e
2021 a 2023: o Retorno.

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No início de cada parte há os nomes de quem
elaborou o texto base, que foi revisado por todos(as) antes
do envio à Comissão do PET Ufal responsável pelo livro
relativo aos 35 anos do Programa na Instituição.
2009 a 2012: como tudo começou
Escrito por Louise, Kettlen, Izaías, Namor, Maisa, Arthur, Maysa e
Sarah

Em setembro de 2009, em colaboração com o
Professor Christopher Souza, um grupo composto por 12
estudantes do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária se
reuniu com o propósito de criar um programa de atividades
em equipe voltado à aquisição de conhecimentos
acadêmicos, científicos e técnicos, ao mesmo tempo que
buscava fomentar profundo senso de identificação com a
Ufal.
Surgiu assim a oportunidade de aprofundamento do
conhecimento sobre os programas já existentes na
universidade, inspirando-se em referências estabelecidas.
Entre as alternativas consideradas, o grupo demonstrou
afinidade com o Programa de Educação Tutorial (PET),
uma vez que compartilhava o interesse em proporcionar
oportunidades de aprendizado para além das disciplinas
regulares e em oferecer suporte ampliado aos estudantes do
curso. Foi assim que nasceu o Pré-PET.
Dentre as atividades desenvolvidas no Pré-PET,
destacavam-se as reuniões semanais, nas quais se promovia
o acompanhamento do desempenho dos participantes, bem
como a participação nas reuniões do colegiado do curso e
do conselho da unidade. Além disso, contribuíam com
propostas visando ao aprimoramento da página do curso na
internet. Essa dinâmica perdurou até o lançamento do Edital
nº 09 - PET 2010, do MEC, que abriu a oportunidade para
submeter uma proposta visando à formação do PET Amb.
Em 4 de novembro de 2010, por meio da aprovação no
referido edital, houve finalmente a autorização para adoção
do sufixo PET, possibilitando a designação oficial sob essa
denominação.
Depois da oficialização da sua existência, o PET
Ambiental precisava formar uma identidade. Na época, o
professor Valmir Pedrosa, então diretor do Centro de
Tecnologia (CTEC), contribuiu para formar nossa estrutura
e o Professor Vladimir Caramori era o nosso tutor, pois o
Professor Christopher não dispunha de tempo suficiente
como professor efetivo para ser tutor. Além disso,

23

indicamos um representante discente dentro da organização
de grupos PET da Ufal (G12), o Mahelvson.
As primeiras comissões consistiam em:
infraestrutura (responsável pela avaliação interna do curso
e suporte a atividades do colegiado), financeiro (cuidava
das finanças do grupo e oferta de cursos), desempenho
acadêmico (responsável pela monitoria e elaboração de
material instrucional), comunicação (manutenção do site do
curso e das redes sociais do PET) e secretaria (Responsável
pelo Conhecer e Experimentar as Engenharias CEENG nas escolas e pelo suporte às atividades do
colegiado do curso).
A atividade de avaliação interna foi uma das
maiores contribuições do grupo, nos primeiros anos de sua
existência, para o curso. Alunos(as) puderam expor os
maiores problemas no CTEC, sendo o principal deles a falta
de local para estudos. Nas reuniões do conselho da unidade,
isso foi cobrado insistentemente.
Além das atividades de cada comissão, tínhamos
atividades com todo o grupo: o Ambientando à Engenharia;
Discutindo o curso; Processo Seletivo do PET;
Nivelamento e Recepção de Calouros. Havia também
atividades de caráter voluntário: aulas no Programa de
Apoio aos Estudantes das Escolas Públicas do Estado
(Paespe), Suporte a estagiários em docência e no Programa
de Orientação Acadêmica (PROA) continuado. E, por fim,
uma atividade de caráter individual: a participação em
projeto de iniciação científica.
O grupo precisava de uma identidade visual. Várias
inspirações e ideias surgiram na tentativa de criar algo
memorável e que ao mesmo tempo transmitisse, através de
cores, formas e texto, o que o grupo representava. De forma
bastante descontraída, o grupo observou uma arte, em baixo
relevo, em um escorredor de macarrão. Isso mesmo! A
primeira logo do grupo surgiu de um escorredor de
macarrão.
Figura 1 - Primeira logomarca e primeira aposição de placa

24

Fonte: Autoria própria (2024).

No meio do ano de 2011, quando o PET Ambiental
concluiu seu primeiro semestre de existência, foi realizada
a primeira seleção para bolsista pós-criação do grupo. A
seleção consistiu em apenas uma vaga, preenchida por Liz
Geise, da turma ingressante de 2010, atualmente bastante
atuante na área, fundadora, inclusive, da Associação de
Engenheiros Sanitaristas e Ambientais de Alagoas (Aesal).
Em abril de 2012, o então tutor, Professor Vladimir
Caramori, teve que sair do programa por conta de uma
oportunidade de estágio pós-doutoral, demarcando a
necessidade de realização da segunda seleção no grupo, a
qual contou com um único candidato, sendo aprovado o
professor Christopher Souza. No início do 2º semestre
daquele ano, o grupo passou por uma grande transformação
na composição do grupo, devido às saídas de alguns
membros por conta de estágio, trabalho de conclusão de
curso (TCC) e também devido a três membros terem ido
estudar no exterior, através do Programa Ciências sem
Fronteiras, ocasionando a terceira seleção com 4 vagas para
bolsistas.
No ano de 2013, com o PET Ambiental já
consolidado, Gláucia, Mahelvson, Aline e Carlos Danillo se
tornaram os primeiros(as) petianos(as) bolsistas egressos,
com a primeira aposição de placa ocorrendo no mês de
abril. Nesse período, o PET Amb da Ufal já era uma
referência para os novos(as) integrantes do curso, dado o
contato logo no início da graduação.
Dentro do grupo houve ainda diversas experiências
de desenvolvimento e planejamento de atividades. O PET
proporcionou aos membros momentos marcantes na
graduação, como os eventos Encontro Nordestino dos
Grupos do Programa de Educação Tutorial (Enepet) – Natal
/ Rio Grande do Norte (RN) – fevereiro 2012 e Encontro
Nacional do Grupos do Programa de Educação Tutorial
(Enapet) – São Luís / Maranhão (MA) – julho 2012. Nesse

25

último, quase todo o grupo se fez presente, com exceção
apenas de Aline e Danilo. Outro evento marcante foi a
criação da Semana do Meio Ambiente da Engenharia
Ambiental (SMAEA), em parceria com o Centro
Acadêmico do curso (Caeamb). O evento, que integrou
discentes, docentes e profissionais, foi um sucesso para um
curso ainda novo em Alagoas, mas forte e comprometido,
como deve ser um curso de uma universidade pública,
gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.
O grupo PET Amb cada vez mais se apresentava
como um grupo singular e, ao mesmo tempo, tão plural,
formado por pessoas de diferentes classes sociais, mas que
tinham em comum o desejo de fazer da universidade um
ambiente melhor, contribuindo à sua maneira para o
desenvolvimento do curso de Engenharia Ambiental e do
estado de Alagoas.
2013 e 2014: aprendendo que bons voos não se fazem na
solidão
Escrito por Marllus Neves

O ano de 2013 foi agitado para o PET Amb. Em
meio ao pós-greve e a uma intensa reestruturação, cheia de
mudanças na composição do grupo — lembrando-nos que
petianos(as) vêm e vão como aves (ou pombos) de verão —
, o PET Amb passou a desenvolver, mesmo sem perceber,
uma nova e brilhante identidade através da (re)formulação
de novos objetivos e preceitos, associada ao gás e à energia
daqueles que continuaram conosco e dos que chegavam
para somar e ficar.
Essa nova identidade foi estimulada, em grande
parcela, pela presença dos calouros recém-chegados, que
traziam consigo nova energia. Eles ingressaram no grupo
num período turbulento, durante a organização da SMAEA,
quando da ocorrência de um incidente notável — o
esquecimento de providenciar o coffee break para o evento
—, o que resultou em uma lição valiosa sobre comunicação
e confiança. A descoberta e a reinvenção do amplo leque e
da grande responsabilidade de ser um(a) petiano(a) causava
euforia nos(as) mais novos(as) e consolidação de bons
sentimentos nos(as) veteranos(as), como aquele tão puro de
se sentir em casa ao estar no PET.
Por fim, o ano de 2013 foi marcado pela beleza dos
eventos PET, pelo aprendizado petiano na comemoração
dos 25 anos do PET Ufal e pelo início de uma longa e
encantadora jornada de união entre doze grupos que se
apegaram a um único e grande propósito: voar em bando.
26

E então veio o ano de 2014, com o grupo se
consolidado e a atuação no curso funcionando muito bem.
Nesse momento o PET Amb começou a olhar um pouco
além, participando mais intensivamente das atividades e
discussões ligadas ao Programa. Pela primeira vez, foi
eleito um membro do nosso grupo, o Alisson, como
representante do Grupo de Representantes Discentes do
PET Ufal (G12). Alisson teve um papel incrivelmente
importante na continuidade da consolidação do PET Ufal
enquanto grupo único. Este sentimento de unicidade, que
começou a surgir em 2013, ao longo e após o Enapet de
Recife, continuou com a criação do grupo do PET Ufal no
aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp,
fortalecendo a comunicação e a interação.
Naquele momento, enquanto um grupo em que a
maioria dos(as) integrantes não tinha sequer um ano de
participação, o PET Ambiental passava a se debruçar sobre
os documentos que regem o Programa. Portarias e Manual
de Orientações Básicas (MOB) passaram a ser
integralmente conhecidos pelos membros do grupo e
assiduamente discutidos em reuniões e assembleias.
Naquela época, boa parte dos integrantes passavam, por
consequência, a ser conhecidos(as) como aqueles(as) que,
no Enapet do ano anterior, impressionavam pelas citações
de documentos e artigos memorizados em discussões.
Esta preparação proporcionava participações
efetivas do nosso grupo em discussões no PET Ufal, bem
como nos eventos estadual e nacional. Ao mesmo tempo,
provavelmente também contagiados(as) pelo sentimento de
“voar em bando”, outros grupos da Ufal avançavam em
discussões sobre o Programa. Tal engajamento e sentimento
de unicidade desse grande grupo PET Ufal não passavam
despercebidos fora de Alagoas. Não éramos mais membros
de doze grupos diferentes de uma mesma universidade,
éramos um grande grupo PET. A frequência de falas na
assembleia regional com apresentação “Fulano – PET Ufal”
passou a ser notada e repercutida, com grande intensidade
e influência, nos anos seguintes.
E nesse clima incrível o PET Ufal se encaminhou
para longe, para o Sul do país, com uma mesma camisa,
para evento nacional em Santa Maria - Rio Grande do Sul
(RS), — o que viria a ser o mais bem organizado Enapet até
o momento, segundo todos(as) os(as) petianos(as) e
“PETssauros” presentes, e assim continuaria por um bom
tempo.
Uma coisa interessante ocorreu no ano de 2014.
Com muitas horas dedicadas ao Programa, os membros do
27

PET Amb passavam horas na Ufal, gerando reclamações de
familiares e amigos. Os(as) petianos(as) então decidiram
criar uma atividade chamada PET ComVida, trazendo
seus(suas) familiares para conhecer a rotina interna,
promovendo momentos de confraternização e interação,
tornando o grupo mais familiar. Esta atividade ocorreu
regularmente até o ano de 2019, pois no ano seguinte veio
a pandemia de Coronavirus Disease 2019 (Covid-19), com
petianos(as) passando a exercer as atividades em suas
residências.
Outra atividade criada, e talvez uma das maiores
contribuições do grupo para o curso ao longo de sua
história, foi a de Engenharia e Sistemas Ambientais. Esse é
o nome da disciplina de Introdução à Engenharia Ambiental
e Sanitária, ofertada no primeiro semestre. Em 2014, o PET
Amb passou a assumir, por meio do seu tutor, a oferta da
disciplina. Além da oferta, que consiste no planejamento e
execução coletivos da disciplina pelo grupo, a partir das
escolhas dos próprios(as) calouros(as), são associados(as)
discentes veteranos(as) como mentores junto aos
ingressantes. Desde então, o tutor, com ciência e aprovação
do colegiado do curso, é responsável por esta disciplina.
A atuação dos(as) petianos(as) possibilitou a
dinamização da disciplina, apresentando os temas relativos
ao curso, inicialmente com a presença de profissionais e
professores(as), convidados(as) a palestrar ou realizar
dinâmicas, mudando o paradigma de disciplina focada em
conteúdo e provas para uma disciplina de acolhimento,
apresentação do curso, apoio no enfrentamento das
dificuldades na transição do ensino médio para a
universidade. Esta evolução continua até os dias atuais. A
mentoria feita por veteranos(as) veio naturalmente,
inicialmente com os(as) petianos(as) e mais tarde com a
seleção de outros(as) alunos(as) do curso, a partir de edital
próprio, vinculado a editais de monitoria e tutoria da PróReitoria de Graduação (Prograd).
2015: reestruturação
Escrito por Serena e João

O ano de 2015 foi marcado por várias mudanças no
PET Ambiental, incluindo melhorias na sala de
permanência, com a inclusão de novos armários e mobília.
Além disso, houve uma reestruturação nas atividades, com
destaque para a transferência da Avaliação Interna (AI) do
curso para o Centro Acadêmico (Caeamb), enquanto o PET
passou a aplicar a Pré-AI, uma versão resumida da
28

avaliação interna, para identificar problemas no início dos
semestres. Também ocorreram mudanças na composição,
com a saída de membros e a criação do cargo de
“colaborador”, para aqueles que desejavam continuar
contribuindo, mesmo sem estarem cadastrados no sistema
SigPet. Essa mudança foi discutida e apresentada como um
artigo no Enapet 2015, recebendo reconhecimento na área
de Ciências Humanas.
O PET Ambiental manteve sua participação na
organização política do PET na Ufal e no país, com
membros representando o programa em Brasília, em
discussões com o MEC. Além disso, o grupo contribuiu
para a elaboração de documentos que regulamentam o PET
na Ufal. As resoluções de nº 66 e 67, aprovadas no
Conselho Universitário (Consuni) em 2019, foram frutos
concretos deste processo.
Outro marco importante que ocorreu em 2015 foi a
iniciativa de sediar o Encontro Nordestino dos Grupos PET
(Enepet) em 2016, com o PET Ambiental e o PET
Arquitetura trabalhando juntos na candidatura e na
organização do evento. A candidatura foi bem-sucedida e o
Enepet 2016 foi um grande sucesso.
De forma geral, queremos destacar a capacidade do
PET Amb de se adaptar e evoluir ao longo do tempo,
enfrentando desafios e contribuindo ativamente para a
melhoria do programa e da educação superior no Brasil.
2016: replanejar
Escrito por Tálison, Zeca e Marllus

2016 foi o ano do Enepet em casa. Além de um
representante na Comissão Geral do evento, o nosso grupo
ficou responsável pela Comissão de Comunicação. O
evento mostrou como a união do PET Ufal pode render
frutos, dentre os quais destaca-se a atuação do nosso Comitê
Local de Acompanhamento e Avaliação (Claa), haja vista
que a importância da atuação desta instância foi
intensamente considerada na programação, e que atividades
específicas de atuação deste grupo na gestão de grupos PET
nas universidades foram abordadas.
O Pet Engenharia Ambiental atuou bastante no
evento, com destaque para nosso primeiro tutor, Vladimir,
presidindo com maestria e em tempo recorde — para
surpresa de todos(as), ao verem que a Assembleia constava
na programação do evento para apenas um turno de um dia.
Nossos(as) discentes também estavam representados,
através do auxílio do Cleber junto à mesa de condução da
29

assembleia. O resultado foi um evento extremamente
elogiado para quem o experienciou, servindo de exemplo
para eventos futuros e reforçando a marca do PET Ufal em
âmbito nacional.
Não bastassem todas as responsabilidades, o PET
Ambiental fez uma seleção durante a organização do
evento, com o total de nove selecionados. Isso foi
necessário para que houvesse uma transição para o ano
seguinte, com mais mudanças. O PET começaria a ter, mais
uma vez, nova cara, de forma semelhante ao que ocorreu
em 2013, última vez em que havia ocorrido alteração da
maior parte do grupo.
Muitos momentos de reflexão e avaliação interna
foram criados e a tentativa de apresentar a filosofia e os
princípios do programa aos(às) novos(as) ingressantes era
contínua. Alguns(mas) destes(as) passaram pelo PET por
um período breve, mas a maioria criou raízes, entendeu e
criou suas próprias visões sobre o Programa. As comissões
foram reorganizadas e as atividades redistribuídas, como
produto de uma revisão durante a preparação para
apresentar o funcionamento do PET aos(às) novos(as)
petianos(as). Agora todas elas teriam nome e “sobrenome”,
refletindo a atuação interna e externa ao PET, ou seja,
organização interna e atividades pelas quais a comissão
seria responsável.
E assim nasceram: comunicação, integração e
extensão universitária (Cieu); coordenação, desempenho e
treinamento dos(as) petianos(as) (CDTP); financeiro e
melhoria do PET (FMP); infraestrutura e ensino (IE); e
secretaria e melhoria do curso (SMC) — cada comissão
com seu próprio regimento.
No
planejamento,
incluímos
atividades
recentemente criadas e atividades que já eram realizadas há
um bom tempo e com frequência, mas ainda não constavam
no planejamento, como: PET ComVida, Listão, Banco de
questões, PET sai do casulo e Revisão de Perfil.
2017: ganhando visibilidade
Escrito por Luís, Wallace e Enric

Em 2017, o PET Amb testemunhou aumento
significativo em sua visibilidade e participação nas
discussões relacionadas ao Programa de Educação Tutorial.
Durante esse ano, o grupo recebeu novos membros no início
do primeiro semestre, ao mesmo tempo em que se despediu
de alguns membros valiosos, que haviam contribuído para
a identidade e dinâmica do grupo até então. No entanto, é
30

importante notar que esses membros que partiram
continuaram a ocupar um lugar especial no coração do PET
Amb.
Quanto ao planejamento relativo ao ano de 2017, o
grupo desenvolveu 19 atividades, sendo elas: Avaliação
Interna Prévia; ComunicaPET; Seminários de Iniciação
Científica; Iniciação Científica; Reunião Temática;
participação em eventos; Gerenciamento do grupo; Revisão
de Perfil; PET Sai do Casulo; InterPET 2017.1; Ciclo de
Seminários de Integração; Ambientando à Engenharia;
Semana do Meio Ambiente da Engenharia Ambiental; PET
ComVida; Saneamento em Foco; Paespe; Nivelamento;
Engenharia e Sistemas Ambientais e Listão.
No contexto das atividades do PET Amb, é
fundamental destacar as diversas ações empreendidas tanto
no âmbito do ensino quanto no da pesquisa e da integração
com outros grupos. No que diz respeito ao ensino, o grupo
dedicou-se ao comprometimento e desenvolvimento da
graduação por meio do Paespe, que promoveu a cidadania
dos(as) petianos(as) e estimulou a difusão da educação
tutorial, além de contribuir para a função social da educação
superior. Também ministrou aulas de pré-cálculo no
Nivelamento, colaborando com a diminuição da retenção de
alunos(as) na disciplina de Cálculo 1. Na pesquisa, as
atividades de Iniciação Científica, Seminários de Iniciação
Científica e Reunião Temática proporcionaram experiência
em pesquisa e aprimoraram as habilidades de apresentação
e síntese. Além disso, o grupo se aproximou da prática de
Engenheiros Ambientais e Sanitaristas, tendo produzido 11
trabalhos em eventos científicos, incluindo a conquista do
prêmio de excelência acadêmica do Programa Institucional
de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic)/Ufal por Wallisson
Carvalho. Ações como o ComunicaPET e o PET Sai do
Casulo contribuíram para melhorar o curso e estimular o
senso crítico dos(as) petianos(as), enquanto atividades
voltadas ao desenvolvimento de relações interpessoais,
como o PET ComVida e o Ciclo de Seminários de
Integração com grupos vizinhos, fortaleceram os laços com
a comunidade acadêmica e outros PETs.
No que diz respeito aos eventos do PET Amb em
2017, destacam-se dois InterPETs. O primeiro (InterPET
2017.1) em 25 de março, organizado pelo PET Amb/Ufal
em conjunto com o PET Arquitetura/Ufal, com o objetivo
de rediscutir temas característicos de interesse do PET Ufal,
e o segundo (InterPET 2017.2), em 21 de outubro,
organizado pelos grupos PET Engenharia Civil e Letras,
tendo como foco a discussão da trajetória e filosofia do PET
31

Ufal. Além desses, o grupo participou do XVI Enepet em
Teresina – Piauí (PI), onde publicou o trabalho “Revisão de
Perfil”, e do XXII Enapet em Brasília, que contou com a
participação de nove dos quatorze membros do PET Amb,
destacando a mobilização em frente ao MEC, que
repercutiu nas mídias local e nacional. Os principais
destaques do ano foram a posição de representante discente
do PET Ufal por Thainá Lessa, as contribuições
significativas do PET Amb durante a Assembleia do XXII
Enapet e o preparo do grupo para o evento, impulsionado
por atividades como PET Sai do Casulo e estímulos ao
pensamento crítico “fora da caixa” cultivados nas reuniões
do grupo. Além disso, a VI SMAEA promoveu a integração
entre alunos(as), professores(as) e especialistas,
proporcionando valiosos aprendizados e a ampliação das
redes de contatos dos(as) petianos(as).
2018: autonomia e novos desafios
Escrito por Daniel e Serena

Em 2018, o grupo PET Amb passou por várias
mudanças e comemorações, duas delas sendo a entrada de
um novo membro, Marllus, nosso atual tutor, e a realização
dos processos seletivos para novos membros discentes. Um
ponto interessante sobre a seleção para tutor foi que sua
realização em fevereiro, com o tutor eleito tendo assinado o
termo de compromisso no dia oito de março daquele ano.
Entre a seleção e a assinatura do termo, houve um processo
de transição muito bem realizado, com o tutor eleito
participando de reuniões, da seleção para novos(as)
discentes, doInterPET 2018.1, do PET Sai do Casulo etc.
Logo no primeiro processo seletivo de discentes,
houve um grande número de inscritos, com treze
participantes chegando à última etapa e 5 deles aprovados,
incluindo bolsistas e não bolsistas. Uma novidade deste
processo foi a inclusão de uma atividade de integração não
avaliativa, o que permitiu a maior aproximação entre os
candidatos e os membros do grupo, criando um ambiente
mais acolhedor.
O grupo continuou suas atividades de discussão para
a melhoria do curso e atuação dos grupos, buscando a
participação do colegiado do curso e demais interessados.
Além disso, houve a comemoração dos 30 anos do PET
Ufal e o aniversário de oito anos do PET Amb. O InterPET
2018.1 foi realizado em Penedo, com o tema “30 anos de
PET Ufal”, discutindo o papel dos grupos PET na
universidade. Durante o evento, foram vários os momentos
32

de discussão, apresentações e confraternização, além de
uma vista panorâmica do Rio São Francisco.
No campo acadêmico, o grupo realizou diversos
Listões de Cálculo 1, com a participação de professores(as),
contribuindo para o aprendizado dos(as) alunos(as), além
de ter se envolvido em atividades de extensão e pesquisa. O
ano de 2018 também foi marcado pela participação em
eventos regionais e nacionais do PET, como o Enepet e o
Enapet, onde membros do grupo apresentaram trabalhos e
participaram de discussões, sendo o Enapet de Campinas o
primeiro evento do Marllus como tutor.
No segundo processo seletivo do ano, cinco novos
membros foram selecionados, incluindo bolsistas e não
bolsistas, enquanto seis membros deixaram o grupo devido
à reprovação em disciplinas ou à conclusão da graduação.
O grupo também teve representantes em órgãos acadêmicos
e participou ativamente dos eventos acadêmicos
relacionados à Engenharia Ambiental e Sanitária. O ano
terminou com a celebração de todas as mudanças,
conquistas e aprendizados do grupo.
2019: cara nova, casa nova
Escrito por Viviane, Cauê, Nathalia

Em 2019, o PET Amb vivenciou um ano de
transformações significativas e expansão de horizontes. A
criação da Agenda Cultural demonstrou a busca do grupo
por experiências para além do ambiente acadêmico,
proporcionando oportunidades de crescimento pessoal e
coletivo. Suas três edições permitiram aos(as) petianos(as)
explorar a diversidade cultural da região, desde a visita à
Feira de Cactos e Suculentas até as imersões em
manifestações artísticas, como o Polo dos Maracatus, e um
Museu Itinerante, que os transportou para destinos
históricos como Pompeia, Terra Santa e Egito.
Houve também a mudança na identidade visual do
grupo, com a criação do logotipo atual, que mostra o
compromisso com a representação da área de Engenharia
Ambiental e Sanitária. Esse processo envolveu não apenas
o design do logo, mas também a seleção de estampas, fontes
e cores padronizadas, culminando na criação de um manual
de identidade visual para orientar as futuras gerações de
petianos(as). Para isso, o grupo usou o custeio contratando
a Empresa Jr. do curso de Design da Ufal: a Batuque.
No ensino, o grupo se destacou no Paespe,
estreitando laços com alunos(as) e instrutores(as),
33

compartilhando
conhecimentos
sobre
Engenharia
Ambiental e Sanitária. A participação ativa do tutor,
Professor Marllus, nesse processo, colocando-se no rodízio
das aulas, demonstrou o comprometimento do grupo em
disseminar conhecimento além dos limites do PET, além do
fortalecimento da horizontalidade. 2019 também foi
marcado pelo sucesso nas aprovações de alunos(as) do
Paespe em cursos de graduação da Ufal, quatro deles na
Engenharia Ambiental e Sanitária. Essa conquista reflete o
impacto positivo do nosso grupo na formação acadêmica e
na orientação dos(as) estudantes.
A participação em eventos como o Enepet, em
Recife, e o Enapet, em Natal, fortaleceu a presença do grupo
no cenário nacional, e a eleição da nossa petiana Ariane
Monteiro como representante alagoana e nordestina na
comissão do Mobiliza PET nacional demonstrou o
compromisso do grupo com a colaboração e a militância no
PET Brasil.
A reforma da sala de permanência foi outro marco,
tornando o espaço mais acolhedor e funcional,
proporcionando um ambiente propício para reuniões e
convivência.
A atividade Curiosos por Natureza mostrou o
compromisso do grupo com a educação ambiental,
oferecendo atividades lúdicas e educativas para crianças,
contribuindo para a conscientização ambiental desde cedo.
O ano de 2019 também foi de expectativa para o ano
seguinte, por causa da comemoração dos dez anos do grupo.
Após discussões em reuniões ordinárias, surgiu a ideia de
marcar o momento, no planejamento, de duas formas: um
evento semelhante à aposição de placa, com homenagens,
registros históricos, aposição comemorativa, entre outros; e
um e-book. Pensamos inclusive em dar um ar diferente ao
evento, contratando a Empresa Jr. de Comunicação Social
Jangadeiros. 2019 foi, portanto, repleto de expectativas,
inclusive por ser o primeiro ano no qual o novo tutor
participou do planejamento. O grupo pensou não apenas no
desempenho acadêmico, mas também no cuidado com o
bem-estar e a saúde mental.
E então veio 2020.
2020: wi-fi pet: quebrando a internet
Escrito por Ana Carina, Matheus

2020 foi um ano atípico e as reviravoltas no estilo
de vida geraram mudanças na forma como o grupo
construiu sua história. No início, tudo parecia bem, mas o
34

dia a dia no contexto da pandemia de coronavírus
desacelerou os planos. Mesmo com os problemas, os(as)
petianos(as) se adaptaram e a internet desempenhou papel
crucial.
Como dito anteriormente, o grupo tinha feito um
bom planejamento para 2020, e dentro dele estava a
comemoração de seus dez anos de existência. No entanto,
com a pandemia de Covid-19, com todas as atividades
temporariamente suspensas no início de março,
posteriormente retomadas com adaptações aos tais
encontros síncronos e assíncronos. Ninguém imaginava que
a pandemia durasse tanto tempo, de modo que nem se
cogitava discutir a ocorrência do evento de comemoração e
o e-book. E ainda tinha a festa de fim de ano tradicional,
organizada pelos três grupos PET do CTEC, com dois deles
completando dez anos (nós e o Pet Ciência & Tecnologia).
O tempo foi passando, tudo ocorrendo no modo
remoto, e ideias foram surgindo para a escrita do e-book. O
contrato com a Jangadeiros foi assinado e o contato com
os(as) egressos(as) do grupo começou. A ideia era que cada
capítulo correspondesse a um dos dez anos, e fosse escrito
por egressos(as), com uma foto representativa do capítulo.
Um cronograma foi realizado, os textos solicitados e, aos
poucos, foram chegando suas primeiras versões feitas. Em
seguida, os textos foram revisados, oportunidade dada aos
tutores egressos Vladimir e Christopher.
Enquanto isso, pequenos textos retirados da escrita
dos capítulos foram colocados em nosso perfil da rede
social Instagram, mas com a permanência da pandemia, a
perspectiva do evento presencial foi diminuindo. Para
completar o cenário, o Período Letivo Excepcional, o
famoso PLE, foi iniciado. A rotina de atividades do grupo
no modo remoto, as aulas com todas as suas implicações na
mesma forma, além do recrudescimento da pandemia,
fizeram com que a escrita desacelerasse. Um pouco de
desânimo apareceu e o e-book parou por um tempo, com o
processo sendo retomado apenas no ano de 2021.
O grupo teve que andar mesmo assim, então o
primeiro passo foi lançar, após anos de espera, o seu site.
Em seguida, o regimento interno foi aprovado após
discussões. A Agenda Cultural também foi adaptada,
reunindo todos(as) para assistir “O Lorax”, via Netflix
Party, gerando reflexões.
Em junho, parcerias fortaleceram o grupo. Com o
Caeamb, organizamos a Semana do Meio Ambiente,
contando com vídeos dos(as) petianos(as) egressos(as) e
participação internacional. A série de vídeos que
35

produzimos para o Instagram contou não só com os
incríveis vídeos dos(as) petianos(as) egressos(as), mas
atravessou o oceano e rendeu um vídeo magnifique da
egressa Fernanda Araújo, diretamente da França.
O PET Amb colaborou com PET Fonoaudiologia e
PET Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) para
uma roda de conversa sobre questões ambientais e de saúde
durante a pandemia, demonstrando que a distância não é
impedimento para parcerias. Em agosto, o processo seletivo
2020.2 foi realizado de maneira remota, com desafios e
aprendizados — o grupo ganhou 4 novos integrantes.
A realização on-line do Enepet e Enapet trouxe
desafios de adaptação, mas também oportunidades de
comunicação e decisão. Enquanto nos preparávamos para
os eventos do PET Ufal, o grupo reestruturou a disciplina
de Engenharia e Sistemas Ambientais para o formato
remoto, pois o colegiado do curso determinou a oferta da
disciplina no PLE, buscando novos olhares com dinâmicas
de didática e metodologias ativas.
Após tantas aventuras, o PET Amb terminou 2020
transformado e com novas perspectivas para o futuro,
torcendo para que o retorno presencial fosse possível.
2021 a 2023: o retorno
Escrito por: Arthur, Luís, Tálison, Viviane e Marllus

A experiência de 2021 foi de um início cheio de
esperança, mas que demandou muita resiliência até o final.
Não houve evento presencial de comemoração dos dez anos
em 2020 e o e-book não tinha terminado. Em reunião, o
grupo decidiu cancelar a parte do contrato com a
Jangadeiros relativa ao evento presencial, mas decidiu
continuar com o e-book. Como a empresa já tinha
terceirizado esta parte para outra empresa júnior, a de
Design, chamada Batuque, o contato foi feito com ela.
Novo contato foi feito também com os(as)
egressos(as) para apreciar as sugestões dos revisores. Os
capítulos, que estavam soltos, foram colocados em
documento único. De 79 páginas, o e-book foi reduzido para
cerca de 30 (haja foto a ser retirada). Revisões apreciadas,
prefácios, prólogo e sumário feitos, o texto foi enviado à
Batuque, saindo um produto bem interessante.
O ano também começou com a recondução do Tutor
por mais três anos, homologada pelo Claa. Fizemos apostas
de que algumas atividades não realizadas em 2020
pudessem ser efetivadas, ainda que em condições de
bastante incerteza. Havia na Ufal novos elementos de
36

observação, os semestres letivos regulares, ainda na
modalidade de ensino remoto, aparecendo muitas
dificuldades de readaptação, mas houve também muita
superação. Deve-se destacar ainda o esforço de todo o Pet
Ufal em manter a realização das atividades mais adaptadas,
como o Interpet realizado em julho, em formato um pouco
diferente, bem como a participação de todas(os) no Enepet
e no Enapet. Voltando para o nosso grupo, as comissões
começaram a se consolidar, sendo as locomotivas no
cotidiano das execuções das atividades por todo o grupo, ou
seja, todo o grupo executando as atividades de forma
remota, mas cada uma delas tendo um grupo menor na sua
organização, com rotação de membros a cada semestre. O
contínuo processo de transição do PET Amb se intensificou
do meio para o final do ano, com a saída de alguns
“PETssauros” e o ingresso de sete babies: Arthur, Bárbara,
Daniel, Lara, Louise, Pedro e Viviane.
De forma geral, pode-se dizer que em 2021 a
realidade se mostrou bem diferente de alguns anos
anteriores, estando claro que o perfil das(os) petianas(os)
não era o mesmo, demandando maior dinâmica no
andamento e na definição das atividades.
O ano de 2022 iniciou com alta probabilidade do
retorno do ensino 100% presencial, o que aconteceu em
seguida. Era para ser um ano de produtividade, de respiro,
de recuperação da saúde mental, do entusiasmo, da vontade
de melhorar vários aspectos pessoais, do curso e do
Programa. No entanto, houve retrocessos em decorrência de
novos casos crescentes de Covid-19 e do regime de alta
precipitação no meio do ano, de modo que 2022 se tornou
um ano de readaptação e constante mudança no grupo.
Quanto às atividades, decidimos descontinuar o Pet
Convida, bem como diminuir a carga horária de outras,
como o Apoio Interno. Outras atividades foram pensadas,
mas ficaram “no cabide” (expressão muito utilizada nos
eventos do Programa) porque precisavam essencialmente
de uma execução presencial. Insistimos ainda na atividade
Curiosos por Natureza, pois pensávamos em alargar o
campo de ação no Paespe e no Paespe Jr., além da
possibilidade de executá-la em conjunto com a atividade
Conexões, haja vista que outros grupos atuam em
ambientes diversos, fora dos limites da Universidade.
Continuamos convictos da necessidade crescente de
extrapolarmos as atividades para fora dos muros da Ufal,
seja pela edificação daquelas de caráter majoritariamente
extensionista, seja pela parceria com diferentes grupos PET
do Brasil e outras possíveis. Internamente, tentamos evoluir
37

na autogestão, de modo a sermos mais eficientes na
execução das atividades. Nesse intuito, formalizamos uma
atividade que já ocorria como pauta na Reunião Ordinária,
denominando-a de Apresentações das Comissões.
Em 2022 houve também um fortalecimento do
acolhimento dos feras, envolvendo não somente a disciplina
Engenharia e Sistemas Ambientais, mas também as
disciplinas de Introdução à Computação e Metodologia
Científica, sendo estas últimas ministradas pelo tutor
egresso do grupo, Professor Christopher Souza. Isso se
deveu também ao contexto de revisão dos Projetos
Pedagógicos do Curso, alinhando-se às novas diretrizes
nacionais para as engenharias, nas quais o acolhimento de
novos(as) alunos(as) está muito presente.
O ano de 2023 tem sido o ano onde a modalidade
presencial tenta se consolidar, voltar ao que era antes da
pandemia. Há ainda muitos desafios, pois ocorreu na Ufal a
entrada de uma geração que não conheceu o ensino
presencial, vivenciando uma adaptação brusca do
aconchego de casa para os corredores do CTEC. O ano
começou com esperança por causa da mudança de governo,
dado que é da plataforma dele voltar a reforçar as
instituições de ensino e pesquisa. Houve, por exemplo, o
aumento no valor das bolsas. Falando em mudança na
política, podemos citar também a grande rotação de
“PETssauros” (termo usado para os(as) integrantes mais
velhos(as)), visto que tivemos muitas despedidas neste ano.
Do ponto do “olhar para dentro”, iniciamos uma revisão
profunda do Regimento Interno aprovado no ano de 2020 e
estamos nos preparando para a mudança de tutor no
primeiro semestre de 2024.
Figura 1 - Logomarca e composição atuais. Foto no Interpet
2023.1.

Fonte: Autoria própria (2024).

38

Também em 2023 conseguimos fortalecer as
parcerias pela atividade Conexões. Nesse sentido,
participamos como convidados ou organizamos com outros
grupos vários eventos: três seleções de discentes de outros
grupos; uma palestra com o grupo PET Engenharia Civil; a
organização deste livro, com o tutor participando da
comissão; e participação no dia mundial de limpeza com o
coletivo praia limpa. Contudo, o evento que mais demandou
capacidade de organização e articulação foi o Interpet
2023.1, juntamente com o grupo PET Psicologia. Entre o
primeiro dia de reunião conjunta (23 de janeiro) e o evento
(29 de abril) foram dias intensos de reuniões, busca por
apoio, discussões e planejamentos. No final, o evento foi
excelente e a parceria foi considerada muito boa.
Neste contexto, foi crescendo o desejo de sediar
presencialmente o Enepet 2024 na cidade de Maceió,
Alagoas. Uma mobilização na Assembleia no dia 1 de
setembro garantiu a Ufal como sede do encontro,
promovendo, inclusive, alteração na forma dos eventos
Interpet de 2023.2 e 2024.1. O Interpet 2023.2, realizado
em 23 de setembro, focou em pensar na organização do
evento, e na ocasião, depois de alguns anos, o PET Amb
teve Ana Carina eleita Vice-Representante do PET Ufal.
O que virá?
Escrito por Marllus Neves

Este capítulo fala muito do passado, em ordem
cronológica bem marcada. E o que virá pela frente? Seja o
que for, o PET Engenharia Ambiental quer aumentar o
protagonismo no curso, promovendo mais eventos, indo
atrás de novos(as) alunos(as), ajudando a manter a
universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente
referenciada, depois de tudo o que se passou. Lembremos
que, além do grande obstáculo que foi a pandemia, houve e
ainda há quem não dê valor à pesquisa científica e à
educação pública, o que afetou e afeta fortemente as
atividades dos grupos PET. O ano de 2024 também será de
mudanças no grupo, com um(a) novo(a) tutor(a) e um PET
Ufal mais unido para atingir os 40 anos com a fortaleza de
sempre.
Referência

39

PET Engenharia Ambiental. 10 Anos do PET
Engenharia Ambiental. Maceió: PET Engenharia
Ambiental, 2013. Disponível em:
https://sites.google.com/view/peteambufal/publica%C3%
A7%C3%B5es. Acesso:30/09/2023

40

CAPÍTULO 3
PET Engenharias

41

3. PET Engenharias: semeando o conhecimento no
Sertão Alagoano
Autores/Autoras
Guilherme Cardial Lopes da Silva
Fábio Dantas de Melo
Victor Manoel Barbosa dos Santos
Felipe Marlon da Silva
Iranildo Campos de Oliveira
Jonhatan Magno Norte da Silva
Agnaldo Júnior Lima dos Santos
Allan Luka Pereira dos Santos
Damião do Nascimento Barboza
Eduarda Pinheiro Barbosa da Silva
Erik Eduardo Honorio Pereira
Silmayko Gomes da Silva
João Paulo Barros Nascimento
Kauã Diego Abreu da Silva
Larissa Medeiros Goes
Milena Nery dos Santos
3.1 Nascimento do PET Engenharias
A história do grupo PET Engenharias se inicia no
ano de 2010 e caminha lado a lado com a história da Ufal
campus do Sertão. O nosso Programa de Educação Tutorial
(PET) surge a partir do grupo Ações, o qual já desenvolvia
algumas atividades — como o Pré-Enem para discentes do
ensino médio —, mas como todo início de projeto, essa
jornada não foi tão simples.
O início do PET Engenharias, assim como em
outros grupos e entidades do campus do Sertão, se deu em
uma residência alugada pela Universidade no centro de
Delmiro Gouveia, quando a então tutora do grupo Ações,
professora Bruna Rosa, submeteu o projeto de um PET no
Campus do Sertão a um edital. A aprovação veio junto com
o compromisso do campus em disponibilizar um espaço
para o PET na Universidade, assim como o de cumprir com
suas obrigações para com o grupo. Desse modo surge o PET
Engenharias, com estudantes antes pertencentes ao Ações,
e dividindo espaço com outros setores do campus, como a
parte administrativa, no referido local citado.
Desde sua formação inicial, o PET Engenharias
sempre foi composto de estudantes capacitados, esforçados
e empenhados em trabalhar por meio da tríade universitária,
tanto para auxiliar na comunidade como para tornar seus
42

membros estudantes de excelência. Os primeiros PETianos
adentraram o programa já com diversos projetos que
desenvolviam enquanto grupo Ações, bem como já
desenvolviam suas pesquisas individuais nas mais diversas
áreas das Engenharias. Esses fatores, juntos à convivência
já existente, foram primordiais para o desenvolvimento do
grupo, pois o seu início ainda na residência alugada foi
difícil, houve uma disputa natural por espaço e afirmação
por parte de todas as entidades do campus.
A sala do PET Engenharias por um tempo se tratava
de uma cozinha, e quando chegavam materiais para o
campus, a “sala” do grupo funcionava como almoxarifado.
Entretanto, apesar das dificuldades iniciais, o grupo
perseverou e desenvolveu suas atividades com maestria, até
que a estrutura no campus ficou pronta e então passou a ter
sua sala.
A formação inicial do PET Engenharias passou por
contratempos não somente do ponto de vista do espaço
físico, sendo necessária a criação das comissões, assim
como das atividades que o grupo passaria a desenvolver.
Desse modo, o primeiro ano foi um período de difícil
adaptação.
O primeiro processo seletivo (PS) do PET teve
entrada de 6 estudantes e pode-se afirmar que nunca foi algo
simples, sendo necessário passar por uma prova de
matemática voltada à Engenharia, bem como por uma
redação, submeter currículo e ainda enfrentar o processo de
entrevistas. Todavia, assim como todas as atividades do
grupo, com o passar do tempo e outros Processos Seletivos,
alguns itens foram retirados, outros acrescentados ou
tiveram seus pesos ponderados. A cada nova formação do
grupo, o PS aparece refletindo as características dos
PETianos.
Atividades marcantes dessa fase do PET foram o
projeto de captação de água da chuva para escolas da região
do Sertão e a construção de parcerias com as lideranças
comunitárias, que geraram palestras e oficinas, além de
projetos de infraestrutura e saneamento básico para as
populações locais. Também foram importantes as
atividades de tutoria acadêmica, nas quais os PETianos se
dividiam em grupos e se deslocavam até as escolas para
ministrar aulas de Matemática, Física e Química,
contribuindo para a formação de estudantes da região.
O PETiano egresso Daniel Bruno, ao comentar
sobre os primeiros anos do PET Engenharias, deixou o
seguinte depoimento:

43

Fazer parte do PET Engenharias, na época, era uma experiência única
e enriquecedora. O grupo era formado por alunos dedicados e
comprometidos com a sua formação e com a promoção do bem-estar da
comunidade. A nossa professora tutora era uma grande incentivadora e
sempre nos apoiava em nossas atividades, nos orientando e nos
ajudando a superar os desafios que surgiam.

O primeiro ciclo do PET Engenharias encerrou-se
com a saída da tutora Bruna e do professor Adeíldo,
deixando um legado que permanece no grupo, assim como
os discentes PETianos que fizeram parte do início da
família PET Engenharias.
3.2 Desafios e adaptações do PET Engenharias
A instalação do PET no campus do Sertão coincidiu
com a seleção do novo tutor, o professor Antonio Netto. Foi
uma transição que se deu de forma acelerada, mas que
norteou os demais processos seletivos de tutores de todo
PET/Ufal. O Comitê Local de Acompanhamento e
Avaliação (Claa), responsável pelo acompanhamento dos
grupos do PET, com auxílio do professor Márcio, construiu
o edital. Até a publicação deste, o professor Netto se
manteve tutor do grupo.
Até aquele momento, o contato do novo tutor com o
grupo na Ufal havia sido limitado. Dentre os desafios e as
adaptações do tutor ao grupo estava a compressão das
dinâmicas abordadas até aquele momento, com o objetivo
de ter uma abordagem correta quanto às atividades,
convivência no grupo, horizontalidade de fala. Sobre a
atuação do tutor supracitado, comenta a PETiana egressa
Silvia Karlla:
Sobre o Netto eu passei pouco tempo de convivência com ele, acredito
que 1 ano em média. Ele tinha um caráter acolhedor muito positivo. A
maneira como insistia no programa, fazia você querer permanecer [...]
Ele era muito incentivador para evolução do PETiano, sempre cobrava
aprendizado, disciplina e mais ainda sobre as escritas científicas, pois é
o grande diferencial de um PETiano quando se forma. Não basta ser só
PET, você precisa provar o que fez, e a publicação de artigos científicos,
são os mais aceitos [...] Ele fazia bastante tutorias, interferia para as
melhores decisões e dava muitas sugestões.

Nessa fase, a integração com o Centro Acadêmico
(CA), representação discente no Conselho da Ufal, e outros
auxiliou o desenvolvimento das atividades do grupo. Muito
embora a discussão em torno da destinação de recursos
financeiros do grupo causasse certo desconforto. Em

44

diversos momentos o grupo ficou de fora da partilha de
recursos que chegavam ao campus.
O ponto positivo é que, em pouco tempo, todos os
discentes do campus Sertão já haviam percebido que o
principal objetivo do PET era promover formação
acadêmica, social e profissional para os estudantes da
graduação. Ficava claro que o grupo oferecia oportunidades
para o desenvolvimento de habilidades pessoais e
acadêmicas — como trabalho em equipe, liderança,
comunicação, resolução de problemas e pesquisa —,
habilidades são valorizadas dentro e fora do ambiente
acadêmico. Além do mais, observava-se que a participação
no PET poderia fornecer vantagens em termos de
experiência e conhecimento, que são valorizados por
futuros empregadores e instituições de ensino, inclusive na
pós-graduação. Sem falar na oportunidade de convivência
com estudantes de diferentes cursos e áreas de
conhecimento. Isso leva à formação de amizades
duradouras, proporcionando senso de comunidade e
pertencimento, promovendo a oportunidades de networking
e colaboração com outros alunos, professores e
profissionais, ampliando o círculo de contatos dos
PETianos.
Entre os momentos marcantes dessa fase pode-se
citar o Encontro Nordestino dos Grupos do Programa de
Educação Tutorial (Enepet) que ocorreu no campus A.C.
Simões, em Maceió, evento grandioso do qual o PET pode
participar de forma ativa na organização. Também foi
muito importante a participação do grupo no Encontro
Nacional do Grupos do Programa de Educação Tutorial
(Enapet), em Natal – Rio Grande do Norte (RN), no qual a
interação durante a viagem foi incrível, especialmente
quando combinada à rica experiência e vivência
proporcionada pelo evento. O tutor egresso Antonio Netto
destaca também momentos marcantes:
Outra experiência que merece destaque e que marcou nossa trajetória,
em certo momento, foi quando os PETianos foram divididos em duplas
para uma determinada atividade, os quais gravaram, vividamente, o
diálogo que tiveram com a PETiana egressa Milena Barros. Esse
momento foi, notavelmente marcante, devido à interação intensa e à
troca de ideias significativas que ocorreram entre nós.

Atividades como a organização da Semana de
Engenharia (SEMENGE), o canal do PET no YouTube, a
Exposição de Engenharia e Tecnologia (Etec+) e o Curso
Introdutório de Matemática (Cime) para os calouros das
Engenharias são exemplos de atividades que se
45

solidificaram no campus do Sertão, vivas e vibrantes até os
dias atuais.
3.3 Mudança e adaptações ao cenário pandêmico
O ano de 2020 foi marcado pelo fim da jornada de 6
anos do professor Antonio Netto como tutor do grupo.
Aberto o Edital, o professor Jonhantan Magno foi o único
concorrente, sendo ele o escolhido para ocupar o cargo:
Sempre gostei de vivenciar a tríade universitária em sua plenitude.
Acabei por enxergar no PET a possibilidade de trabalhar os três eixos
de forma harmoniosa. [...] Algo a destacar é o network construído, pois
são inúmeras as conexões com estudantes, professores e profissionais
de diferentes áreas de estudo envolvidos nas atividades e eventos PET.
[...] Por fim, ser tutor do PET traz consigo todo um desenvolvimento
pessoal, pois muitos são os obstáculos que precisam ser enfrentados
diariamente, assim como é muito gratificante ver o sucesso e o impacto
positivo que o PET traz na vida dos petianos discentes.

O professor Alverlando Ricardo foi convidado a ser
cotutor. A partir de então, o PET Engenharias passou —
pela primeira vez em sua história — a contar com dois
tutores no grupo. Sobre sua entrada no grupo, relatou o
professor Alverlando:
Minha jornada como co-tutor no Programa de Educação Tutorial (PET
Engenharias) foi uma experiência inesperada e profundamente
significativa. [...] Como ex-petiano do grupo PET C&T, a essência do
PET continuava a fazer parte de quem eu era. O Professor Jonhatan, não
apenas como um colega, mas como um amigo próximo, estava ciente
de minha paixão pelo programa e de meu desejo de ser tutor. Quando
ele foi aprovado como tutor, não hesitou em gentilmente me convidar
para ser co-tutor. [...] Minha decisão de aceitar esse convite foi
motivada por um profundo senso de gratidão e pelo desejo ardente de
retribuir um pouco do que o PET havia contribuído para minha própria
formação.

O PET Engenharias vinha para mais um ano letivo
comum, se preparando para realizar suas atividades
previstas no planejamento. Porém, a pandemia do
coronavírus veio de forma repentina e avassaladora,
pegando todos desprevenidos, obrigando os setores da
sociedade a paralisarem suas atividades presenciais e
aderirem ao isolamento social. Dessa forma, o PET também
teve de paralisar suas atividades. No início, esperava-se que
as medidas de isolamento social durassem apenas algumas
semanas. Contudo, a Pandemia só piorava e a Universidade
não poderia retomar o ano letivo presencialmente. Sobre

46

esse momento difícil, a PETiana egressa Rikelly Rafaella
relata:
Moro na cidade de Arapiraca/AL, lembro que um dia antes de iniciar as
aulas de 2020 eu fui para Delmiro Gouveia/AL me reunir com alguns
petianos do PET Engenharias para alinhar uma das nossas atividades,
no meio da reunião recebemos um comunicado da Universidade
informando que as aulas estavam suspensas. No início o grupo pensou
que seria apenas uma pausa de 15 dias e as atividades seriam apenas
adiadas, percebemos só depois que teríamos que nos adaptar aquela
situação.

A Ufal não viu outra opção a não ser aderir ao ensino
remoto, e PET Engenharias se viu obrigado a seguir a
mesma linha. As dificuldades encontradas foram muitas,
tendo em vista que todo o planejamento do programa é
voltado para atividades presenciais e foi preciso moldá-las
para a modalidade remota. Muitas adaptações tiveram que
ser feitas e algumas atividades não eram viáveis de
realização on-line. Sobre esse momento, comenta a
PETiana egressa Rikelly Rafaella:
Inicialmente, nós apenas realizamos atividades internas e tínhamos
algumas reuniões quando se fazia necessário. Após um certo tempo, a
Universidade optou por voltar com as aulas no formato on-line. Dessa
forma, as atividades do grupo também voltariam. O PET Engenharias é
um grupo que tem muitas atividades de extensão, em contato direto com
a comunidade local da região. Logo, muitas dessas atividades não
poderiam ser realizadas, teríamos que focar nas atividades que
poderiam ser adaptadas para o formato online, o que não foi fácil.

Como forma de se adaptar a essa nova realidade, o
grupo buscou aprimorar e desenvolver atividades como o
Canal do PET e a Revista PET, além de adaptar algumas
outras atividades do planejamento para a modalidade
remota. Infelizmente, boa parte do ano de 2021 foi
semelhante, com atividades adaptadas ao modelo remoto,
inclusive a realização de processos seletivos para novos
PETianos.
Ao final de 2021, apesar das medidas de
distanciamento, o grupo realizou sua cerimônia de aposição
de placas dos PETianos concluintes, além da atividade
Imersão e da Confra PET. Esses foram os primeiros
encontros presenciais do grupo pós-pandemia. Foi muito
marcante, tendo em vista que alguns PETianos novatos
ainda não conheciam os demais colegas de grupo. Sem
dúvidas, um momento muito importante para integração
dos babies ao grupo, além do reencontro dos PETianos mais
antigos, que não se viam há quase dois anos.

47

Já no início de 2022, a Ufal passou a funcionar no
formato de ensino híbrido. Assim, algumas atividades e
disciplinas eram realizadas de forma remota, enquanto
outras de forma presencial. O PET teve que se readaptar às
rotinas de atividades presenciais e ao novo cenário da
Universidade. Poucos alunos conheciam o programa e suas
atividades, o que dificultou bastante a reinserção do grupo.
Além disso, após quase dois anos de ensino remoto, a
maioria dos PETianos mais experientes já tinha concluído
a graduação. O grupo se viu com sua maior parte do corpo
discente formada por PETianos ingressantes no programa
durante a pandemia. Isso dificultou ainda mais a realização
de algumas atividades, mas cada uma pelo grupo de forma
presencial era como o recomeço após uma grande pausa.
Atualmente o grupo conta com 12 participantes,
sendo 11 discentes e 1 docente. O co-tutor, professor
Alverlando Ricardo, tomou a decisão de se desligar do
grupo, com o intuito de permitir que o tutor professor Dr.
Jonhantan Magno pudesse vivenciar a tutoria do PET em
sua forma mais plena e intensa.
O planejamento atual do grupo inclui diversas
atividades que vêm sendo muito importantes em todos esses
anos do grupo no campus. São atividades que trouxeram
grande notoriedade e conformam a marca registrada do PET
Engenharias no campus do Sertão. A VIII SEMENGE, por
exemplo, é uma atividade que abrange os três eixos da
tríade universitária — ensino, pesquisa e extensão —, é de
âmbito regional e demanda planejamento e organização
bastante minuciosos. Além dos petianos, participaram da
organização dois professores do campus, no papel de
coordenadores docentes, e cerca de trinta discentes. O
evento reuniu estudantes, professores e profissionais de
diversas cidades, instituições e áreas de atuação, não se
limitando aos cursos de Engenharia Civil e Engenharia de
Produção do campus. A atividade foi recheada com grande
diversidade de minicursos, oficinas, visitas técnicas,
palestras, mesas redondas e momentos culturais, tendo
como tema central: Engenharia e a evolução tecnológica: o
perfil do engenheiro na sociedade contemporânea.
Além da SEMENGE, o grupo continua a realizar o
Cime, atividade bastante reconhecida no campus e que nos
últimos anos vinha sendo realizada de forma remota. Até
setembro de 2023 foram realizadas três edições presenciais,
com previsão de mais uma edição. A atividade consiste em
aulas de revisão, para os calouros, dos conteúdos do
segundo grau, lecionadas pelo PET e por colaboradores. A
atividade auxilia os discentes recém-ingressos nos cursos
48

de Engenharia, principalmente nas disciplinas que
historicamente possuem alto índice de reprovações.
Trabalhamos duro também na extensão e na
pesquisa. No eixo da extensão, por exemplo, o PET
continua a realizar a Etec+, que busca apresentar os cursos
de Engenharia da Ufal aos alunos de escolas do ensino
médio da região; também são apresentadas tecnologias
criadas pelos PETianos. No eixo de pesquisa, o grupo
organiza o Café com Ciência, que tem como objetivo a
apresentação de etapas das pesquisas em andamento do
campus. Assim, busca-se corrigir, antes que seja tarde
demais, erros associados à escolha de metodologias, além
de orientar a leitura de referências que possam auxiliar na
solução de problemas de pesquisa. Essa é uma atividade
relativamente nova do grupo, criada durante o período
pandêmico, mas já com realizações de edições presenciais.
O grupo também vem participando de atividades
voltadas à integração e troca de conhecimentos entre grupos
PETs, como o InterPET, o OxePET, o Enepet e o Enapet.
Além das atividades internas com ampla participação de
público externo e convidados, como Arraiá do PET,
Imersão, ConfraPET e Cerimônia de Aposição de Placas.
Grandes desafios ainda são enfrentados, mas o
conhecimento e a forma de fazer o PET acontecer vêm
sendo repassados desde seu início, lá em 2010. Então, as
pessoas que compõe o PET Engenharias mudam
gradualmente durante esse tempo. Contudo, apesar de
sempre haver mudanças, aquele que olhou o PET
Engenharias lá em sua fundação em 2010, ainda hoje, se
olhar, verá o mesmo PET Engenharias, mantendo sempre
intacto seu principal propósito: trazer conhecimento,
notoriedade e enriquecimento para os cursos de
Engenharia Civil e Produção do campus do Sertão.
O PETiano Egresso Rafael Carvalho desenvolveu
um poema que suscita a jornada única do PET Engenharias
através do tempo, bem como as experiências que moldaram
o grupo. Este é um relato da história, dos momentos de
triunfo e desafio, das conexões forjadas e das lições
aprendidas ao longo do caminho, é um tributo à
determinação, ao espírito colaborativo e à paixão que deram
vida ao grupo — história que continua a ser escrita por cada
um que vivencia, o grupo PET Engenharias a cada dia.
... Junto da Ufal Sertão
o nosso PET nascia
e a luta de sertanejo
Já na origem trazia
49

pois ali, meio afastado
num Campus improvisado
nosso grupo despontava
Com ação e excelência
era a grande referência
Que por aqui se notava
Chamado de PET-Ações
Depois PET Engenharias
Sua turma fundadora,
Recorda bem desses dias,
Que exigiram, na verdade
Muita criatividade,
Pra formar do grupo a cara
A essência, a imagem
deixando a forte mensagem
de que “o PET não para”
Mas um grupo que não para
Vez em quando há de mudar
e a mudança dá trabalho
Tanto quanto o de criar
Sob nova tutoria
O PET da Engenharia
Engenhou seu crescimento
junto ao da universidade
Dando mais variedade
Para o seu planejamento
Com sua essência pioneira
E a tríade sempre em vista,
Criou-se a nossa SEMENGE
jornal do PET, Revista,
Cime, Etec e muito mais,
Fazendo o grupo Capaz,
De estar sempre renovado
E mostrar tão vasta gama
Das ações desse Programa
pra fora do nosso estado
Junto a todo o PET Ufal
Que grande união reflete
Fez-se então nossa Alagoas
Sediar o Enepet
Sendo marcante o sucesso
E continuando o processo
Constante de renovar
50

A terceira tutoria
Por sua vez, assumiria
Um desafio singular
Em meio ao crescimento
de outros grupos no sertão
O cenário de pandemia
fez real revolução
Tantas adaptações
Dúvidas, medos, questões
Que coube ao grupo lidar
Mostram, na resiliência
Talvez, a maior essência
Que um grupo possa deixar
E assim vejo nosso PET
Nesse cenário atual
Mutável, sem se perder
Nesse tal “novo normal”
Com o PET Ufal e o Claa
vejo quanta força há
no grupo todos os dias
mesmo estando já de fora
Vê-se a energia que aflora
desse PET Engenharias…
Referências
Brasil. Edital nº 9 - PET 2010. Ministério da Educação,
2010.
Brasil. Resultado Final do Edital nº 9 - PET 2010.
Ministério da Educação - Secretaria de Ensino Superior.
2010.

51

CAPÍTULO 4
PET Nesal
Núcleo de Estudos
do Semiárido
Alagoano

52

4. 13 anos de Nesal: a universidade pública próspera
na terra fértil dos saberes tradicionais

Autores/Autoras
Amanda Rafaella Vasconcelos Farias
Débora Camylla da Silva Oliveira
Deusa Barbosa de Andrade
Evelyn Nathália Vieira Farias
Gilvana Suane Santos de Souza
Gustavo Eduardo Avelino
Larissa Silva dos Santos
Anidayê Angelo Amorim
Luana Cláudia Ferreira Magalhães
Lucas Flávio de Oliveira Lima
Mara Daiana Paixão Alencar
Maria Alice Teodoro da Silva
Maria Gabrielly da Silva Nunes
Maria Rita de Carvalho Lima
Marli de Araújo Santos
Ranielli Oliveira Barbosa
Rita Gabriella Garcia Leite

Resumo: pensando no contexto do pesquisar/construir
com, neste capítulo pretendemos expor cronologicamente
alguns dos saberes compartilhados pelos movimentos
sociais e povos tradicionais, através do instrumento
metodológico Estado da Arte, o qual busca abranger as
produções que consideramos essenciais para a existência e
permeação do Núcleo de Estudos do Semiárido Alagoano
(Nesal). Queremos destacar o evento anual “Falas Negras e
Indígenas”, que neste ano, em sua 12ª edição, se traduz
como principal manifestação do contato entre academia e
comunidade(s), tendo em vista a potencialidade de
protagonizarem suas narrativas para a Universidade. Com
isso, o evento evidencia os sentidos das produções
(acadêmicas ou não) do PET-Nesal. Considerando que o
Nesal, enquanto proposta extensionista, ultrapassa os muros
da Universidade, o evento realiza o movimento inverso e
estende os saberes e o contato para as demais populações
acadêmicas.
Palavras-chave: PET-Nesal, Semiárido, Produções.

53

4.1 Introdução
Fundado em 2010, inicialmente como grupo de
estudo, o Núcleo de Estudos do Semiárido Alagoano
(Nesal) nasce oficialmente como grupo PET em 2011,
numa perspectiva de pensar o semiárido alagoano através
da interdisciplinaridade. O PET-Nesal tem como intuito
trazer o diálogo entre os cursos de Serviço Social e
Psicologia — a partir da tríade da universidade - pesquisa,
ensino e extensão —, e teve em sua trajetória a análise das
diferentes questões que atravessam o semiárido alagoano,
descrevendo as vivências ocorridas no(s) encontro(s) com
as comunidades ao longo desses treze anos de grupo. “A
indissociabilidade é um princípio orientador da qualidade
da produção universitária, porque afirma como necessária a
tridimensionalidade do fazer universitário autônomo,
competente e ético” (BRASIL, 2006). Nesse sentido, o PET
- enquanto Programa de Educação Tutorial - tornou-se local
de efetivação do tripé formado pela pesquisa, pelo ensino e
pela
extensão,
características
constituintes
das
universidades brasileiras de modo geral.
Com o passar dos anos, o PET-Nesal fortaleceu sua
identidade ao desenvolver uma práxis que tenciona maior
compreensão sobre a realidade local, contando com
metodologias e estudos apropriados acerca das camadas
políticas, climáticas e sociais que contornam o semiárido.
Assim, os encontros estabelecidos do grupo PETiano para
com a comunidade foram responsáveis por aproximações
que exploram as reais vivências no semiárido, resultando
em produções de saberes construídos conjuntamente.
4.2 2011 a 2014
Em 2011, o grupo teve como resultado as
apresentações de vários trabalhos acadêmicos que
resultaram na elaboração de vários projetos, que tiveram
como principal temática o semiárido Alagoano. O primeiro
trabalho apresentado e escrito por uma PETiana teve como
tema “Mahura Memória e História das Mulheres
Quilombolas Trabalhadeiras da Tabacaria - Palmeira dos
Índios”. Ele versou acerca do projeto de extensão, de
mesmo nome, que propôs a criação de oficinas para a
fabricação de bonecas étnicas. Com isso, o projeto
objetivou capacitar as participantes a produzirem algo em
prol de suas sobrevivências, bem como consolidar suas
identidades quilombolas dentro do próprio território.

54

Ainda em 2011, mais trabalhos foram essenciais
para a consolidação do trabalho do grupo PET-Nesal e para
ações que visavam o semiárido alagoano, atividades que
citaremos no percurso deste capítulo.
4.3 2015 a 2016
A atmosfera de um grupo modifica-se
constantemente sob circunstâncias diversas, essas
transformações podem ocasionar momentos de
instabilidade que permitem uma readaptação positiva a seus
integrantes. Durante os anos de 2015 e 2016, o PET-Nesal
vivenciou mudanças significativas quanto a sua formação,
e embora isso tenha acarretado uma baixa temporária nas
produções acadêmicas, permitiu que o grupo se
desenvolvesse e se estabelecesse enquanto unidade.
A primeira remodelação a ser mencionada é a do
evento atualmente denominado "Falas Negras e Indígenas",
cujo nome tem sido atualizado conforme novas discussões
são incorporadas — uma dessas renomeações ocorreu em
2016. Entre 2010 e 2015, o evento era chamado "Fala
Negro", e em sua quinta e última edição sob esse título, teve
como temática "Imagem e Cotidiano", ocorrendo nos dias
4, 5 e 6 de novembro. A programação incluiu oficinas,
mesas e minicursos voltados ao debate sobre o acesso à
saúde pelos corpos negros. Em 2016, o grupo reformulou o
nome do evento, organizando a primeira edição do "Fala
Negra", com o tema central "Luta por reconhecimento e
acesso às políticas públicas da população negra".
Ainda em 2016, na Casa da Cultura de Arapiraca,
foi realizado um momento que teve como título: “o amor
tem cor? Relações afetivas e questões étnico-raciais”. O
evento contou com debates ligados à solidão da mulher
negra, à hipersexualização da mulher negra lésbica e à
construção subjetiva do homem negro e gay.
No mesmo ano houve ainda a formação de um grupo
de estudos voltado aos direitos humanos e às
vulnerabilidades
enfrentadas
pelas
comunidades
quilombolas. Nele, através da análise de textos acadêmicos
e literários, discutiu-se acerca do histórico de exclusão e
resistência da população negra brasileira.
Também em 2016, a até então PETiana Francyneide
Sobreira de Souza produziu um artigo intitulado “O
processo de adoção no Brasil e seus reflexos no aumento da
“adoção à brasileira””, trabalho apresentado no XV
Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS).

55

Voltando ao caráter transitório que marca os anos
2015 e 2016, após participar da criação e do
desenvolvimento do grupo por 6 anos, Maria Ester Ferreira
da Silva, a então tutora, se despede, e embora sete anos
tenham se passado desde essa despedida, suas contribuições
seguem ocorrendo — direta ou indiretamente. Sua
importância na existência do PET-Nesal não é deixada no
passado, mas restaurada a cada novo integrante que chega
e desvenda essa história. Após a despedida, Saulo Luders
Fernandes, até então professor colaborador, assume a
tutoria do PET-Nesal.
4.4 2017
No ano de 2017, entre os dias 21 e 23 de abril em
Teresina – Piauí (PI), aconteceu o Enepet 2017, o grupo
PET-Nesal esteve presente com três representantes
discentes, junto ao tutor Saulo Luders, apresentando os
trabalhos desenvolvidos em 2016, como o “I Fala Negra” e
o acampamento vivencial em um assentamento do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Nos dias 5 e 7 de dezembro do mesmo ano, ocorreu
a 2ª edição do “Fala Negra”, com o tema: “Memória e
territórios negros: desafios entre a oralidade e a escrita na
universidade”. Dentre os palestrantes estavam professores
da unidade, graduandos e membros da comunidade externa.
4.5 2018
Em 2018 foram realizadas muitas atividades, tanto
interna como externamente, nas comunidades indígenas e
quilombolas com as quais o grupo encontrava-se atrelado
em práticas de extensão e em eventos relacionados ao PET.
Nas fronteiras da interseccionalidade, houve um diálogo em
Recife sobre a pesquisa com jovens sob uma perspectiva
decolonial, envolvendo o Tutor Saulo Luders e duas
PETianas. Além disso, a PETiana Liliane Santos
apresentou sua pesquisa desenvolvida no Nesal, intitulada
“Diante do Espelho: Identidade Quilombola no Sertão
Alagoano”, em um grupo de trabalho no X Simpósio de
Psicologia Política, realizado em Maceió.
4.6 2019
O ano de 2019 propiciou encontros de caráter
científico para o PET-Nesal, assim, resultando em
produções que foram frutos do intercâmbio de saberes
56

políticos, comunitários e contextuais nos quais o Nesal se
insere, sendo tais trabalhos publicados em anais de
eventos.
De 20 a 23 de agosto de 2019 ocorreu a IX Jornada
Internacional de Políticas Públicas, sediada pela
Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Nesse evento
foi apresentado o artigo intitulado “Moderno ou Colonial?
Uma perspectiva decolonial sobre a questão étnico-racial na
modernidade”, produzido conjuntamente pelo tutor egresso
Saulo Luders e os PETianos egressos Roberto Albuquerque
e Hemile Dantas. Em julho daquele ano também foi
realizado o XXIV Enapet, evento este presencial na
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
onde o grupo que constituía o PET-Nesal à época construiu
dois trabalhos, publicados com a colaboração de todas/os
petianas/os. Os trabalhos receberam os títulos “Olhares
Sobre o Semiárido Alagoano” e “Práticas Extensionistas: o
Diálogo Educacional como Quebra de Barreiras”.
4.7 2020
Em 2020, com foco nos contextos rurais, discorrese sobre as potencialidades do corpo e o modo como a dança
pode se configurar como afirmação cultural, política,
estética e de cuidado coletivo que resgata as raízes e os
ensinamentos africanos, se apresentando como
possibilidade para promoção de saúde e cura em
comunidade.
Nesse período o grupo publicou um capítulo
intitulado “Por uma epistemologia plural latino-americana:
decolonialidade e relações étnico-raciais na modernidade”
no livro “Desigualdades sociais e os desafios das políticas
públicas”. Nele discute-se as questões étnico-raciais e a
expressão do racismo no Brasil, compreendendo raça como
categoria social que produz formas de orientação e
regimento do poder sobre os corpos e vidas de sujeitos e
populações — e, consequentemente, permite a
consolidação de lógicas de exploração e dominação
eurocêntricas na contemporaneidade.
Em “Educação contextualizada: a reinvenção de
práticas pedagógicas em uma comunidade rural de
Alagoas”, outro capítulo publicado no mesmo ano, o PETNesal se debruçou sobre os benefícios de desenvolver a
educação popular dentro da comunidade escolar, de modo
a produzir uma educação contextualizada, transformadora e
democrática.

57

Entre os trabalhos de conclusão de curso, foi
possível identificar dois apresentados em 2020. O primeiro
intitulado “Um estudo da saúde da população negra na
comunidade quilombola Pau D’arco - AL”, escrito pela
PETiana egressa Maria Aparecida da Silva Santos, que teve
como objetivo geral compreender a implementação da
Política Nacional de Saúde Integral da População Negra
(PNSIPN) na comunidade estudada. Para isso, utilizou-se
de entrevistas semiestruturadas com moradoras e
profissionais da saúde, visando investigar principalmente
como os processos de saúde/doença eram enxergados e
vividos por aquela população. Nesse sentido, identificou
que a PNSIPN é duplamente violenta: além de não ser
efetiva em todo o território, deslegitima os saberes comuns
da comunidade, frequentemente apontando-os como
“crendice ou superstição tolas”. Essa é uma luta dos(as)
moradores(as) que perdura até hoje, durante a escrita deste
capítulo.
Seguindo a mesma temática, o TCC intitulado
“Chás, plantas e ervas: práticas de cuidado, modos de
subjetivação e saúde em contexto rural”, escrito por Hemile
Dantas Coelho Rosário e Gustavo Alberto de Souza, se
propôs a analisar as conexões entre agroecologia e saúde
coletiva, se atentando sobretudo à dimensão das relações de
gênero. Ao longo do trabalho, as/os PETianas/os
perceberam os cuidados extremos com a terra e com as
sementes — em oposição à perspectiva produtiva e
comercial que a Agricultura tradicional costuma reproduzir
—, que geram espaço potente para alternativas de cuidado
em saúde, diretamente associado à territorialidade
campesina, à relação com a natureza e aos demais laços
comunitários.
4.8 2021
Entre a despedida de um modo de viver e o
(re)encontro com um mundo antes reconhecível, as
produções do ano de 2021 abrangem as resistências
permeadas até aqui — por comunidades tradicionais, assim
como no que tange aos contextos que permeiam vivências
de mulheres —, além de evidenciar as readaptações de
sobrevivência geradas durante e após a pandemia.
Destarte, três PETianas egressas se despediram da
graduação desenvolvendo seus TCCs acerca das vivências
de mulheres. Nomeado “O adoecimento da mulher e o
direito à saúde: alguns apontamentos sob a perspectiva da
exploração do trabalho”, o TCC de Eloise Macedo tece um
58

estudo sobre a saúde da mulher trabalhadora frente aos
processos de desenvolvimento do capitalismo. A autora faz
um apanhado do trabalho feminino no capitalismo,
abordando o processo de desenvolvimento da indústria e
sua relação com a exploração do trabalho feminino, bem
como enfatiza o adoecimento da classe trabalhadora e as
particularidades no trabalho da mulher. Em seguida, discute
o adoecimento da mulher trabalhadora no século XXI como
uma das consequências da exploração do trabalho no
capitalismo.
Em concordância, Anne Karolyne e Lidiane Costa,
também egressas do PET-Nesal, elaboram seu TCC
conjuntamente, sob o título “Vicissitudes do ser mulher na
contemporaneidade:
empreendedorismo,
tempo
e
autonomia no âmbito da psicologia”, o qual aborda
questões vivenciais femininas dentro do empreendedorismo
na Psicologia. As autoras tiveram como objetivo investigar
os encargos da construção social que atravessa a condição
feminina na contemporaneidade, com ênfase no contexto de
trabalho em Psicologia. Para tal, ao longo do texto abordam
gênero, subjetividade e contemporaneidade.
Outrossim, a PETiana egressa Francyneide Sobreira
desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso (TCC) com
o seguinte tema: “Relação entre serviço social e
movimentos sociais em pauta: uma análise da produção do
conhecimento no Congresso Brasileiro de Assistentes
Sociais: CBAS 2019”, sob orientação da professora Érika
Flávia Soares da Costa. O trabalho teve como norte uma
apreensão histórico-crítica da realidade e foi desenvolvido
a partir de pesquisas bibliográfica e documental, além de
análise quanti e qualitativa dos conteúdos dos trabalhos
publicados no XVI CBAS 2019, a partir do eixo
“Movimentos Sociais e Serviço Social” e das publicações
de outros eixos que abordassem a temática dos Movimentos
Sociais. A análise do “estado da arte” da produção do
conhecimento do Serviço Social sobre os Movimentos
Sociais pode se constituir enquanto elemento fortalecedor
da articulação entre o Serviço Social e os interesses das
classes subalternas.
Para além desses, também foram desenvolvidos
alguns capítulos de livros pelo grupo de PETianas/os
correspondente ao ano de 2021, um deles intitulado “Se
chegar, a gente morre?: vivências quilombolas no semiárido
alagoano em tempos de pandemia”, publicado no livro
“Vida e Pandemia no Agreste Alagoano”. A obra aborda o
processo histórico de marginalização sofrido pelas
comunidades quilombolas no semiárido, com enfoque em
59

Alagoas, por meio do racismo estrutural e institucional e
pela concentração de terras por latifundiários; como isso se
relaciona diretamente com os efeitos que a pandemia de
Coronavirus Disease 2019 (Covid-19) teve sobre os
territórios quilombolas do semiárido alagoano. Não
diferente dos acontecimentos ao longo da história, as
comunidades quilombolas traçaram suas próprias
estratégias de enfrentamento, marcando assim uma história
de luta e de resistências às diferentes formas de apagamento
e silenciamento do seu povo.
Ademais, seguindo a linha de produção descrita
anteriormente, o grupo PET-Nesal de 2021 também
elaborou capítulos do livro “Diversidade, espaço e relações
étnico-raciais discutindo os procedimentos, dúvidas e
percursos”. O capítulo 7, com o nome de “Cuidar de si, do
outro e da natureza: práticas de saúde na etnia XucuruKariri” aborda as práticas de cuidado e saúde utilizadas pela
etnia Xucuru-Kariri, que possui aldeia no município de
Palmeira dos Índios. As práticas de cuidado indígenas são
desenvolvidas internamente, por meio de saberes ancestrais
relacionados à espiritualidade e à coletividade, compostas
pelo uso de chás, ervas e ritos, distanciando-se da lógica
institucional de cuidados e práticas de saúde hegemônicas.
Uma vez que o saber da Universidade se distancia dos
saberes tradicionais da comunidade, percebeu-se a
necessidade do fortalecimento e comunicação entre os
diferentes saberes, propondo novas reflexões sobre o
cuidar, sobre práticas de saúde e território, por isso tal
produção é fruto da vivência de estudantes do PET-Nesal
dentro da comunidade indígena Xucuru-Kariri.
O segundo trabalho na produção supracitada
consistiu no capítulo "Interfaces com a Atenção Básica em
Saúde e Itinerários Terapêuticos em Comunidades Rurais e
Tradicionais: uma Revisão Sistemática". O estudo discutiu
procedimentos, dúvidas e percursos relacionados a essas
temáticas, oferecendo um panorama sobre como o assunto
tem sido investigado nessas populações.
A pesquisa analisou oito artigos e um livro,
devidamente identificados, categorizados e examinados de
acordo com seu conteúdo. A produção revelou a escassez
de estudos sobre itinerários terapêuticos nessas
comunidades e destacou a importância dessa abordagem
para compreender a saúde como um direito fundamental a
ser garantido.
No que se refere ao ano de 2021, as/os PETianas/os
egressas/os do curso de Psicologia, em colaboração com o
tutor egresso Saulo Fernandes, elaboraram um artigo
60

intitulado “Psicologia, MST e MPA: construindo trilhas
possíveis entre a formação e os movimentos sociais do
campo”. Esse trabalho buscou criticar o modelo de sujeito
que por muito tempo foi adotado pela Psicologia. Teve
como objetivo esboçar metodologias possíveis para a
aproximação da academia junto ao meio rural, tomando
como pilar experimentações realizadas pelo PET-Nesal
junto de militantes do MST e do Movimento dos Pequenos
Agricultores (MPA) em comunidades situadas no agreste e
sertão de Alagoas.
4.9 2022
O ano de 2022 coincidiu com o término da
graduação para alguns PETianos e PETianas, resultando em
diversos TCCs que tiveram como base as extensões do
Nesal e o contexto do semiárido, como o apresentado pelos
egressos Roberto Salsa e Mariusa Santos, intitulado
“Reivindicar por uma amizade política: uma
experimentação plural do companheirismo em um
assentamento rural no interior de Alagoas’’, um estudo
qualitativo, de caráter descritivo, e cujo objetivo geral foi o
de compreender o exercício da amizade como dispositivo
político entre os moradores de um assentamento rural do
MST, situado na cidade de Girau do Ponciano, a partir dos
aspectos das vivências cotidianas trazidos pelos
participantes da pesquisa. Buscou-se compreender a relação
da amizade política enquanto dispositivo de fortalecimento
das ações comunitárias, bem como identificar como a
amizade política produz um campo de cuidado no
assentamento. Ao final, percebe-se que a amizade no
contexto do MST ultrapassa a ideia de uma amizade
individual, voltando-se à concepção de companheirismo,
que se configura enquanto ferramenta de cuidado entre os
assentados, produzindo vínculos, afetos e vivências
compartilhadas coletivamente.
A PETiana egressa Milena Nolasco teve seu TCC,
intitulado “Práticas de cuidado e a dança afro-brasileira:
experiências em saúde de jovens quilombolas do sertão
alagoano”, desenvolvido mediante perspectiva qualitativa,
objetivando compreender os cuidados em saúde de jovens
mulheres negras por meio da dança no grupo Dandara, da
comunidade quilombola Cajá dos Negros, situada no sertão
de Alagoas.
As egressas Karen Silva e Sarla Oliveira, com o
TCC “Escrever é para mulheres como nós? As múltiplas
nuances da maternidade solo e a Fotonarrativa como
61

ferramenta metodológica no PesquisarCom” buscou
compreender a vivência de duas mães solo aquilombadas e
inseridas em um assentamento do MST. Ao longo do
trabalho é dito que a escolha pelo território baseou-se na
compreensão de que as mães residentes nessas
comunidades rurais alagoanas estão mais expostas às
violências políticas e sociais. A metodologia utilizada foi a
do PesquisarCOM e, visando desenvolver uma escrita que
contasse com a participação tanto das mães solo e suas
filhas quanto das graduandas, foram elaborados os
métodos: FotonarrarCom e NarrarCom, para nortear toda a
pesquisa. Ao final do trabalho, compreendeu-se que o
modelo idealizador do papel das mães, gera processos de
invisibilidade e negação da existência de mães solo e seus
modos de vida, processos ainda agravados a depender do
território em que essas mães estão inseridas.
O último TCC de 2022 foi produzido por Edvaldo
Brandão, que, a partir da pesquisa “Repercussões de uma
guerra silenciada: violência política e seus impactos
psicossociais em lideranças do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra”, teve como propósito a
análise dos impactos psicossociais da violência política em
lideranças do MST. O trabalho contou com três temas
centrais, sendo eles: 1) o emaranhado da violência política
no contexto do MST; 2) os impactos psicossociais da
violência política no percurso das lideranças; e 3)
insurgências campesinas e suas táticas de resistência. Ao
final foi possível compreender como as experiências de
violência política afetam as lideranças do MST e o papel da
coletividade na estruturação do percurso de luta dentro
desse Movimento, sinalizando para a tarefa de pensar saúde
mental e suas formas de promoção no contexto da
militância.
Referências
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Costa de. Vicissitudes do ser mulher na
contemporaneidade: empreendedorismo, tempo e
autonomia no âmbito da psicologia. 2021. Trabalho de
conclusão de curso (Graduação em Psicologia) –
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Universidade Federal do Maranhão, 2019, p. 1156 - 1159.
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o diálogo educacional como quebra de barreiras. In: XXIV
ENAPET, 24, 2019, Rio Grande do Norte. Anais [...] Rio
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BRANDÃO, Edvaldo Ribeiro et al. Cuidar de si, do outro
e da natureza: práticas de saúde na etnia Xucuru-Kariri. In:
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BRANDÃO, Edvaldo Ribeiro; SALSA, Roberto
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Liliane Santos Pereira. Psicologia, MST e MPA:
construindo trilhas possíveis entre a formação e os
movimentos sociais do campo. COLÓQUIO LATINOAMERICANO
SOBRE
INSURGÊNCIAS
DECOLONIAIS, PSICOLOGIA E OS POVOS
TRADICIONAIS, Sobral, Ceará, 2021. Sobral: Faculdade
Luciano Feijão, 2021.
BRANDÃO, Edvaldo Ribeiro et al. “Se chegar, a gente
morre”: vivências quilombolas no semiárido alagoano em
tempos de pandemia. In: FERNANDES, Saulo Luders;
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agreste alagoano: reflexões necessárias. Maceió: Edufal,
2021. p. 36-45.
BRANDÃO, Edvaldo Ribeiro. Repercussões de uma
guerra silenciada: violência política e seus impactos
psicossociais em lideranças do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra. 2022. Trabalho de
conclusão de curso (Bacharelado em Psicologia) –
Universidade Federal de Alagoas, Palmeira dos Índios,
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Básicas (MOB). Brasília, 2006. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/pet/manual-deorientações.
Acesso em: 19 ago. 2023.

63

BRITO, Raul Santos. Itinerários terapêuticos em
comunidades rurais e tradicionais: uma revisão sistemática.
In: Diversidade, espaço e relações étnico-raciais:
discutindo os procedimentos, dúvidas e percursos. 1ed.
Arapiraca: Eduneal, 2021, v. , p. 77-89.
MACÊDO, Eloise Cristina Pinto. O adoecimento da
mulher e o direito à saúde: alguns apontamentos sob a
perspectiva da exploração do trabalho. 2021. Trabalho de
conclusão de curso (Graduação em Serviço Social) –
Universidade Federal de Alagoas, Palmeira dos Índios,
2021.
NOLASCO, Milena de Siqueira. Práticas de cuidado e a
dança afro-brasileira: experiências em saúde de jovens
quilombolas do sertão alagoano. 2022. Trabalho de
conclusão de curso (Graduação em Serviço Social) –
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2022.
SALSA, Roberto Albuquerque de; ROSÁRIO, Hemile
Dantas Coelho; FERNANDES, Saulo Luders. Por uma
epistemologia plural latino-americana: decolonialidade e
relações étnico-raciais na modernidade. In: SANTOS,
Renato da Costa dos (org.). Desigualdades Sociais e os
Desafios das Políticas Públicas. Maringá: Uniedusul,
2020. p. 69-77.
SALSA, Roberto Albuquerque; SILVA, Mariusa Alves
Santos da. Reivindicar por uma amizade política: uma
experimentação plural do companheirismo em um
assentamento rural no interior de Alagoas. 2022. Trabalho
de conclusão de curso (Graduação em Psicologia) –
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2022.
SALSA, Roberto Albuquerque de; FERNANDES, Saulo
Luders; ROSÁRIO, Hemile Dantas Coelho. Moderno ou
colonial? Uma perspectiva decolonial sobre a questão
étnico-racial na modernidade. In: IX JORNADA
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Universidade Federal do Maranhão, 2019, p. 1 - 10.
Disponível
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64

SANTOS, Maria Aparecida da Silva. Um estudo da saúde
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D’arco-al. 2020. Trabalho de conclusão de curso
(Graduação em Serviço Social) – Universidade Federal de
Alagoas, Palmeira dos Índios, 2020.
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Luders. Diante do Espelho: Identidade Quilombola no
Sertão Alagoano. In: X Simpósio Brasileiro de Psicologia
Política, 2018, Maceió. Comunidades Tradicionais e em
Luta Pela Terra e Território: Modos de Resistência e
Formas de Organização Política, 2018.
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contextualizada: a reinvenção de práticas pedagógicas em
uma comunidade rural de Alagoas. In: SILVA, Américo
Junior Nunes da. Educação: agregando, incluindo e
almejando oportunidades 2. Ponta Grossa: Atena, 2020. p.
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SILVA, Karen Lauren Monteiro; OLIVEIRA, Sarla Silva
de. “Escrever é para mulheres como nós?” As múltiplas
nuances da maternidade solo e a Fotonarrativa como
ferramenta metodológica no PesquisarCom. 2022. Trabalho
de conclusão de curso (Graduação em Serviço Social) –
Universidade Federal de Alagoas, Palmeira dos Índios,
2022.
SOUZA, Gustavo Alberto de; ROSÁRIO, Hemile Dantas
Coelho. Chás, plantas e ervas: práticas de cuidado, modos
de subjetivação e saúde em contexto rural. 2020. Trabalho
de conclusão de curso (Graduação em Psicologia) –
Universidade Federal de Alagoas, Palmeira dos Índios,
2020.
SOUZA, Francyneide Sobreira de. Relação entre serviço
social e movimentos sociais em pauta: uma análise da
produção do conhecimento no Congresso Brasileiro de
Assistentes Sociais – CBAS 2019. Trabalho de conclusão
de curso (Graduação em Serviço Social) – Universidade
Federal de Alagoas, Palmeira dos Índios, 2021.

65

CAPÍTULO 5
PET Letras

66

5 Escrever para lembrar: nas tramas da memória dos
trinta e cinco anos do PET Letras
Alice Rodrigues Guedes
Clara Ferreira Pereira Freire
Kall Lyws Barroso Sales
Kezia Araújo Lins
Mirele Souza Urtiga
Sophia Maciel da Silva Barros

5.1 Notas introdutórias
Walter Benjamin, um dos pensadores mais
influentes do século XX, abordou de maneira fascinante a
questão da memória, especialmente em sua obra icônica
“Passagens” (1982), que explorou as conexões entre a
história, a cultura e a experiência individual por meio de um
intrincado labirinto de imagens e fragmentos. Benjamin
desenvolveu a ideia de que a memória não é uma linha reta
e contínua, mas uma rede de “linhas que se cruzam”, um
emaranhado complexo de lembranças, experiências e
imagens que se entrelaçam de maneira não linear.
Essas “linhas que se cruzam na memória”
representam a interconexão de eventos, ideias e momentos
que moldam nossa compreensão do passado e,
consequentemente, do presente. Para Benjamin, a memória
não é apenas um registro estático do que aconteceu, mas um
processo dinâmico de construção de significado, no qual
passado e presente dialogam constantemente.
Nesta exploração da construção do PET Letras por
meio das linhas que se cruzam na memória, vamos perceber
a influência da filosofia de Benjamin. Examinaremos como
ele concebeu a memória como espaço de ressonância, onde
os fragmentos do passado ecoam no presente, influenciando
nossa compreensão da cultura, da história e da experiência
humana.
A narrativa de criação do PET Letras não segue uma
linha temporal linear, mas sim uma rede de eventos que se
entrelaçam ao longo do tempo. Começa nos primórdios do
PET, na década de 1970, e segue até os dias atuais,
refletindo a abordagem de Benjamin à memória como uma
rede de conexões temporais. Isso é evidente na evolução do
programa, que começou como um projeto de pós-graduação
e se transformou ao longo dos anos para se dedicar às raízes
67

da graduação, à medida que o programa se adaptou às
necessidades e desafios da universidade.
A partir da figura inspiradora de sua primeira tutora,
Denilda Moura, o PET Letras constrói um legado indelével,
com impacto duradouro na comunidade acadêmica, nos
participantes do programa e naqueles afetados por ele,
percebe-se como as experiências passadas continuam a
influenciar e moldar o presente.
Denilda Moura é uma figura inspiradora que deixou
um legado indelével. Seu impacto duradouro na
comunidade acadêmica e nos participantes do programa
exemplifica como as experiências passadas continuam a
influenciar e moldar o presente.
No contexto da professora Núbia e de sua
abordagem como tutora no PET Letras, essa ideia de “linhas
que se cruzam na memória” pode ser relacionada à forma
como ela incentivou os bolsistas a explorarem novos temas
de pesquisa e a contribuírem para a produção acadêmica.
Assim como na memória, em que diferentes experiências se
cruzam, Núbia encorajou os estudantes a cruzarem
fronteiras acadêmicas, explorando temas que ainda não
tinham muito reconhecimento na academia.
O movimento de “abrir espaço para o novo” e
“seguir lutando para que os discentes pudessem também
ocupar o lugar de pesquisadores/as” reflete o compromisso
de Núbia em incentivar a inovação e dar voz a novas
perspectivas na pesquisa acadêmica. Ela não apenas
valorizou o trabalho dos estudantes, mas também criou
oportunidades para que publicassem seus trabalhos —
como na Revista Areia —, promovendo assim a diversidade
de vozes na academia.
A relação da memória com a tutoria de Fabiana
Pincho de Oliveira no PET Letras está relacionada ao
legado deixado por suas predecessoras, incluindo Núbia, e
à forma como Fabiana continuou a tradição e o
compromisso do programa. Assim como Núbia, ela
também valorizou o desenvolvimento acadêmico e pessoal
dos bolsistas, criando um ambiente de apoio e afetividade.
Fabiana mencionou em entrevista ao PET Letras
que compôs o PET com muito orgulho e gratidão, e isso
pode ser visto como uma forma de honrar a memória do
programa e das tutoras que a antecederam. Ela viu o PET
Letras como um programa de “força, tradição e impacto na
formação acadêmica”, o que indica um reconhecimento da
história e da importância do programa ao longo dos anos.
Além disso, Fabiana descreveu sua atuação
enquanto tutora não apenas como um papel acadêmico, mas
68

também como orientadora de vida. Ela cuidava dos
bolsistas nos mínimos detalhes, ouvindo suas confidências,
preocupações pessoais e experiências relacionadas à
pandemia de Coronavirus Disease 2019 (Covid-19). Essa
atitude de ser mais que uma tutora acadêmica, uma
conselheira e amiga, contribuiu para criar um ambiente de
afeto dentro e fora do PET Letras, onde os membros se
sentiam cuidados e apoiados.
A sensação de pertencimento a um grupo maior,
uma família, mencionada por Fabiana, também está ligada
à memória do programa, que ao longo dos anos construiu
uma comunidade de estudantes e tutores que compartilham
valores e objetivos comuns. A ideia de “uma pintura florida
e colorida” de sua estadia na tutoria do grupo representa
como Fabiana conseguiu deixar sua marca, adicionando
amor e poesia à história do PET Letras.
Além disso, a menção ao envolvimento mais
próximo do PET Letras com o ensino e a extensão,
particularmente através do Programa de Apoio aos
Estudantes das Escolas Públicas do Estado (Paespe),
demonstra como o programa evoluiu e se adaptou ao longo
dos anos, incorporando novas perspectivas e desafios.
Fabiana encorajou o perfil docente dos graduandos, vendo
o Paespe como oportunidade de crescimento e aprendizado
— o que está alinhado à tradição de formação acadêmica do
PET Letras.

5.2 Apresentação do projeto: o pioneirismo do PET
letras
Na obra “Caleidoscópio através das letras” (2013),
Denilda Moura, que primeiro transformou o PET Letras
Ufal em lar, relata a experiência de surgimento do Programa
de Educação Tutorial. A tutora egressa detalha a criação do
PET na década de 1970, pelo professor Cláudio Moura
Castro, que tinha como objetivo, nessa fase de surgimento,
a qualificação dos/as alunos/as para a pós-graduação,
intitulado “Programa Especial de Treinamento”. O PET era
vinculado às Pró-Reitorias de Pós-Graduação e Pesquisa
das Universidades Brasileiras, mas, eventualmente, passa a
ter um caráter mais voltado às atividades da graduação,
sendo vinculado às Pró-Reitorias de Graduação, como
segue até hoje.
Apesar das barreiras que surgiram nas tentativas de
implementação do PET em nível nacional, Denilda Moura
69

destaca o que intitula de “grande resistência” dos grupos, na
tentativa plena de lutar contra a extinção dos Programas. A
professora doutora ainda elenca que o grupo PET Letras da
Ufal foi o único que “[...] conseguiu manter o número de 12
bolsistas, mesmo na fase mais aguda da crise” (Moura,
2013, p. 19), celebrando mais uma vitória para esse grupo
que resiste, seguindo os passos da brilhante professora,
nesses 35 anos de história.
O esboço do grupo de Letras na Ufal surge em 1987,
com o Projeto de implantação, encaminhado à Fundação
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes), organizado por quem viria a ser a
primeira tutora do PET Letras. Com o projeto aprovado,
surge a primeira equipe, em abril de 1988, inicialmente
formada por apenas quatro bolsistas. Aos poucos, e com
muita luta, os números foram aumentando até que o grupo
chegou ao total de 12 bolsistas, segundo a sistemática
adotada até então pela Capes, e posteriormente pelo
Ministério da Educação (MEC).
Durante esse tempo, o PET foi e segue composto por
um grupo múltiplo de graduandos/as nas áreas mais
diversas do curso de Letras. O programa visa proporcionar
a esses/as estudantes oportunidades para o desenvolvimento
de suas atividades acadêmicas, de pesquisa e extensão
objetivando a excelência no ensino de graduação,
proporcionando aos/às alunos/as um ambiente acadêmico
estimulante e incentivando sua participação ativa na
comunidade acadêmica. Segue oferecendo orientação e
tutoria de professores e pesquisadores, bem como
oportunidades de participar de projetos de pesquisa, eventos
acadêmicos e atividades de extensão à comunidade. Por
meio do PET Letras Ufal, os/as alunos/as são
estimulados/as a desenvolver habilidades de pensamento
crítico, trabalho em equipe, liderança e comunicação, que
podem ser recursos valiosos em seus futuros
empreendimentos acadêmicos e profissionais.
A professora pioneira relata seus sentimentos
positivos sobre o Programa: “É muito gratificante
acompanhar o desenvolvimento dos petianos ao longo de
sua participação no grupo. [...] Através do
acompanhamento dos egressos, podemos comprovar a
qualidade da formação adquirida” (Moura, 2013, p. 26). Ela
nunca deixou de lutar pelo Programa de Educação Tutorial
e defendia, inclusive, a ampliação dos grupos PET nas
universidades brasileiras, por entender que o PET é um
importante motor para uma educação superior de qualidade.
Maria Denilda Moura esteve na tutoria do PET Letras Ufal
70

por 21 belíssimos anos. Faleceu em maio de 2020, mas nos
deixou um incrível legado de luta e resistência. Nas
palavras da eterna tutora: “Essa é uma breve história, mas
podemos dizer que é uma história extensa”, que não termina
por aqui.
A professora Núbia Rabelo Bakker Faria, tutora do
grupo entre 2010 e 2016, relatou com carinho sua
experiência no PET. “Difícil explicar a importância do
trabalho deste grupo que coordenei por seis anos e a resumir
em uma palavra o que ele significa para mim. Acompanhei
42 bolsistas e aprendi com eles muitas coisas!”, disse ela. E
ressaltou: “Aprendi, sobretudo, a apaziguar, a ceder, a
respeitar diferentes personalidades e temperamentos, a
ouvir, a confiar na capacidade do outro, a delegar e a cobrar
responsabilidade, a me deixar surpreender e me emocionar
com a vitalidade incansável da juventude, a trabalhar
realmente em equipe e a conciliar, finalmente, ensino,
pesquisa e extensão”. Núbia finalizou sua fala explicando
que o PET foi “acima de tudo uma escola de tolerância”.
Enquanto tutora, Núbia continuou incentivando o
despertar dos/as bolsistas para a produção de pesquisas
inovadoras, sobre temas que ainda não tinham tanto
reconhecimento na academia. O movimento de abrir espaço
para o novo e seguir lutando para que os discentes
pudessem também ocupar o lugar de pesquisadores/as, sem
deixar para trás o legado daqueles/as que vieram antes,
marcou a trajetória da professora no PET Letras. Sua
contribuição para o ecoar de novas vozes na pesquisa, com
a criação da Revista Areia, na qual os/as graduandos/as de
Letras e áreas afins podem publicar seus trabalhos
acadêmicos e textos literários, e a organização dos livros
“Letras à margem e Caleidoscópio através das letras”, é um
exemplo da importância do apoio dos/as docentes para a
produção acadêmica ainda na graduação.
Trilhando os passos de pesquisa de Núbia, Fabiana
Pincho de Oliveira chega à tutoria do grupo em 2017, lugar
que ocupou até 2022. A tutora egressa conta ter muito
orgulho e gratidão por ter composto o PET e pensa nele
como um Programa de “força, tradição e impacto na
formação acadêmica”. Também diz ser muito grata por ter
dado continuidade ao trabalho das tutoras, “duas grandes
linguistas” que a precederam no grupo.
A tutora, que ressaltou no PET Letras um jardim de
afetos e sentimentos, deixa na sala e nos corações petianos
a sensação de pertencimento a um grupo maior, uma
família. Os/as integrantes do PET Letras na geração de
71

Fabiana ganharam, para além de uma tutora, uma
orientadora de vida, pois, além de seguir incentivando a
pesquisa com o legado de Núbia, ela também cuidava do
grupo nos mínimos detalhes, prestando atenção com
carinho em cada petiano/a.
Fabiana relatou que, constantemente, aconselhava
os/as bolsistas do Programa e afirmou que em diversos
momentos escutava as confidências amorosas e os conflitos
familiares, além dos relatos de adoecimento advindos da
pandemia de Covid-19: “Em resumo, eu fui tutora,
professora, orientadora, conselheira e amiga. Eu aprendi
com todos/as discentes que existe beleza na diferença, que
as opiniões podem ser plurais, que às vezes, a harmonia não
vai reinar, mas o respeito jamais pode ser esquecido.” Isso
despertou nos/as integrantes a sensação de cuidado entre si,
criando um ambiente de afetos dentro e fora da sala de
permanência, onde, inclusive, Fabiana deixou uma pintura
florida e colorida, como foi sua estadia na tutoria do grupo,
quando conseguiu encher o PET Letras de mais amor e
poesia.
Foi também durante esses anos que o grupo se
aproximou mais do ensino e da extensão, pensando na
tríade que sustenta o Programa de Educação Tutorial,
criando uma paixão pelo Paespe, onde os/as bolsistas do
PET Letras atuam como professores em formação nas
disciplinas de linguagens do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem). A professora tutora sempre incentivou esse
perfil docente nos graduandos, entendendo que o Paespe é
lugar de crescimento e aprendizagem, como uma ponte de
transformação para os/as licenciandos/as em Letras.
Durante esse período, e com a aproximação com o Paespe,
o PET Letras se aproximou mais do PET Ufal, voando cada
vez mais alto e em bando, vivendo as delícias de ser
petiano/a dentro desse grupo tão múltiplo, pois, como
afirma Fabiana, “[...] quando se participa de verdade do
programa, a nossa vida é totalmente impactada, não é
exagero dizer isso!”
Assumindo a tutoria do grupo em 2023, o professor
doutor Kall Sales dá continuidade ao legado deixado pelas
tutoras egressas, trazendo ainda mais empatia para o
trabalho que tem sido realizado. Sua visão cuidadosa e
escuta atenta fazem com que, ao comemorar seus 35 anos,
o PET Letras volte seu olhar para si mesmo, refletindo sobre
os primeiros passos do Programa na Ufal e honrando
aqueles/as que o construíram e perpetuaram, em meio a
muita luta, numa realidade do “apesar de”, na qual, ao longo
dos anos, a ciência e a educação foram desvalorizadas.
72

Segundo o tutor, “[...] o PET Letras é um espaço de desafios
constantes porque é um programa dinâmico. Para mim, ele
traz consigo esse desafio delicioso da reinvenção constante,
de encontrar problemas e solucioná-los, da escuta afetiva e
ativa, que exige tanto trabalho e zelo pelo outro, de aceitar
que nem sempre acertamos, mas que podemos aprender
com nossos erros. Isso faz com que a sala Denilda Moura,
o espaço do PET Letras, seja um lugar de efetivo e contínuo
aprendizado para todas as pessoas que por ele passam, pois
ele é lugar de encruzilhadas, de diversos saberes, de
inúmeras personalidades e de muita pluralidade de vozes”.
No projeto de seleção, ele havia previsto um
documentário como atividade para rememorar um
momento importante para o programa — a celebração dos
35 anos do PET Letras. Esse projeto foi amplamente
acolhido pelas/os petianos/as, tendo sido realizado ao longo
do ano e projeção de estreia durante a “XV Semana de
Letras: linhas que se cruzam na memória”. Ainda segundo
o docente, “[...] a ideia de produzir um documentário foi
pensada a partir de experiências anteriores do grupo, que já
havia registrado diversas de suas atividades em vídeos,
como as entrevistas com Noam Chomsky, Veronica
Stigger, José Luiz Fiorin, Ana Lúcia Silva Souza, Hélder
Pinheiro, Eliane Silveira. Então, achei que seria o momento
oportuno para pensarmos em um documentário-memorial
para celebrar os 35 anos desse programa de muita
resistência e de muito afeto”.
Desde sua criação, o PET Letras traz consigo um
histórico de afetuosidade que transborda para além da Sala
de Permanência, que hoje leva o nome da primeira tutora,
Maria Denilda Moura, e inunda a Faculdade de Letras,
alcançando discentes, docentes e servidores. O assistente
em administração da Secretaria Geral de Pós-Graduação da
Fale, Ermans Carvalho, diz que, para ele, a palavra que
define o PET Letras é amor, desde as conversas
descontraídas nos corredores da Faculdade até o trabalho
minucioso realizado pelos/as petianos/as com a graduação
e para a graduação.
Vários eventos, projetos e experiências têm sido
realizados pelo Grupo PET Letras Ufal ao longo dos anos e
cada uma dessas atividades contribuiu significativamente
para o desenvolvimento de competências e habilidades
visando à construção de uma consciência crítica, criativa e
inovadora. A afetividade dos encontros e o desejo de
transformar a graduação num ambiente mais leve e
acolhedor têm impulsionado o PET Letras a seguir em
frente na atualidade, plantando as sementes que serão
73

colhidas no futuro pelas próximas gerações de petianos/as,
dando continuidade a esses 35 anos de trabalho e buscando
construir uma Universidade cada vez mais plural, o que tem
sido um princípio do grupo desde o início. Nas palavras da
tutora egressa, Fabiana Pincho de Oliveira, “Que o
Programa de Educação Tutorial tenha vida longa e continue
contribuindo de forma contundente na formação de
graduandos/as e consequentemente na melhoria dos cursos
de graduação!”
5.3 Entre livros: a produção do PET letras
Ao decorrer dos anos, o PET Letras desenvolveu
projetos e atividades que abriram caminhos para a produção
de livros, fazendo com que o grupo mantenha uma memória
escrita, de pesquisas e integrantes que passaram por ele,
valorizando esses nomes e documentando mudanças e
tradições — algo de importância para a futura memória que
novos integrantes do programa construirão. Dentre as
produções do grupo temos dois livros: “Caleidoscópio
através das letras”, de 2013, e “Letras à margem”, de 2016,
e também não podemos deixar de fora a Revista Areia, que
teve sua primeira edição publicada em 2018.
Organizado por Diogo dos Santos Souza, Núbia
Rabelo Bakker Faria e Victor Mata Verçosa, surge o livro
“Caleidoscópio através das letras”, publicado pela Edufal
em 2013, quando o grupo completava seus 25 anos de
existência. Para celebrar, foi pensado um livro com
produções acadêmicas de egressos e, até então, bolsistas de
diferentes gerações. A relevância desse livro se dá pelo
cuidado em preservar a resistência e a memória de produção
do programa, unificando os trabalhos de integrantes que já
passaram e criaram lembranças dentro do grupo e os de
integrantes que estavam construindo novas recordações.
De acordo com o livro, o grupo sempre teve
integrantes que conversavam com as áreas de linguística e
literatura, em diferentes idiomas, e o programa se preocupa
desde sempre com atividades de pesquisa e extensão,
surgindo então a necessidade de explorar e transmitir o
olhar dos/as petianos/as em suas pesquisas e vivências
dentro e fora da graduação. Separados por capítulos, o livro
possui relatos da tutora fundadora do grupo, Maria Denilda
Moura, que realça momentos vividos no grupo, nos
contando todo o processo de criação e permanência deste.
As pesquisas também são separadas por capítulo, contando
com estudos linguísticos e estudos literários; como último
capítulo, o livro tem a apresentação do projeto Reflexão e
74

Análise Linguística versus Produção Escrita (Ralpe), que
surgiu com o PET Letras Ufal. Neste o Prof. Dr. Marcelo
Sibaldo, da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE), ressalta a importância do projeto e sua relevância
e influência fora da Ufal, mostrando que o trabalho do
grupo se expande e que existe uma troca de conhecimento
não só dentro da Faculdade de Letras.
Mais tarde, em 2016, umas das atividades mais
importantes para a construção do programa e para as
memórias da Faculdade de Letras da Ufal perfura a
construção de mais um livro: “Letras à margem”,
organizado por Núbia R. B. Faria, Marília D. T. Leite e
Gustavo Félix, também publicado pela Edufal. O livro
celebra a sétima edição da Semana de Letras, atividade
organizada pelo PET Letras Ufal, e que no ano de 2014 teve
como tema Letras à margem; segundo a introdução do livro,
esse tema foi pensado nos temas de linguística e literatura
que, pelo menos no momento, não eram muito discutidos
dentro do meio acadêmico. Durante o evento foram
discutidos temas desse âmbito e o grupo decidiu publicar as
pesquisas dos integrantes, expondo os temas abordados e
criando uma reflexão sobre questões que não eram, até
então, vistas com frequência no mundo acadêmico.
Durante o livro somos apresentados as pesquisas
dos até então integrantes do grupo, que eram de diversas
áreas das letras, contendo: poesia nacional, romances de
língua inglesa, análises literárias do gênero policial, várias
pesquisas de estudos sobre distopia — na língua inglesa e
espanhola —, além de conversas sobre romance gráfico; as
pesquisas também exploram os estudos linguísticos, com
discussões sobre o ensino de línguas nas escolas e uma
pesquisa mais canônica, com estudos sobre Saussure. Essa
relação de busca para ver o mundo de um jeito mais
abrangente, celebrar o que já foi feito transpassa até hoje as
produções do grupo, criando esse registro de memória
escrita — algo tão importante no curso de letras.
Se transportando pelas novas recordações e
necessidades coletadas pelo grupo, a primeira edição da
Revista Areia é lançada em 2018, pensada por discentes
enquanto um espaço de compartilhamento de pesquisas
literárias, linguísticas e de áreas afins exclusivamente para
os/as alunos/as da graduação, ou recém-formados, além de
também para os/as poetas e artistas da universidade
publicarem seus textos literários. O nome da revista
eletrônica foi inspirado no conto “O livro de areia”, de Jorge
Luis Borges, que nos faz ponderar sobre o tempo e as

75

possibilidades infinitas de mudança, algo que sempre
reflete e refletiu no grupo.
Em 2023 a revista se torna ainda mais especial para
o PET Letras por ser ano de comemoração dos 35 anos
deste, e assim como no conto de Borges, o grupo vem
sempre colecionando memórias e passando por mudanças,
também pensando em possíveis caminhos para o futuro.
Com isso em mente, a mais recente edição da Areia passa
por uma mudança estética e científica, tendo uma nova
identidade visual e passando a aceitar a publicação das
produções de pós-graduandos.
A Areia surge e se mantém, anualmente, pela
necessidade de incentivo aos alunos da graduação, para que
possam participar ativamente em pesquisas e produções
acadêmicas, além de ajudar a divulgar esses trabalhos para
diversos públicos, dentro e fora da universidade. Inteirando
com entrevistas, resenhas, relatos de experiências, artigos,
poemas e contos, a Revista Areia se mantém importante na
construção da memória que os discentes têm sobre a
Faculdade de Letras da Ufal, um espaço só deles para
compartilharem suas produções.
5.4 Considerações finais
Por todas as linhas percorridas ao longo deste
capítulo, nota-se a maneira pelas quais o grupo PET Letras
existe, resiste e reexiste nas tramas da memória e nas trilhas
traçadas por cada petiano/a e por cada tutor/a. Ao falar de
existência, resistência e reexistência, pensa-se no tempo
vivo, em cada pulso e em cada sorriso que integrou o grupo
com dedicação, luta, afeto e vivacidade. São 35 anos,
comemorados neste 2023, de uma história que, cada vez
mais, está sendo tecida por muitas mãos, por isso, neste
capítulo, muitas memórias e vivências que “[...]
descansavam sob a poeira do tempo” (Moraes, 2020, p. 13)
foram revividas.
O PET Letras se constitui como um grupo plural e
de muita força dentro da Ufal. É de grande importância e
sensibilidade pensar no grupo enquanto impulsionador da
vida acadêmica, do compromisso e da escuta, pois vê-se
uma gama de possibilidades a serem exploradas ao
ingressar no Programa e ao participar das diversas
atividades propostas. Se ao escrever é possível lembrar, fazse necessário dialogar, reviver e reconhecer a potência do
grupo, que é sinônimo de integração, afeto e entrega nas
linhas, nos emaranhados e nos enlaces que caminham junto
à história do PET Letras, essa que, nas palavras de Denilda
76

Moura, “[...] é uma breve história, mas podemos dizer que
é uma história exitosa” (Moura, 2013, p. 27).
Referências
BENJAMIN, W. Passagens. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG,
2018.
BORGES, J. L. O livro de areia. In: BORGES, Jorge Luis.
O livro de areia. 7.ed. São Paulo: Globo, 1995. p.121-127.
GAGNEBIN, J. M. Lembrar escrever esquecer. São
Paulo: 34, 2006.
FARIA, N. R. B.; LEITE, M. D. T.; FÉLIX, G (orgs.).
Letras à margem. Maceió: Edufal, 2016.
FARIA, N. R. B.; SOUZA, D. S.; VERÇOSA, V. M (orgs.).
Caleidoscópio através das letras. Maceió: Edufal, 2013.
MORAES, E. Genealogia dos afetos. Belo Horizonte:
Letramento, 2020.

77

CAPÍTULO 6
PET Psicologia

78

6 Narrativas do PET-Psicologia Ufal: 15 anos de
memória e (re)existência
Albiratan Candido Ulisses
Aline Cecílio da Silva
Ana Clara de Almeida Rocha
André Rodrigues Ferreira
Beatriz Maria Alencar Lira
Beatriz Maria Santos Pessoa
Daniella Vieira de Almeida
Flávia Tiemi Nonaka
Isadora da Hora Rodrigues
Jhonael Ursulino da Rocha Silva
Julia Menta Lima
Ketley Maria da Silva de Souza
Lara Bianca Reis de Andrade
Letícia Ferreira Acioli
Marielle Giovanna da Silva Teixeira
Milena da Silva Medeiros
Saulo Luders Fernandes
Tainá de Paula Gonçalves da Silva
Williany Amorim de Oliveira
6.1 O Programa de Educação Tutorial e a universidade
como lugar do viver
Escrever sobre o Programa de Educação Tutorial
(PET) exige um exercício que se faz em coletividade, não
por acaso ou apenas por escolha metodológica, mas por
uma necessidade. Porque no PET aprendemos, desde
quando ingressamos, que a vida deve ser compartilhada e
que as relações partem das negociações e dos arranjos
coletivos. O Programa, a nível nacional, tem sua origem
baseada em uma análise crítica dos problemas vividos na
universidade, ainda nos anos 1970: a fragmentação do
conhecimento entre disciplinas e áreas; a produção do saber
de forma asséptica, sem levar em conta as relações
interpessoais, as construções coletivas e os afetos; as ações
compartimentadas entre o ensino, a pesquisa e a extensão.
No ano de 1988, surgiram os primeiros grupos PET
da Universidade Federal de Alagoas (Ufal); em 2005, o
PET se tornou oficialmente uma política pública de
educação, através da Lei nº 11.180/2005, regulamentada
pela portaria nº 3.385/2005 — ainda nesse ano, tem seu
nome alterado para o que conhecemos hoje: Programa de
Educação Tutorial (Ufal, 2023). A partir da
institucionalização, o PET se expande e é nesse contexto
79

que surge o PET Psicologia – Ufal, criado em 2008, pela
professora Maria Auxiliadora Teixeira Ribeiro (Xili),
completando 15 anos de existência em 2023.
A história do PET Psicologia se constrói em diálogo
com a própria história do curso de Psicologia na Ufal, tendo
sido criado em 2008, quando este ainda estava vinculado ao
Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes
(ICHCA). Em 2015, com a construção do espaço físico do
Instituto de Psicologia (IP), o PET Psicologia passou a
contar com uma sala de permanência que até hoje é do
grupo. Como narra a professora Xili, tutora fundadora do
PET Psicologia Ufal:
[...] desde que conseguimos trazer o PET para o nosso curso. Foi uma
grande vitória!!! Inesperada, em parte, porque o Edital que
concorremos, estava dividido em 03 categorias e para cada uma delas,
só tinham 10 vagas, para as quais estavam inscritos não sei quantos
cursos, mas eram de todas as partes do país. Para vocês terem a
dimensão de que não foi pouca coisa. Para mim, foi a mais significativa
experiência da minha carreira acadêmica, sem dúvidas.

O projeto do PET Psicologia tece uma crítica ao
modelo fragmentado da formação em Psicologia, isolando
as áreas do conhecimento ou campos de atuação, ao mesmo
tempo que propõe a superação desse modelo (Ribeiro,
2008). O grupo é carregado de afeto e cuidado, sendo, ao
longo desses 15 anos, um espaço de trocas sinceras e
construção de vínculos, internamente e em articulação com
os outros 11 grupos que atualmente compõem o PET Ufal.
A vida universitária não é feita apenas dos espaços
institucionais, das salas de aula, dos laboratórios, dos
grupos de estudos e das reuniões de projetos. Mesmo esses
lugares, ousamos dizer, fazem brotar nossas vozes
cotidianas e expressar nossos corpos por inteiro. Mas ainda
que esses espaços supostamente tentem produzir um
regimento normativo de ação, a vida acadêmica não se finda
neles — também somos corredores, mesas de cantina,
descanso de cães e gatos entre as entradas dos blocos,
espera em pontos de ônibus, goles de cafés em encontros
furtivos, abraços de despedida, partilha de alegrias e
tristezas, amizades que levamos para vida, bilhetes em
guardanapos, treinos, jogos, respiração profunda, risos e
soluços. Afinal, como retirar a vida daquilo que fazemos?
A universidade é também nosso cotidiano e nele a vida se
faz em invenções com aquilo que temos e podemos fazer
juntas/os/es.
O PET se encontra nesse caminho, enquanto
Programa regido pela Universidade, mas consolidado pelos
80

vínculos, pelas vidas, pelas memórias e pelos afetos dos que
o compõem. Como afirma Xili: “Nosso vínculo precisa
estar marcado, para começar a contar um pouco da história
do PET Psicologia.” O afeto se expressa como processo que
perpassa as pessoas e as conduz a um encontro com a
coletividade. Os afetos são o campo de contato entre as
pessoas na formação de corpos coletivos, de espaços entre
os que processam as relações entres os sujeitos (Ahmed,
2015). Assim, compreendemos o PET como espaço de
experimentação ético-política e, diante dos 15 anos de
experiência do PET Psicologia – Ufal, este capítulo busca
analisar as vivências, os aprendizados e os desafios de das
pessoas discentes e tutoras que fizeram e fazem parte da
nossa história, por meio de cartas escritas ao Programa.
6.2 Metodologia das cartas
Escrever uma carta é um bom caminho para
experimentar a escrita que se faz com os afetos, as
memórias e os encontros. Compor uma carta é mais do que
trazer o passado à tona, é atualizá-lo no campo do presente,
constituindo novas imagens, compreensões e significados
para essa trajetória. Narrar é um ato construtivo que burla o
passado enquanto fato acabado e produz, calcado nas
reminiscências, o presente a ser ressignificado e atualizado.
A produção de uma carta exige tempo, pausa e respiração
para o encontro com as experiências a serem partilhadas. A
carta é um exercício ético, pois necessita da/o/e outra/o/e
com quem dialogamos, como afirmam Battistelli e Oliveira
(2021).
As cartas também são rastros arrastados pelo espaço e
pelo tempo e que permitem, na sua abertura em outras
mãos, deslocamentos e adensamentos afetivos. As palavras
registradas no papel estão poentes de sentidos,
compreensões e sabenças vivas. Escrever a experiência da
vida é produzir conhecimento, e tal proposta segue ao
encontro com o PET Psicologia, como grupo e Programa
que busca a produção do conhecimento a partir das
experiências partilhadas na longa estrada das suas relações.
Assim, a escolha da construção deste capítulo a
partir de cartas não se deu por acaso. Nosso estar e nosso
fazer dentro do PET Psicologia – Ufal, bem como os
conhecimentos e aprendizados produzidos em conjunto, são
atravessados por afetos e emoções com significados
diversos para cada pessoa que fez e faz parte do Programa,
pois compreendemos que não há dissociação entre conhecer
e sentir. Nosso cotidiano em grupo é costurado e tecido nas
81

trocas, nas conversas e nos diálogos. Partindo dessas
compreensões, convidamos algumas pessoas que viveram e
fizeram parte de diferentes momentos da trajetória do PET
Psicologia – Ufal a escrever cartas e contar um pouco de
suas experiências e memórias pessoais. Alguns dos trechos
das cartas já foram apresentados anteriormente.
Recebemos, via e-mail, sete cartas — (três de tutores) uma
da tutora egressa, uma do tutor egresso, uma do atual tutor
do grupo e quatro de petianas/o egressas/o. Para análise das
cartas, utilizamos como base a abordagem da Análise
Temática, que consiste na busca por temáticas, nas
narrativas das pessoas entrevistadas, que produzem núcleos
de significação (Souza, 2019). Com base nesse percurso
analítico, foram construídos dois eixos temáticos: “PET
Psico e suas relações com a universidade – amizade,
vínculos e permanência” e “O lugar do PET como espaço
do aprender em comunidade”.
6.3 PET Psico e suas relações com a universidade:
amizade, vínculos e permanência
Nossas análises não configuram a tentativa de um
distanciamento analítico, ao contrário, nos propomos
analisar nossas implicações narrativas e experiências
vividas no PET Psicologia. Buscamos o contato próximo
nessa escrita porque assim tecemos nossos laços, e talvez
essas estratégias de presença no fazer do grupo sejam uma
das inúmeras formas de (re)existência do PET Psicologia.
Acreditamos que, ao compartilharmos nossas histórias,
quem nos lê também as constrói e vivencia, talvez encontrese também nas nossas narrativas. Compreendemos o PET
como um desses terrenos férteis à coletividade partilhada e
como experiências pedagógicas que nos permitiram —
discentes, docentes, técnicas/os/es e sociedade — construir
um aprendizado em comunidade. Como diria bell hooks
(2020, p. 97): “As histórias, sobretudo as histórias pessoais,
são uma maneira poderosa de educar, de construir uma
comunidade na sala de aula […]”.
Um dos primeiros contatos com a vivência
universitária é o processo adaptativo à graduação. As
possibilidades de ser e viver na universidade são diversas e
marcadas, por exemplo, pelas realidades interioranas
das/os/es discentes, pela vinda da escola pública ou de
territórios periféricos, sendo notório como cada chegada e
adaptação a esse espaço surge de maneira singular. Diante
de tantas realidades distintas de ingresso, o PET Psicologia
se apresenta como política educacional de apoio aos
82

processos de integração à vida acadêmica, pois o grupo
proporciona momentos de acolhimento que produzem um
sentimento de pertencimento à universidade e ao curso de
Psicologia do campus A. C. Simões. Como afirma Luan
Torres (petiano egresso do PET Psicologia):
[...] eu lembro da atividade que vocês fizeram no acolhimento da minha
turma [...]. Então você apareceu de novo, na sala de aula, chamando a
minha turma para ajudar a construir junto um evento chamado
Psicologia em Tela¹.

O PET Psicologia não possibilita apenas o
acolhimento e a integração no momento da chegada à
universidade, ele percorre e permite a permanência da/o/e
discente em seu percurso acadêmico, como narra Maria
Pedrosa (petiana egressa do PET Psicologia): “[...] ainda
lembro de coisas desde o 1º dia que tive contato no início
do curso com ‘o dia do PET’ até o dia da minha despedida,
já como egressa, no PET Memórias na casa de praia da
Xili”.
As atividades relatadas por Luan e Maria marcam
também todas/os/es as/os/es petianas/os/es que dão corpo a
essa escrita. As experiências narradas perpassam a vida de
cada pessoa, mas são partilhadas como vivências coletivas
e que tecem uma memória social do grupo. Cada pessoa
nele presente teve, no início da graduação, um pouquinho
do fazer do PET Psicologia, o que construiu a curiosidade e
o desejo pelo Programa, somados aos outros encontros e
atividades realizadas ao longo dos anos. De acordo com
Bosi (2007), as memórias não são apenas espaços de
acumulação de fatos transcorridos na vida durante um
período histórico, são também experiências vivas de
sujeitos que compartilham realidades objetivas
configuradas por meio das forças produtivas de
determinado tempo. A memória é sempre memória social,
memória de um todo coletivo que se subjetiva nos sujeitos
através da objetividade da realidade social. Assim, o
relembrar não é retirar dados aprisionados no passado, é
investir desejos e intensidades no tempo, é atualizar a
lembrança do vivido nas possibilidades do presente. O
processo de narrativa de vidas e de histórias é uma forma
de compartilhar e constituir o corpo da memória social.
Estar e viver a universidade desde a condição de
pessoa petiana possibilita saber que “sou uma, mas não sou
só”, como canta Sued Nunes em “Povoada” (2021). Ao
estarmos no grupo, aterramos e pertencemos à
universidade, caminhamos juntas/os/es, “em bando”, e nos

83

tornamos também terra que povoa, ao inaugurarmos outras
formas de construir saberes, fazeres e sentires — coletivos,
horizontais e amorosos. Foi no programa que muitas/os/es
de nós conhecemos nossas/os/es maiores amizades, amores
e tivemos experiências únicas no cotidiano acadêmico; é
fazendo parte dele que encontramos sentido em
permanecer. Os vínculos criados entre nós fertilizam nossa
permanência na universidade — e nela fazemos morada:
“[...] nosso tempo juntes era sempre acompanhado de
conversas, de apoio mútuo, de trocas de ideias e
pensamentos, de compartilhamento de dificuldades e de
celebração de conquistas” (Maria Pedrosa, petiana egressa
do PET Psicologia).
Como afirma hooks (2021), a vivência em comunidade
é gestada pelas relações amorosas que furam a compreensão
do amor enquanto instância vivida pela experiência
romântica, gerenciada pelas relações patriarcais de
opressão. O amor aqui pode ser revelado como amizade,
espaço de cooperação, vínculo e promoção de uma ética da
diferença, na qual o grupo não busca a mesmidade para se
manter — ao contrário, afirma as formas plurais de
existência para auxiliar na superação dos conflitos e no
reconhecimento das singularidades nele presentes.
Porém, o PET Psicologia não se encontra à parte das
relações institucionalizadas e burocráticas da vida
acadêmica; nele encontramos também contradições e
experiências que vão ao encontro de uma academia
instrumentalizada pela lógica da produção, da sobrecarga e
do cansaço. Elementos que constituem o percurso do PET
Psicologia com suas infinitas reuniões, o preenchimento de
formulários, o desmonte da universidade pública, as
limitações da nossa sala de convivência, os conflitos, as
disputas e os enfrentamentos na defesa de um programa que
seja constituído por pessoas e histórias plurais. Um
programa no qual se encontrem as intersecções de gênero,
raça, classe, sexualidade, deficiência e território. Foi a partir
da política de cotas, inclusive, que este lugar começou a se
tornar — e hoje se faz — muito mais diverso. Afinal, é
possível permanecer quando o espaço ecoa que não foi feito
para nós e onde não nos vemos, seja na universidade ou no
PET?
Nesse sentido, nós, pessoas que destoam do sujeito
universal — homem, branco, classe média-alta, cisgênero,
heteronormativo e sem deficiência —, muitas vezes
sentimos na pele o que Mirella Costa, discente egressa do
PET Psicologia, compartilha:

84

Foi a partir do grupo que também vivenciei grandes experiências em
que precisei me colocar. O mundo não é muito gentil, especialmente
com uma mulher negra. E o programa e a universidade não estão
situados à parte do mundo que habitamos.

Desviamos da norma branca, patriarcal, racista e
capacitista, como pontuam Simone Maria Huning, Marília
Silveira e Milena da Silva Medeiros (2022),
compreendendo que as dinâmicas de poder estruturantes
das relações também se fazem presentes na universidade,
na medida em que ainda abrimos espaço para que
permanecer não seja, sobretudo, sinônimo de dor.
Nessa perspectiva, permanecemos ainda porque
esperançamos no contraditório de um programa cuja
origem é marcada pela lógica da excelência acadêmica, no
contexto da Ditadura Militar, mas que produz rupturas ao
fomentar o pensamento crítico, as práticas dialógicas,
colaborativas e o compromisso ético-político de
universidade. Há potencialidade no PET porque há abertura
para um giro em si mesmo, quando nos provoca a
transformar os modos de aprender com as/os outras/os,
alicerçando a educação como prática de liberdade desde
uma pedagogia engajada (hooks, 2020), que tensiona a
educação bancária e promove a interlocução dos saberes.
6.4 O lugar do PET como espaço do aprender em
comunidade
Ficou muito nítida, nas cartas que recebemos, a
presença do PET Psicologia enquanto espaço para uma
outra educação possível, aprendizado que se faz com
as/os/es outras/os/es; um lugar de encontro que promove
alternativas para criar, construir e transformar. Mas esta
produção insurgente, que subverte a educação bancária tão
instituída na vida social, só emerge se houver o lugar do
coletivo. Esse diálogo traz para a conversa Antônio Bispo
dos Santos e Maria Givânia Silva (2022), quando falam que
nas comunidades quilombolas não se educa, pois educar é
um fazer do adestramento, da disciplinarização e da
instrumentalidade da vida. Essas narrativas vêm ao
encontro da carta de Saulo Luders (atual tutor do PET
Psicologia):
Em nosso percurso diário nem sempre conseguimos adentrar a essa
dimensão da coletividade viva, por vezes reproduzimos as lógicas
instituídas de um mundo mórbido e instrumental, mas nossa atenção
sensível e vivente no PET faz desse lugar doentio, espaço de
nascimento.

85

Esse lugar de criação comum do PET Psicologia
pode ser compreendido como processo de aprendizagem
em comunidade. Como nos conta Ribeiro (2008, p. 10):
Percebemos o PET Psicologia para além de um Programa Tutorial, uma
política pública clara de fomento ao desenvolvimento da formação
crítica e de qualidade, que, por meio de construções e processos
coletivos, reunifica pessoas capazes de transformar sua realidade social.

Com a mesma compreensão, o tutor egresso
Jefferson Bernardes fala em sua carta de uma proposta de
universidade que tenha o PET como modelo de
aprendizagem em comunidade:
Por mim, nosso PPC seria composto de 20 grupos PETs no curso. Um/a
professor/a-tutor/a para cada 20 estudantes em média. Chega desta
lógica disciplinar, conteudista e enfadonha. Seguramente, seria uma
proposta bastante inovadora, que promoveria (na realidade já promove,
pois percebemos isso no perfil de petianas/os) a autonomia do/a
estudante, com posicionamento crítico, focada em problemas concretos,
com recortes temáticos vinculados à conexão de saberes, diversidade,
direitos humanos…

Esses terrenos de aprendizados coletivos são
propícios às partilhas e experiências diversas enquanto
lugares de construção de espaços comuns e de
conhecimentos, burlam as formações hierárquicas rígidas e
se propõem a vida compartilhada com os outros, como narra
Aline Santana (petiana egressa do PET Psicologia):
Para mim, indo além de vivenciar coletivamente ensino, pesquisa,
extensão e gestão no contexto universitário, o PET contribuiu com a
possibilidade de aprender a “fazer com”: planejar, agir e avaliar os
processos coletivamente, incluindo diversidades de posicionamentos,
de histórias.

Este aprendizado em comunidade exige alguns
exercícios e movimentos que geram deslocamentos de uma
universidade reprodutora das lógicas hegemônicas de uma
sociedade individualista, neoliberal e meritocrática. Em
nossa experiência no PET Psicologia experimentamos ao
menos três movimentos para seguir aprendendo em
comunidade, são eles: 1º. A construção de um lugar
comum; 2º. Tornar-se compartilhante com as/os outras/os;
3º. Pertencimento a uma comunidade.
O que seria a construção do comum? O comum não
é a busca pelo igual, pelo homogêneo e muito menos a
vitória infeliz de uma votação democrática representativa

86

na qual a maioria vence. Desde quando a maioria é o
comum? O comum é espaço compartilhado, ação de fazer
junto na expressão que esse junto faz emergir. Para haver o
comum tem que existir a possibilidade de construir junto,
aliançar vidas, fazer com as/os outras/os/es uma vida que
possibilita a emergência de outras possibilidades de
existência em criação e que se mantenham as alteridades. A
proposta não é buscar um lugar de homogeneização e
universalização da experiência; ao contrário, a urgência
encontra-se na explicitação das diferenças. Ailton Krenak
(2022, p. 82) nos aponta caminhos para possibilidades da
produção do comum através do
[...] conceito de alianças afetivas - que pressupõe afetos entre mundos
não iguais. Esse movimento não reclama por igualdade, ao contrário,
reconhece uma intrínseca alteridade em cada pessoa, em cada ser,
introduz uma desigualdade radical diante da qual a gente se obriga a
uma pausa antes de entrar: tem que tirar as sandálias, não se pode entrar
calçado.

O PET permite essas experimentações de
radicalização das diferenças e da construção de uma ética
da alteridade. Esta ética plural possibilita a ruptura com as
lógicas burocratizantes e instrumentais da vida e nos liga
aos nossos pontos vivos. Permite criar, inventar e rir,
porque sentimos ali a possibilidade de uma vida
compartilhada, na qual as hierarquias são ao menos
borradas e nossas silhuetas podem ser vistas entre suas
bordas, não mais alheias a nós mesmos. Como nos conta
Mirella Costa (petiana egressa do PET Psicologia) sobre
sua experiência o grupo:
PET, pra mim, é puro afeto. Não acredito que poderia ter “aprendido”
tal coisa como uma “escrita afetiva” sem ter vivido isso com o grupo.
Não penso que seja o tipo de coisa que se ensine. Interessante que meu
tempo no pet (que foi de 2016 a 2019) também foi marcado por muitos
incômodos. E acho que o incômodo sinaliza algo, se a gente souber
compreender. Me sinalizou mudanças necessárias na época que estive
na graduação e no grupo [...].

Mirella Costa, ao afirmar “Não penso que seja o tipo
de coisa que se ensine”, nos aponta algumas pistas sobre o
aprendizado em comunidade, um aprendizado que exige
que nos tornemos compartilhantes — mas o que seria
“tornar-se compartilhante”? A ação compartilhante não é a
ação da troca, da transação, de ganhar e receber. Para
Antônio Bispo dos Santos (2023), tornar-se compartilhante
é colocar no círculo de uma coletividade o que você pode
contribuir, afinal, todas/os/es temos algo a brotar em
87

territórios férteis. No compartilhar não ficamos
restritas/os/es à escassez das relações, circunscritas/os/es à
busca pela expropriação e pelo extrativismo dos recursos
que as relações podem nos oferecer.
Como compartilhantes, somos compostagens vivas,
nutrindo redes e sistemas vivos que, ao se conectarem,
regeneram e criam as vidas que por eles são afetadas. É
produzir a vida com o que temos. Como afirma Maria
Pedrosa (petiana egressa do PET Psicologia):
Quando falo de tais aprendizados, não me refiro apenas à Psicologia e
seus conhecimentos e práticas, mas também à capacidade de
colaboração em equipe, o trabalho coletivo, o exercício da
comunicação, acolhimento e a autonomia.

O compartilhar implica a criação de territórios de
existência, alinhavados em pertencimentos nutridos pelas
experiências lançadas ao grupo e recriadas nos coletivos.
Há aqui o terceiro movimento do aprendizado em
comunidade: o pertencimento da vida com os outros. Após
a experiência como compartilhante, o sentido do viver
transborda e rompe a miséria do viver como indivíduo —
este sujeito precário, sem solo comum —, a experiência se
produz na vida pertencente com as/os/es outras/os/es. Há o
desejo da vida coletiva, de pensar junto, de dialogar com
quem está ao lado, de ouvir e de respirar. Como diz Luan
Torres (petiano egresso do PET Psicologia) em sua carta:
“Aprendi que se eu errasse ali, cercado pelos meus e pelas
minhas, eu teria um apoio pra poder seguir em frente”. É
esse aprendizado em comunidade — que permite errar e se
reavaliar com apoio do grupo, bem como acertar e
comemorar juntos — que nós construímos e refazemos.
Estar no PET Psicologia permite esse lugar experimental de
inauguração de novos horizontes e paisagens, polinizadas
por muitos seres, cada qual com sua forma de tocar o mundo
e fazer deste cenário novas paragens para viver em
comunidade.
6.5 O capítulo se encerra, mas a história continua
A escrita de cartas é uma maneira de alongar as
conversas, de promover aberturas e de inaugurar um tempo
que está além do cronológico. A partir da narração de
histórias, juntam-se diferentes vozes, reconstituem-se
rastros, tornam-se presentes memórias. É a partir dessa
perspectiva, a de um cruzamento de vozes, memórias e
afetos, que compreendemos a construção desses 15 anos de

88

histórias do PET Psicologia – Ufal. Conhecer as
experiências das diferentes pessoas que nos escreveram nos
faz perceber o quanto dessas vivências permanecem nas
práticas do grupo, ainda que recriadas com as contribuições
de cada petiana/o/e. Esta pluralidade de vozes e
experiências é que permite a emergência de uma ética do
aprender em comunidade, na qual a diversidade de
perspectivas sobre o mundo compõe, de forma coletiva e na
confluência de uma vida comum, as formas de construção
do conhecimento.
Compreender as relações de amizade e colaboração
que o PET Psicologia oportuniza é perceber os vínculos
como uma estratégia de permanência na universidade e no
próprio Programa. Assim, construímos juntos/as/es um
novo saber-fazer transformador da educação, pautada no
comum, no tornar-se compartilhante e no pertencimento a
uma comunidade.
Encerramos o capítulo com aquela sensação boa de
quando vemos um álbum de fotos antigas e que nos
lembram momentos marcantes, ou de quando encontramos
aquela caixinha em que guardamos — como se fossem
tesouros — bilhetes, recados de pessoas queridas ou
recordações preciosas.
Concluímos, portanto, que as histórias aqui
compartilhadas continuam em construção por todas/os/es
que cruzarem com o caminho do PET Psicologia. Não se
findam nesses 15 anos, mas continuam e continuarão se
refazendo a cada vez que o grupo se renovar e sempre que
revisitadas pelas pessoas que, de alguma forma, o PET
Psicologia afetou. Por fim, relembramos que a excelência
do Programa de Educação Tutorial se faz através das
atividades que construímos e de uma formação técnica
potente, mas, para além disso, com algo indispensável à
permanência na Universidade e para o potencial
transformador da educação, algo que atravessa todas as
histórias do PET Psicologia – Ufal, o afeto.
Referências
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México: Programa Universitario de Estudios de Género,
2015.
BATTISTELLI, B. M.; OLIVEIRA, E. C. S. Cartas: um
exercício de cumplicidade subversiva para escrita
acadêmica. Currículo sem Fronteiras, v. 21, n. 2, p. 67989

701,
maio/ago.
2021.
Disponível
em:
https://docplayer.com.br/219587171-Cartas-um-exerciciode-cumplicidade-subversiva-para-a-escritaacademica.html.
BOSI, E. Memória e Sociedade: lembranças de velhos.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
hooks, b. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São
Paulo: Elefante, 2021.
hooks, b. Ensinando pensamento crítico: sabedoria
prática. São Paulo: Elefante, 2020.
KRENAK, A. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia
das Letras, 2022.
POLLAK, M. Memória, esquecimento e silêncio. Estudos
históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1986
RIBEIRO, M. A. T. Proposta PET Psicologia UFAL.
Universidade Federal de Alagoas. [S.l.:s.e.], 2008.
SANTOS, A. B. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu;
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(pp.74-104). In: FIRMEZA, Yuri. et al (orgs.). Composto
escola: comunidades de sabenças vivas. São Paulo: n-1,
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HÜNING, S. M.; SILVEIRA, M.; MEDEIROS, M. S. Uma
carta de raiva e de amor. In: SOUZA, T. M. C. et al (org.).
Cartas feministas: Psicologia em tempos de pandemia.
Disponível em: https://www.edufal.com.br/. Maceió:
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SOUZA, L. K. S. Pesquisa com análise qualitativa de
dados: conhecendo a Análise Temática. Arquivos
Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 5167, 2019.
SUED, N. Povoada. Muritiba: Mugunzá Records, 2021.
Disponível
em:
https://youtu.be/dIFzUVxAb8c?si=O0fsil1sCUGTIHvs.
Acesso em: 29 set. 2023.

90

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Educação
Tutorial
PET.
Disponível
em:
https://ufal.br/estudante/graduacao/programas/educacaotutorial-pet. 2023. Acesso em: 5 out. 2023.

91

CAPÍTULO 7
PET Engenharia
Civil

92

7 Tutoria Júnior e Nivelamento das Engenharias
Evyllyn dos Santos Vieira
Marília Suelen de Barros Couto
Wislayne Souza Alves
7.1 História do PET Engenharia Civil
A história do PET Engenharia Civil está ligada à
trajetória de vida acadêmica e profissional do tutor egresso
professor Roberaldo Carvalho de Souza. O professor
Roberaldo ingressou no curso de Engenharia Civil da Ufal
em 1968 e concluiu em 1972. Naquela época, os discentes
de Engenharia eram convidados a lecionar as disciplinas de
Física e Matemática em escolas particulares, dada a
carência de professores. Nesse sentido, iniciou-se a jornada
de lecionar a disciplina de Física no Colégio Guido de
Fongaland. Em 1972, ano em que concluiu a graduação,
com o fito de obter informação a respeito do mestrado
especial em Engenharia nuclear, o professor foi até o
Instituto Militar de Engenharia (IME), na cidade do Rio de
Janeiro.
Após seu ingresso no mestrado do IMA, em 1974
iniciou um estudo de três anos na Universidade de Stanford,
na Califórnia. Em 1977, na Universidade de Illinois Urbana
Champaign, concluiu o doutorado. Em dezembro de 1985,
o professor retornou à Maceió, em busca de emprego e,
principalmente, para contribuir com o curso de Engenharia
Civil. Em 1986, iniciou-se a sua jornada como docente na
Universidade Federal de Alagoas (Ufal), graças ao seu
engajamento e à sua vontade de fazer o curso de Engenharia
ascender. Desse modo, em 1987 começou a trabalhar como
orientador de pesquisas com cerca de dez alunos, a grande
maioria com bolsa de Iniciação Científica (IC). Por ser o
único com PhD na área de ingresso no quadro da Ufal à
época, o professor encontrava facilidade na busca e
concessão dessas bolsas
Em novembro de 1988, foi aprovado pela Fundação
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes) o projeto enviado pelo professor
Francisco Nazaré, tratando-se da formação de um grupo
que tinha como objetivo unir os discentes, buscando a
melhoria do curso de graduação, promovendo palestras e
auxiliando os professores na qualidade das aulas e, com
isso, diminuir o índice de reprovação e evasão. A iniciação
fomentou a participação dos alunos no fazer cotidiano da
vida acadêmica no curso. Inicialmente nomeado como
93

Programa Especial de Treinamento do Curso de Engenharia
Civil da Ufal, a aprovação do PET foi um momento
marcante para o Centro de Tecnologia (Ctec) da instituição,
uma vez que foi o seu primeiro projeto aprovado em nível
nacional, trazendo a tríade ensino, pesquisa e extensão para
a área das Engenharias.
Outrossim, o Programa de Apoio ao Estudantes de
Escolas Públicas do Estado (Paespe) torna-se fundamental
para o desenvolvimento do PET Engenharia Civil, visto que
estão inteiramente ligados. Trata-se de uma Tecnologia
Social, institucionalizada como programa de extensão do
Ctec da Ufal, também criada pelo professor Roberaldo
Carvalho, e que busca proporcionar a ascensão
socioeconômica de estudantes da rede pública de ensino de
Alagoas por meio do ingresso na Universidade. O Paespe é
mais do que uma das atividades do planejamento anual do
PET, possuindo, desde sua criação, importância primordial
no grupo devido aos aprendizados e ao envolvimento com
a atividade que agrega aos petianos, sendo uma das
principais atividades de extensão do grupo.
Atualmente, são ministradas aulas de Física,
juntamente com dinâmicas e atividades complementares.
Essas iniciativas têm como objetivo incentivar os
estudantes a permanecer no Paespe e motivá-los a ingressar
na Universidade. É perceptível que a atuação do PET Ufal
vai além do incentivo ao ingresso na universidade,
instigando também ao ingresso de estudantes no PET, uma
vez que é notória a presença de petianos que são oriundos
do Paespe.
7.2 Quando e como surgiram as atividades de
Nivelamento das Engenharias e Tutoria Júnior.?
Em 1986, os alunos de Engenharia Civil da Ufal
tiveram o primeiro curso de férias da disciplina de
Mecânica dos Fluidos. Na época, o CTEC dividia o prédio
novo com o antigo Centro de Ciência Humanas, Línguas e
Artes (CHLA), ocupando o espaço pela manhã. Isto é,
professores, alunos e funcionários dos cursos de graduação
da Engenharia Civil e Arquitetura só tinham um horário
livre para trabalharem.
Em abril de 1987, o curso de Engenharia Civil
implantou a semente para o que hoje quase todos os cursos
da Ufal fazem: “Curso de Nivelamento para os Feras”. O
curso foi ministrado pelos professores Edmilson Pontes,
João Alfredo Ramalho e Arnon Tavares, todos lotados no
antigo Departamento de Matemática Básica.
94

Com a aprovação da proposta do PET junto à Capes,
iniciada em 1979, o grupo tinha como um de seus objetivos
contribuir para a elevação da qualidade da formação
acadêmica dos discentes em Engenharia Civil. Seguindo
essa linha, a primeira turma formada no PET Engenharia
Civil contou com a preparação de aulas de reforço de
Cálculo, Física e Informática, tendo, durante os primeiros
cinco anos do programa, participação ativa dos petianos e
de diversos professores, no que diz respeito aos cursos de
curta duração. Diante disso, o PET criou excelente
relacionamento com o Colegiado do Curso, com a Direção
do Centro e a Reitoria. Junto ao colegiado, o PET esteve
presente em todas as mudanças ocorridas durante o curso
quanto à tríade ensino, pesquisa e extensão.
Em relação ao ensino, podemos citar o curso de
Nivelamento para os feras e a introdução de disciplinas na
grade do curso, tais como Introdução a Engenharia Civil e
Inglês Técnico. Além disso, houve participação ativa no
Programa de Orientação Acadêmica (Proa), nas discussões
sobre o estado de arte das diversas áreas do curso, por meio
de Mesas Redondas, e por fim, no auxílio aos Feras nas
disciplinas básicas de Cálculo e Física, sob a forma de
monitoria.
Historicamente, os alunos ingressantes no curso de
Engenharia Civil vêm com uma carência na base
matemática. Diante disso, o Nivelamento foi desenvolvido
para que os discentes pudessem, antes do início das aulas,
revisar conteúdos e tirar dúvidas; inicialmente a ideia era
aplicada aos calouros em Engenharia Civil, mas,
posteriormente, contou com a adesão dos demais cursos de
Engenharia do CTEC Ufal. Além disso, atualmente a
atividade é organizada em conjunto entre o Centro
Acadêmico de Engenharia Civil, o PET Ciência e
Tecnologia, o PET Engenharia Ambiental, o Centro
Acadêmico de Engenharia de Petróleo, o Centro
Acadêmico de Engenharia Ambiental e o Centro
Acadêmico de Engenharia Química. Tendo como principal
objetivo contribuir com os feras nesse processo de
adaptação à graduação, o Nivelamento tornou-se uma
atividade maior que o PET Engenharia Civil dentro do
CTEC.
Inicialmente, o nivelamento tinha duração de duas
ou três semanas e ocorria antes do início das aulas do
semestre letivo, servindo como preparação para os
ingressantes. Ao longo do tempo, além das aulas de
matemática básica, foram incorporados momentos de
dinâmicas, palestras com profissionais de Engenharia,
95

momentos de apresentação dos grupos discentes presentes
no CTEC (Centros Acadêmicos, Programas de Educação
Tutorial, Programa Especial de Capacitação Discente,
Empresas Juniores e Atléticas, etc.), além de visitas aos
laboratórios do CTEC e demais espaços da Universidade.
Mesmo se tratando de uma ótima atividade para a
adaptação dos ingressantes, percebeu-se no Nivelamento
que os calouros necessitavam de acompanhamento
contínuo durante o primeiro período. Assim, o Proa foi
incorporado à Tutoria Júnior, proporcionando aos discentes
o acompanhamento por um professor orientador durante o
seu primeiro período, por meio de reuniões. A partir destas,
o programa tem como objetivo apresentar a universidade e
as áreas abrangidas pela Engenharia. Atualmente o
programa se encontra no Projeto Pedagógico de Curso
(PPC).
Posteriormente, em 2010, iniciou-se a atividade de
Tutoria Júnior, que, de maneira semelhante e em conjunto
ao Proa, possibilita que os discentes ingressantes no curso
de Engenharia Civil sejam acompanhados por petianos, no
decorrer do primeiro período da graduação.
7.3 Quais os impactos da atividade?
7.3.1 Nivelamento
A atividade gerou muitos impactos positivos, tanto
para os participantes quanto para os petianos envolvidos na
organização, visto que os ingressantes recebem um grande
reforço de matemática básica, palestras motivacionais,
atividades de integração e apresentação do curso e da
universidade, além de acarretar na integração entre a turma,
proporciona também a revisão dos conteúdos de précálculo, enquanto os organizadores desenvolvem
habilidades referentes à organização de eventos, ensino e
oratória.
As aulas de reforço são ministradas pelos
integrantes do grupo, logo, incentiva-se os petianos na
busca pela melhoria da comunicação, bem como a inserção
na área acadêmica por meio do ensino. Dado o exposto, são
proporcionados aos petianos o desenvolvimento da
habilidade do trabalho em equipe e a integração entre os
grupos discentes do CTEC.
Para mais, a integração entre os ingressantes
fortalece o senso de pertencimento dentro do curso de
graduação e promove, consequentemente, a diminuição da
evasão no curso.
96

Ao longo dos anos, notou-se a dificuldade em
nivelar os estudantes em poucas semanas, resultando em
discussões sobre o Nivelamento estar se consolidando
como atividade de acolhimento e não como um
nivelamento, como o nome propõe.
Ainda sobre integração e acolhimento, ao final da
semana de nivelamento é organizada uma festa que reúne
os discentes dos quatro cursos do CTEC Ufal (Engenharia
Civil, Engenharia de Petróleo, Engenharia Ambiental e
Engenharia Química), encerrando-se o evento e dando
boas-vindas aos novos discente do centro.
7.3.2 Tutoria Júnior.
A Tutoria Júnior traz consigo um impacto
extremamente relevante para o curso, uma vez que
historicamente o curso de Engenharia Civil possui grande
evasão durante o primeiro período. Nesse sentido, os feras
têm todo o apoio de um tutor petiano, que irá acompanhálos durante o período de adaptação no curso, criando um
ambiente confortável para que os alunos busquem o apoio
em momentos difíceis na graduação. Com isso, o petiano
busca motivar os discentes e mostrar que as dificuldades
fazem parte da construção da jornada acadêmica — e que,
alinhando o seu esforço com a ajuda externa, o sucesso será
uma consequência —, bem como apresentar os espaços e
oportunidades existentes na universidade.
Para o petiano, a atividade gera uma rede importante
de trocas, pois ao passo que o grupo contribui com o
desenvolvimento dos calouros, o petiano aprende, no
desenvolver da atividade, a lidar com diferentes tipos de
situações e principalmente a praticar a educação tutorial, ao
ensinar na mesma proporção que aprende.
Além disso, como a turma é dividida em grupos para
a tutoria, cada um deles formado por dois tutores juniores,
para além dos calouros, é proporcionada a integração entre
os discentes do mesmo grupo, já que as reuniões, para além
do acompanhamento e da apresentação da universidade,
oferecem momentos de integração e dinâmicas entre os
participantes.
Em 2014 a atividade começou a estar ligada com a
disciplina obrigatória de Introdução à Engenharia,
ministrada pelo atual tutor do PET. Assim torna-se mais
fácil o desenvolvimento da atividade, bem como a atuação
do PET Civil nesta. Geralmente, uma das primeiras aulas
da disciplina é destinada à apresentação do grupo, da
Tutoria Júnior e do Proa, bem como à divisão dos
97

tutorandos e seus respectivos tutores. Ademais, ao longo do
semestre, para favorecer a participação dos alunos, a
presença nas reuniões da Tutoria Júnior é requisito
avaliativo para a disciplina.
7.4 Como estão as atividades no ano de 2023
7.4.1 Nivelamento
Com o passar do tempo, observa-se a mudança de
perfil dos estudantes, estes estão adentrando na
universidade com novas necessidades. Dessa forma, para
além das atividades do Nivelamento constituírem um
momento de revisão e ajuda com a base matemática, tem
sido intensificado o acolhimento desses alunos no ambiente
universitário, sendo este último fundamental para motiválos e alertá-los sobre a necessidade de adquirir Soft Skills e
Hard Skills durante a graduação.
Algumas dinâmicas se tornaram tradições durante o
Nivelamento, a exemplo da gincana que ocorre durante esse
período, na qual os calouros são divididos em grupos e cada
atividade realizada tem uma pontuação; ao final, o grupo
que apresenta maior pontuação é premiado. Essa estratégia
tem funcionado, uma vez que, além de gerar integração,
motiva os feras a permanecerem até o término da atividade.
Durante a gincana é realizada a tradicional caça ao
tesouro, que consiste em uma atividade onde cada grupo é
acompanhado por um veterano e, por meio de dicas,
percorre a Ufal até encontrar o “tesouro”. O intuito dessa
dinâmica é fazer com que os novos discentes conheçam a
Universidade e se divirtam durante o processo. Além disso,
as dinâmicas como torre de papel e ponte de macarrão
aumentam o contato dos alunos com a Engenharia, de forma
mais prática e dinâmica.
7.4.2 Tutoria Júnior.
A Tutoria Júnior tem se mostrado de grande
importância diante das mudanças nos perfis dos estudantes
ao longo dos anos, principalmente quando paramos para
observar a falta de preparação dos jovens na superação dos
desafios.
Assim, a Tutoria Júnior busca incorporar, além da
formação acadêmica, o desenvolvimento de habilidades
comportamentais essenciais a qualquer profissional —
como a comunicação e o trabalho em equipe —, bem como
a busca por novas ferramentas ativas de ensino e
98

aprendizagem, de modo a promover o maior entusiasmo
entre os discentes. São exemplos as temáticas abordadas
durante os encontros, como Método de Estudos, Metas e
Planejamentos, que vão para além de apresentar a matriz
curricular do curso e os espaços físicos da universidade,
promovendo o acolhimento desses estudantes —
fundamental para a sua manutenção no curso.
Em 2023, a atividade proporcionou uma integração
entre o PET Engenharia Civil e o PET Psicologia. Diante
de um curso técnico como Engenharia Civil, faz-se
necessário abordar temáticas sociais voltadas para o
desenvolvimento coletivo. A parceria entre os dois grupos
permitiu uma roda de conversa, guiada por dinâmicas, com
o intuito de realizar uma análise interseccional sobre os
marcadores sociais da diferença de classe, raça, gênero,
religião, orientação sexual e outros. A finalidade foi abrir
um debate saudável a respeito do combate às diferentes
formas de discriminação e preconceito existentes no
cotidiano universitário e fora dele, a partir da vivência
dentro do curso e das experiências que são encontradas
durante a graduação.
7.5 Relatos de discentes que participaram do
Nivelamento e da Tutoria Júnior.
Para compreender as contribuições dessas
atividades na nova etapa acadêmica dos discentes
ingressantes, alguns alunos foram entrevistados sobre suas
experiências com o Nivelamento e a Tutoria Júnior.
A experiência do Nivelamento e da Tutoria Júnior, é uma vivência
calorosa e acolhedora, ótima para a integração no curso, onde podemos
conhecer nossos colegas, as instalações, e ter o convívio com os alunos
dos períodos superiores, podendo pegar dicas e experiência. – Nicolas
Rafael Lima Santos, turma 2023.1.
Uma palavra que define a experiência do Nivelamento e da Tutoria
Júnior é excelência. As ações e integração interpessoais que tivemos
nessas atividades foram, sem sombra de dúvidas, as mais calorosas e
divertidas durante este primeiro período. É um local de aprendizagem,
conforto e bem-estar, onde aprendemos mais sobre a universidade,
dinâmicas do curso e como podemos passar por esse primeiro impacto
de calouros sem tantas dificuldades. O apoio dos petianos nesse início
de jornada é muito necessário para o desenvolvimento acadêmico dos
calouros. – Victor Gabriel Santo de Moura, turma 2023.1.
Minha experiência ao participar do Nivelamento e da Tutoria Júnior foi
verdadeiramente muito boa. Ambas não apenas me auxiliaram a me
integrar com meus colegas de sala e estudantes de semestres superiores,
mas também me mostraram o que esperar da faculdade e como

99

maximizar meu desempenho durante a vivência na mesma. – Maria
Luiza Nunes Lopes, turma 2023.1.
A vivência proporcionada pelo PET Civil, através do Nivelamento e da
Tutoria Júnior, é extraordinária. Preparando os alunos desde o início
para possíveis dificuldades nesta nova fase de nossas vidas, dando
oportunidade de conhecermos outros alunos e um pouco mais sobre o
curso e grupos discentes, compartilhando experiências e tirando
quaisquer dúvidas. Nesse processo, é ensinado principalmente como
“viver a universidade” e aproveitar tudo o que é oferecido para termos
a melhor experiência possível e nos tornarmos excelentes profissionais.
– Maria Júlia Brito Tavares Arruda, turma 2023.1.
O Nivelamento e a Tutoria Júnior realizados pelo PET Civil
desempenham um papel fundamental para a integração dos calouros.
Por meio de atividades, revisões e apresentações dos grupos discentes,
nós, calouros, temos a oportunidade de compreender como funciona a
estrutura do curso e os desafios acadêmicos. Além disso, as dinâmicas
realizadas proporcionam um ambiente propício para a troca de
experiências e estabelecimento de laços entre os alunos, fortalecendo a
coesão e o espírito de equipe desde o início da jornada acadêmica. O
nivelamento é uma iniciativa valiosa que contribui para uma transição
mais suave e proveitosa para os futuros engenheiros civis. – André Luís
Santos Ferreira de Araújo, turma 2023.1.

Ambas as atividades são o maior meio de
aproximação
do
grupo
com
os
discentes,
consequentemente, geram um interesse maior em relação à
participação no Processo Seletivo do Programa de
Educação Tutorial, bem como uma boa relação dos alunos
com o grupo PET Engenharia Civil.
7.6 Relatos de petianos
As atividades de Nivelamento e Tutoria Júnior
impactam não apenas a graduação dos discentes recémingressos, mas também a dos petianos que as organizam.
Petianos de diferentes turmas foram entrevistados para
compartilhar como essas atividades contribuíram para seu
crescimento pessoal e profissional.
O nivelamento na Universidade proporcionou uma introdução valiosa
à graduação, enriquecendo minha visão da instituição. A Tutoria Jr.
também foi uma experiência educativa essencial, oferecendo orientação
abrangente sobre os desafios acadêmicos e ampliando minha
compreensão das oportunidades universitárias. Durante a tutoria, recebi
dicas valiosas sobre gerenciamento de tempo e desenvolvimento de
habilidades de estudo, além de encontrar apoio emocional. Essas
experiências contribuíram muito para minha formação como estudante
e pessoa, moldando positivamente minha jornada acadêmica e pessoal.
Sou bastante grato por ter tido a oportunidade de participar delas. –
Victor de Lucca Mamedes Castro Nobre Sampaio, turma 2022.2.

100

De forma resumida, a Tutoria Júnior foi de grande auxílio no início da
minha caminhada no curso de Engenharia Civil. Quando entrei na
faculdade, em 2021, a situação da pandemia ainda estava crítica, então
tive todas as aulas de maneira remota, o que apenas hoje em dia
compreendo o quanto danificou o meu desenvolvimento acadêmico.
Entretanto, graças ao programa, eu tive a oportunidade de entender
realmente como funcionava a faculdade, mesmo que distante e por
chamada de vídeo, com o auxílio da petiana egressa Diana Caires, que
foi bem receptiva e acolhedora, integrando os alunos novos no curso.
Assim, essas conversas e a troca de experiências enriqueceram a minha
formação até agora e contribuíram bastante para o momento em que a
Ufal retomou as aulas presenciais. – Ariana Rosella Cervino, turma de
2021.1.
Foi por meio do Nivelamento que eu tive meu primeiro contato com o
grupo, a aproximação com os petianos me fez sentir interesse em
participar desse grupo e um dia estar organizando o Nivelamento, bem
como a Tutoria Jr. Me possibilitou me aproximar ainda mais do grupo,
pois as reuniões ocorriam na salinha e tinha participação de outros
grupos, sem essas atividades talvez eu não teria interesse de ter me
inscrito do Processo Seletivo. Como organizadora do Nivelamento e
Tutora Jr., ambas as atividades proporcionaram me apaixonar ainda
mais pelo grupo, dar aulas no nivelamento me ajudou a perceber o
quanto amo a docência, já a Tutoria Jr. promoveu um carinho enorme
por todos aqueles que foram meus tutorandos. – Evyllyn dos Santos
Vieira, turma 2019.2.
Já conhecia o PET Civil antes da graduação, através do Paespe, do qual
tive a honra de participar quando estudante de ensino médio, em 2018,
acompanhando as aulas de Física ministradas pelos petianos e me
motivando a ingressar no curso de Engenharia Civil, em 2019, e no
próprio Programa PET, em 2020. Ser recepcionada no Nivelamento fez
uma grande diferença no meu desempenho acadêmico, bem como na
minha motivação com o curso, visto que além das orientações e aulas
recebidas, pude conhecer os amigos que me acompanhariam nos
perrengues do curso até o final da graduação. Para além disso, preciso
destacar o papel da Tutoria Jr., na qual fui tutorada pela petiana egressa
Marianna Loz, que me acolheu com muito carinho e me mostrou que os
laços que fazemos dentro da universidade são fundamentais para que
consigamos passar por ela da forma mais saudável possível. Não posso
falar dessas atividades sem explicar que é uma honra poder participar
delas como petiana! Foi organizando Nivelamentos que vi que eu
conseguia muito mais que dar aulas de pré-cálculo, mas resolver
qualquer problema que surgisse no auditório ou durante uma caça ao
tesouro. Na Tutoria Jr., orientei discentes que até hoje me pedem
orientação na graduação e me cumprimentam calorosamente pelos
corredores do CTEC. De fato, participar das atividades como aluna
ingressante e como parte da comissão organizadora foram fundamentais
para minha permanência no curso, bem como para meu
desenvolvimento acadêmico e pessoal. – Wislayne Souza Alves, turma
de 2019.1.

7.7 Considerações finais

101

Ambas as atividades relatadas são o maior meio de
aproximação do grupo para com os discentes, sendo a
atividade de Nivelamento ainda mais antiga que o próprio
PET Engenharia Civil, mas intensificada pelo grupo, a fim
de tornar — para além do Nivelamento — um momento de
acolhimento. Ademais, a Tutoria Júnior demonstra o quanto
o programa se faz necessário para a graduação, uma vez que
o curso de Engenharia Civil possui alto índice de evasão;
logo, a atividade tem como objetivo acompanhar e ajudar
nesse processo de adaptação do calouro.
Referências
DE SOUZA, Roberaldo Carvalho. 20 anos do Programa
de Educação Tutorial de Engenharia Civil da
Universidade Federal de Alagoas: além do espelho.
Maceió: Q Gráfica, 2010.

102

CAPÍTULO 8
PET Economia

103

8 Caminhos traçados: uma jornada pelo PET Economia
da Ufal e seus egressos
Antonio Bernardo Batista de Carvalho Soccol
Beatriz Duarte de Souza
Gabriel Peixoto Brandao Rodrigues
Gabriel Raymond Le Campion
Giovanna Viana da Silva
Joao Pedro De Amorim Lucena Lima
Laila Siqueira Ribeiro Januário
Leticia Ferreira da Silva
Lucas Matheus Falcão da Silva
Thiago Vinnicíus Meireles Toledo Santos
Wellington Domingos dos Santos
Keuler Hissa Teixeira
8.1 Introdução
No Brasil, diversas iniciativas vêm sendo adotadas
para promover a qualidade do ensino superior e,
consequentemente, o avanço científico e tecnológico do
país. Apesar dos avanços, o ensino superior brasileiro ainda
enfrenta desafios significativos. Nesse contexto, o
Programa de Educação Tutorial (PET) surge como
alternativa promissora para superar tais obstáculos, sendo
um projeto inovador que tem desempenhado papel crucial
na transformação do cenário educacional brasileiro
(Martins, 2008; Rosin, Gonçalves, Hidalgo, 2017;
Bedeschi, 2018).
O PET foi criado em 1979 pelo Ministério da
Educação e Cultura (MEC), com o intuito de incentivar o
protagonismo estudantil, estimulando ações que integram
ensino, pesquisa e extensão (Martins, 2008; Rosin,
Gonçalves, Hidalgo, 2017; Pinto et al., 2021). O programa
promove aprendizagem significativa, não apenas por
complementar a educação formal, mas ao fomentar a
interdisciplinaridade e estimular o pensamento crítico dos
estudantes. Assim, o PET se estrutura em grupos tutoriais
de aprendizagem compostos por alunos, sob orientação de
um professor tutor (Brasil, 2006). A relevância desse
programa transcende os limites da sala de aula, dada sua
significativa contribuição para a formação integral dos
estudantes, promovendo não apenas o desenvolvimento de
habilidades técnicas, mas também socioemocionais, éticas
e cidadãs (Martins, 2008; Rosin, Gonçalves, Hidalgo,
2017). Assim, o PET tem se destacado como iniciativa
104

fundamental no panorama educacional brasileiro,
promovendo a excelência acadêmica e a formação cidadã
dos estudantes universitários, contando, atualmente, com
842 grupos distribuídos entre 12 Instituições de Ensino
Superior (IES). Diante do impacto positivo do PET sobre o
desenvolvimento intelectual e social dos participantes,
surge a necessidade de investigar mais profundamente esse
fenômeno, especialmente em contextos acadêmicos
específicos. No caso da Universidade Federal de Alagoas
(Ufal), há 12 grupos PET, dentre eles, o curso de Economia
da referida instituição testemunhou, em 10 de outubro de
1991, a implementação bem-sucedida do PET Economia,
oferecendo terreno fértil para análises detalhadas.
Portanto, o presente estudo tem como objetivo
principal analisar o perfil dos alunos que fazem ou fizeram
parte do PET do curso de Economia da Ufal no período de
2012 a 2022. Pretendemos investigar as características
acadêmicas e pessoais dos participantes, bem como as
experiências adquiridas ao longo do tempo de participação.
Além disso, buscamos compreender de que maneira o PET
influencia o desenvolvimento acadêmico, profissional e
pessoal dos estudantes envolvidos. Para tanto, este estudo
utiliza os dados a partir das informações oriundas do
Sistema de Gestão do Programa de Educação Tutorial
(SIGPET) e da Pró-reitoria de Graduação (Prograd) da
Ufal, no período 2012-2023. Com essa finalidade,
utilizamos uma análise tabular descritiva dos dados
coletados.
A investigação sobre o perfil dos alunos do PET em
um contexto específico como o do curso de Economia da
Ufal é crucial por diversas razões. Em primeiro lugar,
fornece dados empíricos sobre a importância do programa
em determinada área acadêmica, permitindo a identificação
de boas práticas e áreas de melhoria. Assim, ao analisar o
perfil dos alunos que fazem parte do PET Economia da
Ufal, podemos compreender melhor como o programa
molda as trajetórias educacionais e profissionais dos
participantes.
Em última análise, esta pesquisa contribuirá para o
corpo de conhecimentos existente sobre o PET e seu papel
na transformação educacional e social do Brasil. Ao
compreendermos melhor as experiências e perspectivas dos
alunos envolvidos, podemos fortalecer programas como o
PET, garantindo que continuem a inspirar e capacitar
gerações de futuros líderes, pesquisadores e cidadãos
engajados.

105

Além dessa introdução, o estudo está sumariado da
seguinte forma: a segunda seção oferece breve revisão de
literatura, abordando a história e os princípios fundamentais
do PET Economia; a seção seguinte explora sucintamente a
metodologia utilizada e os dados coletados para traçar os
perfis dos egressos; em seguida, são apresentados os
resultados encontrados, e, por fim, realizadas as
considerações finais.
8.2 Um pouco da história do PET Economia da
Universidade Federal de Alagoas (Ufal)
Atuando no âmbito da graduação das IES do Brasil, o
PET, baseia-se no princípio da indissociabilidade entre
ensino, pesquisa e extensão, com a missão central na
inserção da construção coletiva e interdisciplinar do
conhecimento. Esse programa, por sua vez, é pautado pela
função pública e social da educação, diretamente vinculado
ao MEC, e suas diretrizes e normativas são regidas pelas
Portarias nº 976, de 27 de julho de 2010 e nº 343, de 24 de
abril de 2013.
Nesse sentido, o PET Economia Ufal foi estabelecido
em 10 de outubro de 1991, após a criação do PET Civil
(1988) e do PET Letras (1988), sendo assim, um dos
pioneiros grupos PET fundados na Ufal. Com mais de três
décadas de existência, criado pelo professor e ex-tutor
Vladimir Micheletti, o programa tem desenvolvido
inúmeras atividades, pautadas nos princípios norteados pelo
Manual Orientações Básicas do Ministério da Educação
(MOB). Esses princípios têm como eixos centrais o
estímulo à formação global que contribua tanto para a
qualidade acadêmica dos alunos de graduação, envolvidos
direta ou indiretamente no programa, quanto para a fixação
de valores que reforcem o espírito de cidadania e
consciência social em todos os participantes (Brasil, 2006).
Conforme Sabadini et al. (2015), a compreensão da
democracia participativa pode, de certa forma, ser analisada
sob diferentes perspectivas, gerando várias interpretações
do conceito, o que extrapolaria o escopo deste estudo.
Assim, nas reuniões semanais com todos os membros,
começamos revisando a ata da reunião anterior. Em
seguida, avaliamos as atividades realizadas durante a
semana, quando existirem, damos os informes e, a partir dos
mesmos, compartilhamos informações que servem de base
para a elaboração de uma lista de itens a serem discutidos
durante a reunião.

106

Cada ponto de discussão é analisado detalhadamente
pelo grupo, e após uma discussão coletiva, decidimos qual
ação tomar, como executá-la e quem serão os responsáveis
(normalmente em comissões). Toda essa dinâmica é
acompanhada pelo tutor. Durante as reuniões, o tutor não só
supervisiona o processo, mas também oferece sua avaliação
sobre os tópicos em discussão. No entanto, é importante
mencionar que prevalece o que é chamado de “poder
moderador”, com o tutor sendo responsável pelas decisões
finais, especialmente em questões estratégicas para o grupo.
Por sua vez, o princípio da autogestão, mencionado
anteriormente, desempenha papel fundamental na gestão e
organização do grupo. Na prática, isso implica que os
membros do grupo assumem várias responsabilidades
operacionais, incluindo tarefas burocráticas — como abrir
chamados de reparos, enviar ofícios, interagir com a
administração da universidade. Esse envolvimento direto
dos membros com os procedimentos universitários amplia
seu entendimento sobre os processos internos da instituição
e os coloca em contato direto com várias esferas de tomada
de decisão (Sabadini et al., 2015).
É crucial ressaltar que essa avaliação é construtiva,
indo além da análise quantitativa, proporcionando espaço
para discussões durante as reuniões, onde cada membro
expressa sua interpretação do desempenho dos outros.
Além de fundamentar avaliações qualitativas, essa prática é
crucial para identificar possíveis melhorias individuais e/ou
coletivas. Esse procedimento, mesmo que por vezes
exponha conflitos internos, tem sido extremamente
construtivo para o grupo, permitindo que cada membro
encare e debata questões que não seriam abordadas, não
fosse o método coletivo adotado.
No Art. 207 da Constituição Federal de 1988 está
definido que as universidades devem seguir o princípio de
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Esse
princípio, também conhecido como Tripé Universitário ou
Tríade Acadêmica, delineia o papel das instituições de
ensino superior no Brasil (Brasil, [2016]). A Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), de nº
9.394/96, reforça esse conceito, estimulando a criação
cultural e o desenvolvimento científico. Esses pilares,
embora sempre presentes, foram formalizados para orientar
claramente as universidades, promovendo a integração
eficaz entre teoria, pesquisa e prática.
No que diz respeito à formação acadêmica dos
integrantes do PET Economia, essa tem sido realizada por
meio da materialização do tripé universitário, que consiste
107

na indissociabilidade entre essas três dimensões (ensino,
pesquisa e extensão), implicando que uma não pode existir
sem as outras. Ou seja, a pesquisa e a extensão devem estar
integradas ao ensino, de forma a enriquecer a formação dos
estudantes e a contribuir para o desenvolvimento social,
cultural e econômico do país. Isso cria uma dinâmica em
que o conhecimento produzido na pesquisa é aplicado na
extensão, que por sua vez alimenta o processo de ensino,
formando profissionais mais capacitados e conscientes do
seu papel na sociedade. Com base no gráfico a seguir, onde
estão registradas as atividades desenvolvidas pelo PET
Economia, é possível fazer várias associações com o
princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e
extensão.
Portanto, a partir do gráfico, pode-se verificar que
diversas atividades estão relacionadas ao ensino,
fornecendo suporte educacional aos alunos do curso de
Economia. Elas também envolvem pesquisa, pois requerem
entendimento aprofundado dos tópicos e atualizações
constantes para fornecer informações relevantes, como os
nivelamentos e cursos introdutórios, disciplinas estruturais
do curso, monitorias, oficinas de orientação, encontros com
a pós-graduação, grupos de estudos, minicursos etc. Além
disso, o Boletim de Conjuntura representa uma atividade de
extensão ao disseminar conhecimento econômico para a
comunidade externa.
Observa-se ainda diversas atividades estritamente
relacionadas à pesquisa, envolvendo investigação científica
em diversas áreas da Economia. Elas contribuem
diretamente para a produção de conhecimento e podem
estar ligadas ao ensino, especialmente quando os resultados
da pesquisa são integrados aos programas educacionais. Por
sua vez, a realização de seminários de pesquisa, semana do
economista/semana de economia, ciclos de debates e
palestras em economia e publicação de séries estudos
econômicos referem-se às atividades de extensão que
proporcionam um ambiente para disseminação do
conhecimento econômico à comunidade externa. Elas
envolvem tanto a pesquisa quanto o ensino, já que os temas
discutidos são geralmente baseados em pesquisas atuais,
além de auxiliarem na educação contínua dos participantes.
No contexto das atividades como “Economia nas
Escolas”, “Visitas Técnicas”, “PET nas Empresas”, “Café
com Economia” e “Podcast do Peteco”, todas essas
iniciativas representam uma extensão significativa do
conhecimento econômico para o mundo tangível. Elas
transcendem as barreiras da sala de aula e do laboratório,
108

inserindo-se em cenários do mundo real. Nesses momentos,
o conhecimento teórico encontra sua aplicação prática,
criando uma ponte entre o aprendizado acadêmico e a
realidade econômica. Essas atividades não são meras
interações externas; ao contrário, são manifestações
tangíveis da missão da universidade. Elas se tornam
veículos pelos quais a universidade se conecta ativamente
com a sociedade.
“Economia nas Escolas” e “Visitas Técnicas”
proporcionam aos estudantes experiências imersivas, onde
podem ver e entender os conceitos econômicos em
operação na indústria e na educação, disseminando e
difundindo no ensino médio qual a importância do
economista na sociedade. Por sua vez, “PET nas Empresas”
coloca os acadêmicos em contato direto com o mundo
corporativo, proporcionando insights valiosos e
construindo pontes entre teoria e prática. Além disso,
“Vitrine Econômica”, “Café com Economia” e “Podcast do
Peteco” expandem o alcance da educação econômica para
um público mais amplo. Por meio dessas iniciativas, o
conhecimento econômico não fica confinado aos corredores
da universidade, mas chega aos ouvidos e mentes daqueles
fora do ambiente acadêmico.
É um testemunho da vitalidade e relevância da
economia como disciplina, pois ela é traduzida e
comunicada de maneiras acessíveis e envolventes. Dessa
forma, as atividades de extensão não apenas cumprem o
papel educacional, mas também desempenham um papel
social vital. Elas estendem a mão da aprendizagem
econômica para a comunidade local e além, transformando
a teoria em prática, o aprendizado em experiência.
Durante sua trajetória, o PET Economia tem
promovido eventos, facilitado integração e acolhimento,
recebido novos alunos. Essas atividades não apenas criam
um ambiente propício para o ensino eficaz, mas também
incentivam a participação em pesquisas e impulsionam
iniciativas de extensão, envolvendo ativamente a
comunidade.

109

Gráfico 1 - Atividades desenvolvidas pelo PET Economia

Fonte: Elaboração própria (2024).

Assim, ao longo desse estudo, o Programa de
Educação Tutorial do Curso de Ciências Econômicas na
Universidade Federal de Alagoas desempenha papel vital
na formação de seus membros e egressos. Esses estudantes
personificam a essência do PET ao longo dos seus 32 anos.
Na próxima seção, apresentaremos o perfil detalhado dos
108 alunos que contribuíram para o legado do PET
Economia, a partir de análise tabular descritiva dos dados
disponíveis no Sistema de Gestão do PET (SIGPET) e
fornecidos pela Prograd da Ufal, no período 2012-2022.
Vale frisar que o recorte temporal decorre da sistematização
e disponibilidade das informações iniciarem apenas em
2012. O período específico fornece a base para nossa
análise abrangente, permitindo-nos traçar um perfil
detalhado dos alunos do PET Economia durante esses anos.

110

8.3 Resultados
A análise demográfica do PET Economia no
período de 2012 a 2022 revela composição significativa de
81 integrantes, sendo 48 homens e 33 mulheres. Essa
distribuição reflete uma predominância masculina,
compreendendo 59,26% do total, enquanto as mulheres
representam 40,74%. A diferenciação sugere nuances
interessantes a serem exploradas, indicando possíveis
variações nos padrões de engajamento entre os gêneros ao
longo do programa. No que tange à representação racial, a
maioria dos participantes identifica-se como brancos,
totalizando 54,2% entre os homens e 48,5% entre as
mulheres. Os participantes de cor preta representam 12,5%
dos homens e 15,2% das mulheres, enquanto os de cor
parda somam 31,3% dos homens e 24,2% das mulheres.
Não há homens que se identificam como amarelos, mas 3%
das mulheres pertencem a essa categoria racial. Outros
grupos representam 2,1% entre os homens e 9,1% entre as
mulheres. Essa diversidade racial destaca a importância da
inclusão e representa um panorama enriquecedor para o
programa. A presença diversificada no PET Economia,
expressa por uma multiplicidade de origens raciais, destacase como alicerce essencial para o sucesso e a vitalidade do
programa.
Gráfico 2 - Representação dos alunos por raça e sexo de 2012 a
2022

111

Fonte: Elaboração própria (2024).

A diversidade racial no PET Economia não é apenas
uma estatística a ser observada, mas uma força motriz que
impulsiona a excelência, a inovação e a formação de líderes
que compreendem e respeitam a complexidade da
sociedade em que vivemos. Essa diversidade não é apenas
uma característica do programa, mas a essência que o torna
verdadeiramente transformador e alinhado com os
princípios fundamentais da educação inclusiva e igualitária.
Quanto à regionalidade, destaca-se na composição
do PET Economia expressiva representação de 58
alagoanos, alinhando-se naturalmente com a base local do
programa. Um ponto a ser evidenciado é a presença de 11
participantes com origem em São Paulo e outros 11 de
diferentes estados do Brasil. Essa dinâmica revela não
apenas a diversidade geográfica, indica ainda um rico
mosaico de vivências e perspectivas dentro do grupo PET
de Economia, refletindo a diversidade regional e a
capacidade do programa de se tornar uma experiência
enriquecedora para estudantes de diversos cantos do Brasil,
que convergem para a Ufal em busca de formação
acadêmica.
Gráfico 3 - Proporção por justificativa de saída do programa e
sexo de 2012 a 2022

Fonte: Elaboração própria (2024).

112

Ao abordar os motivos de saída do programa, o
gráfico revela uma gama de experiências individuais. A
conclusão do curso foi o principal motivo para 16
participantes, destacando sua importância acadêmica.
Outros 26 optaram por oportunidades de estágio, mostrando
a conexão entre o PET e as demandas profissionais. A
reprovação afetou 5 membros, refletindo desafios
acadêmicos. Surpreendentemente, 20 casos têm motivos
desconhecidos, evidenciando a complexidade das
experiências individuais. Ao analisar por gênero, observase que mais mulheres saíram porque concluíram o curso
(30,8%), enquanto mais homens saíram por estágio
(39,0%). Nas reprovações, a diferença entre homens (7,3%)
e mulheres (7,7%) é mínima.
Gráfico 4 - Distribuição dos alunos por tempo de permanência no
programa de 2012 a 2022

Fonte: Elaboração própria (2024).

O gráfico apresentado mostra a distribuição de alunos
por tempo de permanência no PET. Dessa forma, alunos
que permanecem por mais de 2 anos representam o grupo
mais numeroso; entretanto, cerca de 3,7% dos membros do
PET permaneceram pelo menos 6 meses, indicando que os
alunos que abandonaram o programa de educação tutorial
saíram após curto período.
Os alunos que permanecem acima de 1 e até 2 anos
representam a maior proporção, um aspecto positivo,
reforçando a ideia de que a maior parte dos ingressantes no
113

programa permanece no programa PET por um longo
período.
8.4 Considerações finais
Este trabalho expõe uma análise do Programa de
Educação Tutorial no curso de Economia da Universidade
Federal de Alagoas entre os anos de 2012 e 2022.
Inicialmente, realça a importância da educação superior no
desenvolvimento nacional e enfatiza o papel crucial do
PET. Este programa, criado em 1979, se destaca como
alternativa inovadora ao modelo tradicional de ensino nos
centros universitários, promovendo a integração entre
ensino, pesquisa e extensão.
A jornada do PET Economia na Ufal evidencia os
seus princípios fundamentais de democracia participativa e
autogestão, princípios através dos quais o PET Economia
tem se destacado na promoção de atividades que
continuamente consideram o tripé basilar do programa.
Os resultados detalhados sobre a composição do PET
Economia revelaram aspectos interessantes, como a
predominância masculina no grupo, a diversidade racial e a
representação de participantes de diferentes regiões do
Brasil, apontando a capacidade do programa atrair
estudantes de diversas origens. Ao explorar as razões para
a saída dos membros, identifica-se uma variedade de
experiências individuais, desde saída por conclusão do
curso até por oportunidades de estágio. A distribuição do
tempo de permanência dos alunos exibe que a maioria
permanece por mais de 2 anos, indicando engajamento
duradouro. Entretanto, parcela significativa de alunos
permanece por menos de 6 meses, aspecto que preconiza a
necessidade de compreender e abordar os desafios que
podem levar à saída precoce. Em especial, ao compreender
a experiência e as características dos alunos envolvidos no
programa, este estudo contribui para a ampliação do
conhecimento sobre o PET e sua relevância no âmbito
educacional e social.
Referências
BEDESCHI, A. C.; VALLE, A. A.; RUBIM, D. F.;
MENDES, J. C.; PINTO, D. P.; SARMENTO, P. P. S. O
potencial de transformação e melhoria da graduação
exercido pelos grupos PET. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA,

114

2018, Salvador. Anais do Congresso Brasileiro de
Educação em Engenharia [S.l.:s.e.], 2018.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da
República,
[2016].
Disponível
em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitu
icao.htm. Acesso em: 2 set. 2023.
BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.394/1996. Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB. Brasília,
DF, 1996.
BRASIL. Ministério Da Educação. Manual de orientações
básicas.
2006.
Disponível
em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&
view=arti-cle&id=12228&Itemid=486. Acesso em: 20 set.
2023.
BRASIL. Ministério Da Educação. Portaria nº 976, de 27
de julho de 2010. Atualizada pela Portaria n° 343/2013 –
dispõe sobre o Programa de Educação Tutorial –
PET.
Disponível
em:
http://sigpet.mec.gov.br/docs/Portaria_976_2010.pdf.
Acesso em: 18 set. 2023.
BRASIL. Ministério Da Educação. Portaria nº 343, de 24
de abril de 2013. Altera dispositivos da Portaria MEC nº
976, de 27 de julho de 2010, que dispõe sobre o Programa
de Educação Tutorial –PET. Disponível em:
http://sigpet.mec.gov.br/docs/Portaria_343_2013.pdf
Acesso em: 18 set. 2023.
MARTINS, I. M. L. Educação tutorial no ensino presencial:
uma análise sobre o PET. In: IGUATEMY M. de L. M.;
KETZER, S. M (Org.). Programa de Educação Tutorial:
uma estratégia para o desenvolvimento da graduação.
Brasilia: Brasil Tropical, 2008. v. 1, p. 15-21.
PINTO, G. F.; RODRIGUES, F. L.; LIMA, T. P.;
SCHERER, N. P.; SALDANHA, D. G.; SILVA, T. R. O
Impacto do Programa de Educação Tutorial no desempenho
acadêmico dos seus integrantes. Brazilian Journal of
Development, v. 7, p. 4016-4027, 2021.

115

ROSIN, S.M.; GONÇALVES, A.C.A; HIDALGO, M. M.
Programa de Educação Tutorial: lutas e conquistas.
ComInG, v. 1, p. 70-79, 2017.
SABADINI, M. de S.; BIANCHIN, C. E. D.; AZEVEDO,
N. C.; BOLELLI, R. D. A Educação Crítica e Cidadã no
PET Economia/UFES. Textos & Contextos, Porto Alegre,
v. 14, p. 303-313, 2015.

116

CAPÍTULO 9
PET Arquitetura

117

9 PET Arquitetura: mais de 25 anos arquitetando em
bando entre lagoas e tabuleiros
Giselle Lopes dos Santos
Alysson Melo de Santana
Lara Amorim Dantas
Adna Fernanda Litrento da Costa
Lúcia Tone Ferreira Hidaka
O PET Arquitetura é um dos 12 grupos que
comemoram os 35 anos do PET Ufal em 2023. No nosso
capítulo deste livro comemorativo, optou-se pela escrita em
primeira pessoa do plural para representar a construção
coletiva do Grupo, que se entrelaça com os 50 anos do curso
de Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo da
Universidade Federal de Alagoas (Ufal), os quais também
comemoramos com as memórias aqui compartilhadas.
A trajetória do PET Arquitetura foi feita e marcada
pelas atividades, pelas pessoas e pelos sonhos
compartilhados a partir de 1995. Em números, essa
trajetória já contabiliza cinco docentes tutores e diversas
gerações de discentes egressos(as) que marcam a história de
um dos primeiros grupos do PET Ufal. Em especial, o PET
Arq., como é carinhosamente chamado, trilhou, trilha e
seguirá trilhando um caminho marcado por sorrisos,
abraços e carinhos, voando sempre em bando por entre os
sonhos e realizações desta história de afetos e afetados(as).

9.1 Sonho que se sonha em bando
Formado em Arquitetura e Urbanismo pela
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o nosso
primeiro tutor, professor Leonardo Salazar Bittencourt,
iniciou sua docência na Ufal em 1979. À época, o curso de
Arquitetura e Urbanismo tinha apenas sete anos de criação.
Após uma década e meia de dedicação ao ensino, e a partir
do entendimento de que o ambiente universitário é propício
à troca de conhecimentos e oportunidades para o
desenvolvimento da inovação e criatividade, ele deu início
ao Programa de Educação Tutorial no curso de Arquitetura
e Urbanismo, juntamente com um pequeno grupo de quatro
estudantes (Nascimento, 2021).
Nessa gênese da nossa trajetória, o Programa não se
chamava Programa de Educação Tutorial. O PET era o
Programa Especial de Treinamento vinculado ao Ministério
118

da Educação (Brasil, 2001; Capes, 2000), tendo como
objetivo formar profissionais de alto nível para o mercado
de trabalho, por meio de processos de pesquisa e discussão
argumentativa crítica. Caracterizava-se pela busca por uma
formação acadêmica ampla e coletiva, bem como pelo
planejamento e execução de diversas atividades em prol do
desenvolvimento do curso e da comunidade relacionada.
Especificamente naquele período, o PET Arq. voltava-se
aos estudos de projetos de arquitetura e urbanismo, às
discussões sobre as disciplinas e ao aperfeiçoamento de
técnicas de elaboração projetual, para além dos ateliês e
salas de aula.
Os dez primeiros anos do PET Arq. foram marcados
por desbravamentos e experimentações. O Grupo cresceu,
alcançou uma representatividade no curso, e o trabalho em
equipe foi continuamente aprimorado a partir da tutoria
vertical e, principalmente, horizontal, ganhando novas
dimensões, visões e atividades. O diferencial do Programa
é que a hierarquia na relação docente-discente não existe,
pois o protagonismo discente deve liderar o Grupo. Essa
postura persiste ao longo de todos esses anos e é o DNA do
PET e do Grupo.
Na década seguinte, a partir de 2005, o professor
Flávio Antônio Miranda de Souza assume o bastão da
tutoria docente, e consideramos os quatro anos que se
seguiram como de consolidação e criação de atividades que
promoveram voos mais altos. Nesse sentido, a Semana de
Arquitetura e Urbanismo (Semau) e a Revista Ímpeto,
criadas nesse momento, são atividades marcantes e
tradicionais na nossa história. Além disso, o PET Arq.
também participou da elaboração de projetos institucionais
da Ufal durante o período do Programa de Apoio a Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(Reuni), cujo principal objetivo era ampliar o acesso e a
permanência na educação superior — objetivos alinhados
aos do PET. A elaboração do projeto de um Núcleo de
Pesquisas Multidisciplinar, em 2002, e do Centro de
Interesse Comunitário (CIC) do Campus Aristóteles
Calazans Simões da Ufal, em 2008, foram algumas das
atividades do período (Prédio…, 2011).
Em 2009, a professora Roseline Vanessa Santos
Oliveira, uma egressa do PET Arq, retorna ao grupo como
tutora. Nós compreendemos que, nesse momento, o
Programa começou a dar frutos e um retorno à comunidade
universitária, de Arquitetura e Urbanismo e à sociedade
alagoana, para além dos muros do campus A. C. Simões.
Nos sete anos que se seguiram, o PET Arq. passou a
119

colaborar com os demais grupos do PET Ufal, culminando
no Encontro dos grupos PET no Nordeste (Enepet) de 2016,
sediado pelo PET Ufal, que nesse momento contava com 12
grupos voando em bando.
Mudanças e desafios no cenário nacional a partir de
2016 refletiram no ambiente universitário e nas atividades
do Programa na Ufal. A professora Gianna Melo Barbirato
assume a tutoria nesse ano e, mais uma vez, o PET Arq. se
transforma e se reinventa. As atividades Programa de Apoio
às Escolas Públicas do Estado de Alagoas (Paespe) e
Capacita, PET! ampliaram a participação do PET Arq. na
missão da Ufal em “[...] produzir, multiplicar e recriar o
saber coletivo em todas as áreas do conhecimento de forma
comprometida com a ética, a justiça social, o
desenvolvimento humano e o bem comum” (Universidade
Federal de Alagoas, 2008?), além de contribuírem para o
apoio à formação de discentes do curso de Arquitetura e
Urbanismo. Criamos nesse período o nosso “Mobizinho”
(PET Arquitetura, 2023) que é atualizado de dois em dois
anos.
Em 2019 o PET Ufal alcançou marco significativo
com a efetivação institucionalizada do Programa na Ufal, a
partir das Resoluções do Conselho Universitário (Consuni)
de números 66/2019 e 67/2019. Essa era uma das batalhas
de resistência que o PET Ufal vinha travando e que foi,
finalmente, vencida. O PET Arq. comemorou o feito e
acolheu uma nova tutora, a professora Lúcia Tone Ferreira
Hidaka. O planejamento do grupo, pensado no final de 2019
para o ano seguinte (PET Arquitetura, 2019), foi concluído
sem que pudéssemos antecipar o que os três anos
subsequentes trariam, não apenas nos contextos mundial,
brasileiro, alagoano e maceioense, mas também na Ufal, no
PET Ufal e no PET Arq.
9.3 Criações e existências realizadas em bando
É fundamental reconhecer a importância das
atividades como uma atuação que impulsionou a
consolidação do PET Arq. na comunidade à qual pertence
e para a qual continua a contribuir no seu progresso e
destaque nos dias atuais. Embora diversas atividades façam
parte do legado do PET Arq. na história do Grupo (PET
Arquitetura, 2020b) e possuam significado nos contextos
em que foram desenvolvidas, aquelas com amplitude de
público reforçaram a relevância do Programa e
incorporaram-se à sua essência, tornando-se tradições e
destaques.
120

A preservação da tradição enraíza a identidade do
Grupo, mantendo-o relevante e necessário em um cenário
acadêmico e social de constante transformação. O PET Arq.
é âncora na sua influência assídua e vitalidade no cenário
acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Ufal
(Universidade Federal de Alagoas, 2018), no PET Ufal e na
sociedade, que é atingida por nossas ações para além dos
muros da Universidade. Assim, neste capítulo, embora
tenhamos enfrentado dificuldades para escolher as
atividades mais significativas da nossa história — que
completou 28 anos em 2023 —, decidimos, em bando,
referenciar as seguintes atividades: Gestão, Planejamento e
Organização (GPO); Seleção de petianos(as) discentes;
Acolhimento; Revista Ímpeto; Programa de Apoio às
Escolas Públicas do Estado de Alagoas (Paespe); Semana
de Arquitetura e Urbanismo (Semau); e Capacita, PET!
(PET Arquitetura, 2022).
9.3.1 Gestão, Planejamento e Organização (GPO)
Para aprimorar a estrutura organizacional interna, o
PET Arquitetura possui como atividade a Gestão,
Planejamento e Organização (GPO). Inicialmente nomeada
Organização Interna (quando da sua criação em 2016), a
atividade (PET Arquitetura, 2015) teve sua nomenclatura
alterada no ano de 2021 (PET Arquitetura, 2020),
mantendo-se, desde então, o mesmo nome. Nos anos que
precederam sua criação, as funções que agora integram a
GPO eram registradas internamente como projetos
individuais no âmbito do Programa. A atividade de GPO foi
estabelecida pela necessidade de atribuir responsabilidades
aos(às) petianos(as) e tem sido essencial para o
entendimento de como o Grupo existe, integra e se efetiva
no curso, na FAU e na Ufal.
A evolução contínua dessa atividade está fortemente
entrelaçada com o desenvolvimento do próprio PET Arq.,
uma vez que a distribuição de atribuições aos integrantes
também delineia uma compreensão abrangente acerca da
dinâmica interna do Grupo. A GPO opera por meio de
comissões, permitindo que cada integrante explore e
desenvolva habilidades inerentes às tarefas respectivas à
sua comissão e das demais atividades. No fim das contas, a
associação entre gerir, planejar e organizar, no contexto da
abordagem horizontal do Grupo, é de suma importância,
pois realiza a conexão entre os/as petianos/as, assim como
entre o Programa e a Universidade.
121

9.3.2 Seleção de petianos(as) discentes
Como funciona o processo seletivo para novos(as)
integrantes do PET Arq.? Para isso existe a atividade
Seleção de petianos(as) discentes (PET Arquitetura, 2016),
cuidadosamente estruturada em etapas que visam
identificar os perfis petianos necessários ao Grupo por meio
da valorização de características nos(as) candidatos(as),
indo além do desempenho na graduação — tais como
iniciativa e habilidade de trabalho em equipe.
A Seleção de petianos(as) discentes é orientada a
partir dos objetivos do PET, estabelecidos na Portaria de nº
976/2010 do Ministério da Educação, que incluem “[...]
elevar a qualidade da formação acadêmica, promover o
espírito crítico e incentivar a atuação profissional pautada
na cidadania e na função social da educação superior”
(Brasil, 2010). Assim, além de contribuir com a
manutenção e renovação dos(as) integrantes do PET Arq.,
a Seleção de petianos(as) discentes busca estudantes
comprometidos(as) com seu desenvolvimento acadêmico e
profissional, que demonstrem postura ética e engajamento
em questões culturais, ambientais e sociais, além de um
firme compromisso com os direitos universais dos seres
humanos.
Devido à grande demanda e interesse, o PET
Arquitetura realiza seleção semestral que envolve
estudantes do segundo e do quarto período (PET
Arquitetura, 2017). Dependendo do período de entrada,
essa abordagem proporciona uma multiplicidade de
oportunidades e perspectiva ampla da Universidade e do
Grupo PET.
Alguns(mas) daqueles(as) que optam por participar
da seleção no quarto período já tentaram ingressar no
Programa durante o segundo semestre da graduação, sem
ter obtido sucesso na admissão. Assim, buscam aprimorar
suas habilidades e competências, na esperança de
conseguirem integrar o PET Arquitetura. Ao entrarem no
Grupo e se depararem com uma variedade de atividades,
pessoas e realidades distintas, essa jornada se torna mais
complexa e repleta de potencialidades.
9.3.3 Acolhimento
O PET Arquitetura sempre cumpriu papel de
destaque ao estabelecer uma ponte essencial entre os(as)
estudantes recém-ingressos(as) e o mundo universitário, de
122

forma interativa, promovendo uma experiência
enriquecedora. Entre as várias formas tradicionais pelas
quais essa ação se manifestou, destaca-se o renomado curso
de Nivelamento (PET Arquitetura, 2015), que remonta ao
início do Programa.
O Nivelamento tinha como propósito nivelar o
conhecimento dos(as) ingressantes no curso de Arquitetura
e Urbanismo, fornecendo-lhes uma base mediante à
exploração do conteúdo de disciplinas na grade curricular
do bacharelado, especialmente as do primeiro período
letivo. Em 2019, o PET Arq. decidiu inovar e redesenhar a
forma como essa integração e recepção ocorriam, dando
origem à atividade de Acolhimento. Esse novo enfoque
criou um ambiente mais acolhedor e inclusivo para os(as)
novos(as) discentes, indo além do referido nivelamento de
conhecimentos.
O Acolhimento foi pensado justamente para facilitar
a transição dos(as) calouros(as) para a vida acadêmica no
ensino superior. Durante a atividade, englobamos desde
dinâmicas de integração para acolher a nova turma até
visitas aos bairros históricos de Maceió, Alagoas. Essa
abordagem reflete o reconhecimento do PET Arq. de que o
processo de adaptação é multifacetado, envolvendo
aspectos emocionais, culturais, sociais e acadêmicos, com
especial atenção àqueles(as) estudantes que vêm de fora do
estado.
Essa mudança na abordagem da atividade reflete a
dinâmica de avaliação externa do público-alvo e interna do
Grupo, que passou a compreender melhor as necessidades
dos(as) calouros(as) e a importância de oferecer apoio de
modo mais abrangente para ajudá-los(as).
Atrelado a isso, o PET Arq. também vem se
preocupando nos últimos anos com os(as) veteranos(as), ou
aqueles(as) que não são mais calouros(as), mas também
precisam de suporte conforme o curso avança na formação
generalista em Arquitetura e Urbanismo, mediante a
implementação de iniciativas colaborativas e inclusivas.
9.3.4 Revista Ímpeto
2008 representa um marco de grande importância na
história do PET Arquitetura, pois foi o ano em que se lançou
a primeira edição da Revista Ímpeto, atividade que trouxe
consigo uma proposta singular e inspiradora. A essência da
Revista está profundamente associada à criação de um
espaço propício para diálogos significativos e
enriquecedores, bem como para análises aprofundadas,
123

convidando os(as) leitores(as) a explorar o vasto universo
da Arquitetura e Urbanismo e áreas afins.
Sendo um periódico científico de referência para a
FAU/Ufal, a Revista Ímpeto permite que todos(as) os(as)
discentes, docentes e profissionais de mercado possam
submeter trabalhos em forma de artigo científico,
objetivando sempre reflexões dentro do contexto da
arquitetura e urbanismo e áreas relacionadas. Esta atividade
demonstra a capacidade de transformação e o compromisso
do PET Arq. em explorar uma ampla variedade de tópicos
relacionados, consolidando a relevância da Ímpeto e
contribuindo significativamente para a disseminação do
conhecimento acadêmico e profissional.
A Revista Ímpeto também desempenha papel
fundamental na formação e no desenvolvimento contínuo
do Grupo ao longo dos anos, já que a execução dessa
atividade envolve diversos aspectos formativos em nosso
contexto interno. Isso inclui a correção das referências
conforme as normativas acadêmicas, a diagramação e
formatação dos artigos, o aperfeiçoamento da escrita e o
desenvolvimento de uma compreensão mais aprofundada
do processo de publicação de textos acadêmicos. Esse
conjunto de ações resulta de um esforço coletivo, que
envolve não apenas o PET Arq., mas também o PET Letras,
responsável pela revisão ortográfica e sintática dos textos
aprovados.
No ciclo avaliativo 2017-2020 do Qualis Fundação
Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes) de periódicos científicos, a revista
alcançou a classificação B2, resultado amplamente
celebrado devido aos esforços conjuntos de integrantes do
Grupo ao longo de várias gerações petianas. Isso destaca o
comprometimento e a decisão corajosa de inserir a Ímpeto
no Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas, a
plataforma SEER, da Ufal em 2021 (PET Arquitetura,
2020), bem como a busca por expandir as parcerias com
pareceristas Ad hoc para a avaliação duplo-cego da Revista.
Assim, o Grupo mais uma vez se reinventa,
adotando, no ano de 2023, um formato de submissão em
fluxo contínuo para a Revista Ímpeto. Essa decisão amplia
e reforça nosso compromisso contínuo em promover um
espaço dinâmico e aberto à disseminação de pesquisas e
conhecimentos relevantes da Arquitetura e Urbanismo e
áreas afins. Além disso, também formalizamos parceria
com o Laboratório de Experimentação em Design (LED),
Grupo de Pesquisa vinculado ao curso de Design da
FAU/Ufal, que elaborou toda a concepção das capas das
124

edições de 2023, simbolizando nossa história com a
atividade e a Faculdade da qual fazemos parte.
9.3.5 Programa de Apoio às Escolas Públicas do Estado de
Alagoas (Paespe)
Outra atividade destaque que faz parte do
planejamento anual do PET Arquitetura desde 2016 é o
Programa de Apoio às Escolas Públicas do Estado de
Alagoas (Paespe). O principal objetivo dessa iniciativa é
oferecer suporte educacional para os estudantes do ensino
médio da rede pública de Alagoas, auxiliando-os na
preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem).
No contexto do Paespe, o PET Arq. possui papel
importante, sendo atualmente responsável por ministrar
aulas de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Fazem
parte do Paespe outros grupos PET do PET Ufal, bem como
outras iniciativas, e sua coordenação geral está a cargo do
Centro de Tecnologia (CTEC/Ufal). Além disso, o
Programa conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão
(Proex), que fornece bolsas de extensão para estudantes de
graduação que participam das atividades do programa, para
além dos grupos do PET Ufal.
A nossa participação ativa no Paespe reflete o
compromisso social do Grupo a partir do compartilhamento
de conhecimento com os(as) estudantes inscritos(as) na
atividade. Além de fortalecer a base educacional desses(as)
jovens, o PET Arq. os(as) inspira a explorar áreas de estudo
que talvez nunca tivessem considerado. Muito nos honra
possibilitar o acesso de estudantes petianos(as) à educação
superior pública, por meio de políticas inclusivas,
procurando enfrentar e reduzir as disparidades econômicas
e sociais existentes em nossa sociedade. Essa atuação
contribui para a formação de cidadãos(ãs) mais
informados(as) e capacitados(as), capazes de desempenhar
um papel ativo para todo o corpo cívico e, potencialmente,
no futuro da Arquitetura e Urbanismo.
9.3.6 Semana de Arquitetura e Urbanismo (Semau)
Desde a sua criação em 2005, a Semana de
Arquitetura e Urbanismo, conhecida como Semau, tem sido
um marco no calendário acadêmico do PET Arquitetura,
com o apoio da FAU/Ufal. Seu objetivo principal é
enriquecer a formação dos(as) futuros(as) arquitetos(as)

125

para além do âmbito acadêmico, incluindo o meio
profissional.
Inicialmente, a periodicidade da Semau era anual,
porém, a partir de 2017 essa frequência começou a se
mostrar demasiadamente pesada para o Grupo, que
compreendeu as sobrecargas resultantes das demandas do
evento e, como resposta, optou por torná-lo bienal.
A definição do tema representa papel central na
estruturação de cada edição da Semau, uma vez que guia
tanto as discussões como a criação da identidade visual e de
todo o planejamento. A atividade se apresenta como evento
composto por uma programação abrangente, incluindo
palestras, mesas redondas e oficinas, bem como outras
ações culturais. Além da presença ativa dos(as) alunos(as)
e professores(as) da FAU, a Semau atrai a participação de
profissionais do meio acadêmico e do mercado de trabalho,
juntamente com estudantes e pesquisadores(as) das áreas de
Arquitetura e Urbanismo, assim como de instituições afins
de ensino superior.
A Semana de Arquitetura e Urbanismo desempenha
um papel fundamental na promoção da troca de
informações e experiências entre discentes e docentes,
expandindo as dinâmicas tradicionalmente realizadas em
sala de aula. Ela também facilita a abertura de espaços para
debates acerca de assuntos importantes para o curso.
9.3.7 Capacita, PET!
O PET Arq. sempre foi muito comprometido com a
tutoria horizontal e a transmissão de conhecimento de uma
geração para a outra. Por essa razão, uma das atividades
planejadas anualmente era a realização de minicursos de
capacitação interna, direcionados aos petianos e petianas do
Grupo. A fundamentação para essa prática estava na
necessidade de capacitar os(as) nossos(as) integrantes(as)
nos softwares amplamente usados no curso de Arquitetura
e Urbanismo, com o objetivo de aprimorar as contribuições
no Programa e aprofundar conhecimentos na graduação.
Além disso, a atividade também explorava as competências
do corpo discente do PET, já que era comumente ministrada
pelos(as) petianos(as).
No ano de 2018 foram introduzidas novas atividades
no nosso planejamento anual, no intuito de possibilitar o
equilíbrio entre as áreas de ensino, pesquisa e extensão, bem
como maior interação entre o Programa e os(as) estudantes
do curso ao qual pertencemos. Nesse momento
reformulamos o que antes chamávamos minicursos de
126

capacitação interna, renomeando a atividade para Capacita,
PET!, com foco na expansão do público-alvo, de modo a
contemplar toda a nossa Unidade Acadêmica.
O Capacita, PET! abrange aulas de caráter
expositivo e prático, possibilitando abordagem didática e
criativa e promovendo aos participantes o contato direto
com algum programa computacional usado em Arquitetura
e Urbanismo. A atividade relaciona-se com vários objetivos
do Programa, que incluem melhorar a qualidade da
formação acadêmica dos estudantes de graduação,
desenvolver estratégias de modernização do ensino superior
e introduzir novas práticas pedagógicas na graduação.
9.4 (Forma)Ação do ser em bando
Na
jornada
acadêmica
universitária,
o
desenvolvimento intelectual dos(as) discentes(as) ocorre
simultaneamente às descobertas pessoais e à compreensão
do papel como cidadãos(ãs). Esse processo pode se mostrar
desafiador e solitário em um primeiro momento. Um
mundo totalmente novo de possibilidades para aqueles e
aquelas que, em sua maioria, acabaram de deixar o papel de
secundaristas. As múltiplas pessoas e vivências que
adentram esse espaço o tornam mais fértil na possibilidade
de construir uma universidade mais inclusiva, que forma
profissionais aptos(as) a contribuir para a sociedade e lhe
traz retornos significativos.
O PET, com o objetivo de promover o
desenvolvimento acadêmico e pessoal desses(as)
estudantes, apresenta-se como potente iniciativa, ao
estabelecer um novo núcleo de vivência e trabalho no meio
acadêmico, estreitando vínculos que incentivam a
permanência discente na universidade e o engajamento.
Além disso, a presença do Grupo na FAU/Ufal não apenas
capacita cientificamente os(as) petianos(as) diretamente
inseridos(as) no Programa, mas também enriquece toda a
comunidade da Unidade Acadêmica a que se vincula, ao
fomentar uma cultura de pesquisa, interdisciplinaridade —
holística — e troca contínua de conhecimento.
Nos processos formativos, desde a entrada até o
desligamento do(a) estudante petiano(a), seguimos uma
organização cuidadosamente planejada, respeitando os
níveis de complexidade de cada atividade e a formação
petiana. Essa lógica de ordenação é responsável por garantir
o desenvolvimento pessoal dentro do Programa, estruturada
tanto no amadurecimento do(a) petiano(a) quanto das
atividades.
127

O desenvolvimento construtivo de uma atividade
nunca é feito de forma individualizada; ao contrário, cada
atividade é concebida, planejada e executada em conjunto.
As coordenações das iniciativas petianas são formadas de
modo a garantir que as interações e os ensinamentos
ocorram coletivamente, contribuindo para a formação do
ser. Em resumo, nunca estamos sozinhos(as) durante os
processos, pois a solidariedade e o trabalho em equipe são
sempre a base da convivência e da vivência do Grupo.
A tríade do Programa de Educação Tutorial —
ensino, pesquisa e extensão — manifesta-se no Grupo como
exercício metodológico para formular e implementar as
atividades anuais. A dedicação voltada para contemplar os
três pilares do PET também é fundamental na consolidação
da carreira acadêmica do(a) petiano(a). Além disso, as
ações de comunicação e construção das atividades
transcendem a tríade, estendendo-se à gestão interna do
PET Arq.
A formação no PET Arquitetura é permeada por
diversas nuances e não se desenrola de maneira linear; ela
é marcada por altos e baixos. No entanto, o crescimento e o
desenvolvimento da capacidade de adaptação de cada
indivíduo que opta por fazer parte do grupo permanecem
como pilares formativos essenciais. Todo esse processo
dinâmico e multifacetado pode ser observado desde a
seleção de novos(as) integrantes(as) até o momento de
desligamento do Grupo, bem como nas nossas relações com
colaboradores(as) egressos(as).
Essa construção, especialmente no contexto da
educação, envolve a supervisão próxima e orientação de
um(a) docente tutor(a), não se encerrando em si mesma,
ganhando novos desdobramentos, complexidade e
potencialidades quando todo o procedimento de
acompanhamento é feito pelos(as) próprios(as) discentes do
PET Arq.
Imerso
em
atividades,
comissões
e
responsabilidades, o indivíduo petiano tende a perceber
suas aptidões e afinidades com as ações que busca realizar.
Alguns se veem compondo a comissão de elaboração da
Revista Ímpeto, diagramando artigos, pensando na
identidade visual para a edição e organizando correções dos
textos recebidos. Outros buscam, nas comissões da Semau,
a organização de um evento referência para as graduações
de Arquitetura e Urbanismo e áreas correlatas, envolvendose em todas as etapas de sua organização.
A jornada do(a) petiano(a) de Arquitetura vai muito
além da vivência da salinha de permanência. A participação
128

em eventos nacionais, regionais e alagoanos fazem parte no
processo de crescimento e entendimento do funcionamento
por completo do PET Brasil. Enxergamos os eventos como
um momento valioso na fase de transformação e
engajamento — e é neste espaço que conseguimos ver o
poder que o Grupo e o Programa têm dentro da formação
dos nossos integrantes.
Olhando hoje para minha trajetória no curso de Arquitetura e
Urbanismo, vejo que ingressar no PET Arquitetura foi uma daquelas
decisões que mudou não só o curso da minha vida acadêmica, como
também minha vida pessoal. Desde o momento em que entrei para o
PET Arq, minha jornada na faculdade de arquitetura deixou de ser
somente nas salas de aulas da FAU e se tornou uma experiência de
aprendizado colaborativo (na nossa salinha) que enriqueceu minha
compreensão da cidade, pautando sempre a indissociabilidade entre
ensino, pesquisa e extensão. Uma das coisas mais importantes para mim
foi a oportunidade de trabalhar em projetos sociais e comunitários, onde
o PET Arq me mostrou que a arquitetura não se trata apenas de criar
casas e edifícios, mas também de melhorar a qualidade de vida das
pessoas, além de me fazer engajar na luta por justiça e equidade. Além
disso, o programa me proporcionou amizades que levo até hoje, com
pessoas que partilham valores pertinentes. Hoje vejo claramente como
o PET Arquitetura formou o profissional que sou (Rudá Lopes, 06 out.
2023, em entrevista concedida aos autores).

Todos os nossos processos formativos são
responsáveis por assegurar o nosso acesso e a nossa
continuidade no Programa. A formação é o dia a dia do PET
Arq., em ações, encontros, reuniões e balanços avaliativos,
além da formação pelo exemplo que cada integrante
imprime no outro(a).
9.5 Considerações e continuidades em bando
O PET Arquitetura é um verdadeiro berço de
criatividade e comprometimento com a formação
acadêmica de excelência na Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo e na Ufal. Ao longo dos anos, seus integrantes
têm gravado uma marca indelével na comunidade estudantil
do curso de Arquitetura e Urbanismo e da Universidade,
envolvendo-se em projetos e atividades que transcendem as
fronteiras do campus e alcançam a sociedade em geral.
Esse impacto proeminente é intrínseco à abordagem
minuciosa na concepção e implementação das atividades no
momento do planejamento anual do Grupo. Nesse contexto,
o compromisso coletivo de buscar a articulação e execução,
de modo inseparável, das práticas de Ensino, Pesquisa e
Extensão desempenha papel de suma relevância e

129

orientação dos rumos a serem seguidos e na boa execução
das atividades.
Durante a jornada de aprendizagem do(a) petiano(a)
discente, que se refere a um constante e valioso processo de
transformação e crescimento, a presença da tutoria
incorpora aspectos de cuidado, proteção, apoio,
representação, defesa e assistência ao(à) estudante. Ou seja,
reverbera em espaço pessoal, para além do ambiente
acadêmico, promovendo uma cultura de colaboração,
interdisciplinaridade e disseminação de saberes. O
fenômeno de tutoria horizontal, discente para/entre discente
e entre tutor(a) e discente(s), materializa o processo de
ensino-aprendizagem do Programa.
Ser PET Arq. é mais do que simplesmente estar no
PET Arq. No entanto, não se é PET Arq. se não se vivencia
e está no PET Arq.
Fazer parte do Pet Arq foi como um abraço familiar dentro de uma
graduação cheia de desafios. O compartilhamento envolve sorrisos e
lágrimas, as conquistas já não são só minhas, nem mesmo as
preocupações. Falo no presente pois mesmo egressa me sinto parte do
todo, da mesma forma que hoje há no todo algo de mim. Essa troca e a
consciência de coletividade são os maiores aprendizados que pude ter
durante os 3 anos como petiana. O grupo é um ser em constante
mudança, um organismo simbiótico pronto para agregar cada vez mais
petianes, acolhendo o diferente e embarcando, sem medo, no futuro
(Mirella Murta, 06 out. 2023, em entrevista concedida aos autores).

Assim, voar em bando vai muito além do fazer em
coletividade. Voar em bando é ser uma coletividade!
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação
Superior. Programa Especial de Treinamento – PET:
Manual. Brasília: SESu/MEC, 2001.
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 976, de 27 de
julho de 2010. O Programa de Educação Tutorial PET
reger-se-á pelo disposto na Lei nº 11.180, de 23 de setembro
de 2005, e nesta Portaria, bem como pelas demais
disposições legais aplicáveis. Diário Oficial da União:
seção 1, Brasília, DF, n. 212, p. 40-42, 31 out. 2013.
FUNDAÇÃO
COORDENAÇÃO
DE
APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL
SUPERIOR (CAPES). Diretoria de Administração.

130

Relatório de Atividades da CAPES 1999. Brasília:
CAPES, 2000.
NASCIMENTO, Izadora. Construindo uma nova
arquitetura: a história de Leonardo Bittencourt na Ufal –
Uma trajetória de 42 anos dedicados à sala de aula, à
pesquisa e à extensão. Disponível em:
https://noticias.ufal.br/servidor/noticias/2021/4/construind
o-uma-nova-arquitetura-a-historia-de-leonardobittencourt-na-ufal. Acesso em: 15 set. 2023.
PET ARQUITETURA. Planejamento Anual 2016.
Maceió: SIGPET, 2015.
PET ARQUITETURA. Planejamento Anual 2017.
Maceió: SIGPET, 2016.
PET ARQUITETURA. Planejamento Anual 2018.
Maceió: SIGPET, 2017.
PET ARQUITETURA. Planejamento Anual 2020.
Maceió: SIGPET, 2019.
PET ARQUITETURA. Planejamento Anual 2021.
Maceió: SIGPET, 2020.
PET ARQUITETURA. Planejamento Anual 2023.
Maceió: SIGPET, 2022.
PET ARQUITETURA. Manual Interno de Orientações
Básicas. Maceió: PET Arquitetura, 2023.
PET ARQUITETURA. 25 anos do PET Arquitetura.
Maceió: PET Arquitetura, [2020b]. Disponível em:
https://petarqufal.wixsite.com/petarq/25-anos. Acesso em:
01 set. 2023.
PRÉDIO do CIC - Centro de Interesse Comunitário da
UFAL. Blog Arquitetura SINFRA UFAL. Disponível
em:
http://arquiteturasinfraufal.blogspot.com/2011/11/predio-do-cic-centro-deinteresse.html. Acesso em: 20 set. 2023.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Sítio da
Ufal. Apresentação. Maceió, [2008?]. Disponível em:
https://ufal.br/ufal/institucional/apresentacao. Acesso em:
25 ago. 2023.

131

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo. Projeto Pedagógico do
Curso de Arquitetura e Urbanismo. Maceió: FAU, 2018.

132

CAPÍTULO 10
PET Serviço Social

133

10 A educação tutorial na formação em Serviço Social
da Ufal: reflexões acerca da importância do PET para
uma formação crítica e cidadã
Alane Ananias da Silva
Andrea Pacheco de Mesquita
Andressa Clívia Santos Soares
Iris Leticia Soares Vieira
Jaqueline Lais da Silva Santos
Juan Douglas Silva de Sá
Juliane Maria Batista de Araújo
Lilian Leite Macedo
Maria Eduarda da Silva Nobre
Patrícia Silva Magalhães
Samara Lívia Silva Marcelino
Sarah Gabrielle dos Santos Nobre
Vitória Regina de Carvalho Meireles
Resumo: O presente trabalho reúne elementos que
evidenciam a importância do Programa de Educação
Tutorial (PET): as experiências do grupo PET Conexões de
Saberes Serviço Social (PET SSO), na formação em
Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Para isso, são resgatadas as formas de participação em
atividades acadêmicas extraclasse da tríade universitária e
as discussões de temas coletivamente disponibilizados
às/aos discentes de graduação, nas quais as/os petianas/os
estão ativamente inseridas/os no planejamento, na execução
e na avaliação. A sua elaboração parte de uma abordagem
qualitativa, por meio de pesquisas bibliográfica e
documental que possibilitaram o estudo de elementos do
PET e dos fundamentos do Serviço Social, bem como o
acesso às produções e aos documentos internos que
expressam a trajetória do PET SSO. Debate-se como a
estrutura e a dinâmica da educação tutorial contribui para o
fortalecimento do protagonismo discente e o
aprofundamento de conhecimentos teórico-metodológicos,
técnico-operativos e ético-políticos adquiridos na
graduação. No que tange à especificidade da formação em
Serviço Social, destaca-se que o referido programa está
alinhado com fortalecimento da cidadania, com ênfase em
um projeto nacional de educação pública, gratuita e
socialmente referenciada.

134

Palavras-chave: Programa de Educação Tutorial; Serviço
Social; Formação Profissional.
10.1 Introdução
No Brasil, as circunstâncias econômicas e
sociopolíticas da década de 1920 determinaram a
emergência da profissão de Serviço Social, cujas
protoformas completam, atualmente, seu primeiro século.
Esses elementos determinantes foram condensados na
criação da Escola de Serviço Social (ESS), em 1936,
localizada em São Paulo, caracterizando o início da sua
institucionalização. Na década seguinte, a ampliação dos
espaços de atuação profissional consolidou a
profissionalização das/os assistentes sociais no país.
O Movimento de Reconceituação na América Latina
e o movimento de renovação no contexto brasileiro, nos
anos 1960, criaram solo fértil para o debate e as reflexões
para uma ruptura com o lastro conservador da profissão em
nosso país. Ocorre o rompimento com as matrizes
filosóficas da Igreja Católica, base do pensamento
doutrinário, que alicerçaram as intervenções profissionais
na sua gênese. Em seguida, são exploradas fontes do
positivismo
(modernização
conservadora),
da
fenomenologia (reatualização do conservadorismo) e do
marxismo (intenção de ruptura) para formular as suas bases
científicas de análise e intervenção na realidade (Netto,
2010).
Contudo, é apenas no ano de 1979 que a profissão
assinala, de forma coletiva e pública, o referido rompimento
histórico. As/os assistentes sociais reunidas/os no III
Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS)
assumiram postura crítica de enfrentamento ao projeto do
capital, materializado pela autocracia burguesa. Por isso,
essa edição do evento ficou conhecida pela categoria como
o “congresso da virada” e, a partir dele, a profissão passou
a assumir os princípios fundamentados no marxismo.
O embate coletivo assumido pelas entidades
representativas do Serviço Social — a Associação
Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social
(ABEPSS) e o conjunto do Conselho Federal de Serviço
Social (CFESS) com os Conselhos Regionais de Serviço
Social (Cress) — deu o tom às mudanças que sucederam na
profissão, concretizadas na proposta do Projeto ÉticoPolítico (PEP) em vigência, defendido pela parcela
hegemônica das/os assistentes sociais, que reconhece a
135

liberdade como valor ético central e se volta à superação da
sociabilidade capitalista. De acordo com Braz e Teixeira
(2009, p. 9),
Ainda que a prática profissional do(a) assistente social não se constitua
como práxis produtiva, efetivando‐se no conjunto das relações sociais,
nela se imprime uma determinada direção social por meio das diversas
ações profissionais – através das quais, como foi dito, incide‐se sobre o
comportamento e a ação dos homens –, balizadas pelo projeto
profissional que a norteia.

Em relação à formação profissional, o marco das
mudanças são as Diretrizes Curriculares da ABEPSS,
aprovadas na convenção de 1996, mas que vinham sendo
discutidas desde a década de 1990. Essas diretrizes apontam
como direção a formação de um perfil profissional que
permita a
[...] capacitação teórico-metodológica, ético-política e técnicooperativa para a apreensão teórico-crítica do processo histórico como
totalidade. Considerando a apreensão das particularidades da
constituição e desenvolvimento do capitalismo e do Serviço Social na
realidade brasileira. Além da percepção das demandas e da
compreensão do significado social da profissão; e o desvelamento das
possibilidades de ações contidas na realidade e no exercício profissional
que cumpram as competências e atribuições legais” (ABEPSS, 2014, p.
2-3).

Por se tratar de um bacharelado, o Serviço Social
prevê práticas interventivas que atendam as necessidades
sociais apresentadas por meio das expressões da “questão
social”. Essa função presume formação crítica, com base no
PEP da categoria, para que se construa um fazer
profissional que entenda a dinâmica em que os indivíduos
estão inseridos, interligando-a à totalidade social, para que
seja possível responder a determinadas necessidades postas
a partir das competências e atribuições da/o assistente
social.
A produção, a troca e a movimentação de
conhecimento é um dos importantes elementos para a
construção do fazer profissional, tornando necessário ir
além do conteúdo programático do curso. Através do
Programa de Educação Tutorial (PET), é possível englobar
o tripé ensino, pesquisa e extensão, a partir de atividades
que fortalecem a formação crítica do Serviço Social. De
acordo com a concepção filosófica disposta no Manual de
Orientações Básicas (MOB) do PET, a inserção de
discentes em atividades do tripé universitário de forma
indissociável gera benefícios globais para o curso de
136

graduação, dado que possibilita à/ao estudante “[...] uma
compreensão mais integral do que ocorre consigo mesmo e
no mundo. Ao mesmo tempo, a multiplicidade de
experiências contribui para reduzir os riscos de uma
especialização precoce” (Brasil, 2006, p. 6).
A referida proposta de educação tutorial almeja
desenvolver percepções e habilidades individuais e
coletivas nas/os integrantes dos grupos PET, norteadas por
um compromisso social. Disseminadas para todo o corpo
discente da graduação, tais capacidades e aprendizados
podem gerar transformações na dinâmica educacional desse
contexto, aperfeiçoando o projeto pedagógico do/s
referido/s curso/s (Brasil, 2006).
A indissociabilidade do tripé universitário também
é prevista nos princípios fundamentais da formação
profissional em Serviço Social, assim como o resguardo das
dimensões investigativa e interventiva para materializar o
âmbito teórico-prático (que articula os conhecimentos
teóricos com os da realidade, elementos também são
indissociáveis). Entre os demais princípios, destaca-se
ainda o entendimento da totalidade social por meio de uma
teoria social crítica. Dessa maneira são embasadas as
diretrizes curriculares que demandam estudos para a
formação teórico-metodológica, ético-política e técnicooperativa das/os discentes de Serviço Social (ABEPSS,
2006).
Na visão político-pedagógica do Serviço Social,
identifica-se que o PET
[...] configura-se no ensino superior como uma ferramenta de potencial
revolucionário, em tempos nos quais os movimentos da sociedade
capitalista, e seus respectivos impactos socioeconômicos e políticos,
intensificam a dimensão controladora da educação. Através dele,
estudantes podem obter uma formação ampla, socialmente
referenciada, dotada de liberdade e criticidade pedagógica, estruturando
uma perspectiva cidadã inconformada e transformadora (Mesquita;
Leite; Sá, 2023, p. 284).

É pautado nessas diretrizes que o PET Conexões de
Saberes Serviço Social (PET SSO) vem construindo
anualmente, no decurso de 14 anos, seu planejamento,
visando responder às lacunas e demandas da profissão no
interior da Faculdade de Serviço Social (FSSO) da
Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Configurando-se
enquanto sujeito coletivo da formação profissional, dentro
e fora de sala de aula, o grupo se compromete com o
fortalecimento do tripé universitário, da cidadania e da

137

socialização do conhecimento como forma de
transformação da realidade.
No presente artigo são apresentados elementos que
evidenciam as contribuições do PET na formação em
Serviço Social, por meio das atividades e dos debates
proporcionados pelo PET SSO Ufal, nas quais as/os
petianas/os estão ativamente inseridas/os, do planejamento
à execução e desta à avaliação. Sua elaboração parte de uma
abordagem qualitativa, por meio de pesquisas bibliográfica
e documental que possibilitaram o estudo de elementos
históricos e legais do PET, bem como dos fundamentos do
Serviço Social, além do acesso às produções e aos
documentos internos que expressam a trajetória do PET
SSO.
10.2 O PET como agente materializador da tríade
universitária
A universidade brasileira se materializa a partir da
tríade universitária, composta por atividades de ensino,
pesquisa e extensão que devem ser desenvolvidas sob a
ótica da complementaridade, obedecendo ao princípio de
indissociabilidade, conforme disposto no Art. 207 da
Constituição Federal (CF) de 1988. Destaca-se que a
materialização desse princípio na formação em Serviço
Social
[...] exige uma mudança de uma cultura ora marcada pelo medo de
romper com o confronto das ações isoladas, em que no máximo são
envolvidos alguns alunos, ora embasada na compreensão de que uma
ação menor deverá, mesmo que forçosamente, contemplar as três
dimensões da formação; ou ainda pela concepção preconceituosa de que
uma das dimensões do processo ensino-aprendizagem tem maior ou
menor importância e assegura maior ou menor prestígio (Ufal, 2019, p.
63).

A dimensão do ensino é formativa e compreende as
atividades que têm intuito de levar o conhecimento,
corroborando com a troca de experiências e a construção
mútua do saber, rompendo com a visão que limita esse meio
como uma mera “transmissão”. O processo de ensinoaprendizagem possui potencial para fortalecimento de uma
visão crítica e atuante na realidade social, com
contribuições profissionais e pessoais às/aos envolvidos.
Esse estímulo à reflexão crítica-cidadã deve ser o
foco da produção acadêmico-científica das ações de ensino,
que também se constituem ferramentas relevantes dos
projetos de pesquisa e de extensão. Afinal, “[...] a apreensão
138

teórica [...] é um acúmulo que não pode ficar restrito à
academia, precisa ser traduzido em práticas que extrapolem
os ambientes das Instituições de Ensino [...] e desencadeiem
transformações sociais” (Silva; Alves; Pereira; Santos,
2021, p. 5).
O Projeto Político-Pedagógico do Curso de Serviço
Social (PPC/FSSO/Ufal) norteia as práticas de ensino na
formação das/os assistentes sociais formados pela Ufal, nas
dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnicooperativa. O PET SSO desenvolve atividades que
complementam os conteúdos dados em sala de aula,
visando o aprimoramento teórico-prático e a formação
crítica e cidadã, enquanto reafirma o caráter interventivo do
Serviço Social e a função social da universidade. O grupo
exerce a função do referido programa ao buscar promover
formação ampla e de qualidade de discentes de graduação,
estando essas/es envolvidas/os direta e/ou indiretamente
com as suas atividades (Brasil, 2006, p. 7).
Não obstante, a formação universitária é constituída
pelo elemento da pesquisa científica. No âmbito das
Ciências Sociais Aplicadas, como o Serviço Social, as
pesquisas permeiam problemáticas de relevância social que
possibilitam o conhecimento, a atuação e a transformação
da realidade social nos territórios alcançados pelos estudos,
sobretudo no entorno da universidade. As últimas pesquisas
do PET SSO, por exemplo, focaram em temáticas como
Assistência Social, Direitos Humanos e Comunidade
LGBTQIAPN+.
O MOB-PET destaca que o PET visa, a médio e
longo prazos, uma formação com elevados padrões
científicos. É um desenvolvimento crucial para que as/os
graduandas/os possam se inserir, posteriormente, em
programas de pós-graduação (residências, mestrados, entre
outros) (Brasil, 2006). Dessa forma, o PET SSO norteia as
suas ações, além dos compromissos a serem atendidos pela
grade curricular da graduação em Serviço Social da Ufal,
potencializando o processo de formação profissional e
acadêmica.
As contribuições do PET também se apresentam por
meio da prática extensionista. A extensão universitária é a
forma como a universidade se aproxima, concreta e
cotidianamente, da comunidade para desenvolver ações a
partir de suas necessidades reais (Lima, 2019). Para
descrever sua centralidade e suas contribuições na
formação em Serviço Social, torna-se necessário entender o
projeto ético-político hegemonicamente defendido pela
categoria profissional. Ele representa uma perspectiva
139

específica de leitura do real, que determina a forma como
as/os estudantes vão se inserir e apreender a realidade da
comunidade além da universidade, para captar suas
demandas e buscar contribuir, por meio das ações
extensionistas, no atendimento delas.
Tal perspectiva provém do amadurecimento
profissional construído a partir da década de 1980. Ela
considera a processualidade histórica que reúne os
determinantes do Serviço Social, a sua função nas relações
sociais entre as classes fundamentais da sociedade
capitalista (classe burguesa e classe trabalhadora) e a
ligação dessas com o Estado. Formula-se a classificação de
“[...] uma profissão interventiva no âmbito da questão
social, expressa pelas contradições do desenvolvimento do
capitalismo monopolista” (ABEPSS, 1996, p. 5) e
estabelece-se o compromisso com práticas que desvelam a
realidade social, por meio da captação das suas
determinações sociais, econômicas, políticas e culturais
concretas. Partindo desses determinantes, serão elaboradas
intervenções pertinentes em contrapartida às leituras
engessadas da dinâmica social (Sá; Nobre; Oliveira, 2021).
Observa-se que, no âmbito da extensão
universitária, o PET é um terreno rico para a formação em
Serviço Social e vice-versa. O empenho da profissão com
um “[...] rigoroso trato teórico, histórico e metodológico da
realidade social e do Serviço Social, que possibilite a
compreensão dos problemas e desafios com os quais o
profissional se defronta no universo da produção; e
reprodução da vida social” (ABEPSS, 2006, p. 6) afirma a
inseparável relação entre formação profissional e realidade
social. A perspectiva ética adotada pelo Serviço Social
direciona o seu compromisso social com os interesses da
classe trabalhadora e, sobretudo, a sua “[...] emancipação e
plena expansão” (Brasil, 2012, p. 23), criando bases para
um compromisso social aprimorado e crítico,
potencializador dos objetivos do PET.
Em um movimento recíproco, o PET possibilita que
as/os integrantes pesquisem, construam propostas
extensionistas e se arrisquem nos territórios externos à
universidade. Essas experiências proporcionam a apreensão
da realidade social, enquanto ocorrem o aperfeiçoamento e
o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades técnicas
da/o agente extensionista: o desejado exercício das
dimensões investigativa e interventiva. Nelas, para além
da/o professor/a tutor/a do grupo PET, também é possível o
contato com estudantes de pós-graduação, lideranças
comunitárias e de movimentos sociais, assistentes sociais e
140

profissionais de outras áreas que atuam em conjunto. Esses
são alguns dos elementos que descrevem como a prática
extensionista no âmbito do PET contribui para o
fortalecimento da formação crítica em Serviço Social e,
consequentemente, do seu projeto ético-político
hegemônico.
10.3 Experiências potencializadoras do PET SSO na
FSSO/Ufal
10.3.1 O debate das relações étnico-raciais
O Projeto Político-Pedagógico do Bacharelado
em Serviço Social da Ufal, campus A. C. Simões, teve a sua
última atualização em 2019. Mediante esta, houve a
inserção de temáticas não abordadas no PPC anterior, de
2006. Uma das principais alterações foi a inserção dos
componentes Atividades Curriculares de Extensão (ACE),
fruto do processo de curricularização da extensão no ensino
superior, que assegura a vivência extensionista a todas/os
as/os discentes. Em relação à discussão étnico-racial, o PCC
2019 assegura ainda o debate das categorias raça e etnia nas
subáreas das ACE, além de se fazerem presentes nas
seguintes disciplinas:
[...] Saúde da população negra (45h), do curso de Medicina, ofertada no
período de vagas remanescentes, Antropologia (54h), Estado, Classes
Sociais e Movimentos Sociais (72h), Formação Sócio-Histórica do
Brasil (72h), Relações Patriarcais e de Gênero e Serviço Social (72h),
Formação Social, Econômica e Política de Alagoas (54h) e Educação
em Direitos Humanos (54h) [...].

Notou-se que a discussão étnico-racial não possui
disciplina específica, apenas compõe subáreas.
Consequentemente, cria-se o receio de que se torne um
conteúdo ausente ou superficialmente trabalhado,
principalmente diante do compromisso ético-político do
Serviço Social. Esse déficit na formação da/o estudante de
Serviço Social pode acarretar uma atuação rasa frente às
questões que se perpetuam no cotidiano profissional. A
compreensão da marginalização majoritária da população
negra, grande parcela das/os usuárias/os dos serviços
socioassistenciais, é um exemplo da necessidade desses
conhecimentos.
O resgate do objetivo do PET, o qual consiste em
fomentar uma “[...] formação ampla e de qualidade
acadêmica dos alunos de graduação envolvidos direta ou
indiretamente com o programa [...]” (Brasil 2006, p. 7),
141

reitera o compromisso do PET Conexões de Saberes
Serviço Social em desenvolver atividades que incluam a
discussão das relações étnico-raciais.
O PET SSO, entendendo a necessidade da discussão
étnico-racial, assegura em seu planejamento atividades que
possibilitem a constância da discussão da temática
supracitada. Uma delas é a Semana da/o Graduanda/o em
Serviço Social (Segrasso), que conta com edições anuais,
visando abranger o olhar das/os estudantes acerca de temas
socialmente relevantes debatidos no âmbito da categoria
profissional.
O debate racial é um entre os mais abordados na
atividade. Em 2019, na VII Segrasso, foram discutidas as
formas de violência e racismo na atualidade, abordando a
vinculação do racismo com o mercado de trabalho e o
feminismo negro. Na VIII Segrasso foram apresentadas as
condições de trabalho no Brasil, apontando o trabalho
informal e trazendo o perfil racial das pessoas inseridas
nessas relações laborais precarizadas.
Na edição de 2021, IX Segrasso, tratou-se das
práticas de saúde e experiências e cuidado em quilombos do
semiárido alagoano, contribuindo fortemente com o debate
étnico-racial na FSSO/Ufal. Por fim, na edição de 2022
houve uma aproximação do debate da interseccionalidade,
tratando sobre mulheres negras e rurais. Tal aproximação se
estendeu à edição de 2023, quando foi realizada uma oficina
de interseccionalidade durante a XI Segrasso.
Entendendo o papel da arte como forma de
resistência e ferramenta pedagógica do Serviço Social, o
PET Artes é outra atividade que abordou a luta antirracista
de diversas formas, para assim fortalecer e socializar a
cultura, além de trabalhar as inúmeras expressões culturais
e artísticas. A atividade se modelou de diversas formas no
passar dos anos, trazendo expressões artísticas, filmes para
fomentar os debates e música. Em 2022 foi realizado o
Sarau Afetos, com apresentações de música e poesia como
instrumento de socialização da luta, da denúncia e do
enfrentamento ao racismo.
Atrelado a isso, foi instituído o Conecta PET, que
durante aquele ano elucidou questões pertinentes ao debate
por meio das redes sociais. A atividade surgiu no período
pandêmico, quando o grupo precisou se reinventar para
continuar desenvolvendo suas atividades. Dentre as datas
importantes abordadas estão o dia da luta contra o genocídio
da mulher negra (14 de março), o dia internacional da luta
contra a discriminação racial (21 de março), o dia de
resistência e luta dos povos indígenas (19 de abril), o dia
142

internacional da mulher negra latino-americana e caribenha
(25 de julho) e o dia da consciência negra (20 de
novembro).
Tomando a formação sócio-histórica do país como
base, é imprescindível que a própria formação do PET conte
com as ações afirmativas para garantia dos direitos da
pessoa negra. É inegável que todo o processo de escravidão
no Brasil está refletido nas condições de educação da
população que fora escravizada. A partir dessa perspectiva,
o PET SSO foi um entre os primeiros grupos de Alagoas a
implementar a política de cotas na seleção para o programa
no ano de 2020.
10.3.2 As discussões de gênero e sexualidades
O Código de Ética da/o assistente social de 1993
afirma em seu IV princípio fundamental o “[...] empenho na
eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando
o respeito à diversidade, à participação de grupos
socialmente discriminados e à discussão das diferenças”.
Tal princípio evidencia que a formação da/o assistente
social precisa ser crítica e continuada, pois a realidade em
que atua é diversa e repleta de desafios, exigindo uma
postura aliada ao projeto ético-político da profissão.
Diante disso, a formação em Serviço Social na Ufal
se destaca por preparar as/os futuras/os profissionais para o
enfrentamento dos desafios sociais de forma crítica e
reflexiva. No entanto, ainda existe uma lacuna nas
discussões de gênero e sexualidade. Dessa forma, o PET
SSO desempenha papel essencial ao contribuir no
preenchimento desta, proporcionando ambiente favorável
para explorar tais temas. As/os estudantes têm a
oportunidade de participar de rodas de conversa, seminários
e outras atividades que promovem uma análise crítica e
reflexiva dessas questões. Assim, o PET complementa a
formação acadêmica tradicional, capacitando as/os
alunas/os para uma futura atuação mais eficaz e inclusiva.
Nesse contexto, é importante salientar que durante a
atuação profissional nos espaços sócio-ocupacionais a/o
assistente social se depara com diversas expressões da
“questão social”. Tais problemáticas são intrinsecamente
perpassadas pelo patriarcado, pelas violências de gênero e
pela discriminação sexual, expressas em casos como o de
mulheres vítimas de violência doméstica — espaço onde as
marcas do patriarcado ficam mais escancaradas, mas
também no âmbito social, nos quais a inferiorização e o

143

preconceito contra as mulheres e a comunidade
LGBTQIAPN+ também se fazem presentes.
Devido a isso, a/o profissional de Serviço Social
deve estar teórico-metodologicamente embasada/o para
reconhecer os efeitos do patriarcado e da LGBTfobia no
sistema capitalista e atuar contribuindo para a eliminação
de todas as formas de preconceito. Desse modo, com o
objetivo de ampliar as temáticas abordadas em sala de aula,
o PET SSO vem acrescendo a temática de gênero e
sexualidade nos seus calendários anuais de atividade,
proporcionando às/aos integrantes do grupo e às/aos demais
discentes da graduação uma maior aproximação com essa
discussão.
O fortalecimento dessas discussões dentro do PET
recebe grande influência da Profa. Dra. Andrea Pacheco de
Mesquita, que assumiu a tutoria do grupo em 2019. Através
do seu arcabouço teórico e prático sobre o tema, facilitou a
aproximação com essas temáticas que são essenciais à
formação profissional.
Tal aproximação pode ser exemplificada através de
algumas atividades que o grupo tem promovido ao longo
dos anos, focadas em temas relacionados aos direitos das
mulheres, LGBTQIAPN+ e diversidade de gênero. O
objetivo principal dessas iniciativas é sensibilizar as/os
estudantes e profissionais da área para questões que muitas
vezes não recebem a devida atenção na universidade.
Além disso, de acordo com dados do Grupo Gay da
Bahia (GGB), 10% da população brasileira pertence à
comunidade LGBTQIAPN+. Diante disso, o grupo
compreende a importância de tratar sobre os direitos, o
respeito e integração desse público, visto que essas
categorias são negadas no corpo social. Com isso, o PET
SSO promoveu uma extensão no Centro de Acolhimento
Ezequias Rocha Rego (Caerr), local destinado ao
acolhimento da comunidade LGBTQIAPN+ de Alagoas, na
qual as/os petianas/os puderam proporcionar momentos de
interação e dinâmica com as mulheres trans acolhidas na
instituição, bem como cursos para as/os profissionais e
voluntárias/os presentes no local, a fim de explicar os
direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+,
assim como instruir sobre nome social e a importância do
cuidado e respeito a esse público.
Diante do exposto, o PET SSO contribui para o
fortalecimento da graduação, de modo a fomentar uma
formação comprometida com temáticas que não possuem
tanta visibilidade dentro da universidade. Por fim, é
primordial que as/os estudantes compreendam os temas de
144

gênero e sexualidade, a fim de se formarem profissionais
críticos e compromissadas/os com o Código de Ética e o
respeito às diversidades.
10.4 Considerações finais
“Sem Movimento,
Não há liberdade”
(Campanha CFESS/Cress 2012).

O grupo PET Conexões de Saberes Serviço Social,
ao longo dos seus 13 anos de existência, vem realizando
atividades que contemplam ações extraclasse, de modo a
executar atividades de ensino, pesquisa e extensão. Dentre
as inúmeras atividades realizadas em forma de palestras,
rodas de conversa, seminários, minicursos, atividades
culturais, além das pesquisas anuais e das atividades de
extensão, que possibilitaram convivência próxima com a
comunidade externa da Instituição de Ensino Superior
(IES). Através dessas ações é possível despertar o olhar
crítico das/os participantes acerca de assuntos que, muitas
vezes, não possuem amplo espaço para serem debatidos e
discutir temáticas que são imprescindíveis para a formação
profissional. Os debates das relações de gênero, da
comunidade LGBTQIAPN+, do racismo estrutural, da luta
antimanicomial e do trabalho infantil, entre outras,
possibilitam ao curso de graduação, através do PET SSO, o
aprofundamento de temas centrais ao exercício
profissional, mas que por vezes não encontram espaço
dentro carga horária do curso.
Durante a pandemia da Coronavirus Disease 2019
(Covid-19), o PET SSO não parou. Reinventamos nossas
formas de trabalho, nos conectamos virtualmente para
possibilitar espaços de formação mesmo quando a Ufal
suspendeu as atividades presenciais. Possibilitamos
encontros formativos, cursos e palestras on-line e espaços
para acolhimento e troca de ideias sobre esse momento tão
desafiador que vivíamos. O Conecta tinha como principal
objetivo possibilitar a escuta e a conversa com as pessoas
que estavam isoladas em suas casas. Além de possibilitar
que os/as estudantes não abandonassem seus projetos
profissionais e combater uma possível evasão no retorno às
atividades presenciais. Foram momentos difíceis, mas
também de grande aprendizado e resistência, como canta
Lenine: “[...] Em tempos de tempestades. Diversas
adversidades. Eu me equilibro e requebro. É que eu sou tal

145

qual a vara Bamba de bambú-taquara. Eu envergo, mas não
quebro”.
Assim, o PET SSO, enquanto sujeito coletivo da
formação profissional em Serviço Social da Ufal, vem
desenvolvendo um grande papel na materialização de
diversas atividades para as/os estudantes, abordando as
dimensões teórico-metodológica, técnico-operativa e éticopolítica. Nesse sentido, resgatamos a dimensão educativa
do Serviço Social, que se pauta na direção desmistificadora
da ideologia dominante e na potencialização da força
existente no cotidiano das classes trabalhadoras. A crítica
ao irracionalismo e ao senso comum são nossos principais
caminhos a serem percorridos na busca pela superação e
transformação da realidade. Assim, em sintonia com as
Diretrizes Curriculares, com o Projeto ético-político e com
as entidades representativas do Serviço Social — tanto no
âmbito do exercício como da formação profissional —, o
PET SSO vem se movimento e desempenhando um papel
pedagógico fundamental para formar profissionais
críticas/os e comprometidas/os com uma nova ordem
societária, que tenha como princípio central a luta por
liberdade.
Referências
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148

CAPÍTULO 11
PET C.S. Penedo

149

11. 13 anos do PET Penedo: entre diálogos e saberes
Ludmylla Wolpert Melo
Steven Willian Santos
Anclys Henry dos Santos Pereira
Amanda Valadão Souza
Johnatan Ferreira da Silva
Karine Stefania Diógenes Guerra
Lucas Mariano Brito Silva
Makes Henrique dos Santos Batista
Mariana Brandão Amaral
Waleska Davino Lima
Alexandre Ricardo de Oliveira
Diógenes Meneses dos Santos
Kim Ribeiro Barão
11.1 Introdução
A interiorização das Universidades, entre 2008 e
2012, foi plano do Governo Federal para a expansão do
Ensino Superior e a consequente democratização do acesso
à Universidade gratuita e de qualidade. A expansão
interiorana das Universidades perpassa a construção
mínima de infraestrutura para o funcionamento dos cursos
ofertados e pela capacitação de recursos humanos, capazes
de lidar com as diferenças e demandas locais destes novos
espaços.
Neste contexto, programas que auxiliam na
capacitação das pessoas e promovem atividades e novos
saberes aos discentes são de extrema importância para o
sucesso da formação de profissionais competentes e
engajados com necessidades locais e regionais. O Programa
de Educação Tutorial (PET) vem exatamente para auxiliar
na formação de profissionais com esse perfil.
A partir de 2004, o PET reafirmou seu compromisso
em desenvolver uma formação pautada na responsabilidade
social, alinhada a princípios epistemológicos, pedagógicos,
éticos e sociais (Brasil, 2006). Foram estabelecidas
diretrizes que permitem aos/as PETianos/as a participação
ativa em atividades, desde o planejamento até a avaliação,
seguindo o princípio da indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão. Além disso, o PET promove uma
maior interação dos/as discentes com os processos
administrativos, estimulando a compreensão do
funcionamento da Universidade e melhorando o diálogo
150

entre os/as estudantes de graduação. Por fim, envolve os/as
PETianos/as em ações de intervenção na realidade das
Instituições de Ensino Superior (IES), fomentando a
criticidade e a responsabilidade estudantil.
O Edital nº 09/2010 – PET, do Ministério da
Educação (MEC), abriu espaço para a criação de grupos que
integrariam uma nova modalidade no programa,
combinando a abordagem tradicional do PET com a do
Programa Conexões de Saberes. Este, dentre outros
objetivos, propunha-se a estimular a inserção dos
estudantes de ensino superior em ações de intervenção em
suas comunidades de origem, fortalecendo as relações e a
troca de conhecimento entre as IES e as comunidades.
A proposta do PET Conexões de Saberes Penedo
(daqui em diante apenas PET Penedo) foi aprovada e
imediatamente implementada, tendo sede na Unidade
Educacional Penedo (U. E. Penedo), em Penedo, Alagoas.
Inicialmente, o grupo abrangia atividades e discentes dos
cursos de Engenharia de Pesca e Turismo, já existentes na
Unidade. A partir de 2014, ano da abertura dos cursos de
Ciências Biológicas, Engenharia de Produção e Sistemas de
Informação na U. E. Penedo, o PET Penedo passou a incluir
discentes destes cursos, ampliando assim seu alcance e sua
complexidade.
Por se tratar de um grupo interdisciplinar, em
oposição a um PET Curso específico, o PET Penedo
enfrentou diversos desafios para incorporar em sua prática
as demandas e necessidades de cursos de diferentes áreas
das ciências. Porém, na prática, sempre se pautou na
importância da diversidade de conhecimentos e
perspectivas dessas diferentes áreas para a construção de
um PET interdisciplinar. É importante destacar que o PET
deve ser concebido como esforço coletivo, interdisciplinar
e socialmente referenciado, proporcionando oportunidades
para aprender, fazer e refletir (Brasil, 2006). A interação
entre discentes de diferentes níveis de formação, membros
da comunidade acadêmica e da comunidade externa às IES
possibilita a assimilação de conhecimentos, contribuindo
para uma formação acadêmica de alto nível, orientada pela
cidadania e pelo papel social da educação superior (Brasil,
2006).
Neste capítulo exploraremos um pouco do perfil do
egresso do PET Penedo; como os tutores, os passados e o
atual, e os/as PETianos/as entendem a interdisciplinaridade
do grupo; os desafios e possibilidades da
interdisciplinaridade; e exemplos de atividades
desenvolvidas em que a interdisciplinaridade foi utilizada
151

para atuar na sociedade, para além dos muros da
Universidade.
11.2 Um breve perfil dos egressos
A construção da história do PET Penedo é baseada
nas conexões estabelecidas com a pluralidade de histórias,
culturas e identidades dos/as PETianos/as que compuseram
e compõe o grupo. Nesses 13 anos, o PET Penedo foi um
capítulo na história de 65 PETianos/as, sendo ainda um
espaço mútuo de formação e aprendizado. O perfil do
PETiano/a do PET Penedo apresenta em sua maioria
integrantes do sexo feminino, com 46 PETianas, e em
menor número para o sexo masculino, com 19 PETianos. A
distribuição por sexo está conforme o Censo da Educação
Superior (2010-2021), que indica maior ingresso de pessoas
do sexo feminino (56,32%) no Ensino Superior. A
distribuição de PETianos/as por curso demostra que 20
cursavam Engenharia de Pesca; 19, Turismo; 10, Ciências
Biológicas; e 8 Engenharia de Produção e Sistemas de
Informação. A predominância de PETianos/as nos cursos
de Engenharia de Pesca e Turismo é reflexo do início da
história do PET Penedo, por serem os pioneiros.
Em relação ao tempo médio de permanência,
considerando apenas os/as discentes inativos/as,
identificamos uma média de 2 anos e 3 meses, variando de
3 meses a 6 anos e 3 meses.
A partir de uma busca ativa dos egressos do grupo,
conseguimos estabelecer contato com 39 pessoas (60% do
total). Ao serem questionadas sobre sua raça/cor, 56,4%
informaram se considerar pardos, 20,5% brancos, 17,9%
pretos e 5,1% identificaram-se como amarelos. A
distribuição dos egressos do PET Penedo quanto à raça/cor
é similar àquela dos matriculados na Ufal entre 2013 e 2021
(Brasil, 2023), com 57,4% das pessoas autodeclaradas
pretas ou pardas, 28,4% brancas, 12,7% não quiseram se
identificar e 1,8% amarelos/indígenas.
Dos 39 egressos com os quais conseguimos contato,
29 já concluíram a graduação, enquanto os demais
continuam em formação ou abandonaram o curso. Dos que
concluíram, 21 atuam nas suas respectivas áreas de
formação.
11.3 A interdisciplinaridade e o PET C. S. Penedo
Segundo Pombo (2008), há ampla discussão
sobre o que seria a interdisciplinaridade, propondo que,
152

ultrapassada a dimensão do paralelismo de ideias advindas
de diferentes disciplinas e atingida a convergência, se
estaria então no terreno da interdisciplinaridade. A
diversidade de formações acadêmicas e a pluralidade de
ideias são vistas como ativos essenciais para a resolução
criativa de problemas e para soluções inovadoras, em um
caminho contrário à especialização histórica das ciências.
Apesar do modelo de especialização histórica das
ciências, a universidade deve defender perspectivas
transversais e interdisciplinares. Pois é da presença de
várias linguagens e disciplinas que pode resultar o próprio
progresso científico e social. Para o PET Penedo, essa
complementaridade advém das práticas e saberes dos/as
discentes dos diferentes cursos atendidos, encontrando
soluções a partir da construção coletiva da Engenharia de
Pesca, do Turismo, das Ciências Biológicas, da Engenharia
de Produção e Sistemas de Informação.
Por premissa, a interdisciplinaridade no PET
Penedo não deve se limitar ao contexto acadêmico dos
cursos que o compõem, mas permear o planejamento e a
execução de todas as suas atividades. Assim, a
interdisciplinaridade no grupo é sustentada por quatro
pilares. O primeiro corresponde ao incentivo à
comunicação e ao diálogo irrestritos, promovendo a
construção coletiva do conhecimento. A diversidade, é
valorizada enquanto o segundo pilar, pois as experiências
de vida são bagagem única de conhecimentos e habilidades,
fortalecendo a coesão do grupo e ampliando sua capacidade
de atuação. O terceiro pilar é o estímulo contínuo ao
aprendizado, considerando que este expande as
perspectivas e os horizontes intelectuais de cada PETiano/a
e do grupo. Por último, há o pilar do incentivo para o
trabalho cooperativo, integrando e aplicando as três
premissas anteriores, visando o comprometimento com o
sucesso do grupo.
11.4 A visão dos PETianos sobre a interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade pode ser vista sob diversas
perspectivas relacionadas à abordagem colaborativa na
construção comum do conhecimento. Na perspectiva
PETiana, a interdisciplinaridade é sentida como meio de
estabelecer uma ponte entre a diversidade de cursos,
criando o espaço fértil para conectar ideias. A natureza
variada dos/as integrantes do grupo, oriundos/as de distintas
áreas do conhecimento, contribui para que atinja
perspectivas inovadoras e soluções criativas para
153

problemas, sejam eles simples ou complexos, permitindo a
imersão em diferentes realidades dos cursos, enriquecendo
o repertório de experiências e visões dos/as PETianos/as.
Entretanto, a interdisciplinaridade não está isenta de
desafios. Embora o PET Penedo se apresente como um
grupo interdisciplinar, os/as PETianos/as identificam a
presença de um caminho de colaboração multidisciplinar
até este momento, e que ainda não logra o campo da
interdisciplinaridade. Além disso, há o reconhecimento de
que, em certos momentos, as peculiaridades de cada curso
são acentuadas devido a padrões comportamentais próprios,
tornando mais difícil a construção de uma identidade de
grupo sólida. A possibilidade de a interdisciplinaridade
gerar dificuldade para acesso ao PET Penedo é algumas
vezes observada, pois novos integrantes podem temer a
complexidade da interação entre as distintas áreas.
Nesse contexto, conscientes dos desafios e
buscando maximizar os benefícios da interdisciplinaridade,
adotamos medidas para atenuar as dificuldades
identificadas. A reconstrução da dinâmica organizacional
do grupo a partir da prática reflexiva, para enfraquecer o
individualismo dos cursos e promover a conexão de
saberes, é uma das estratégias utilizadas. A união dos/as
PETianos/as em prol de um objetivo comum também é
incentivada, visando criar maior senso de pertencimento ao
grupo e estimular a ampla cooperação, estando inseridos em
todas as áreas do conhecimento, não apenas na qual atua.
Tende-se a uma transformação no padrão de pensamento,
em que a interdisciplinaridade seria o agente catalisador
para a definição da identidade do grupo.
Ademais, os/as PETianos/as não enxergam na
interdisciplinaridade uma diluição de identidades, mas a sua
fusão em esforço conjunto, onde cada um mantém o que lhe
é próprio dentre as diferentes áreas de conhecimento,
entrelaçando-se em aprendizado, cooperação e criação.
Esse pensamento não fortalece apenas a nossa formação,
mas também enriquece a ação do grupo e reforça o
compromisso de contribuirmos de forma significativa com
a sociedade local, acadêmica e para além dos muros da
Universidade.
11.5 A visão dos tutores sobre a interdisciplinaridade no
PET
11.5.1 A visão do fundador: Alexandre Oliveira

154

O PET sempre esteve centrado na formação de
profissionais comprometidos com as necessidades da
sociedade. Esse comprometimento é promovido por meio
da participação ativa dos/as PETianos/as na elaboração e
execução de atividades extracurriculares relacionadas ao
ensino, à pesquisa e à extensão. A experiência da orientação
tutorial é disseminada entre os membros dos grupos PET,
resultando em um impacto positivo nos cursos de graduação
(Petrilli-Filho, Martins, 2001; Brasil, 2001).
O PET possui na sua essência a vontade de
transgredir as regras da normalidade, promovendo ações
que saem do cotidiano das atividades do Ensino Superior.
O PET Penedo surge com essa alma, de transgredir o
normal e avançar para a excelência das ações e dos saberes.
Tal atitude só pode ser alcançada não só através da
interdisciplinaridade, mas também da multidisciplinaridade
e principalmente da transdisciplinaridade. Essa mistura
bem dosada de diferentes perspectivas é única do PET
Penedo, sendo talvez o único grupo PET que possui cinco
cursos de graduação na base de construção de suas
atividades. O desafio de unir saberes e disciplinas tão
amplos tornou o PET Penedo o que ele é hoje: um grupo
diverso e mais do que multidisciplinar, um grupo
transdisciplinar que propõe atividades dos mais variados
conhecimentos, mas com assinatura própria, reconhecida
onde estiver. Isso foi fundamental para o fortalecimento do
PET Ufal, nacionalmente reconhecido por suas ações de
vanguarda.
Portanto, o PET Penedo desempenha um papel
fundamental no fomento do aprendizado ativo de seus
participantes, proporcionando oportunidades para que
vivenciem, reflitam e discutam em um ambiente informal e
cooperativo (Brasil, 2002). Esses processos incentivam a
integração entre os/as PETianos/as, promovendo o trabalho
interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar
(Cassiani; Ricci; Souza, 1998).
11.5.2 A visão do segundo tutor: Diógenes Meneses
Temos uma sociedade que exige que a universidade
capacite os acadêmicos para suprir suas necessidades com
especializações tradicionais ou progressistas. Porém, é
necessária uma formação desenvolvida em competências e
habilidades para os novos saberes que se produzem e
exigem um perfil profissional necessário para o momento
no qual a sociedade esteja inserida. E neste ponto focal o
PET tem o papel de desenvolver esse perfil necessário,
155

trabalhando para reverter os investimentos nele feitos em
benefício da instituição, fomentando mudanças e
participando da implementação de projetos que deem novos
rumos ao ensino superior, balizado pelas necessidades
atuais e futuras da sociedade. E isso, sem dúvidas, o PET
Penedo apresenta em sua essência.
Freire (1987) propõem que a interdisciplinaridade é
o processo metodológico de construção do conhecimento
pelo sujeito com base em sua relação com o contexto, com
a realidade e com a sua cultura, e o PET Penedo vem
desenvolvendo esse paradigma desde a sua origem.
Confessemos que parecia surreal construir um PET com
cinco cursos interagindo, que seria uma audácia do primeiro
tutor, Alexandre Oliveira — tutor por seis anos —, propor
tamanho desafio. Mas relato, como segundo tutor, que nos
meus seis anos desse exercício vivi as melhores
experiências, porque tivemos uma excelente produção de
ideias desafiadoras, que exigiam que todos/as
respondessem a seguinte provocação: como garantir que
cada um dos cinco grupos possa contribuir igualmente para
esse projeto? Lógico que trabalhávamos também com
projetos direcionados aos cursos em particular, os quais
eram liderados pelos/as três PETianos/as do curso em que
estivesse sendo aplicado o projeto, com o envolvimento de
todos/as. Interdisciplinaridade linda de ver, mas não
podemos deixar de registrar os desconfortos e desencontros
ocorridos até chegar na equalização.
11.5.3 A visão de um recém-tutor: Kim Barão
Ainda há muito debate sobre o que é e qual a
extensão da interdisciplinaridade. Parece haver um
consenso, entretanto, de que a interdisciplinaridade é mais
do que a soma das partes, ou seja, as diferentes vertentes do
conhecimento devem se complementar para a sua
construção. No PET Penedo, a multidisciplinaridade,
entretanto, é característica de sua fundação.
O PET Penedo é, possivelmente, um dos mais
multidisciplinares dentre os grupos PET da Ufal, por reunir
cursos das Ciências Agrárias, Engenharias, Biológicas,
Ciências Sociais e Tecnologia Da Informação. Um grupo
tão diverso requer vigilância constante para a promoção de
um trabalho interdisciplinar, o que é complexo.
Penso que o eixo norteador que permitiria a
interdisciplinaridade entre estes cursos, reunindo-os em
único PET, perpassaria, necessariamente, a articulação das
ciências com as questões sócio-políticas. Essa leitura, que
associa os diferentes saberes individuais e complementares,
156

sustentaria a organização e o funcionamento de um PET
interdisciplinar, ao realizar ações para uma sociedade mais
justa.
Acredito que o futuro do PET Penedo envolve o
constante repensar de seu papel dentro da U. E. Penedo, nas
comunidades Penedense e do Baixo São Francisco. Assim
como a sociedade muda, nós, PETianos/as, precisamos
estar atentos a essas mudanças para agir e atuar naquilo a
que nos propusemos: reconhecer a convergência nas
singularidades — dos sujeitos e das disciplinas — para o
fim comum de promover maior equidade na sociedade.
11.6
Um
projeto
longevo,
interdisciplinaridade e renovação

que

exigiu

O Cursinho Pré-Vestibular Comunitário é o projeto
de maior visibilidade, importância e longevidade do PET
Penedo. Foi criado e gerenciado pelo Programa Conexões
de Saberes da Pró-Reitoria de Extensão e, a partir de 2010,
na U. E. Penedo, foi incorporado às atividades do PET
Penedo e dissociado daquela pró-reitoria. Na sua estrutura
original, o Cursinho teria então a participação de
Conexistas — pessoas selecionadas na comunidade — e
PETianos/as como docentes das disciplinas ofertadas.
Paulatinamente, os/as docentes do Cursinho foram
substituídos/as por discentes vinculados ao PET Penedo.
O público-alvo do Cursinho permaneceu o mesmo:
alunos/as do Ensino Médio da rede pública que desejavam
ingressar no Ensino Superior. Nas primeiras edições foram
atendidos cerca de 120 alunos por ano, com aulas em até
três salas simultaneamente. A procura pelo Cursinho
demonstrava uma demanda represada na comunidade do
extremo sul alagoano, visto que Penedo e cidades limítrofes
não possuíam qualquer tipo de curso preparatório para o
Processo Seletivo Simplificado (PSS, modalidade de acesso
ao Ensino Superior adotado pelo MEC à época). Havia fila
de espera para os estudantes interessados.
A admissão era baseada no perfil socioeconômico
dos estudantes do Ensino Médio das redes públicas. O
Cursinho Pré-Vestibular Comunitário talvez tenha vivido,
em seus primeiros 6 anos, os melhores anos de
funcionamento. Inclusive, a alta demanda por esse tipo de
atividade motivou a criação de Cursinhos particulares na
cidade. O Cursinho do PET Penedo sempre teve posição de
destaque, pela qualidade do ensino, com docentes
PETianos/as em formação nas mais diversas áreas, e com
acesso gratuito a todas as suas vagas.
157

Nos anos seguintes, o interesse pelo Cursinho
diminuiu e passaram a sobrar vagas, acarretando a oferta de
35 vagas. A pandemia de Coronavirus Disease 2019
(Covid-19), entre 2020 e 2022, pressionou ainda mais o
Cursinho, de modo que precisamos reestruturar todas as
atividades. Sem precedentes, mudamos todas as aulas para
a modalidade remota, repensamos a forma de ensinar e
ampliamos o público-alvo para todo o estado de Alagoas e
Sergipe. Naquele momento, atendemos mais de 40
municípios dos dois estados. Ao mesmo tempo em que
ampliamos a nossa abrangência geográfica, percebemos o
distanciamento crescente entre estudantes e docentes, entre
práticas e saberes. O maior desafio desse período foi manter
a atenção dos discentes e relembrá-los constantemente que
a pandemia passaria, que poderiam voltar a sonhar alto,
como antes faziam.
Passada a pandemia, voltamos às atividades
presenciais. Lidaríamos então com um público diferente,
que aprendera a estudar durante a pandemia, utilizando
recursos digitais que promovem a sensação de recompensa
a baixo custo. Isso impôs desafios dentro da sala de aula e
a necessidade de se reinventar constantemente, para adaptar
o ensino às necessidades de uma juventude que, em sua
maioria, lê pouco.
Para tentar atender a essa nova demanda,
modificamos a estrutura do Cursinho. Diminuímos a
quantidade de aulas semanais, mas incorporamos encontros
temáticos interdisciplinares mensais com resoluções de
problemas e promovemos espaços com especialistas para
discussões sobre saúde mental e oportunidades
profissionais. Este novo formato, ainda em teste, tem
conseguido manter a atenção e participação da maioria dos
integrantes até o momento em que escrevemos este
capítulo.
A multidisciplinaridade característica do PET
Penedo foi de grande valia para essa atividade. A partir das
preferências dos/as PETianos/as pelas matérias ofertadas,
formou-se uma rede de colaborações que promoveram
convergências entre os/as participantes, como uma ampla
rede de suporte. Para além da prática docente, o Cursinho
proporciona espaço para o desenvolvimento de habilidades
de gestão de projetos de médio prazo, gestão emocional e
comunicação efetiva.
Consideramos o Cursinho um projeto de sucesso por
dois motivos principais. Primeiro porque se criou uma
forma de autogestão, protagonizada pelos/as PETianos/as,
que permitiu sua execução pelos últimos 13 anos, atingindo
158

o público-alvo pretendido. Segundo, porque diversos
egressos do Cursinho lograram aprovações nos Processos
Seletivos das IES. Muitos egressos do Cursinho, inclusive,
foram aprovados em Cursos de Graduação da U. E. Penedo,
selecionados para compor o PET Penedo e, por fim,
tornaram-se professores do Cursinho.
11.7 Desafios e possibilidades para o PET Penedo como
grupo interdisciplinar
A essência da interdisciplinaridade, que está na
convergência de diversas disciplinas para a resolução de
problemas complexos, enfrenta obstáculos práticos e
conceituais na Universidade, na sociedade e também no
PET Penedo. Exige-se atenção constante para superar as
barreiras que historicamente separam as disciplinas dos
cursos integrando o grupo, pois as diferenças nas
abordagens metodológicas, nas terminologias e nos
paradigmas de cada curso podem dificultar a construção
coletiva. Ademais, pode haver divergência quanto às
expectativas individuais sobre o que a interdisciplinaridade
deveria ser, exigindo o processo contínuo de releitura.
Outro desafio é a construção, pelos indivíduos, da
identidade PETiana: a necessidade de se permitir vivenciar
os saberes de outras disciplinas, de encontrar os pontos
convergentes e divergentes nas ideias e ações, e entender
que sair de suas zonas de conforto não significa perder sua
individualidade. Quando indivíduos não compreendem a
interdisciplinaridade no PET Penedo e, consequentemente,
sua
identidade,
acabam
entendendo
que
a
interdisciplinaridade estaria no cerne das dificuldades
enfrentadas pelo grupo. Nessa visão, a interdisciplinaridade
é o fator que dificulta a construção de uma linguagem
comum, levando a conflitos de opiniões e falta de clareza
na definição de papéis e responsabilidades.
Um terceiro desafio para o trabalho do PET Penedo
relaciona-se à infraestrutura da U. E. Penedo. Os cursos
ocupam prédios em diferentes localidades da cidade e os/as
estudantes PETianos/as precisam se deslocar entre eles para
participar das aulas e frequentar a sala do PET. A
necessidade de mobilidade ao longo do dia acarreta nos/as
PETianos/as não estarem em contato constante uns com os
outros e com o PET, o que traz consequências para a
construção da identidade e o sentimento de pertencimento
citados acima.
O PET Penedo só existe há 13 anos porque tem
enfrentado essas dificuldades, cotidianamente, através da
159

comunicação e do diálogo. A construção de uma visão
compartilhada e a promoção de um ambiente de respeito
mútuo são vitais para garantir que cada membro possa
contribuir plenamente, sem sentir que sua disciplina ou
perspectiva é menosprezada. A cada PETiano/a que sai do
grupo para seguir outros caminhos ou novo PETiano/a que
ingressa no grupo, o ciclo recomeça. São momentos de
ajustes, de novos aprendizados individuais e coletivos,
oportunidades de fortalecer a coesão do grupo, desenvolver
habilidades de colaboração e contribuir de maneira única
para a formação de seus membros e para a sociedade.
11.8 Considerações finais
A construção da interdisciplinaridade no PET
Penedo é fundamentada na comunicação e no diálogo
irrestritos, na valorização da diversidade, no estímulo ao
aprendizado contínuo e no incentivo ao trabalho
cooperativo. Tais premissas têm sido construídas desde a
fundação do PET Penedo, através de um ambiente propício
para o desenvolvimento de pessoas e de ideias, com
soluções inovadoras e criativas para questões complexas.
Reconhecemos que um longo caminho foi trilhado,
com diversos projetos executados na e para além-muros da
Universidade. A cada renovação do grupo temos a
oportunidade de revisitar nossas práticas, de nos
reinventarmos. Assim, ainda visualizamos longos caminhos
a trilhar, que convergem na diversidade de disciplinas e
pessoas, no trabalho interdisciplinar para uma sociedade
com maior equidade.
Referências
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira. Resumo técnico do Censo
da Educação Superior 2010 - 2021. Brasília, DF: Inep,
2023.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Portaria nº 343,
de 24 de abril de 2013. Altera dispositivos da Portaria
MEC no 976, de 27 de julho de 2010, que dispõe sobre o
Programa de Educação Tutorial - PET, 2013. Disponível
em: http://sigpet.mec.gov.br/docs/Portaria_343_2013.pdf.
Acesso em: 20 ago. 2023.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Manual de
Orientações Básicas do Programa de Educação Tutorial
160

(MOB-PET). Brasília: MEC, 2006. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&
view=download&alias=338-manualorientabasicas&category_slug=pet-programa-de-educacaotutorial&Itemid=30192. Acesso em: 20 ago. 2023.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Manual de
Orientações Básicas do Programa Especial de
Treinamento (MOB-PET). Brasília: MEC, 2002.
Disponível
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. Acesso em: 20 ago. 2023.
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Programa Especial de Treinamento - PET. Brasília:
MEC,
2001.
Disponível
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http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/pet01.pdf.
Acesso em: 20 ago. 2023.
CASSIANI, S. H. de B.; RICCI, W. Z.; SOUZA, C. R. de.
A experiência do programa especial de treinamento na
educação de estudantes de graduação em enfermagem.
Revista Latino-americana de Enfermagem, Ribeirão
Preto, v. 6, n. 1, p. 63-69, jan. 1998.
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PETRILLI-FILHO, J. F.; MARTINS, D. C. O programa
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Preto, n. 9, v. 4, p. 91-93, jul. 2001. Disponível em:
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20 ago. 2023.
POMBO, o. Epistemologia da interdisciplinaridade.
Ideação [S. l.], v. 10, n. 1, p. 9-40, 2010. Disponível em:
https://erevista.unioeste.br/index.php/ideacao/article/view/4141.
Acesso em: 20 ago. 2023.

161

CAPÍTULO 12
PET Química

162

12 A experiência transformadora do PET Química:
relatos de petianos sobre os impactos do programa na
vida pessoal, acadêmica e profissional
Anniele Sterfany Santos Leite
Edson José da Silva
Thaissa Lúcio Silva
Vinicius Del Colle
Wanessa Kelly Vieira de Almeida
Wilmo Ernesto Francisco Junior
12.1 Introdução
Na década de 1970, o “Programa Especial de
Treinamento” (PET) foi criado, mas apenas em 2004
recebeu sua identificação atual como o Programa de
Educação Tutorial. Essa mudança marcou uma expansão
significativa de seu escopo de atuação, permitindo avanços
no sentido de promover a democratização do ensino
superior nas universidades públicas brasileiras (Brasil,
2006).
A institucionalização do PET desempenhou papel
fundamental na consolidação de um sistema de aprendizado
tutorial voltado à diversidade e sempre guiado pelos
princípios fundamentais de ensino, pesquisa e extensão
(Müller, 2003). Como resultado, o programa assumiu a
responsabilidade de aprimorar a qualidade dos cursos de
graduação, o que, por sua vez, teve impacto positivo na
formação dos futuros profissionais que ingressariam no
mundo do trabalho (Sousa; Gomes Júnior, 2015).
O PET Química da Universidade Federal de
Alagoas (Ufal) - campus Arapiraca foi implantado em
novembro de 2010 e desde então vem desenvolvendo uma
grande quantidade de atividades, buscando aumentar cada
vez mais sua interação com a graduação, com a sociedade
científica e com as comunidades nas quais atua, além de
contribuir com uma formação de qualidade para os petianos
bolsistas e não-bolsistas do programa.
Nesse contexto, é crucial compreender o impacto do
PET Química na formação e trajetória profissional de seus
petianos atuais, petianos egressos, tutores atuais e tutores
egressos. Isso nos proporciona uma visão significativa de
como o PET Química influenciou e continua a influenciar a
vida de cada indivíduo que contribuiu para o programa,
participando ativamente de suas atividades e estabelecendo
conexões significativas. Portanto, por meio deste capítulo,
o PET Química resolve explorar as experiências passadas e
163

atuais de seus petianos, compartilhando suas histórias e
destacando como o programa tem desempenhado papel
fundamental em suas jornadas educacionais e profissionais.
12.2 Perspectivas e experiências dos petianos
Com base nas experiências e na participação ativa
no PET Química, alguns petianos apontam suas realizações
e perspectivas, tanto no contexto da universidade como
dentro do próprio programa.
Participar de um grupo como o PET Química
representa um desafio significativo, já que exige habilidade
notável na organização e gestão do tempo. Caso contrário,
as tarefas e responsabilidades podem rapidamente se
acumular, tornando-se um problema difícil de desfazer.
Portanto, a habilidade de gerir eficazmente o tempo na
universidade é fundamental para um bom desempenho
acadêmico, o que, por sua vez, é de importância crítica para
manter a participação ativa no PET.
Além disso, ressaltam que, sem a participação no
PET, a jornada acadêmica dentro da universidade pode se
restringir quase exclusivamente às aulas e palestras
tradicionais. Esse cenário pode, por vezes, desmotivar
muitos estudantes, levando-os até mesmo a abandonarem o
curso. Com o ingresso em um programa dentro da
universidade, como o PET, abre-se um mundo de
oportunidades e um ambiente propício para o
desenvolvimento de habilidades valiosas. Embora as
responsabilidades possam aumentar, a participação em
programas e projetos enriquece a experiência estudantil,
contribuindo para o crescimento pessoal e acadêmico
(Martin, 2005).
Os petianos também salientam a capacidade do
programa abrir novas portas e criar oportunidades
enriquecedoras. Isso inclui participação em eventos
acadêmicos locais, regionais e nacionais, bem como
envolvimento ativo em pesquisas. O PET Química, de fato,
expande horizontes e inspira aspirações maiores, criando
um ciclo virtuoso de metas e objetivos a serem perseguidos.
À medida que os petianos alcançam patamar elevado de
realização, novas ambições emergem, impulsionando-os
continuamente em direção ao sucesso acadêmico e pessoal.
Em entrevista com alguns petianos, eles deixam
claro que um dos objetivos na sua participação no programa
era obter suporte para alcançar uma formação de alta
qualidade, uma vez que o PET é conhecido por promover a
excelência acadêmica (Goellner, 2002). Contudo, ao
164

ingressarem no programa os participantes perceberam a
amplitude do mesmo e como ele pode auxiliá-los a lidar
com problemas pessoais, ajudando-os a superar barreiras
que, por vezes, os desanimam e os fazem regredir.
Mencionam o quão importante é a interação com as pessoas
que participam das atividades promovidas pelo PET
Química, diminuindo assim uma possível timidez,
influenciando a formação de ciclos de amizade e a
desenvoltura no âmbito acadêmico.
Em suma, é possível concluir que a participação no
Programa de Educação Tutorial proporciona uma série de
benefícios significativos. Primeiramente, o PET oferece
oportunidade valiosa para o desenvolvimento de
habilidades de socialização, pois os participantes interagem
regularmente com colegas de diferentes cursos e níveis
acadêmicos. Essa interação promove o entendimento
interdisciplinar e a capacidade de trabalhar eficazmente em
equipe, habilidades essenciais para a vida acadêmica e
profissional.
Além disso, o PET Química atua como ferramenta
valiosa para a organização pessoal e o gerenciamento do
tempo. Os projetos e as atividades do PET Química
geralmente requerem planejamento cuidadoso e
cumprimento de prazos, o que é fundamental para o sucesso
na graduação e na carreira.
Outro ponto a ser destacado é que o programa atua
como fonte de motivação e apoio para os participantes. O
desafio acadêmico muitas vezes pode parecer esmagador,
mas o envolvimento nas reuniões e atividades realizadas
pelo PET Química pode fornecer senso de propósito e
pertencimento, ajudando os estudantes a superarem
obstáculos e persistirem em seus estudos.
12.3 Impacto do PET Química na vida de petianos
egressos
A história do PET Química é repleta de conquistas
no campo do ensino, pesquisa e extensão, mas é nas
experiências dos petianos que fazem e fizeram parte do
programa que essa história ganha vida e significado. Tais
experiências não apenas enriqueceram suas jornadas
acadêmicas, mas também tiveram impacto profundo em
suas vidas pessoais e profissionais, moldando o curso de
suas carreiras de maneira significativa.
Nestes depoimentos exploraremos o impacto
duradouro do PET Química na vida de alguns de seus
egressos, destacando como o programa desempenhou papel
165

fundamental na construção de suas histórias de sucesso e
crescimento pessoal. Por meio de suas próprias palavras e
experiências compartilhadas, é visível como o PET
Química contribuiu não apenas para o desenvolvimento
acadêmico, mas também para o crescimento pessoal e
profissional dos petianos que, após uma incrível jornada
dentro do programa, continuaram a fazer a diferença em
suas áreas de atuação.
12.3.1 PET Química: transformando conhecimento em
ação e liderança
Durante minha trajetória acadêmica, tive a
oportunidade incrível de fazer parte do PET Química, uma
experiência que moldou significativamente minha jornada
na universidade e além.
Minha participação no PET começou durante o
primeiro semestre da Licenciatura em Química. Desde o
início, ficou claro que este programa não era apenas mais
um grupo de estudos, mas uma comunidade de aprendizado
engajada em transformar o conhecimento em ação. O PET
Química não apenas me proporcionou educação
complementar, mas também desenvolveu minhas
habilidades interpessoais de maneira única.
Além disso, o PET foi uma escola para o
desenvolvimento de habilidades de liderança. Durante
minha permanência como membro do grupo fui
coordenadora, secretária, redatora de ata... Essas posições
me desafiaram a tomar decisões importantes, coordenar
eventos e gerenciar recursos. Aprendi a liderar equipes,
delegar tarefas e tomar ações concretas para atingir nossos
objetivos. Também foi a partir do PET que descobri meu
amor pelo mundo da comunicação e do design ao ser
direcionada para administrar as redes sociais do grupo.
Em resumo, minha participação no PET Química foi
uma jornada transformadora que enriqueceu minha vida
acadêmica e me preparou para um futuro promissor na
academia. Com certeza, essas experiências me capacitaram
como uma mulher mais confiante e eficaz.
Fhysmélia Albuquerque
Egressa do PET Química (2019/2022).
12.3.2 Uma jornada de excelência acadêmica,
transformação pessoal e compromisso social

166

O PET Química foi imprescindível para minha
formação acadêmica e cidadã. No âmbito educacional, o
programa teve papel fundamental na minha excelência
acadêmica e no incentivo ao desenvolvimento de atividades
que auxiliaram a conquistar a mesma. Além disso, um dos
aspectos mais marcantes do programa é priorizar a
indissociabilidade da tríade universitária: ensino, pesquisa
e extensão. Através desse contexto — de desenvolver e
executar atividades com esse caráter — me senti preparada
não só pela universidade, mas também pelo PET Química
para seguir a carreira acadêmica. No campo pessoal, o
programa me proporcionou conhecer outros estados,
através de eventos em âmbito regionais e nacionais do
programa (Enepet e Enapet). Outro aspecto importante é
que me desenvolvi muito nas relações interpessoais, no
trabalho em equipe e no posicionamento de fala coerente
diante de um grupo — algo importante que aprendi com
meus colegas de trabalho durante o tempo que estive no
programa. Tudo isso são habilidades que aprendi e
aprimorei, principalmente junto ao PET Ufal. São
habilidades que levo e aplico diariamente em minha vida.
Driele Crispiniano
Egressa do PET Química (2028/2022).
12.3.3 PET Química: fonte de inspiração acadêmica e
pessoal
Minha trajetória no PET teve início no segundo
período da graduação e se estendeu até o término do curso,
o que se revelou fundamental para minha permanência na
universidade. No PET, fui integrada a um ambiente
composto por outros alunos igualmente dedicados e
entusiastas do conhecimento.
Minha participação no PET Química teve impacto
profundo em minha carreira dentro e fora da academia.
Além do crescimento acadêmico, desenvolvi habilidades de
liderança, trabalho em equipe e comunicação que me são
úteis em diversas áreas da vida. Ademais, o programa
reforçou minha paixão pelo meu campo de estudo e me
despertou o desejo de seguir adiante no meio acadêmico.
Minha experiência no Programa de Educação
Tutorial foi extremamente enriquecedora. O PET não
apenas aprimorou minha formação acadêmica, mas também
moldou minha perspectiva sobre o ensino, a pesquisa e a
extensão, e como estas estão interligadas. Participar do PET

167

me proporcionou crescer como estudante e como pessoa,
sou imensamente grata por ter tido esta oportunidade.
Midiane Correia
Egressa do PET Química (2018/2022).
Nesse contexto, o programa desempenha papel
crucial na integração entre a formação acadêmica e as
futuras práticas profissionais, permitindo que os estudantes
enfrentem diversas realidades e reflitam sobre os impactos
de suas ações. Isso, por sua vez, facilita a aquisição de
conhecimentos relacionados aos conceitos fundamentais,
habilidades práticas e atitudes necessárias para o exercício
de suas futuras profissões, abrangendo os aspectos
conceituais, procedimentais e atitudinais (Zabala, 1998). É
fundamental que os projetos desenvolvidos no programa
não sigam uma abordagem unidimensional de ensino, que
se baseie apenas na transmissão passiva de informações.
Através das atividades de ensino, pesquisa e
extensão, o programa proporcionou o desenvolvimento de
habilidades cruciais — incluindo a comunicação, o trabalho
em equipe, o relacionamento interpessoal e a criatividade,
que são de extrema importância para a formação de um
professor de Química. Essas habilidades são inerentes ao
processo de formação dos participantes do PET. Nesse
contexto, as reuniões e atividades coletivas desafiaram os
petianos a aprimorar suas habilidades de comunicação em
grupo e em público. Fazer-se ouvir e ter seus pontos de vista
considerados tornou-se uma competência essencial que é
apreciada dentro do PET Química. Além disso, o
desenvolvimento da capacidade de argumentação é
significativamente incentivado, uma vez que argumentos
bem fundamentados passaram a desempenhar um papel
importante nesse processo.
É válido ressaltar que o aspecto social e a ênfase na
coletividade representam dimensões essenciais no campo
da formação de professores. Embora a vivência durante o
curso de graduação não garanta automaticamente a
cooperação e solidariedade na atuação profissional, essas
qualidades, sem dúvida, fazem parte da formação dos
petianos. A dimensão social do trabalho docente é inerente
à natureza da profissão (Martins, 2020). As interações
sociais no PET Química são valiosas, pois as mesmas
promovem a troca de ideias, o compartilhamento de
experiências e o apoio mútuo. Cada membro contribui com
suas próprias vivências, perspectivas, com seus
conhecimentos,
suas
aspirações,
necessidades,
preocupações e limitações para enriquecer o coletivo.
168

A partir dos depoimentos é visível como o
programa contribuiu não apenas na formação profissional,
mas também na construção de cidadãos críticos e
conscientes com a realidade social. O que se deve à
experiência dos bolsistas em um programa que preza pela
proximidade com a comunidade, discussão e contribuição
para com os mesmos.
12.4 Experiências e reflexões dos tutores egressos e da
tutora atual do PET Química
A trajetória do PET Química é uma história de
persistência, crescimento e transformação. Este programa,
ao longo dos anos, não apenas impactou a vida de seus
participantes, mas também testemunhou o desenvolvimento
de gerações de estudantes. Nesse contexto, os tutores
egressos e a atual tutora desempenham um papel essencial.
Eles não apenas contribuíram para a construção dessa
história, mas também assistiram ao programa crescer e
prosperar, deixando sua marca indelével.
Os tutores egressos compartilham suas experiências
desde a implantação do grupo PET Química na instituição,
revelando os desafios e as conquistas ao longo do tempo.
Eles testemunham a jornada dos petianos, à medida que
avançam em suas carreiras acadêmicas e profissionais,
ingressando em programas de pós-graduação e
conquistando posições no mercado de trabalho. Além disso,
os tutores egressos oferecem valiosas perspectivas sobre a
interligação entre ensino, pesquisa e extensão, destacando a
importância
da
abordagem
holística
para
o
desenvolvimento dos estudantes.
A Profa. Dra. Thaissa Lúcio Silva, atual tutora do
PET Química, representa a continuidade deste programa e
seu compromisso com a formação de qualidade. Ela
compartilha a própria jornada, desde sua época como
petiana discente até seu papel como tutora. Sua experiência
destaca como o PET tem influenciado positivamente sua
carreira acadêmica e profissional, demonstrando o impacto
duradouro do programa.
12.4.1 A implantação e evolução do PET Química na Ufal
Arapiraca: desafios, conquistas e o legado de uma década
de transformação
A implantação do PET Química na Ufal Arapiraca
se deu com a abertura do Edital n. 9 de 2010 Lote A: até 40
(quarenta) novos grupos destinados aos campi fora de sede
169

das Universidades Federais, criados no âmbito dos
programas de expansão da rede de Instituições Federais de
Ensino Superior (Ifes), independente do número total de
grupos existentes na Instituição. A princípio, houve uma
seleção interna na Ufal Arapiraca, onde a proposta da
Química foi selecionada para representar o campus.
Assim que o resultado foi liberado, a nossa proposta
ficou fora dos grupos aprovados. Como perdemos pontos
em quesitos relacionados à infraestrutura, recorremos e
conseguimos a aprovação dentre os números de vagas a
mais que o Ministério da Educação (MEC) aprovou, de
forma que foi um processo muito concorrido.
O que motivou a submissão do projeto do grupo
PET foi minha experiência enquanto aluno de graduação
que acompanhava os trabalhos do PET no âmbito de ensino,
extensão e pesquisa. Era evidente que o PET trabalhava
para uma formação de qualidade dos alunos do curso e
participava ativamente de atividades que contribuíam para
a disseminação da ciência na sociedade local. Outro fator
que me motivou bastante foi o fato de que um grupo PET
no campus Arapiraca contribuiria massivamente para
oportunizar novas experiências aos discentes do curso de
Química.
As dificuldades foram grandes, uma vez que não
tínhamos infraestrutura (sala, computadores, mobiliários e
etc.). Entretanto, pouco a pouco fomos buscando melhorias
e avanços nessa questão até conseguirmos um espaço
minimamente condizente com a importância do PET. Outro
desafio evidente era manter os alunos no grupo, pois em
caso de reprovações os alunos perderiam o vínculo com o
programa. Felizmente, priorizamos a excelência nesse
ponto, envidando esforços para que os alunos sempre
superassem as dificuldades com as disciplinas, fazendo com
que a evasão fosse mínima. Desta forma, vemos que o PET
criou uma identidade no curso, um grupo sólido, crítico,
participativo e que trabalha pelo bem comum deste, da
comunidade acadêmica e da sociedade local. Esse processo
foi árduo, pois lidar com as diferenças traz muitos desafios,
mas acredito que o respeito sempre foi peça fundamental
para as conquistas alcançadas pelo grupo. Isso refletiu
mudanças de postura, tanto da minha parte, como tutor,
quanto da parte dos petianos, de forma que sempre
buscávamos ouvir as opiniões de todos e chegar num ponto
de convergência para atingirmos qualidade em nossas
atividades.
Depois de mais de uma década de PET Química,
percebo que todo meu trabalho e daqueles que
170

prosseguiram na liderança do grupo contribuíram para o
fortalecimento do mesmo. Também percebo que nada foi
em vão e hoje colhemos frutos preciosos de várias safras.
Como é satisfatório ver que nossos alunos estão bemposicionados no mercado de trabalho, muitos concursados
em Instituições Federais, inclusive a tutora atual (Profa.
Dra. Thaissa Lúcio), outros com seus trabalhos na rede
privada. Portanto, independentemente de onde estejam, o
mais importante é saber que um ex-petiano adquiriu as
principais ferramentas para alcançar seus alvos: o espírito
crítico, o trabalho coletivo, o respeito, a responsabilidade e
a vontade de que tudo aconteça ou se transforme conforme
o planejado.
Prof. Dr. Vinicius Del Colle
Tutor egresso do PET Química (2010/2017).
12.4.2 A indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão
presente no PET
Os principais interesses para participar do PET
sempre estiveram relacionados ao processo formativo, tanto
dos estudantes como dos professores (pessoal) e do públicoalvo das atividades. Sempre tive uma relação muito forte
com a extensão, desde a graduação, em que participei do
PET, cursinho universitário, representação estudantil,
dentre outras atividades. Na época, estava saindo de um
longo período de coordenação do Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), como todo ciclo,
estava com interesses novos. Também gostaria de discutir
uma visão de extensão mais orgânica, que é muito
fragmentada ainda. A própria compreensão de extensão que
se tem no PET Ufal é, a meu ver, equivocada. Os grupos
organizam atividades como se houvesse uma separação: a
atividade X é ensino, a Y é pesquisa e Z é extensão. O
princípio da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão
não é isso. É que uma atividade pode funcionar
contemplando essas três dimensões, ao tempo que valoriza
a integração social e a formação universitária. Conseguimos
um pouco isso, mas vejo ainda muita ingenuidade em como
a extensão é pensada. Creio que essa foi justamente uma das
principais dificuldades. Para se estruturar e executar
atividades com essa compreensão de extensão é premente o
estudo, um tempo de amadurecimento de ideias, bem como
um melhor apoio estrutural da universidade. Paralelamente,
um excesso de zelo por documentos, relatórios e reuniões
que tomavam e ainda devem tomar muito tempo. Vale ainda
171

pontuar que minha atuação como tutor ainda compreendeu
o período pandêmico, sem dúvida uma dificuldade
adicional para se repensar tudo. Um dos aspectos que
impactou foi para um olhar mais sensível sobre as
dificuldades estudantis, não que antes não o tivesse, mas
questões como a saúde mental, as condições objetivas
sociais do curso, as dificuldades acadêmicas. Atualmente
tenho maior preocupação em relação a isso. Imagino que o
PET, assim como outros programas institucionais de
formação universitária, tem muito a continuar agregando no
que diz respeito ao posicionamento social e político. O
senso de coletividade é fundamental e espero que seja
fortalecido dentro do programa, pois os desafios de nosso
tempo são problemas que precisam de organização social e
política. Sempre acreditei na educação, por isso sou
professor, acompanhar os estudantes se desenvolvendo e
alcançando seus anseios é o motor que faz mover e
continuar se empenhando nesse processo de formação. Se
não fosse isso, não haveria razão de ser em nosso trabalho
docente. Cada um que logra seu passo adiante me faz
rememorar minha própria trajetória.
Prof. Dr. Wilmo Ernesto Francisco Junior
Tutor egresso do PET Química (2017/2021).
12.4.3 “Uma vez petiana, sempre petiana”
Sou Thaissa Lúcio Silva, natural de Arapiraca - AL,
licenciada em Química pela Ufal – campus Arapiraca,
Mestre e Doutora em Ciências/Química Orgânica pelo
Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia
da Ufal.
Professora, por vocação, iniciei minha trajetória
docente aos 18 anos, ainda durante a graduação, em escolas
particulares. Mais tarde (2014-2017), passei a atuar como
professora efetiva da Secretaria de Educação do Estado de
Alagoas, ministrando a componente curricular Química
para estudantes do ensino médio e Educação de Jovens e
Adultos (EJA). Fui professora substituta no curso de
Licenciatura em Química da Ufal - campus Arapiraca e, aos
28 anos, tornei-me professora efetiva na minha cidade natal,
do mesmo curso e instituição que cursei a graduação.
Durante esses quase 6 anos como professora
universitária, tenho buscado articular com excelência ações
relacionadas às atividades de ensino, pesquisa e extensão
pilares da docência no ensino superior, no sentido de
contribuir de forma eficiente e responsável tanto para a
172

formação dos estudantes de Química Licenciatura, como
para ampliar a qualidade, o reconhecimento e a relevância
do curso institucionalmente e, principalmente, para a
sociedade.
Mas, afinal, qual a relação do PET, especialmente
do PET Química da Ufal, com a minha carreira acadêmica?
Em síntese, tenho a alegria de usar verbos no
presente e no passado para descrever nessas poucas linhas
a contribuição e relevância desse renomado programa para
minha formação diária como pessoa e profissional: fui
petiana discente (2010-2012) e hoje (2021 – até o momento)
sou petiana tutora. Um privilégio para poucos, reconheço!
Tive a honra de fazer parte da primeira composição
do grupo PET Química do campus Arapiraca, em dezembro
de 2010, e participar diretamente das ações que nortearam
sua implantação. Rememorando minha trajetória, posso
afirmar que boa parte dos êxitos que galguei até hoje na
minha carreira acadêmica deve-se à participação ativa,
coletiva e interdisciplinar no PET. Se me fosse dada a
oportunidade de pontuar as atividades que vivenciei no PET
e suas contribuições para o meu eu de hoje, sem dúvidas,
teria uma lista de motivos para continuar acreditando no
poder transformador proporcionado por esse programa. Em
2012 conclui a graduação, fui aprovada em três seleções de
mestrado e vi um grupo PET vibrar com as minhas
conquistas. Parecia o fechamento de um ciclo com o
programa, mas era apenas um tempo de afastamento
necessário para aperfeiçoar as aprendizagens e, com
sementes plantadas, aguardar os frutos para retornar ao
grupo.
Assim, em 18 de novembro de 2021, já professora
universitária numa época desafiadora de transição entre o
ensino remoto e o híbrido, em virtude da pandemia da
Covid-19, preparando-nos para um possível retorno das
atividades acadêmicas no formato presencial, tive a honra
de ser agraciada com a tutoria do PET - Química da Ufal.
Acredito que o papel do tutor se relaciona com o de líder,
aquele que caminha junto, orienta, acompanha, observa e
aconselha. Em meio às incertezas e com muita vontade de
contribuir, era o momento de, com a essência da experiência
outrora conquistada como petiana discente, exercer a
tutoria, zelando pelo princípio da horizontalidade e pelo
padrão de qualidade e excelência próprios dos grupos PET.
Nesses quase 2 anos como tutora do PET, tenho
experimentado a partilha e a construção do conhecimento
em um grupo harmônico e atuante. Posso contar minha
história com PET e sinto que, direta ou indiretamente, sou
173

inspiração para muitos que, assim como eu, decidiram
mergulhar nas águas profundas que o poder transformador
da educação pode proporcionar. Vejo olhos brilharem ao
conquistarem uma vaga para se tornar petiano(a) e ouço
depoimentos emocionantes de egressos que enxergam a
potencialidade do programa para sua formação,
especialmente para o “ser professor”, visto que estamos em
um curso de licenciatura. Com os que estão no grupo
atualmente, posso dizer que tenho a missão de acolher;
orientar; zelar pelo bom êxito acadêmico dos(as)
petianos(as) e, principalmente, estimular a aprendizagem
significativa por meio de experiências, vivências, reflexões,
discussões, planejamentos e ações. Sim! Parafraseando o
ditado popular: “nem tudo são flores”. E, sim! Todos os dias
subimos montanhas, encontramos obstáculos e problemas,
mas não desanimados e lá estamos para buscar soluções,
reanimar e continuar seguindo o caminho.
Profa. Thaissa Lúcio Silva
Petiana egressa (2010-2012) e tutora (2021 – até o
momento).
As experiências e reflexões dos tutores egressos e da
atual tutora do PET Química ressaltam a trajetória notável
desse programa. Ao longo de mais de uma década de
existência, o PET Química enfrentou desafios
significativos, como a falta de infraestrutura e a dificuldade
de manter os estudantes no PET, mas essas dificuldades
foram superadas graças ao compromisso, à perseverança e
à dedicação de seus membros.
A continuidade do PET Química sob a liderança da
atual tutora, que é petiana egressa, destaca o compromisso
contínuo do programa com a excelência e a qualidade na
formação dos estudantes. Sua jornada de petiana discente à
tutora exemplifica como o PET pode impactar
duradouramente a carreira acadêmica e profissional de seus
participantes.
O PET Química é um testemunho da importância do
trabalho coletivo, do respeito mútuo e do compromisso com
a educação de qualidade. Sua história é uma inspiração para
estudantes, educadores e todos aqueles que acreditam no
poder transformador da educação e no papel fundamental
que programas como o PET desempenham na promoção de
estudantes mais conscientes e engajados com a
universidade e a comunidade externa.
Referências
174

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação
Superior. Programa de Educação Tutorial – PET,
Manual de orientações básicas. Brasília: MEC, 2006.
MARTINS, I. L. Programa de Educação Tutorial – PET:
contribuições para a formação pessoal e social. Revista
Eletrônica do Programa de Educação Tutorial-Três
Lagoas/MS, Três Lagoas, v. 2, n. 2, p. 307-313, 2020.
MARTIN, M. G. M. B. O Programa de Educação
Tutorial - PET: formação ampla na graduação. 2005.
Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade
Federal do Paraná, Curitiba, 2005.
MÜLLER, A. Qualidade no Ensino Superior: a luta em
defesa do programa especial de treinamento. Rio de
Janeiro: Garamond, 2003.
GOELLNER, S. V. O Programa de Educação Tutorial
(PET) da ESEF - UFRGS e a formação do profissional em
educação física. UNESC, 2002.
SOUSA, R. M.; GOMES JÚNIOR, S. R. Programa de
Educação Tutorial: Avanços na formação em física no Rio
Grande do Norte. Rev. Bras. Ensino Fis, v 37, n.1, 2015.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto
Alegre: Artmed, 1998.

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