Relatório final da IV Expedição Científica do Baixo São Francisco
Ano: 2021
RELATORIOS PARCIAIS da 4 EXPEDIÇÃO CIENTIFICA 2021 .pdf
Documento PDF (14.2MB)
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RELATÓRIOS PARCIAIS E RESUMOS DAS
ATIVIDADES DE PESQUISAS REALIZADAS DURANTE
A 4ª EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA DO BSF – 2021
Organizadores:
EMERSON CARLOS SOARES
JOSÉ VIEIRA SILVA
THEMIS DE JESUS DA SILVA
Maceió - AL
Dezembro/ 2021
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Realização
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RELEASE - ATIVIDADES DE PESQUISAS REALIZADAS
DURANTE A IV EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA DO BSF – 2021
Organizadores:
EMERSON CARLOS SOARES
JOSÉ VIEIRA SILVA
THEMIS JESUS SILVA
APRESENTAÇÃO
A IV edição da Expedição Científica do Baixo São Francisco, realizada no período
de 31 de outubro a 10 de novembro de 2021, exibe um release das atividades
desenvolvidas pelos pesquisadores presentes em campo. Eis alguns indicativos
preliminares dos achados e sugestões para minorar, suplantar, atenuar ou sobrepujar os
problemas encontrados durante esta jornada científica pela parte baixa do Velho Chico,
de Piranhas até a Foz.
Aos gestores municipais que estiveram presentes e participaram de forma efetiva
da linha de frente e que abraçaram a causa, nossa gratidão por fazerem e colaborarem
como parte interessada para a resolução dos problemas encontrados no Velho Chico.
Problemas estes, e de toda magnitude, que impactam de forma negativa e diretamente as
gestões dos recursos municipais e afeta toda sua população ribeirinha. O alcance dos
problemas também atinge aqueles que estão inseridos em toda bacia hidrográfica e que
dependem dos serviços ambientais prestados pelo Rio da Integração Nacional.
Como equipe de pesquisadores, voluntários e comprometidos com a causa
ambiental e com o Velho Chico e sua população ribeirinha, esperamos que os demais
gestores municipais que demonstraram pouco interesse ou mesmo não participaram de
forma efetiva das discussões, reuniões e atividades realizadas no âmbito da IV Expedição
Científica, possam repensar e refletir sobre seus posicionamentos e escolhas em não fazer
parte das soluções e sim, em continuar como parte integrante dos problemas que
acometem e afligem o Velho Chico e sua população ribeirinha.
Sempre haverá espaço para o novo, para a mudança de paradigmas e para a
profissionalização das gestões públicas que se voltem e se comprometam com seu povo
e suas comunidades. Acreditar, persistir e trabalhar por dias melhores só é possível para
quem está disposto e comprometido a encarar e a vencer os desafios impostos pela a vida
e as circunstâncias da caminhada.
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PARTE 1 – Resumos
Os resumos apresentados seguem uma sequência por áreas de conhecimento das
atividades desenvolvidas, conforme se segue: estudos sobre peixes; qualidade do
ambiente físico aquático; eixo de saúde humana; comunidades e saberes;
geoprocessamento e matas ciliares e saneamento e educação ambiental.
ATIVIDADES DE PESCA
Vanildo Souza de Oliveira (DEPAQ/UFRPE)
Entre os dias 01 a 10 de novembro foram realizadas atividades de pesca,
empregando redes de emalhar utilizadas pelos pescadores com 30, 40 e 50 mm de
comprimento de malhas com fios de 20, 25 e 30 mm de diâmetro. Além de entrevistas
sobre a atividade com pescadores, principalmente, sobre a influência da variação do
volume do rio sobre as espécies de peixes. Todos ressaltaram que a variação do volume
é prejudicial, para as espécies, quando o rio sobe, os peixes reproduzem e os alevinos
procuram as margens, no entanto, com a secagem rápida (redução de vazão), muitos ficam
presos nas poças e morrem.
Quanto à atividade pesqueira foi observada a predominância de três espécies:
pirambeba, pacu e piaus, que representaram 73% da captura total. A pirambeba e o pacu
(peixes de terceira) não têm valor comercial e representam 46% da produção. Os piaus
são compostos por: piau preto e piau branco que representam 27% da produção total.
Quanto às espécies de maior valor econômico, destacam-se a xira (curimatã) e o tucunaré
(peixes de terceira) que representam apenas 9,23%.
Uma atividade, em que se aproveita para o mercado, apenas os 27% (piaus) e
9,23% de peixes de primeira, precisa ser repensada para a melhoria da renda do pescador
artesanal. Como as condições atuais não permitem a reprodução natural de espécies
nativas como a xira (curimatã), a forma mais objetiva e eficiente é o repovoamento.
Apesar de não se ter um monitoramento das espécies que são liberadas no rio, o
monitoramento mais eficiente é quando um pescador captura uma xira, aumentando assim
sua renda na atividade.
- Dessa forma, faz-se necessária que órgãos como CODEVASF, crie um
Programa Permanente de Peixamento de espécies nativas de valor comercial PROPERPE.
- Que seja criado o Consorcio de Prefeituras do são Francisco CONPRESF, com
o objetivo de formar uma rede de extensionista de pesca e agrícola, para dar suporte
técnico às populações de pescadores e agricultores, complementando as ações
municipais, da EMATER e da CODEVASF.
REPRODUÇÃO DE PEIXES
Jucilene Cavali (UNIR), Alfredo Borie-Mojica (UFAL/Penedo) e Emerson Carlos
Soares (UFAL)
A Ultrassonografia permite avaliação in vivo dos aspectos reprodutivos e a tomada
de decisão cientifica em soltura ou amostragem para abate do pescado capturado
possibilitando a sexagem e proporção de machos e fêmeas; o estágio de desenvolvimento
gonadal e a definição da época de desova em relação à pluviosidade e à época de defeso
(defeso de 1º de novembro a 28 de fevereiro). Foram chipadas e devolvidas ao ambiente
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próximo as áreas de captura 16 espécimes em estagio avançado reprodutivo pelo maior
volume gonadal.
Foram sexados 133 espécies sendo que pacu e piranha apresentaram proporção
de fêmeas 2 vezes superior à de machos; e a pirambeba 2,3x mais machos. Quanto ao
estádio reprodutivo, com gônadas passíveis de mensuração via ultrassom e pesagem
(>1g), foi avaliado o Índice Gonadossomático - IGS de fêmeas de 13 diferentes espécies,
destes 92% das 77 fêmeas estavam ovadas e 67% destas em fase inicial ou madura
(estágios 2 e 3).
O município de Piranhas apresentou maior diversidade de espécies ovadas, mais
pesadas e em estágio gonadal avançado; Os maiores IGS nas espécies foram observados
neste trecho. Supõe-se que, a qualidade da agua, o ambiente de rochas com esconderijos
e a profundidade (30 a 80 m de profundidade) favoreça a reprodução e definam Piranhas
como um estuário reprodutivo. As espécies pacu, bagre e tucunaré, por sua vez,
apresentaram-se em maior frequência e prolíferas nos municípios de Penedo a Piaçabuçu.
Considerando o grande número de espécimes de pacu coletados, validou-se as
características de dimorfismo sexual (tamanho e comprimento de nadadeiras, peso e
coloração do peixe) desta espécie para o Rio São Francisco. Os valores dos IGS variaram
de 0,50 a 21,4 para fêmeas, coincidindo sua desova com o período do defeso; 59% das 35
fêmeas Pacu estavam em estágio avançado de maturação gonadal (estádio 3). Os estágios
gonadais também foram descritos para a espécie tucunaré.
Pode-se ressaltar que três fatores contribuíram para maior diversidade e
quantidade de peixes nestes 1 a 1,5 anos; a vazão mais elevada por mais de 30 dias no
ano anterior que proporcionou maior estimulo reprodutivo às espécies; as ações de
peixamento e a redução da pesca na pandemia, quando foi reduzida a comercialização
de pescado.
Faz-se necessário o monitoramento reprodutivo bimestral durante o ano e ao final
do defeso, para validação dos aspectos reprodutivos avaliados e garantia de desova, não
somente ao estimulo reprodutivo, ainda em condições ambientais adequadas para
garantia de maior disponibilidade de alevinos no Rio São Francisco.
A colorimetria foi avaliada em carne e gônodas dos peixes. A dieta, idade e
atividade física, além da própria espécie determinam a coloração de carnes pela deposição
de pigmentos no tecido lipídico. Observa-se que na fase reprodutiva os lipídios são
mobilizados para as gônadas na produção de ovócitos levando consigo a coloração mais
característica e acentuada das ovas de cada espécie; O método nos auxilia a validar estagio
1 e 5 (imaturo e desovado) confundidos na US.
ATIVIDADE ANTIOXIDANTE EM PEIXES
Maraísa Bezerra de Jesus Feitosa, Emilly Valentim de Souza, Vivian Costa
Vasconcelos (LAQUA / UFAL)
Durante a respiração e outros processos fisiológicos parte do oxigênio se torna
reativo e adquire a capacidade de sequestrar elétrons de outras moléculas e estruturas
celulares. Quando o organismo perde a capacidade de equilibrar esses processos surge o
estresse oxidativo. No ambiente aquático, essas reações oxidativas ocorrem tanto no
oxigênio dissolvido na água quanto nas células dos organismos, sendo potencializado na
presença de contaminantes. O estresse oxidativo pode promover diversas mudanças que
impactam na saúde do animal, desde infecções até a sua morte. Para investigar este
impacto, na expedição, os peixes foram coletados, pesados, mensurados e seus tecidos
retirados (brânquias, fígado e músculo), congelados em nitrogênio líquido e depois
encaminhados para a análise de enzimas antioxidantes em laboratório (superóxido
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dismutase, catalase, glutationa s-transferase). A peroxidação lipídica também será
avaliada como uma forma de identificar o dano tecidual quando os processos anteriores
forem ineficientes. Em laboratório, os tecidos serão pesados e homogeneizados em
tampão (10x). O extrato será centrifugado e o sobrenadante utilizado pra análises
bioquímicas através do espectrofotômetro. Os resultados serão correlacionados com a
presença de contaminantes e dos parâmetros físico-químicos identificados na água.
A poluição dos ecossistemas aquáticos é um problema crescente e grave, apesar
dos indicadores de qualidade estabelecidos pelo CONAMA, não existe nenhum indicador
eficiente para correlacionar o sinergismo dessas substâncias nos seres para o
monitoramento e proteção da vida aquática.
Os dados aqui gerados oferecem um direcionamento nesta questão, ajudando as
entidades na promoção de novas políticas públicas de proteção ambiental.
GENOTOXICIDADE EM PEIXES
Themis Jesus Silva, Emilly Valentim de Souza, Vivian Costa Vasconcelos (LAQUA
/ UFAL)
Os danos no material genético (DNA) podem ser observados utilizando o teste do
micronúcleo (biomarcador genético) que quantifica as anormalidades nucleares.
Durante a IV Expedição foram realizados esfregaços sanguíneos de algumas
espécies de peixes, entre elas a pirambeba e o pacu. As lâminas serão analisadas e será
quantificada a frequência das principais anormalidades nucleares eritrocitárias
(micronúcleo, lobed, blebbed, notched e célula binucleada), a presença de tais
anormalidades pode ser indicativo de um ambiente aquático com contaminantes com
poder genotóxico. Assim, é de extrema importância o tratamento de efluentes das cidades
bem como o controle dos agroquímicos usados em plantações nas proximidades do Rio
São Francisco.
AVALIAÇÃO DA ICTIOFAUNA E EFEITO DOS CONTAMINANTES E
POLUENTES DO BSF
Emerson Carlos Soares (UFAL)
Em relação aos estudos específicos sobre avaliação da ictiofauna, nosso laboratório
– LAQUA (Laboratório de Aquicultura e Análise de Águas), é responsável pelas análises
de qualidade de água na região marginal aos municípios observando aspectos como:
parâmetros físico-químicos, microbiológicos e presença de agroquímicos na água em
cooperação com outros laboratórios. Atuamos na investigação dos efeitos dos poluentes
e qualidade do ambiente aquático sobre os peixes, avaliando efeitos genotóxicos, enzimas
estressoras, estudos histopatológicos, ou seja, como os problemas do ambiente e da
redução das vazões proporcionados pelas hidroelétricas, podem interferir na reprodução
e no desempenho dos peixes.
Também somos responsáveis pela análise das espécies de peixes, quantificando e
identificando a diversidade destes organismos no baixo São Francisco. Estes dados são
importantes para averiguar a qualidade do rio, ambientes mais impactados, espécies mais
vulneráveis e locais de importância para proteção dos estoques pesqueiros.
Através destes dados podemos ajudar nas políticas públicas e tomadas de decisão
de instituição como IBAMA, ICMBIO, MMA, fóruns de discussão como CEMADEN, PAN
São Francisco, etc, e na confecção de portarias e ações para beneficiar pescadores e a
população ribeirinha e conservar espécies nativas da bacia.
HISTOPATOLOGIA EM PEIXES
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Priscylla Costa Dantas, Lucas de Oliveira Arruda, Lívia Almeida de Souza
(LAQUA/UFAL)
A histopatologia é uma ferramenta diagnóstica chave para identificação de
alterações celulares nos órgãos, sendo utilizada no prognóstico de doenças em humanos
e animais. Essa ciência possui potencial para determinar o efeito das intoxicações em
peixes através da avaliação de lesões em órgãos alvo de contaminantes como o fígado e
as brânquias.
Durante da Expedição Científica, as análises são realizadas por meio da retirada
de fragmentos de tecido do fígado e das brânquias dos peixes logo após sua captura. As
amostras são acondicionadas em tubos com formol e após 24h colocado em álcool 70%,
onde permanecem até o processamento no laboratório.
Através do diagnóstico histopatológico de alterações e inflamações celulares é
possível observar o efeito da exposição dos peixes aos contaminantes presentes na água,
e dessa forma caracterizar o nível de sanidade desses animais.
AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE METAIS EM PEIXES DO BAIXO RIO SÃO
FRANCISCO
Carlos A. da Silva, Hortência L. P. de Santana e Marcus Soares Cruz (EMBRAPA
e UFS)
Os peixes constituem excelente fonte de proteínas, minerais, vitaminas e ácidos
graxos w3 e w6 para a população ribeirinha do BSF contribuindo na redução de níveis de
colesterol, diminuição da incidência de doenças cardiovasculares, efeitos benéficos no
sistema imunológico e no desenvolvimento neurológico em crianças. Entretanto, ao longo
dos anos altas concentrações de arsênio, mercúrio, chumbo e cádmio são despejados no
meio aquático através de efluentes urbanos e agroindustriais podendo prejudicar a saúde
humana por meio do consumo de pescado contaminado devido à bioacumulação na cadeia
alimentar aquática.
As amostras da carne dos peixes para análises foram coletadas a bordo em 111
exemplares de 13 diferentes espécies, capturadas desde Piranhas até Piaçabuçu. Os
tratamentos das amostras constituídos de liofilização, trituração e digestão ácida serão
realizados na Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE). A quantificação dos níveis de metais
será realizada na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e o teor de Mercúrio na
CODEVASF-5ª SR.
Os níveis detectados nos peixes serão comparados com os Limites Máximos
Toleráveis normatizados pela ANVISA e será feita avaliação de potencial risco à saúde
humana associado ao consumo de pescado.
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE PESCADOS COMERCIALIZADOS EM
FEIRAS LIVRES DO BSF
Juliett de Fatima Xavier, Ana Paula Portela (UFAL)
O presente estudo objetivou pesquisar bactérias Escherichia coli, Coliformes
termotolerantes e Staphylococcus aureus, além de bolores em pescados comercializados
em feiras livres/mercado público de oito Municípios do Baixo São Francisco, durante a
IV Expedição do São Francisco. Bactérias são consideradas índices de sanidade e sua
presença pode indicar que as condições de conservação da matéria-prima estão
impróprias, representando condições higiênico-sanitárias inadequadas. Micotoxinas
podem estar bioacumuladas no pescado e causar efeitos diretos no animal e indiretos, no
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consumidor. Desta forma, foram coletadas amostras de peixes e camarões
comercializados em: Piranhas, Pão de Açúcar, São Brás, Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu,
em Alagoas e Propriá (SE), e o município de Traipu (AL), que foi visitado no dia
13/11/21. As amostras foram transportadas em caixas isotérmicas com gelo para o
Laboratório de Tecnologia do Pescado e estão sendo analisadas.
Os resultados ainda estão sendo processados e serão comparados com as
condições higiênico-sanitárias dos estabelecimentos comerciais e espera-se que a
quantidade de microrganismos esteja dentro dos padrões exigidos pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (ANVISA). Entretanto, resultados preliminares apontam
contaminação, com a presença de UFCs (Unidades Formadoras de Colônias) de todos os
microrganismos testados.
É importante salientar que o consumo de pescados contaminados é um importante
veículo de infecções e intoxicações alimentares, evidenciando a necessidade de boas
práticas de manipulação e conservação do pescado, o que demanda orientação aos
feirantes mediante cursos de capacitação, bem como melhores condições de trabalho a
partir de instalações adequadas para a comercialização de produtos perecíveis. Neste
caso, é de suma importância que as prefeituras ofereçam uma melhor infraestrutura e
que a vigilância sanitária atue de forma mais efetiva.
MONITORAMENTO ACÚSTICO PASSIVO (MAP) DO RIO SÃO FRANCISCO
Alfredo Borie-Mojica (UFAL/Penedo)
Sistema de Monitoramento Acústico Passivo (MAP) no rio São Francisco: foram
realizadas gravações subaquáticas utilizando o gravador autônomo SoundTrap 300. As
gravações duraram em média aproximadamente 13 horas (entre às 17:00 e 05:00 horas)
em cada localidade monitorada.
Foram realizadas gravações utilizando um sistema portátil, constando de gravador
digital, amplificador e hidrofone. Com este sistema, foi possível detectar os sons de
bagres em ambiente controlado, isto permitirá avaliar a ocorrência e distribuição desta
espécie no ambiente natural.
Descoberta de mecanismos sonoros em peixes do rio São Francisco: Piau-três-pintas
(Megaleporinus obtisidens) apresenta músculo sonoro bilateral associado à primeira
costela, provavelmente utilizado durante o período reprodutivo, sendo comum em
Characiformes; Bagre-branco (Cathorops agassizii) observou-se músculo sonoro
associado a região posterior da bexiga natatória; Pirambeba (Serrasalmus brandtii) e
Piranha-verdadeira (Pygocentrus piraya), com músculos sonoros similares ao
comumente encontrado na família Serrasalmidae.
Principais resultados encontrados: 21 sons biológicos (18 peixes e 3 crustáceos) e 3
tipos de ruídos de embarcações; Região de Paiçabuçu com características acústicas
estuarinas, consequência da diminuição da vazão e aumento da cunha salina; Detecção de
camarões em período crepusculares e não detecção de agregações de peixes sonoros;
Descobertas de mecanismos sonoros em quatro espécies de peixes.
A não detecção de agregações de peixes, relacionadas com aspectos reprodutivos,
pode indicar diminuição das populações e falta de habitat para processos reprodutivos.
Assim é de extrema importância ações de peixamento participativo com pescadores e
manutenção de vazão ao máximo nível possível durante períodos reprodutivos (defeso de
1º de novembro a 28 de fevereiro).
ESTUDOS DOS MANGUEZAIS DA FOZ DO SÃO FRANCISCO
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Alexandre Oliveira (UFAL/Penedo)
A caracterização estrutural da vegetação dos manguezais constitui um importante
instrumento no que tange compreender as respostas desse ecossistema as condições
ambientais existentes, além de possibilitar a avaliação do estágio de desenvolvimento do
bosque, permitindo o planejamento de ações para a conservação destes ambientes.
Para a caracterização e estudo dos bosques de mangue da Foz do Rio São
Francisco um ponto amostral foi selecionado, no qual serão mensurados e analisados
parâmetros fitossociológicos da vegetação, bem como aspectos populacionais do
caranguejo-uçá. O ponto amostral foi escolhido conforme representatividade da habitat
aliado a melhor logística possível para a realização das atividades. O ponto representa as
fisiografias de bosques de franja, bacia e área de transição (apicum). Todo o estudo foi
baseado na metodologia de Schaeffer-Novelli (1986) e recomendações do ICMBio
(Projeto Monitora).
O deslocamento foi realizado em parceria com a Unidade Educacional Penedo e
IV Expedição Científica do São Francisco. Durante o estudo da estrutura vegetal do
manguezal da Foz do Rio São Francisco, realizado em 09 de novembro de 2021, foram
amostrados indivíduos de Rhizophora mangle L., e Laguncularia racemosa (L.) Gaertn.
Foram observadas árvores mortas e cortadas, indicando ação antrópica. Os valores dos
parâmetros fitossociológicos ainda estão sendo processados. A amostragem das galerias
(tocas) dos organismos foi realizada em apenas duas parcelas devido às dificuldades de
logística. Os valores de densidade das tocas ainda estão sendo processados.
ESTUDO SOBREO FITOPLÂNCTONS DO BSF
Élica Guedes (UFAL), Manoel Messias (/IFAL), Ana Karolina (UFAL)
O aumento da eutrofização nos ambientes aquáticos, advindos de múltiplos usos,
como abastecimento público, lazer, aquicultura e pesca, permite um rápido crescimento
de algumas espécies de fitoplâncton, que estão se tornando cada vez mais comum nestes
ambientes, implicando em potenciais danos à saúde da população. Assim, o presente
trabalho terá como objetivo principal, a análise da estrutura da comunidade
fitoplanctônica e dos índices ecológicos, proporcionando informações preliminares sobre
as reais condições do ecossistema aquático em estudo. As coletas das amostras foram
obtidas através de arrastos horizontais e subsuperficiais, utilizando-se rede de plâncton
com abertura de malha de 20 µm (superfície) realizadas no período de 01 a 10 de
novembro de 2021, ao longo do trecho do Baixo São Francisco (entre Piranhas e Foz),
sendo coletadas 36 amostras (próximos às margens e região média dos estados de
Alagoas e Sergipe e lançamentos de efluentes domésticos). As amostras foram
acondicionadas em frascos de plásticos de aproximadamente 100 mL, devidamente
etiquetadas e preservadas em solução de Transeau, onde serãoa analisadas no Laboratório
de Ficologia do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL). A composição do microfitoplâncton será determinada a
partir da observação de lâminas temporárias, visualizadas sob um microscópio óptico
binocular Zeiss (Axioscop 40). Para o estudo quantitativo, serão analisadas alíquotas de
1 mL, através do método de Sedgwick-Rafter (S-R). Posteriormente, será analisada a
abundância relativa, frequência de ocorrência, riqueza específica, índice de diversidade
de Shannon, equitabilidade, dominância de Simpson e densidade relativa (ind.ml-1).
Observando os dados levantados na II Expedição (2019) e III Expedição (2020), não
houve mudanças significativas com relação aos grupos de microalgas, com
predominância de bacilariofíceas e clorofíceas, características estas comum de ambientes
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lóticos. Porém, foi observada uma grande quantidade de espécies filamentosas
pertencentes aos grupos das cianobactérias e clorofíceas, que indicam que esse ambiente
está passando pelo processo de eutrofização. Para esse ano de 2021, após observações
preliminares, houve uma diminuição significativa dessas espécies filamentosas,
provavelmente pelo aumento da vazão e diminuição da carga da matéria orgânica, além
de uma boa transparência da água em grande parte do trecho em estudo. Salvo exceção,
em munícipios como Traipu e Penedo em Alagoas e Propriá/SE, onde foram vistas uma
grande quantidade de tubulações lançando esgotos sanitários. Diante da importância
ecológica do fitoplâncton, esses estudos tornam-se essenciais para o manejo e
gerenciamento dos sistemas hídricos visando à proteção dos mananciais, que requer
conhecimentos sobre a atuação desses organismos que influenciam diretamente na
qualidade da água.
TEOR DE ÓLEOS E GRAXAS NO BSF
João Inácio Soletti, Sandra Helena Vieira de Carvalho e Mozart Daltro Bispo
(UFAL)
A presença de óleos e graxas causam graves impactos nos ecossistemas aquáticos.
O plâncton é a base da cadeia alimentar dos organismos aquáticos e são os primeiros a
serem afetados, contaminando o restante dos animais que deles se alimentam.
O Teor de Óleos e Graxas (TOG) constitui um dos parâmetros ambientais de
grande relevância para localidades sujeitas ao derramamento ou descarte de óleo. Cidades
ribeirinhas, com presença de embarcações, são suscetíveis a derramamento de óleo, por
vazamento em motores, manutenção, acidentes, como também, por descarte em efluentes
domésticos.
Apesar dos graves danos causados pelo derramamento de óleos em ambientes
aquáticos, poucas publicações ressaltam o impacto do seu lançamento em rios e oceanos.
De uma forma geral, isto se deve à falta de monitoramento deste parâmetro, e a
dificuldade de acesso aos dados obtidos. Além disso, é difícil mensurar os potenciais
impactos, visto que muitos dos seus efeitos são sinérgicos, e os poluentes podem sofrer
bioacumulação ao longo da cadeia trófica.
Amostras de águas foram coletadas de diferentes pontos no Baixo São Francisco,
sendo analisadas a fim de determinar as concentrações de óleos e graxas. A técnica
aplicada foi a de espectrometria na região de infravermelho, utilizando o equipamento
HORIBA OCMA-350. Tal estudo é fundamental para alertar e conscientizar a população
e responsáveis.
Os pontos de coleta possivelmente contaminados foram previamente identificados
na III Expedição Científica, ocorrida em dezembro de 2020. Faz-se necessário um
monitoramento mais efetivo, de forma a prever potenciais danos relacionados à presença
de óleo principalmente em regiões com maior concentração de embarcações, como
Penedo, Piaçabuçu e Piranhas, dentre outras cidades ribeirinhas.
Algumas análises foram realizadas durante a expedição, sendo que parte delas
serão realizadas no Laboratório de Sistema de Separação e Otimização de Processos
(LASSOP) situado no Centro de Tecnologia (CTEC), da Universidade Federal de
Alagoas. É fundamental que haja uma periodicidade das análises, em pontos críticos das
cidades ribeirinhas. Isto se deve a grande variação das características das águas, incluindo
o teor de óleos e graxas, em função de descarte de efluentes, vazão do rio, águas pluviais,
despejos, dentre outros fatores que levam a diluição ou acúmulo do óleo e outros
contaminantes.
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Tais estudos poderão subsidiar decisões relativas à alteração na legislação de
descarte de efluentes, bem como, consciência ambiental da população. Além disso, a
ocorrência de novos contaminantes “não regulamentados” requer tratamentos mais
avançados. Portanto, tais estudos darão subsídios para a implementação de novas
políticas e regulamentações específicas, fundamentais para alcançar e manter o
equilíbrio saudável do meio ambiental.
Encontra-se também, em estudo, possíveis formas de tratamento deste
contaminante, nas cidades ribeirinhas.
POLUENTES EMERGENTES NO BSF
João Inácio Soletti, Sandra Helena Vieira de Carvalho, Mozart Daltro Bispo,
Emerson Carlos Soares (UFAL)
Os poluentes emergentes chegam ao meio ambiente a partir de várias fontes
antropogênicas e são distribuídos pelas matrizes ambientais. Nas últimas décadas, o
aumento da concentração destes poluentes tem ocorrido devido ao contínuo
desenvolvimento e refinamento de novas técnicas, por exemplo: carcinicultura, cultivo
do arroz, atividades industriais, agrárias, resíduos hospitalares, esgoto doméstico, novos
fármacos e novos produtos de higiene, limpeza e cosmético, dentre outros. Uma grande
variedade de contaminantes não detectados de preocupação ambiental precisam ser
identificados e quantificados na matriz ambiental. Muito destes poluentes apresentam
grande toxicidade e são persistentes no ar, água, solo, sedimentos e receptores ecológicos,
mesmo em baixas concentrações.
Faltam dados sobre a destinação e comportamento da maioria dos poluentes
emergentes já identificados no meio ambiente, bem como, as possíveis ameaças à saúde
ecológica e humana. Portanto, o desenvolvimento de novas tecnologias para remediação
e tratamento dos recursos hídricos para água potável tem sido um grande desafio. Em
vários casos, falta regulamentação para avaliação de impacto de longo prazo da exposição
a baixos níveis de compostos químicos no meio ambiente, uma vez que as classes da
maioria desses compostos ainda não foram estudadas, em detalhes. Isso tem sido atribuído
principalmente à falta de padrões adequados para técnicas de análise instrumental,
considerando, principalmente, as baixas concentrações no meio ambiente.
Para compreender toda a gama dos efeitos dos contaminantes é importante
quantificar e monitorar as concentrações dos poluentes na fonte de emissão, nos
compartimentos ambientais, bem como, em organismos vivos (invertebrados, peixes,
dentre outros).
Assim sendo, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas têm trabalhado
em conjunto para identificação e possível monitoramento de contaminantes emergentes,
no Baixo Rio São Francisco. Encontram-se envolvidos os seguintes laboratórios:
Laboratório de Sistema de Separação e Otimização de Processos (LASSOP), do Centro
de Tecnologia; Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais, do Instituto de Química e
Biotecnologia (LPqRN); e Laboratório de Aquicultura (LAQUA), do Centro de Ciências
Agrárias.
Foi realizado o levantamento literário indicando alguns dos principais poluentes em
rios: Ácido etilenodiamino tetra-acético, alpha-BHC, beta-BHC, Lindane, delta-BHC,
Heptachlor, Aldrin, Heptachlorepoxide Isomer B, γ-Chlordane, α-Chlordane, Endosulfan
I (alpha), 4,4′-DDE, Dieldrin, Endrin, Endosulfan II (Beta Isomer), 4,4′-DDD, Endrin
aldehyde, Endosulfan
Glyphosate, Ametryn, Atrazine, Prometon, Prometryn, Propazine, Simazine,
Terbutryn.
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Dentre os poluentes emergentes destacam-se os pesticidas e herbicidas geralmente
utilizados na agricultura. A metodologia experimental baseia-se na utilização de padrões
e derivatizante (método analítico para identificação dos padrões), seguida pelo processo
de pré-tratamento, pré-concentração dos analitos, seguido de análise por: cromatografia
líquida, com detectores como de arranjo de díodos (HPLC-DAD); ou, cromatografia
gasosa com espectrometria de massas (GC/qMS).
Inicialmente está sendo realizada a identificação e quantificação de possíveis
poluentes emergentes presentes em algumas localidades do Baixo São Francisco. Uma
vez identificados serão realizadas pesquisas visando estudar os possíveis tratamentos para
remoção. É necessário avaliar a eficácia das diferentes alternativas de tratamento
considerando os custos de implantação. Além disso, faz-se necessário estudar não apenas
sua toxicidade, bem como, os efeitos da contaminação no meio ambiente.
Tal estudo é fundamental para alertar e conscientizar a população e responsáveis.
Além disso, a ocorrência de novos contaminantes “não regulamentados” requer
tratamentos mais avançados. Portanto, tais estudos darão subsídios para a implantação
de novas políticas e regulamentações específicas, fundamentais para alcançar e manter
o equilíbrio saudável do meio ambiental.
ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICA E MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DO BSF
Vivian Costa Vasconcelos, Emerson Carlos Soares (LAQUA - UFAL)
A realização das análises de água do Baixo São Francisco possui grande
importância, em especial quando destinada ao consumo humano. Através das análises
físico-química e microbiológicas, realizadas por sondas multiparâmetro em loco,
espectrofotômetros e análise de coliformes totais e Escherichia coli através da técnica do
substrato enzimático é possível diagnosticar a qualidade da água, os microrganismos e
substâncias químicas decorrentes de atividades antrópicas que podem ser prejudiciais ao
ecossistema aquático e à saúde das pessoas, além de perceber a necessidade de ações e
investimentos para proteção e recuperação dos rios através de medidas como implantação
do saneamento básico e a preservação das matas ciliares.
Os resultados das análises da água são utilizados para aferir os impactos sobre o
ambiente aquático e subsidiar ações para gerenciar e diminuir os impactos ambientais,
através de uma eficiente análise é possível estimar exatamente quais ações e quão efetivas
elas devem ser para se adequar ao estabelecidos por leis.
QUALIDADE DE ÁGUA
Hanna Francyelle Barbosa Costa (PPGRHS / UFAL), Emerson Carlos Soares
(LAQUA - UFAL)
Durante os dias da IV Expedição Científica do São Francisco foram coletadas
amostras de água nos municípios de: Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São Brás, Propriá,
Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu e Foz. As coletas foram realizadas exatamente no
município, à montante e à jusante destes. Visa-se analisar a qualidade da água e como
ações antrópicas, como despejo irregular de esgotos, descarte de lixo nos rios e uso
exacerbado de agroquímicos, acabam por afetar a qualidade da água do no Rio São
Francisco.
In loco alguns parâmetros já foram identificados mediante sonda multiparamétrica
na superfície e no fundo como, por exemplo: salinidade, oxigênio dissolvido e turbidez.
Outros parâmetros físico-químicos tais como: amônia, fosfato e magnésio serão
analisados em laboratório, além da análise da presença de ferro, zinco e manganês. Nas
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amostras de alguns municípios também será realizada análise para verificar a presença de
agrotóxicos mediante Cromatografia Gasosa e Cromatografia Líquida em laboratório.
MONITORAMENTO DA ÁGUA E SEDIMENTOS NO BSF
Carlos Alberto da Silva, Marcus Aurélio Soares Cruz, Cosme Assis, Joel Marques
da Silva, Lucas Cruz Fonseca, Petrônio Alves Coelho Filho e Marco Yves de
Aguiar Vitório Praxedes (EMBRAPA; UFS, ITPS e UFAL)
A área de estudo localiza-se na região do baixo rio São Francisco (BSF) entre os
estados de Sergipe e Alagoas, cobrindo uma área de 25.500 quilômetros quadrados. Tratase de uma região com graves problemas ambientais, associados à presença de cargas
poluidoras, erosão e assoreamento, retirada de mata ciliar, vazões reduzidas por longa
parte do tempo e avanço da cunha salina na foz do rio São Francisco. Visando o
monitoramento da qualidade da água e sedimentos de fundo do rio, foram realizadas
coletas próximas às duas margens e em um ponto intermediário, priorizando os horários
de maré. Também foram realizadas coletas a montante, jusante e em locais potenciais de
lançamento de cargas poluidoras. O monitoramento foi realizado nos seguintes
trechos/municípios (AL/SE): Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Traipu, Propriá,
Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu, Brejo Grande e na foz do rio São Francisco. As amostras
de água foram coletadas em duplicata, na superfície, intermediária e de fundo, utilizandose garrafa de coleta Van Dorn. A água foi transferida a bordo para garrafas de polietileno
de 500 mL previamente limpas com detergente neutro e, em seguida, em banho ácido de
HNO3 10% v/v por 24 horas e enxaguados com água Mili-Q (18 μΩ), devidamente
identificadas, transportadas refrigeradas em caixas térmicas até o laboratório e estocadas
em temperaturas abaixo de -15 °C em freezer até o momento da análise. As amostras de
sedimentos de fundo foram coletadas por meio do uso de draga Van Veen, sendo
armazenadas em sacos plásticos e conservadas sob refrigeração para posterior transporte
ao laboratório. In situ, foram realizadas medições de profundidade com medidor sonar;
temperatura, pH, CE, OD, SDT e salinidade por meio de sonda multiparamétrica Marca
YSI modelo Exo 1 e altura de penetração da luz solar com Disco de Secchi. Os pontos
amostrais foram georreferenciados com GPS Garmim GPSMap 64sx. Serão realizadas
em laboratório análises de cátions e ânions, salinidade, clorofila, nutrientes, feofitina,
DBO e metais traço para água, além da caracterização granulométrica e geoquímica dos
sedimentos.
Os valores obtidos permitirão a produção de índices de qualidade bem como a
geração de mapas especializados das variáveis, visando o apoio na elaboração de
políticas públicas que mitiguem os impactos detectados e promovam a melhoria da
qualidade de vida da população ribeirinha.
VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS
Ricardo Araújo Ferreira Junior (UFAL)
Na IV Expedição Científica do Baixo São Francisco foram observadas as
variáveis meteorológicas: radiação solar, velocidade do vento e a temperatura do ar, essas
foram realizadas com sensores automáticos que estavam conectados a um sistema de
aquisição de dados (Datalogger CR1000, Campbell Scientific). Juntamente com a
apresentação dos valores extremos das medidas de temperatura do ar e radiação solar,
serão sugeridas ações e adaptações para a melhoria do conforto térmico (microclima) das
comunidades, principalmente as da região semiárida, e proteção contra a insolação.
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Mesmo sem o processamento final dos dados, foram notadas durante a expedição
temperaturas extremas que demandam muito dos organismos e do ambiente.
Dentre os equipamentos testados para novas metodologias de avaliação ambiental
e uso prático, foi usado o disco de Secchi que é um equipamento convencional bastante
prático, sendo a relação entre a profundidade de Secchi com luminosidade em lux uma
boa informação para estudos de atenuação da luz e turbidez da água.
Também, durante a expedição, foi construído um sistema de separação óleo/água
acoplado às pias de lavagem de pratos. O qual o intuito foi exemplificar que ações simples
podem ser feitas para o tratamento de águas cinza e melhorar a qualidade da água
retornada ao rio. Outra atividade efetiva e pratica usada nas embarcações diariamente, foi
o uso de pastilhas de cloro nas caixas d’água visando melhorar a qualidade e potabilidade
da água durante a expedição.
AÇÕES DE SAÚDE BUCAL
Daniela Ferreira de Oliveira e Cristiane Castro (UFAL)
A IV Expedição Científica do Baixo São Francisco, contou com as ações de
promoção e educação em saúde bucal por 10 municípios ribeirinhos, que foram
desenvolvidas por uma professora de Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia da
Universidade Federal de Alagoas e uma acadêmica da mesma instituição, com o apoio
dos dentistas dos municípios. As atividades tiveram por objetivo garantir às crianças das
populações ribeirinhas acesso a ações educativas e preventivas em saúde bucal, de forma
promover a melhoria das condições de saúde bucal da população local, realizar um
levantamento epidemiológico da condição de saúde bucal dos escolares.
Nas duas semanas anteriores ao deslocamento dos barcos, foram realizadas duas
capacitações envolvendo as coordenações e as equipes de saúde bucal, compostas pelos
dentistas da rede e auxiliares de saúde bucal de quatro municípios. Foram apresentados
os conteúdos necessários para realização do levantamento epidemiológico, assim como o
treinamento para o exame da cárie dentária.
Durante os dias da expedição, cada cidade pode contar com palestras educativas
relacionadas à saúde bucal, exibição de filmes educativos, distribuição e realização de
atividades lúdicas, tais como pinturas e caça-palavras, abordando temas da odontologia
preventiva, facilitando assim, a interação e a aprendizagem das crianças com o assunto e
com os profissionais que estavam desenvolvendo a ação. Além disso, foram realizadas a
distribuição de kits de higiene bucal, escovação supervisionada e aplicação tópica de flúor
para as crianças, objetivando melhorar as condições de saúde bucal da população local,
garantir às crianças das populações ribeirinhas o acesso às ações educativas e preventivas
em saúde bucal.
Foram realizados 492 exames durante o levantamento epidemiológico da
situação de saúde bucal, especificamente da cárie dentária, que irá contribuir para o
conhecimento da ocorrência desse agravo nessa população e para subsidiar o
planejamento das ações das equipes de saúde bucal dos municípios. Em dois municípios,
foi incluída a avaliação da fluorose dentária diante da sua alta ocorrência. Em Propriá,
a vigilância sanitária já foi acionada para a avaliação da concentração do flúor na água
de abastecimento público. Todas as crianças identificadas com necessidade de
tratamento foram encaminhadas para o atendimento nas unidades de saúde dos seus
respectivos municípios.
TESTAGENS EM RT- qPCR PARA RASTREAMENTO DA COVID 19 NO BSF
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Eliane Aparecida Holanda Cavalcanti, Abel Barbosa Lira Neto, Karol Fireman de
Farias, Márcia Cristina da Silva e Bruna Priscila dos Santos (UFAL / Arapiraca)
A COVID-19 é uma infecção causada pelo Sars-CoV-2, que vem impondo
mudanças impactantes no convívio das comunidades como um todo. O vírus é facilmente
disseminado principalmente através de perdigotos, fômites contaminados e ou através de
contato direto. Apresenta uma sintomatologia clássica denominada síndrome respiratória
aguda grave, que acomete indivíduos de diferentes classes sociais, raça, idade e/ou sexo.
O quadro clínico pode ser sintomático ou assintomático, sendo esses, excelentes
disseminadores do vírus.
Considerando a importância da testagem e/ou rastreamento para o diagnóstico da
COVID-19, assim como, a dificuldade do acesso da população ribeirinha, a IV Expedição
Científica do São Francisco, disponibilizou para todos os munícipios visitados, assim
como, para os pesquisadores e tripulação embarcada, testes em RT-qPCR para detecção
do Sars-CoV-2.
As amostras foram obtidas através da introdução do swab (com Rayon) na
cavidade nasal. Após a introdução, o coletor foi imediatamente colocado no tubo falcon
em solução fisiológica e transportado para o Laboratório Clínico Molecular para o
processamento do material. Foram coletadas 608 amostras, durante o período de 28 de
outubro a 10 de novembro. Até o momento foi processado um montante 604 perfazendo
um percentual de 99,5% (sendo necessário repetir 04 amostras). De todo material coletado
apenas 01 amostra positivou (paciente assintomática em Traipu/AL), o que equivale a
0,0018% de todo material analisado.
Quadro I. Coletas realizadas no âmbito da IV Expedição Científica do São Francisco, 2021.
DATA DA
USUÁRIO
LOCAL DA COLETA
QUANTIDADE
COLETA
28.10.2021
Equipe de reportagem
CCME - Arapiraca
05
30 e 31.10.21
Tripulação + pesquisadores
Traipú/AL + CCME 73
Arapiraca
01.11.21
Pescadores (Colônia)
Piranhas/AL
36
02.11.21
População ribeirinha
Pão de Açúcar/AL
54
03.11.21
População ribeirinha
Traipú/AL
60
04.11.21
População ribeirinha
São Brás/AL
48
05.11.21
População ribeirinha
Propriá/SE
49
06.11.21
População ribeirinha
Chinaré (Igreja Nova/AL)
61
07.11.21
População ribeirinha
Penedo/AL
110
08.11.21
População ribeirinha
Piaçabuçu/AL
50
09 e 10.11.21
Tripulação + equipe de
Penedo/AL
62
reportagem + pesquisadores
TOTAL
608
Observa-se que o objetivo proposto foi atingido a contento, e que os dados
processados até o momento sinalizam que não há propagação do vírus nas comunidades
analisadas. Outrossim, os dados sugerem que a imunização da população tem
corroborado para esse resultado. No entanto, após todo o processamento e correlação
com outros fatores apresentaremos os resultados obtidos.
ONCOLOGIA CUTÂNEA
Fernando Antônio Gomes de Andrade (UFAL)
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A participação da oncologia cutânea na IV expedição ao são Francisco teve início
com a interação, por meio de reuniões estruturantes com as secretarias de saúde dos
municípios de Piranhas, São Brás, Pão de açúcar, Traipu, Propriá e Penedo. Nessas
reuniões expressamos a complexidade para a realização de procedimentos cirúrgicos,
assim foram elaboradas as condições para a efetivação das cirurgias. No município que
criou as condições para as ações, Piranhas, foram realizados nove procedimentos
operatórios em dois ambientes: um posto de saúde no distrito do Piau e no hospital de
Piranhas, contamos com a participação efetiva de dois enfermeiros, inclusive treinados
no HU-UFAL, para lidar com o bisturi elétrico, instrumental que foi solicitado por nossa
iniciativa, após evidenciarmos a não existência, em todos os municípios contatados.
Piranhas foi exemplar na condução dos trabalhos. Outros municípios realizaram a busca
de casos para cirurgia, mas em tempo posterior e sem a determinação do município de
Piranhas.
A experiência foi efetiva e necessita do apoio e envolvimento da edilidade. A
alternativa, que reputo mais concreta é a estruturação de um centro cirúrgico, no Barco
ou outro veículo adaptado para tal ação. A complexidade do processo solicita a
mensuração do custo-benefício da ação.
LEVANTAMENTOS SOBRE O TURISMO NO BSF
Washington Rodrigues Correia (PM Piranhas)
Desbravar o São Francisco sob a ótica do turismo, de Piranhas (AL) e Canindé de
São Francisco (SE) até a Foz - DOS CANYONS À FOZ, durante a IV Expedição
Científica do São Francisco, em 2021. As margens direita e esquerda, desse povo
barranqueiro com uma energia positiva e carismática, seu artesanato, ponto de cruz,
rendedé, em barro e em madeira, etc. Em toda a extensão dos 240 km, outros atrativos
como praias fluviais, seus casarios, as igrejas, etc, prontos para receber visitantes e
turistas. Nas comunidades, pessoas com sorrisos lindos vislumbrando o turismo, a
indústria sem chaminé que não polui, mas é predatória. Por outro lado, o poder público
está ausente e não dá nenhuma atenção para as mudanças que já acontecem nos
municípios. Em algumas comunidades, rica em artesanato, se desenvolvem por conta
própria entre elas, Ilha do Ferro e Entremontes. Existem outras comunidades com o
mesmo potencial ao longo do rio, escondidas entre morros e podem ser essas
comunidades o começo de desenvolvimento sustentável através do grande rio.
Os aparatos das secretarias de ação social e de turismo e cultura de cada município,
não fazem nada para colocar ou criar mecanismo para o desenvolvimento dessas
comunidades. No BSF não se desenvolve projetos próprios direcionados a itens com
artesanatos em madeira, couro e material recicláveis, bem como direcionado a culinária
regional.
Pode-se criar novos roteiros integrando que seria de Propriá (SE) que pode ser
ligada a cidade de São Brás (AL), no caso de Lagoa Comprida, com linda praia e o
belíssimo povo acolhedor e artesanato riquíssimo. Falta pouco para essas questões. Outra
sugestão é que os municípios se façam conhecidos também através do esporte; pode-se
promover o 1º campeonato de futebol do baixo São Francisco, envolvendo as cidades das
margens esquerda (Alagoas) e direita (Sergipe). Com isso, as cidades vão conhecendo
uma a outra, pois cada jogo é uma visita, e assim será feito a cada jogo e, como primeiro
passo, eles vão se entendendo e se comunicando.
Também existe a possibilidade de se criar rota do pedal de bike e um passaporte,
no qual os visitantes ao passarem na rota e nas comunidades escolhidas, carimbam seus
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passaportes e, ao longo do tempo, esse atrativo será elevado a produto comercializado por
agências de turismo. Por outro lado, o grande mal que afeta o grande rio são os esgotos
crus jorrando 24 horas por dia, com lançamentos diretos e sem tratamento. Em lugares
como Penedo e Própria, a fedentina chega a dar náuseas, onde restaurantes e clientes
ficam a mercê desse descaso. É onde o poder público peca, com seus representantes
municipais, estaduais e federais.
A IV expedição tem todo o conhecimento necessário para fazer um trabalho de
suporte às gestões municipais com seus pesquisadores/cientistas e colaborar
efetivamente para construir uma nova realidade local para melhor. Mas como e quando
essas ações e incentivos chegarão às salas de escolas das comunidades para criar um
hoje?
AGROECOLOGIA E POVOS TRADICIONAIS
Fabiano Leite Gomes (EMATER)
A Expedição do Baixo São Francisco objetivou construir espaços de diálogos, teia
de saberes, construção do conhecimento agroecológico e ancestralidade juntos aos povos
tradicionais (quilombolas e indígenas), ribeirinhos e irrigantes nas margens do Rio São
Francisco AL/SE, compreendendo estudos nos municípios de Piranhas, Pão de Açúcar,
Traipu, São Brás, Própria, Penedo e Piaçabuçu. A metodologia desenvolvida no tempo
comunidade foi à dialógica, com caráter qualitativo, entrevista semiestruturada, quais se
buscou dar voz aos povos do campo nas dimensões sociais, produtivas, políticas, culturais
e organizacionais. Os encontros nos municípios foram realizados nas comunidades
respectivamente: Piranhas (sítio Poço Doce II e comunidade quilombola Lajes); Pão de
Açúcar (comunidades quilombola Chifre do Bode e Poço Salgado); Traipu (comunidade
quilombola Mombaça); São Brás (Colônia de Pescadores Z-36 e Etnia Aconã); Propriá
(Distrito de Irrigação de Propriá e CODEVASF IV SR); Igreja Nova (Distrito de Irrigação
do Boacica) e Piaçabuçu (Associação Aroeira). O próximo passo é a sistematização dos
dados coletados, análises e proposições para o desenvolvimento rural sustentável no
prisma da Agroecologia, visando à restauração da paisagem rural, transição
agroecológica, convivência com o semiárido, tecnologias sociais para a agricultura de
baixo carbono, certificação orgânica participativa e a economia solidária.
REGISTROS PARA “MEMÓRIAS DO VELHO CHICO”
Emerson Fonseca Oliveira Filho (CECA / UFAL)
Na IV expedição científica do baixo São Francisco deu-se início a produção do
curta metragem “Memórias do Velho Chico”. O projeto tem como finalidade, identificar
por meio de entrevistas com ribeirinhos (principalmente pescadores mais antigos), o
panorama do Rio São Francisco há 40 anos ou mais, e através da oralidade ancestral
entender quais eram as condições do rio antes e depois da construção das usinas
hidroelétricas, entender os impactos ambientais e sociais causado por elas, identificar o
que mudou nas enchentes e vazantes, na agricultura, navegabilidade e nas populações de
peixes, identificando as espécies que ocorriam e que hoje praticamente desapareceram, e
saber quais são as espécies que ainda ocorrem. Sobretudo esse projeto audiovisual poderá
ser utilizado para confirmar os resultados do biomonitoramento feito pelos cientistas que
compõem a expedição, tendo assim mais um indicador para uma melhor tomada de
decisão no que diz respeito à qualidade de vida desses ribeirinhos e do meio ambiente
como um todo.
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PRODUCÃO DO DOCUMENTARIO SOBRE O BAIXO RIO SÃO FRANCISCO
Vera Sanada e Yuri Sanda (Aventuras Produções – SP)
O documentário que está sendo produzindo não será um relatório direto das
atividades da Quarta Edição da Expedição Científica do Rio São Francisco, mas sim uma
produção sobre os diversos aspectos da vida no Baixo São Francisco, usando o percurso
e as atividades da expedição como condutor da narrativa. Isto visa promover o potencial
turístico da região para atingir maior público além do interesse social e científico já
abrangido pela cobertura de imprensa e documentarista da expedição.
Para isto, com apoio das prefeituras e comunidades que participariam da
Expedição, realizamos as gravações dos atrativos turísticos, atividades culturais e sociais
de 24 a 31 de outubro, portanto na semana anterior ao seu início oficial. Em sequência
acompanhamos as atividades da Expedição de 1 a 12 de novembro, capturando assim a
maioria do material necessário para produção do documentário longa-metragem. As
gravações terão continuidade acompanhando o avanço das pesquisas científicas através
das análises do material coletado na Expedição.
Nestes 20 dias de gravações diretamente com as comunidades e depois
revisitando-as com os cientistas de diversas áreas que formaram a Expedição, pudemos
capturar a região do Baixo São Francisco em detalhes geográficos, históricos, culturais,
artísticos, naturais, com emoção, e depois a interação com a ciência de maneira fácil de
compreender e que demonstra a importância e o respeito pelos povos ribeirinhos.
GOVERNANÇA DAS ÁGUAS
Ângelo José Rodrigues Lima (OGA BRASIL)
A IV Expedição Científica no Baixo São Francisco caracteriza-se como um
momento muito importante para o Baixo São Francisco por chamar a atenção para os
desafios para a conservação e preservação da vida ao longo do rio São Francisco.
São muitos desafios, como ausência de saneamento, ausência de mata ciliar em
várias partes do rio, ameaças a existência da vida aquática no rio, sendo que isto ocasiona
problemas de qualidade da água, assoreamento dos rios e a ameaça à sobrevivência das
comunidades ribeirinhas e pescadores que vivem e depende das águas do rio São
Francisco.
Outro tema que deve chamar a atenção é a pouca capacidade/estrutura dos
municípios por onde a IV Expedição passou para enfrentar estes desafios. Por exemplo,
Penedo, a cidade com uma população da ordem de 64 mil habitantes (IBGE 2021), tem
uma Secretaria de Meio Ambiente com apenas três técnicos, além do próprio Secretário,
consequentemente isso representa um enorme desafio para que os municípios do Baixo
São Francisco possam de fato implantar políticas públicas voltadas para a preservação e
conservação do rio.
Será necessário trabalhar fortemente o tema da governança para que também os
municípios participem da gestão das águas do rio São Francisco.
INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS EM ALAGOAS E SERGIPE: PROSPECÇÃO E
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL PARA NOVOS RECONHECIMENTOS NA
REGIÃO DO BSF
Alexandre Guimarães Vasconcellos (INPI)
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O objetivo central da participação na IV Expedição científica do Rio São
Francisco foi tentar compreender como os instrumentos de propriedade intelectual e, em
especial, as indicações geográficas podem contribuir para a valorização cultural, técnica,
social e econômica do saber-fazer das populações que habitam o Baixo São Francisco,
incluindo-se entre elas comunidades tradicionais, a exemplo de ribeirinhos, quilombolas
e indígenas. A interação com produtores e autoridades dos municípios permitiu tomar
conhecimento de uma grande diversidade de produtos regionais como o mel do sertão
alagoano, cuja cooperativa relacionada no município de Piranhas já agrega mais de 100
associados, o bordado da Ilha do Ferro, o doce de batata-doce de Propriá e a pimenta-rosa
de Piaçabuçu.
Esta primeira incursão no campo já gerou desdobramentos e um projeto conjunto
sobre a história e o território do bordado da Ilha do Ferro e seu potencial para futuro
reconhecimento como uma indicação geográfica já foi iniciado pela mestranda Camila
Moura Lacerda, que está sendo orientada pela Professora Tatiane Balliano
(Profinit/UFAL) que contará com a minha coorientação.
Também foi possível observar as condições de vida de várias comunidades e
identificar projetos interessantíssimos como o das guardiãs de semente, liderado pela
Dona Maria Francisca no município de Piranhas e o destaque da organização e do
empoderamento das mulheres em vários povoados quilombolas.
Por fim, verificou-se que algumas comunidades precisam de apoio urgente das
próximas expedições, a exemplo dos índios Aconã, cuja aldeia está sendo afetada pelo
desbarrancamento das margens do rio e com o assoreamento do mesmo. O Cacique
Saraiva, sua filha Iara e o Pajé Reinaldo têm interesse na melhoria das condições para
as crianças poderem estudar na própria aldeia e num projeto de produção de mudas de
plantas capazes de evitar esse desbarrancamento das margens do rio. Informaram
também que tem espaço disponível para implantar um viveiro de mudas caso alguém se
disponha a colaborar.
ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA NO BSF
Gilson Rambelli, Paulo F. Bava de Camargo e Luis Felipe F. D. Santos (UFS)
A equipe de arqueologia subaquática realizou atividades de mergulhos no sítio
arqueológico no porto de Piranhas, acompanhando o talude para oeste e também localizou
estruturas emersas (fundações em pedra e argamassa) que podem corresponder a
estruturas de um cais. Para mapeamento das estruturas do porto de Piranhas foram
realizados mergulhos no sítio arqueológico no porto de Piranhas e a instalação do
equipamento de sonografia (fishfinder) na embarcação de apoio, o catamarã
"Comendador do Rio", além do uso do VANT com câmera térmica.
Em Poço Redondo, município de Bom Sucesso (SE), foram realizados mergulhos
nos sítios arqueológicos da lancha Moxotó (1917) e Banho dos Homens, com a
localização de vestígios arqueológicos industrializados (louça, s. XVIII e XIX, vidro, s.
XIX e XX) e realização de filmagens com Yuri Sanada e levantamento sonográfico.
Em Porto da Folha, foi realizado levantamento de sonografia nos sítios
arqueológicos da Canoa Caiçara/ Xocó. Em Traipu, feito levantamento sonográfico no
Buraco de Maria Pereira, onde existe uma canoa de tolda naufragada na década de 1960.
Mergulho na fachada ribeirinha de Traipu, com a localização de âncora lítica submersa,
remanescente material bastante importante para o contexto sanfranciscano. Localização
de inscrições rupestres, almofarizes e afiadores no paredão rochoso da fachada ribeirinha
da cidade.
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Em Propriá foi realizada investigação sonográfica no sítio arqueológico da Canoa
de Propriá, com a localização de duas canoas de tolda aterradas no porto do centro da
sede do município. Em Porto Real do Colégio, através de investigação sonográfica na
fachada ribeirinha foi possível a localização de grande balsa de madeira de meados do s.
XX (associada ao transporte de combustíveis e/ou vagões de trem). Mergulhos de
prospecção.
Em Neópolis, promoveu-se a investigação sonográfica no naufrágio de Neópolis,
no morro do Aracaré (fortificação) e mergulhos prospectivos e, em Penedo, verificação
com sonar no vapor Comandante Peixoto e ao longo do porto (grande transect). Os
mergulhos no naufrágio de Neópolis tiveram como objetivos identificar assinaturas e
características das ferragens; avaliação do estado de conservação das estruturas;
entendimento da estratificação. Foram realizados mergulhos no naufrágio de Neópolis
para produção de material jornalístico. Prospecção da área portuária, com a tentativa de
localização de âncora e a identificação de correntes de metal.
A investigação sonográfica no porto de Piaçabuçu permitiu a localização de duas
áreas de anomalias associadas a zonas portuárias e estaleiros, além de localização de sítios
arqueológicos em ambiente dunar e averiguação de vestígios em ambiente praial.
GEOPROCESSAMENTO, DRONE e VANT
Rychardson Rocha (UFS)
Durante a IV Expedição Científica do Rio São Francisco, a equipe realizou
levantamentos aéreos com VANT em áreas de mata ciliar e urbana dos municípios de
Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, Igreja Nova, Propriá - SE e Penedo.
Com as imagens aéreas será possível identificar pontos de degradação vegetal e
do solo e áreas de contaminação por esgotos em área urbana. Contudo, será possível
estabelecer estratégias de ação para dirimir os impactos diretos no Rio São Francisco.
MATA CILIAR, SENSORIAMENTO REMOTO E ECOLOGIA DA PAISAGEM
Nadjacleia Vilar Almeida (UFPB)
Com o objetivo de caracterizar a cobertura vegetal remanescente na faixa ciliar do
baixo rio São Francisco foram realizados levantamentos fitossociológicos, coletas de
amostras de solo, observação da fauna e sobrevoo com VANT em oito fragmentos
vegetacionais nos seguintes municípios: Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São Brás,
Igreja Nova, Propriá, Penedo e Brejo Grande.
Para análise dos fragmentos vegetais foram traçados transectos de 50 metros e
coletadas as informações fitossociológicas e amostras de solo a cada 10 metros, os
transectos e pontos amostrais foram georreferenciados com o uso do GPS. As
informações coletadas (vegetação e solo) serão analisadas e correlacionadas com as
imagens do nanossatélite com resolução espacial de 3x3m, além de correlacionar com as
imagens aéreas da câmera multiespectral acoplada no VANT que capturou imagens
durante as coletas.
Em todas as áreas foram realizadas macro análises da paisagem no intuito de
identificar indícios de perturbações antrópicas como corte de madeira, queimadas,
presença de resíduos, clareiras, compactação do solo, erosão, pastoreio. Foi verificado
que apesar dos fragmentos vegetais selecionados previamente e visitados in loco
apresentarem nas imagens de satélite um importante dossel e/ou adensamento
vegetacional no seu interior e borda as pressões causadas pelo uso desordenado
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comprometem a qualidade ambiental do fragmento e reduzem a qualidade e quantidade
dos serviços ecossistêmicos.
As informações coletadas em campo serão fundamentais para analisar as
características espaciais da estrutura da paisagem como forma, tamanho, área núcleo,
efeito de borda, conectividade, permeabilidade. Como estamos trabalhando com as matas
ciliares essas características espaciais da estrutura da paisagem fornecem subsídios para
se analisar importantes funções das matas ciliares como as funções de habitat, condução
de água e sedimentos, filtro, fonte e sumidouro.
As impressões de campo são que as áreas apresentam alta fragilidade ambiental
e constante pressão antrópica, foi observada baixa diversidade vegetal e raros registros
da fauna.
FAUNA DO BSF
Ubiratan Piovezan (EMBRAPA / SERGIPE)
Durante a IV expedição, foi realizado armadilhamento fotográfico para avaliação
de ocorrência de espécies da fauna no BSF. No entanto, por diversos motivos, esta
metodologia não tem se mostrado efetiva pra detecção de animais. Alternativamente,
foram consideradas observações realizadas pelo pesquisador da área de zoologia, a partir
de embarcações da expedição, observações de animais diretamente em campo,
observação de indícios da presença das espécies em campo (pelo zoólogo) e testemunhos
de moradores da região sobre a ocorrência de animais nos ambientes ciliares da região
BSF. Adicionalmente, foi solicitado aos participantes da IV expedição o
compartilhamento de imagens contendo exemplares da fauna em um drive comum, a fim
de ampliar desta forma o esforço de verificação da lista de espécies com ocorrência
reportada para esta região. A seguir são apresentadas algumas anotações realizadas pelo
pesquisador da área de fauna durante a expedição. Estes resultados não consideram ainda
as imagens compartilhadas pela equipe.
Solos - Além dos registros relacionados à fauna, foram colhidas amostras de solo
das diversas áreas visitadas pela equipe de pesquisa dos ambientes ciliares da expedição
no ano de 2021.
A partir das observações realizadas será atualizada (e ampliada) a lista de espécies
de mamíferos não voadores com ocorrência registrada para a região. Como destaque desta
fase da pesquisa, tivemos registro de duas espécies de carnívoros de médio porte: o
guaxinim (Procyon cancrivorus) Propriá - SE.
Espécies de aves avistadas de Penedo a Piranhas: observações feitas pela
manhã – marrequinhas, garça grande, graça boiadeira, garça real, frango-d’água (galinha
dágua), cafezinho, viuvinha, carcará, urubu cabeça vermelha, Martin pescador, Biguás,
bando anônimo com dezenas de gaviões caramujeiros (presença de jovens), socó-boi,
quero-quero, gavião peregrino, urubu de cabeça preta.
Nas proximidades de Pão de Açúcar, foram avistados mocós - pequeno mamífero,
e presença de búfalos na margem alagoana – espécie exótica.
Mangue: foram avistados: saracura, guaiamum, carangueijo-uça (filmado) e
aratus, graças, socozinho, garças grandes, sagui de tufo branco (C. jaccus)
Rastros e indícios observados em campo: rastros de raposinha na RPPN e
rastros de mão pelada no mangue dia.
Foi registrado ainda um atropelamento de uma raposinha na região de Penedinho
(Piaçabuçu), na estrada de acesso a fazenda amostrada pelo segundo ano pela equipe terra.
Informações sobre animais recebidas de pessoas: foi levantada com caçadores
a informação sobre a presença de veado catingueiro em morro (reserva) próximo de
20
Gararu - SE. Em Penedo/Neópolis foi registrado por pescador a presença de lontra durante
a retirar de covos de camarão. Na região de Penedinho foi relatada a presença de tamanduá
mirim, com filhotes.
Na região da Foz do São Francisco foi relatada a ocorrência do macaco do mangue
na Ilha conhecida como Mamona.
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DE REMANESCENTES FLORESTAIS NO BSF
Anderson dos Santos (UFRPE)
Para o diagnóstico ambiental foram selecionados os municípios ribeirinhos do
BSF, à jusante da barragem de Xingó. Para diagnóstico da vegetação ciliar foram
selecionados fragmentos remanescentes de floresta nativa, em áreas ciliares dos
municípios alagoanos da Região do Baixo Rio São Francisco (BSF): Piranhas, Pão de
Açúcar, Traipu, Propriá, Piaçabuçu e Brejo Grande. Nestes municípios foram
selecionados fragmentos de remanescentes florestais, fundamentados em amostras
representativas de áreas marginais de afluentes do rio São Francisco. Para fins de
conhecimento da composição florística destes fragmentos, foram estabelecidos transectos
no interior destes, com até cinco pontos amostrais, com intervalo de 10 m. Nestes pontos
foram capturados dados e informações florísticas das espécies/morfotipos: frequência,
altura, CAP (Circunferência a Altura do Peito), informações morfológicas e fenológicas.
Coletas de solo foram efetuadas ao longo dos transectos para posterior análise no
laboratório de solos da Embrapa Tabuleiros Costeiros e incluirão avaliação de macro e
micronutrientes, bem como a Capacidade de Troca Catiônica e teor de Matéria Orgânica
disponível nas áreas ciliares de cada localidade, que equivale a uma avaliação para uso
agrícola. Com fins de obtenção de maior precisão no mapeamento da vegetação e do uso
e ocupação do solo, os fragmentos selecionados para coleta de dados em campo foram
mapeados com auxílio de um drone.
VEGETAÇÃO CILIAR, SENSORIAMENTO REMOTO E ECOLOGIA DA
PAISAGEM
Milena Dutra da Silva (UFPB/CCAE/DEMA/Ecologia)
A vegetação ciliar tem importante papel funcional na manutenção dos corpos
hídricos. Com vistas ao diagnóstico ambiental para a melhoria da qualidade ambiental e
social do Baixo São Francisco, estão sendo efetuadas análises em campo e em laboratório.
No Laboratório de Cartografia e Geoprocessamento (LCG/UFPB), em etapa prévia aos
dias da IV Expedição, foram mapeadas as áreas ciliares e selecionados os remanescentes
florestais mais densos, ao longo de Rio São Francisco e de seus tributários, nos
municípios alagoanos de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, Igreja Nova, Penedo e
Piaçabuçu; e nos municípios sergipanos de Propriá e Brejo Grande. As áreas selecionadas
possuem características fitofisiográficas distintas e foram classificadas em três unidades
de paisagem: Caatinga (em Piranhas, Pão de Açúcar e Traipu); Mata Atlântica (Propriá,
Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu); e Mangue (Piaçabuçu e Brejo Grande). Em campo,
durante os dias de 01 a 09 de novembro de 2021, visitamos os remanescentes florestais e,
fazendo uso de técnica rápida e não destrutiva, o levantamento por transecto, tomamos
nota das espécies arbóreas ocorrentes, altura, circunferência do caule, dados pertinentes
aos aspectos reprodutivos dos vegetais (flores e frutos), entre outros aspectos relacionados
a estrutura da vegetação e nível de conservação/preservação. Foram identificadas 35
espécies arbóreas; na Caatinga identificou-se baixa diversidade e predominância de
espécies pioneiras e secundárias, evidenciando um status de degradação e/ou regeneração
21
em fase inicial; na Mata a diversidade de espécies arbóreas é maior, porém também
apresentou status de degradação e/ou regeneração em fase inicial. No mangue, em Brejo
Grande, foram encontradas duas espécies; foram visitadas duas áreas: uma bastante
antropizada (aterro para acesso a manutenção de torre de energia, corte de madeira,
inserção de espécies exóticas etc.), e outra, como melhor status de preservação.
Essas informações levantadas em campo serão sobrepostas às análises de
sensoriamento remoto (imagens de nano satélite e de câmera multiespectral embarcada
no VANT) para diagnóstico da saúde da vegetação no Baixo São Francisco, bem como
às informações da estrutura da paisagem (Ecologia da Paisagem). Isto possibilitará a
indicação áreas prioritárias para intervenções com fins a melhoria ambiental das áreas
ciliares do SF, a serem apresentadas entre os produtos da equipe Terra e Ar no relatório
final.
VEGETAÇÃO CILIAR
Maria Mônica de França Aquino (UFPB)
Nas atividades de pesquisas sobre vegetação ciliar, sob orientação da professora
Milena Dutra e professora Nadjacleia Almeida juntamente com a equipe terra, foram
feitos reconhecimentos de áreas em cidades como Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São
Brás, Propriá, Igreja Nova, Penedinho (Piaçabuçu) e Brejo Grande. Na maioria das áreas
havia indícios de intervenções humanas, cortes de árvores, fezes de animais de grande
porte e alguns tipos de cultivos. Para analisar a vegetação local foram traçados transectos,
cada um com cinco pontos, e cada ponto a uma distância de 10 metros de um para outro
e um raio de 1,5 m para observação das espécies de plantas. Foi utilizado o GPS para
marcar as coordenadas dos pontos de cada transecto, e as espécies encontradas nas
cidades citadas foram: Quixabeira, Amburama, Craibeira, Maitenus, Coração de Negro,
Juá, Croton, Jenipapo, Trapiá, Leguminosa, Velame, Mandacaru, Braúna, Jurema Preta,
Marmeleiro, Catingueira, Morfotipo 1 (espécie não reconhecida no campo), Pereiro,
Espinho de Cruz, Cajazeira, Piranheira, Tucum (Palmeira), Caroba, Cambuí,
Carrapatinho, Louro, Murta, Leiteira, Maçaranduba, Gameleira, Rizophora e
Laguncularia.
FITOQUÍMICA E QUÍMICA MEDICINAL DE ESPÉCIES VEGETAIS DA
MATA CILIAR DO BSF
Tatiane Luciano Balliano (UFAL)
A bioeconomia é uma temática que vem crescendo fortemente em todo mundo,
quer seja pelo fato do valor agregado que os produtos biotecnológicos trazem, bem como,
pela proposta de valor associado à qualidade de vida, saúde e bem estar que os produtos
oriundos da biodiversidade podem proporcionar. Neste contexto devemos considerar que
o Brasil é a maior biodiversidade do planeta considerando todas as formas de vida e neste
espectro está presente o bioma da caatinga que tem centenas de espécies que foram bem
pouco estudadas, mas que já se sabe, apresentam propriedades biológicas altamente
impactantes no que diz respeito à química medicinal. Por outro lado, é importante
considerar que existe a sabedoria popular daqueles que habitam essas regiões, são pessoas
que tem conhecimento riquíssimo sobre propriedades medicinais de inúmeras espécies de
plantas, mas que todo esse conhecimento precisa ser validado cientificamente para que se
possa agregar valor econômico a esses produtos e assim fazer com que possam ser
comercializados e serem utilizados com segurança.
22
Neste contexto, subjacente aos trabalhos da Quarta Expedição do Rio São
Francisco, foi realizada a coleta de aproximadamente 5 kg de matéria prima de quatro
espécies vegetais, cujos nomes populares são: Amescla (relatada por moradores locais
por possuir atividade analgésica), marmeleiro (anti-inflamatório das vias urinárias e
desconforto intestinal), além de outras duas espécies desconhecidas, mas que estavam em
abundância nas regiões em que fizemos os demais estudos da equipe.
Para as próximas etapas, para todas as plantas iremos preparar os extratos,
caracterizar sua composição a fim de padronizar esses extratos e assim realizar os testes
biológicos relacionados ao stress oxidativo, toxicologia, vias de inflamação, entre outros.
FOSSAS AGROECOLÓGICAS EM ESCOLA MUNICIPAIS DO BSF
Eduardo Lucena Cavalcante de Amorim (UFAL)
Durante o desenvolvimento da IV Expedição Científica do Baixo São Francisco
diversas atividades foram realizadas, dentre elas destaca-se a implantação de fossas
agroecológicas em escolas municipais para tratamento do esgoto sanitário.
Os esgotos gerados de atividades humanas são normalmente tratados por sistemas
convencionais, como as fossas sépticas, que se instaladas de maneira equivocada podem
provocar impactos ambientais e à saúde humana. O lançamento de esgoto em córregos e
rios é uma das principais causas da degradação de mananciais de água potável, sendo
desejável a pesquisa de formas eficientes de tratamento do esgoto sanitário in loco e reuso.
O custo elevado e a falta de mão de obra qualificada para a construção correta de sistemas
convencionais, aliado à falta de infraestrutura em sistemas de esgotamento sanitário nas
zonas rurais dos municípios brasileiros, são fatores que agravam o problema fora do meio
urbano.
A bacia hidrográfica do Rio São Francisco possui afluentes importantes, e esses
recebem esgotos sanitários sem tratamento. Nesse sentido, apresenta-se como uma
questão imperativa, pois o lançamento de efluentes sanitários não tratados diretamente no
leito do rio é um dos principais problemas que a bacia enfrenta.
Diante do exposto, a utilização de “Fossas Agroecológicas” pode ser uma
alternativa viável para resolver parte do problema supramencionado, pois beneficiará a
comunidade inserida na região, a qual não há a viabilidade de se instalar um sistema
coletivo de esgotamento sanitário. Esta solução individual surge como uma alternativa
viável, pois além de apresentar baixo custo quando comparado a outras tecnologias, o
processo construtivo permite a aplicação de resíduos sólidos que outrora teriam
destinação inadequada, como pneus e resíduos da construção civil. Nesse sentido,
durante a IV Expedição os municípios de Piranhas - AL, Pão de Açúcar - AL, Igreja Nova
- AL e Penedo - AL implantaram as fossas agroecológicas em escolas municipais para o
tratamento do esgoto sanitário.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS RIBEIRINHAS
Valdenira Chagas dos Santos, Allana Caroline Idalino Alencar e Mariana
Barbosa Valdevino de Oliveira (SEMARH)
Entre os dias 01 a 08 de novembro de 2021, a SEMARH participou da IV
Expedição Científica do BSF, com ações em Educação Ambiental nas escolas públicas
dos municípios de Piranhas, São Brás, Penedo e Piaçabuçu. O objetivo proposto foi
incentivar o consumo consciente dos recursos naturais de forma sustentável, despertando
no aluno a consciência de preservação e de cidadania, para que compreenda deste cedo
23
que o futuro do planeta depende do equilíbrio entre homem e natureza e do uso racional
dos recursos naturais.
Primeiramente, foi necessária para a realização das atividades em Educação
Ambiental a articulação com a direção e coordenação das quatro escolas dos municípios
supracitados, para agendar data e horário como também a mobilização do público alvo
(alunos). Ao todo, foram mobilizados 325 alunos, com faixa etária de 06 a 16 anos de
idade.
Utilizando o tema água e meio ambiente, foram desenvolvidas as seguintes
atividades: palestra educativa, exibição de vídeos sobre o tema, dinâmica de grupo, trilha
educativa e oficina de produção de mudas de hortaliças, desenvolvidos de forma
divertida, consciente, participativa com o intuito de desenvolver o lado criativo dos alunos
que se tornarão multiplicadores de conhecimento em suas comunidades.
PALESTRAS SOBRE MICROPLÁSTICO E DOAÇÕES DE MATERIAIS PARA
ESCOLAS E ALUNOS
José Vieira Silva (UFAL), Vanildo Souza de Oliveira (UFRPE)
As ações de educação ambiental no âmbito da IV Expedição Científica do BSF
em 2021 visaram uma maior integração com as gestões municipais e as escolas públicas
municipais. No planejamento foram previstos e executados a doação de notebooks (04),
datashow (03), caixas de som (03), kit de material escolar (400), kits material para
educação ambiental para escolas (08), kits de jogos educativos (08), além de material
bibliográfico doado para escolas dos municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São
Brás, Propriá, Igreja Nova (Chinaré), Penedo e Piaçabuçu. Acrescenta-se a estes materiais
educativos, outros materiais didáticos e brindes doados pela equipe de educação
ambiental da SEMARH - AL, que também realizou palestras nas escolas de Piranhas,
Traipu, São Brás, Penedo e Piaçabuçu.
Dentro das ações de educação ambiental, foram doados pela SEMARH-AL e
instalados 8 PEVs nas escolas municipais para fins de se começar um programa de
educação ambiental com crianças das comunidades ribeirinhas. Além destas ações nas
escolas, foram firmadas parcerias com as Prefeituras de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu,
São Brás, Propriá e Igreja Nova (Chinaré) para a criação e instalação de viveiros de
plantas nativas visando à recuperação de matas ciliares, nascentes, áreas de preservação
permanente, arborização urbana e uso para educação ambiental.
AÇÕES SOCIAIS COM ASSOCIAÇÕES
José Vieira Silva e Emerson Carlos Soares (UFAL)
As ações sociais no âmbito da IV Expedição Científica do BSF em 2021
ocorreram em parceria com a CODEVASF, 5ª SR, o que possibilitou a doação de três
(03) microtratores com implementos (patrulha motorizada) para associações em processo
de certificação orgânica, regularizadas e com histórico de governança em dia. Cada
patrulha motorizada foi composta de microtrator (15 cv), enxada rotativa, carreta,
pulverizador mecanizado, roçadeira, encanteirador e plantadeira de 2 linhas. As
associações contempladas foram a COOPEAPIS (Piranhas – AL); APA Orgânico
(Associação dos Produtores em Agroecologia de Pão de Açúcar – AL) e Associação
Aroeira (Piaçabuçu - AL).
Essas doações serão acompanhadas pelos próximos quatro anos de Expedição, da
seguinte forma: a CODEVASF fará o treinamento inicial da equipe responsável pela
operacionalização dos equipamentos; as associações contempladas farão os registros de
24
uso pelos associados e as atividades desenvolvidas; e as Prefeituras serão responsáveis
pela ajuda com a manutenção das máquinas (peças e consertos) e a assistência técnica
juntamente com a EMATER – AL. O custeio de combustíveis, óleos e insumos ficará por
conta dos associados e associações contemplados com as patrulhas mecanizadas.
ENCAMINHAMENTOS
No âmbito da IV Expedição foram realizadas reuniões com os mandatários
municipais e seus secretários, nos municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São
Brás, Propriá (SE) e Igreja Nova, com a presença da UFAL, do Observatório da
Governança das Águas e, em alguns casos, com a participação do Presidente do CBHSF,
Maciel Oliveira. Na pauta central das reuniões foram tratados temas relacionados às
iniciativas necessárias para às resoluções dos problemas ambientais e de saneamento
básico no Baixo São Francisco. Com o programa de Expedições do BSF desde 2018, já
há um vasto universo de informações técnico-científicas disponível em relatórios e livro
que podem embasar novas ações político-administrativas. Estas ações podem resultar em
captação de recursos que fomentem e vislumbrem para resoluções dos problemas que
estão levando à degradação ambiental do Velho Chico e que também sirva de modelo
para o restante da bacia hidrográfica do mesmo.
Destas reuniões, objetivamente, foi encaminhada a criação do Fórum de Prefeitos
do Baixo São Francisco, que tem como sugestão inicial de local e data da primeira
reunião, visando à sua criação e estabelecimento, a Cidade de Propriá – SE, na última
semana de janeiro de 2022, e como anfitrião o Prefeito Valberto de Oliveira Lima.
A idealização do Fórum Interestadual de Prefeitos é que o mesmo seja constituído
de um núcleo técnico-científico e outro político. Inicialmente o núcleo técnico-científico
será constituído por instituições públicas integrantes do Programa de Expedições do São
Francisco, atuantes no BSF e capitaneado inicialmente pela Universidade Federal de
Alagoas (UFAL), CODEVASF (4ª e 5ª SRs), CBHSF e Observatório da Governança das
Águas (OGA Brasil). Posteriormente, outras instituições públicas interessadas poderão
pleitear sua participação como integrante do núcleo técnico-científico de suporte à
manutenção do fórum. O núcleo político será fundado pelos prefeitos dos municípios
Alagoanos e Sergipanos contatados durante a IV Expedição (Piranhas, Pão de Açúcar,
Traipu, São Brás, Propriá e Igreja Nova) e, posteriormente, a participação será extensiva
a todos os demais prefeitos que integram a Bacia Hidrográfica do Baixo São Francisco.
Ressaltando que os gestores municipais de Penedo e Piaçabuçu foram convidados e não
responderam ou se manifestaram quanto às suas participações no Fórum. Desta
contabilidade total, serão 50 municípios alagoanos e 28 sergipanos, listados a seguir:
Água Branca
Arapiraca
Batalha
Belo Monte
Cacimbinhas
Campo Grande
Canapi
Carneiros
Coruripe
Craíbas
Delmiro Gouveia
ALAGOAS
Igreja Nova
Inhapi
Jacaré dos Homens
Jaramataia
Junqueiro
Lagoa da Canoa
Limoeiro de Anadia
Major Isidoro
Maravilha
Mata Grande
Minador do Negrão
Palestina
Palmeira dos Índios
Pão de Açúcar
Pariconha
Penedo
Piaçabuçu
Piranhas
Poço das Trincheiras
Porto Real do Colégio
Santana do Ipanema
São Brás
25
Dois Riachos
Estrela de Alagoas
Feira Grande
Feliz Deserto
Girau do Ponciano
Igaci
Monteirópolis
Olho d’Água das Flores
Olho d’Água do Casado
Olho d’Água Grande
Olivença
Ouro Branco
Amparo de São Francisco
Aquidabã
Brejo Grande
Canhoba
Canindé de São Francisco
Capela
Cedro de São João
Feira Nova
Gararu
Gracho Cardoso
SERGIPE
Ilha das Flores
Itabi
Japaratuba
Japoatã
Malhada dos Bois
Monte Alegre de Sergipe
Muribeca
Neópolis
Nossa Senhora da Glória
Nossa Senhora de
Lourdes
São José da Tapera
São Sebastião
Senador Rui Palmeira
Teotônio Vilela
Traipu
Pacatuba
Pirambu
Poço Redondo
Porto da Folha
Propriá
Santana do São Francisco
São Francisco
Telha
Em tempo, somente o gestor municipal, aqui designado pela figura do Prefeito,
terá direito a voz e voto no fórum. Na ausência do prefeito, nenhum outro representante
do Município poderá substituí-lo ou mesmo ter direito a voto nas decisões do fórum.
26
27
PARTE 2
RELATÓRIOS PARCIAIS
Organizadores:
EMERSON CARLOS SOARES
JOSÉ VIEIRA SILVA
THEMIS JESUS SILVA
SUMÁRIO
Sedimentos do Baixo Rio São Francisco .................................................................................... 30
Indicações Geográficas em Alagoas e Sergipe: Prospecção de campo inicial para avaliação do
potencial para novos reconhecimentos na região do Baixo São Francisco ................................. 37
Salinidade da água no Baixo Rio São Francisco ........................................................................ 42
Meteorologia durante a 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco .................................. 48
Avaliação Do Estado De Saúde De Espécies Do Baixo São Francisco: Um Estudo
Histopatológico .......................................................................................................................... 54
Arqueologia de ambientes aquáticos na 4ª Expedição Científica no Rio São Francisco ............. 62
Peixes como bioindicadores para monitoramento ambiental durante a IV Expedição do São
Francisco .................................................................................................................................... 71
Análise físico-química e microbiológica da água da região do Baixo São Francisco ................. 78
Amostragem de músculo de peixes do Baixo São Francisco para análise da composição
inorgânica. .................................................................................................................................. 84
Avaliação do potencial de eutrofização e da qualidade de água no Baixo São Francisco ........... 92
Estrutura fitossociológica e densidade populacional do caranguejo-uça no bosque de mangue da
Foz do Rio São Francisco ........................................................................................................... 97
Características da pesca no Baixo São Francisco Em 2021 ...................................................... 103
Fauna silvestre do Baixo São Francisco ................................................................................... 109
Ações de saúde bucal nas comunidades ribeirinhas da região do Baixo São Franciso na IV
Expedição do Baixo São Francisco .......................................................................................... 117
Coleta de água para determinação da qualidade da água para fins de irrigação ........................ 124
Monitoramento acústico passivo (map) do Rio São Francisco ................................................. 130
Ictiofauna do Baixo São Francisco ........................................................................................... 135
Vegetação em áreas ciliares do Baixo São Francisco ............................................................... 143
Estrutura do fitoplâncton do Baixo São Francisco.................................................................... 155
28
Estudos fitoquímicos e de química medicinal a partir de espécies vegetais da mata ciliar do Rio
São Francisco. .......................................................................................................................... 160
Poluentes emergentes no Baixo São Francisco ......................................................................... 167
Os Sistemas agrícolas tradicionais quilombolas no Baixo São Francisco: Percepções
Socioambientais, Território e Ancestralidade ........................................................................... 174
Diagnóstico socioambiental das comunidades difusas ribeirinhas do Baixo São Francisco:
Realidades e Perpcepções ......................................................................................................... 180
Teor de óleos e graxas no Baixo São Francisco ....................................................................... 190
Avaliação microbiológica de pescados comercializados em feiras livres de oito municípios do
Baixo São Francisco ................................................................................................................. 196
Monitoramento In Vivo dos aspectos reprodutivos dos peixes do Rio São Francisco............... 205
Ações de Comunicação ............................................................................................................ 210
Produção do documentário sobre o Rio São Francisco ............................................................. 220
Extensão rural e assistência técnica em municípios no Baixo São Francisco: Inclusão Social e
Ruralidades .............................................................................................................................. 225
Caracterização e monitoramento da ação antrópica no BSF a partir de imagens multiespectrais e
rgb obtidas por Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado) .............................................................. 239
Fossas agroecológicas para o tratamento de efluentes sanitários em escola municipais do Baixo
São Francisco ........................................................................................................................... 246
Produção Audiovisual ”Memórias Do Velho Chico” ............................................................... 254
A Governança das águas no Baixo Rio São Francisco ............................................................. 257
29
SEDIMENTOS DO BAIXO RIO SÃO FRANCISCO
Joel Marques da Silva1, Cosme Assis1, Lucas Cruz Fonseca2, Marcos Vinicius Teles
Gomes3, Marcus Aurélio Soares Cruz4, Carlos Alberto da Silva4, Petrônio Alves Coelho
Filho5, Marco Yves de Aguiar Vitório Praxedes5, Carlos Alexandre Borges Garcia1,
Silvânio Silvério Lopes da Costa1
1
Universidade Federal de Sergipe, 2Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe, 3Companhia
de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, 4Embrapa Tabuleiros Costeiros,
5
Universidade Federal de Alagoas,
INTRODUÇÃO
A presença de metais e semimetais, potencialmente tóxicos, estão entre os
principais contaminantes em ambientes fluviais, em especial nos sedimentos do leito
(Wang et al., 2018) causam preocupação devido a sua persistência pois são relativamente
estáveis e não podem ser degradados naturalmente, alta toxicidade e propriedades de
bioacumulação (Bibi et al., 2008). Uma vez que esses elementos são introduzidos no
ambiente fluvial, eles se acumulam e biomagnificam na cadeia alimentar, prejudicando
os ecossistemas e podendo impactar até a saúde humana (Mahipal et al., 2016).
O sedimento pode ser visto como um importante compartimento onde se
concentram vários compostos orgânicos e inorgânicos, permitindo a acumulação de
diversos contaminantes (Race et al., 2015). Descartes de águas residuais, sejam de fonte
doméstica ou industrial, podem conter uma carga de metais elevada, quando chega aos
córregos e rios torna-se um grave problema promovendo toxicidade significativa para
organismos aquáticos, outras fontes difusas como atividades ligadas a agricultura e
30
pecuária também são significativas em áreas rurais (Bouhamed et al., 2019). Também se
destacam fontes naturais como a erosão na bacia de drenagem, lixiviação de solos ou
ainda a deposição atmosférica. (Francisco et al., 2010).
Metais combinados com sedimentos podem ser liberados na água através da
interface entre esses dois compartimentos, aqueles de origem antropogênica geralmente
apresentam alta mobilidade, resultando também na deterioração da qualidade da água e
feitos nocivos na comunidade aquática (Simpson & Batley, 2007).
Este estudo busca caracterizar os níveis de elementos potencialmente tóxicos
presentes em sedimentos coletados na região do Baixo São Francisco, as amostras foram
distribuídas em diferentes municípios, desde Piranhas à foz do São Francisco.
METODOLOGIA
A área de estudo localiza-se na região do Baixo rio São Francisco (BSF) entre os
estados de Sergipe e Alagoas, cobrindo uma área de 25.500 quilômetros quadrados, onde
vive uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes, dos quais 440.000 residem em
áreas ao longo do rio São Francisco. O estudo abrangeu os municípios alagoanos de
Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Traipu, Porto Real do Colégio, Igreja Nova,
Penedo, Neópolis e Piaçabuçu e os municípios sergipanos de Propriá e Brejo Grande,
conforme pontos de coleta referenciados na Figura 1.
31
Figura 1. Localização dos pontos de coleta de amostras de sedimento do rio na região do
Baixo rio São Francisco na IV Expedição Científica.
Foram selecionados três pontos para coleta de amostras de sedimento em cada
município estudado. Assim, foram realizadas coletas próximas às duas margens e em um
ponto intermediário. No município de Piranhas a coleta de sedimentos não foi possível
devido à ausência desse compartimento, em função de fortes correntezas e substrato
bastante consolidado. A seguir, está disposta a tabela descritiva dos pontos de coleta de
amostras de sedimento, com coordenadas geográficas no Datum WGS1984 (Tabela 1).
As amostras de sedimento foram coletadas utilizando-se uma draga do tipo Van
Veen. Os sedimentos foram dispostos em sacos plásticos, devidamente identificados, e
levados em caixas térmicas e estocadas em temperaturas abaixo de -15 °C em freezer até
o momento da análise (Figura 2).
Figura 2. Procedimentos de coleta de amostras de sedimentos na IV Expedição do Baixo
Rio São Francisco em novembro de 2021.
Para as determinações multielementares pretende-se utilizar aberturas de amostra
parcial e total. As determinações serão realizadas por meio do uso de técnicas
espectroanalíticas, como a espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente
acoplado (ICP OES), aliada a técnicas de preparo e introdução de amostras, como a
geração de hidretos, e a análise direta para determinação de mércurio.
Para o procedimento de extração parcial será pesado aproximadamente 1,0 g da
amostra de sedimento seca, que serão transferidos para reatores de politetrafluoretileno
32
(PTFE), e serão adicionados 4 mL de uma solução de HNO3 6,15 mol L-1 e 10 mL de uma
solução de HCl 2,78 mol L-1. (Santos et al., 2013). Em seguida, será aquecido em sistema
fechado por 30 minutos a 95 ºC. Após o arrefecimento, os reatores serão abertos,
avolumados para 50 mL com água ultrapura e em seguida serão filtrados. Os extratos
serão armazenados em fracos de polietileno até análise (Silva et al., 2012).
Tabela 1. Localização dos pontos de coleta de amostras de sedimento no BSF.
Município
Piranhas/AL
Pão de Açúcar/AL
Belo Monte/AL
Traipu/AL
Propriá/SE
Igreja Nova/AL
Penedo/AL
Piaçabuçu/AL
Brejo Grande/SE
Ponto
PI1
PI2
PI3
PA1
PA2
PA3
BM1
BM2
BM3
TR1
TR2
TR3
PR1
PR2
PR3
IN1
IN2
IN3
PE1
PE2
PE3
PU1
PU2
PU3
FOZ1
FOZ2
FOZ3
Longitude
-37.751278
-37.749750
-37.749370
-37.447327
-37.449494
-37.450444
-37.244480
-37.244013
-37.247284
-37.006143
-37.005506
-37.006676
-36.836774
-36.831299
-36.827987
-36.672528
-36.661799
-36.660687
-36.582383
-36.580135
-36.571452
-36.430666
-36.431902
-36.442632
-36.398627
-36.407867
-36.410863
Latitude
-9.624347
-9.624700
-9.626304
-9.750914
-9.752503
-9.753866
-9.889896
-9.892764
-9.892921
-9.971428
-9.972609
-9.974881
-10.192243
-10.206496
-10.212273
-10.266311
-10.268844
-10.271721
-10.299611
-10.306073
-10.327155
-10.412070
-10.426152
-10.423743
-10.476388
-10.481488
-10.485840
Para o procedimento de extração total será pesado aproximadamente 0,6 g de
sedimento previamente seco e que serão transferidos para reatores de PTFE.
Posteriormente, serão adicionados 4 mL de HNO3 65% e 2 mL de HCl 37%. Com os
reatores ainda abertos, o sistema será aquecido a 60 ºC por 15 minutos, utilizando bloco
33
digestor. Logo após, serão adicionadas 4 mL de HF 48%, e em seguida, com os reatores
fechados, a temperatura do sistema será elevada para 140 ºC por 2 horas (SILVA, et al.
2012). Após o resfriamento, eles serão abertos e a temperatura será ajustada para 210 ºC,
até a secagem total. Para a dissolução do resíduo, serão adicionados 10 mL de solução de
HCl 0,5 mol L-1, as amostras serão filtradas e o volume completado para 50 mL com água
ultrapura. Os extratos serão armazenados em fracos de polietileno até análise (Canuto et
al., 2013).
A análise estatística dos dados será realizada por meio do programa R e serão
produzidos mapas das variáveis utilizando o software livre QGIS.
RESULTADOS ESPERADOS
Através deste estudo será possível investigar a distribuição espacial, na região do
Baixo São Francisco, de elementos potencialmente tóxicos, assim como seus níveis de
concentração. Além disso, relacionar com aspectos ambientais que podem explicar quais
seriam as fontes naturais e/ou antrópicas. Reconhecer as características dos pontos de
poluição (quando houver) e procurar soluções de remediação para proteger os
ecossistemas aquáticos e a água.
Foram observados sedimentos bastante distintos em composição e granulometria.
Sedimentos localizados mais distantes da foz tendem a ser mais arenosos enquanto aqueles
mais próximos a essa região são mais ricos em matéria orgânica, conforme observado na Figura
3. Também se observa que as amostras de sedimentos localizadas nas laterais do rio tendem a
possuir uma maior carga de matéria orgânica, conforme observado na Figura 4, pois está mais
próxima das fontes, seja de fontes naturais como o carreamento por água da chuva e
assoreamento das margens como por fontes antropogênicas tais quais os lançamentos de
efluentes e áreas de agricultura e pecuária.
34
A
C
B
Figura 3. Amostras de sedimento do Baixo São Francisco: A – Pão de Açúcar, B – Igreja
Nova, C – Piaçabuçu.
A
B
C
Figura 4. Amostras de sedimentos da foz do Rio São Francisco: A – margem alagoana,
B – leito, C- margem sergipana.
REFERÊNCIAS
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sediment cores from Masuda City, southwestern Japan. Environ. Geol. 2008, 54, 791–
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extraction scheme. Environmental Monitoring and Assessment. 185, 6173–6185, 2013.
35
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metals in the surface seawater of the Yellow River Estuary, China. Mar. Pollut. Bull.
2018, 137, 465–473.
36
INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS EM ALAGOAS E SERGIPE:
PROSPECÇÃO DE CAMPO INICIAL PARA AVALIAÇÃO DO
POTENCIAL PARA NOVOS RECONHECIMENTOS NA REGIÃO
DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Alexandre Guimarães Vasconcellos, D. Sc.
Divisão de Pós-graduação e Pesquisa do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
INTRODUÇÃO
O objetivo central de minha primeira participação na Expedição Científica do Rio
São Francisco foi tentar compreender como os instrumentos de propriedade intelectual e,
em especial, as indicações geográficas (IGs) podem contribuir para a valorização cultural,
técnica, social e econômica do saber-fazer das populações que habitam o Baixo São
Francisco, incluindo-se entre elas comunidades tradicionais, a exemplo de ribeirinhos,
quilombolas e indígenas.
A interação com produtores e autoridades dos municípios permitiu tomar
conhecimento de uma grande diversidade de produtos regionais como o mel do sertão
alagoano, cuja cooperativa relacionada no município de Piranhas já agrega mais de 100
associados, o bordado da Ilha do Ferro, o doce de batata-doce de Propriá e a pimenta-rosa
e o bolo de macaxeira de Piaçabuçu.
37
O processo de identificação do potencial de Indicações Geográficas como
ferramenta para o desenvolvimento regional sustentável envolve a compreensão de que é
a comunidade envolvida que deve ser a maior protagonista do processo e deve
compreender como a identificação da região nos produtos, com a devida preservação da
qualidade, pode servir como um diferencial para distinguir os produtos da região e,
consequentemente, ter o efeito direto de agregar valor ao mesmo.
A partir da compreensão do benefício direto que pode ser gerado aos produtores
pela IG, outras camadas de benefícios sociais se somam, como, por exemplo, no que tange
à qualificação técnica dos produtores envolvidos no processo e a melhoria do turismo
qualificado com foco na cultura e nos produtos regionais, o que pode beneficiar de
maneira substancial os municípios envolvidos nos aspectos educacionais, técnicos,
sociais e econômicos. Sendo assim, também se faz necessário para que o projeto de
pesquisa possa gerar subsídios para um futuro reconhecimento de uma ou mais Indicações
Geográficas que o poder público local e regional esteja envolvido e anseie por este
reconhecimento.
Esta primeira incursão no campo já gerou desdobramentos e um projeto conjunto
sobre a história e o território do bordado da Ilha do Ferro e seu potencial para futuro
reconhecimento como uma indicação geográfica já foi iniciado pela mestranda Camila
Moura Lacerda que está sendo orientada pela Professora Tatiane Balliano no ProfinitUFAL e agora contará com a minha coorientação.
METODOLOGIA
38
Esta pesquisa utiliza como metodologia técnicas de pesquisa participativa e, em
especial, pesquisa-ação. Conforme definido por Thiollent (1985), a pesquisa-ação é um
tipo de investigação social com base empírica que é concebida e realizada em estreita
associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os
pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão
envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
O planejamento da pesquisa-ação difere significativamente de outros tipos de
pesquisa. Não apenas em virtude de sua flexibilidade, mas, sobretudo, porque, além dos
aspectos referentes à pesquisa propriamente dita, envolve também a ação dos
pesquisadores e dos grupos interessados, o que ocorre nos mais diversos momentos da
pesquisa. Daí porque se torna difícil apresentar seu planejamento a partir de fases
ordenadas temporalmente (Gil, 1991).
Na pesquisa-ação ocorre um constante vaivém entre as fases, que é determinado
pela dinâmica do grupo de pesquisadores em seu relacionamento com a situação
pesquisada. Assim, o que se pode, à guisa de delineamento, é apresentar alguns conjuntos
de ações que, embora não ordenados no tempo, podem ser considerados como etapas da
pesquisa-ação (Gil, 1991).
São eles, segundo Gil (1991):
a)
fase exploratória;
b)
formulação do problema;
c)
construção de hipóteses;
d)
realização do seminário;
e)
seleção da amostra;
f)
coleta de dados;
g)
análise e interpretação dos dados;
h)
elaboração do plano de ação;
i)
divulgação dos resultados.
Dessa forma, o conjunto da pesquisa-ação se serve de uma metodologia
sistemática, não necessariamente linear, que tem a perspectiva de transformar as
realidades observadas, a partir de sua compreensão, conhecimento e compromisso para a
ação dos agentes envolvidos na pesquisa. Portanto, o objeto da pesquisa-ação é
indissociável de seu contexto e os pesquisadores envolvidos devem estar muito cientes
39
disso e próximos da realidade estudada para não correr o risco de ao tentar analisar um
conjunto de variáveis isoladas sem considerar o contexto, esvaziá-la.
RESULTADOS PRELIMINARES E RESULTADOS ESPERADOS:
A IV Expedição Científica do Rio São Francisco, realizada no período de 01 a 10
de novembro de 2021, constituiu a fase exploratória da pesquisa, onde foram
estabelecidos contatos e visitadas, em companhia do Professor Doutor Fabiano Leite
Gomes, algumas Associações de produtores como a Cooperativa dos Produtores de Mel,
Insumos e Produtos da Agricultura Familiar (COOPEAPIS), localizada em AL 220 S/N
– Distrito de Piau, Piranhas - AL (CNPJ: 08418802/0001-280). Tel: (82)99800-0635. Email: coopeapis@hotmail.com CEP: 57460-000, no dia 01 de novembro e a Associação
Aroeira, localizada na Rodovia Dalmo Santana Km 3, Piaçabuçu – AL (CNPJ:
14026278/0001-42)
Informações
e
distribuição:
Instituo
Ecoengenho
–
www.ecoengenho.org.br, contatos Sra. Rita e Sr. Jorge, telefone: (82) 9831-9998, no dia
08 de novembro de 2021. Além dessas associações, foram visitadas 4 comunidades
quilombolas, 2 comunidades de agricultores e a comunidade indígena Aconã, a qual tive
a oportunidade de estabelecer contato com o Cacique Saraiva, sua filha Iara e o Pajé
Reinaldo.
Também foi possível observar as condições de vida de várias comunidades e
identificar projetos interessantíssimos como o das guardiãs de semente, liderado pela
Dona Maria Francisca, na comunidade Poço Doce 2, no município de Piranhas, onde
estão depositadas mais de 50 espécies e variedades vegetais tradicionalmente plantadas
pela comunidade e adaptadas à região da caatinga. Observou-se também o destaque da
organização e do empoderamento das mulheres em vários povoados quilombolas.
Constatou-se que existem produtos regionais já conhecidos há muito tempo nas
localidades e cuja tradicionalidade é nomeada por várias pessoas da região. Um exemplo
nesse sentido é o artesanato de madeira e o bordado da Ilha do Ferro, no município de
Pão de Açúcar, que se destaca nos estilos Boa noite, Labirinto e Ponto de cruz segundo
comunicação pessoal do Sr. Jackson Borges. Foi também identificado o interesse das
autoridades municipais de Pão de Açúcar em destacar e divulgar essa produção do
bordado da Ilha do Ferro e em aprofundar os estudos para viabilizar uma futura Indicação
Geográfica, seja na modalidade de Indicação de Procedência ou, até mesmo, na
modalidade de Denominação de Origem que necessita para o seu reconhecimento da
dependência de fatores naturais ou humanos exclusivos da região. Nesse sentido,
40
construiu-se a hipótese da viabilidade do desenvolvimento de uma Indicação Geográfica
envolvendo o bordado da Ilha do Ferro e para avançar nessa construção a Professora
Tatiana Balliano e a aluna de mestrado Camila Lacerda já realizaram uma reunião em Pão
de Açúcar na semana seguinte a da Expedição. Os dados estão sendo coletados com a
finalidade de se delinear a área geográfica alcançada pelo produto, os atores-chave
envolvidos com o processo produtivo, as questões técnicas relacionadas e os agentes
públicos que poderão atuar como facilitadores para a continuidade do projeto.
A perspectiva é que até a Expedição de 2022 essas informações já estejam
mapeadas junto à comunidade e agentes públicos de maneira a fornecer os subsídios,
discutir os condicionantes e apontar a viabilidade de um possível pedido de
reconhecimento de IG para o bordado dessa região.
Nesse período de um ano entre a quarta e a quinta expedição também serão
aprofundados os contatos feitos com as associações envolvidas na produção de mel e de
pimenta-rosa, de maneira a auxiliar com informações relevantes para a construção da
notoriedade dos produtos, condição sine qua nom para viabilizar um eventual
reconhecimento de IG no futuro.
Por fim, verificou-se que algumas comunidades precisam de apoio urgente das
próximas expedições, a exemplo dos índios Aconã, cuja aldeia está sendo afetada pelo
desbarrancamento das margens do rio e com o assoreamento do mesmo. O Cacique
Saraiva, sua filha Iara e o Pajé Reinaldo têm interesse na melhoria das condições para as
crianças poderem estudar na própria aldeia e num projeto de produção de mudas de
plantas capazes de evitar esse desbarrancamento das margens do rio. Informaram também
que tem espaço disponível para implantar um viveiro de mudas caso alguém se disponha
a colaborar.
41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 19ª ed. - São Paulo: Atlas, 1991. 159p.
THIOLLENT, M. Metodologia de pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1985.
SALINIDADE DA ÁGUA NO BAIXO RIO SÃO FRANCISCO
Marcus Aurélio Soares Cruz1, Carlos Alberto da Silva1, Silvânio Silvério Lopes da Costa2,
Carlos Alexandre Borges Garcia2, Joel Marques2, Petrônio Alves Coelho Filho3, Marco Yves de
Aguiar Vitório Praxedes3, Lucas Cruz Fonseca4
1
4
Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2Universidade Federal de Sergipe, 3Universidade Federal de Alagoas,
Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe
INTRODUÇÃO
A intrusão salina no Baixo Rio São Francisco, associada à poluição hídrica, vem
afetando negativamente as atividades econômicas da região, podendo vir a inviabilizar,
em último caso, a utilização das águas para fins de abastecimento humano, com prejuízos
não restritos apenas aos municípios ribeirinhos à calha do rio São Francisco (Gonçalves,
2016; Medeiros et al., 2016), mas a todos os municípios que utilizam essas águas para
fins de abastecimento. Esse cenário tem mostrado sinais de piora nos últimos anos, e pode
ser associado à exploração excessiva de recursos naturais, como a remoção de mata ciliar
em rios tributários e ao baixo nível, ou não realização, de tratamento de esgoto urbano
nos municípios da região, com impactos agravados pela ocorrência de longos períodos de
seca, levando a decisões gerenciais que não promoveram adequadamente os usos
múltiplos da água do rio (Cunha, 2015).
O regime de vazões do rio São Francisco nessa região é regido pelos reservatórios
localizados nas partes mais altas da bacia, como as barragens de Sobradinho, Itaparica e
42
Xingó, cujas afluências foram reduzidas nos últimos anos, devido ao uso inadequado da
terra, com redução da produção de água na bacia e aumento da erosão do solo, bem como
sucessivos períodos de seca (CHESF, 2017). Como consequência, há uma redução
gradual dos fluxos mínimos no rio, com impactos significativos, dentre os quais o avanço
da cunha salina na região da foz, causando a salinização das águas utilizadas para
abastecimento e atividades agrícolas, com alterações na biota local e diminuição dos
estoques pesqueiros, resultando no desaparecimento de algumas espécies de peixes e
crustáceos, e o surgimento de outros afeitos a ambientes salinizados. Associados a esta
questão, a menor capacidade depurativa do rio, resultado de vazões mais baixas ao longo
de períodos mais longos, contribui significativamente para a manutenção de poluentes em
concentrações prejudiciais à biota, consumo e irrigação de culturas (Medeiros et al.,
2016). Assim, verifica-se uma diminuição da capacidade produtiva dos setores
econômicos que dependem da flutuação dos níveis de água para o seu desenvolvimento
adequado, como o cultivo de arroz e a piscicultura, por exemplo; e logicamente, uma
diminuição nos índices de desenvolvimento humano da população da região (Cunha,
2015).
Este estudo buscou caracterizar a atual situação da presença de sais nas águas do rio São
Francisco por meio de análises de amostras coletadas ao longo de pontos localizados em
diferentes municípios da região do Baixo São Francisco.
METODOLOGIA
A área de estudo localiza-se na região do Baixo rio São Francisco (BSF) entre os
estados de Sergipe e Alagoas, cobrindo uma área de 25.500 quilômetros quadrados, onde
vive uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes, dos quais 440.000 residem em
áreas ao longo do rio São Francisco. O estudo abrangeu os municípios alagoanos de
Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Traipu, Porto Real do Colégio, Igreja Nova,
Penedo, Neópolis e Piaçabuçu e os municípios sergipanos de Propriá e Brejo Grande,
conforme pontos de coleta referenciados na Figura 1.
43
Figura 1 – Localização dos pontos de coleta de amostras de água do rio na região do Baixo rio
São Francisco na IV Expedição Científica
Foram selecionados vinte e sete pontos para coleta de amostras de água de forma
aleatória, buscando representar o comportamento médio das seções de medição do rio
presentes em cada município. Assim, foram realizadas coletas próximas às duas margens
e em um ponto intermediário, priorizando os horários de maré alta (Figura 1). A seguir,
está disposta a tabela descritiva dos pontos de coleta de amostras de água, com
coordenadas geográficas no Datum WGS1984 (Tabela 1).
Tabela 1 – Localização dos pontos de coleta de amostras de água no BSF.
Município
Piranhas/AL
Pão de Açúcar/AL
Belo Monte/AL
Traipu/AL
Propriá/SE
Ponto
PI1
PI2
PI3
PA1
PA2
PA3
BM1
BM2
BM3
TR1
TR2
TR3
PR1
PR2
Longitude
-37.751278
-37.749750
-37.749370
-37.447327
-37.449494
-37.450444
-37.244480
-37.244013
-37.247284
-37.006143
-37.005506
-37.006676
-36.836774
-36.831299
Latitude
-9.624347
-9.624700
-9.626304
-9.750914
-9.752503
-9.753866
-9.889896
-9.892764
-9.892921
-9.971428
-9.972609
-9.974881
-10.192243
-10.206496
44
Igreja Nova/AL
Penedo/AL
Piaçabuçu/AL
Brejo Grande/SE
PR3
IN1
IN2
IN3
PE1
PE2
PE3
PU1
PU2
PU3
FOZ1
FOZ2
FOZ3
-36.827987
-36.672528
-36.661799
-36.660687
-36.582383
-36.580135
-36.571452
-36.430666
-36.431902
-36.442632
-36.398627
-36.407867
-36.410863
-10.212273
-10.266311
-10.268844
-10.271721
-10.299611
-10.306073
-10.327155
-10.412070
-10.426152
-10.423743
-10.476388
-10.481488
-10.485840
As amostras de água foram coletadas na superfície e fundo utilizando-se garrafa
de Van Dorn. A água foi transferida a bordo para garrafas de polietileno de 500 mL
previamente limpas com detergente neutro e, em seguida, em banho ácido de HNO 3 10%
v/v por 24 horas e enxaguados com água Mili-Q (18 μΩ), devidamente identificadas,
transportadas refrigeradas em caixas térmicas até o laboratório e estocadas em
temperaturas abaixo de -15 °C em freezer até o momento da análise (Figura 2). As
análises dos íons sódio (Na), cloreto (Cl), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) na água serão
feitas em cromatógrafo de íons no laboratório da Companhia de Saneamento de Sergipe
(DESO). Os parâmetros físico/químicos pH, temperatura da água, condutividade elétrica,
sólidos totais dissolvidos e salinidade foram medidos in situ por meio da utilização de
uma sonda multiparamétrica modelo YSI EXO1. A análise estatística dos dados será
realizada por meio do programa R e serão produzidos mapas das variáveis utilizando o
software livre QGIS.
45
Figura 2 – Procedimentos de coleta de amostras de água e medição na IV Expedição do Baixo
Rio São Francisco em novembro de 2021
A avaliação da condição ambiental e de usos múltiplos das águas será realizada
por meio da comparação aos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357, de
17 de março de 2005; pela Portaria de Consolidação nº 5 de 28/09/2017 do Ministério da
Saúde sobre padrões de potabilidade, e limites estabelecidos pelo documento da FAO
relacionado ao uso para irrigação (Ayers & Westcot, 1994). Os valores limites utilizados
bem como as respectivas fontes de consulta estão listados na Tabela 2.
RESULTADOS ESPERADOS
As análises laboratoriais a serem executadas deverão indicar o avanço da cunha
salina e sua relação direta com a maré, principalmente nos municípios próximos a foz do
rio São Francisco, a partir de Piaçabuçu, provocando mudanças também na
biodiversidade e, consequentemente, interferindo nas atividades socioeconômicas dos
ribeirinhos.
Faz-se de extrema relevância o estabelecimento de uma rede de monitoramento
da qualidade das águas, relativa aos teores de sais, associada à variação horária das marés
na região do Baixo rio São Francisco, de forma a um melhor entendimento das relações
entre as vazões do rio, regidas pelas liberações dos reservatórios e o alcance da cunha
salina ao longo de seu curso.
Tabela 2. Limites comparativos para avaliação ambiental e de usos múltiplos para os
parâmetros medidos nas amostras de água coletadas no Baixo São Francisco
Parâmetro
pH
Salinidade
CE (dS.m-1)
Restrição para
irrigação
SDT
Na+
Ca++
Mg++
Cl Na+
Cl -
Limites
6,0 a 9,0
Águas doces < 0,5 ‰
0,5 ‰ < Águas salobras < 30,0‰
30,0‰ > Águas salinas
Nenhuma < 0,7
0,7 < Moderada < 3,0
Severa > 3,0
2000,0 mg/L
900,0 mg/L
400,0 mg/L
60,0 mg/L
1000,0 mg/L
200,0 mg/L
250,0 mg/L
Fonte
CONAMA 357/05
FAO
(Ayers & Westcot, 1994)
Portaria 05/2017 MS
Potabilidade
46
REFERÊNCIAS
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M.A., Bruna, G.C. Curso de Gestão Ambiental. Universidade de São Paulo. 2004, pp.5399.
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partir da UHE Sobradinho. 45° Relatório Mensal de Acompanhamento. Companhia
Hidrelétrica do São Francisco. Dezembro. 2017.
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do Rio São Francisco. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Geografia do
Centro de Ciências e Tecnologia. Universidade Estadual do Ceará. 2015. 231 p.
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Limnologica Brasiliensia, 2016, vol. 28, e5.
47
METEOROLOGIA DURANTE A 4ª EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA DO
BAIXO SÃO FRANCISCO
Ricardo Araujo Ferreira Junior1, Isabela Cristina da Silva Passos Tibúrcio2
¹
Professor e Engenheiro Agrônomo, Laboratório de Irrigação e Agrometeorologia (LIA), Campus de
Engenharias e Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
²
Professora e Arquiteta, Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de
Alagoas (UFAL)
INTRODUÇÃO
A meteorologia/climatologia é importante em várias áreas de interesse da
sociedade, por exemplo na determinação de potenciais usos de energias renováveis (solar
e eólica) e na estimativa da evapotranspiração de cultivos que é uma informação
primordial para uma irrigação com o uso racional da água. Depois da precipitação, a
temperatura do ar é o elemento da meteorologia/climatologia de maior interesse para o
ser humano (Ayoade, 1996). A temperatura do ar é uma variável importante para o
funcionamento dos sistemas biológicos, atuando como um indicador da energia térmica
disponível no ambiente para o crescimento e desenvolvimentos dos seres vivos. A maioria
das reações metabólicas é influenciada pela temperatura do ar (Jones, 1992).
48
Sabe-se que a fonte de energia primaria dos ecossistemas é a radiação solar, e que
após o balanço de radiação no ambiente tem-se um saldo de energia, este é utilizado
principalmente para os processos de evapotranspiração (fluxo de calor latente) e de
aquecimento do ar e do solo (fluxo de calor sensível). As pesquisas com balanço de
energia comprovam que quando o suprimento hídrico é adequado, a energia disponível
no ambiente tem maior porção para o fluxo de calor latente, ou seja, para a
evapotranspiração, assim atenuando a temperatura do ar. Logo, temperaturas do ar
elevadas estão associadas as condições hídricas de uma localidade considerando uma
pequena escala. Todavia, em escala global, o aquecimento é um fato. A temperatura do
ar média próximo a superfície do planeta aumentou cerca de 1,18 ºC desde o final do
século 19, uma mudança impulsionada em grande parte pelo aumento das emissões de
CO2 na atmosfera e outras atividades humanas (Zhongming et al., 2021). Os eventos
extremos (ondas de calor, chuvas torrenciais, secas) estão ficando mais intensos e mais
frequentes.
Para permitir a dissipação da energia (calor) gerada pelo metabolismo e pelo
trabalho físico, a temperatura ambiente deve ser menor que a temperatura corporal. Na
maioria das espécies, a temperatura corporal começa a aumentar quando a temperatura
ambiente atinge 28 ºC. Geralmente, espécies que suam resistem melhor às condições de
excesso de calor que aqueles que se refrigeram pela respiração.
Quando o corpo se encontra em estado de stress térmico provocado por altas
temperaturas, se inicia um processo de termorregulação onde ocorre a vasodilatação que
aumenta o volume de sangue no corpo e acelera o ritmo cardíaco provocando a
transpiração. Por ser homeotérmico, o homem busca sempre estar em equilíbrio com o
meio através do conforto térmico, que seria o estado de satisfação com o meio térmico
que o circunda.
Portanto, o conhecimento das variáveis meteorológicas (tempo) também é
fundamental para garantir condições de conforto térmico nos espaços edificados e nas
cidades de maneira geral. Desta forma, o estudo da meteorologia/climatologia pode ser
considerado uma importante ferramenta, capaz de auxiliar também no planejamento
urbano e projeto de edificações, na busca de um equilíbrio entre o desenvolvimento e a
observação das premissas ambientais, necessárias tanto para o meio ambiente, quanto
para o homem (HIGUERAS, 2006).
49
Nesse contexto, é importante a realização de observações meteorológicas e,
também, estudos de possíveis adaptações em relação aos eventos extremos,
principalmente associado ao balanço de energia e conforto ambiental.
Assim, este trabalho teve por objetivo monitorar e analisar as variáveis
meteorológicas durante a Expedição Científica do Baixo São Francisco, ocorrida em
novembro de 2021.
METODOLOGIA
Na 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco foram observadas as variáveis
meteorológicas: radiação solar, velocidade do vento e a temperatura do ar. Todas as
medidas supracitadas foram realizadas com sensores automáticos que estavam
conectados a um sistema de aquisição de dados (Datalogger CR1000, Campbell
Scientific) e programados para realizar medidas a cada 10 segundos e armazenadas
médias a cada um (1) minuto (Figura 1). O sistema também foi contemplado por um
conjunto de fornecimento de energia elétrica, composto por uma bateria de 12V e 7Ah,
um módulo fotovoltaico e um controlador de carga. As observações foram realizadas na
embarcação Magnífica, esta foi escolhida por ter um porte mais alto.
Figura 1. Sistema de observação meteorológica instalado na 4ª Expedição Científica do Baixo
São Francisco.
50
As observações da radiação solar foram realizadas através de um piranômetro
(modelo CM3, Kipp & Zonen) (Figura 1), o qual foi previamente calibrado por um
piranômetro de segunda classe especificado pelo ISO 9060 (modelo CMP 21, Kipp &
Zonen). As medidas de irradiância solar global (Watt por metro quadrado – W m-2 ou J s1
m-2), com médias de um em um minuto, foram integradas a cada hora (irradiação solar
global horária e diária (Hg, Watt-hora por metro quadrado – Wh m-2).
A temperatura do ar (Ta) foi monitorada por um termômetro (Probe 107,
Campbell Scientific) (Figura 1) instalado no abrigo apropriado para proteger o sensor da
incidência direta de radiação solar. A velocidade do vento foi mensurada por um
anemômetro do tipo de conchas, também instalado no piso superior do barco, conforme
é visualizado na Figura 1.
RESULTADOS ESPERADOS/ PARCIAIS
As observações dos elementos meteorológicos radiação solar global e
velocidade do vento ainda não foram processadas. Todavia, com o intuito de analisar a
condição de desconformo térmico notado na expedição em alguns dias, os dados de
temperatura do ar foram processados com prioridade para esse relatório parcial e
comparados com os das expedições anteriores (2019 e 2020), conforme apresentados nas
Figuras 1 e 2.
Nas expedições dos anos 2019 e 2020, as temperaturas do ar máximas não
ultrapassaram 36 °C (Figura 2), apesar de apresentarem dias com temperaturas acima de
30 ºC. Porém, na expedição de 2021, o desconforto com as elevadas temperaturas foi
notório. Nesse ano (4ª expedição) alguns pesquisadores e tripulantes tiveram dor de
cabeça, diarreia e náusea, sintomas que podem estar associados com as condições
meteorológicas.
51
Figura 2. Temperatura do ar (°C) média a cada 1 minuto durante as Expedições Científicas do
Baixo São Francisco no ano 2019 e 2020.
A maior temperatura do ar registra durante as expedições ocorreu no dia 2 de
novembro no ano de 2021 no município de Pão-de-açúcar (39,2 ºC) (Figura 3). Na cidade
de Pão-de-açúcar é comum relatos de desconforto por elevadas temperaturas,
principalmente no verão (Figura 4). Mas vale ressaltar, que o desconforto térmico não foi
apenas na cidade de Pão-de-açúcar. Os municípios de Piranhas, Traipu, São Braz, Própria
e até em Igreja Nova (povoado de Chinaré) o desconforto térmico foi notado. Assim, é
importante ações que melhores o conforto da população dessas localidades.
52
Figura 3. Temperatura do ar (°C) média a cada 1 minuto durante a Expedição Científica do Baixo
São Francisco no ano 2021.
Figura 4. Registro e rotina da cidade de Pão-de-Açúcar, relacionado às elevadas temperaturas.
RECOMENDAÇÕES PRELIMINARES
Com o aumento significativo dos valores de temperatura do ar, recomenda-se que
tanto o planejamento urbano quanto o projeto de futuras edificações e reformas, sejam
realizados com base nesses novos dados, de maneira a proporcionar um maior conforto
térmico da população que reside na região.
Recomenda-se, de maneira preliminar o uso da vegetação nos espaços urbanos,
sobretudo árvores de médio e grande porte, a fim de proporcionar sombreamento,
permitindo a permanência da população em praças e vias públicas. Sabe-se que a
vegetação é um dos principais elementos para construção de um espaço público de
qualidade (GAETE, 2017), pois favorece o conforto térmico, em especial em cidades
quentes, ao proporcionar sombras; melhora a qualidade do ar, ao absorver gás carbônico
e liberar oxigênio; além de trazer beleza e bem-estar, estimulando o uso dos equipamentos
públicos e consequentemente favorecendo a sensação de pertencimento e vínculo com o
local.
Além disto, as estratégias de projeto nos edifícios precisam ser repensadas de
modo a promover um maior sombreamento e ventilação natural, para amenizar a sensação
de calor. Uma das formas de prevenir os ganhos térmicos nas edificações é através das
estratégias de sombreamento que podem ocorrer mediante o uso de elementos como
beirais, varandas, brises ou a própria vegetação. O uso de grandes aberturas, bem como a
localização adequada delas nas fachadas dos edifícios, também pode auxiliar, permitindo
53
um maior fluxo de ar no interior das edificações e minimizando a sensação de desconforto
causada pelas altas temperaturas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AYOADE, J.O. 1996. Introdução à climatologia para os trópicos. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil.
GAETE, 2017. Como construir lugares para melhorar a saúde mental dos
habitantes. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/870258/como-construirlugares-para-melhorar-a-saude-mental-doshabitantes?utm_medium=email&utm_source=Arch Daily%20Brasil>. Acesso em 01 dez
2021.
HIGUERAS, E. Urbanismo Bioclimático. Barcelona: Gustavo Gili, 2006.
JONES, H.G. Plants and microclimate: a quantitative approach to environmental plant
physiology. Cambridge University Press, 1992, 85 p.
ZHONGMING, Z., Linong, L., Wangqiang, Z. and Wei, L., 2021. AR6 Climate Change
2021: The Physical Science Basis.
AVALIAÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE DE ESPÉCIES DO BAIXO
SÃO FRANCISCO: UM ESTUDO HISTOPATOLÓGICO
Priscylla Costa Dantas1; Lucas de Oliveira Arruda2; Lívia Almeida de Souza2
1
Professora, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA), Campus de Engenharias e
Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
2
Graduandos em Zootecnia, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA), Campus de
Engenharias e Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
54
INTRODUÇÃO
Com uma área de aproximadamente 25.500km 2 o Baixo São Francisco é uma
mesorregião da bacia hidrográfica que compreende os estados de Alagoas e Sergipe, onde
residem 1,5 milhão de habitantes, dos quais cerca de 440mil fazem parte da população
ribeirinha (SOARES, VIEIRA, NAVAS, 2020). Por se localizar no semiárido nordestino,
região de constantes conflitos, em especial sobre o uso da terra, muitas comunidades tem
no rio sua principal fonte de subsistência.
De acordo com Silva, Galvíncio e Almeida (2010), entre as principais ações que
contribuem para degradação da qualidade hídrica do Baixo São Francisco estão a
extensão de áreas agrícolas e ocupações irregulares situadas às margens do rio,
assentamentos humanos, destruição de matas ciliares, especulação imobiliária e o não
cumprimento de leis ambientais demonstrando o total desrespeito do homem com a
sustentabilidade dos recursos naturais.
Este cenário é agravado pelo uso descontrolado de agrotóxicos nas culturas
existentes no entorno do rio (principalmente cana-de-açúcar e arroz), utilização de
fertilizantes químicos que podem ser lixiviados e pelo lançamento de efluentes
domésticos e industriais sem tratamento diretamente no corpo d’agua. Apesar da
exploração do rio para as mais diversas finalidades, o baixo curso ainda é utilizado como
meio de subsistência para as comunidades locais que sobrevivem da pesca.
Barbosa et al. (2017) afirmam que das águas do Baixo São Francisco provem
espécies de grande importância na alimentação humana e alvo de pesca intensiva. Entre
as espécies que se destacam, Soares et al. (2020) citaram que as espécies endêmicas
pirambeba Serrasalmu sbrandtii (Characiforme, Serrasalmidae) e pacu-prata Myleus
micans (Characiforme, Serrasalmidae), a espécie nativa piau-branco Leporinus sp.
(Characiforme, Anostomidae), além da espécie introduzida tucunaré Cichla sp.
(Perciforme, Cichlidae) estavam entre as mais capturadas durante a Expedição Científica
de 2020, aparecendo representativamente em aproximadamente 70% dos peixes
coletados.
A contaminação originada das atividades antrópicas próximas às margens do rio
como a que ocorre no Baixo São Francisco, podem liberar nas águas dezenas de milhares
de compostos químicos com potencial citotóxico que atingem os corpos límnicos através
do escoamento superficial, irrigação ou por percolação no solo, causando eutrofização e
intoxicação para a comunidade aquática (MANRIQUE et al., 2013). O efeito destes
55
poluentes na cadeia trófica, mais especificamente nos peixes, vem sendo estudado por
Dantas et al. (2020; 2021) na região do Baixo São Francisco, através de análises
histopatológicas.
A histopatologia possibilita o estudo de alterações celulares dos tecidos, sendo
uma ótima ferramenta para identificar problemas em órgãos-alvo específicos, incluindo
as brânquias e o fígado, que são responsáveis por funções vitais, como respiração, e o
acúmulo e biotransformação de xenobióticos nos peixes. (GERNHOFER et al., 2001; DE
LA TORRE; FERRARI; SALIBAN, 2005). Essas análises são consideradas técnicas
abrangentes de biomonitoramento para avaliar a saúde do peixe e sua sobrevivência em
ecossistemas aquáticos poluídos (DEORE; WAGH 2012).
As investigações histopatológicas estão entre as principais áreas com foco em
pesquisas para validação de marcadores de efeitos tóxicos de poluentes aquáticos em
campo. Através desses estudos é possível caracterizar os impactos de produtos químicos
advindos da contaminação dos recursos hídricos nos tecidos (SCHWAIGER et al., 1997;
DANTAS et al., 2021).
Com auxílio da Histopatologia é possível fornecer uma melhor avaliação tanto da
saúde dos peixes quanto dos efeitos da poluição, isso porque as mudanças
histopatológicas integram o impacto de uma variedade de estressores (patógenos,
compostos tóxicos e condições nutricionais e ambientais desfavoráveis). Além disso,
biomarcadores histopatológicos são considerados confiáveis marcadores, pois
incorporam fatores bióticos e da qualidade da água em uma visão holística sobre o status
dos peixes, e o estresse ambiental sob o qual estão expostos (ZIMMERLI et al., 2007;
POLEKSIC et al., 2010; DANTAS et al., 2021).
Diante dos impactos causados pelas ações antropogênicas na região do BSF, no
qual organismos aquáticos estão expostos a contaminantes, o objetivo do presente
trabalho é avaliar através de análises histopatológicas das brânquias e do fígado a relação
direta entre a contaminação e os efeitos celulares e teciduais provocados por eles, e dessa
forma fornecer subsídios para diagnósticos de impactos ambientais, quantificação dos
danos causados nos peixes, além de fornecer informações para gerar ações que reduzam
os efeitos da atividade humana sobre a sanidade desses animais.
MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Coleta e processamento das amostras
56
Durante as coletas realizadas na IV Expedição Científica do São Francisco,
amostras de peixes foram separadas para análises histopatológicas. No critério de escolha
das espécies, tiveram prioridade espécies nativas de importância econômica para região
e espécies exóticas que haviam sido capturadas e analisadas na III Expedição Científica
do São Francisco, realizada em 2020, para que os resultados pudessem ser comparados e
fosse possível identificar alguma alteração no intervalo de um ano.
Foram coletadas amostras de 84 indivíduos de quatros espécies, em sete pontos
situados em municípios do Baixo São Francisco. Na escolha das espécies a serem
estudadas, foram incluídas a Cichla piquiti (tucunaré), Metynnis maculatus (pacu-prata),
Serrasalmus brandtii (pirambeba), e Megaleporinus sp. (piau-branco) (Figura 1)
coletados nos municípios de Piranhas, Pão de açúcar, Traipu, São Brás, Propriá, Penedo
e Piaçabuçu.
Após captura, os peixes coletados foram identificados, aferidos dados biométricos
tais como o Comprimento Total (CT), o Comprimento Padrão (CP) e o peso (g), e
realizada a sexagem. Posteriormente foram dissecados e os fígados e brânquias (Figura
2), fixados em formol a 10% e após 24 horas fixados em álcool 70% e levados para o
Laboratório Aquicultura e Análise de Águas (LAQUA) do Centro de Ciências agrárias
(CECA-UFAL), onde os estudos histológicos foram desenvolvidos.
Para realização das análises histológicas, foram retirados fragmentos do fígado e
das brânquias e acondicionados em tubos de eppendorf de 2 mL. Posteriormente realizouse a desidratação em série alcoólica crescente a 80 e 90% (10 minutos cada) e três banhos
de 10 minutos cada em álcool etílico a 99% (Figura 3A). As amostras foram infiltradas,
à temperatura ambiente, primeiro em um banho de 24h em uma mistura de historesina
(Leica®) e álcool (1:1) e depois mantidas imersas em historesina pura por mais 24h. O
material foi incluído em historesina (Figura 3B) e transferido para moldes de polietileno
(histomold) e mantidos em temperatura ambiente até a polimerização completa dos
blocos (Figura3C). Cortes semifinos com 5 μm de espessura serão obtidos em micrótomo
rotativo com navalhas de aço inox (Figura 3D).
57
A
B
C
D
Figura 1. Espécies escolhidas para realização das análises histopatológicas. A)
Tucunaré. B) Pacu. C) Pirambeba. D) Piau-branco
A
B
Figura 2. Separação de fragmentos dos órgãos-alvo das análises. A) Fígado. B) Brânquias.
58
A
B
C
D
Figura 3. Etapas do processamento das amostras histopatológicas. A) Realização da préinfiltração nos tubos Eppendorf. B) Amostras sendo incluídas na resina líquida. C) Amostras
emblocadas no histomold. D) Micrótomo rotativo para cortes das secções histológicas.
Os cortes serão transferidos para lâminas histológicas, que serão colocadas em
placa aquecida a 40 °C por 15 minutos para que as secções de historesina fiquem
distendidas e aderidas à lâmina. Posteriormente, os cortes serão corados com
hematoxilina de Harris, por 30 minutos, lavados em água corrente por 5 minutos, corados
com eosina por 30 segundos e lavados novamente. Para proteção do material, lamínulas
serão aderidas às lâminas usando bálsamo do canadá como meio de montagem. Em
seguida, o material será fotografado em microscópio de luz com câmera digital seguindo
o protocolo vigente do Laqua/CECA.
Serão realizados estudos histoquímicos, onde algumas lâminas serão separadas
antes de serem coradas e realizados testes por meio da reação do reativo de Schiff (PAS)
e do corante Alcian Blue. As reações de PAS permitem evidenciar a presença de
polissacarídeos neutros, que possuem grupo glicol em suas estruturas. O corante Alcian
Blue (AB) é utilizado para detecção de glicoconjugados ácidos. As lâminas prontas serão
fotografadas em microscópio de luz e estruturas celulares do fígado e brânquias serão
59
analisadas. A etapa atual do trabalho é a fase de cortes dos blocos para preparação das
lâminas histológicas e posterior análise.
RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se através de análises histopatológicas, investigar a saúde dos peixes e
trazer informações relevantes sobre as espécies do baixo São Francisco;
Realizar um comparativo das alterações celulares dos peixes em relação ao ponto
de coleta e aos dados obtidos nas Expedições de 2019 e 2020;
Verificar se as patologias encontradas são relacionadas à contaminação aquática
os quais os peixes estão expostos cronicamente;
Definir, em conjunto com análises de metais pesados, agrotóxicos, stress
oxidativo e genotoxicidade as respostas dos peixes nativos para utilizá-los como modelo
de biomarcadores de contaminação;
Através das repostas dos biomarcadores histopatológicos, fornecer subsídios
necessários para implantação de planos de manejo e monitoramento ambiental no baixo
São Francisco.
REFERÊNCIAS
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Perfil da ictiofauna da bacia do rio São Francisco. ActaFish, v. 5, n. 1, p.70-90, 2017.
DANTAS, P.C.; SOARES, E. C.; SILVA, T. de J. Caracterização morfológica do
intestino, fígado e brânquias de peixes do Baixo São Francisco: estudo histopatológico e
histoquímico. In: SOARES, E.C.; SILVA, J.V.; NAVAS, R. (Orgs.) O Baixo São
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São Francisco. RELATÓRIO da II Expedição Científica do Baixo São Francisco.
Universidade Federal de Alagoas, Relatório Técnico. julho 2021. Disponível em
https://cdn.agenciapeixevivo.org.br/media/2021/07/RELATORIO-FINAL-JULHO-DE2021-III-EXPEDICAO-CIENTIFICA.pdf
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60
MANRIQUE, W. G.; FIQUEIREGO, M. A. P.; MACHADO-NETO, J. G. Dissipation
and environmental risk of fipronil on aquatic environment. The Biologist (Lima), v. 11,
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POLEKSIĆ, V.; LENHARDT, M.; JARIĆ, I.; DJORDJEVIĆ, D.; GAČIĆ, Z.;
CVIJANOVIĆ, G.; RAŠKOVIĆ, B. Liver, gills, and skin histopathology and heavy metal
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Qualit@s Revista Eletrônica, v. 9. n. 3, 2010.
SOARES, E.C.; SILVA, J.V.; NAVAS, R. (Orgs.) O Baixo São Francisco:
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decline of brown trout catches. Aquatic Sciences, n. 69, p. 11–25, 2007.
61
ARQUEOLOGIA DE AMBIENTES AQUÁTICOS NA 4ª
EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA NO RIO SÃO FRANCISCO
Gilson Rambelli1; Paulo Fernando Bava de Camargo1 e Luis Felipe Freire Dantas
Santos2
1
Professores Adjuntos do Departamento de Arqueologia (DARQ) e do Programa de Pós-Graduação em
Arqueologia (PROARQ) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Coordenadores do Laboratório de
Arqueologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Federal de Sergipe (LAAA).
2
Doutor em Arqueologia pela UFS, pesquisador do LAAA-UFS.
A pesquisa arqueológica subaquática foi autorizada pela portaria IPHAN/ DEPAM/ CNA nº. 61, de 01 de
outubro de 2021, publicada no Diário Oficial da União, nº. 188, de 04 de outubro de 2021, Seção 1, p. 308
(processo nº. 01450.002827/2021-55).
INTRODUÇÃO
Este relatório preliminar tem como objetivo apresentar os resultados das ações de
Arqueologia subaquática1 realizadas no baixo rio São Francisco, durante a 4ª Expedição
Científica do Rio São Francisco, ocorrida no período de 31 de outubro a 10 de novembro
de 2021. Adotou-se, como estratégia de pesquisa, a avaliação não-interventiva do
potencial arqueológico (sem escavação e sem coleta amostral) e a mensuração de
impactos negativos que eventualmente estariam sendo infligidos ao Patrimônio Cultural
Subaquático (PCS) da região, localizado tanto em zona de interface terra/ água quanto no
leito do rio, tendo como base as definições internacionais determinadas na Convenção da
Unesco para Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático de 2001 (ORGANIZAÇÃO,
2001).
METODOLOGIA
Os objetivos específicos desta pesquisa envolveram: (1) a averiguação do estado
de conservação de sítios arqueológicos submersos previamente cadastrados (RAMBELLI
et al., 2020; BAVA-DE-CAMARGO et al., 2019, com referências anteriores) e a
obtenção de mais informações sobre eles (dimensões, tipologia, vestígios materiais
1
A pesquisa arqueológica subaquática foi autorizada pela portaria IPHAN/ DEPAM/ CNA nº. 61, de 01 de
outubro de 2021, publicada no Diário Oficial da União, nº. 188, de 04 de outubro de 2021, Seção 1, p. 308
(processo nº. 01450.002827/2021-55).
62
móveis e estruturas, dentre outros); (2) a localização de novos sítios arqueológicos a partir
de prospecção extensiva; (3) a averiguação do potencial arqueológicos de alvos
identificados por varredura geofísica com sonar de varredura lateral (SOUZA, 2006) na
3ª e na 4ª Expedição Científica. Destaca-se que esses objetivos foram cumpridos através
de técnicas arqueológicas associadas ao mergulho autônomo científico (principalmente
NAUTICAL, 2009; GREEN, 2004; RAMBELLI, 2002).
Figura 1: Arqueólogo operando o sonar de varredura lateral. Fonte: LAAA/UFS, 2021.
Para atingir esses objetivos, implementou-se uma metodologia relativamente
simples e há muito consagrada: a Carta Arqueológica Subaquática (citando apenas
bibliografia nacional, BITTENCOURT et al., 2018; RAMBELLI, 2008b; RAMBELLI;
GUSMÃO, 2015; RIOS; VALLS, 2010; e SANTOS, 2013, com referências anteriores,
especificamente sobre o rio São Francisco), instrumento com origem no levantamento
geográfico que visa a localização, a identificação tipológica, cronológica e o
dimensionamento de contextos arqueológicos submersos, não se atendo a estudos
pormenorizados em um primeiro momento.
63
Figura 2: Arqueólogos se preparando para as investigações subaquáticas. Fonte: idem.
RESULTADOS OBTIDOS
De início, foram realizados mergulhos no sítio arqueológico Porto de Piranhas
(AL), acompanhando o talude para oeste. Na praia contígua, localizaram-se estruturas
emersas (fundações em pedra e argamassa) que podem corresponder a parte de um cais.
Figura 3: Arqueólogos trabalhando no sítio arqueológico Porto de Piranhas. Fonte: idem.
No período da tarde deu-se continuidade aos mergulhos no sítio arqueológico do
Porto de Piranhas e foi instalado o equipamento de sonografia (fishfinder) na embarcação
de apoio da equipe. Utilizou-se experimentalmente o VANT com câmera térmica para o
mapeamento das estruturas do Porto de Piranhas.
64
Figura 4: Arqueólogos instalando o sonar na embarcação Comendador do Rio. Fonte: idem.
No segundo dia, no povoado Bom Sucesso (SE), município de Poço Redondo,
vistoriou-se os sítios arqueológicos da lancha Moxotó (1917) (AMORIM, s.d.) e Banho
dos Homens, com a localização de vestígios arqueológicos industrializados (louça, s.
XVIII e XIX, vidro, s. XIX e XX), Realização de filmagens com Yuri Sanada. Realização
de levantamento sonográfico.
Figura 5: Arqueólogo realizando investigações no sítio arqueológico de naufrágio da Lancha
Moxotó. Fonte: LAAA/UFS, 2021.
65
Figura 6: Fragmento de prato do s. XIX no sítio arqueológico Banho dos Homens. Fonte: idem.
No dia seguinte, no período da manhã, efetuou-se o levantamento com sonar no
sítio arqueológico Canoa Caiçara/ Xocó, próximo à aldeia de São Pedro, município de
Porto da Folha (SE).
No período da tarde, já em Traipu (AL), houve mergulho prospectivo na fachada
ribeirinha de Traipu, com a localização de âncora lítica, remanescente material bastante
importante para o povoamento pré-colonial e histórico do rio. Às margens do rio, na sede
do município, localizou-se inscrições rupestres, almofarizes e afiadores no paredão
rochoso da fachada ribeirinha da cidade. Vale reforçar que todos os novos contextos
arqueológicos ora localizados serão registrados no cadastro nacional do IPHAN.
Figura 7: Âncora lítica localizada na fachada ribeirinha de Traipu. Fonte: idem.
Na manhã seguinte, em Propriá (SE), varreu-se com o sonar o sítio arqueológico
da Canoa de Propriá. Associada a essa atividade, informante local indicou a existência de
duas canoas de tolda aterradas no porto do centro da sede do município.
66
Depois de varredura com sonar em um braço de rio com potencial arqueológico,
dirigiu-se à Porto Real do Colégio (AL), onde novamente o informante local apontou a
existência de balsa de madeira soçobrada. Assim, no período da tarde se deu nova
investigação sonográfica na fachada ribeirinha desse município, com a localização da
grande balsa de madeira de meados do s. XX (associada ao transporte de combustíveis
e/ou vagões de trem). Mergulhos de prospecção. Mergulho de vistoria foi realizado para
a confirmação das características do bem.
Avançando para o sexto dia, em Neópolis (SE), pela manhã fez-se investigação
sonográfica no sítio arqueológico Naufrágio de Neópolis e nas imediações morro do
Aracaré (fortificação e fazenda que retroagem a pelo menos o s. XIX). Foram realizados
mergulhos de vistoria no naufrágio, para a averiguação de seu estado de conservação.
Na parte da tarde utilizou-se o sonar para a avaliação do vapor Comandante Peixoto,
embarcação dos primeiros anos do s. XX que naufragou no porto da cidade na década de
1960.
No dia seguinte, continuaram os mergulhos no Naufrágio de Neópolis, com o
objetivo de identificar assinaturas e características das ferragens, obter mais informações
sobre o estado de conservação das estruturas e buscar o entendimento da estratificação, o
que permitirá estabelecer protocolos de intervenção no sítio arqueológico para os
próximos anos.
Figura 8: Registro acústico da área da balsa de madeira soçobrada (vermelho). Fonte: idem.
67
Figura 9: Registro da área do naufrágio Comendador Peixoto (vermelho). Fonte: idem.
Na manhã do dia seguinte as ações ainda foram voltadas para o Naufrágio de
Neópolis e entorno, com a produção de material jornalístico e a tentativa de localização
de âncora reportada por informantes locais.
No período da tarde, houve investigação sonográfica no porto de Piaçabuçu (AL),
com a localização de duas áreas de anomalias associadas a zonas portuárias e estaleiros,
as quais serão alvo de investigação direta em uma próxima oportunidade.
Figura 10: Detalhes construtivos do casco do Naufrágio de Neópolis. Fonte: idem.
68
Figura 11: Cravo e chapa de liga de cobre dos remanescentes do casco. Fonte: idem.
Por fim, no dia seguinte, último das atividades de campo da expedição, alguns
novos sítios arqueológicos dunares foram localizados na margem alagoana da foz.
Espera-se, com o exame detalhado dos dados desses novos sítios, uma melhor
compreensão da ocupação humana da foz nos últimos 100 ou 200 anos.
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destino
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70
PEIXES COMO BIOINDICADORES PARA MONITORAMENTO
AMBIENTAL DURANTE A IV EXPEDIÇÃO DO SÃO FRANCISCO
Themis Jesus Silva1, Emilly Valentim de Souza2, Vivian Costa Vasconcelos3, Maraísa
Bezerra de Jesus Feitosa4, Emerson Carlos Soares5
1
Professora, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA), Campus de Engenharias e
Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
2
Graduanda em Zootecnia, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA), Campus de
Engenharias e Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
3
Mestre em Zootecnia, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA), Campus de
Engenharias e Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
4
Bióloga, Doutora em Ciências da Saúde, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA),
Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
5
Professor, Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (LAQUA), Campus de Engenharias e Ciências
Agrárias (CECA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
1. INTRODUÇÃO
A bacia hidrográfica do rio São Francisco tem uma extensão 2.863 km, estende-se
de Minas Gerais, onde o rio nasce, percorre 505 municípios e entre a divisa dos estados
de Alagoas e de Sergipe, encontra-se sua foz. A bacia foi dividida em quatro zonas
fisiográficas: Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco (CBHSF, 2014), sendo esta
última, local de realização da IV expedição científica.
Para Zellhuber e Siqueira (2007), várias problemáticas contribuem para a
degradação acelerada do rio, que desde os anos 70 vem enfrentando uma célere e
desenfreada maximização da agricultura intensiva. A bacia ainda sofre com
superexploração das águas pela irrigação na agricultura, mineração e siderurgia, com o
assoreamento, com a construção de barragens e hidroelétricas, e falta de saneamento
básico que lançam efluentes industriais e domésticos sem nenhum tipo de tratamento
diretamente no rio, esses e outros fatores comprometem diretamente a qualidade da água,
prejudicando os seres que ali vivem, bem como as comunidades que dependem do rio
para sobreviver (ZELLHUBER; SIQUEIRA, 2007).
Segundo Vasconcelos (2012), a contaminação por agroquímicos, mineração e
efluentes na água pode causar um acúmulo de poluentes nos peixes, através da ingestão
de organismos aquáticos contaminados ou diretamente pela água contaminada. O
biomonitoramento é uma alternativa eficiente para identificar vários tipos de xenobióticos
71
que contaminam o meio ambiente, é realizado por meio da avaliação de organismos
expostos a sistemas biológicos com possível presença de contaminantes (SILVA et al.,
2003).
Uma das formas de identificar a presença de xenobióticos com potencial genotóxico
é o teste de micronúcleo (MN), técnica confiável, rápida e barata. De acordo com Obiakor
et al. (2012), micronúcleo é um biomarcador do tipo genético e, origina-se como resultado
de aberrações cromossômicas, que podem ser irreversíveis e herdados pelas progênies,
sendo capaz de ocasionar diminuição na taxa reprodutiva dos animais, levando a uma
diminuição da diversidade de espécies no ecossistema afetado. Marques et al. (2009),
avaliam que outras anormalidades nucleares resultantes de danos análogos, tais como,
fragmentos, células binucleadas e bilobadas, também precisam ser consideradas para uma
avaliação mais detalhada da exposição destes organismos aos contaminantes genotóxicos.
Corpos de cromatina não refrativos, circulares ou ovoides, menores do que um terço
do núcleo principal e apresentando o mesmo padrão de coloração e de focalização como
o núcleo principal, são classificados como micronúcleos (AL-SABTI e METCALFE,
1995). Carrasco et al. (1990), classificaram outras anormalidades nucleares eritrocitárias
(ANE) além do micronúcleo, como: binucleated, blebbed, lobed e notched.
O descarte de poluentes no meio aquático têm o potencial de causar estresse
oxidativo em diferentes organismos (TANG et al., 2021), por isso, as enzimas
antioxidantes são utilizadas como biomarcadores (bioquímico) de grande importância,
pois podem indicar o impacto de uma miríade de componentes presentes no ecossistema
sobre os organismos aquáticos. Na cascata de defesa antioxidante, a enzima superóxido
dismutase (SOD) se destaca por ser a primeira linha de defesa capaz de dismutar radical
ânion superóxido (O2●-), apesar disso, gera outra espécie reativa de oxigênio (ERO), o
peróxido de hidrogênio (H O ). O H2O2 é então dismutado pela Catalase que gera duas
2
2
moléculas de água e uma de oxigênio, inativando assim o radical.
A Glutationa S-Transferase (GST), outra enzima detoxificadora, tem como função
principal atuar no processo de biotransformação e eliminação de xenobióticos ao
promover uma ligação covalente com a glutationa e formar compostos mais solúveis em
água (HAYES et al., 2005).
Como os lipídeos poli-insaturados são susceptíveis a um ataque oxidativo e, sendo
o MDA um dos vários produtos finais de baixo peso molecular formados através da
decomposição de certos produtos de peroxidação lipídica primárias e secundárias, ele
vem sendo utilizado como um biomarcador de dano celular em diversos organismos.
72
Atualmente vem sendo bastante utilizado em conjunto com a atividade das enzimas
antioxidantes em trabalhos sobre estresse oxidativo (VAN DER OOST et al., 2003).
Assim, com a utilização dos biomarcadores genéticos e bioquímicos, este trabalho
tem como objetivo conhecer a saúde dos peixes e realizar um diagnóstico ambiental da
região do baixo São Francisco gerando informações que possam ser utilizadas na proteção
desta região, de suas espécies e principalmente da população ribeirinha.
2. METODOLOGIA
2.1 Captura dos animais
As coletas foram realizadas durante a IV Expedição Científica do São Francisco,
durante o período de 1 a 10 de novembro 2021, nos municípios de Piranhas, Pão de
Açúcar, Traipu, São Brás, Própria (SE), Penedo e Piaçabuçu (Foz).
Para a captura dos peixes as redes de pesca foram colocadas durante a madrugada
e retiradas pela manhã. Ao chegar na embarcação os animais passaram por biometria e
identificação (sexo e espécie). Posteriormente, foram coletadas as amostras biológicas
(sangue e fragmentos de fígado e brânquias) (Figura 1).
Figura 01: Coleta das amostras e preparo de esfregaço sanguíneo.
2.2 Marcadores de estresse oxidativo e genotóxico
a) Preparo das amostras
No laboratório (LAQUA/UFAL), os fragmentos de fígado e brânquia foram
descongelados, pesados e homogeneizados (10:1) em tampão fosfato de potássio salino PBS (em mM: 137 NaCl; 2.7 KCl; 10 Na2HPO4; 1.76 KH2PO4), pH 7.4. A mistura foi
centrifugada por 10 minutos a 4ºC, com velocidade de 12.000 rpm. O sobrenadante
73
resultante será utilizado para as análises da atividade das enzimas superóxido dismutase
(SOD), catalase (CAT), glutationa S-transferase (GST), além da peroxidação lipídica
(MDA).
b) Atividade enzimática
A atividade da SOD será mensurada nos tecidos através da técnica utilizada por
Dieterich et al. (2000), através da redução do MTT pelo superóxido formado pela autooxidação do pirogalol. A leitura do sobrenadante será a λ=570 nm em espectrofotômetro.
Os resultados serão expressos em U SOD mg proteína -1.
A atividade da CAT será mensurada segundo Aebi et al., (1984), onde será
determinada pela taxa de queda da absorbância a λ= 240nm (UV-VIS espectrofotômetro)
em 60 segundos do peróxido de hidrogênio (H2O2) (30 mM) em PBS (pH 7.4). Será
utilizado o coeficiente de extinção molar do peróxido de hidrogênio e 240= 36 mol-1 L cm1
e os resultados serão expressos em U CAT mg proteína -1.
A atividade da enzima GST será mensurada de acordo com a metodologia de Habig
et al., (1974). A reação é medida através do aumento da absorbância (λ= 340 nm) durante
60 segundos. O coeficiente de extinção molar do CDNB ɛ340 = 9,6 mM cm -1 será utilizado
para os cálculos e os resultados serão expressos em μmol mg proteína -1.
c) Peroxidação lipídica (MDA)
Os níveis de MDA serão feitos de acordo com Buege e Aust, (1978). No
homogenato será acrescentada solução de ácidos (TCA-TBA-HCl, 15%, 0,375% e 0,25
M). Agitada, incubada a 90ºC por 45 minutos. Após rápida refrigeração, as amostras
serão centrifugadas (5 minutos, 14.000 rpm), ao sobrenadante será adicionado n‐butanol
e solução saturada de NaCl. Agitado, centrifugado por 2 min a 14000 rpm. A leitura do
sobrenadante será a 572 nm em espectrofotômetro e corrigida pelo branco da amostra. Os
níveis totais de MDA em cada amostra será determinado através de curva padrão a partir
de concentrações conhecidas de 1,1,3,3-tetramethoxypropane (TMPO). O resultado final
estará em MDA µM/ mg de proteína ou por MDA µM/ mg de tecido.
2.3 Anormalidades Nucleares Eritrocitárias (ANE)
A genotoxicidade (dano ao DNA) será avaliada por meio da visualização de
micronúcleos e outras anormalidades nucleares eritrocitárias através de esfregaços do
sangue dos peixes.
Os esfregaços foram preparados em lâminas de microscópio utilizando 10 µL da
solução de sangue/EDTA 10% por lâmina. A lâmina foi seca em temperatura ambiente,
74
fixada em etanol absoluto durante 24 horas e corada com Giemsa 10% durante 40
minutos. Foram preparadas três lâminas por indivíduo e as anormalidades serão
identificadas conforme descrito por (CARRASCO et al., 1990). A frequência das
anormalidades será calculada com a contagem de 1500 eritrócitos periféricos por lâmina,
totalizando 4500 eritrócitos por indivíduo, utilizando microscópio (objetiva 1000X).
Serão feitos registros fotográficos das anormalidades mais frequentes. Esta última etapa
(análise microscópica) será realizada no LAQUA/ CECA/UFAL.
2.4 Análise Estatística
Para avaliar os dados genotóxicos será realizada uma análise de variância e teste de
Tukey a 95% de confiança.
Os dados enzimáticos serão analisados através do teste ANOVA de uma via com
pós teste de Tukey. Para tratamento estatístico, será utilizado o software Prism 5.1
(GraphPad, Califórnia, Estados Unidos). Para efeito estatístico, serão considerados
significativos os valores que apresentarem P< 0,05.
3. RESULTADOS PARCIAIS
As análises de genotoxicidade e de marcadores de dano oxidativo estão em
andamento e para a realização das mesmas foram capturados um total de 84 espécimes
de diferentes espécies (tabela 01).
As espécies que se destacaram foram o pacu (27) e a pirambeba (24), o mesmo
resultado encontrado nas coletas das expedições de 2019 e 2020.
Tabela 01: Espécies coletadas durante a IV Expedição
utilizadas para análises de genotoxicidade e estresse oxidativo.
Nome Científico
Nome Comum
Quantidade
Metynnis maculatus
Pacu
27
Serrasalmus brandtii
Pirambeba
24
Cichla monoculus
Tucunaré
19
Schizodon knerii
Piau-branco
14
Total
84
Os resultados gerados a partir das análises com os biomarcadores genético e
bioquímico poderão ser utilizados em conjunto com outras análises laboratoriais, para o
75
conhecimento da situação do Baixo São Francisco, frente aos poluentes que estão
presentes neste ambiente.
É amplamente conhecido que alguns contaminantes podem ocasionar sérios danos
aos animais aquáticos, entre eles danos fisiológicos (perda de função) e genotóxicos que
podem ser hereditários, e ainda ocasionar problemas na reprodução e desenvolvimento
dos peixes afetados, sendo então de extrema importância conhecer tais danos nas espécies
de peixes do baixo São Francisco.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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77
ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA E MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DA REGIÃO
DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Hanna Francyelle Barbosa Costa¹, Vivian Costa Vasconcelos2, Lucas de Oliveira
Arruda2, Emilly Valentim de Souza2, Priscylla Costa Dantas2, Themis de Jesus da
Silva2, Emerson Carlos Soares2
1
2
Mestranda em Recursos Hídricos e Saneamento- UFAL
Pesquisadores Laqua- Laboratório de Aquicultura e Análise de Água - UFAL
INTRODUÇÃO
A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (BHSF) concentra grandes áreas de
Caatinga, com diversos graus de significância ecológica, conservação e degradação. No
Estado de Alagoas, ao longo do tempo, as áreas de Caatinga têm sido um ecossistema
negligenciado; fato este agravado devido ao elevado grau de degradação nas nascentes,
áreas de preservação e matas ciliares nos afluentes e no Rio São Francisco. Nesse bioma,
as condições de clima e de relevo são mais adversas e severas e impactam na erosão e
produção de sedimentos que chegam à calha do rio (PEDROZA, 2014; CASTRO;
PEREIRA, 2017)
A região do Baixo São Francisco está localizada entre os estados de Sergipe e
Alagoas com uma área de 25.500 quilômetros quadrados, e cerca de 1,5 milhão de
habitantes, dos quais 440.000 residem em áreas ao longo do rio São Francisco. Segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região possui péssimos
indicadores socioeconômicos, com Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) dos
municípios classificados como médios e com um PIB de 9% do PIB da bacia inteira.
A implantação de barragens ao longo do curso do rio São Francisco para geração
de energia hidroelétrica , que aumentou desde a década de 1970, combinada com a má
gestão do uso e da cobertura do solo na bacia, provocou uma redução significativa na
vazão do rio em sua foz; diminuindo, assim, o volume de escoamento em mais de 50%,
com amortecimento de picos de cheias e manutenção de vazões mais elevadas em
períodos de seca e chuva, alterando o equilíbrio dos ecossistemas estuarinos
(CAVALCANTE et al., 2017).
O Baixo São Francisco caracteriza-se por expressivos investimentos públicos e
privados direcionados para o setor hidrelétrico e à modernização agrícola com a criação
78
de perímetros irrigados. A região possui um sistema agrícola diversificado, tais como:
cana-de-açúcar, arroz, milho, feijão e algodão e outras culturas de subsistência
(NASCIMENTO et al., 2013). A agricultura é caracterizada por pequenos produtores e
perímetros irrigados, em que a irrigação por pressão é utilizada nas áreas de árvores
frutíferas e por inundação na produção de arroz. Na produção de arroz, tem-se problemas
referentes ao uso de insumos e agrotóxicos, qualidade da água que entra e que sai e
presença de pragas e doenças.
Os problemas no Baixo São Francisco vêm crescendo gradativamente mediante à
exploração em demasia de recursos naturais, retirada de mata ciliar e o baixo nível de
tratamento de esgoto urbano nos municípios. Nessa região, a vazão é estabelecida pelos
reservatórios que estão nas partes mais elevadas da bacia, como a de Sobradinho, Xingó
e Itaparica. Estas afluências foram diminuídas nos últimos anos em virtude do uso
inadequado do solo, diminuição de produção de água na bacia, aumento da erosão do solo
e os períodos sucessivos de seca (CHESF,2017).
Consequentemente, há uma diminuição gradual dos fluxos mínimos no rio
impactando no avanço da cunha salina na foz, atrelado a menor capacidade de depuração
dos rios oriunda de vazões mais baixas em longos períodos. E assim, segundo Medeiros
et al. (2016) tem-se uma contribuição significativa na manutenção de poluentes que são
prejudiciais à biota, irrigação e consumo.
Assim, para avaliar a qualidade da água do Baixo São Francisco, as análises físicoquímicas e microbiológicas são de suma relevância. Dentre os parâmetros usados para
caracterizar as águas fisicamente tem-se cor, turbidez e a presença de sólidos dissolvidos.
A análise química envolve o pH, oxigênio dissolvido, cloretos, fósforo, dentre outros.
Além destes, os parâmetros microbiológicos são indicadores de contaminação pela
presença de coliformes totais e Escherichia Coli na água (PATIL,2012).
METODOLOGIA
As coletas foram realizadas na região do Baixo São Francisco, em Alagoas: nas
cidades de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São Brás, Propriá, Igreja Nova, Penedo,
Piaçabuçu e Foz. Em cada município foram feitas coletas em estações pré-definidas em
terra e água no período de 01 a 10 de novembro de 2021.
Parâmetros físico-químicos e biológicos da água
79
Os parâmetros físico-químicos da água foram monitorados diariamente em todos
os pontos de coleta e determinados com auxílio da sonda multiparâmetros, enquanto os
níveis de amônia, nitrito, fosfato, sílica, alcalinidade, estão sendo aferidos com auxílio de
um fotômetro (modelo Hanna 83330) e por espectrofometria. Em 3 regiões também foram
aferidos os parâmetros DBO, DQO e teor de clorofila pelo método SMEWW 5210B do
Standard method.
Coliformes e Escherichia coli
As amostras de água coletadas foram congeladas e em laboratório realizado as
análises de coliformes fecais com auxílio do kit Aquateste COLI (ONPG-MUG),
utilizados 100m de cada amostras sendo 20ml para cada 5 tubos estéreis (que não emitam
fluorescência). Posteriormente incubadas em estufa a 35±0,5°C durante 24h. As amostras
de coliformes positivas foram detectadas visualmente por desenvolvimento de cor
amarela no meio de cultura, sendo a presença de Escherichia coli detectada pela
observação de fluorescência azul esverdeada submetida à exposição de luz UV, e
proceder com a contagem baseando-se no número de tubos positivos usando a tabela
apropriada
ETAPAS EXECUTADAS
•
Planejamento e preparo do material de coleta;
•
Coleta de 50 amostras de água para análise de parâmetros físico-químicos e
microbiológicos (Fluxograma 1);
•
Análises limnológicas de todos os pontos de coleta (Tabela 1, Fluxograma 2);
•
Análises de coliforme e E.Colli de todos os pontos de coleta (Fluxograma 3).
As amostras de água foram coletadas e refrigeradas; em laboratório estão sendo
realizadas as análises de coliformes fecais com auxílio do kit Aquateste COLI (ONPGMUG). Utilizando 100 mL de cada amostra, desses, separando 20 ml em cada 5 tubos
estéreis (que não emitam fluorescência). Posteriormente são incubadas em estufa a
35±0,5°C durante 24h. Observa-se na última imagem do Fluxograma 3 que a amostra
analisada de Piranhas apresentou Escherichia coli positivo.
Fluxograma 1: Coleta de 50 amostras de água
80
•
•
Identificação dos recipientes para a coleta das amostras;
Coleta de água superficialmente com garrafa e coleta de água no fundo com
garrafa de Van Dorn;
• Uso de sonda muntiparamétrica para constatação de parâmetros físico-químicos
in loco.
Tabela 1: Pontos de coleta
•
As coletas foram realizadas em cada munícipio, a montante e a jusante deles, na
superfície e no fundo.
Fluxograma 2: Análises limnológicas
•
•
Organização e armazenamento das amostras de água;
Estão sendo realizadas as análises limnológicas (amônia, nitrito, fosfato,
magnésio, ferro) com auxílio de um fotômetro HANNA.
Fluxograma 3: Coliformes e Escherichia coli
81
RESULTADOS ESPERADOS
As análises estão acondicionadas em geladeira no laboratório LAQUALaboratório de Aquicultura e Análise de Água- UFAL, onde serão realizadas as análises
limnológicas. Alguns parâmetros já foram constatados in loco mediante sonda
multiparamétrica. Pretende-se a partir dessas análises, contribuir para redução das ações
antrópicas descontroladas no Baixo São Francisco e incentivar ações de gestão e
fiscalização do uso de pesticidas nas áreas cultivadas e, consequentemente, diminuir os
impactos da contaminação ambiental nos estoques pesqueiros. Entre as amostras
analisadas constatou-se que as coletas realizadas na região de Penedo, obtiveram presença
de coliformes totais (Figura 1A) e Escherichia Coli > 8,0 (Figura 1B) de acordo com a
tabela de número mais provável (NMP 100 ml).
Figura 1 - Presença de coliformes totais (A) e Escherichia Coli > 8,0 (1B), na região de
Penedo – AL.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
82
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Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (2004-2013). Brasília: ANA, 2004.
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12, 04 a 07 de novembro de 2014. Natal – RN
83
AMOSTRAGEM DE MÚSCULO DE PEIXES DO BAIXO SÃO
FRANCISCO PARA ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO INORGÂNICA.
aCarlos A. da Silva, bHortência L. P. de Santana, b,cCarlos Alexandre B. Garcia,
aMarcus Soares Cruz, bSilvânio S. L. da Costa, dMarcos V. T. Gomes.
a
Embrapa Tabuleiros Costeiros, Aracaju, Sergipe; bLaboratório de Tecnologia e Monitoramento
Ambiental, Núcleo de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Universidade Federal de Sergipe, São
Cristóvão, Sergipe; cDepartamento de Química, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão,
Sergipe, dCodevasf, Penedo, Alagoas.
INTRODUÇÃO
Em razão do alto valor nutricional, especialmente em relação ao conteúdo de
proteínas e lipídios, os peixes são considerados importantes componentes de uma dieta
humana balanceada (DEBOER, SCHÖSLER E AIKING, 2020). Uma porção de 150g
deste alimento poder suprir até 60% da quantidade de proteína diária indicada para um
homem adulto, estando esta aliada a uma baixa concentração de gorduras saturadas
(MEYERS et al., 2006; DOMINGO et al., 2007; NESTEL et al., 2020; PYZ-ŁUKASIK;
PASZKIEWICZ, 2018). Dessa maneira, além de um perfil característico de amino ácidos
de alta qualidade e biodisponibilidade, o elevado teor de ácidos graxos ômega 3 nos
peixes pode ajudar na melhoria da saúde do coração reduzindo o risco de doenças
cardíacas, como doença arterial coronariana e acidente vascular cerebral, bem como na
redução da pressão arterial e dos níveis de triglicerídeos (MOZAFFARIAN e RIMM,
2006; RIMM et al., 2018; LI et al., 2020; JAMSHIDIA et al., 2020).
Entretanto, ainda que este alimento forneça valiosos macronutrientes e contenha
significantes concentrações de vitamina A e B, ferro, zinco e outros minerais essenciais,
há também uma preocupação quanto a serem uma potencial fonte de contaminantes
prejudiciais aos seres vivos, dentre os quais cádmio, chumbo, arsênio e mercúrio,
(DOMINGO et al., 2007; CASTRO-GONZÁLEZ e MÉNDEZ-ARMENTA, 2008;
FERNANDES et al., 2012). A ingestão destes metais e/ou metaloides, especialmente o
metil mercúrio e o arsênio inorgânico, está associada ao desenvolvimento de implicações
neurológicas e cancerígenas em crianças e adultos, podendo até mesmo reverter os efeitos
positivos dos ácidos graxos por meio do consumo de pescado (CASTRO-GONZÁLEZ e
MÉNDEZ-ARMENTA, 2008).
84
Esta relação risco-benefício ocorre principalmente porque grandes taxas de
resíduos e poluentes derivados das atividades antropológicas são diariamente despejados
ou descartados em ambientes aquáticos, deixando-os sujeitos a presença de enormes
quantidades de substâncias tóxicas, que por meio do processo de bioacumulação atingem
os humanos através da cadeia alimentar (SCHENONE, VACKOVA e CIRELLI, 2014;
SROY et al., 2021). Os teores encontrados nos animais expostos a esse meio são
influenciados por fatores relacionados a espécie como hábitos alimentares e nível na
cadeia trófica, bem como localização geográfica. Deste modo, diversas legislações e
organizações buscam avaliar e estabelecer limites de concentrações seguros de serem
consumidos sem causar danos à saúde dos indivíduos (SCHENONE, VACKOVA e
CIRELLI, 2014).
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) responsável
pela fiscalização de contaminantes em alimentos, determinou na Resolução ANVISA Nº
42 de 29 de agosto de 2013 os Limites Máximos de Tolerância (LMT) para metais em
peixes: cádmio 0,05 mg/kg e 0,3 mg/kg dependendo da espécie; arsênio 1,0 mg/kg;
chumbo 0,3 mg/kg para todas as espécies e mercúrio 0,5 mg/kg para peixes não
carnívoros e 1, 0 mg/kg para carnívoros (ANVISA, 2013). O conhecimento sobre o
potencial risco do consumo de peixes que possam apresentar teores de arsênio, cádmio e
chumbo acima dos LMT é de suma importância para subsidiar as agências de saúde e de
vigilância sanitária sobre as recomendações dos níveis seguros de consumo em particular
para crianças, mulheres grávidas e também lactantes.
Assim, o objetivo dessa pesquisa é detectar e qualificar as concentrações médias
dos metais cádmio, chumbo, mercúrio, zinco, cobre, cromo, ferro e manganês e do metaloide
arsênio presentes na carne (tecido muscular) dos peixes, e então averiguar se estão dentro dos
limites permitidos pela legislação brasileira. Adicionalmente, como apenas o LMT não é
suficiente para caracterizar o potencial perigo a saúde humana, neste trabalho também serão
calculados os quocientes de riscos (QR) propostos pela Agência de Proteção Ambiental dos
Estados Unidos (USEPA, 1989) para cada contaminante e o Quociente de risco total (QRT),
que associam as concentrações dos metais encontrados com a frequência de ingestão de
pescado e tamanho da porção ingerida.
METODOLOGIA
O estudo foi realizado em novembro de 2021 em área localizada na região do
Baixo São Francisco (BSF) entre os estados de Sergipe e Alagoas, abrangendo uma
85
extensão do rio de cerca de 140 km nos municípios alagoanos de Piranhas, Pão de Açúcar,
Traipu, Porto Real do Colégio, Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu e o município sergipano
de Propriá, além da foz na divisa entre os dois estados.
A coleta dos peixes (Figura 1) foi conduzida pelos pesquisadores com auxílio dos
pescadores locais em barcos com motor de 5 Hp, utilizando-se tarrafas de 6 metros e redes
de emalhar de 30, 40 e 50 mm de 100 metros e, dispostas no rio segundo orientação dos
pescadores em diferentes estações georeferrenciadas no Baixo São Francisco.
Logo após a captura, biometria e identificação dos peixes, ainda a bordo foram
retiradas porções do músculo da região laterodorsal de cada exemplar cuja quantidade
variou entre 10–150g a depender do tamanho do animal (Figura 3).
Figura 1. Exemplares de pirambeba Serrasalmus brandtii e piranha Pygocentrus piraya.
Figura 2. Biometria de robalo Centropomus parallelus
Estas amostras foram acondicionadas em coletores plásticos e refrigeradas (Figura
4), sendo posteriormente transportadas em caixas térmicas para o Laboratório de Estudos
e Impactos Ambientais (LabEIA) na Embrapa Tabuleiros Costeiros, em Aracaju, SE, as
quais foram mantidas em freezer a -15ºC. Todo o material utilizado para coleta e
86
armazenamento das amostras foram previamente lavados com detergente neutro, imersos
em banho ácido de HCl 10% v/v por 24 horas e enxaguados com água ultrapura (18 μΩ).
Figura 3. Filetagem e retirada do músculo laterodorsal dos peixes.
Figura 4. Amostras de pescados armazenadas em coletores plásticos.
Dando sequência ao procedimento, as amostras foram separadas em grupos de
acordo com as espécies, pesadas e estocadas em ultra freezer a -80 ºC por 24h para então
87
serem liofilizadas por 48h utilizando o liofilizador Liotop modelo L101, vácuo final de
3,7 μHg. Em seguida, estas foram trituradas em um mixer doméstico e passadas por
peneiras de nylon a fim de se obter um material homogêneo (Figura 5). Vale ressaltar que
para evitar a contaminação cruzada entre espécies a cada trituração todo material foi
lavado conforme descrito em Silva et al (2019).
Figura 5. A: Trituração e peneiramento de amostras de pescados liofilizadas. B: Amostras
separadas por espécies e acondicionados em sacos plásticos.
Até a apresentação do presente relatório, as amostras liofilizadas e trituradas estão
sendo mantidas em freezer a -15º para em breve passarem pelo processo de digestão e
finalmente enviadas para análise conforme o fluxograma do processo (Figura 6) com
validação do método analítico utilizando-se materiais de referência certificados de tecido
de peixe NIST-1566b e DORM-4.
Figura 6. Fluxograma das etapas do processo de determinação de metais em pescado
88
RESULTADOS ESPERADOS
Para realizar o estudo das concentrações de metais e minerais presentes no
músculo dos peixes do Baixo São Francisco coletado durante a IV Expedição Científica,
foram processadas 13 (treze) espécies de peixes totalizando 110 (cento e dez) exemplares
(Tabela 1).
Tabela 1. Classificação, habitat, hábito alimentar e números de exemplares coletados por espécie
Nome vulgar
Família
Nome científico
Habitat
Acará
Bagre
Brycon
Cichlidae
Ariidae
Characidae
Astronotus ocellatus
Bagre marinus
Brycon cephalus
Bentopelágico
Bentopelágico
Bentopelágico
Hábito
alimentar
Piscívoro
Onívoro
Onívero
Carapeba
Gerreidae
Eugerres
brasilianus
Demersal
Carnívoro
Pacu
Piau branco
Piau três
printas
Pirambeba
Piranha
Serrasalmidae
Anastomidae
Bentopelágico
Bentopelágico
Onívoro
Onívoro
27
4
Bentopelágico
Onívoro
3
Bentopelágico
Pelágico
Carnívoro
Carnívoro
18
4
Robalo
Centropomidae
Demersal
Piscívoro
6
Traira
Tucunaré
Erythrinidae
Cichlidae
Myleus micans
Schizodon knerii
Megaleporinus
obtusidens
Serrasalmus brandtii
Pygocentrus piraya
Centropomus
parallelus
Hoplias microcephalus
Cichla monoculus
Bentopelágico
Bentopelágico
Piscívoro
Piscívoro
4
21
Anastomidae
Serrasalmidae
Serrasalmidae
Exemplares
3
2
2
1
Segundo descrito na metodologia após a finalização do processamento, as
amostras serão enviadas para análise dos teores de cádmio, chumbo, mercúrio, zinco,
cobre, cromo, ferro, manganês e arsênio para fins de comparação com os limites máximos
de tolerância e gerar os quocientes de risco. Os resultados permitirão avaliar se os peixes
capturados na região do Baixo São Francisco estão de acordo com os parâmetros da
legislação brasileira em relação aos contaminantes químicos inorgânicos e examinar quais
quantidades e frequência são consideradas seguras de ingestão.
Esta análise é de fundamental importância para que tanto a população ribeirinha,
que dependem da ingestão direta dessa valiosa fonte de proteína para sua segurança
alimentar, quanto o consumidor desse pescado via comercialização, tenham acesso as
89
informações para balancear os benefícios do consumo de pescado com o potencial risco
de exposição a contaminantes. Além disso, será possível comparar os resultados desta
expedição com os das edições anteriores e com os diversos trabalhos publicados na
literatura científica, ajudando a traçar um perfil fidedigno de como está sendo afetado a
ictiofauna do Rio São Francisco nos últimos anos.
No geral espera-se que em conjunto com as observações realizadas pelas demais
áreas de pesquisa que integram a expedição permita-se construir um panorama geral da
saúde do rio, já que se detectados teores de metais e metalóides na carne dos peixes não
recomendados pela ciência, ao associá-los com os aspectos histopatológicos examinados
em outros órgãos do peixe juntamente com os parâmetros físicos e químicos da água, solo
e sedimentos, pode-se rastrear a origem dos contaminantes, e consequentemente,
oportunizar a busca por soluções viáveis e/ou medidas mitigadoras desses impactos.
REFERÊNCIAS
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29 de ago. 2013. Dispõe sobre o regulamento técnico Mercosul sobre limites máximos de
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91
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE EUTROFIZAÇÃO E DA
QUALIDADE DE ÁGUA NO BAIXO SÃO FRANCISCO
Petrônio Alves Coelho Filho1, Silvânio Silvério Lopes da Costa2, Marcus Aurélio
Soares Cruz3, Carlos Alberto da Silva3, Carlos Alexandre Borges Garcia2, Joel
Marques2, Marco Yves de Aguiar Vitório Praxedes1, Lucas Cruz Fonseca4
1
Universidade Federal de Alagoas; 2Universidade Federal de Sergipe; 3 EMBRAPA Tabuleiros
Costeiros; 4Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe
INTRODUÇÃO
Alterações ambientais decorrentes do uso e ocupação desordenado das margens
das bacias hidrológicas brasileiras, seja por atividades agrícolas, aquícolas e outras
ocupações urbanas, têm aumentado gradativamente (ARRUDA, 2015), onde as práticas
inadequadas de irrigação e fertilização do solo, a contaminação por agroquímicos e o
lançamento de efluentes sem tratamento, contribuem com a deterioração da qualidade de
água (SOBRAL, 2011).
Especificamente no Baixo São Francisco, as alterações ambientais decorrentes do
uso e ocupação desordenado de suas margens seja por atividades agrícolas, aquícolas e
outras ocupações urbanas têm aumentado gradativamente (ARRUDA, 2015), onde as
práticas inadequadas de irrigação e fertilização do solo, a contaminação por agroquímicos
e o lançamento de efluentes sem tratamento, contribuem com a deterioração da qualidade
de água (SOBRAL, 2011). O aporte de nutrientes provenientes de fontes antrópicas tem
sido apontado como principal causa de alteração na qualidade e eutrofização dos corpos
hídricos (ARRUDA, 2015).
Nesse sentido, os índices de qualidade da água (IQA) atuam como importante
ferramenta e surgem da necessidade de sintetizar a informação, visando informar a
população e orientar as ações de planejamento e gestão da qualidade da água. Os índices
facilitam a comunicação com o público leigo, já que permitem sintetizar várias
informações em um número único. Na avaliação dos processos de eutrofização,
recomenda-se a utilização dos Índices de Estado Trófico (IET) (ANA, 2017), que
classificam os corpos hídricos em diferentes graus de trofia, avaliando a qualidade,
disponibilidade e o efeito do aporte de nutrientes encontrados na água e que são
responsáveis pelo crescimento excessivo das algas ou de macrófitas aquáticas no meio
92
(MARANHO, 2012).
Como afirma Carlson (1977), o IET envolve três variáveis: concentração de
clorofila- a, transparência da água e concentração de fósforo total. Os resultados
correspondentes ao fósforo, IET (p) são entendidos como uma medida do potencial de
eutrofização. A avaliação correspondente à clorofila-a, IET (CL), por sua vez, é
considerada como uma medida da resposta do corpo hídrico ao agente causador,
indicando de forma adequada o nível de crescimento de algas. Assim, nosso objetivo é
determinar a qualidade da água no Baixo São Francisco e o potencial de eutrofisação
provocado pelas cidades ribeirinhas, buscando gerar informações categóricas para
possíveis avaliações sobre o uso e conservação da água.
MATERIAL E MÉTODOS
Etapa de campo:
O estudo foi realizado no Baixo rio São Francisco entre os estados de Sergipe e
Alagoas, cobrindo uma área de 25.500 Km2 e abrangeu os municípios de Piranhas (AL),
Pão de Açúcar (AL), Belo Monte (AL), Traipu (AL), Neópolis (SE) e Penedo (AL) e
Brejo Grande (SE).
Em cada município acima citado, foram coletadas amostras em 3 pontos
específicos: Ponto central – Adjacente ao município onde eram evidentes lançamentos de
efluentes e/ou agentes potencialmente poluidores; Ponto Montante – Localizado 1km a
montante do ponto central; Ponto Jusante – Localizado 1km a jusante do ponto central.
Em cada ponto de coleta foram recolhidas amostras para nutrientes (Nitrogênio
amoniacal, Nitrato, Nitrito, orto-fosfato e P-total), Clorofila e Demanda Bioquímica de
Oxigênio – DBO5. Os procedimentos de coleta seguiram a NBR 9.898 (ABNT, 1987).
Foram aferidos também in situ a profundidade local (ecossonda manual), transparência
da água (disco de sechi) e através de uma sonda multiparamétrica modelo YSI EXO1 os
parâmetros físico-químicos da água (temperatura, pH, oxigênio dissolvido, condutividade
e sólidos dissolvidos – TDS).
Ainda durante a expedição, logo após as coletas, as amostras de água foram
filtradas a vácuo através de filtro de fibra de vidro de 47 mm de diâmetro, com porosidade
de 0,45 μm. O material retiro no filtro foi então acondicionado em cartuchos de papel
alumínio, rotulados e congelados para posterior quantificação da clorofila em
Laboratório. A água filtrada foi novamente acondicionada em frascos âmbar e mantidas
congeladas até posterior determinação dos nutrientes em Laboratório.
93
Etapa de laboratório:
As análises serão realizadas no Laboratório de Bioecologia e Cultivo de
Organismos Aquáticos do Curso de Engenharia de Pesca da UFAL: Os nutrientes serão
determinados por espectro-fotometria (APHA, 2005) e a clorofila seguindo a Norma
Técnica L5.306 (CETESB, 2014).
Para a determinação do DBO5, logo após a coleta foi aferido oxigênio dissolvido
da amostra através de um oxímetro YSI. Em seguida o frasco com a amostra foi envolto
em papel alumínio e mantido por 5 dias em uma incubadora à 20˚C. Após 5 dias, o
oxigênio dissolvido foi novamente aferido na amostra, e calculado a DBO 5 da seguinte
forma: DBO5= ODinicial – OD5 dias mg/L.
RESULTADOS ESPERADOS
Os resultados serão interpretados dentro dos limites estabelecidos pela Resolução
357/2005 do CONAMA (BRASIL, 2005) para o enquadramento da classe de qualidade
da água do recurso hídrico. Os resultados das análises químicas do Fósforo Total serão
aplicados na equação do Índice de Estado Trófico de Carlson modificado por Toledo Jr.
et al. (1983), empregado comumente pela CETESB para medir o potencial de
eutrofização. Em seguida, os valores do IETp para cada ponto amostral serão
classificados segundo o grau de trofia através dos limites propostos por Toledo Jr. et al.
(1983) apud Lamprelli (2004).
Com isso, pretende-se enquadrar as amostras analisadas se estavam aptas para
destinação dentro das classes de enquadramento da CONAMA N˚357 para ambientes
lóticos de água doce, garantindo o uso múltiplo da água no Baixo São Francisco durante
o período analisado. Os dados serão categorizados e fomentando avaliações sobre o uso
e conservação da água.
94
Figura 1 – Procedimentos adotados durante a IV Expedição Científica do Rio São Francisco. A=
Equipe de trabalho; B= Aferição da profundidade com ecossonda; C= Amostragem com garrafa
van dorn; D= Sonda multi parâmetros; E= Incubação da água para determinação do DBO; F=
Filtração a vácuo da água.
95
REFERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.
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96
ESTRUTURA FITOSSOCIOLÓGICA E DENSIDADE
POPULACIONAL DO CARANGUEJO-UÇA NO BOSQUE DE
MANGUE DA FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO
Alexandre Ricardo de Oliveira1; Ludmylla Wolper1; Chaiane Assunção1; Anderson dos
Santoss3; Mônica Aquino2; Milena Dutra2; Nadjacleia Vilar Almeida2
Universidade Federal de Alagoas – Campus Penedo – AL;
2
Laboratório de Ecologia. UFPB
3
Departamento de Engenharia Agrícola, Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE,
Recife, Pernambuco, Brasil.
1
INTRODUÇÃO
O Manguezal é um ecossistema costeiro característico de áreas onde há o encontro
dos ambientes terrestre e marinho, comum de regiões com climas tropicais e subtropicais
e sujeito ao regime das marés (SCHAEFFER-NOVELLI; VALE; CINTRÓN, 2015).
Globalmente, os manguezais ocupam uma área de cerca de 137.760 km2, distribuídos em
118 países e territórios. Essa estimativa diminui com o aumento da latitude, exceto entre
20° e 25° de latitude norte, onde se localizam os Sundarbans, a maior área de manguezais
do mundo, localizado na divisa entre o estado indiano de Bengala Ocidental e Bangladesh
(GIRI et al., 2011).
Os levantamentos mais recentes sobre a área de cobertura no Brasil variam de
962.683 a 1,071,083.74 ha, o que representa cerca de 7,0 a 8,9% do total mundial da área
de ocorrência desse ecossistema (BRAIL, 2010; MAGRIS; BARRETO, 2010; GIRI et
al., 2011). Os manguezais podem ser encontrados em quase todo o litoral brasileiro, desde
o Oiapoque (04º 30’ N) até a Lagoa de Santo Antônio (28º 28’ S) (SOARES et al., 2012).
Em Alagoas, os manguezais ocorrem ao longo de todas as áreas estuarinas, ao
longo dos rios, canais e junto aos corpos de água das principais lagunas costeiras
(CORREIA; SOVIERZOSKI, 2009). Em razão de ser um ambiente costeiro, torna-se o
habitat de diversas populações e possui condições ideais para a reprodução de várias
espécies de peixes, crustáceos e moluscos, sendo considerado um dos ambientes naturais
mais produtivos do Brasil (BERNINI et al., 2014; BLOTTA et al., 2016).
Em relação à vegetação, nota-se que há baixa diversidade, uma vez que poucas
espécies conseguem se adaptar às condições de maré, salinidade, substrato inconsolidado
97
e pouco oxigenado (OLIVEIRA; TOGNELLA, 2014). Nos manguezais brasileiros
ocorrem três gêneros, Rhizophora, Laguncularia e Avicennia com um total de seis
espécies:
Rhizophora
mangle,
Rhizophora
harrisonii,
Rhizophora
racemosa,
Laguncularia racemosa, Avicennia schaueriana, Avicennia germinans (INSTITUTO
CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE, 2018).
O manguezal pode ser estruturado como um continuum de feições de acordo com
as características específicas existentes em cada zona, classificadas como apicum, bosque
de mangue e lavado (SCHAEFFER-NOVELLI; VALE; CITRÓN, 2015). Essas regiões
exercem influência na formação da vegetação e, geralmente, as espécies vegetais de
mangue estão distribuídas em zonas em relação à linha d’água, constituindo em uma
fisionomia peculiar (ALMEIDA et al., 2014).
A trajetória da dinâmica da vegetação de mangue pode mudar através do tempo
com as mudanças do nível relativo do mar. Tanto por mudanças no uso e ocupação de
uma determinada bacia que tem no seu nível de base florestas de mangue em pleno
desenvolvimento, quanto pelas mudanças climáticas locais e/ou regionais (microescala e
mesoescala), os manguezais constituem excelentes bioindicadores, respondendo aos
gradientes de inundação, de nutrientes e de salinidade (SCHAEFFER-NOVELLI; VALE;
CINTRÓN, 2015). Tal heterogeneidade parece ser uma resposta à interação de vários
fatores abióticos (fatores edáficos e salinidade) e antrópicos que atuam em diferentes
escalas espaciais e temporais (BERNINI; REZENDE, 2010).
METODOLOGIA
Para a caracterização e estudo dos bosques de mangue da Foz do Rio São
Francisco foi selecionada uma área amostral, na qual foram mensurados e analisados
parâmetros fitossociológicos da vegetação, bem como aspectos populacionais do
caranguejo-uçá.
A área amostral foi escolhida conforme a representatividade do habitat, aliado a
melhor logística possível para a realização das atividades. O ponto representa as
fisiografias de bosques de franja, bacia e área de transição (apicum). Todo o estudo foi
baseado na metodologia de Schaeffer-Novelli (1986) e recomendações do ICMBio
(Projeto Monitora).
A equipe foi coordenada pelo Prof. Alexandre Oliveira (UFAL/LAPEM), as
discentes da Unidade Penedo, Ludmylla Wolpert e Chaiane Assunção em parceria com a
UFPB representada pela Profa. Milena Dutra, Nadjacleia Vilar Almeida e equipe.
98
O ponto amostral ficou assim definido levando-se em consideração a logística e
representatividade (Figura 1).
Figura 1 - Área de estudo (10º 29’ 38’’ S; 036º 25’ 20’’ W).
Fonte: Google Earth, 2021
Para o transecto de estudo, foram demarcados três parcelas, denominadas franja,
bacia e interior. A parcela denominada franja, corresponde à zona do bosque de mangue
mais próxima do canal estuarino e sob maior influência da variação de maré; bacia
correspondente à zona média do bosque e parcela interior caracterizada por ser a zona
mais distante da linha d’água, cada parcela medindo 400m2, distanciados em 10 m entre
si, perpendiculares à margem do rio.
As árvores identificadas quanto à espécie, sendo que para cada espécie arbórea
viva foram anotadas altura, por estimativa visual, e circunferência, com o auxílio de fita
métrica, para se obter o Perímetro na Altura do Peito (PAP), sendo posteriormente
transformado em Diâmetro da Altura do Peito (DAP). Foram considerados todos os
indivíduos com DAP maior ou igual a 2,5 cm.
O cálculo dos parâmetros estruturais mencionados por parcela, espécie e classe
ddiamêtrica, seguiu a metodologia de Schaeffer-Novelli e Cintrón, (1986). Foram
calculados o Diâmetro da Altura do Peito (DAP); Diâmetro da Altura do Peito Médio
(DAP); Dominância Relativa (DoR); Densidade Relativa (DR); Frequência Absoluta
(FA); Frequência Relativa (FR); Índice de Valor de Importância (IVI).
99
A estimativa da densidade dos caranguejos na área amostral foi determinada pela
totalização das galerias abertas com atividade biogênica (lama fluída e fezes próximas à
abertura), presentes nos quadrados de amostragem, Os quadrados mediam 5mX5m,
totalizando uma área de 25m². As medidas das tocas foram mensuradas com auxílio de
paquímetro digital. Foram realizadas duas medidas para cada toca, sendo que o valor
registrado era sempre o menor entre eles. Este valor foi então adicionado na na equação
de reta: Abertura de Galeria = 0,36 + 1,04 * Comprimento do Caranguejo; elaborado
por SCHMIDT (2006), relacionando o tamanho do individuo com o menor diâmetro da
abertura da galeria.
Com base no trabalho de SCHMIDT et al. (2004), os dados relacionados aos
indivíduos com tamanho comercial apresentados, correspondem ao número de
caranguejos com comprimento maior ou igual a 4,66cm (equivalente a 6cm de largura =
tamanho comercial) por metro quadrado. Segundo a Portaria número 034/03-N do
IBAMA de junho de 2003, é proibida a captura, manutenção em cativeiro, transporte,
beneficiamento e industrialização de qualquer indivíduo da espécie Ucides cordatus cuja
largura de carapaça seja inferior a 6,0cm, nos estados do Nordeste e Norte. O tamanho é
dado pela maior dimensão da carapaça (largura), sendo a medida tomada sobre o dorso
do corpo, de uma margem lateral à outra.
Em cada parcela foram amostrados 5 unidades amostrais, o primeiro iniciando 10
metros após o canal e o segundo estando cerca de 10 metros de distancia do primeiro
ponto.
As galerias do caranguejo uçá foram diferenciadas das demais espécies pela
posição oblíqua de sua abertura em relação à superfície do sedimento, conforme descrito
por COSTA (1972). As galerias com dupla abertura foram identificadas, mas somente foi
medida as que apresentaram sinais mais
RESULTADOS
- FITOSSOCIOLOGIA
Durante o estudo da estrutura vegetal do manguezal da Foz do Rio São Francisco,
realizado em 09 de novembro de 2021, foram amostrados indivíduos de Rhizophora
mangle L., e Laguncularia racemosa (L.) Gaertn.
Foram observadas árvores mortas e cortadas, indicando ação antrópica. Os valores
dos parâmetros fitossociológicos ainda estão sendo processados.
100
Fotos: Nadjacleia Vilar Almeida
DINÂMICA POPULACIONAL CARANGUEJO-UÇÁ
A amostragem das galerias (tocas) dos organismos foi realizada em apenas duas
parcelas devido às dificuldades de logística. Os valores de densidade das tocas ainda estão
sendo processados.
Fotos: Nadjacleia Vilar Almeida
DIFICULDADES ENCONTRADAS
A amostragem de campo poderia ter sido melhor realizada se os barcos que foram
disponibilizados para a equipe não tivessem sido deliberadamente utilizados para outra
atividade não programada. Isso acarretou atraso no deslocamento da equipe fazendo com
que o tempo de campo ficasse reduzido. O ponto escolhido já estava encoberto pela água
(maré enchente), impossibilitando a realização das medições das tocas no ponto naquele
101
momento. Além disso, apenas um dia para as coletas se mostrou insuficiente para todas
as atividades.
Referências bibliográficas
BERNINI, E. et al. Fitossociologia de florestas de mangue plantadas e naturais no estuário
do Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Biotemas, São Carlos, v. 27 n. 1, p. 37-48, 2014.
BERNINI, E.; REZENDE, C. E. Variação estrutural em florestas de mangue do estuário do
rio Itabapoana, ES-RJ. Biotemas, São Carlos, v. 23, n. 1, p. 49-60, 2010.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Gerência de Biodiversidade Aquática e Recursos
Pesqueiros. Panorama da conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos no Brasil.
Brasília, 2010. 148 p.
CINTRÓN, G.; SCHAEFFER-NOVELLI, Y. Methods for studying mangrove structure. In:
SNEDAKER, S. C.; SNEDAKER J. G. (ed.).
CORREIA, M. D.; SOVIERZOSKI, H. H. Ecossistemas costeiros de Alagoas - The
mangrove ecosystem: research methods. Bungay: UNESCO, 1984. 251 p. Brasil. Rio de
Janeiro: Technical Books, 2009. 144 p.
CUNHA-LIGNON, M. et al. Mangrove forests submitted to depositional processes and
salinity variation investigated using satellite images and vegetation structure surveys.
Journal of Coastal Research, Coconut Creek, v. 1, p. 344-348, 2011.
physiographic types approach. Aquatic Botany, Berlin, v. 111, p. 135-143, 2013.
ESTRADA, G. C. D. et al. Annual growth rings in the mangrove Laguncularia racemosa
(Combretaceae). Trees, Berlin, v. 22, p. 663-670, 2008.
GIRI, C. et al. Status and distribution of mangrove forests of the world using earth
observation satellite data. Global Ecology and Biogeography, New Jersey, v. 20, p. 154159, 2011.
GONÇALVES, A. L. et al. Composição florística e fitossociológica do manguezal da zona
portuária de São Luís, Maranhão, Brasil. Biofix Scientific Journal, Curitiba, v. 3, n. 1, p. 0107, 2018.
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE. Atlas dos
Manguezais do Brasil. Brasília, 2018.
102
CARACTERÍSTICAS DA PESCA NO BAIXO SÃO FRANCISCO
EM 2021
Vanildo Souza de oliveira
Engenheiro de Pesca Prof. Dr. -Departamento de Pesca e Aquicultura – UFRPE.
INTRODUÇÃO
Dados sobre a atividade pesqueira no Baixo São Francisco apenas recentemente
têm sido publicados (DANTAS et al., 2008; BRUNO et al., 2009; SOARES et al., 2011).
Além disso, historicamente, a administração pesqueira nessa região decorre de ações
isoladas, a partir de informações fragmentadas de instituições e pesquisadores locais.
Nessa região a pesca é intensa e de grande potencial, sendo praticada, em sua
maioria, por pescadores artesanais e com muitos pontos de desembarque, embora no
município de Piaçabuçu (com 35% do efetivo de pescadores) apresente alguma atividade
semi-industrial (AECID, 2008). A atividade tem forte componente social, peixes, pesca e
pescadores do Baixo São Francisco, Nordeste do Brasil. Por outro lado, o Baixo São
Francisco vem sofrendo com a interrupção das variações naturais do nível d’água e do
comportamento migratório dos peixes, promovidas por hidroelétricas que criaram
barreiras e alteraram o sistema hídrico do rio, influenciando na “piracema” (SATO;
GODINHO, 2003). Contudo, ainda não há estudos específicos que avaliem esse impacto.
Dessa forma, a IV Expedição Cientifica do Baixo São Francisco vem constata as
dificuldades que tanto as populações, como o rio vem sofrendo em decorrência das
atividades antrópicas indiscriminadas e ausência de gestão, principalmente na atividade
pesqueira. Destacando-se a poluição, o desmatamento e o assoreamento, a degradação
das lagoas marginais, presença de espécies exóticas e a pressão pesqueira descontrolada
vêm influenciando negativamente a produção pesqueira na região, bem como na
distribuição espacial das espécies em relação aos ambientes (SOARES et al., 2011)
(Figura 1). Todos esses fatores interferem na atividade pesqueira, nesse sentido, fizemos
coletas de peixes com redes utilizadas pelos pescadores, com o objetivo de avaliar a
composição de captura da atividade.
103
Figura 1: Assoreamento das margens na foz do São Francisco
METODOLOGIA
Durante a expedição, foram realizados 40 lançamentos de redes de emalhar
(Figura 2), sendo colocadas na água ao entardecer e recolhidas ao amanhecer,
permanecendo em média 12 horas de pesca efetiva. No total empregaram-se redes com
70 mm de comprimento de malhas, com fios (nylon) 0,30 e 0,35mm de diâmetro, redes
com 80 mm de comprimento de malhas, com fio (nylon) 0,3mm de diâmetro e redes com
100 mm de comprimento de malhas, com fio (nylon) 0,2 mm de diâmetro. Cada rede teve
em média 400m de comprimento. As informações sobre a situação da pesca foram
colhidas através de entrevistas com os próprios pescadores, muitas vezes nas
embarcações.
Figura 2: rede de emalhar utilizadas pelos pescadores do baixo São Francisco
SITUAÇÃO ATUAL DA PESCA
Uma marcante reclamação dos pescadores foi justamente a grande variação do
nível do rio, uma vez que, segundo eles, quando o rio sobe que o leito transborda para as
104
áreas mais planas das margens, os peixes que desovam ficam presos com a redução do
nível da água e morrem (Figura 3). Além dessa variação de volume acelerar o processo
de assoreamento que diminui a profundidade do rio e modifica muitas vezes o ambiente
do fundo.
Figura 3: Efeito da variação do nível do rio, na reprodução das espécies, segundo os
pescadores.
Quanto às espécies, os pescadores relatam que hoje existe uma grande diminuição
nas capturas de espécies de valor comercial como: xira, piau cutia. Nos mercados
visitados foram encontrados, na maioria, espécies de cultivo como: tilápia e tambaqui
(Figuras 4 e 5). As espécies nativas encontradas foram a piranha verdadeira e piaus, a xira
e o surubim, segundo o vendedor vieram do Estado da Bahia tambaqui (Figuras 6 e 7).
Também foi encontrada uma espécie de bagre chamada PANGA.
105
Figura 4: Mercado público e comercio de peixes visitados.
Figura 5: Peixes de cultivo, tilápia e tambaqui a venda nos mercados.
Figura 6: Espécies nativas encontradas nos mercados: Piranha verdadeira e Piau.
106
Figura 7: Espécies nativas encontradas nos mercados, oriundas de outros estados: xira e
surubim.
Das espécies capturadas, a pirambeba, o pacu e os piaus representaram quase 70%
(69,62) do total da captura (Figura 8). Com exceção do piau, a pirambeba e o pacu tem
baixos, ou nenhum valor comercial.
Quando consideramos a captura acumulada de
Pirambeba e pacu, representam 44% da produção e que não tem valor de venda, ou seja,
ou muito baixo, ou não geram receita. Isso coloca a atividade de pesca em uma situação
muito desestimulante para os pescadores. Atuar em uma atividade em que só 56% do
produto tem valor de segunda, ou primeira qualidade, não é atrativo. Dessas, as espécies
de alto valor econômico: Camurim (robalo), xirá e tucunaré, que tem bom mercado
representam apenas 9% da produção.
Captura em Porcentagem %
30,00
25,00
20,00
15,00
10,00
5,00
0,00
Figura 8: Captura acumulada das espécies em porcentagem.
A piscicultura apresenta-se como uma alternativa de se suprir essa demanda de
pescado de valor econômico, haja vista a dominância de peixes de cultivo suprindo o
mercado. Assim como, a estimulação de atividade de peixamento, com espécies nativas
de valor comercial, piau cutia e xira, como também realizando o planejamento dos lugares
mais adequados. O peixamento, além de ser uma reposição de espécies ao ambiente, ele
gera renda para as comunidades ribeirinhas, pois como visto, a dominância nas capturas
dos pescadores hoje é dessas duas espécies sem valor comercial, pirambeba e pacu.
No total foram encontradas, nas capturas com redes de emalhar, 21 espécies,
estando distribuídas em maiores concentrações nas cidades de: Pão de Açúcar, Propriá e
Piaçabuçu (Figura 9).
107
Diversidade
Número de espécies
25
21
20
15
13
13
11
10
8
7
8
5
5
0
TOTAL
PIRANHAS
PÃO DE AÇÚCAR
TRAIPU
LAGOA COMPRIDA
PROPRIÁ
PENEDO
PIAÇABUÇÚ
Figura 9: Diversidade em número de espécies, em relação a captura em cada cidade.
Preliminarmente, as informações desta expedição nos permitem propor algumas
ações, como melhoria da gestão da atividade pesqueira no Baixo São Francisco.
- Criação de um Consórcio entre as Prefeituras COPRESF, para contratação de
extensionistas pesqueiros, a fim de trabalhar junto as comunidades pesqueiras. Esses
extensionista atuariam nas cidades em parceria com a CODEVASF e EMBRAPA.
- Programa Permanente de Peixamento de Espécies Nativas PROPEPEN, de valor
econômico, como forma de melhorar a renda dos pescadores.
- Programa de Educação Ambiental- PROEA, nas Colônias e Associação de Pescadores,
assim como nas escolas, sobre a poluição do Rio.
- Projeto piloto para aproveitamento das macrófitas, tanto do fundo, como da superfície.
Matéria orgânica para Biodigestores, enriquecimento do solo, alimentação animal,
complemento de ração.
- Tentar a difícil missão de equilibrar a equação, produção de energia x volume mínimo
para a manutenção da ictiofauna do rio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NOGUEIRA E.M.de S., SÁ, M. de F. P. (organizadoras). A pesca artesanal no baixo São
Francisco: atores, recursos, conflitos / ─ Petrolina, PE: SABEH – Editora da Sociedade
Brasileira de Ecologia Humana, 2015. 220 p.
108
FAUNA SILVESTRE DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Ubiratan Piovezan
Embrapa Tabuleiros Costeiros. Aracajú – SE.
INTRODUÇÃO
Embora a conservação e a preservação da vegetação ciliar de mananciais
apresentem grande relevância econômica, social e ambiental, havendo dispositivos legais
109
para proteção dessas áreas, as áreas ciliares da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco
encontram-se
fortemente
degradadas.
Tal
cenário
influencia
diretamente
a
disponibilidade de ambientes e consequentemente a diversidade e abundância das
populações animais. Além dos desafios impostos pelo ambiente sazonal e degradado, as
espécies da fauna na região do baixo rio São Francisco são ameaçadas pela caça de
subsistência que é praticada pelas populações rurais e ribeirinhas.
Na prática, todas as espécies de mamíferos terrestres são potencialmente
consumidas na região e este fato torna a busca por indivíduos e mesmo indícios da
presença da fauna uma tarefa especialmente difícil, seja pela escassez desses animais na
paisagem atualmente, seja pela necessidade premente desses animais evitarem encontros
com seres humanos.
A literatura que trata do tema da fauna na região pode ser considerada restrita. A
maioria dos trabalhos disponíveis se refere a levantamentos realizados em unidades de
conservação, de modo que existe pouco esforço amostral para as áreas de fragmentos
isolados como as que foram eleitas para caracterização em 2021 (Ver imagens com pontos
de amostragem na parte de vegetação ciliar deste relatório).
O objetivo do trabalho envolvendo a fauna silvestre na 4ª expedição foi confrontar
a lista de espécies animais de provável ocorrência na região com dados de identificação
de ocorrência das espécies em campo.
MATERIAIS E MÉTODOS
- Fauna
Durante a 4ª expedição, foi realizado armadilhamento fotográfico para avaliação
de ocorrência de espécies da fauna no BSF. Complementarmente, foram consideradas
observações realizadas pelo pesquisador a partir de embarcações da expedição,
observações diretas de animais em campo, observação de indícios da presença das
espécies em campo (pelo pesquisador) e testemunhos de moradores da região sobre a
ocorrência de animais na região do baixo rio São Francisco. Foram ainda utilizadas fotos
capturadas pelos participantes da 4ª expedição que se dispuseram a compartilhar imagens
para este fim, ampliando desta forma o esforço de verificação de espécies com ocorrência
reportada para a região.
- Solos
110
Além dos registros relacionados a fauna, foram realizadas amostragens de solos
(0-20cm) nos locais de estabelecimento de quatro pontos de caracterização da vegetação
em oito transectos determinados com base em imagens de satélite. Ao todo foram
realizadas 32 amostras. As análises incluíram avaliação de macro e micronutrientes, bem
como a CTC, matéria orgânica. Nesta edição do relatório os resultados das análises
realizadas para amostras de solos colhidas em 2020 (3ª expedição) serão apresentados.
RESULTADOS
A partir das observações realizadas foi atualizada a lista de espécies de mamíferos
não voadores com ocorrência registrada em campo na região. Como destaque desta fase
da pesquisa, tivemos registro de duas espécies de carnívoros de médio porte: o guaxinin
(Procyon cancrivorus) Propriá-SE e a raposinha (Cerdocyon thous).
Com base em estudos prévios realizados na região (Dias et al. 2017; Dias et al.
2019), foi composta uma lista de 21 espécies de mamíferos de provável ocorrência na
região. A verificação em campo das espécies desta lista ainda tem demonstrado um
aumento no número de verificações em função do aumento do esforço, demonstrando que
ainda necessitaremos de mais trabalhos em campo a fim de representar com propriedade
a diversidade de espécies presente na região (Quadro 1).
Quadro 1 - Lista atualizada das espécies encontradas no BSF, em 2021.
Registro
(*)
Ordem
IL
MT
Didelphimophi
a
Didelphimophi
a
Didelphimophi
a
Cingulata
Cingulata
MT
Pilosa
MT
MT
-
IL, MT
-
Família
Espécie
Nome
popular
Ano
Didelphidae
Didelphis
marsupialis
saruê
2020
Didelphidae
Gracillinanus agilis
cuica graciosa
Dasypodidae
Dasypodidae
Myrmecophagida
e
Monodelphis
domestica
Euphractus sexcintus
Dasypus novencintus
Tamandua
tetradactyla
Primates
Callitrichidae
Callitrix jacchus
Carnivora
Carnivora
Carnivora
Felidae
Felidae
Felidae
Leopardus pardalis
Leopardus tigrinus
Puma yagouaroundi
Didelphidae
rato cachorro
tatu peba
tatu galinha
tamanduámirim
soín
2020
2020
20 e
21
20 e
21
jaguatirica
gato do mato 2020
jaguarundi
111
MT, V,
CA
Carnivora
Canidae
Cerdocyon thous
raposinha
MT, IL
Carnivora
Mustelidae
Lontra longicaudis
lontra
-
Carnivora
Mephitidae
V
MT,
IL(21)
Carnivora
Procyonidae
Conepatus amazonicus /
semistriatus
Procyon cancrivorus
Artiodactyla
Cervidae
Mazama goazoubira
-
Rodentia
Cricetidae
Calomys mattevi
-
Rodentia
Cricetidae
Wiedomis pirrihomis
IL
IL, MT,
IL(21)
Rodentia
Caviidae
Rodentia
Caviidae
Galea spixii
Hydrochoeris
hydrochaeris
IL, , Av
Rodentia
Caviidae
Kerodon rupestres
mocó
C
Rodentia
Echimyidae
Thrichomys
laurentius
punaré
Av
Ciconiiformes
Ciconiidae
Mycteria americana
cabeça-seca
Av
Pelecaniformes
Ardeidae
Butorides striata
socozinho
Av
Pelecaniformes
Ardeidae
Ardea alba
garça-brancagrande
Av
Pelecaniformes
Ardeidae
Ardea cocoi
garça-moura
Av
Pelecaniformes
Ardeidae
Egretta thula
Av
Pelecaniformes
Ardeidae
Bubulcus ibis
Av
Pelecaniformes
Charadriiforme
s
Charadriiforme
s
Charadriiforme
s
Threskiornithidae
Platalea ajaja
garça-brancapequena
garçavaqueira
colhereiro
Jacanidae
Jacana jacana
jaçanã
Recurvirostridae
Himantopus
mexicans
pernilongocostas-negras
Charadriidae
Vanellus chilensis
quero-quero
Av
Falconiformes
Falconidae
Falco sparverius
quiri-quiri
Av
Falconiformes
Falconidae
Caracara plancus
carcará
Av
Accipitriformes
Accipitridae
gaviãocaramujeiro
Av
Accipitriformes
Accipitridae
Rostrhamus
sociabilis
Rupornis
magnirostris
Av
Strigiformes
Strigidae
Athene cunicularia
Av
Anseriformes
Anatidae
Cairina moschata
corujaburaqueira
pato-do-mato
Av
Anseriformes
Anatidae
Sarkidiornis sylvicola
pato-de-crista
Av
Suliformes
Phalacrocoracida
e
Nannopterum
brasilianum
Biguá
Av
Av
Av
20 e
21
20 e
21
cangambá
mão-pelada
veado
catingueiro
camundongo
do campo
rato bico-delacre
preá
capivara
gavião-carijó
2021
20 e
21
2020
20 e
21
20 e
21
2020
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
2020
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
20 e
21
2020
20 e
21
2021
112
Av
Anseriformes
Anatidae
Dendrocygna viduata
Irerê
Pelecaniformes
Ardeidae
Tigrisoma lineatum
Coraciiformes
Alcedinidae
Megaceryle torquata
Cathartiformes
Cathartidae
Coragips atratus
Av
Gruiformes
Rallidae
Aramides cajaneus
Av
Cathartiformes
Cathartidae
Cathartes aura
Fv
Falconiformes
Falconidae
Falco peregrinus
Socó-boi
Martimpescador
Urubu-decabeça-preta
Saracura-dobrejo
Urubucabeçavermelha
Falcão
peregrino
Av
20 e
21
2021
2021
2021
2021
20 e
21
*Os registros realizados se basearam em: captura física (C), avistamento direto (Av),
vestígios (V), Informante local (IL), foto/vídeo(Fv), Museu Traipu (MT), Carcaça
atropelado (CA).
Registros Avulsos:
Presença de rebanho de Búfalos na margem Alagoana – espécie exótica
Rastros e indícios observados em campo:
Rastros de raposinha na RPPN onde o Alexandre nos recebeu – Figura 1
Rastros de mão pelada no mangue dia 09/11/21 Figura 2
Dia 09 de Novembro raposinha atropelada na região de Penedinho, na estrada de acesso
a fazenda amostradas pelo segundo ano pela equipe terra (Capataz é seu Messias que fez
campo conosco) – Figura 3
Informações sobre animais recebidas de pessoas:
Senhor Vítor indicou a presença de veado catingueiro em morro (reserva) próximo
de Gararu – Informações obtidas de caçadores conhecidos de Vítor da tripulação da
Magnífica
Rodrigo viu lontra qdo foi retirar a covos de camarão (Na madrugada que subimos
o rio – dia 31/10) acho que foi perto de Traipu.
Na região de Penedinho tivemos o apoio em campo do Sr Messias, que nos indicou
local em que viu pessoalmente tamanduá-mirim, com filhotes.
Na região da Foz do São Francisco, próximo ao ponto de coleta realizada no
mangue pela equipe terra, falamos com dois moradores, um dele conhecido como Ginaldo
113
pescador (nós o filmamos lançado a tarrafa) que nos indicou a ocorrência do macaco do
mangue (Sapajus xanthosternos) na Ilha conhecida como Mamona, próximo a região onde
estivemos, porém a montante do ponto de coleta no mangue.
Mais acima, no mesmo braço de rio que encontramos o Ginaldo, falamos com um
morador do “Porto da Cruz”, que tb nos confirmou a ocorrência do macaco na mesma
região, porém nos avisou que deveríamos tentar ve-lo logo nas primeiras horas da manhã.
Figura 1 - Local com pegadas onde raposinha (Cerdocyon thous) escavou o solo,
propriá-SE dia 06/11/2021.
Figura 2 - Pegada de guaxinim (Procyon cancrivorus) no mangue, margem Sergipana
da foz do rio São Francisco, dia 09/11/2021.
114
Figura 3 - Raposinha (Cerdocyon thous) atropelada na região de Penedinho, dia
09/11/2021.
- Solos
Os resultados da análise das amostras de solos colhidas em 2020 são apresentados
na tabela 1. Os dados ora apresentados serão reunidos a informações sobre a cobertura
vegetal das áreas assim como informações sobre a fauna da região a fim de permitir uma
análise mais interdisciplinar da paisagem e fatores que intervém na sua conservação e
recuperação. Tais reflexões serão adicionadas a discussão do capítulo que tratará dos
ambientes ciliares, na versão final deste relatório.
Tabela 1. Análise de fertilidade dos solos de ambientes ciliares na região do baixo rio São Francisco
M.O
pH
em
(g.kg1)
H2O
(mmolc.dm-3)
P1
23,34
5,09
28,47 12,70 39,19 0,78
8,02
80,0
30,6
P2
14,97
5,04
17,11 7,43 26,02 1,36
8,55
75,6
14,7
19
P3
14,77
5,56
34,75 11,66 10,66 0,19
7,49
74,7
18,2
20
P4
16,64
5,23
27,24 9,38 15,52 0,29
5,30
51,1
15,5
Brejo
Grande
P2
20,03
4,55
47,45 23,66 32,45 1,75
5,60
32,0
132,8
P4
11,71
4,54
31,18 19,52 23,20 0,87
3,10
31,3
46,4
T2
P1
64,32
5,20 171,90 70,85 40,60 0,38 166,05
147,9
51,1
Nº
Lab.
IDENTIFICAÇÃO
17
18
21
22
23
Piranhas
Ca
Mg
H+Al
Al
P
K
Na
(mg.dm-3)
115
24
P5
90,49
6,77 223,55 47,10 7,52 0,10 226,59
140,9
32,2
25
P1
11,25
5,84
29,86 9,81 36,21 3,98 583,77
79,3
31,8
P2
25,30
5,43
93,00 30,78 50,47 1,94 563,34
114,9
72,0
27
P4
11,27
5,88
63,45 18,05 15,36 0,39 459,67
97,9
55,7
28
P5
24,36
6,36 117,40 26,40 11,60 0,19 441,50
171,9
22,3
29
P1
19,63
5,05
17,94 12,60 46,87 6,21
7,04
132,9
26,4
P2
19,22
5,28
26,97 21,48 33,70 1,16
6,51
128,9
14,7
26
30
T3
T4
31
P4
Traipu
18,98
5,37
23,75 17,04 29,78 0,87
8,02
134,9
21,2
32
P5
Traipu
32,39
5,57
44,65 18,61 30,72 0,29 13,92
152,9
15,8
33
P1
23,15
5,58
27,89 14,80 29,00 0,29
5,45
117,9
16,7
34
P2
A
30,78
5,80
30,34 17,61 38,72 0,58 13,62
112,9
19,9
35
P2
B
28,21
6,04
31,86 16,70 27,12 0,29 11,96
109,9
16,0
36
P5
59,30
6,10
55,25 25,08 34,49 0,29 11,28
146,9
30,5
37
P1
136,99
5,21
95,40 36,14 148,60 1,71 22,55
151,9
31,5
P3
54,64
4,94
22,00 13,89 102,20 7,79 12,03
117,9
17,2
39
P4
55,67
5,11
37,14 17,11 99,54 3,01 14,00
114,9
26,4
40
P5 Igreja Nova 101,57
6,32 156,00 30,72 39,34 0,68 23,08
156,9
28,1
P1 Penedinho
28,68
5,60
11,61 11,67 84,17 6,79
4,77
25,3
19,2
42
P2
32,01
4,96
9,37
9,95 85,43 6,50
8,93
49,1
23,7
43
P3
23,03
5,43
14,13 8,21 30,41 1,16
5,75
22,3
7,3
44
P1
24,08
5,13
7,06
6,66
36,7
26,7
16,21
5,80
88,50 25,93 19,28 0,29 21,19
83,7
114,8
19,75
5,92
69,75 25,85 16,46 0,29 11,35
60,2
214,8
11,41
5,27
16,77 8,40 21,32 1,16
24,7
11,9
38
41
T5
T6
T7
Penedinho
45
P1
46
P3
07/12
Brejo
Grande
Brejo
Grande
47
P5
07/12
T8
8,31 41,38 4,27
7,95
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS
Dias, D. M. Almeida, M. O. S. Araújo-Piovezan, T. G. Dantas, J. O. Habitat selection by
mammals in an isolated fragment of Brazilian Atlantic Forest. Ecotropica. V. 21, 2193,
2019.
Dias, D. M. Mendonça, L. M. C. Albuqyerque M. N. Terra R. F. C. Silvestre S. M. Moura,
V. S. Beltrão, R. Ruiz-Esparça, J. Rocha, P. A. Ferrari, S. F. Preliminary survey of the
nonvolant mammals of a remnant of coastal restinga habitat in eastern Sergipe, Brazil,
Natureza Online, 15 (2): 032-041. 2017.
116
AÇÕES DE SAÚDE BUCAL NAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS
DA REGIÃO DO BAIXO SÃO FRANCISO NA IV EXPEDIÇÃO DO
BAIXO SÃO FRANCISCO
Daniela Ferreira de Oliveira¹; Cristiane Castro²
dniferreira.oliver@gmail.com¹; cristiane.castro@foufal.ufal.br²
¹Acadêmica em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL);
²Professora Doutora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas;
INTRODUÇÃO
117
A cárie dental é uma doença transmissível e multifatorial. Sua manifestação está
relacionada com diversos fatores, que juntos corroboram para o seu aparecimento na
cavidade bucal, como por exemplo, a dieta, microbiota local, tempo e hospedeiro, fatores
sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais. A
incidência da cárie vem diminuída, porém ainda é a doença que mais prevalece na
população mundial, caracterizando-a como um problema de saúde pública. ¹,2
A odontologia preventiva apresenta-se como uma forte aliada ao combate as
doenças bucais desde a primeira infância. As atividades educativas e preventivas, que
veem sendo realizadas de forma coletiva, apresentam resultados relevantes, pois abrange
e envolve toda a comunidade. Possuem o objetivo de evitar doenças e reduzir gastos em
tratamentos complexos ao final da primeira infância, já que a atenção odontológica ocorre
de forma precoce para as crianças. A colaboração participativa dos pais é um fator crucial
para o sucesso do programa de controle da cárie dentária. 3
Estudos epidemiológicos são utilizados com a finalidade de realizar diagnóstico
da situação de saúde e identificar áreas prioritárias para intervenções, pois, as práticas
sanitárias fundamentadas em informações epidemiológicas são mais efetivas e dispendem
recursos financeiros de forma otimizada, além de identificar os fatores causais e
incentivarem a promoção da saúde e prevenção de doenças. 5
Infelizmente, não são todas as comunidades que possuem um acesso adequado a
saúde bucal. O termo ribeirinho designa qualquer população que vive as margens de rios.
Os ribeirinhos da região do Baixo são Francisco vivem em situação de vulnerabilidade
social. Eles possuem como sustento a renda que adquirem da pesca, agricultura familiar
e artesanato, dependendo diretamente do Rio São Francisco, que vem apresentando nos
últimos anos uma forte intervenção humana, degradando-o e consequentemente
comprometendo o sustento das famílias que dependem de suas águas.
A equipe de saúde bucal integrou a expedição pela segunda vez com o propósito
de promoção e educação em saúde bucal e de realização de um levantamento
epidemiológico de cárie dental nessas comunidades ribeirinhas. Dessa forma, os objetivos
desse trabalho foram: garantir às crianças das populações ribeirinhas acesso a ações
educativas e preventivas em saúde bucal, contribuir para a melhoria das condições de
saúde bucal da população local, realizar um levantamento epidemiológico simplificado,
contribuir e subsidiar o planejamento das ações das equipes de saúde bucal dos
municípios.
118
METODOLOGIA
Este trabalho caracteriza-se como transversal, com metodologia de pesquisa-ação,
com o desenvolvimento de ações educativas entre os dias 01/10/2021 e 09/11/2021, cujo
público-alvo foi a comunidade ribeirinha do Baixo São Francisco. O cenário de atuação
foi as escolas públicas dos municípios de Alagoas: Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São
Brás, Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu e, em Sergipe, Propriá. Esta pesquisa-ação em
promoção de saúde bucal foi coordenada por uma profissional de Odontologia, professora
do curso de Odontologia da Universidade federal de Alagoas (UFAL) e por uma
acadêmica do mesmo curso da UFAL e contou com o apoio da equipe da IV Expedição
do Baixo São Francisco da coordenação e equipes de saúde bucal dos municípios.
A dinâmica para organizar as ações aconteceu através da articulação entre a
coordenação da Expedição, com os professores, secretários de educação e saúde e
coordenação de saúde bucal de cada município. Assim, através de prévias reuniões
virtuais devido à pandemia da COVID-19, planejaram-se as possibilidades de atividades
a serem aplicadas em cada comunidade, levando-se em consideração as peculiaridades de
cada região, a forma de acesso às escolas e à associação de moradores. Foi realizada, de
forma remota, uma semana antes do primeiro dia de expedição, um curso de capacitação
em levantamentos epidemiológicos, para os cirurgiões dentistas e auxiliares em saúde
bucal dos municípios de Traipu, Pão de Açúcar, Piaçabuçu e Propriá, com o objetivo de
atualizar e treinar os profissionais para a coleta de dados epidemiológicos.
Como ferramentas de educação em saúde bucal foram realizadas palestras com as
crianças sobre prevenção das doenças bucais (Figura 1), exibição de vídeos (Figura 2),
jogos de mitos e verdades na odontologia e demonstração de técnica de escovação e do
uso do fio dental (Figura 3). Foram também disponibilizadas atividades de caça-palavras,
palavras cruzadas e pinturas com a temática em questão: saúde bucal, cárie e placa
bacteriana, hábitos alimentares e sua relação com a doença cárie (Figura 4).
119
Figura 1: Palestra para as crianças das escolas sobre educação em saúde bucal e hábitos
alimentares
Figura 2: Vídeo educativo sobre educação e promoção em Saúde bucal
Figura 3: Ensino de técnica de escovação para as crianças das escolas ribeirinhas
Figura 4: Crianças das escolas visitadas participando das atividades lúdicas relacionadas
a Odontologia
Foi realizado um levantamento epidemiológico simplificado de cárie dentária e
perda precoce de dentes permanentes nas crianças das instituições de 2-14 anos (Figura
5), e, em dois municípios, foram registrados os casos de fluorose dental. Após exame, as
crianças realizaram escovação dental supervisionada e houve aplicação tópica de flúor,
seguindo o protocolo de biossegurança (Figura 6).
120
Figura 5: Levantamento epidemiológico simplificado nas crianças das escolas visitadas
Figura 6: Escovação supervisionada e aplicação tópica de Flúor
Os dados foram coletados em ambiente escolar, sob luz natural, com a criança
sentada. A coleta foi realizada através de entrevista estruturada e exame bucal. Na
entrevista realizada com as crianças, utilizou-se um questionário que compreendia –
identificação da criança, informações socioeconômicas como idade da criança em anos,
sexo, cor da pele, município de residência, nome da escola e localização (zona urbana ou
rural). Foi utilizada uma ficha para o exame bucal, onde foram registrados dados
referentes à cárie dentária, conforme os critérios do ceo-d e CPO-D (OMS, 1999).
A coleta dos dados foi realizada por equipes de dentistas da rede de atenção à
saúde dos municípios e pela docente da FOUFAL, devidamente treinados. A equipe
também era formada pelos auxiliares em saúde bucal e por uma docente de graduação do
curso de odontologia que aturam como anotadores.
Os instrumentos de coleta de dados foram revisados e os dados digitados no
Microsoft Excel. Para a análise dos dados foi utilizado o programa STATA 7.0. Realizou121
se inicialmente a análise descritiva das variáveis de interesse obtendo-se as frequências
simples e relativas para as variáveis categoriais e as medidas de tendência central e de
dispersão para as contínuas. Análises bivariadas serão realizadas posteriormente,
considerando a presença de cárie dentária como efeito principal (variável dicotômica) e
sua associação com as variáveis demográficas. Serão estimadas medidas de associação
(Razões de Prevalência - RP) e seus respectivos Intervalos de Confiança a 95% (IC 95%).
A avaliação da prevalência de fluorose será realizada para os municípios de Propríá e
Pendo, devido à observação da alta ocorrência na população estudada.
Com o intuito da manutenção da saúde bucal, houve a distribuição de kits de
higiene bucal, instrumentos indispensáveis para o autocuidado da boca, após as atividades
educativas, em todos os pontos visitados pela Expedição. Cada kit era composto por uma
escova dental, um creme dental e um folheto educativo e alguns vieram acompanhados
de fio dental (Figura 7).
Figura 7: Distribuição de kits de higiene oral para as crianças em situação de
vulnerabilidade social.
RESULTADOS PARCIAIS
A população do estudo constituiu-se de 478 crianças e adolescentes escolares
entre 3 e 18 anos, com média de idade de 8,68 anos (±2,75) e mediana 9 anos. A maioria
(70,3%) possuía a cor da pele parda, era do sexo feminino (52,3%) e proveniente de
escolas do município de Propriá (24,9%) (Tabela 1).
Em relação à condição de saúde bucal para a dentição decídua, a prevalência de
cárie foi de 54,9 %, ou seja, mais da metade dos escolares apresentaram pelo menos 1
dente decíduo com história presente ou pregressa de cárie dentária. O ceo-d foi de 1,72 e
quanto a sua distribuição percentual, 95,35% representavam dentes cariados, apenas
122
4,07% eram obturados e 0,58 com extração indicada por cárie. O que significa dizer que
há uma presença da doença ativa, com necessidade de tratamento.
Já para a dentição permanente, a prevalência de crianças com cárie dental foi de
32,49% e o CPO-D foi de 0,66. Quanto à distribuição percentual do CPO-D, 86,55%
representavam dentes cariados, 6,91% eram obturados e 6,55 extraídos por cárie, o que
se constitui em perda precoce dos elementos dentários na faixa etária avaliada.
Tabela 1. Características sociodemográficas da população de estudo, Baixo São
Francisco, 2021(n= 478).
Variáveis
Idade*
<=9 anos
>9 anos
Sexo
Feminino
Masculino
Cor da pele
Branco
Negro
Pardo
Amarelo
Município
Igreja Nova
Pão de Açúcar
Penedo
Piaçabuçú
Piranhas
Propriá
São Brás
*Dados perdidos
N
%
212
263
234
44,63
55,37
52,35
213
47,65
68
33
270
13
17,71
8,59
70,31
3,39
28
56
38
76
29
119
30
5,86
11,72
7,95
15,90
6,07
24,90
6,28
REFERÊNCIAS
1- Bento, A., Sousa, J., Queiroz, L., & Silva, C. (2019). Odontologia social e preventiva:
um estudo epidemiológico de moradores de uma comunidade. Encontro de Extensão,
Docência
e
Iniciação
Científica
(EEDIC),
4(1).
Recuperado
de http://reservas.fcrs.edu.br/index.php/eedic/article/view/2679
2- Silva, Ricardo Henrique Alves da et al. Análise das diferentes manifestações de
cultura quanto aos cuidados em saúde bucal em moradores de região rural ribeirinha em
Rondônia, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva. 2010, v. 15, suppl 1
3- Marinho, T., Oliveira, C. O custo da Odontologia Preventiva e terapêutica na
guarnição de Resende -RJ. Biblioteca digital do Exército. 1:17; 2020. Disponível em:
http://bdex.eb.mil.br/jspui/handle/123456789/7555
123
4- Frazille, C., Limírio, J, Dalben, A., Rezende, M., Alves Rezende, M. O papel do
Professor na percepção dos alunos de Odontologia: impacto do ensino de graduação
baseado na comunidade. Arch Health Invest. 2020; 9(2):194-201.
5- Gonçalves, T., Moura, V., Oliveira, V., Lorena-Sobrinho,J. Cárie dentária associada
em comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas: uma revisão de literatura. Centro
universitário
Tabosa
de
Almeida.
2018;1-17.
Disponível
em:
http://repositorio.asces.edu.br/handle/123456789/1781
COLETA DE ÁGUA PARA DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE
DA ÁGUA PARA FINS DE IRRIGAÇÃO
Lucas Cruz Fonseca1, Marcus Aurélio Soares Cruz2, Carlos Alberto da Silva2, Silvânio
Silvério Lopes da Costa3, Carlos Alexandre Borges Garcia3, Joel Marques da Silva3,
Petrônio Alves Coelho Filho4, Marco Yves de Aguiar Vitório Praxedes4
1
3
Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe, 2Embrapa Tabuleiros Costeiros,
Universidade Federal de Sergipe, 4Universidade Federal de Alagoas
INTRODUÇÃO
A água é um recurso que está diretamente ligado à sobrevivência do homem,
influenciando em suas condições de saúde, econômicas e sociais. É um recurso
indispensável para a agricultura, onde a irrigação é o setor responsável pelo uso de 66,1%
da água potável consumida anualmente no país. (ANA, 2019)
Na região do Baixo rio São Francisco (BSF), o rio é a principal fonte de água para
os municípios ribeirinhos, onde grande parte dos habitantes utiliza a água para diversos
fins como, a pesca e recreação, também o uso através da captação para consumo humano
e para irrigação, muitas dessas captações feitas através de bombas instaladas nas margens
do rio e a água utilizada sem nenhum tratamento prévio.
Nesse sentido, é de grande importância determinar a qualidade da água utilizada
para a irrigação, bem como o efeito deste sobre a cultura e o solo. Das principais
propriedades que determinam a qualidade da água para irrigação, a quantidade de sais
solúveis é um fator limitante ao desenvolvimento da grande maioria das culturas
124
(BERNARDO, 1987). A influência desses sais pode ser expressa através da Razão de
Adsorção de Sódio (RAS).
A RAS é um importante índice de qualidade da água para irrigação, em relação a
presença do íon sódio, e é a melhor característica para avaliar o problema de sódio nos
solos, levando em consideração também as concentrações dos íons cálcio e magnésio,
expressando a possibilidade da água provocar a sodificação do solo. (FAGERIA, 1989)
Quem introduziu o conceito de RAS como índice para classificar a irrigação foi
RICHARDS em 1954, e ainda continua sendo um importante meio para determinar a
qualidade da água usada para irrigação.
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar e determinar a
qualidade da água da região do BSF para fins de irrigação com o auxílio da RAS e
classificar os riscos de seu uso com base na metodologia proposta por Richards, visando
disponibilizar informação para que possa ser feito um melhor uso da água utilizada.
METODOLOGIA
Para a elaboração do estudo, foram coletadas amostras em vinte e sete pontos de
amostragem espalhados na região do BSF, entre os estados de Sergipe e Alagoas,
abrangendo os municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Traipu, Porto Real
do Colégio, Igreja Nova, Penedo, Neópolis e Piaçabuçu no estado de Alagoas e os
municípios de Propriá e Brejo Grande no estado de Sergipe. A distribuição dos pontos
pode ser observada na (Figura 1).
125
Figura 1. Localização dos pontos de amostragem. Fonte: Relatório da II expedição do baixo São
Francisco
As amostras foram coletadas próximas às duas margens e na região mais central
do rio, em cada ponto foi efetuada a coleta superficial e com profundidade, na coluna
d’água, com auxílio de garrafa de Van Dorn. A água coletada foi transferida para frascos
de polietileno de 500 mL previamente limpos, devidamente identificados, armazenados
em caixa térmica contendo gelo e transportada até a embarcação principal, congeladas,
transportadas até o laboratório onde serão filtradas em filtro de 0,45 μm e em seguida
preceder a análise.
Para a medida de condutividade elétrica (CE) foi utilizada a sonda multiparâmetro
YSI EXO1 (Figura 2), a determinação foi executada in loco no momento da amostragem.
A determinação dos cátions foi feita em cromatógrafo íons no laboratório da Companhia
de Saneamento de Sergipe (DESO).
126
Figura 2. Imagens representativas das atividades de campo.
Como indicativo de qualidade de água para irrigação as amostras serão
classificadas quanto ao Perigo de Salinidade, com base na CE e o Perigo de Sodificação
(Alcalinização), com base na Relação de Adsorção de Sódio (RAS), que é obtida através
da equação a seguir:
𝑅𝐴𝑆 =
𝑁𝑎+
√𝐶𝑎
2+ + 𝑀𝑔2+
2
Onde a concentração dos cátions precisa ser expressa em miliequivalente por litro
(meq/L).
RESULTADOS ESPERADOS
Como resultado do estudo é esperado obter a classificação quanto ao perigo de
salinidade e o perigo de sodificação da água, através dos valores da RAS e da CE obtidas
para cada ponto, essa classificação será obtida utilizando o diagrama apresentado na
Figura 3.
Através do diagrama é possível indicar para o melhor uso da água, onde segundo
(RICHARDS, 1954);
● C1 - Água de baixa salinidade (com menos de 250 micromhos/ cm de
condutividade elétrica): pode ser usada para irrigação na maior parte dos cultivos
em quase todos os tipos de solo, com pouca probabilidade de desenvolver
problemas de salinidade;
127
● C2 - Água de salinidade média, com conteúdo de sais entre 250 e 750
micromhos/cm: pode ser usada sempre que houver um grau moderado de
lixiviação. Plantas com moderada tolerância aos sais podem ser cultivadas, em
muitos casos, sem necessidade de práticas especiais de controle da salinidade;
● C3 - Água com alta salinidade, com conteúdo de sais de 700 a 2.250
micromhos/cm: não pode ser usada em solos com drenagem deficiente e mesmo
com drenagem adequada, podem ser necessárias práticas especiais para controle
de salinidade e só deve ser aplicada para irrigação de plantas tolerantes aos sais;
● C4 - Água com salinidade muito alta, com mais de 2.250 micromhos/cm: não pode
ser usada em condições normais, apenas ocasionalmente, em circunstâncias muito
especiais, tais como em solos muito permeáveis e plantas altamente tolerantes aos
sais.
● S1 - Água com baixo teor de sódio: pode ser usada para irrigação em quase todos
os solos, com pouco perigo de desenvolvimento de problemas de sodificação;
● S2 - Água com teor médio de sódio: estas águas só devem ser usadas em solos de
textura arenosa ou em solos orgânicos de boa permeabilidade, uma vez que em
solos de textura fina (argilosos) o sódio representa perigo;
● S3 - Água com alto teor de sódio. Pode produzir níveis tóxicos de sódio trocável
na maior parte dos solos, necessitando assim de práticas especiais de manejo tais
como: drenagem, fácil lavagem, aplicação de matéria orgânica;
● S4 - Água com teor muito alto de sódio. É geralmente inadequada para irrigação
exceto quando a salinidade for baixa ou média ou o uso de gesso ou outro corretivo
torne possível o uso dessa água.
128
Figura 3. Diagrama para classificação de águas para irrigação. (RICHARDS, 1954).
Fonte: Embrapa, 2001
Os resultados obtidos nas análises das amostras da 4ª expedição serão comparados
com os que foram obtidos na 3ª expedição, assim podendo identificar se houve alguma
alteração na qualidade da água no período entre as expedições.
REFERÊNCIAS
BERNARDO, S. Manual de irrigação. 4. ed. Viçosa: UFV, Imprensa Universitária, 1987.
p. 488
BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS. Ministério do desenvolvimento
Regional. Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil. Informe Anual, Brasília, 2019.
Disponível
em
<http://conjuntura.ana.gov.br/static/media/conjunturacompleto.bb39ac07.pdf > Acesso em 20/01/2021.
CORDEIRO, G. G. Qualidade de Água para Fins de Irrigação (Conceitos básicos e
práticos). Embrapa Semi-Árido. Petrolina, 2001.
CRUZ, M. A. S.; SILVA, C. A.; COSTA, S. S. L.; GARCIA, C. A. B.; VIANA, R. D.;
FILHO, P. A. C.; PRAXEDES, M. Y. A. V.; A Salinidade da Água no Baixo Rio São
Francisco. In: Relatório da II expedição do baixo São Francisco. 2020. P. 339.
FAGERIA, N. K.. Solos tropicais e aspectos fisiológicos das culturas. Brasília:
EMPRAPA-DPU. 1989 .
RICHARDS, L. A. Diagnosis and improvement of saline and alkali solis. Washington:
United States Salinity Laboratory. (USDA: Agriculture Handbook, 60). 1954.
129
MONITORAMENTO ACÚSTICO PASSIVO (MAP) DO RIO SÃO
FRANCISCO
Alfredo Borie-Mojica
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Penedo
INTRODUÇÃO
Diversos organismos aquáticos são capazes de emitir sons para a comunicação
associados a diferentes tipos de comportamentos (Tyack 1998). O conjunto destes sons
permite definir a paisagem acúst Até a apresentação do presente relatório, as amostras
liofilizadas e trituradas estão sendo mantidas em freezer a -15º para em breve passarem
pelo processo de digestão e finalmente enviadas para análise conforme o fluxograma do
processo (Figura 6) com validação do método analítico utilizando-se materiais de
referência certificados de tecido de peixe NIST-1566b e DORM-4.
ca de diversos ambientes, indicando o grau de diversidade de espécies, o estado
de conservação do ambiente, além de ser útil para avaliar a distribuição dos organismos
(Pijanowski et al., 2011; Farina & Pieretti, 2012).
Para estudar a paisagem acústica e os sons que a compõem, recentemente vem sendo
utilizado o método acústico passivo, que se baseia em ouvir os sons produzidos por
organismos sonoros, possibilitando a utilização dos sons como verdadeiros marcadores
naturais das espécies, uma vez que são espécies-específicos.
O monitoramento acústico subaquático apresente uma abordagem viável, não
invasiva e amplamente inexplorada para monitorar ecossistemas de água doce,
fornecendo informações sobre os três principais elementos ecológicos dos ambientes
aquáticos - (1) peixes, (2) macroinvertebrados e (3) processos físico-químicos - bem como
fornece dados sobre os níveis de ruído antropogênico (Linke et al., 2018).
A importância ecológica da paisagem acústica em água doce está apenas
começando a ser reconhecida pela sociedade. Os cientistas estão começando a aplicar os
métodos de Monitoramento Acústico Passivo (MAP), bem estabelecidos nos sistemas
marinhos, aos sistemas de água doce, para mapear padrões espaciais e temporais de
130
comportamentos associados aos sons biológicos, bem como os impactos do ruído sobre
eles (ROUNTREE et al., 2019).
METODOLOGIA
Sistema de Monitoramento Acústico Passivo (MAP) no rio São Francisco
Foram realizadas gravações subaquáticas utilizando o gravador autônomo
SoundTrap (STD) 300. As gravações duraram em média aproximadamente 13 horas de
gravação (entre às 17:00 e 05:00 horas) em cada localidade monitorada. O STD é
destinado para uso geral de medições de ruído aquáticos com uma gama de 20 Hz a 60
kHz, com frequência de amostragem 48 kHz, 16 bits. Este sistema permitiu avaliar os
padrões sonoros biológicos e antrópicos sazonais e temporais, juntamente com as
temperaturas que ocorrem nos locais durante o período de estudo. O ST foi fixado a um
cabo de polietileno e ancorado no fundo utilizando uma garateia, foram utilizadas boias
para armação do equipamento no fundo (Figura 1.).
Figura 1. Sistema de gravação autônomo A. instalação da flutuação e sinalização B.
gravador autônomo SoundTrap 300.
Também foi utilizado um sistema de gravação portátil composto de um hidrofone
cientifico AS-1, junto com um pré-amplificador PA-4, ambos da Aquarian áudio,
acoplado a um gravador digital Zoom H5 (Figura 2.). Este sistema foi utilizado para as
gravações a bordo da embarcação e no ambiente natural.
131
Figura 2. Sistema de gravação portátil
RESULTADOS ESPERADOS
As análises de dados acústicos coletados na região do baixo Rio São Francisco
vêm permitindo avaliar e monitorar até o momento a produção de 21 sons biológicos (18
peixes e 3 crustáceos) e 3 tipos de ruídos de embarcações. Onde, na região de Paiaçabuçu
ainda são encontradas características acústicas similares a ambientes estuarinos,
consequência da diminuição da vazão e aumento da cunha salina. Também vem sendo
possível acompanhar a ocorrência predominante de sons característicos de crustáceos,
provavelmente emitidos por camarões de importância comercial para as comunidades
ribeirinhas e para a pesca artesanal, como é o caso do camarão-canela (Macrobrachium
acanthurus), sendo detectados principalmente em períodos crepusculares. Assim,
também se esperam novos registros acústicos com a continuidade do monitoramento.
A não detecção de agregações de peixes, relacionadas com aspectos reprodutivos,
pode indicar diminuição das populações e falta de habitat para processos reprodutivos.
Assim, ações de peixamento participativo com pescadores e manutenção de vazão ao
máximo nível possível durante períodos reprodutivos (defeso de 1º de novembro a 28 de
fevereiro).
Produção de sons do bagre-branco (Cathorops agassizii) realizadas na embarcação
na região de Piaçabuçu.
Foram realizadas gravações utilizando um sistema portátil, constando de gravador
digital, amplificador e hidrofone. Com este sistema, foi possível detectar os sons de
132
bagres em ambiente controlado, isto permitirá avaliar a ocorrência e distribuição desta
espécie no ambiente natural.
Figura 3. Espectrogramas acústicos A. gravado no ambiente natural B. som do bagre
(Cathorops agassizii) gravado em ambiente controlado.
Mecanismos sonoros em peixes do rio São Francisco
Em campo foi avaliado os mecanismos sonoros em peixes, o que permite inferir
sobre a produção de sons de quatro espécies. Piau-três-pintas (Megaleporinus obtisidens),
apresenta músculo sonoro bilateral associado a primeira costela (Figura 4 A),
provavelmente utilizado durante o período reprodutivo, sendo comum em Characiformes.
Bagre-branco (Cathorops agassizii) observou-se músculo sonoro associa a região
posterior da bexiga natatória. Pirambeba (Serrasalmus brandtii) e Piranha-verdadeira
(Pygocentrus piraya), com músculos sonoros similares ao comumente encontrado na
família Serrasalmidae.
Análises histológicas para avaliar a morfologia e distribuição das fibras
musculares sonoras estão em andamento.
133
Figura 4. Músculo sonoro de peixes do rio São Francisco. A. Piau-três-pintas
(Megaleporinus obtisidens), B. Bagre-branco (Cathorops agassizii), C. Pirambeba
(Serrasalmus brandtii) e D. Piranha-verdadeira (Pygocentrus piraya)
REFERÊNCIAS
FARINA, A.; PIERETTI, N. The soundscape ecology: A new frontier of landscape
research and its application to islands and coastal systems. Journal of Marine and Island
Cultures, v. 1, n. 1, p. 21-26, 2012. ISSN 10.1016/j.imic.2012.04.002.
LINKE, S., GIFFORD, T., DESJONQUÈRES, C., TONOLLA, D., AUBIN, T.,
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ecosystem monitoring. Frontiers in Ecology and the Environment, 16(4), 231-238.
PIJANOWSKI, B. C. et al. Soundscape Ecology: The Science of Sound in the Landscape.
BioScience, v. 61, n. 3, p. 203-216, 2011. ISSN 10.1525/bio.2011.61.3.6.
ROUNTREE, RODNEY A.; BOLGAN, MARTA; JUANES, FRANCIS. How can we
understand freshwater soundscapes without fish sound descriptions?. Fisheries, 2019,
44.3: 137-143.
TYACK P.L. (1998) Acoustic Communication Under the Sea. In: Hopp S.L., Owren
M.J., Evans C.S. (eds) Animal Acoustic Communication. Springer, Berlin,
Heidelberg.
134
ICTIOFAUNA DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Emerson Carlos Soares1
1
Engenheiro de Pesca, Professor Doutor Universidade Federal de Alagoas/Laboratório de Aquicultura e
Análise de Água- LAQUA- UFAL
INTRODUÇÃO
O baixo São Francisco vem passando por mudanças severas nos últimos 10 anos,
decorrente do processo de flexibilização das vazões (Resolução 2081, ANA- Agência
Nacional de Águas), secas mais severas, crise hídrica e hegemonia do setor elétrico
nacional. O regime de vazões do rio São Francisco nessa região é regido pelos
reservatórios localizados nas partes mais altas da bacia, como as barragens de Sobradinho,
Itaparica e Xingó, cujas afluências foram reduzidas nos últimos anos, devido ao uso
inadequado da terra, com redução da produção de água na bacia e aumento da erosão do
solo, bem como sucessivos períodos de seca (CHESF, 2017). Como consequência, há
uma redução gradual dos fluxos mínimos no rio, com impactos significativos, dentre os
quais o avanço da cunha salina na região da foz.
Possivelmente, os efeitos desta salinização estão promovendo alterações na biota
local, com aumento da competição entre espécies, diminuição dos estoques pesqueiros,
desaparecimento de algumas espécies de peixes e crustáceos, e o surgimento de outros
afeitos a ambientes salinizados (Soares et al., 2011; Gonçalves, 2016; Medeiros et al.,
2016; Barbosa & Soares, 2017; Barbosa et al., 2018).
Esse cenário tem mostrado sinais de piora nos últimos anos, e pode ser acelerado
à exploração excessiva de recursos naturais, como a remoção de mata ciliar em rios
tributários e o baixo nível de tratamento de esgoto urbano nos municípios da região, com
impactos agravados pela ocorrência de longos períodos de seca, levando a decisões
gerenciais que não promoveram adequadamente os usos múltiplos da água do rio (Cunha,
2015).
Ictiofauna do baixo
A ictiofauna na região do baixo do curso do rio São Francisco é influenciada pelo
ritmo das vazões da hidroelétrica de Xingó, cada vez mais artificiais e de menor volume.
135
Adicionalmente a supressão da vegetação ciliar, a vulnerabilidade do solo e a as
alterações dos parâmetros físico-químicos da água, que conjuntamente com o
assoreamento, mudanças hidrológicas (sistema lótico para lêntico), aumento de poluentes,
pressão pesqueira e disputa de territórios proporcionada pelas espécies exóticas e
marinhas e de hábito alimentar carnívoro, bem como, a ausência de planejamento urbano
nas margens do rio com a especulação imobiliária, trazem danos irreparáveis para as
espécies nativas (SILVA ET AL., 2020; DANTAS ET AL., 2020; SOARES ET AL.,
2020; FIGUEIREDO ET AL., 2020).
Essas mudanças que atingem as lagoas marginais (berçários naturais de espécies
nativas) e as regiões mais próximas a foz, com o aumento da cunha salina, modifica a
paisagem e altera os nichos tróficos, modificando o habitat e o tipo de água, tendo
consequência direta no ecossistema, através de mudanças na velocidade do fluxo, na
produtividade e na disponibilidade de habitats, que tendem a selecionar espécies mais
adaptadas às mudanças ambientais, podendo acelerar os processos de extinção local
(FIGUEIREDO ET AL, 2020; CRUZ ET AL., 2020).
Quanto a diversidade ictiofaunística no baixo curso do rio, apesar das limitações
de estudos sobre a ictiofauna, Marques (1995), trabalhou na região da várzea da Marituba,
observando cerca de 21 espécies, com destaque para alguns indivíduos como a curimatãpacú-Prochilodus argenteus, Megaleporinus obtusidens (piau), Serrassalmus brandtii
(pirambeba), Pygocentrus piraya – piranha, Hoplias sp., Centropomus parallelus- robalo
e Pseudoplatystoma corruscans- surubim.
Costa et al (2000), em seus estudos delimitou a ocorrência de 33 espécies nos
municípios ribeirinhos do baixo São Francisco, com destaque para os piaus – Leporinus
sp. e Schizodum sp., e carapebas – Eugerres brasilianus.
Soares et al. (2011), estudando a microrregião de Penedo- AL (baixo São
Francisco), observou a ocorrência de 22 espécies em 2007, 18 espécies em 2008 e 17
espécies em 2009, das quais cerca de cinco representaram em média 80% da biomassa do
pescado desembarcado, com destaque para a família Prochilodontidae, representada pela
xira ou curimatã-pacu (Prochilodus argenteus) espécie endêmica da bacia, com
percentual médio de 40,0%, seguido da família Anostomidae, tendo os piaus
(Megaleporinus reinhardt e Megaleporinus obtusidens) com 22,0%, alternando-se entre
um representante da família Engraulidae, a pilombeta (Anchoviella vaillanti) com 7% em
2007 e 18% em 2008 e dois representantes da família Centropomidae, o robalo
136
(Centropomus undecimalis e C. parallelus) com média de 10% para os três anos
analisados, sendo a segunda espécie a mais comum.
Sampaio et al. (2015), estudando a região estuarina do rio São Francisco, afirmou
que a ictiofauna era composta predominantemente por indivíduos em ecofase jovem, de
espécies migrantes. Nestes estudos foram determinados 44 Famílias, 117 táxons: 113 na
categoria espécie, e quatro, na categoria gênero, sendo 44% marinhas-estuarinas (M-E),
41% dulciaquícolas (D) e 15% marinhas (M).
Nos estudos de Soares et al. (2020), na planície fluviomarinha do Rio São
Francisco (microrregião de Penedo e foz) foram coletados 3.772 indivíduos pertencentes
a 82 táxons, estando 80 classificados em nível de espécie, sendo descritos 54 novos
registros (NR) de espécies para a Bacia do Rio São Francisco, todas associadas aos
estuários ou de origem marinha. Nestes mesmos estudos trabalhando em 8 municípios do
Baixo São Francisco foi relatado o empobrecimento de exemplares nativos na
composição das capturas, com 17 espécies coletadas, constatando o desaparecimento das
curimatãs-pacús- P. argenteus e pilombetas – Anchoviella sp.
Já Figueiredo et al. (2020), registrou 37 espécies, 7 ordens, 15 famílias, sendo 20
espécies nativas de água doce, 7 introduzidas e 10 marinhas. A ordem Characiformes foi
a mais representativa.
MATERIAL E MÉTODOS
Coleta da ictiofauna
Os peixes foram capturados por pescadores em duas embarcações com motor de
5 Hp, com uso de malhadeiras com 100 metros e tarrafas de 6 metros, ambas de malha
35, 40 e 50 entre nós opostos, com faina diária de 6 horas e pequena rede de espera com
10 metros de comprimento (para captura de pequenos peixes marginais).
Os exemplares capturados foram identificados, quando possível a nível de ordem,
família, gênero e espécie e posteriormente fixados em formol a 10% e após 48 horas
fixados em álcool 70%. A identificação das espécies não realizadas no barco-laboratório
e a confirmação das demais foram feitas no Laboratório de Aquicultura e Análise de
Águas- Laqua/Ufal, onde estão depositados em frascos de vidro com volume de 2 e 5
litros para montagem de coleção ictiológica da expedição e analisados por literatura
especializada.
137
A morfometria foi realizada através de um paquímetro digital e ictiômetro
milimetrado e o peso com o uso de uma balança digital.
RESULTADOS PARCIAIS
Ictiofauna coletada na expedição em 2021
Durante as três últimas expedições científicas foram coletados cerca de 500
exemplares da fauna ictica.
Em 2018, 2019 e 2020, destacaram-se as seguintes espécies: pirambeba
(Serrasalmus brandtii), pacu (Metynnus maculatus), tucunaré (Cichla monoculus), sarapó
(Eingenmannia trilineata), piranha vermelha (Pygocentrus piraya), traíra (Hoplias
microcephalus), piau de vara ou piau branco (Schizodon knerii) e tilápia (Oreochromis
niloticus).
Os dados de 2021 estão sendo computados e analisados, contudo no presente
momento, as informações apontam para uma maior diversidade de espécies em relação
aos anos anteriores com um quantitativo aproximado de 28 espécies e um volume de
captura de 170 exemplares.
Os dados iniciais indicam o predomínio da pirambeba - S. brandtii, pacu – M.
maculatus, piau branco – S. knerii e tucunarés – Cichla sp.
As imagens abaixo apresentam alguns exemplares das espécies capturadas na
campanha de 2021 (Figuras 1 a 10).
Figura 1. Exemplar em estudo, Astyanax sp.- piaba
Figura 2. Astronotus ocellatus – apaiari
138
Figura 3. Eigenmannia trilineata – sarapó
Figura 4. Acestrorhynchus lacustres – peixe cachorro
Figura 5. Hoplosternum littorale- Caboje
Figura 6. Pygocentrus piraya – piranha verdadeira
139
Figura 7. Centropomus sp. – robalo
Figura 8. Caranx hippos – xareu
Figura 9. Serrasalmus brandtii - pirambeba
Figura 10. Schizodon knerii – piau branco
Os exemplares capturados estão sendo avaliados e estudados taxonomicamente,
com nova lista de espécies em processo de atualização, sobre os peixes do São Francisco.
Possivelmente, a maior diversidade de espécies ocorreu devido ao maior período de
chuvas em 2020 e aumento de vazão, mesmo por um curto período, que se manteve em
2600 m3/s.
RESULTADOS ESPERADOS
•
Em breve vai ser possível fazer a correlação da diversidade de espécies com a
vazão relacionando os quatro anos de coletas;
140
•
É possível observar algumas áreas importantes para reprodução de espécies
reofílicas como piaus e pacus, no caso do trecho de corredeiras entre Piranhas-AL
e Belo Monte- AL, e áreas de confluências de rios com a calha principal do rio
São Francisco, tais como: foz do rio Ipanema, foz do rio Traipu, Foz do rio Piauí,
Betume, Capiá.
•
A maioria dos peixes avaliados estava em processo de maturação sexual avançada
e próximos do período reprodutivo;
•
Ocorreu baixa diversidade de espécies marinhas na planície fluvio-marinha,
localizada a jusante da cidade Penedo e próxima ao município de Piaçabuçu;
•
Um livro sobre a catalogação de peixes será produzido em 2022, com auxílio das
campanhas de 2018, 2019, 2020 e 2021;
•
Podem ser consideradas espécies quase extintas ou em processo de declínio as
curimatãs-pacús- P. argenteus, pilombetas – Anchoviella sp., surubim –
Pseudoplatystoma corruscans, dourado – Salminus franciscanus, pacamã – L.
alexandrii e pirá - Conorhynchos conirostris
•
A diminuição da vazão, pesca com métodos não permitidos (tamanho de malha,
bombas, bolinhos com uso de formol, etc), represamento da água, desmatamento
da vegetação ciliar, assoreamento, poluição de efluentes das cidades e
agrotóxicos, aliados a diminuição do regime de chuvas, vem prejudicando a
reprodução dos peixes, afetando as migrações reprodutivas de espécies de
piracema e esgotando os estoques pesqueiros;
•
O menor volume de água e maior assoreamento, favorecem a diminuição das áreas
de fugas, menor quantidade de sedimentos, aumento da visibilidade por parte de
peixes carnívoros e predadores, restringindo as áreas de proteção de indivíduos
jovens, favorecendo a predação por organismos adultos e exóticos a bacia
(tucunarés, apaiaris, piranhas, pirambebas, etc), dos organismos jovens e na fase
imatura, colaborando para depleção dos estoques pesqueiros nativos, isso explica
a presença de grande número de peixes exóticos e de hábito alimentar piscívoro,
às vezes melhor adaptados à piora das condições ambientais;
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, J. M.; SOARES, E. C. S. Perfil da ictiofauna do São Francisco. Revista
Brasileira de Engenharia de Pesca, São Luis, v. 4, n. 1, p. 155-172, 2009.
141
BARBOSA, J.M., SOARES, E.C., CINTRA, I.H.A, HERMANN, M., ARAÚJO, A.R.R.
Perfil da ictiofauna da bacia do rio São Francisco. ActaFish, 5(1): 70-90, 2017.
BARBOSA, J.M.; NUNES-FILHO, A.; FERREIRA, A.F.; SILVA, A.A.; SOARES, E.C.
Evolução da atividade agrossilvipastoril na região e Brejo Grande, Estado de Sergipe:
Carcinicultura. Agroflorestalis News, v. 3, n.1, 52-60, 2018.
BRITSKI, H. A.; SATO, Y.; ROSA, A. B. S. Manual de identificação de peixes da
região de Três Marias: com chaves de identificação para os peixes da bacia do São
Francisco. 3 ed. Brasília: Editora Câmara dos Deputados/Codevasf, 1988. 115 p.
RODRIGUES, M. L.; SANTOS, R. B.; SANTOS, E. J.S.; PEREIRA, S. M.; OLIVEIRA,
A.; SOARES, E. C. (2018). Biologia populacional da carapeba listrada, Eugerres
brasilianus (Cuvier, 1830), próximo à foz do Rio São Francisco (Brasil). Boletim do
Instituto de Pesca, v. 43, p. 152-163, 2017.
SAMPAIO, C.L.S., PAIVA, A.C.P & SOARES, E.C. Peixes, pesca e pescadores do
Baixo São Francisco, Nordeste do Brasil. In: A pesca artesanal no Baixo São Francisco,
atores, recursos, conflitos. Org. SOUZA, E.M. & SÁ, M.F.P. p. 105-148, 2015.
SOARES, E. C.; PAIVA, A. C. G.; SANTOS, E. L.; PEREIRA, S. M.; ALMEIDA, E.
O.; SILVA, T. J. Potential of carapeba Eugerres brasilianus for production. Latin
American Journal of Aquatic Research, v. 44, p. 718-725. 2016.
SOARES, E.C.; SILVA, C. A.; CRUZ, M. A. S.; SANTOS, E. L.; SILVA, T. J.;
OLIVEIRA, T. R.; PEREZ, E. R.; SILVA, R. N.; SILVA, J. V. Expedition on the Lower
São Francisco: An X-ray of fisheries and agriculture, pollution, silting and saline
intrusion. Brazilian Journal of Development, v. 6, p. 3047-3064. 2020.
SOARES E.C., SANTOS, E.L.; VALENTIM, E.; VASCONCELOS, V.C.; TEODOSIO,
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Francisco. In: SOARES, E. C.; SILVA, J. V.; NAVAS, R. O Baixo São Francisco:
características ambientais e sociais.1 ed. Maceió: EDUFAL, 2020, v.1, 129-152.
142
VEGETAÇÃO EM ÁREAS CILIARES DO BAIXO SÃO
FRANCISCO
Milena Dutra da Silva1; Mônica Aquino1; Nadjacleia Vilar Almeida1; Anderson dos
Santos2
1
Laboratório de Ecologia. Universidade Federal da Paraiba (UFPB). 2 Departamento de
Engenharia Agrícola, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Avenida Dom Manoel de
Medeiros, s / n, Dois Irmãos, 52171-900, Recife, Pernambuco, Brasil.
1- INTRODUÇÃO
A vegetação ciliar é responsável pela prestação de importantes serviços
ecossistêmicos e que propiciam a manutenção dos rios e da qualidade da água.
Estabelecida às margens do curso hídrico, a vegetação atua como uma barreira de
proteção à chegada de resíduos nos corpos hídricos; as suas raízes retêm o solo,
minimizando o assoreamento das margens dos rios; e tem também importante papel na
ciclagem da água, tanto que áreas florestadas nas bacias hidrográficas podem aumentar o
provimento natural de água (Junior e Garcia, 2019).
Considerando a elevada importância da vegetação ciliar, na IV Expedição
Científica do São Francisco, foram desenvolvidas ações exploratórias e investigativas
para avaliação ambiental das áreas ciliares do Rio São Francisco, em seu baixo curso.
Correspondem a vegetação ciliar em unidades fitofisiográficas distintas, a saber: Caatinga
(em Piranhas, Pão de Açúcar e Traipu); Mata Atlântica (Propriá/SE, Igreja Nova, Penedo
e Piaçabuçu); e Mangue (Piaçabuçu e Brejo Grande/SE).
O presente estudo representa a continuidade de investigações iniciadas na III
Expedição, e desta feita, inclui, além da faixa de proteção permanente do São Francisco,
a vegetação ciliar de seus tributários. As informações apresentadas neste relatório parcial
referem-se a estrutura da vegetação ciliar e saúde da vegetação (Piranhas). São
informações preliminares que, em relatório final, acompanharão a análise das demais
áreas estudadas e serão acrescidas de dados e informações edafoclimáticas, índices de
vegetação etc., que permitirão um diagnóstico ambiental das áreas ciliares do Baixo São
Francisco.
143
Vale salientar que, em correspondência à dinâmica da Expedição Científica do
São Francisco, foram utilizados métodos e técnicas rápidas e não-destrutivas para
levantamento descritivo fitofisiográfico e composição florística.
2- METODOLOGIA
Dados de precipitação
Os dados de precipitação utilizados neste trabalho consistiram em dados diários
do Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station (CHIRPS), de 8,7° S a
9,5° S e 40,6° W a 39,8° W (um total de 17 × 17 = 289 pixels), a 0,05º × 0,05º (± 5,3 km)
de resolução espacial, para o período de 2001 a 2021. Os CHIRPS são novos produtos de
precipitação que abrangem as coordenadas de 50º S–50º N e 180º E–180º W, com
resoluções temporais diárias a sazonais, disponíveis mundialmente desde 1981 (FUNK et
al., 2015). Neste estudo, os valores mensais e anuais foram obtidos com base nos dados
de precipitação diária do produto CHIRPS, e a distribuição espacial dos dados foi
estimada usando o método de interpolação, com intuito de analisar a distribuição espacial
da precipitação sobre a região do Baixo São Francisco (BSF) e sua influência junto às
condições de mudanças anuais da cobertura e uso da terra por parte dos parâmetros físicohídricos à superfície.
O método estatístico responsável pela caracterização espacial da chuva para do
BSF, foi o interpolador espacial estatístico Krigagem Ordinária (SABAREESHWARI et
al., 2021), baseado em modelos estatísticos de autocorrelação entre os pontos amostrados,
que são um total de 962 pixels, explicando, assim, a variação espacial dos dados a partir
de técnicas de média ponderada. É importante destacar que após a interpolação, os pixels
foram reamostrados para resolução de (30m). A princípio, o uso desta ferramenta no
software ArcGIS 10.6.1, pode predizer e interpolar detalhadamente determinados valores
®
de estimativa entre os pontos da grade de pixels, que inclui análise estatística exploratória
dos dados gerando, assim, um mapeamento temático de superfície estimada com valores
de precipitação em milímetros (mm) previstos para toda a região, atingindo boa precisão
e erros mínimos no padrão de variabilidade espacial (MELLO et al., 2003).
Os dados CHIRPS foram extraídos para o período de 2001 a 2021 na plataforma
Google
Earth
Engine
(https://earthengine.google.com/)
usando
linguagem
de
programação em JavaScript, e usando o conjunto de dados desde 1981 da coleção
ee.ImageCollection(“UCSB-CHG/CHIRPS/DAILY ”). A escolha deste produto baseou144
se no seu desempenho aceitável na identificação de seca agrícola quando comparado às
medições in situ na BHSF, e por apresentar uma maior resolução espacial e temporal
quando comparado a outros produtos, sua vantagem em relação aos dados obtidos de
estações meteorológicas está no maior número de pontos amostrais, o que possibilita um
estudo mais preciso e detalhado das respostas dos diferentes tipos de cobertura vegetal a
precipitação em extensas áreas e que possam apresentam variação na distribuição espacial
das chuvas.
Com base em fotointerpretação, análise do relevo, rede de drenagem, e
determinação da faixa de proteção ciliar do Rio São Francisco e de alguns dos seus
tributários, foram selecionadas áreas florestadas para fins de caracterização
fitofisiográfica e conhecimento da composição florística. As áreas selecionadas possuem
características fitofisiográficas distintas e foram classificadas em três unidades de
paisagem: Caatinga (em Piranhas, Pão de Açúcar e Traipu); Mata Atlântica (Propriá,
Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu); e Mangue (Piaçabuçu e Brejo Grande).
O trabalho de campo foi efetuado durante o período de estiagem, com campanhas
entre 01 e 09 de novembro de 2021. Foram efetuados procedimentos para caractericação
fitofisiográfica, conhecimento da estrutura da vegetação ciliar, mapeamento e avaliação
da saúde da vegetação com o uso câmera multiespectral acoplada a um VANT (Veículo
Aéreo Não Tripulável) (Figuras 1 e 2).
Para a caracterização fitofisiográfica e levantamento florístico, nos remanescentes
florestais ciliares, sob uso de técnica rápida e não destrutiva foram estabelecidos
transectos de 50 m, com cinco pontos amostrais intercalados entre si a cada 10 metros, ao
longo do curso hídrico. Este desenho amostral permite identificar as espécies vegetais
estabelecidas às margens dos rios, em maior proximidade ao espelho d’água. Foram
anotadas as informações de latitude, longitude, altitude, tipo de substrato, condição das
espécies quanto à luminosidade, ambiente e fisionomia, espécies arbóreas ocorrentes
além de hábito, altura, frequência, circunferência do caule, características morfológicas
da periderme, da folha, da flor e do fruto.
Para determinação de saúde da vegetação serão utilizadas imagens
multiespectrais, obtidas com câmera multiespectral Parrot Sequoia, advindas da parceria
firmada entre a Expedição e a CODEVASF. As imagens serão processadas para aumento
da resolução espacial, em correspondência ao GPS RTK, com fins de adoção de precisão
milimétrica por pixel.
145
Figura 1. Procedimentos em campo para diagnóstico ambiental da vegetação ciliar. A:
reconhecimento de campo e confirmação da área ciliar para estudo; B: estabelecimento
de transecto; C: coleta de solo para análise de nutrientes; D: instalação de receptor de
GPS RTK; E: lançamento de VANT para imageamento da vegetação ciliar com câmera
multiespectral.
A
B
B
C
E
D
Figura 2 - A: caracterização descritiva fitofisiográfica; B: levantamento de dados de
latitude, longitude e elevação dos pontos dos transectos amostrados; C: Levantamento de
dados de vegetação.
A
B
C
146
Posteriormente, com o uso do software SIG ArcGis (Licença de Uso LCG/UFPB),
serão determinados os índices de vegetação relacionados com a saúde da vegetação
(pigmentos fotossintetizantes, nutrientes e água no interior da folha), a saber: NDVI
(Normalized Difference Vegetation Index) – para avaliação do vigor e densidade da
vegetação; NDRE (Normalized Difference Red Edge Index) – para identificação de stress
da planta; GNDVI (Green NDVI) – para detectar a concentração de clorofila, medir a taxa
de fotossíntese, e para monitorizar o stress das plantas; GRVI (Green RVI) – para detectar
folhas fotossinteticamente ativa das copas das plantas.
O mapeamento da vegetação ciliar remanescente também será analisado quanto a
estrutura da paisagem, com arcabouço teórico em Ecologia da Paisagem. A partir das
métricas de área, índice de forma, área-núcleo e proximidade será determinado o nível de
fragilidade ambiental dos remanescentes florestais ciliares, seguindo Matias et al. (2019).
3- RESULTADOS
Dados de precipitação
Com as observações da dinâmica espaço-temporal das chuvas na região em
estudo, no período de janeiro a outubro de 2021, foi possível observar a ocorrência de
variação na distribuição e volume das chuvas; de modo que algumas áreas apresentam
tendência a maior ocorrência de chuvas, que podem estar condicionadas pela ao tipo de
vegetação nativa e efeitos orográficos da região. Por conseguinte, os maiores acumulados
de precipitação pluviométrica ocorrem no extremo leste da bacia entre os municípios de
Piaçabuçu, Penedo, Igreja Nova e Porto Real do Colégio, com valores superiores a 810
mm (Figura 3), com chuvas concentradas entre os meses de abril e agosto, com os maiores
valores verificados no mês de maio (Figuras 4 e 5). Destaca-se uma pequena zona mais
próxima à região costeira, localizada entre os municípios de Piaçabuçu, Penedo e Brejo
Grande onde os valores de precipitação acumulada são superiores a 1090 mm. Por outro
lado, as menores precipitações acumuladas até o dia 31 de outubro, são verificadas entre
os municípios de Piranhas e Traipu com valores que variam de 250 a 530 mm (Figura 3).
Figura 3. Precipitação pluviométrica acumulada para o período de janeiro a outubro de
2021 na região em estudo do BSF.
147
Figura 4. Precipitação pluviométrica acumulada para o período de janeiro a outubro de
2021 e normal climatológica nos municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte,
Traipu, São Brás e Porto Real do Colégio.
Como resultado preliminar, aponta-se que nas áreas ciliares estudadas na Caatinga
(em Piranhas, Pão de Açúcar e Traipu), Mata Atlântica (Propriá, Igreja Nova, Penedo e
Piaçabuçu), e Mangue (Piaçabuçu e Brejo Grande) foram identificadas 35 espécies
arbóreas. Na Caatinga identificou-se baixa diversidade e predominância de espécies
pioneiras e secundárias, evidenciando um status de degradação e/ou regeneração em fase
inicial. Na Mata a diversidade de espécies arbóreas é maior, porém também apresentou
status de degradação e/ou regeneração em fase inicial. No mangue, em Brejo Grande,
foram encontradas 2 espécies; foram visitadas 2 áreas: uma bastante antropizada (aterro
para acesso a manutenção de torre de energia, corte de madeira, inserção de espécies
exóticas etc.), e uma outra, como melhor status de preservação.
Como exposição de dados parciais destaca-se a mata ciliar em Piranhas, Alagoas,
composta por oito espécies arbóreas, predominantemente heliófitas, com altura variando
ente 1,5 e 6,0 metros (Tabela 1). As espécies diferem quanto ao grupo ecológico, com
espécie clímax (amburana), secundárias (craibeira e pereiro) e pioneiras (catingueira e
148
juá). A catingueira (Poincianella pyramidalis (Tul.) L. P. Queiroz) destaca-se entre as
mais abundantes, evidenciando um cenário de regeneração em fase inicial.
Figura 5. Precipitação pluviométrica acumulada para o período de janeiro a outubro de
2021 e normal climatológica nos municípios de Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu.
149
Quanto às síndromes de polinização, registra-se que a espécie mais abundante
(catingueira) tem a polinização efetuada por abelhas. Esta interação também ocorre em
indivíduos de quixabeira (Sideroxylon obtusifolium (Roem. & Schult.) T. D. Penn.) e em
amburana (Commiphora leptophloeos (Mart.) J. B. Gillet); nas craibeiras, há ornitofilia.
Quanto à síndrome de dispersão predomina a anemocoria; quixabeira apresenta barocoria
e pereiro (Aspidosperma pyrifolium Mart.), ornitocoria.
O mapeamento com drone permitiu identificar a vegetação remanescente em
Piranhas, ampliando a análise fitofisiográfica. Foram identificados indivíduos arbóreos e
de maior concentração de biomassa verde, em distribuição linear que acompanha o curso
hídrico (Figura 7). Outras fitofisiografias são identificadas na paisagem e correspondem
a indivíduos arbustivos e ou arbóreos jovens, em menor densidade.
Tabela 1. Composição florística da mata ciliar, Piranhas, Alagoas.
Nome
vulgar
Nome Científico
Altura
CAP
Média
Média
metros
150
Amburana
Amendoeira
Catingueira
Craibeira
Juá
Bom nome
Pereiro
Quixabeira
Commiphora leptophloeos (Mart.) J. B. Gillet
Terminalia catappa L.
Poincianella pyramidalis (Tul.) L. P. Queiroz
Tabebuia aurea (Silva Manso) S. Moore
Ziziphus joazeiro Mart.
Maytenus rigida Mart.
Aspidosperma pyrifolium Mart.
Sideroxylon obtusifolium (Roem. & Schult.) T. D.
Penn.
3,75
5,00
3,50
6,00
6,00
2,00
1,50
0,70
1,20
0,16
0,42
0,60
0,30
0,10
3,00
0,30
Entre as espécies encontradas destaca-se a Terminalia catappa L. por ser exótica
(Figura 6).
Figura 6. Terminalia catappa L. (amendoeira), espécie exótica estabelecida às margens de um rio
tributário do São Francisco, em Piranhas, Alagoas.
Quanto à saúde da vegetação ciliar em Piranhas, observa-se que os organismos
com fotossíntese ativa e com maior vigor e densidade se concentram em áreas de fundo
de vale, seguindo o curso hídrico (Figura 8). Os valores de NDVI oscilaram entre -1 e 1,
sendo os valores mais baixos correspondentes as áreas não vegetadas (corpos hídricos,
solo exposto e afloramento rochoso), em correspondência ao comportamento padrão para
o índice (BORATTO, 2013). Na área de coleta de dados florísticos, a vegetação
apresentou valores de NDVI entre 0,680 e 0,750; as espécies arbóreas apresentavam
folhas verdes, e observou-se que alguns indivíduos apresentavam folhas em senescência
à medida que estavam estabelecidos mais longe do curso hídrico.
151
Figura 7. Mapeamento da vegetação ciliar com VANT (Veículo Aéreo Não Tripulável), Piranhas,
Alagoas. Parceria com a CODEVASF. Sobrevoo: João Thiago Farias, em 01/11/2021.
Com o tratamento e análise dos dados espera-se indicar a condição biológica da
vegetação ciliar e o nível de fragilidade ambiental desses remanescentes, localizados em
Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, Propriá, Igreja Nova, Penedo, Piaçabuçu, Mangue
(Piaçabuçu e Brejo Grande. Isto possibilitará a indicação de áreas prioritárias para
intervenções com fins a melhoria ambiental das áreas ciliares do SF, a serem apresentadas
entre os produtos da equipe Terra e Ar no relatório final.
Figura 8. NDVI de área ciliar em Piranhas, Alagoas, a partir de imagens de VANT (Veículo Aéreo
Não Tripulável), Piranhas, Alagoas. Parceria com a CODEVASF. Sobrevoo: João Thiago Farias,
em 01/11/2021.
152
4 - Análises/Atividades em andamento
Atividades em andamento
Responsável - LCG/UFPB
Aquisição e tratamento de imagens de
nanossatélites;
Nadjacleia Vilar Almeida
Levantamento de informações de síndrome de
dispersão e polinização das espécies
ocorrentes;
Milena Dutra da Silva
Mônica Aquino
Determinação da saúde da vegetação ciliar;
Nadjacleia Vilar Almeida
Milena Dutra da Silva
Determinação da fragilidade ambiental dos
remanescentes ciliares;
Nadjacleia Vilar Almeida
Milena Dutra da Silva
5- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BORATTO, I.M.P e GOMIDE, R.L. Aplicação dos índices de vegetação NDVI, SAVI,
e IAF na caracterização da cobertura vegetativa da região norte deMinas Gerais. – Anais
XVI SimpósioBrasileiro de Sensoriamento Remoto-SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil,
INPE, 2013.
GARCIA, J.; ROMEIRO, A.R. 2019. Modelagem Econômico-Ecológica como apoio
para a avaliação dos serviços ecossistêmicos em Bacias Hidrográficas. Revista
Iberoamericana de Economía Ecológica. Vol. 29, No. 1: 33-52.
153
MATIAS, L., ALMEIDA, N. V. ., FERREIRA, G. R. D. ., & SILVA , M. D. da . (2020).
Ecologia da paisagem aplicada à análise ambiental e temporal da vegetação remanescente
em
Penedo,
Alagoas.
Geoambiente
On-Line,
(37),
322–342.
https://doi.org/10.5216/revgeoamb.vi37.62690.
SANTOS, A. DOS, OLIVEIRA LOPES, P.M., SILVA, M.V. DA MANIÇOBA, DA
ROSA FERRAZ JARDIM, A., BARBOSA DE ALBUQUERQUE MOURA, G.,
SIQUEIRA TAVARES FERNANDES, G., OLIVEIRA SILVA, D.A. DE, BEZERRA
DA SILVA, J.L., DE MORAES RODRIGUES, J.A., ARAÚJO SILVA, E., OLIVEIRAJÚNIOR, J.F. DE, 2020. Causes and consequences of seasonal changes in the water flow
of the São Francisco river in the semiarid of Brazil. Environ. Sustain. Indic. 8, 100084.
https://doi.org/10.1016/j.indic.2020.100084
154
ESTRUTURA DO FITOPLÂNCTON DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Élica Amara Cecília Guedes1; Ana Karolina Lopes da Silva1; Manoel Messias da Silva
Costa2
1
Laboratório de Ficologia – LABOFIC, Setor de Botânica, Universidade Federal de Alagoas – UFAL.
2
Setor de Biologia, Instituto Federal de Alagoas – IFAL/EAD.
INTRODUÇÃO
O ambiente aquático é essencial na manutenção dos ecossistemas do planeta e na
existência humana, pois a água possui importância primordial para a vida, pois nenhum
processo metabólico ocorre sem a sua ação direta ou indireta (ESTEVES, 2011). Dentre
os inúmeros organismos que habitam os ambientes aquáticos, a comunidade
fitoplanctônica se constitui como uma das mais importantes, sendo composto de algas
microscópicas unicelulares ou pluricelulares, com células independentes onde cada uma
realiza sua função vital, são fotossintetizantes, capazes de transformar a matéria
inorgânica em matéria orgânica a partir do C02 presente na água e dos nutrientes
dissolvidos liberando-se do oxigênio (FABREGAS e HERRERO, 1986).
Compreendendo aproximadamente 95% da produção primária mais importante
dos ecossistemas aquáticos, em especial nos estuários, sendo estes considerados
ambientes de grande produtividade, pois são favorecidos por nutrientes carreados pelos
rios e pela influência periódica tanto da água doce quanto de água salgada,
proporcionando assim uma grande fertilidade, fornecendo alimentação e abrigo às formas
iniciais de peixes, moluscos e crustáceos e reflete com fidelidade os impactos antrópicos
aquáticos (REYNOLDS, 2006; RAVEN et al., 2014).
É de extrema importância para a compreensão do meio, uma vez que dentro de cada
ambiente existe um conjunto de formas fitoplanctônicas, cuja variedade, abundância e
distribuição são próprias e dependem da adaptação às características abióticas (ESTEVES
e SANT’ANNA, 2006; CÂMARA et al., 2007).
O aumento da eutrofização, principalmente, nos grandes centros urbanos tem
permitido um rápido crescimento de algumas espécies de fitoplâncton que estão se
tornando cada vez mais comum e dominante nestes ambientes, tanto qualitativamente
quanto quantitativamente, advindos de múltiplos usos, como abastecimento público,
lazer, aquicultura e pesca, além de se modificar rapidamente tanto no tempo como no
espaço, implicando em potenciais danos à saúde da população e levando à exclusão de
155
determinadas espécies e ao elevado crescimento de outras (WATSON et al., 1997;
PANOSSO et al., 2007; COSTA et al., 2009).
Assim, o presente trabalho terá como objetivo principal, a análise da estrutura da
comunidade fitoplanctônica e dos índices ecológicos, proporcionando informações
preliminares sobre as reais condições do ecossistema aquático em estudo.
MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo foi realizado no período de 31/10 a 10/11 de 2021, onde foram
determinados pontos de coleta ao longo do trecho do Baixo São Francisco, entre os
municípios de Piranhas-AL (PI), Pão de Açúcar-AL (PA), Traipú-AL (TR), Igreja NovaAL (IN), Propriá-SE (PR), Penedo-AL (PE), Piaçabuçu-AL (PU) e Foz do São Francisco,
sendo coletados 36 amostras (próximos as margens e região média dos estados de Alagoas
e Sergipe e lançamentos de efluentes domésticos).
As amostras foram obtidas através de arrastos horizontais e subsuperficiais,
utilizando-se rede de plâncton com abertura de malha de 20 µm (superfície) (Fig. 1).
Figura 1. Arrasto superficial para coleta do fitoplâncton.
Posteriormente, as amostras foram acondicionadas em frascos plásticos de
aproximadamente 150 mL, devidamente etiquetados e preservadas em solução de
Transeau (BICUDO e BICUDO, 1970), onde serão analisadas no Laboratório de
Ficologia do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal
de Alagoas (UFAL).
156
A composição do microfitoplâncton será determinada a partir da observação de
lâminas temporárias, visualizadas sob um microscópio óptico binocular Zeiss (Axioscop
40). Para o estudo quantitativo, serão analisadas alíquotas de 1 mL, através do método de
Sedgwick-Rafter (S-R). (S-R) (APHA; AWWA; WEF, 2005; CETESB, 2011).
Para a identificação taxonômica dos gêneros e/ou espécies, foram consultados
trabalhos específicos na área: Bourrely (1970), Streble & Krauter (1987), Anagnostidis
& Komarek (1990), Parra & Bicudo (1995), Moreno et al. (1996) e Komarek &
Anagnostidis (1998). Foi utilizado o Sistema de Classificação de Round et al. (1990) para
enquadramento taxonômico das diatomáceas, o de Anagnostidis & Komarek (1988) e
Komarek & Anagnostidis (2005) para Cyanobacteria, Buchheim et al. (2001) para
Chlorophyta e o Sistema de Van den Hoek et al. (1995) para os demais grupos
taxonômicos. Todos os nomes científicos de espécies foram checados junto ao banco de
dados internacional ITIS (Integrated Taxonomic Information System) e ALGAEBASE
(GUIRY & GUIRY, 2014).
Após a identificação, serão realizadas contagens dos organismos e calculada a
abundância relativa de cada táxon, utilizado a formula: A=Nx100/n onde, N = n° de
espécies na amostra; n = n° total de espécies, sendo estabelecidos os seguintes critérios:
dominante – ocorrência maior do que 50%; abundante – ocorrência entre 50 e 30%; pouco
abundante – ocorrência entre 30 e 10%; rara – menor de 10% (LOBO & LEIGHTON,
1986).
A frequência de ocorrência (%) será calculada a partir do número de vezes em que
cada táxon ocorreu nas amostras, por intermédio da fórmula: F=P×100/p, onde, P =
número de amostras contendo a espécie; p = número total de amostras, sendo
estabelecidos as seguintes categorias: muito frequente – ocorrência em mais de 70%
das amostras; frequente – ocorrência entre 70 e 40% das amostras; pouco frequente –
ocorrência entre < 40 e 20% das amostras e esporádica < 20% (MATEUCCI &
COLMA, 1982).
A riqueza corresponde ao número de espécies encontrado em cada amostra. O
índice de diversidade específica será calculado segundo Shannon (H’) (-∑pi.log2)
(Shannon, 1963), cujos valores são enquadrados nas seguintes categorias: alta
diversidade = ≥ 3,0 bits.cel-1; média diversidade = <3,0 ≥ 2,0 bits.cel-1; baixa diversidade
= < 2 >1,0 bits.cel-1; muito baixa diversidade = < 1,0 bits.cel -1 (VALENTIN, 2000). A
Equitabilidade (J) será calculada segundo Pielou (1977), apresentando valores entre 0 e
1, sendo considerado alto ou equitativo os valores superiores a 0.50, o qual representa
157
uma distribuição uniforme dos táxons na amostra analisada e dominância de Simpson (ʎ)
(MAGURRAN, 1988). Para estes cálculos será utilizado o programa estatístico PAST
(HAMMER et al., 2001). Para obtenção dos cálculos da densidade relativa fitoplanctônica
será utilizado o trabalho de Ros (1979), sendo os resultados expressos em ind.ml -1.
RESULTADOS ESPERADOS
Observando os dados levantados na II Expedição (2019) e III Expedição (2020),
não houve mudanças significativas com relação aos grupos de microalgas, com
predominância de bacilariofíceas e clorofíceas, características estas comum de ambientes
lóticos. Porém, foram observadas uma grande quantidade de espécies filamentosas
pertencentes aos grupos das cianobactérias e clorofíceas, que indicam que esse ambiente
está passando pelo o processo de eutrofização.
Para esse ano de 2021, após observações preliminares, houve uma diminuição
significativa dessas espécies filamentosas, provavelmente pela aumento da vazão e
diminuição da carga da matéria orgânica, além de uma melhor transparência e menor
turbidez da água em grande parte do trecho em estudo, esperasse que a comunidade
fitoplânctonica esteja distribuida equitativamente e uma diminuição das espécies
indicadoras de ambientes aquáticos eutrofizados.
Salvo exceção, em munícipios como Traipu e Penedo em Alagoas e Propriá/SE,
onde foram vistos uma grande quantidade de tubulações lançando esgotos sanitários.
Diante da importância ecológica do fitoplâncton, esses estudos tornam-se essenciais para
o manejo e gerenciamento dos sistemas hídricos visando à proteção dos mananciais, que
requer conhecimentos sobre a atuação desses organismos que influenciam diretamente
na qualidade da água.
REFERÊNCIAS
AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION; AMERICAN WATER WORKS
ASSOCIATION; WATER ENVIRONMENT FEDERATION (APHA; AWWA; WEF).
Standard methods for the examination of water and wastewater. 21 ed. Washington,
D.C., 2005.
BICUDO, C. E. M.; BICUDO, R. M. T. Algas de águas continentais brasileiras: chave
ilustrada para identificação de gêneros. Fundação Brasileira para o Desenvolvimento
do Ensino de Ciências, São Paulo. 1970.
CÂMARA, F. R. A.; LIMA, A. K. A. & CHELLAPPA, N. T. Diversidade da comunidade
fitoplanctonica do canal do Pataxo, Rio Grande do Norte. Revista Brasileira de
Biociências, v. 5, p. 21-22, 2007.
158
COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL – CETESB.
Norma Técnica L5.303: Fitoplâncton de Água Doce - Métodos Qualitativo e
Quantitativo (Método de Ensaio). São Paulo, 2005.
COSTA, I. A. S.; CUNHA, S. R. S.; PANOSSO, R.; ARAÚJO, M. F. F.; MELO, J. L.
S.; ESKINAZI-SANT’ANNA, E. M. Dinâmica de cianobactérias em reservatórios
eutróficos do semiárido do Rio Grande do Norte. Oecologia Brasiliensis, v. 13, n. 2, p.
382-401, 2009.
ESTEVES, F. A. Fundamentos de limnologia. 3. Ed. Rio de Janeiro: Interciência. 2011.
ESTEVES, K. E.; SANT’ANNA, C. L. Pesqueiros sob uma visão integrada de meio
ambiente, saúde pública e manejo. São Carlos: RiMa, p. 37-116, 2006. 240p.
FABREGAS, J.; HERRERO, C. Marine microalgae as a potential source of mineral in
fish diets. Aquaculture, v. 51, n. 4/5, p. 237-243, 1986.
MAGURRAN, A. E. Ecological diversity and its measurement. Princeton University
Press. New Jersey. 1988. 179p.
PANOSSO, R. F.; COSTA, I. A. S.; SOUZA, N. R.; ATTAYDE, J. L.; CUNHA, S. R.
S.; GOMES, F. C. F. Cianobactérias e cianotoxinas em reservatórios do Estado do Rio
Grande do Norte e o potencial controle das florações pela tilápia do Nilo (Oreochromis
niloticus). Oecologia Brasiliensis, v. 11, n. 3, p. 433-449, 2007.
RAVEN, P. H.; EVERT, R. F. & EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. 8ª Ed. Rio de
Janeiro. Editora Guanabara Koogan. 2014. 876p.
REYNOLDS, C. S. Ecology of phytoplankton. Cambridge, Cambridge University
Press. 2006
ROS, J. Práticas de ecologia. Barcelona, Editorial Omega. 1979. 181 p.
VALENTIN, J. L. 2000. Ecologia numérica: uma introdução à análise multivariada
de dados ecológicos. Rio de Janeiro, Interciência.
WATSON, S. B. et al. Patterns in phytoplankton taxonomic composition across temperate
lakes of differing nutrient status. Limnol. Oceanogr., Waco, v. 42, n. 3, p. 487- 495,
1997.
159
ESTUDOS FITOQUÍMICOS E DE QUÍMICA MEDICINAL A
PARTIR DE ESPÉCIES VEGETAIS DA MATA CILIAR DO RIO
SÃO FRANCISCO.
Tatiane Luciano Balliano
Laboratório de Bioprocessos Cristalografia e Modelagem Molecular – LaBioCriMM. Instituto de
Química e Biotecnologia – IQB. Universidade Federal de Alagoas – UFAL. tlb@qui.ufal.br
1. INTRODUÇÃO
A bioeconomia é uma temática que vem crescendo fortemente em todo mundo,
quer seja pelo fato do valor agregado que os produtos biotecnológicos trazem, bem como,
pela proposta de valor associado à qualidade de vida, saúde e bem estar que os produtos
oriundos da biodiversidade podem proporcionar. Neste contexto devemos considerar que
o Brasil é a maior biodiversidade do planeta considerando todas as formas de vida e neste
espectro está presente o bioma da caatinga que tem centenas de espécies que foram bem
pouco estudadas, mas que já se sabe, apresentam propriedades biológicas altamente
impactantes no que diz respeito à química medicinal. Por outro lado, é importante
considerar que existe a sabedoria popular daqueles que habitam essas regiões, são pessoas
que tem conhecimento riquíssimo sobre propriedades medicinais de inúmeras espécies de
plantas, mas que todo esse conhecimento precisa ser validado cientificamente para que se
possa agregar valor econômico a esses produtos e assim fazer com que possam ser
comercializados e serem utilizados com segurança.
A busca por novas moléculas capazes de desempenhar qualquer atividade
biológica tem sido expressiva, tanto pela academia quanto pelas agroindústrias e
corporações farmacêuticas. No entanto, nem sempre é fácil à obtenção de novas
moléculas, seja através da síntese química ou de fontes naturais, e que apresentem os
requisitos necessários para ser um bom candidato para estudos biológicos.
Os produtos naturais - PN, desde tempos remotos vêm sendo usados para fins
medicinais. Na academia, centro de pesquisas e indústrias de farmacêuticas
principalmente, os produtos naturais já foram bastante explorados como fonte para novas
moléculas, no entanto, seu emprego pela indústria de fármacos sofreu uma queda
considerável devido ao avanço tecnológico pois surgiram técnicas de varredura teórica de
compostos sintéticos a partir de bibliotecas virtuais, que não existiam para produtos
naturais, fazendo com que a descobertas de novos fármacos a partir de fontes naturais se
160
tornasse inviável do ponto de vista econômico, entretanto, a evolução do emprego de PN
com fonte de novas moléculas (Figura 1), onde o número de patentes que incluem em
suas reivindicações o uso de produtos naturais como fármacos (em laranja) ao longo dos
anos (Frank E.Koehn e Guy T.Carter, 2005).
Figura 1. Número de patentes que reivindicam o uso de PN como fármacos.
Neste contexto, subjacente aos trabalhos da Quarta Expedição do Rio São
Francisco, foi realizada a coleta de aproximadamente 5 kg de matéria prima de quatro
espécies vegetais, cujos nomes populares são: Amescla (relatada por moradores locais
por possuir atividade analgésica), marmeleiro (anti-inflamatório das vias urinárias e
desconforto intestinal), além de outras duas espécies desconhecidas, mas que estavam em
abundância nas regiões em que fizemos os demais estudos da equipe.
Para as próximas etapas, para todas as plantas iremos preparar os extratos,
caracterizar sua composição a fim de padronizar esses extratos e assim realizar os testes
biológicos relacionados ao stress oxidativo, toxicologia, vias de inflamação, entre outros.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Estudos de caracterização fitoquímica e da atividade biológica de espécies
vegetais endêmicas em região de mata ciliar do baixo São Francisco.
161
2.2 Objetivos específicos
Nesse projeto pretende-se alcançar os seguintes objetivos:
1. Obtenção de extratos de diferentes partes de plantas coletadas durante a
expedição;
2. Caracterização química dos extratos obtidos;
3. Screening biológico dos extratos para identificar seus potenciais medicinais;
4. Fracionamento dos extratos para identificar as frações de extratos responsáveis
pela atividade biológica que for identificada;
5. Redação de artigos e patentes dos resultados obtidos.
3. METODOLOGIA
A metodologia que foi e que ainda será empregada nesse projeto corresponde as
seguintes etapas.
3.1 Secagem do material coletado
Foram coletados aproximadamente 5 kg de material vegetal correspondente a
folhas e caules das espécies em maior população de mata ciliar em todas as cidades
visitadas pela expedição, perfazendo um total de quatro espécies de plantas, sendo elas o
marmeleiro, amescla, uma espécie de jurema (ainda por ser reconhecida pelo IBAMA) e
uma planta desconhecida do nosso grupo mas que também será identificada pelo IBAMA.
Esse material vegetal coletado teve suas partes separadas e na sequência foram deixadas
para secar à sombra em ambiente ventilado. Depois da secagem, o material foi
encaminhado para ser triturado.
3.2 Obtenção de extratos vegetais
Os extratos ainda serão obtidos a partir da utilização de solventes orgânicos como
hexano para retirada de compostos apolares e uso de etanol/água para retirada de
substâncias polares. O material triturado será incubado junto aos solventes sob agitação
por 15 minutos, em seguida a solução formada será filtrada e encaminhada para o
rotaevaporador para retirada do solvente. Esse procedimento é repetido para todas as
espécies coletadas.
3.3 Caracterização fitoquímica
162
Os extratos e frações de extratos serão caracterizados a partir de cromatografia
liquida de alta eficiência, cromatografia gasosa com espectrometria de massas acoplada,
ressonância magnética nuclear, espectroscopia de infravermelho e quando for possível
difração de raios X para monocristais. Todos esses equipamentos fazem parte da
infraestrutura do Instituto de Química e Biotecnologia o qual eu faço e compreendem o
conjunto de equipamentos multiusuários do nosso instituto estando assim disponíveis
para as análises.
3.4 Estudos de atividade biológica
Os extratos obtidos, bem como, suas frações, serão encaminhadas para testes
biológicas, sendo os de maior prioridade aqueles que já tiverem sido caracterizados, pelo
menos parcialmente. Dessa forma, os ensaios que serão realizados compreendem:
Conteúdo Total de Fenóis pelo método de Folin-Ciocalteu
O conteúdo total de fenóis dos extratos será determinado utilizando o reagente de
Folin-Ciocalteu, de acordo com Cicco et al. (2009), com modificações. O sistema
reacional consistirá na adição de 0,12 mL da solução do extrato, 0,3 mL do reagente de
Folin-Ciocalteu (0,2 M) e 2,4 mL de carbonato de sódio a 5%. A reação ocorrerá
protegida da luz e incubada à 40°C por 20 min. As medidas de absorvância serão
realizadas à 760 nm e os resultados expressos em equivalentes de ácido gálico por massa
de extrato seco (mg de EAG/g) como média ± desvio padrão (DP).
Ensaio de capacidade antioxidante pelo método do DPPH•
A determinação da capacidade antioxidante sequestradora de radicais foi realizada
de acordo com o método proposto por Saânchez-Moreno, Larrauri & saura-Calixto
(1999), com algumas modificações. O sistema reacional consistirá na adição de 2,7 mL
de uma solução metanólica de DPPH• (40μg mL-1) e 0,3 mL da solução do extrato em
diferentes concentrações. A reação será incubada em temperatura ambiente por 30
minutos. Em seguida, serão realizadas as medidas de absorvância a 516 nm por
espectrofotometria.
Atividade antioxidante frente ao radical ânion superóxido
O potencial dos extratos em sequestrar radicais ânion superóxido será
determinada a partir do método descrito por Gomes e colaboradores (2007). Este método
baseia-se
na
redução
da
sonda
NBT
a
formazan
(roxo)
pelos
163
radicais ânion superóxido, os quais são gerados a partir da oxidação de NADH em um
sistema não enzimático. Assim, numa placa de 96 poços serão adicionadas as seguintes
soluções nas concentrações finais indicadas: 50 μL da solução da amostra, 50 μL de
NADH (166 μM), 150 μL de NBT (43,3 μM) e 50 μL de PMS (2,7 μM). Os resultados
serão obtidos pela medida de 2 min de incubação, à 37 ºC e à 560 nm.
Atividade antioxidante frente ao ácido hipocloroso
A atividade antioxidante frente ao ácido hipocloroso foi determinada por
fluorescência usando o método descrito por Gomes e colaboradores (2007). Neste
experimento, o ácido hipocloroso será preparado no momento da análise a
partir do ajuste de pH de uma solução de NaOCl a 1% (m/v) para 6,2 com a adição de
gotas de H2SO4 à 10 % (v/v). A concentração de HOCl será determinada por
espectrofotometria à 235 nm usando o coeficiente de absorção molar de 100 M-1 cm-1.
Para a análise, numa placa de 96 poços serão adicionados os seguintes reagentes nas
concentrações finais indicadas: 150 μL de solução de solução tampão (100 mM, pH 7,4),
50 μL do extrato, 50 μL de DHR 123 (5 μM) e 50 μL de HOCl (5μM). Os ensaios de
fluorescência foram realizados em leitor de microplacas, a 37 ºC, nos comprimentos de
onda de 505 nm e 530 nm, para excitação e emissão, respectivamente.
Atividade Antiglicante
Esse ensaio será realizado em dois sistemas diferentes, um contendo a proteína
albumina de soro bovino (BSA) na presença dos açucares redutores (glicose e frutose),
para avaliar o estágio inicial da glicação. E outro sistema contendo BSA na presença de
metilglioxal, para avaliar o estágio intermediário da glicação. Os sistemas reacionais
serão incubados no escuro à 37 °C com agitação constante e os produtos de glicação
avançada (AGEs) fluorescentes serão quantificados em espectrofluorímetro usando 360
e 440 nm como comprimentos de onda de excitação e emissão, respectivamente.
Avaliação da capacidade de captura de metilglioxal através de derivatização
com OPD
A capacidade de captura de MG foi realizada através do ensaio descrito por Wang
e colaboradores (2011) com algumas modificações. A quantificação de MG baseou-se na
derivatização com OPD levando a formação do produto 2-metilquinoxalina (2-MQ). As
164
condições para a análise por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) serão: Água
deionizada acidificada com ácido fórmico (0,1%) (solvente A) e metanol (solvente B)
como fase móvel, fluxo de 1,0 mL min-1 e o volume de injeção foi de 20 μL. O produto
de
derivatização,
2-MQ,
será
detectado
em
315 nm em um tempo de retenção de 13 min.
Ensaio Tunel (Terminal deoxynucleotidyl transferase dUTP nick end labeling).
Este ensaio é um método alternativo para medir a integridade do DNA. Fibroblastos
serão expostos a diferentes concentrações do extrato de cada planta durante 24 horas.
Após este período as células serão lavadas duas vezes em PBS e em seguida
ressuspendidas em 0,5 mL PBS em uma densidade de 1 a 2x106 células. Em seguida serão
fixadas pela adição de 5 mL de paraformaldeído 1% (em PBS) e incubação por 5 minutos
em gelo. Depois de lavadas duas vezes as células serão ressuspendidas em 0,5 mL de PBS
aos quais serão adicionados 5 mL de etanol 70% gelado. As células serão mantidas por
pelo menos 30 minutos no gelo ou em freezer a -20oC. A possível redução nos níveis de
fragmentação de DNA resultante da ação genoprotetora dos extratos será determinada
utilizando o kit APO-BrdU™ TUNEL Assay Kit (Invitrogen/Molecular ProbesTM)
segundo as recomendações do fabricante. A avaliação dos resultados será feita por
citometria de fluxo, utilizando o citômetro Attune NxT Acoustic Focusing.
Avaliação do efeito dos extratos sobre a produção espécies reativas de oxigênio
(ROS) e peroxidação lipídica
A fim de verificar se o efeito genoprotetor dos extratos a serem avaliados estão
relacionados com a redução na geração de agentes oxidativos, os níveis de ROS e de
espécies reativas de ácido tiobarbitúrico (TBARS), indicativos de peroxidação lipídica
serão mensurados. Para quantificar os níveis de ROS intracelular fibroblastos da linhagem
L929 serão expostas a diferentes concentrações dos extratos durante um período de 24 a
48 horas. Após este período, as culturas serão lavadas três vezes e incubadas com 20 uM
de 29,79-dichlorodihydrofluorescein diacetate (H2DCFDA) em PBS durante 30 min no
escuro a 37o. Após este período, as células serão lavadas em PBS, tratadas com
tripsina/EDTA para desprendimento da placa e para a quantificação de ROS a
fluorescência será monitorada usando um espectrofluorómetro Spectra Max GEMINI
XPS (Molecular Devices, Silicon Valley, CA, EUA) utilizando os comprimentos de onda
de 507 e 530 nm para excitação e emissão, respectivamente.
165
A redução nos níveis de peroxidação lipídica será determinada pela formação de
espécies reativas de ácido tiobarbitúrico (TBARS). Os ensaios serão realizados a partir
de adaptações feitas na metodologia proposta por Salgo e Pryor (1996). Brevemente, os
fibroblastos serão cultivados em placas de 24 poços e expostos por 24 horas a diferentes
concentrações dos extratos a serem avaliados. Após os tratamentos, as células serão
lavadas com PBS, tripsinisadas, lisadas e homogeneizadas em PBS gelado. Amostras
contendo 400 uL de lisado celular serão combinadas com 600 uL de ácido tricloroacético
(TCA) e 0,67% de ácido tiobarbitúrico (TBA) e aquecidas a 100 oC por 25 minutos. Após
resfriamento a temperatura ambiente, as amostras serão centrifugadas a 4000 rpm por 10
minutos, a fração sobrenadante será isolada e a absorbância será medida em
espectofotômetro a 532 nm. Tetrametoxipropano hidrolisado será usado com padrão e os
resultados serão expressos como equivalentes de malondialdeído.
Micronúcleo:
O teste de micronúcleos (MN) é uma técnica destinada a avaliar danos no DNA
resultantes de quebras, perdas ou danos em cromossomos. A avaliação da frequência de
MN fornece um índice adequado para avaliação da resposta genotóxica celular a diversos
materiais. O teste MN é amplamente aplicado em diferentes tipos de células
para avaliação de genotoxicidade, como um ensaio complementar com o ensaio Cometa.
O teste tem muitas vantagens, pois apresenta simplicidade, confiabilidade e sensibilidade
a danos ao DNA cromossômico.
RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se até julho de 2022 já termos os extratos e todos os testes realizados das
quatro plantas coletadas nesta quarta expedição onde apenas ficara por ser feito os artigos
e patentes acerca dos achados científicos a partir deste trabalho. Com isso pretende-se
validar o potencial medicinal dessas plantas frente a capacidade de combate a inflamação
e seu potencial anticancerígeno, fortalecendo o conhecimento popular e respaldando
cientificamente esse conhecimento ao mesmo tempo que procura trazer segurança na
utilização dessas plantas para fins medicinais.
REFERÊNCIAS
166
ALAN L. HARVEY, RUANGELIE EDRADA-EBEL AND RONALD J. QUINN. The
re-emergence of natural products for drug discovery in the genomics era. Nature reviews
and drug discovery. v. 14, p. 111-129, 2015.
FRANK E. KOEHN AND GUY T. CARTER. The evolving role of natural products in
drug discovery. Nature reviews and drug discovery. v. 4, p. 206-220, 2005.
CICCO, N. et al. A reproducible, rapid and inexpensive Folin–Ciocalteu micro-method
in determining phenolics of plant methanol extracts. Microchemical Journal, v. 91, n.
1, p. 107–110, 2009.
GOMES, A. et al. 2-Styrylchromones: Novel strong scavengers of reactive oxygen and
nitrogen species. Bioorganic and Medicinal Chemistry, v. 15, n. 18, p. 6027–6036,
2007.
SÁNCHEZ-MORENO, C.; LARRAURI, J. A.; SAURA-CALIXTO, F. Free radical
scavenging capacity and inhibition of lipid oxidation of wines, grape juices and related
polyphenolic constituents. Food Research Internacional, v. 32, n. 6, p. 407-412, 1999.
POLUENTES EMERGENTES NO BAIXO SÃO FRANCISCO
167
Mozart Daltro Bispo1, João Inácio Soletti1, Sandra Helena Vieira de Carvalho1, Emerson
Carlos Soares2, Antônio Euzébio Goulart de Sant'Ana3, Henrique Fonseca Goulart3
1
Laboratório de Sistemas de Separação e Otimização de Processos (LASSOP), Centro de Tecnologia,
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, Alagoas 57072-970, Brasil.
2
Laboratório de Pesquisa em Química de Produtos Naturais (LPQPN), Centro de Tecnologia, Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, Alagoas 57072-970, Brasil.
3
Laboratório de Pesquisa em Química de Produtos Naturais (LPQPN), Centro de Tecnologia, Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, Alagoas 57072-970, Brasil.
1. INTRODUÇÃO
Os poluentes emergentes chegam ao meio ambiente a partir de várias fontes
antropogênicas e são distribuídos pelas matrizes ambientais. Nas últimas décadas, o
aumento da concentração destes poluentes tem ocorrido devido ao contínuo
desenvolvimento e refinamento de novas técnicas, por exemplo: carcinicultura, cultivo
do arroz, atividades industriais, agrárias, resíduos hospitalares, esgoto doméstico, novos
fármacos e novos produtos de higiene, limpeza e cosmético, dentre outros [1]. Uma
grande variedade de contaminantes não detectados de preocupação ambiental precisam
ser identificados e quantificados na matriz ambiental. Muitos destes poluentes apresentam
grande toxicidade e são persistentes no ar, água, solo, sedimentos e receptores ecológicos,
mesmo em baixas concentrações[1, 2].
Faltam dados sobre a destinação e comportamento da maioria dos poluentes
emergentes já identificados no meio ambiente, bem como, as possíveis ameaças à saúde
ecológica e humana. Portanto, o desenvolvimento de novas tecnologias para remediação
e tratamento dos recursos hídricos para água potável tem sido um grande desafio [3]. Em
vários casos, faltam regulamentação para avaliação de impacto de longo prazo da
exposição a baixos níveis de compostos químicos no meio ambiente, uma vez que as
classes da maioria desses compostos ainda não serão estudadas, em detalhes. Isso tem
sido atribuído principalmente à falta de padrões adequados para técnicas de análise
instrumental, considerando, principalmente, as baixas concentrações no meio ambiente
[3, 4].
Para compreender toda a gama dos efeitos dos contaminantes é importante
quantificar e monitorar as concentrações dos poluentes na fonte de emissão, nos
compartimentos ambientais, bem como, em organismos vivos (invertebrados, peixes,
dentre outros) [2, 3, 4].
Assim sendo, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas têm trabalhado
em conjunto para identificação e possível monitoramento de contaminantes emergentes,
168
no Baixo Rio São Francisco. Encontram-se envolvidos os seguintes laboratórios:
Laboratório de Sistema de Separação e Otimização de Processos (LASSOP), do Centro
de Tecnologia; Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais, do Instituto de Química e
Biotecnologia (LPqRN); e Laboratório de Aquicultura (LAQUA), do Centro de Ciências
Agrárias.
Foi realizado o levantamento literário indicando alguns dos principais poluentes em
rios, Dentre os poluentes emergentes destacam-se os pesticidas e herbicidas geralmente
utilizados na agricultura. A metodologia experimental baseia-se na utilização de padrões
e derivatizante (método analítico para identificação dos padrões), seguida pelo processo
de pré-tratamento, pré-concentração dos analitos, seguido de análise por: cromatografia
líquida, com detectores como de arranjo de díodos (HPLC/DAD); ou, cromatografia
gasosa com espectrometria de massas (GC/qMS) [3, 4].
Está sendo realizada a identificação e quantificação de possíveis poluentes
emergentes presentes em algumas localidades do Baixo São Francisco. Uma vez
identificados serão realizadas pesquisas visando estudar os possíveis tratamento para
remoção. É necessário avaliar a eficácia das diferentes alternativas de tratamento
considerando os custos de implementação. Além disso, faz-se necessário estudar não
apenas sua toxicidade, bem como, os efeitos da contaminação no meio ambiente.
2. METODOLOGIA
2.1 Amostragem
O estudo será realizado no Baixo do Rio São Francisco, corresponde à área entre
Paulo Afonso, na Bahia, e a foz do rio entre os estados de Alagoas e Sergipe com cerca
de 214 km de extensão, sendo as amostragens coletadas no mês de novembro (02/11/2021
e 09/11/2021) em pontos estratégicos do Rio, Tabela 1, e ainda uma coleta na água da
fonte da comunidade Quilombola do povoado de Traipú.
Tabela 1. Pontos estratégicos do Baixo do Rio São Francisco, sendo coletados a
jusante e montante de cada cidade percorrida.
Cidades
Jusante
Montante
Piranhas
Pão de Açúcar
Traipu
São Brás
Própria
Penedo
La 9°38'8.82"S; Lo 37°46'36.27"O
La 9°44'52.18"S; Lo 37°27'30.02"O
La 9°58'20.72"S, Lo 37° 0'31.10"O
La 10° 7'35.06"S; Lo 36°54'56.03"O
La 10°12'17.79"S; Lo 36°50'21.44"O
La 10°16'21.64"S; Lo 36°35'34.89"O
La 9°37'41.19"S; Lo 37°43'47.85"O
La 9°45'26.59"S; Lo 37°25'38.85"O
La 9°58'21.82"S; Lo 36°59'40.07"O
La 10° 8'14.05"S; Lo 36°52'25.60"O
La 10°12'58.12"S; Lo 36°49'3.78"O
La 10°18'22.56"S; Lo 36°34'33.58"O
169
Piaçabuçu
La 10°23'57.99"S; Lo 36°26'42.92"O
La 10°24'56.37"S, Lo 36°25'32.25"O
Percebendo uma grande quantidade carros pipa abastecendo da água no ponto
central, será coletada o ponto Própria (meio) (La 10°12'33.11"S; Lo 36°49'54.70"O).
As amostras serão recolhidas em recipientes de vidro, com capacidade de
armazenamento de 20 mL, previamente identificadas e posteriormente armazenadas na
geladeira a uma temperatura entre 3 a 6°C. Anterior a cada coleta os vidros eram
devidamente higienizados.
2.2 Procedimento de micro-extração de fase sólida (SPME)
Para a extração dos contaminantes de interesse, que apresentam pontos de ebulição
≤ 270°C, será aplicada a técnica de microextração em fase sólida por headspace. Em
detalhe, um frasco de 15 mL será preenchido com cerca de 5 mL, avolumado com
exatidão, da amostra das água coletadas nos pontos geográficos listados na Tabela 1. e
homogeneizada e 2 mL de solução aquosa saturada de NaCl.
O frasco será equipado com uma válvula ‘mininert’ (Supelco, Bellefonte, PA,
EUA). A extração será realizada no frasco de headspace mantido a 70°C usando uma
fibra de Divinilbenzeno / Carboxen / Polidimetilsiloxano (DVB/CAR/PDMS) de
espessura de filme de 50/30 μm (Supelco, Bellefonte, PA, EUA), alojado em seu suporte
manual (Supelco, Bellefonte, PA, EUA). A amostra será equilibrada durante 10 min e
depois extraída durante 50 min sob agitação constante. Após a amostragem, a fibra SPME
será mantida por 6 min a 260°C no injetor sem divisão do GC/qMS.
2.3 Análise de cromatografia gasosa / espectrômetro de massa (GC-MS)
Será usado um cromatógrafo de gás com interface direta com um espectrômetro de
massa de armadilha de íons (Shimadzu, GC-MS-QP2010 Plus, Kyoto, Japan). As
condições serão as seguintes: temperatura do injetor, 260°C; modo de injeção, sem
divisão; coluna capilar, DB-5, 60 m, 0,25 mm d.i., espessura de película de 0,25 µm
(Agilent J&W); temperatura do forno, 45°C mantida por 5 min, depois aumentada para
80°C a uma taxa de 10°C min − 1 e para 240°C a 2°C min − 1; gás hélio a uma pressão
constante de 100 kpa; temperatura da linha de transferência, 250°C; faixa de aquisição,
40–500 m/z. Os cromatogramas GC/qMS serão monitorados no modo SIM e SCAN. Os
compostos identificados e monitorados são relatados na Tabela 2.
170
Tabela 2. Compostos selecionados a partir de um levantamento bibliográfico e referente
aos principais cultivos do Baixo do Rio São Francisco.
Composto
Nº CAS
Formula Química
Massa Molecular (g,mol-1)
Ác. etilenodiamino tetra-acético
alpha-BHC
beta-BHC
Lindano
delta-BHC
Heptacloro
Aldrin
Heptachlorepoxide Isomer B
γ-Clordano
α-Clordano
Endosulfan I (alpha)
4,4′-DDE
Dieldrin
Endrin
Endosulfan II (Beta Isomer)
4,4′-DDD
Endrin aldehyde
Endosulfan sulfate
4,4′-DDT
Endrin Cetona
Metoxicloro
Cafeína
17β-estradiol
Diquat
Metribuzin
Glifosato
Ametryn
Atrazina
Prometon
Prometryn
Propazine
Simazine
Terbutryn
60-00-4
319-84-6
319-85-7
58-89-9
319-86-8
76-44-8
309-00-2
1024-57-3
5103-74-2
5103-71-9
959-98-8
72-55-9
60-57-1
72-20-8
33213-65-9
72-54-8
7421-93-4
1031-07-8
50-29-3
53494-70-5
72-43-5
58-08-2
50-28-2
85-00-7
21087-64-9
1071-83-6
834-12-8
1912-24-9
1610-18-0
7287-19-6
139-40-2
122-34-9
886-50-0
C10H16N2O8
C6H6Cl6
C6H6Cl6
C6H6Cl6
C6H6Cl6
C10H5Cl7
C12H8Cl6
C10H5Cl7O
C10H6Cl8
C10H6Cl8
C9H6Cl6O3S
C14 H8 Cl4
C12H8Cl6O
C12H8Cl6O
C9H6Cl6O3S
(ClC6H4)2CHCHCl2
C12H8Cl6O
C9H6Cl6O4S
(ClC6H4)2CHCCl3
C12H8Cl6O
C16H15Cl3O2
C8H10N4O2
C18H24O2
C12H12N2Br2
C8H14N4OS
C3H8NO5P
C9H17N5S
C8H14ClN5
C10H19N5O
C10H19N5S
C9H16N5Cl
C7H12ClN5
C10H19N5S
292,2438
290,83
290,8
290,83
290,83
373,3
364,9
389,4
409,78
409,78
406,9
318,03
380,91
380,91
406,93
320,04
380,9
422,9
354,49
380,9
345,6
194,19
272,4
344,04
214,29
169,07
227,33
215,68
225,29
241,36
229,71
201,66
241,36
Cada composto será identificado usando dados espectrais de massa, biblioteca
NIST 14 (NIST / EPA / NIH Mass Spectra Library, versão 2.2, EUA ), índices de retenção
linear, dados da literatura e a injeção de padrões. Os índices de retenção linear (LRI) serão
calculados de acordo com a equação de Van den Dool e Kratz (1963).
2.4 Procedimento de extração de fase sólida (SPE)
171
O estabelecimento do volume da amostra será baseado em trabalhos realizados com
outros micropoluentes e do mesmo tipo de matriz, em que 100 mL de amostra será
considerado o volume ideal para pré-concentração, permitindo a quantificação por
HPLC/DAD. A eficiência de extração do Cartucho STRATA C18-E de 500 mg/6 mL
será realizada para 50 mL de água ultrapura fortificada com uma solução padrão antes da
extração com todos os compostos a ser investigado neste estudo de acordo com os
procedimentos gerais.
A recuperação potencial do sorvente STRATA C18-E será testado com a água em
diferentes valores de pH (2, 4, 7 e 8). O procedimento da otimização da SPE será
realizada, condicionando sequencialmente com 10 mL de diclorometano, 10 mL de
metanol e 10 mL de agua ultra pura, taxa de fluxo de dados de 1mL/min.
Sequencialmente, amostras de água serão introduzidas nos cartuchos em uma taxa de
fluxo constante de 5 mL / min usando um sistema de manifold de bomba a vácuo. Em
seguida, os cartuchos serão lavados com 10 mL de água e, em seguida, secos sob vácuo
por 30 min para secar a água residual.
A eluição será realizada com 10 mL de metanol-diclorometano (70:30, v/v) a 1
mL/min. Os extractos serão evaporados até à secura num banho termostático a 40°C sob
uma corrente suave de nitrogênio. Os resíduos serão dissolvidos em 200 μL de etanol e
20 μL serão injetados no sistema de HPLC.
2.5 Análise por cromatografia líquida de alta eficiência / arranjo de diodo (HPLC-DAD)
As análises serão realizadas em um HPLC/DAD (Shimadzu Corp, Kyoto, JP)
equipado com duas bombas LC-10D, uma interface SCL-10A, um SPD-M20A e um
amostrador manual com o volume de injeção definido para 20 μL. Os cromatogramas
serão processados por um HPLC Solution (Shimadzu Corp, Kyoto, JP). A separação
cromatográfica será obtida com uma coluna analítica de fase reversa OMEGA 5μ POLAR
C18 C18 (250 mm × 4 mm id, 5 μm, de Dapoirmstadt, Califórnia) com fase móvel
consistindo de uma mistura binária de solventes: (A) água (ajustado para pH 3 com 0,1%
de ácido fosfórico) e (B) acetonitrila.
Os solventes da fase móvel serão filtrados em filtros de fibra de vidro de 0,45 μm.
O gradiente aumentou de 17 a 70% em 23 min seguido por 10 min do tempo de equilíbrio.
As separações serão realizadas na temperatura ambiente e a taxa de fluxo será mantida
em 1 mL / min.
172
Os compostos serão monitorados nos seguintes comprimentos de onda: 254 nm,
265 nm, 270 nm, 286 nm, 290 nm e 295 nm. Em alguns casos, os comprimentos de onda
máximos não serão selecionados para a análise pois correspondem a comprimentos de
onda baixos, que levam à absorção de interferências da matriz. Assim, os comprimentos
de onda selecionados permitem uma análise seletiva com uma absorção adequada dos
compostos estudados.
3. RESULTADOS ESPERADOS
Tal estudo é fundamental para alertar e conscientizar a população e responsáveis.
Além disso, a ocorrência de novos contaminantes “não regulamentados” requer
tratamentos mais avançados. Portanto, tais estudos darão subsídios para a implementação
de novas políticas e regulamentações específicas, fundamentais para alcançar e manter o
equilíbrio saudável do meio ambiental.
A figura abaixo mostra a análise preliminar por cromatografia extraída com o
auxílio da SPME e a GC/qMS modo SCAN.
Figura 1. Perfil cromatográfico da amostra oriunda de Própria (meio) (La 10°12'33.11"S;
Lo 36°49'54.70"O).
Como análise preliminar foi possível a detecção de um composto Oxima-, methoxifenil- identificado como composto utilizado na confecção de fungicidas segundo os
depósitos de patentes (EP-0370629-A1, EP-0370629-B2, EP-0506149-A2, US-5055471A, US-5631253-A). Esse composto também é representado na literatura como “limiar de
odor”[5].
4. REFERÊNCIAS
173
[1] Syed Saquib, Amit Kumar Yadav, Kalp Bhusan Prajapati, Chapter 19 - Emerging
pollutants in water and human health, Contamination of Water, Academic Press, 2021,
Pages 285-299, https://doi.org/10.1016/B978-0-12-824058-8.00008-6.
[2] Violette Geissen, Hans Mol, Erwin Klumpp, Günter Umlauf, Marti Nadal, Martine
van der Ploeg, Sjoerd E.A.T.M. van de Zee, Coen J. Ritsema, Emerging pollutants in the
environment: A challenge for water resource management, International Soil and Water
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https://doi.org/10.1016/j.iswcr.2015.03.002.
[3] Cassiana C. Montagner ; Cristiane Vidal ; Raphael D. Acayaba, Contaminantes
Emergentes em Matrizes Aquáticas do Brasil: Cenário Atual e Aspectos Analíticos,
Ecotoxicológicos e Regulatórios , Química Nova, 2017, Volume 40, Issue 9,
http://dx.doi.org/10.21577/0100-4042.20170091.
[4] Ana Carolina Pizzochero, Adrián de la Torre, Paloma Sanz, Irene Navarro, Loïc N.
Michel, Gilles Lepoint, Krishna Das, Joseph G. Schnitzler, Simon R. Chenery, Ian D.
McCarthy, Olaf Malm, Paulo R. Dorneles, María Ángeles Martínez, Occurrence of legacy
and emerging organic pollutants in whitemouth croakers from Southeastern Brazil,
Science of The Total Environment, Volume 682, 2019, Pages 719-728,
https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2019.05.213.
[5] Onur Guneser, Asli Demirkol, Yonca Karagul Yuceer, Sine Ozmen Togay, Muge
Isleten Hosoglu, Murat Elibol, Production of flavor compounds from olive mill waste by
Rhizopus oryzae and Candida tropicalis, Brazilian Journal of Microbiology, Volume 48,
Issue 2, 2017, Pages 275-285, https://doi.org/10.1016/j.bjm.2016.08.003.
OS SISTEMAS AGRÍCOLAS TRADICIONAIS QUILOMBOLAS NO
BAIXO SÃO FRANCISCO: PERCEPÇÕES SOCIOAMBIENTAIS,
TERRITÓRIO E ANCESTRALIDADE
Fabiano Leite Gomes
174
ÉntoAgro PDI – EMATER/AL
INTRODUÇÃO
Reconhecer os diálogos e saberes entre conhecimento tradicional e conhecimento
científico foi o objetivo dos estudos sobre etnoconhecimento e agroecologia para os
sistemas agrícolas tradicionais quilombolas (SATQ) durante a IV Expedição Científica
do Baixo São Francisco, no período de 01 à 10 de novembro de 2021. A pesquisa contribui
para o diagnóstico da percepção socioambiental local dos povos tradicionais, situados nos
municípios de Piranhas (comunidade quilombo Lajes) e Pão de Açúcar (comunidades
quilombos Chifre do Bode e Poço do Sal), no estado de Alagoas.
A região de estudo é contribuinte na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco,
situado no Baixo São Francisco, localizada em remanescente do Bioma Caatinga no
Brasil. Os sistemas agrícolas tradicionais (SAT) são de importância para garantir a
conservação e uso sustentável dos recursos fito e zoogenéticos para a segurança e
soberania alimentar e nutricional dos povos do campo e da cidade. A domesticação das
sementes, das raças, conservação on farm e a adaptação às mudanças climáticas e
ambientais são processos endógenos e ancestrais passado de geração a geração entre as
famílias tradicionais quilombolas, que buscam garantir a base dos germoplasmas
biodiversificados frente às ameaças do agronegócio e da modernização agrícola.
Os quilombos tiveram reconhecimento recente pela Fundação Palmares no século
XXI, datados em 27 de dezembro de 2010 e 11 de julho de 2006, comunidades
tradicionais em Piranhas e Pão de Açúcar, respectivamente. De acordo com o viventes
atuais, relatam que os quilombos foram formados no século XIX por descendentes de
negros de origem africana, escravizados e que chegaram à região por via fluvial ao Rio
São Francisco.
De acordo com dados estimados (IBGE, 2021) o município de Piranhas tem
população de aproximadamente 25.324 pessoas, com área territorial 403.955 km²,
densidade demográfica 56.47 hab./km² e IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano
Municipal) 0,589. O município de Pão de Açúcar apresenta população estimada 24.307
pessoas, com área territorial 688,870 km², densidade demográfica 34,86 hab./km² e
IDHM de 0,614.
Metodologia
175
A área de estudo compreendeu os municípios de Piranhas e Pão de Açúcar, área
de atuação das ações da IV Expedição Científica do Baixo São Francisco, no período de
01 à 10 de novembro de 2021.
A pesquisa apresenta metodologia qualitativa, descritiva, dialógica para a
construção do conhecimento e saberes a partir das percepções socioambientais do
território em estudo.
A pesquisa participativa apresenta como proposta de gerar empoderamento, e
deve ser integrativa, interativa e atingir a escala de autogestão, na qual os sujeitos não
apenas são consultados ou informados, mas são ativos, co-participantes nos processos de
tomada de decisão e mudança da realidade (VERDEJO, 2006).
Percepção socioambiental e tecnologias sociais
Os territórios quilombolas apresentam inúmeras vulnerabilidades socioambientais
que contemplam a perda do espaço físico do território para a prática e a conservação dos
SATQ devido à falta da demarcação das terras, ora famílias não têm área mínima para o
desenvolvimento dos sistemas agroalimentares e garantir sobrevivência e o suprimento
alimentar aos membros; a percepção ambiental vivenciada denota a perda da composição
vegetal geracional com efeitos diretos nos processos de perda dos solos por erosão eólica
e hídrica, acarretando contribuintes com carga de sólidos (partículas de areia, silte e
argila) na calha de afluentes e na principal do Rio São Francisco (RSF).
As tecnologias sociais não se fazem presentes nos territórios quilombolas, sejam
tecnologias de captação, armazenamento e uso da água de chuva para suprimir a
necessidade hídrica das famílias e ou água para produção e dessedentação animal.
Constata-se a falta de saneamento rural, assim têm-se uma oportunidade para o tratamento
biológico e reuso da água para a agricultura, com a implementação de tecnologias como
da bacia de evapotranspiração (BET), do círculo de bananeira (CB) e o bioágua (BO). A
inexistência de tecnologias para tratamento dos resíduos sólidos e líquidos das criações
de pequenos animais (suínos e ovinocaprinocultura), ora podendo ser implementados
biodigestores para a produção e suprimento energético dos domicílios rurais através do
processo de fermentação obtém-se o produto de interesse “biogás” que possui em
composição o gás metano.
Os sistemas de produção vegetal diagnosticado são de baixa diversidade e pouca
abundância, sendo proponente o diálogo e a construção para o redesenho dos
agroecossistemas para sistemas agroflorestais agroecológicos sintrópicos (SAFAs) para
176
a convivência com o semiárido e agricultura de baixa emissão de carbono, tornando
sistemas agroalimentares resistentes e resilientes para a promoção alimentar da família e
do suporte forrageiro para as criações animais.
Fragilidades, organização social e (in)segurança agroalimentar
As comunidades quilombolas Lajes (Piranhas), Chifre do Bode e Poço do Sal (Pão
de Açúcar) totalizam 150 (38 famílias moram no território), + 200 e 55 famílias
residentes, respectivamente no âmbito territorial. Possuem bases associativas,
denominadas Associação de Desenvolvimento Quilombola do Sítio Lajes (ADQSJ),
Associação de Desenvolvimento Comunitário Chifre do Bode (ADCCB) e Associação
Quilombola do Sítio Poço do Sal (AQSPS). Na associação ADCCB é predominante a
participação das 58 mulheres, fato este constatado na AQSPS que a maioria dos
associados e associadas são do gênero feminino. Vê-se o engajamento, participação e
liderança das mulheres no desenvolvimento comunitário frente às melhorias sociais,
educacionais, agropecuárias e assistência à saúde, apesar na comunidade Chifre do Bode
demandam a instalação de escola pública rural para atender à juventude e a conclusão das
obras do posto de saúde, ora inconclusas e abandonadas.
Os sistemas agroalimentares locais levantados são de baixa diversidade biológica
para o suprimento alimentar das famílias e para o suporte forrageiro das criações animais.
Na comunidade Lajes existe um banco comunitário de sementes (BACs) com estrutura
física, porém, desabastecidos de qualquer sementes. Os motivos da inatividade do BACs
é a desorganização social, envolvimento e participação dos membros fornecedores, além
dos destaques afirmados pelos partícipes das entregas anuais diretas do governo de
Alagoas “Planta Alagoas” - programa de sementes para plantio, gera uma dependência
social e fragilidade nos processos de identidade geracionais das sementes ancestrais
perdidas ao longo dos tempos.
Nas comunidades quilombolas Chifre do Bode e Poço do Sal, não possuem
BACs. Frente a problemática constatada da identidade geracional frente as sementes
relaciona-se a necessidade organizacional e o controle social visando instituir plano de
resgates das sementes crioulas do semiárido e ancestrais em BACs de comunidades das
circunvizinhanças para implementação de roçado comunitário agroecológico, com
práticas coletivas de mutirões para preparo da área, plantio, tratos culturais, colheita e
estoques identificados em vasos para formação do BACs. O banco de sementes na
comunidade
tradicional
apresentará
a
ressignificação dos processos sociais,
177
autogestacionais, libertatórios e interdependência para os camponeses e camponesas das
comunidades quilombolas, pois, estarão com sementes na prontidão para solicitar o
empréstimo ou saque no espaço-tempo da ocorrência do regime hídrico, em contraponto,
quando dependem ano a ano das sementes do programa “Planta Alagoas” distribuídas
pelo governo do Estado não chegam no tempo ótimo para os semeios, como também
apresentam problemas de adaptabilidade varietal aos condições edafoclimáticas.
Membros das participantes dos estudos relataram que possuem nos seus bancos
familiares sementes de variedades de milho branco, batité, jabatão e feijões vagem roxa,
rosinha, leite, vinho entre outras. As sementes serão um ponto comum que reunirá a
comunidade para discutir e debater outras temáticas comuns ao desenvolvimento dos
povos tradicionais.
O arranjo dos sistemas de plantio dos roçados são consórcio de 3 a 4 linhas de
feijão de arranca e 1 linha de milho, podendo encontrar-se semeios intercalados de berços
de sementes de feijão de corda, abóbora, coalhada, melancia, quiabo, maxixe, girassol,
gergelim. Em áreas anteriormente implantada com palma forrageira em sequeiro, no
início do inverno intercalam-se nas entrelinhas cultivos biodiversos de semenes de milho,
feijão e abóbora para maximizar o uso do solo, cobertura vegetal com espécies de cunho
alimentar e proteção do solo contra a energia cinética da gota da chuva. Na comunidade
quilombola era comum “a bata do feijão” em mutirões, prática hoje escassa.
Nos quintais produtivos as famílias cultivam espécies hortícolas (coentro, alface,
couve, tomate, pimentão, macaxeira entre outras), frutíferas (acerola, goiaba, limão baixa diversidade) e espécies de cunho fitoterápico praticadas geracionalmente
principalmente pelas mulheres que guardam o cuidado e o zelo pela saúde dos entes,
utilizam sempre que precisam as diferentes espécies (uso), como capim santo, boldo
(desarranjo intestinal e barriga inchada), erva cidreira (calmante), anador (dor de cabeça),
malva (liberar excreções de síndrome gripal), mastruz (tosse), camomila (calmante e
baixar a pressão arterial), hortelã (tosse), vick (congestão nasal), coentro (baixar a febre),
barbatimão/sambacaitá (inflamação intravaginal, corrimento e banho de assento), além
das espécies do bioma Caatinga fornece suprimentos bioativos apreendidos com os
ancestrais e passo a geração atual, como o uso da , aroeira (tosse), angico (tosse e
inflamação), raiz mulungu (febre), jenipapo (contusões). Constata-se os saberes populares
reinantes e sólidos dos povos tradicionais quilombolas para a cura de enfermidades e
doenças agudas e crônica pela força da natureza, manifestada nos espaços sociais
familiares e comunitários.
178
Manifestação cultural e ancestralidades
A manifestação cultural corresponde com a identidade do povo, alegria e
ancestralidade. Na comunidade Lajes a manifestação autentica é o samba Tebei, os
membros participantes usam instrumentos de batida como o pandeiro e o tambor, ao
passo, que os dançantes ecoam cantorias ancestrais geracionais, além de terem no
território grupo de pífano. Na comunidade Chifre do Bode os encontros culturais são
ritmados no coco de roda e no guerreiro No quilombo Poço do Sal o coco de roda é a
matriz cultural.
Várias iniciativas para o artesanato local foram identificadas, como a arte do
crochê, bordado (ponto cruz), reciclagem do plástico, balaios de cipó (a falta da matéria
prima diminui devido ao desmatamento da Caatinga).
As famílias quilombolas são na totalidade católicos, mas, existe o terreiro do
candomblé na comunidade Lajes. A juventude é pouco partícipe e envolvida nas lutas
socioambientais, seja pela falta de um processo de condução e valorização da sucessão.
Ficou evidenciado nas comunidades quilombolas Lajes, Chifre do Bode e Poço
do Sal o estado de insegurança alimentar nas famílias pela falta ou descontinuidade das
políticas públicas assistenciais dos governos nas esferas municipais, estadual e federal.
Mães relataram que realizam somente uma refeição por dia, ora, outras, deixam de se
alimentar para prover o mínimo de alimentos para as crianças. É emergencial a tomada
da governança municipal a entrega de cestas básicas continuadas principalmente no
momento da pandemia do COVID-19.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O resgate da biodiversidade local a partir das narrativas das sementes crioulas e a
conservação on farm, que dialogam com a interdependência, autogestão e autonomia dos
processos produtivos de base, tais medidas visam fortalecer os sistemas agroalimentares
plurais, agroecológicos e a segurança alimentar na vanguarda dos povos tradicionais
quilombolas resistentes e resilientes para a convivência com o semiárido e o
desenvolvimento socioambiental em consonância com as políticas públicas integrativas e
inclusivas para estilos de agricultura de baixa emissão de carbono na perspectiva do
desenvolvimento da tecnologia social dos sistemas agroflorestais agroecológicos
sintrópicos (SAFAs), resguardando a multifuncionalidade dos processos, interações e
nichos ecológicos.
179
A universalização nos domicílios familiares de tecnologias de tratamento e reuso
da água para produção agroalimentar, à exemplo da bacia de evapotranspiração (BET),
círculo de bananeiras e o bioágua, tecnologias estas que buscaram prover os espaços
rurais do saneamento rural, mitigando o passivo ambiental do dejetos líquidos e sólidos
do ser humano e das criações de animais de pequeno porte (suínos, ovinos caprinos) no
agroecossistema, além de ter-se a opção de instalação de biodigestores para a produção
do biogás metano para suprir a demanda energéticas das casas.
A recuperação da paisagem agrícola em processos de degradação antrópicas fazse-á através de práticas de formação continuada na temática do manejo e conservação do
solo e da água com a integração de ferramentas e equipamentos adaptados à realidade da
agricultura familiar, à exemplo dos motocultivadores, microtratores, perfurador de solo e
implementos associados, visando tomar a atividade prática ágil e concebível para
ampliação dos objetivos.
A partir da qualificação analítica desenvolvida, apreendemos uma compreensão
discursiva no campo do resgate das sementes, conservação ambiental e tecnologias
sociais diversas integradas na temática água, solo, alimento e reuso da água no
agroecossistema para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/al/pao-de-acucar/panorama, acesso em 27-11-2021
https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/al/piranhas.html, acesso em 27-11-2021
VERDEJO, M. E. Diagnóstico Rural Participativo: Guia Prático DRP. Brasília, MDA/
Secretaria da Agricultura Familiar, 2006.
DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL DAS COMUNIDADES DIFUSAS
RIBEIRINHAS DO BAIXO SÃO FRANCISCO: REALIDADES E
PERPCEPÇÕES
Fabiano Leite Gomes
ÉntoAgro PDI – EMATER/AL
INTRODUÇÃO
180
Diálogos e saberes entre conhecimento tradicional e conhecimento científico foi
o objetivo dos estudos sobre etnoconhecimento e agroecologia para os sistemas agrícolas
tradicionais nas comunidades difusas durante a IV Expedição Científica do Baixo São
Francisco, no período de 01 à 10 de novembro de 2021. A pesquisa contribui para o
diagnóstico da percepção socioambiental local dos povos ribeirinhos tradicionais,
situados nos municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São Brás, Propriá, Igreja,
Nova, Penedo e Piaçabuçu, nas margens dos estados de Alagoas e Sergipe.
A região de estudo é contribuinte na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco,
localizada em remanescente do Bioma Caatinga no Brasil. Os sistemas agrícolas
tradicionais (SAT) são de importância para garantir a conservação e uso sustentável dos
recursos fito e zoogenéticos para a segurança, soberania alimentar e nutricional dos povos
do campo e da cidade.
A domesticação das sementes, das raças, conservação on farm e a adaptação às
mudanças climáticas e ambientais são processos endógenos e ancestrais passado de
geração a geração entre as famílias tradicionais quilombolas, que buscam garantir a base
dos germoplasma biodiversificados frente às ameaças do agronegócio e da modernização
agrícola.
Os saberes ancestrais e geracionais são basilares na conservação, multiplicação
dos costumes culturais, dos modos de vida e das especificidades locais que representam
a identidade e que caracterização os povos do campo. A ciência Agroecológica se
dispõem a estudar, avaliar e propor caminhos para a conservação da biodiversidade dos
povos e da sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, valorando e reconhecendo os
saberes populares associados aos saberes científicos apontando os novos rumos ao
desenvolvimento rural sustentável.
As famílias convivem ao longo dos tempos com as adversidade climáticas e as
mudanças ambientais provocadas pelas alterações antrópicas, que interferem na redução
da capacidade produtiva e de suporte dos agroecossistemas – solo, planta e ser humano,
com processos e avanços da desertificação no semiárido no âmbito da bacia hidrográfica
do sertão do São Francisco.
Os estudos da pesquisa ação e participativa contemplou a diversidade das
comunidades do campo, à saber: comunidades quilombolas, indígenas, extrativistas,
pescadores artesanais e agricultores (as) tradicionais e irrigantes dos perímetros irrigados.
As comunidades quilombolas foram: Quilombos Lajes (Piranhas), Mombaça (Traipu),
Chifre do Bode e Poço do Sal (Pão de Açúcar); agricultores tradicionais da comunidade
181
Poço Doce 2 (Piranhas); etnia Aconã e pescadores artesanais da colônia Z-36 (São Brás);
agricultores irrigantes dos perímetros de Propriá e Boacica (Igreja Nova); extrativistas do
sítio Nazário (Penedo) e da associação Aroeira (Piaçabuçu).
O objetivo geral foi realizar um diagnóstico das ruralidades e percepções
socioambientais das comunidades e povos tradicionais difusos localizados no território
do Baixo São Francisco.
METODOLOGIA
A área de estudo compreendeu os municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu,
São Brás, Propriá, Igreja, Nova, Penedo e Piaçabuçu, nas margens dos estados de Alagoas
e Sergipe, durante ações da IV Expedição Científica do Baixo São Francisco, no período
de 01 à 10 de novembro de 2021.
O público alvo da pesquisa ação participativa foram comunidades quilombolas,
indígenas, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores (as) tradicionais e irrigantes
dos municípios.
A pesquisa apresenta metodologia qualitativa, descritiva, dialógica para a
construção do conhecimento e saberes a partir das percepções socioambientais do
território em estudo. A pesquisa apresenta como proposta de gerar empoderamento social,
e ser integrativa, interativa e atingir a escala de autogestão, na qual os sujeitos não apenas
são consultados ou informados, mas são ativos, co-participantes nos processos de
tomada de decisão e mudança da realidade (VERDEJO, 2006).
RESULTADOS
Piranhas
A comunidade Poço Doce 2 está localizada no município de Piranhas, território
do alto sertão, estado de Alagoas. Possui um banco comunitário de sementes crioulas
(BACs), liderança da Dona Francisca Alcântara, que reúnem diversidade de sementes
domesticadas e nativas superior a 50 espécies, pertencentes a diferentes gêneros e famílias
botânicas, armazenados, conservados e representados cada semente com sua história
geracional na família guardiã e nas trocas de sementes na redes estaduais.
Segundo Dona Francisca “As sementes já existiam nas casas dos agricultores e
agricultoras, depois veio a formação da associação e posteriormente do BACs.” Vê na
comunidade uma organização social em prol do desenvolvimento comunitário para a
182
convivência no semiárido com as implementações das tecnologias sociais de captação,
armazenamento e uso da água de chuva, produção nos quintais produtivos, farmácia viva,
produção e armazenamento de forragens, criação de pequenos animais (ovinos, caprinos
e aves) para a base alimentar proteica da família.
No levantamento exploratório sistematizou-se o etnoconhecimento das sementes
no BACs (Figura 1): as variedades de milho são jabatão, alho, branco, batité – cada
semente tem seu sabor e gosto diferente e sentimental, a exemplo do milho branco que é
plantado desde os nossos bisavós; o milho batité é mais ligeiro, ciclo de 55 dias, doce,
ótimo para comer verde, com característica de porte pequeno e precoce; o milho jabatão
é mais tardoso, ciclo 90 dias, com característica de porte alto (cresce muito), o caraço é
diferente, rende muito para fazer cuscuz e na produção de ração (silagem).
A gestão e controle social do grupo BACs se reúne através de uma comissão
(observatório) para organizar a distribuição das sementes no período que antecede o
plantio, a devolutiva das sementes para a formação dos estoques no banco, avaliando a
qualidade das sementes (sanidade, pureza e sujeiras). Os feijões são caracterizados pela
percepção, seleção e variabilidade das características morfológicas, vejamos: feijão de
corda (variedades: rabo de catenga, rajadinho, boca de ovelha, manteiga); feijão de
arranca (rosinha, cariocão, fogo na serra, vagem roxa, leite, preto, feijão de cacho, mucum
da bahia, mulatão; semente de melancia – malha de jiboia, branca, rachada; jerimim
(abóbora) – de leite e caboclo; feijão andu; fava amarelinha; gergelim – roxo, branco e
preto; girassol.
Figura 1: Banco comunitário de sementes Poços Doce 2, Piranhas-AL
São Brás
183
No município de São Brás realizamos uma roda de conversa com pescadores (as)
e a organização social da colônia Z-36 (Figura 2). Os assuntos relevantes permearam sob
a questão da pesca artesanal, defeso, saneamento urbano-rural, espécies nativas e exóticas
e as vazões de água controladas pela CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco).
Na colônia são 1.000 pescadores (as) associados (as). Desenvolve a ação da
política pública da emissão DAP para os pescadores artesanais e o seguro defeso da
atividade. A comunidade ribeirinha reclama sobre a problemática do assoreamento e o
distanciamento das águas ao cais, dificultando o desenvolvimento da economia local por
via fluvial, pois o canal principal do Rio fica distante 6 km, ora impactante o escoamento
da produção e o fluxo de famílias nas feiras semanais, demandam a abertura do canal
(draga para retirada da areia) para o fluxo das águas entrarem e voltar a paisagem anterior.
As principais espécies de peixes e crustáceos pescadas levantadas são: tucunaré,
tilápia, piranhas, pacu, piranbeba, piau branco, piau preto, piaba, camarão, saburica,
rubalo, tambaqui, surubim (tinha com abundância há mais de 20 anos). A pesca é
realizada de linha, vara, tarrafa, rede de calão (arrasto), rede de caseia, xereré, covos da
talha de taboca, mas a pesca de arpão (seletiva) é praticada. Foi destacado a problemática
da pesca criminosa com o uso agrotóxicos, principalmente o produto veterinário da marca
barragem®. Os criminosos despejam na água, geralmente à noite é preferível para
cometerem o crime contra a ictiofauna. Requer-se de fiscalização dos órgãos de meio
ambiente no turno noturno, ao passo, que as fiscalizações do IMA e polícia ambiental
diurna não funcionam.
A colônia faz proposição de trazer formações aos pescadores (as) durante o
período do defeso, como também a CHESF poderiam investir em sementeiras nos
municípios (escolas e colônias) para a promoção da educação ambiental, produção de
mudas e tratar a recuperação das microbacias hidrográficas; além de propor investimento
na produção de peixes em cativeiros em caixa d’água ou estruturas de ferrocimento para
os pescadores (as) e capacitação correlata a manejo e nutrição de peixes.
O preço médio do pescado varia de acordo com o período do ano, bolso do
consumidor, assim as espécies de menor preço no mercado do peixe é o pacu e piau (R$
10,00) e o maior preço chega a espécie denominada chira (R$ 20,00). Já o camarão custa
ao consumidor R$ 25,00, mas não é protegido no defeso e capturado ovados, de acorod
com a colônia precisa de ação de proteção; quando perguntado sobre a espécie pitu, os
pescadores destacaram a escassez nas águas do rio São Francisco, mas quando
comercializado chega a ser vendido o kg por R$ 70,00 e atingindo preço até 90,00 reais.
184
Na comunidade indígena Aconã, nos reunimos com o Cacique Saraiva e o Pajé
Reinaldo dentre os assuntos destacados foram a questões ambientais da degradação e
contaminação das águas, retirada da cobertura vegetal, manejo inadequado do solo,
agrotóxicos nos sistemas de produção de grãos e pastagens das fazendas, caça e pesca
predatória, a falta de saneamento urbano e rural no município (Figura 2).
Pergunta sobre o banco de sementes ancestrais na etnia Aconã? A resposta foi
negativa, perderam as sementes ao longo dos tempos, seja por falta de acompanhamento
e o cuidado do povo indígena. Na época passada cultivavam as variedades crioulas de
milho zebu (carroço grande), no qual faziam a seleção no campo através de cruzamento
de materiais genéticos; milho pinto (de grão pequeno), milho preto; mandioca rosa branca
(muito produtiva), mandioca vaza barri; mandioca campina (boa para produção de
farinha); perderam sementes do arroz de arroz CICA 08 (plantaram até 2008).
De acordo com a percepção e o conhecimento das lideranças indígenas. ”o veneno
mata a terra e contamina o alimento! nunca colocamos fogo na palha do arroz; as lagoas
eram os berçários dos peixes; os plantios de arroz era de vazantes, de acordo com o recuo
do rio” (Cacique Saraiva).
No território indígena não tem casa de farinha (geralmente fazem farinha na
comunidade Olho D’Água Grande), desejam uma casa de farinha qualificada para a
produção da farinha, além da goma, com área com lagoas para recepção/recolhimento da
manipueira; tem um trator com implemento - grade, com 17 anos de uso, requisitam
implementos tipo arado e sulcador para dinamizar os sistemas agrícolas tradicionais.
Quanto as espécies da fauna silvestre na área de reserva ambiental encontram-se
animais como: gato preto (puma), gato lavrado, gato vermelho, preá, jacaré, capivara,
camaleão, teiu ou tejo, peba, tatu, seriema, ave jacu, veado.
O artesanato praticado entre as famílias são à base da palha do Ouricuri, fazem
peças tipo chapéus, bolsas; dentro da mata tem aproximadamente de 40 a 50 plantas
adultas em produção, mas, destacam a necessidade de um projeto para recomposição do
ouricurizeiro na terra indigena; do cipó fazem balaio, covo, corró, pulsá.
Figura 2: Reunião na colônia Z-36 (à esquerda) e etnia Aconã (à direita), São Brás-AL
185
Propriá e Igreja Nova
No perímetro irrigado de Propriá (Sergipe) e do Boacica (Igreja Nova, Alagoas)
foram destacados problemas com espécies macrófitas aquáticas que interferem nas
operações de captação de água na margens do Rio São Francisco, como também, o
escoamento livre das águas de drenagem dos perímetros, impedem o escoamento livre
das águas e ocupam espacialmente a cobertura superficial dos canais e diques,
aumentando o custo operacional da manutenção (Figura 3).
Realizou-se levantamento no sistema de produção do arroz irrigado (Figura 4),
buscando levantar os nomes dos agrotóxicos utilizados nas lavouras de arroz e cana-deaçúcar. Constatado o uso de ingredientes ativos (i.a.) não registrado para o sistema de
produção do arroz i.a.: 2,4-D + Aminopiralide, herbicidas usado para o controle das
espécies de mato; quanto aos inseticidas o mesmo caráter da inconformidade foi
constatado com o uso de i. a. não registrados para a cultura do arroz como i.a. alfacipermetrina, de ação por contato e ingestão para o controle de insetos-praga, do grupo
químico piretróide, i.a. metomil, ação de contato e ingestão do grupo químico
metilcarbamato de oxima, imidacloprido + beta-ciflutrina, inseticida sistêmico dos grupos
químicos dos neonicotinoides e piretroides, respectivamentes, deltametrina e
cipermetrina, ambos do grupo químico piretróide, de ação de contato e ingestão para o
controle do inseto alvo.
Figura 3: Limpeza do canal de captação de água para irrigação no perímetro irrigado de
Propriá - SE
186
Figura 4: Panorâmica da rizicultura no perímetro de irrigação de Propriá - SE
Quanto aos fungicidas também o fato do uso indiscriminado e sem registro foi
constatado para o i.a. piraclostrobina + epoxiconazol + solvente de nafta aromática pesada
- derivado de petróleo, produto de ação sistêmica dos grupos químicos piraclostrobina e
estrobilurina, respectivamente.
Com o levantamento dos agrotóxicos, pretendemos correlacionar e cruzar os
dados dos estudos com o grupo de pesquisa do LASSOP para verificar se nas análises de
água a jusante e a montante do efluente da drenagem dos perímetros aparecem na análise
qualitativa e posteriormente buscaremos quantificar, inferir na ictiofauna e na cadeia
alimentar, desde o pescado até os organismos consumidores aquáticos e humanos.
Penedo
187
Em Penedo, foi realizado atividade de formação em mecanismo de controle da
qualidade orgânica para a certificação no sítio Nazário (Figura 5). A associação reúne
mais de 80 associados (as), desenvolvem sistemas de produção diversificados, como
caracterizam-se pelo extrativismo do cajá, colhem por dia 500 caixas, além do araçá,
jenipapo, manga, tamarindo, caju, cambuí - potencial endógeno;
Na comunidade tem grupo de apicultores, artesanato de fibras e processamento
caseiro de bolos, pães e licores, demonstram caráter empreendedor para os produtos da
agrosociobiodiversidade, com destaque as bebidas de teor não alcoólico e alcoólico
(fermentação anaeróbica dos açúcares das frutas - frutose).
Os quintas produtivos da comunidade são abundante em espécies como acerola,
goiaba, laranja, limão, banana, maracujá, abacate, coco, entre outras, como cultivam
hortaliças para a feira da agricultura familiar na praça de Santa Luzia, Penedo e oferta dos
alimentos ao mercado institucional do PAA – doação simultânea e PNAE.
A associação demanda na área de educação rural processos que valorize a
pedagogia da alternância (tempo escola e tempo prático na comunidade) com formações
continuadas (módulos) em certificação participativa para OCS (organismo de controle
social); transição agroecológica, produção orgânica e (re)desenho do agroecossistema; e
processamento de alimentos da agrosociobiodiversidade.
Projetos integrados para agroindústria polpas de frutas, picolés/sorvetes e bebidas
fermentadas a partir do extrativismo e dos sistemas em transição agroecológica;
agroindústria e equipamentos para processamento e agregação de valor para os produtos
da macaxeira, inhame, batata doce, hortaliças em geral (alface, couve, coentro, cebolinha,
salsinha, rúcula, espinafre, brócolis.
Figura 5: Formação em mecanismo de controle da qualidade orgânica para os produtos
da agrosociobiodiversidade, sítio Nazário, Penedo-AL
188
Piaçabuçu
Em Piaçabuçu, a atividade foi reunião para prospectar a elaboração do plano de
manejo orgânicos para os produtos da agrosociobiodiversidade e o credenciamento da
associação no cadastro de organismo de controle da qualidade orgânica (OCS) junto ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, previsão para a continuidade
primeiro semestre de 2022. Na oportunidade, foi realizado a entrega do kit mecanização
pelos coordenadores da IV Expedição Científica do Baixo São Francisco (Figura 6) e
visita as instalações do projeto Bosque Berçário, financiado pelo Comitê da Bacia
Hidrográfica do São Francisco e executado pela Inovesa ambiental.
Figura 6: Entrega do kit mecanização na associação Aroeira, Piaçabuçu-AL
CONSIDERAÇÕES
No levantamento exploratório percepções socioambientais e ruralidade
constataram-se a necessidade da construção do plano de ação participativa para a
recuperação ambiental dos agroecossistemas alicerçados nas premissas da Agroecologia
e nas tecnologias sociais de reuso de água, biogás, sistemas agroflorestais agroecológicos
sintrópicos (SAFAs), práticas edáficas, mecânicas e culturais de manejo e conservação
do solo e água, produção e conservação de forragens, expansão e controle social do banco
comunitário de sementes (BACs) on farm e viveiros descentralizados de produção de
mudas de espécies frutíferas, nativas e exóticas.
Quanto a problemática dos agrotóxicos far-se-á necessário de campanhas
permanentes, fiscalização e educação para redução do uso do controle químico, frente a
capacitação, instalação de unidade de referência e pesquisa participativa para o
levantamento, monitoramento e desenvolvimento do manejo ecológico de pragas, manejo
189
do solo “organismo vivo” com práticas vegetativas, edáficas e orgânicas para restabelecer
a melhoria continuada das relações planta-solo-atmosfera-ser humano, visando diminuir
o uso dos adubos sintéticos (químicos).
O desenvolvimento continuado da transição agroecológica e o controle social para
o mecanismo de controle integrado da propriedade (certificações) e ampliar o corpo
técnico da ATER municipal e estadual, com equipe multidisciplinar e qualificada com a
temática.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VERDEJO, M. E. Diagnóstico Rural Participativo: Guia Prático DRP. Brasília, MDA/
Secretaria da Agricultura Familiar, 2006.
TEOR DE ÓLEOS E GRAXAS NO BAIXO SÃO FRANCISCO
Mozart Daltro Bispo; João Inácio Soletti; Sandra Helena Vieira de Carvalho; Kleber
Jean Leite dos Santos
1
Laboratório de Sistemas de Separação e Otimização de Processos (LASSOP), Centro de Tecnologia,
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, Alagoas 57072-970, Brasil
INTRODUÇÃO
Qualquer atividade que cause impactos ao meio ambiente seja por poluição das
águas, do solo, do ar, deve ser incluída no monitoramento ambiental. Desta forma, pode190
se prevenir e controlar a poluição, os acidentes e emergências ambientais, promovendo a
manutenção da qualidade dos recursos naturais.
A presença de óleos e graxas causa impactos muito graves nos ecossistemas
aquáticos. O plâncton, base da cadeia alimentar dos organismos marinhos, são os
primeiros a serem contaminados e contaminam o restante dos animais que deles se
alimentam. No caso de derramamento de óleo pode também haver impregnação nos
animais, impedindo a respiração em peixes, o voo em aves, além do controle de
temperatura em mamíferos.
De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, 2016),
águas oleosas consistem em uma mistura complexa de água, óleo lubrificante, graxas,
produtos de limpeza, além de outros fluidos e resíduos que possam estar presentes nas
áreas de drenagem contaminadas, e sejam resultantes das atividades de manutenção e
limpeza de equipamentos.
O Teor de Óleos e Graxas (TOG) constitui um dos parâmetros ambientais de grande
relevância para localidades onde exista a presença de ambientes sujeitos ao derramamento
ou descarte de óleo, em ambientes aquáticos. Cidades ribeirinhas, com a presença de
embarcações, são suscetíveis a acidentes que provocam o derramamento de óleo quer seja
pelo vazamento em motores, manutenção ou acidentes, bem como, no descarte em
efluentes domésticos.
Existem várias legislações aplicáveis à problemática do lançamento de efluentes
oleosos ao meio ambiente. Alguns artigos de leis e resoluções associados ao tema são
apresentados a seguir:
- MARPOL 73/78, Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios,
adotada em 1973 e posteriormente emendada pelo Protocolo de 1978. Tem por propósito
o estabelecimento de regras para a completa eliminação intencional do descarte de óleo e
outras substâncias danosas oriundas de navios, bem como a minimização da descarga
acidental daquelas substâncias no ar e no meio ambiente.
- Lei N°9478, de 6 de agosto de 1997. Dispõe sobre a política energética nacional, as
atividades relativas ao monopólio do petróleo, e institui o Conselho Nacional de Política
Energética e a Agência Nacional do Petróleo, além de outras providências. Destaca-se,
nesta lei, o seu artigo primeiro, inciso quarto, que trata da proteção ao meio ambiente e
promoção da conservação da energia.
191
- Lei N°9966 de 28 de abril de 2000. Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização
da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em
águas, sob jurisdição nacional e dá outras providências.
- Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA N°357, de 17 de
março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais
para o seu enquadramento, bem como, estabelece as condições e padrões de lançamentos
de efluentes, e dá outras providências. Considera que a saúde e o bem-estar humano, bem
como, o equilíbrio ecológico aquático, não devem ser afetados pela deterioração da
qualidade das águas. Alterada pela Resolução 410/2009 e pela 430/2011
- Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA N°430, de 13 de maio
de 2011 dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e
altera a Resolução CONAMA N°357, de 17 de março de 2005.
- Portaria N°422, de 26 de outubro de 2011 do Ministério do Meio Ambiente. Dispõe
sobre procedimentos para o licenciamento ambiental federal de atividades e
empreendimentos de exploração e produção de petróleo e gás natural no ambiente
marinho e em zona de transição terra-mar.
Apesar dos gravíssimos danos causados pelo derramamento de óleos em ambientes
aquáticos, ainda são poucos os estudos publicados que ressaltam o impacto do lançamento
de óleos e graxas em rios e oceanos. De uma forma geral, isto se deve à falta de
monitoramento deste parâmetro, bem como, a dificuldade de acesso aos dados
monitorados. Além disso, é difícil mensurar os potenciais impactos, visto que muitos dos
seus efeitos são sinérgicos, e os poluentes podem sofrer bioacumulação ao longo da
cadeia trófica, ao longo do tempo.
Neste trabalho foi identificada a necessidade de um maior rigor no monitoramento
das águas do Rio São Francisco, de forma que seja possível prever potenciais danos
relacionados à presença de óleo. O monitoramento deve ser mais efetivo principalmente
em regiões com maior concentração de embarcações, como Penedo, Piaçabuçu e
Piranhas, dentre outras cidades ribeirinhas. Este estudo teve início na III expedição do
Rio São Francisco, e recomenda-se a ampliação dos estudos, com divulgação dos dados
obtidos, de forma a se obter uma base de dados coesa, para análise dos impactos atuais e
futuros.
METODOLOGIA
192
O estudo objetiva o Baixo do Rio São Francisco, corresponde à área entre Paulo
Afonso, na Bahia, e a foz do rio entre os estados de Alagoas e Sergipe com cerca de 214
km de extensão, sendo as amostragens coletadas no mês de novembro (02/11/2021 e
09/11/2021) em pontos estratégicos do Rio, Tabela 1.
Tabela 1. Pontos estratégicos do Baixo do Rio São Francisco, sendo coletados a jusante
e montante de cada cidade percorrida.
Cidades
Localização a jusante
Localização a montante
Piranhas
Pão de Açúcar
Traipu
São Brás
Própria
Penedo
La 9°38'8.82"S; Lo 37°46'36.27"O
La 9°44'52.18"S; Lo 37°27'30.02"O
La 9°58'20.72"S, Lo 37° 0'31.10"O
La 10° 7'35.06"S; Lo 36°54'56.03"O
La 10°12'17.79"S; Lo 36°50'21.44"O
La 10°16'21.64"S; Lo 36°35'34.89"O
Piaçabuçu
La 10°23'57.99"S; Lo 36°26'42.92"O
La 9°37'41.19"S; Lo 37°43'47.85"O
La 9°45'26.59"S; Lo 37°25'38.85"O
La 9°58'21.82"S; Lo 36°59'40.07"O
La 10° 8'14.05"S; Lo 36°52'25.60"O
La 10°12'58.12"S; Lo 36°49'3.78"O
La
10°18'22.56"S;
Lo
36°34'33.58"O
La
10°24'56.37"S,
Lo
36°25'32.25"O
Fonte: Autor, 2021
Na cidade de Propriá, devido à coleta por carros pipa para abastecendo de água,
visando o uso da população, foi também coletada uma amostra neste ponto, localizado na
área urbana (La 10°12'33.11"S; Lo 36°49'54.70"O).
Em Piaçabuçu, foram adicionadas três coletadas, referentes a pontos críticos da área
urbana: (1) Parada da barca e ponto de lavagem de panelas (La 10° 24' 27.98'' S; Lo 36°
26' 8.38'' O); (2) Área de recreação de contato primário, no caso banho (La 10°24'28.32''S;
Lo 36° 26' 8.75'' O); e, presença de esgoto a céu aberto (La 10° 24' 27.98'' S; Lo 36° 26'
8.38'' O), Tabela 2.
Tabela 2. Pontos críticos adicionais, nas cidades de Propriá e Piaçabuçu.
Cidades
Georreferenciamento
Motivação da coleta
Própria
Piaçabuçu
Piaçabuçu
Piaçabuçu
La 10°12'33.11"S; Lo 36°49'54.70"O
La 10°24'27.98''S; Lo 36°26'8.38''O
La 10°24'28.32''S; Lo 36° 26' 8.75'' O
La 10° 24' 27.98'' S; Lo 36° 26' 8.38'' O
abastecimento carro pipa
lavagem de utensílios de cozinha
recreação de contato primário
esgoto a céu aberto
Fonte: Autor, 2021
193
As amostras foram coletadas em recipientes de vidro, devidamente higienizados,
com capacidade de armazenamento de 20 mL, previamente identificadas e posteriormente
armazenadas na geladeira a uma temperatura entre 3 a 6°C.
2.2 Análise de TOG
Para quantificar a concentração de óleos e graxas nas águas, descritos por órgãos
ambientais como Total Oil and Grease (TOG), foi utilizado o analisador de óleo Horiba®
modelo OCMA-350. As medições são baseadas na absorção no infravermelho na faixa
de 3,4 - 3,6 µm. Para a extração de TOG da amostra de PW, o solvente politriclorofluoroetileno (S-316, Horiba®) foi usado em uma proporção de 1:1 segundo
solvente para amostra, de acordo com o manual de instruções HORIBA OCMA-350).
Inicialmente foi realizada a calibração do equipamento segundo as instruções
indicadas no manual, utilizando a referência padrão do equipamento (B-heavy Oil). Foram
adicionados 5,6 mL do B-heavy Oil em um balão volumétrico de 25 mL, e avolumado
com o solvente poli-triclorofluoroetileno (S-316, Horiba®). O equipamento foi calibrado
com a solução padrão com concentração de 200 mg/L.
A extração de fase orgânica da água ocorre pelo uso de solvente apropriado, no
caso o poli-triclofluoretileno, nome comercial S-316, que consegue extrair
hidrocarbonetos (óleos e graxas) da água ou do solo. Os hidrocarbonetos absorvem
energia infravermelha a um comprimento de onda específico, e a quantidade de energia
absorvida é proporcional à concentração de óleo/graxa no solvente (BATIRA, 2014). Para
a extração, utiliza-se a proporção de 1:1, ou seja, 5 ml da amostra de água acidificada (pH
2) e 5 ml do solvente. A solução é agitação, decantada, sendo retirada uma alíquota da
fase sobrenadante, para análise de espectrometria no equipamento HORIBA OCMA-350
(B)
RESULTADOS PARCIAIS
A Tabela 3 apresenta os resultados do teor de óleos e graxas de algumas de
algumas amostras coletadas em Piaçabuçu.
Tabela 3. Resultado de TOG em pontos críticos de Piaçabuçu.
Data
Local
Horário (h)
TOG (mg/L)
08/12/2021
Piaçabuçu - lavagem de utensílios de cozinha
16:32
< 0,1
08/12/202
Piaçabuçu - recreação de contato primário
16:18
< 0,1
194
08/12/2021
Piaçabuçu - saída esgoto
16:00
< 0,1
Fonte: Autor, 2021
É importante salientar que a depender da vazão do rio, da estagnação da água, da
proximidade de efluentes, dentre outros parâmetros, a amostra pode apresentar um maior
ou menor teor de óleo. As análises foram realizadas em duplicata. Segundo o CONAMA
430, o teor de óleos e graxas em água doce deve ser virtualmente ausente.
De um modo geral, as águas da região ribeirinha das cidades, tem sido utilizada
como Classe 2, segundo a Resolução CONAMA 357, a saber:
III - classe 2: águas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo
humano, após tratamento convencional; b) à proteção das comunidades
aquáticas; c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático
e mergulho, conforme Resolução CONAMA n° 274, de 2000; d) à irrigação de
hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer,
com os quais o público possa vir a ter contato direto; e e) à aqüicultura e à
atividade de pesca.
O uso pela população da região ribeirinha na área central das cidades, observada
durante a IV Expedição, corresponde a Classe 2 da água, requer uma qualidade de forma
a permitir a recreação e outras atividades. No Capítulo III do CONAMA 357, referente
às condições e padrões de qualidade das águas, dentre os parâmetros estudados, o pH da
água deve estar entre 6 a 9.
REFERÊNCIAS
BATIRA, F. Estudo do tratamento de água de produção de petróleo utilizando unidade
de separação por biosorção. Dissertação (Mestrado em Engenharia Química),
Universidade Federal de Alagoas. Maceió, p. 74. 2014.
EPA, United States Environmental Protection Agency. Oily Bilgewater Separators.
Washington, U.S: EPA Office Of Wastewater Management, 2011. 98 p. (EPA 800-R-11007). Disponível em: Acesso em: 07 dez. 2020.
Resolução CONAMA Nº 274/2000 - "Revisa os critérios de Balneabilidade em Águas
Brasileiras" - Data da legislação: 29/11/2000 - Publicação DOU nº 018, de 08/01/2001,
págs. 70-71.
Resolução CONAMA Nº 357/2005- "Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e
padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências" - Data da legislação:
17/03/2005 - Publicação DOU nº 053, de 18/03/2005, págs. 58-63
195
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE PESCADOS
COMERCIALIZADOS EM FEIRAS LIVRES DE OITO
MUNICÍPIOS DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Juliett de Fátima Xavier da Silva¹, Ana Paula de Almeida Portela da Silva1, Heloísa de
Carvalho Matos2, Cecília Patrícia Oliveira Tavares3, Rykelly Bezerra Santos3
1
Docentes do curso de Engenharia de Pesca/ UFAL/ Campus Arapiraca/ Unidade Educacional Penedo,
Av. Beira Rio, s/n, Centro Histórico, CEP: 57200-000; 2 Bióloga da UFAL/ Campus Arapiraca/ Unidade
Educacional Penedo; 3 Graduandas em Engenharia de Pesca da UFAL/Campus Arapiraca/ Unidade
Educacional Penedo
196
1. INTRODUÇÃO
O pescado é um alimento considerado saudável devido seu alto valor proteico,
aminoácidos essenciais e ácidos graxos poli-insaturados, além do baixo teor de gordura,
e fonte de minerais, principalmente cálcio e fósforo, vitaminas A, D e complexo B
(EVANGELISTA-BARRETO et al., 2017). É facilmente encontrado em feiras livres,
porém, as condições higiênico-sanitárias, muitas vezes, são insatisfatórias, podendo
causar deterioração. Isso associado às condições inadequadas de manuseio,
armazenamento e refrigeração, favorece a multiplicação de bactérias e fungos,
decorrendo em prejuízos à saúde humana (MARTINS, 2015). O comércio informal do
pescado gera diversas preocupações, pois tanto comerciantes quanto consumidores,
muitas vezes, não conhecem os cuidados para higienização e conservação dos alimentos
e os possíveis riscos de doenças relacionadas à proliferação de microrganismos
(OLIVEIRA, et al., 2019).
Dentre os microrganismos, as bactérias são consideradas índices de sanidade e sua
presença pode indicar que as condições de conservação da matéria-prima estão
impróprias, representando condições higiênico-sanitárias inadequadas. A legislação
brasileira, INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 60, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2019
preconiza limites para Estafilococos coagulase positiva/g, Salmonella/25g e Escherichia
coli/g, para diferentes categorias de pescado (BRASIL, 2019). Por outro lado, assim como
as bactérias, a investigação de fungos é imprescindível, pois podem propiciar alterações
no odor e sabor dos alimentos, causando diferentes graus de deterioração através de uma
contaminação cruzada acarretando perigo a saúde humana principalmente pela produção
de micotoxinas (OLIVEIRA et al., 2019). Micotoxinas são metabólitos secundários com
diferenciadas estrutura química e propriedade biológica; podem estar bioacumuladas no
pescado e causar efeitos diretos no animal e indiretos, no consumidor, ao serem ingeridas
podem causar micotoxicoses em animais e no homem, com efeitos carcinogênico,
nefrotóxico e teratogênico (ATAYDE et al., 2014).
Assim, o presente estudo objetivou pesquisar bactérias Escherichia coli,
Coliformes termotolerantes e Staphylococcus aureus, além de bolores em pescados
comercializados em feiras livres/mercado público de oito Municípios do Baixo São
Francisco, durante a IV Expedição do São Francisco.
2. METODOLOGIA
197
O presente trabalho foi desenvolvido nas feiras livres dos Municípios de Pão de
Açúcar, Piranhas, Traipu, São Brás, Propriá, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu, no período
de 01 de novembro a 10 de novembro de 2021.
Foram obtidas amostras de peixes inteiros e filés de tilápia (Oreochromis
niloticus) processadas in loco em todas as feiras mencionadas anteriormente (Figura 1), e
amostras de camarão in natura Litopenaeus vannamei e Macrobrachium sp, e
Macrobrachium sp cozido na água e sal (Figura 2).
Figura 1 – Tilápia (Oreochromis niloticus) comercializada nas feiras dos Municípios de
Pão de Açúcar (A), Piranhas (B), Traipu (C) e São Brás (D).
Fonte: Portela-Silva, Matos, Xavier (2021).
Figura 2 – Camarão comercializado nas feiras dos Municípios de Propriá:
Macrobrachium sp in natura (A), Igreja Nova: Macrobrachium sp cozido na água e sal
(B), Piranhas: Macrobrachium sp cozido na água e sal (C) e Penedo: Litopenaeus
vannamei in natura (D).
198
Fonte: Portela-Silva, Matos, Xavier (2021).
As amostras foram acondicionadas em sacos plásticos estéreis e transportadas em
caixa isotérmica com gelo para o Laboratório de Tecnologia do Pescado – LATEPE da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL para iniciar as análises microbiológicas.
Quantificação de microrganismos específicos e processamento para Isolamento de
Fungos Filamentosos
A identificação e quantificação de Escherichia coli, Coliformes termotolerantes e
Staphylococcus aureus foi realizada através de placas estéreis para detecção e
quantificação microbiológica em matérias primas tipo CompactyDry EC (E. Coli e
Coliformes) e CompactyDry XSA (S. aureus) da Nissui Pharmaceutical.
A primeira etapa da análise consistiu na preparação e diluição das amostras
coletadas, onde 25 g de cada amostra foi homogeneizada em 225 mL de água peptonada
a 0,1%, referente à solução mãe, e realizadas diluições seriadas de 10 -1 até 10-3. Em
seguida utilizou-se a técnica de plaqueamento em superfície (spread-plate), no qual 1 mL
de cada diluição foi inoculada em superfície em placas CompactDry, incubadas a 33°C ±
1,0 de 24 a 48 h, o resultado foi expresso em unidades formadoras de colônias por grama
de amostra (UFC/g). A inoculação dos fungos foi realizada com 1 mL de cada diluição
em placa de Petri contendo Ágar Sabouraud Dextrose (SDA-Himedia®) suplementado
com Tetraciclina a 0,1 μg/mL-1, para evitar crescimento bacteriano (SILVA et al., 2007).
Em seguida, as placas foram incubadas a 25 ± 2ºCe monitoradas por até 12 dias para a
observação do crescimento e posterior isolamento dos fungos. A purificação dos fungos
ocorreu por meio de repiques sucessivos em SDA (Himedia®). Uma vez purificados, os
isolados foram preservados, sob refrigeração, para posterior identificação por
taxonomista da Micoteca (URM/UFPE).
3. RESULTADOS PARCIAS
3.1 Contagem padrão de Bactérias Aeróbias Mesófilas (CPBAM) Viáveis
Na Tabela 01 encontram-se as quantificações de Escherichia coli, Coliformes
termotolerantes e Staphylococcus aureus UFC/g nas amostras de peixe e camarão
comercializados nas feiras livres após 24 horas.
199
Tabela 01 – Quantificação de Escherichia coli (EC), Coliformes termotolerantes (C) e
Staphylococcus aureus (SA) UFC/g nas amostras de peixe e camarão após 24 horas.
Local de coleta
Pão de Açúcar
Penedo
Piaçabuçu
Igreja Nova
São Brás
Piranhas
Traipu
Propriá
EC
1,8 x 101
1,4 x 104
1,0 x 103
1,1 x 103
1,7 x 103
6,9 x 103
4,0 x 101
8,6 x 104
Peixe
C
0,0
1,1 x 101
1,8 x 101
0,0
2,6 x 102
1,8 x 101
0,0
1,0 x 102
SA
6,6 x 101
3,6 x 102
em análise
1,9 x 103
2,0 x 101
1,3 x 103
1,1 x 102
1,0 x 103
Camarão
EC
C
SA
8,0 x 101
6,67
0,0
0,0
0,0
0,0
8,7 x 102
1,67
4
1,1 x 10
28,33 1,5 x 102
2,0 x 101
3,33 3,8 x 102
INC
20,00
0,0
* Nº UFC = número de unidades formadoras de colônia
A presença de Escherichia coli foi observada em grande parte das amostras
analisadas, havendo uma variação de 1,8 x 101 a 8,6 x 104 UFC/g nos peixes e 2,0 x 101 a
1,1 x 104 nos camarões. Em cinco das amostras de peixe e quatro das amostras de camarão
foram observadas a associação de E. coli com Coliformes termotolerantes. De acordo
Macena et al., (2017), E. coli faz parte do grupo dos coliformes termotolerantes e
principal causa de doenças diarreicas via água e alimentos contaminados. Os peixes
comercializados nas feiras livres/mercados de Penedo, Piaçabuçu, Igreja Nova, São Brás,
Piranhas e Propriá, bem como os camarões comercializados em Piaçabuçu e Igreja Nova
estavam com valores acima do permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) que preconizam limite tolerável de 5x102 UFC/g de Escherichia coli/g para
pescados (peixes, crustáceos, moluscos) e miúdos (ovas, moela, bexiga natatória) crus,
temperados ou não, frescos, resfriados ou congelados não consumidos crus e 102 UFC/g
de Escherichia coli/g para pescados (peixes, crustáceos, moluscos) e miúdos (ovas, bexiga
natatória) salgados ou salgado secos, anchovados ou em salmoura , o que indica condições
higiênicas insatisfatórias, devido à contaminação microbiana de origem fecal e a eventual
presença de organismos patogênicos.
A presença de Staphylococcus aureus, espécie do grupo da coagulase positiva,
também foi identificada em todas as amostras de peixes comercializados nas feiras, com
exceção de Piaçabuçu que ainda encontra-se em análise. Porém, apenas Igreja Nova e
Piranhas estavam acima do limite tolerável pela ANVISA, de 103 UFC/g de Estafilococos
coagulase positiva/g para pescados in natura e salgados. Por outro lado, todas as amostras de
camarões estavam dentro do referido limite. Silva et al., (2016) ressalta que mesmo que a
maioria das amostras não estejam acima do preconizado pela legislação, os valores
200
encontrados merecem atenção pois demonstra que houveram falhas no processo de produção
o que é indicativo de ausência de boas práticas de manipulação e pode se tornar um risco
potencial para a saúde pública dos consumidores.
3.2 Contagem e Isolamento de Fungos filamentosos
Foram obtidas 14 amostras de pescado (peixe e camarão), das 8 cidades visitadas
pela IV Expedição Científica do São Francisco. Em todas as amostras houve crescimento
fúngico, exceto no peixe de Propriá porque crescimento bacteriano acelerado,
impossibilitando a análise dos fungos. Na Tabela 2, estão quantificadas as Unidades
Formadoras de Colônia (UFCs), por cidade/diluição.
Tabela 2 - Quantificação de Unidades Formadoras de Colônia (UFCs) em amostras de
pescado de feiras livres, em Alagoas e Sergipe.
Local de coleta
*Nº UFCs x10-1
Nº UFCs x10-2
Nº UFCs x10-3
Pão de Açúcar
*P=
9,3
2,33
0
*C=
0
0,66
3
Penedo
*P=
0
0
1,33
*C=
2,66
0,33
0
Piaçabuçu
*P=
1,66
0
1
*C=
0
0,33
0
São Brás
*P=
5,33
1,33
3
*C=
Igreja Nova
*P=
1
0,33
0,66
*C=
0,33
1,66
2,66
Propriá
*P=
0
0
0
*C=
1
0,66
0
Piranhas
*P=
2,66
10
0
*C=
1,33
21,66
5,33
Traipú
*P=
16
6
2,33
*C=
*P= peixe; C= camarão. * Nº UFCs = número de unidades formadoras de colônia.
No total, foram isoladas 42 culturas fúngicas de todas as cidades amostradas,
conforme pode ser visualizado o aspecto macroscópico das colônias abaixo (Figura 3).
Todos os isolados serão levados à Micoteca (URM/UFPE) para identificação da espécie.
201
Espera-se identificar espécies de importância conhecida como produtoras de toxinas
de modo semelhante ao descrito em estudos realizados com amostras de camarão
Macrobrachium amazonicum, oriundas de feiras; neste estudo, os gêneros de fungos
filamentosos mais frequentes foram Aspergillus Micheli (29%) e Penicillium Link (22%)
(OLIVEIRA et., 2019). Estes gêneros por sua vez, e ainda o Fusarium são os principais
responsáveis pela síntese de toxinas. Dentre as principais micotoxinas, destacam-se
aflatoxina, Ocratoxina e fumonisina (SUN et al., 2015; MUNAWAR et al., 2019, todas
com potencial de causar efeito hepatotóxico, carcinogênico, nefrotóxico e teratogênico,
em animais e humanos. Daí surge a necessidade da manutenção da qualidade e da
inocuidade do pescado, tendo em vista um alimento seguro, havendo a necessidade de
cuidados em todas as etapas da cadeia produtiva.
Figura 3- Isolados de fungos filamentosos isolados do pescado das cidades visitadas. APão de Açúcar; B- Penedo; C- Piaçabuçu; D- São Brás; E- Igreja Nova; F- Propriá; GPiranhas (em crescimento); H- Traipú (em crescimento).
A
202
C
B
D
G
F
E
H
Fonte: Portela-Silva, Matos, Xavier (2021).
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ATAYDE, H.M.; OLIVEIRA, I.M.A.; INHAMUS, A.J.; TEIXEIRA, M.F.S. Fungos
toxigênicos e micotoxinas na alimentação de peixes: uma revisão. Scientia Amazonia, v. 3,
n.3,59-71, 2014.
203
BARRETO, N. S. E.; SILVA, R. A. R.; CERQUEIRA, N. B.; FARIAS, F. P. A.;
BERNARDES, S. F.; SILVA, P. I. Qualidade microbiológica e físico-química do camarão
salgado, seco e defumado comercializado em Cruz das Almas, Recôncavo da Bahia. Acta of
Fisheries and Aquatic Resources, v. 4, n. 2, p. 1-7, 2016.
BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA- ANVISA
INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 60, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2019. Diário Oficial da
União, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2019.
EVANGELISTA-BARRETO, N. S.; DAMACENA, S. S., CARDOSO, L. G., MARQUES,
V. F., Silva, I. P. Condições higiênicos sanitárias e grau de frescor do pescado comercializado
no mercado de peixe em Cachoeira, Bahia. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade
Animal, v.11, n.1, p. 60-74, 2017.
FAO - Food and Agriculture Organization of the United Nations (1997). Worldwide
regulations for mycotoxins 1995 - a compendium FAO food and nutrition paper. 1 ed.
FAO, Roma, 64p.
MACENA, T. N. S.; FERREIRA, M. H.; GOMES, I. D.; dos Santos, T. G. Análise qualitativa
do perfil microbiológico de peixe in natura comercializado no mercado municipal de Teixeira
de Freitas, BA. Mosaicum, ano 13, n. 25 - Jan./Jun. 2017.
MARTINS, Caio Willian de Santana. A comercialização de peixes em feiras públicas, nos
municípios de Feirade Santana e Cruz das Almas, Bahia. 2015. 41 f. Monografia(Curso
de Engenharia de Pesca). Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas,
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia,Cruz dasAlmas, BA, 2015.
MUNAWAR, H.; KARIM, K.; PILETSKY, S.A. (2019). Utilization of synthetic antibody
for fumonisin determination in feed and food. Wartazoa: 29(2): 51-60.
OLIVEIRA, C.E.S; CANTO, E.S.M.; FERNANDES, G.S.T.; SILVA, N.S.; NOGUEIRA,
M.J.M. Diversidade fúngica presentes em amostras de camarão Macrobrachium
amazonicum (Heller,1862) (Decapoda,Palaemonidae) salgado e seco comercializado em
Santarém-Pará. Scientia Amazonia, v. 8, n.2, CAm45-CAm55, 2019.
SANTOS, E.J.R.; GALENO, L.S.; BASTOS, L.S.; COSTA, T.F.; CARVALHO, I.A.;
COSTA, F.N. Qualidade higiênico-sanitária de tambaqui (Colossoma macropomum)
comercializado na cidade de São Luís- MA. Ciência Animal Brasileira, Goiânia, v.20, 112, e-46537, 2019. DOI: 10.1590/1809-6891v20e-46537.
SILVA, N. et al. Manual de Métodos de Análise Microbiológica de Alimentos e Água. 4ª
Edição, Editora Varela. São Paulo, 2007.
SILVA, J.B.; PRAZERES, A.R.; OLIVEIRA, A.C.S.; DANTAS, V.V.; BARROS, M.C.S.;
SILVA, F. et al. Avaliação higiênico-sanitária de estabelecimentos comerciais e análise de
micro-organismos indicadores em amostras de carne bovina (coxão mole) in natura
comercializadas em mercados públicos. Revista do Instituto Adolfo Lutz, v.75, n.1709. São
Paulo, 2016.
SUN, W.; HAN, Z.; AERTS, J.; NIE, D.; JIN, M.; SHI, W.; ZHAO, Z.; SAEGER, S.; ZHAO,
Y.; WU, A. (2015). A reliable liquid chromatography-tandem mass spectrometry method for
simultaneous determination of multiple mycotoxins in fresh fish and dried seafoods. Journal
of Chromatography, 1387(1): 42-48.
204
MONITORAMENTO IN VIVO DOS ASPECTOS REPRODUTIVOS
DOS PEIXES DO RIO SÃO FRANCISCO
Jucilene Cavali1; Emerson Carlos Soares2; Alfredo Borie Mojica3.
1Universidade Federal de Rondônia. UNIR/LCC. 2Universidade Federal de Alagoas.
UFAL/LAQUA. 3Universidade Federal de Alagoas. UFAL/PENEDO.
INTRODUÇÃO
A Ultrassonografia permite avaliação in vivo dos aspectos reprodutivos e a tomada
de decisão cientifica em soltura ou amostragem para abate do pescado capturado
possibilitando a sexagem e proporção de Machos e fêmeas; o estagio de desenvolvimento
gonadal e a definição da Época de desova em relação a pluviosidade e época de defeso
(defeso de 1º de novembro a 28 de fevereiro). No âmbito reprodutivo pela
ultrassonografia determina-se a qualidade das matrizes através da maturação gonadal e
de ovócitos, fases de ovocitos vitelogênicos e índices gonodossomaticos (CREPALDI;
ROTTA 2007).
METODOLOGIA
Os peixes foram capturados em rede de emalhar e acondicionados em caixas com
difusores de ar e eugenol. Selecionados através de Ultrassonografia quanto ao estagio de
desenvolvimento gonadal e ao bem-estar segundo aprovação do CEUA número 024/2021;
sendo selecionados aqueles que mantiveram natação e movimento opercular normal; A
avaliação Chipados com ID eletrônico via intramuscular na região dorsal, as espécimes
em estagio avançado reprodutivo pelo maior volume gonadal foram devolvidas ao
ambiente próximo as áreas de captura.
Os animais foram acondicionados em caixas com água afim eliminar qualquer
interferência do ar na imagem gerada, proporcionando uma maior nitidez e as imagens
ultrassonograficas tomadas com probe posicionada a 2cm do peixe. Utilizou-se o
ultrassom modelo EXAGO IMV, probes lineares B-Mode em freqüências de ondas
sonoras entre 5,0 a 10,0 Mhz (detalhes e peixes pequenos) e 2,5 e 5,0 Mhz (peixes
grandes). A opção da probe esteve diretamente relacionadas a capacidade de reflexão de
ondas no tecido do peixe, ao tamanho e composição corporal e a estrutura a ser
visualizada.
205
A colorimetria foi avaliada em carne e gônodas dos peixes. O método nos auxilia
a validar estagio 1 e 5 (imaturo e desovado) confundidos na US.
RESULTADOS
As espécies bagres (Cathorops agassizii) (3), piau-três-pintas (Megaleporinus
obtisidens) (3), carás (Geophagus sp.) (3), cará-boi (Astronotus ocellatus) (2); pirambebas
(Serrasalmus brandtii) (4) foram devolvidos ao Rio próximos ao local de captura.
Foram sexadas 133 espécies sendo que Pacu e Piranha apresentaram proporção de
fêmeas 2 vezes superior a de machos e a Pirambeba 2,3x mais machos. Quanto ao estádio
reprodutivo, com gônadas passíveis de mensuração via ultrassom e pesagem (>1g), foi
avaliado o Índice Gonadossomático - IGS de fêmeas de 13 diferentes espécies, destes
92% das 77 fêmeas estavam ovadas e 67% destas em fase inicial ou madura (estágios 2 e
3).
O Municipio de Piranhas apresentou maior diversidade de espécies ovadas, mais
pesadas e em estagio gonadal avançado; Os maiores IGS nas espécies foram observados
neste trecho, a exemplo da Piranha de 2,06 kg, 27cm e IGS de 3,0.
.
206
Supõe-se que, a qualidade da agua, o ambiente de rochas com mais abrigo e
esconderijos aos peixes e a profundidade (ate 74 metros de profundidade) protegida por
morros, mais alimento, mais preservada , menos ladeada por lavouras e vazão de agua
mais concentrada favoreçam a reprodução e definam o Municipio de Piranhas como um
estuário reprodutivo.
As espécies Pacu, bagres e tucunarés, por sua vez, apresentaram-se em maior
frequência e prolíferas nos Municipios de Penedo a Piaçabuçu.
Considerando o grande número de espécimes de Pacu coletados, validou-se as
características de dimorfismo sexual (tamanho e comprimento de nadadeiras, peso e
coloração do peixe) desta espécie para o Rio São Francisco. Os valores dos IGS variaram
de 0,50 a 21,4 para fêmeas, coincidindo sua desova com o período do defeso; 59% das 35
fêmeas Pacu estavam em estágio avançado de maturação gonadal (estádio 3). Os estágios
gonadais também foram descritos para a espécie Tucunaré.
Figura 3. Dimorfismo Sexual e IGS Em Pacus
207
Fêmeas de Pacu apresentaram maior variação de Peso corporal (40,6 ± 15,0g)
comparado aos machos (41,1 ± 8,5g) da espécie capturados no início do Defeso. A relação
sexual esteve em 1 macho: 2,3 fêmeas de pacu;
No Dimorfismo sexual do Pacu (n=40) observou-se variação em tamanho e
coloração na sexagem. As nadadeiras dorsais (3,5 vs. 2,6 cm) e pélvica (1,5 vs 1,2 cm)
são maiores em machos; As nadadeiras peitoral, pélvica e anal diferem em forma e
coloração.
208
As espécimes mais pesadas de Pacu foram capturadas na região de Piranhas (n=5)
assim como os maiores CP (n=8) entre Piranhas e Traipú.
A região de Propriá a Piaçabuçu, mais próximas a Foz, apresentou maior numero
(n=33) de espécimes e de menor CP.
A colorimetria avaliada em carne e gônadas pode relacionar-se a dieta, idade e
atividade física, além da própria espécie determinam a coloração de carnes pela deposição
de pigmentos no tecido lipídico. Observa-se que na fase reprodutiva os lipídios são
mobilizados para as gônadas na produção de ovócitos levando consigo a coloração mais
característica e acentuada das ovas de cada espécie; O método nos auxilia a validar estagio
1 e 5 (imaturo e desovado) confundidos na US.
Pode-se ressaltar que três fatores contribuíram para maior diversidade e
quantidade de peixes nestes 1 a 1,5 anos; a vazão mais elevada por mais de 30 dias no
ano anterior que proporcionou maior estimulo reprodutivo as espécies; as ações de
peixamento e a redução da pesca na pandemia quando foi reduzido a comercialização de
pescado.
CONCLUSÃO
Faz-se necessário o monitoramento reprodutivo bimestral durante o ano e ao final
do defeso, para validação dos aspectos reprodutivos avaliados e garantia de desova, não
somente ao estimulo reprodutivo, ainda em condições ambientais adequadas para garantia
de maior disponibilidade de alevinos no Rio São Francisco.
REFERÊNCIAS
209
CREPALDI, D.V.; ROTTA, M.A. Uso do ultra-som em programas de reprodução de peixes
nativos. EMBRAPA Pantanal, Comunicado Técnico, 62: 7p. 2007.
AÇÕES DE COMUNICAÇÃO
Rose Mary Ferreira Pereira Gomes
ASCOM, Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
INTRODUÇÃO
A 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco, realizada de 1º a 10 de
novembro, consolidou as ações desenvolvidas nas edições anteriores e ampliou as
perspectivas de atuação, dando ênfase aos aspectos socioeconômicos do Baixo São
Francisco.
Os destaques dessa edição, para a comunicação social, foram a participação de 70
pesquisadores embarcados, de 35 áreas de pesquisa, com destaque para a área de
Oncologia, por meio da realização de procedimentos cirúrgicos para a retirada de tumores
não melânicos da população ribeirinha. Outro atrativo deste ano foi a transmissão de
palestras científicas pelos perfis da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) no Instagram, que contam
com 90mil e 7.136 seguidores, respectivamente.
Desde o início dos preparativos para a 4ª Expedição, a Assessoria de Comunicação
da Ufal empenhou-se na elaboração de matérias jornalísticas, divulgação por meio de suas
redes sociais e envio de releases à imprensa local e nacional. O trabalho nesse sentido foi
visivelmente intensificado nos meses de outubro e novembro de 2021, inclusive através
da participação em tempo integral da servidora Rose Ferreira durante a Expedição,
garantindo uma cobertura e uma repercussão recordes da Expedição Científica nas mídias
sociais e na imprensa de modo geral. Repercussão essa viabilizada também pela
participação exclusiva de uma equipe da TV Gazeta, afiliada da TV Globo, na Expedição,
210
por meio do jornalista Amorim Neto, do repórter cinematográfico Aldo Correia e da
estudante de Jornalismo e estagiária Iara Melo; além do apoio da jornalista Naísia Xavier,
da Ascom/Fapeal, da jornalista Carolina Neris e da jornalista Malu Fernandes, da
Shopping Comunicação, em São Paulo.
Em relação aos desafios, além das difíceis condições climáticas enfrentadas esse
ano, com sensação térmica chegando a 46ºC, a equipe de comunicação enfrentou
problemas relacionados à conectividade (internet limitada ou ausente) e ao número
insuficiente de profissionais da área, tendo em vista a quantidade de atividades paralelas
realizadas em cada município visitado e a grandiosidade do evento, que requerem uma
cobertura jornalística igualmente ampla e um contato permanente com a imprensa, seja
para prestar informações ou enviar matérias e imagens solicitadas.
Assim, podemos considerar a comunicação realizada durante a 4ª Expedição como
bem-sucedida e eficaz, tendo como parâmetro a repercussão local, nacional e
internacional, seja por meio dos portais da Ufal (www.ufal.br) e da Associação Nacional
dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); de dezenas de sites
de notícias, jornais impressos e revistas, a exemplo da Revista Travessia, do CBH São
Francisco, e da Revista da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); de
telejornais locais e nacionais, como o Jornal Hoje, o Jornal Nacional e o Hora 1, da TV
Globo; ou por meio de convites para apresentação da Expedição na Feira Nacional de
Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações
(MCTI), e em reunião on-line com a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio
da Aventuras Produções, produtora premiada internacionalmente, que acompanhou toda
a 4ª Expedição e fará um documentário a respeito do Rio São Francisco.
METODOLOGIA
A comunicação da Expedição foi realizada em duas vertentes: uma mais voltada
ao jornalismo e à assessoria de comunicação, no sentido de produção de matérias e de
reportagens, contato com a imprensa, realização de entrevistas e gerenciamento do perfil
@expedicao_saofrancisco; e outra relacionada à comunicação de ciência, por buscar
comunicar temas científicos, através dos pesquisadores envolvidos, de forma inteligível,
por meio de uma linguagem acessível à população em geral ou a uma audiência não
especializada.
211
Nesse sentido, destacaram-se as palestras científicas, transmitidas ao vivo e com
interação com o público, e as entrevistas realizadas para a Rádio UFAL, no programa
Boletim do Velho Chico.
RESULTADOS
Até o momento, foram registrados e contabilizados os seguintes dados:
Sites*
Quantidade
de inserções
Total
Comunicação da 4ª Expedição
Telejornais
Revistas
Portal da Ufal
– 13
Portal
da
Andifes – 1
Correio
Braziliense –
1
Site
da
Embrapa – 2
CBH
São
Francisco - 4
Sites locais* 48
69
Rádio
30 – TV
Gazeta
1
–
TV
Sergipe
3 – TV Globo
Travessia
(CBH São
Francisco) –
1
SBPC - 1
Rádio
Ufal – 11
Podcast
Travessia
(CBH) - 1
Instagram e
YouTube**
Transmissões
ao vivo: 5
Posts no feed:
50
Reels: 5
Vídeos: 20
Stories: 591
34
2
12
671
* Clipagem realizada pela Ascom/Ufal no período de 20 de outubro a 12 de novembro de 2021.
** Período de análise: de 22 de outubro a 2 de dezembro de 2021, quando a jornalista Rose Ferreira
assumiu o gerenciamento do perfil @expedicao_saofrancisco.
No período de análise das redes sociais, o perfil alcançou 41,7 mil contas,
representando um crescimento de 352% em relação ao período anterior; e conseguiu
engajar 2.184 contas, que reflete um aumento 358%, de acordo com as estatísticas
disponibilizadas pelo próprio Instagram, por meio do aplicativo. Em 2 de dezembro, o
perfil @expedicao_saofrancisco conta com 1.521 seguidores, mais que o dobro que tinha
no início da assessoria.
212
A seguir, apresentamos a repercussão da Expedição nos meios de comunicação:
Portal da Ufal:
Começaram os preparativos para a 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco:
https://ufal.br/ufal/noticias/2021/2/comecaram-os-preparativos-para-a-4a-expedicaocientifica-do-baixo-sao-francisco [fev-2021]
Coordenadores discutirão projetos para Expedição no Baixo São Francisco:
https://ufal.br/ufal/noticias/2021/3/projetos-para-expedicao-cientifica [mar-2021]
4ª Expedição Científica da Ufal vai doar kits de informática em escolas:
https://ufal.br/ufal/noticias/2021/5/proxima-expedicao-cientifica-da-ufal-vai-doarkits-de-informatica-em-escolas-rurais [mai-2021]
Começa em outubro a maior Expedição Científica do Brasil pelo São Francisco:
https://ufal.br/ufal/noticias/2021/8/comeca-em-outubro-a-maior-expedicao-cientificado-brasil-pelo-sao-francisco [ago-2021]
Ufal e Sociedade entrevista Emerson Soares sobre a 4ª Expedição:
https://ufal.br/transparencia/noticias/2021/09/ufal-e-sociedade-entrevista-emersonsoares-sobre-a-4a-expedicao-cientifica [set-2021]
Maior expedição científica do Brasil começa dia 31 de outubro no Velho Chico:
https://ufal.br/transparencia/noticias/2021/10/maior-expedicao-cientifica-do-brasilcomeca-no-dia-31-de-outubro-no-rio-sao-francisco [out-2021]
Expedição também terá testagem de covid-19 e ações de saúde bucal:
https://ufal.br/transparencia/noticias/2021/10/expedicao-cientifica-tera-testagem-decovid-19-e-acoes-de-saude-bucal [out-2021]
Prevenção ao câncer de pele integra programação da Expedição Científica do Baixo
São Francisco: https://ufal.br/transparencia/noticias/2021/10/prevencao-ao-cancerde-pele-integra-programacao-da-expedicao-cientifica-do-baixo-sao-francisco [out2021]
Maior expedição científica do Brasil navega pelo sertão de Alagoas:
https://ufal.br/ufal/noticias/2021/11/maior-expedicao-cientifica-do-brasil-navegapelo-sertao-de-alagoas [nov-2021]
Ufal e Sociedade acompanha a 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco:
https://ufal.br/transparencia/noticias/2021/11/ufal-e-sociedade-acompanha-a-4aexpedicao-cientifica-do-baixo-sao-francisco [nov-2021]
4ª Expedição Científica do Rio São Francisco promoverá ações de divulgação
científica: https://ufal.br/transparencia/noticias/2021/10/4a-expedicao-cientifica-dorio-sao-francisco-promovera-acoes-de-divulgacao-cientifica [nov-2021]
Bordados e mel: Expedição Científica mapeia possibilidades de desenvolvimento
econômico no interior de Alagoas: https://ufal.br/ufal/noticias/2021/11/bordados-emel-expedicao-cientifica-mapeia-possibilidades-de-desenvolvimento-economico-nointerior-de-alagoas [nov-2021]
Crianças ribeirinhas recebem cuidados e orientações de saúde pública:
https://ufal.br/ufal/noticias/2021/11/criancas-ribeirinhas-recebem-cuidados-eorientacoes-de-saude-publica [nov-2021]
213
Rádio Ufal - Boletim do Velho Chico:
Link geral: https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico
Achados arqueológicos na 4ª Expedição; entrevista com Paulo Bava, da UFS:
https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/achados-arqueologicos-na-4a-expedicao
[nov-2021]
Monitoramento aéreo do Rio São Francisco; entrevista com Rychardson Rocha, da
UFS: https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/monitoramento-aereo-do-rio-saofrancisco [nov-2021]
A água do Rio São Francisco; entrevista com Petrônio Filho, da Ufal Penedo:
https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/monitoramento-aereo-do-rio-saofrancisco [nov-2021]
A vice-reitora Eliane Cavalcanti avalia a Expedição: https://radio.ufal.br/boletim-dovelho-chico/a-vice-reitora-eliane-cavalcanti-avalia-a-expedicao [nov-2021]
Manguezais na foz do Rio São Francisco; entrevista com Alexandre Oliveira, da Ufal
Penedo: https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/manguezais-na-foz-do-rio-saofrancisco [nov-2021]
Arqueologia subaquática; entrevista com Luis Felipe Santos, da UFS:
https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/arqueologia-subaquatica [nov-2021]
Análise dos sedimentos do Rio São Francisco; entrevista com Joel Marques,
mestrando da UFS: https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/analise-dossedimentos-do-rio-sao-francisco [nov-2021]
Avaliação da 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco; entrevista com José
Vieira, vice-coordenador da Expedição: https://radio.ufal.br/boletim-do-velhochico/avaliacao-da-4a-expedicao-cientifica-do-baixo-sao-francisco [nov-2021]
Construção de fossas agroecológicas; entrevista com Eduardo Lucena, do Centro de
Tecnologia da Ufal: https://radio.ufal.br/boletim-do-velho-chico/construcao-defossas-agroecologicas [nov-2021]
Podcast Travessia (CBH São Francisco), com Maciel Oliveira, presidente do Comitê:
https://cbhsaofrancisco.org.br/noticias/novidades/confira-o-podcast-sobre-a-4aexpedicao-cientifica-do-baixo-sao-francisco/
Transmissões ao vivo:
Durante os 10 dias de Expedição, foram realizadas quatro transmissões ao vivo
pelo perfil @ufaloficial no Instagram e uma pelo canal da Ufal no YouTube:
•
O primeiro dia de palestras foi realizado no dia 1º de novembro, na cidade de
Piranhas-AL. A transmissão foi realizada pelo perfil @ufaloficial no Instagram e
ficou salva para acesso posterior neste link:
https://www.instagram.com/tv/CVwT3F0lSov/. Nesse dia, aconteceram as
seguintes palestras:
- Rio São Francisco, das duas nascentes à foz, com Jackson Borges, do CBH São
Francisco;
214
- A importância da fauna no ambiente terrestre da bacia do Rio São Francisco, com
Ubiratan Piovezan, da Embrapa Tabuleiros Costeiros.
Número de contas alcançadas durante a transmissão: 2.102
Número de interações durante a transmissão: 37
Número de visualizações posteriores: 1.305
•
O segundo dia de palestras aconteceu no dia 7 de novembro, em uma sala de
reuniões do Hotel São Francisco, em Penedo. A transmissão foi realizada pelo
perfil @ufaloficial no Instagram e ficou salva para acesso posterior neste link:
https://www.instagram.com/tv/CV_0hnKFON9/. As palestras desse dia foram:
- Quais os benefícios do monitoramento da governança das águas? O Protocolo de
Monitoramento do OGA Brasil", com Ângelo Lima, secretário executivo do
Observatório da Governança das Águas;
- O impacto das mudanças climáticas, com Ricardo Araújo, da Ufal;
- História submersa: arqueologia subaquática no Rio São Francisco, com Gilson
Rambelli, da UFS.
Número de contas alcançadas durante a transmissão: 2.568
Número de interações durante a transmissão: 23
Número de visualizações posteriores: 72
•
O terceiro dia de palestras aconteceu no dia 8 de novembro, diretamente do barcolaboratório, na cidade de Piaçabuçu. A transmissão foi realizada pelo perfil
@ufaloficial no Instagram e ficou salva para acesso posterior neste link:
https://www.instagram.com/tv/CWCWKUBFni4/. Foram realizadas as seguintes
palestras:
- Poluentes emergentes, com Sandra Carvalho, do Ctec/Ufal;
- Instrumentos de Propriedade Intelectual, Empreendedorismo e Desenvolvimento,
com Alexandre Guimarães Vasconcelos, do INPI.
Número de contas alcançadas durante a transmissão: 1.452
Número de interações durante a transmissão: 40
Número de visualizações posteriores: 1.192
•
O quarto e último dia de palestras aconteceu no dia 9 de novembro, em uma sala de
reuniões do Hotel São Francisco, em Penedo. A transmissão foi realizada pelo
perfil @ufaloficial no Instagram e ficou salva para acesso posterior neste link:
https://www.instagram.com/tv/CWE-rCJFzlG/. As palestras foram as seguintes:
- Mecanismo para a construção da certificação participativa dos produtos da
Agrosociobiodiversidade, com Fabiano Leite, da Emater-AL;
- Aquarela dos manguezais: uma viagem pelas cores do mangue, com Alexandre
Oliveira, da Ufal Penedo.
Número de contas alcançadas durante a transmissão: 1.420
Número de interações durante a transmissão: 37
Número de visualizações posteriores: 84
215
- Total de contas alcançadas durante as transmissões das palestras: 7.542
- Total de visualizações posteriores: 2.653
•
A última transmissão ao vivo durante a Expedição foi o encerramento, realizado no
dia 10 novembro, na cidade de Penedo-AL. A transmissão foi realizada pela
Prefeitura de Penedo e também pelo canal da Ufal no YouTube. O vídeo está salvo
e disponível neste link: https://www.youtube.com/watch?v=gT_YNWdR9eQ.
Matérias veiculadas em telejornais, durante a Expedição:
https://globoplay.globo.com/v/9999327/
https://globoplay.globo.com/v/9999325/
https://globoplay.globo.com/v/10000450/
https://globoplay.globo.com/v/10001917/
https://globoplay.globo.com/v/10002819/
https://globoplay.globo.com/v/10002814/
https://globoplay.globo.com/v/10005093/
https://globoplay.globo.com/v/10003651/
https://globoplay.globo.com/v/10006094/
https://globoplay.globo.com/v/10009668/
https://globoplay.globo.com/v/10009380/
https://globoplay.globo.com/v/10011834/
https://globoplay.globo.com/v/10010503/
https://globoplay.globo.com/v/10012929/
https://globoplay.globo.com/v/10012924/
https://globoplay.globo.com/v/10013472/
https://globoplay.globo.com/v/10012927/
https://globoplay.globo.com/v/10014367
https://globoplay.globo.com/v/10015674/
https://globoplay.globo.com/v/10019843/
https://globoplay.globo.com/v/10019628/
https://globoplay.globo.com/v/10019843/
https://globoplay.globo.com/v/10019972/
https://globoplay.globo.com/v/10019779/
https://globoplay.globo.com/v/10021979/
https://globoplay.globo.com/v/10023266/
https://globoplay.globo.com/v/10024343/
https://globoplay.globo.com/v/10026895/
https://globoplay.globo.com/v/10029143/
https://globoplay.globo.com/v/10031919/
https://globoplay.globo.com/v/10033026/
Hora 1: https://globoplay.globo.com/v/10026775/
Jornal Hoje: https://globoplay.globo.com/v/10028208/
Jornal Nacional: https://globoplay.globo.com/v/10059740/
Clipagem Ascom/Ufal:
Sites nacionais:
216
Portal da Andifes: https://www.andifes.org.br/?p=90654
Shopping de Comunicação: https://www.shoppingdecomunicacao.com.br/blog/205maior-expedicao-cientifica-do-brasil-comeca-domingo-no-rio-sao-francisco
Correio Braziliense: Maior Expedição do Brasil começa em 31 de outubro no Rio São
Francisco: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/10/4959438-maiorexpedicao-cientifica-do-brasil-comeca-em-31-de-outubro-no-rio-sao-francisco.html
Site da Embrapa:
Pesquisadores da Embrapa integram a 4ª Expedição Científica do Baixo São Francisco:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/65657538/pesquisadores-daembrapa-integram-4-expedicao-cientifica-do-baixo-sao-francisco
Expedição Científica chega ao final; Embrapa reitera compromisso e participação:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/66165995/4-expedicao-cientificado-sao-francisco-chega-ao-final-embrapa-reitera-compromisso-e-participacao
Site do CBH São Francisco:
https://cbhsaofrancisco.org.br/noticias/novidades/ccrs-do-submedio-e-medio-saofrancisco-devem-replicar-em-2022-expedicao-cientifica/
https://cbhsaofrancisco.org.br/noticias/novidades/presidente-do-cbhsf-fala-em-reuniaoda-ana-sobre-o-pedido-do-aumento-de-vazao-no-rio-que-ajudou-na-navegacao-dasembarcacoes-durante-a-4a-expedicao-cientifica/
https://cbhsaofrancisco.org.br/noticias/novidades/4a-expedicao-cientifica-do-saofrancisco-chega-ao-final-com-muitas-expectativas-para-a-proxima-edicao/
https://cbhsaofrancisco.org.br/noticias/novidades/video-novo-no-ar-4a-expedicaocientifica-do-baixo-sao-francisco/
Sites locais:
https://tribunadoagreste.com.br/2021/10/prevencao-ao-cancer-de-pele-integraprogramacao-da-expedicao-cientifica/
https://tribunadoagreste.com.br/2021/10/prevencao-ao-cancer-de-pele-integraprogramacao-da-expedicao-cientifica/
https://al1.com.br/informacao/noticias/66095/expedicao-cientifica-tera-testagem-decovid-19-e-acoes-de-saude-bucal
https://tribunahoje.com/noticias/saude/2021/10/25/expedicao-tambem-tera-testagem-decovid-19-e-acoes-de-saude-bucal/
https://painelnoticias.com.br/geral/197081/expedicao-ao-rio-sao-francisco-tambem-teratestagem-de-covid-19-e-acoes-de-saude-bucal
http://www.primeiraedicao.com.br/noticia/2021/10/26/4-edicao-da-expedicaocientifica-do-baixo-sao-francisco
https://www.aquiacontece.com.br/noticia/alagoas/26/10/2021/4-expedicao-cientificapromovera-acoes-de-divulgacao-da-ciencia/171317
https://tribunadoagreste.com.br/2021/10/prevencao-ao-cancer-de-pele-integraprogramacao-da-expedicao-cientifica/
https://tribunadoagreste.com.br/2021/10/prevencao-ao-cancer-de-pele-integraprogramacao-da-expedicao-cientifica/
217
https://al1.com.br/informacao/noticias/66095/expedicao-cientifica-tera-testagem-decovid-19-e-acoes-de-saude-bucal
https://tribunahoje.com/noticias/saude/2021/10/25/expedicao-tambem-tera-testagem-decovid-19-e-acoes-de-saude-bucal/
https://painelnoticias.com.br/geral/197081/expedicao-ao-rio-sao-francisco-tambem-teratestagem-de-covid-19-e-acoes-de-saude-bucal
http://www.primeiraedicao.com.br/noticia/2021/10/26/4-edicao-da-expedicaocientifica-do-baixo-sao-francisco
https://www.aquiacontece.com.br/noticia/alagoas/26/10/2021/4-expedicao-cientificapromovera-acoes-de-divulgacao-da-ciencia/171317
https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/vice-reitora-da-ufal-participa-da-expedicao-dosao-francisco-liderando-equipe-de-testes-de-covid-19-em-ribeirinhos/
https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/vice-reitora-da-ufal-participa-da-expedicao-dosao-francisco-liderando-equipe-de-testes-de-covid-19-em-ribeirinhos/
https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2021/11/04/vice-reitora-da-ufal-participa-daexpedicao-do-sao-francisco-liderando-equipe-de-testes-de-covid-19-em-ribeirinhos
https://www.redegn.com.br/?sessao=noticia&cod_noticia=154584
https://www.aquiacontece.com.br/noticia/penedo/05/11/2021/penedo-recepciona-maiorexpedicao-cientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado-05/171830
https://www.correiodosmunicipios-al.com.br/2021/11/gestao-da-ufal-da-apoiologistico-para-realizar-testes-rt-pcr-durante-expedicao/
https://www.tribunadosertao.com.br/2021/11/gestao-da-ufal-da-apoio-logistico-pararealizar-testes-rt-pcr-durante-expedicao/
https://www.tribunadosertao.com.br/2021/11/penedo-recepciona-maior-expedicaocientifica-rio-sao-francisco-neste-sabado-05/
https://www.tribunadosertao.com.br/2021/11/expedicao-cientifica-e-recebida-comfesta-em-sao-bras/
https://www.alagoas24horas.com.br/1395642/penedo-recepciona-maior-expedicaocientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado/
https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2021/11/05/vice-reitora-da-ufal-participa-daexpedicao-do-sao-francisco-liderando-equipe-de-testes-de-covid-19-em-ribeirinhos
https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2021/11/05/penedo-recepciona-maiorexpedicao-cientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado-05
https://tribunadoagreste.com.br/2021/11/gestao-da-ufal-da-apoio-logistico-para-realizartestes-rt-pcr-durante-expedicao/
https://infosaofrancisco.canoadetolda.org.br/noticias/geotecnologias/canoa-de-tolda-seune-ao-hot-e-planeja-mapeamentos-da-bacia-do-rio-sao-francisco/
https://penedo.al.gov.br/2021/11/05/penedo-recepciona-maior-expedicao-cientifica-dorio-sao-francisco-neste-sabado-05/
https://www.7segundos.com.br/arapiraca/noticias/2021/11/05/191278-penedorecepciona-maior-expedicao-cientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado-06
218
https://correiodopovo-al.com.br/noticias/penedo-recepciona-maior-expedicao-cientificado-rio-sao-francisco-neste-sabado-05
https://ama-al.com.br/expedicao-cientifica-e-recebida-com-festa-em-sao-bras/
https://melhornoticia.com.br/noticia/interior/mn105095762/penedo-recepciona-maiorexpedicao-cientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado-06https://al1.com.br/informacao/noticias/66650/expedicao-cientifica-e-recebida-comfesta-em-sao-bras
https://boainformacao.com.br/2021/11/ufal-realiza-teste-gratuito-para-diagnostico-decovid-na-orla-de-penedo/
https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2021/11/08/prefeitura-de-penedo-e-expedicaocientifica-realizam-atividades-nas-escolas
https://tribunahoje.com/noticias/educacao/2021/11/08/expedicao-cientifica-chega-apenedo-e-leva-acoes-para-escolas/
https://www.alagoas24horas.com.br/1395642/penedo-recepciona-maior-expedicaocientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado/
https://www.alagoas24horas.com.br/1395642/penedo-recepciona-maior-expedicaocientifica-do-rio-sao-francisco-neste-sabado/
https://al1.com.br/informacao/noticias/66842/iv-expedicao-cientifica-e-prefeiturarealizam-acoes-em-escolas-municipais-de-piacabucu
https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2021/11/10/expedicao-cientifica-do-saofrancisco-constata-aumento-na-quantidade-e-especies-de-peixes-no-rio.ghtml
https://tribunahoje.com/noticias/cidades/2021/11/11/4a-expedicao-cientifica-do-saofrancisco-chega-ao-final/
https://www.aquiacontece.com.br/noticia/alagoas/26/10/2021/4-expedicao-cientificapromovera-acoes-de-divulgacao-da-ciencia/171317
https://www.correiodosmunicipios-al.com.br/2021/09/piacabucu-recebera-4aexpedicao-cientifica-do-baixo-sao-francisco-em-novembro/
https://painelnoticias.com.br/geral/197122/4-expedicao-cientifica-promovera-acoes-dedivulgacao-cientifica
https://tribunahoje.com/noticias/cidades/2021/10/28/edicao-2021-da-expedicaocientifica-levara-doacoes-para-ribeirinhos/
http://meioambienteeturismo.blogsdagazetaweb.com/2021/10/29/expedicao-cientificano-velho-chico-parte-de-piranhas-domingo/
https://web.arapiraca.al.gov.br/2021/11/arapiraca-participa-da-maior-expedicaocientifica-do-brasil-no-rio-sao-francisco/
219
PRODUÇÃO DO DOCUMENTÁRIO SOBRE O RIO SÃO FRANCISCO
Idiaulo Yuri Sanada e Vera Regina Piagetti Sanada
Aventuras Produções – SP
INTRODUÇÃO
A AVENTURAS PRODUÇÕES participou da quarta edição da Expedição
Científica do São Francisco com objetivo de produzir um filme documentário sobre a vida
no Rio São Francisco. Este documentário não será apenas um relato das atividades desta
edição da Expedição Científica, mas seu conteúdo abrangerá os diversos aspectos da vida
no Baixo Rio São Francisco, com temas sociais, culturais, ambientais, geográficos,
históricos, políticos e mais. O percurso e as atividades da expedição junto às comunidades
será o condutor da narrativa, e desta maneira o documentário promoverá o potencial
turístico da região, incentivando o desenvolvimento sustentável, além de despertar em
jovens espectadores o interesse por atividades científicas, e o valor de trabalhos sociais.
METODOLOGIA
A primeira fase do projeto, chamada pré-produção, aconteceu durante três meses
antes do início das gravações no Rio São Francisco, com os preparativos para maximizar
a eficiência da produção. Com apoio dos organizadores da Expedição Científica foram
realizados contatos com as prefeituras das regiões a serem documentadas, e estes
apontaram agentes das diversas áreas de interesse, como turismo, ambiental, social,
cultural e outras. Através destes contatos roteiros de gravações foram construídos com
agendas para os dias de produção específicos para cada região que seria visitada. A fase
seguinte, a de produção, foi divida em três etapas.
Na primeira etapa uma semana antes do início da Expedição Científica de 2021,
de 24 a 31 de outubro, a equipe da AVENTURAS PRODUÇÕES seguiu para Alagoas,
iniciando as gravações a partir de Maceió, capturando cenas gerais da capital, e mais
especificamente entrevistando os organizadores da Expedição Científica e membros
chave da UFAL. A partir de Maceió, com apoio logístico da UFAL, a equipe viajou para
as cidades do baixo Rio São Francisco, de Penedo a Piranhas, realizando as gravações
220
dos roteiros elaborados. A intenção foi gravar os temas culturais e históricos antes do
início da Expedição pelo rio.
A segunda etapa de produção foi iniciada no dia da partida dos barcos laboratórios
da Expedição Científica, a partir de Piranhas, de 1 a 11 de novembro. O foco desta etapa
foi documentar as atividades e a rotina dos barcos e dos cientistas da expedição. Foram
acompanhadas as diversas atividades de pesquisa no rio e nas matas, bem como as
atividades sociais realizadas em escolas e entidades das cidades visitadas. Estas duas
etapas formam a maioria do material necessário para produção do documentário longametragem.
Nos 20 dias de gravações, diretamente com as comunidades (Figuras 1, 2, 3 e 4)
e depois revisitando-as com os cientistas de diversas áreas do conhecimento que
formaram a Expedição, foi possível capturar a região do Baixo São Francisco em detalhes
geográficos, históricos, culturais, artísticos, naturais, com emoção, e depois a interação
com a ciência de maneira fácil de compreender e que demonstra a importância e o respeito
pelos povos ribeirinhos.
Uma terceira etapa acontecerá acompanhando os resultados das pesquisas
iniciadas durante a Expedição, através das análises dos materiais coletados no rio.
Enquanto a terceira etapa vai se desenvolvendo, segundo o tempo dos pesquisadores, os
trâmites legais da produção continuam. Uma produção audiovisual tem que atender uma
série de obrigatoriedades inerentes a esta atividade comercial. Esta obra está sendo
registrada junto a ANCINE – Agência Nacional de Cinema, como obra audiovisual
produzida por produtora independente. Com isto o filme documentário poderá pagar as
taxas necessárias para sua distribuição legalizada para exibição nacional e internacional.
A fase de pós-produção começará após a finalização das gravações da terceira
etapa de produção, com os resultados das pesquisas executadas durante a Quarta
Expedição Científica do São Francisco.
RESULTADOS ESPERADOS
Este documentário seguirá o caminho usual de lançamento e distribuição de obras
audiovisuais, sendo oferecido para diversas janelas de exibição. O formato original será
de filme longa-metragem de 80 minutos, para ser exibido em festivais de cinema, festivais
ambientais, e outros eventos especiais ligados a indústria audiovisual, educacional e
ambiental. Posteriormente o filme será disponibilizado para distribuição nacional e
221
internacional em exibições cinematográficas, em canais de TV por assinatura, e serviços
de streaming.
Foi captado conteúdo suficiente para ser editado em outro formato, de série para
exibição principalmente em canais de TV por assinatura, e serviços de streaming. Esta
opção será oferecida a exibidores usando o longa-metragem como mostra do conteúdo,
após a finalização de sua edição.
Os objetivos almejados pelo documentário serão promover o potencial turístico
da região do baixo rio São Francisco e com isto incentivar o desenvolvimento sustentável;
despertar nos jovens espectadores o interesse por atividades científicas, bem como
divulgar junto ao público em geral o valor dos trabalhos científicos e a interação das
entidades acadêmicas com as comunidades; mostrar o valor de trabalhos sociais
realizados pelos membros da expedição, e como isto inspirar outras ações semelhantes;
mostrar como é organizada e como funciona a Expedição Científica do São Francisco,
agora em sua quarta edição, e com isto demonstrar ser possível e necessário que este
modelo eficiente que alia aplicação de ciências, atividades sociais e comunicação, seja
replicado em outras regiões do Brasil.
AVENTURAS PRODUÇÕES E EDIÇÕES EDUCATIVAS LTDA.
Desde 1996 especializada em Cinema, TV/Streaming e WEB para Aventuras,
Expedições Científicas, Ambientalismo, e Sustentabilidade. Entre seus projetos se
destacam o documentário oficial das celebrações no mar do 500º aniversário do
descobrimento do Brasil no ano 2000. Para o centenário da imigração japonesa no Brasil
em 2008 produziu o documentário oficial, lançado nos cinemas no Japão e no Brasil, e o
Nipo Cine Brasil, um festival de cinema brasileiro no Japão de 2006 a 2008, e Mostra de
Cinema Paulistano em Tóquio. De 2008 a 2010 a Aventuras Produções produziu o
documentário da Expedição Phoenicia, um projeto multinacional de pesquisa
arqueológica que circunavegou o continente Africano com o suporte do British Museum,
Musée de Marseille, e da Royal Geographical Society. De 2015 a 2017 a Aventuras
Produções produziu, com o Canadá, Reino Unido e EUA, o primeiro filme IMAX
Brasileiro, o Amazon Adventure 3D, que segue sendo exibido ao redor do mundo. Este
filme recebeu até o momento 7 prêmios internacionais, inclusive 2 Lumiére da Hollywood
Advanced Imaging Society. No Brasil de 2012 a 2019 a Aventuras Produções lançou
séries de TV sobre povos indígenas, os grandes rios brasileiros, turismo especializado,
entre outros temas, exibidos em diversos canais de TV por assinatura. De 2019 a 2020
222
produziu a Phoenicians Before Columbus Expedition, navegando do norte da África até
a Flórida nos EUA na mesma réplica de navio Fenício do ano 600 AC, um projeto
internacional em parceria com a campanha Clean Seas do Programa da ONU para o Meio
Ambiente, entre outras entidades internacionais. Atualmente a Aventuras Produções
segue desenvolvendo projetos ousados como filmes longa-metragem e expedições
científicas e culturais em parceria com produtoras estrangeiras líderes para mercado
internacional.
Figura 1 – Apresentação de dança típica (Xaxado e Coco de roda) por grupo cultural em
Piranhas – AL. Novembro/2021.
Figura 2 – Gravação de entrevista com o Mestre do Rio e Fundador do Museu Ambiental
Casa do Velho Chico, Jackson Borges, em Traipu – AL. Outubro/2021.
223
Figura 3 – Entrevista com historiador local do Baixo São Francisco. Outubro/2021.
Figura 4 – Registro de atividade tradicional de agricultores em casa de farinha do Baixo
São Francisco. Novembro/2021.
REFERÊNCIAS DIGITAIS
Aventuras Produções e Edições Educativas Ltda.
Site: www.aventura.com.br
Canal no Youtube: https://www.youtube.com/canalsanada
e-mail: aventura@aventura.com.br
224
EXTENSÃO RURAL E ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MUNICÍPIOS NO
BAIXO SÃO FRANCISCO: INCLUSÃO SOCIAL E RURALIDADES
Fabiano Leite Gomes; José Luciano Ilário; Araken Rodrigues Gonzaga; José Elísio da
Silva Gomes; Naciel da Silva Campos; Patrícia Lanne Marques de Farias Nanes;
William Antônio Raposo Rodrigues; Cinara Bernardo da Silva; Cleice Fátima
Gonçalves Alves; Amanda Graça Gomes Ferreira; Tania Maria Barbosa Vieira Costa;
Pedro Felipe Queiroz Azevedo Santos; Raul Gonçalves Silva; Rita de Cássia Ferreira.
Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas EMATER - AL
1 INTRODUÇÃO
O Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas EMATER/AL, autarquia de regime especial vinculada à Secretaria de Estado da
Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri), foi criada através da Lei 7.291, de 01
de dezembro de 2011 (EMATER, 2021).
Fomenta a agricultura familiar, a partir do acompanhamento técnico e a
capacitação dos agricultores (as), é a missão. Trabalhará ainda a diversificação da
produção e o consumo e o consumo de alimentos regionais, com base nas especificidades
culturais e em práticas alimentares promotoras da saúde, de forma a garantir a segurança
alimentar e nutricional das famílias alagoanas (EMATER, 2021).
A nova PNATER (Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural)
traz a perspectiva e as diretrizes um novo perfil de Assistência Técnica e Extensão Rural
– Ater, capaz de contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar e no paradigma
de estilos de agricultura de base ecológica, alicerçados na Agroecologia e no
desenvolvimento rural sustentável.
Temáticas como a adoção de tecnologias de base sustentável (CAPORAL;
COSTABEBER, 2000) e a participação dos agricultores e agricultoras nos processos
socioprodutivos (PINTO, 1998).
O projeto Lagoas do São Francisco é executado pela EMATER por meio de
Cooperação Técnica com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA),
a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) e o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto visa ofertar alternativas
225
tecnológicas e fortalecer o setor agropecuário dos municípios de Pariconha e Piranhas.
As estratégias adotadas buscam uma consciência ecológica, com intuito de diminuir o uso
excessivo de agrotóxicos e dos recursos naturais, além de minimizar a degradação
ambiental da região semiárida.
O objetivo do artigo é caracterizar ações dos programas e políticas públicas de
ATER no âmbito socioeconômico e ambiental dos beneficiários (as) para o
desenvolvimento rural sustentável nas bases da Agroecologia.
2 METODOLOGIA
A área de estudo compreendeu os municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu,
São Brás, Igreja Nova e Penedo, área de atuação da EMATER/AL nos projetos Lagoas
do São Francisco e Dom Hélder Câmara, municípios estes com ações da IV Expedição
Científica do Baixo São Francisco, no período de 01 à 10 de novembro de 2021.
O público das ações de inclusão socioprodutivas são agricultores e agricultoras
familiares, povos tradicionais (quilombolas e indígenas) e pescadores tradicionais. As
atividades são realizadas a partir do diagnóstico T0, cadastro das famílias, T1 e T2,
realizadas entrevistas semiestruturadas qualitativas e quantitativas.
A metodologia participativa surge como proposta de gerar empoderamento, e
deve ser integrativa, interativa e atingir a escala de autogestão, na qual os sujeitos não
apenas são consultados ou informados, mas são ativos, co-participantes nos processos
de tomada de decisão e mudança da realidade (VERDEJO, 2006).
3 RESULTADOS
3.1 Projeto Lagos do São Francisco e as interfaces com cadeias socioprodutivas
A fim de promover o desenvolvimento sustentável por meio da ATER e
transferência de tecnologia, o projeto atua nas cadeias produtivas da olericultura,
bovinocultura, ovinocaprinocultura, apicultura, fruticultura em áreas irrigadas e de
sequeiro, entre outros. Desta maneira, com o objetivo de incorporar em sistemas
produtivos, resultados de pesquisas e alternativas tecnológicas que visam proporcionar
incremento da produtividade, redução de custos de produção, desenvolvimento
sustentável e melhoria da qualidade de vida das famílias. O projeto promove instalações
pedagógicas participativas de Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) em áreas
de produção na cadeia produtiva da apicultura, do suporte forrageiro e culturas
226
alimentares e horticultura, bem como, a implantação de unidades de beneficiamento, além
do monitoramento, avaliações partícipes das tecnologias e intercâmbios camponês a
camponês.
No espaço dos CATs é promovido a difusão e transferência de tecnologias para
técnicos, produtores rurais, agentes de desenvolvimento rural e líderes comunitários da
região beneficiária.
3.1.1 Piranhas
A promoção do desenvolvimento rural sustentável por meio da pesquisa
científica, da ATER e de processos de educação contextualizada e dialógica busca
assegurar a melhoria da qualidade de vida dos agricultores e agricultoras, a segurança e
soberania alimentar.
A EMATER desenvolve ações no município de Piranhas nas áreas das políticas
públicas como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estadual, Programa Nacional
da Alimentação Escolar (PNAE), garantia safra e crédito rural orientado em parceria com
o Banco do Nordeste (BNB), além do programa Planta Alagoas. O projeto Lagos apoia
os CATs com matérias e insumos tais: sementes de sorgo cultivar BRS Ponta Negra,
milho cultivar BRS Gorutuba, vermífugo para bovinos e ovinos, sementes de gliricídia e
mudas de umbu gigante (enxertado) (Figura 1)
As atividades de orientação técnica buscam promover percepções, dialógica
participativa, pedagogia da alternância (tempo-escola e tempo-comunidade) visando
redesenhar os agroecossistemas familiares frente às mudanças climáticas globais, visando
adotar tecnologias sociais para agricultura de baixa emissão de carbono (ABC) para a
convivência com o semiárido e a recuperação ambiental em face aos processos de
desertificação.
Na tabela 1, têm-se a totalidade de nove agricultores experimentadores que estão
em processo das instalações dos CATs com ênfase no suporte forrageiro para as criações
de pequenos animais (ovinocaprinocultura) e culturas alimentares de sequeiro. Os CATs
foram implementados em cinco comunidades rurais (Alto do Capiá, Dois Riachos, Picos,
Ouricuri e Salinas, quais terão o foco de irradiar, reunir atores locais circunvizinhos e
construir saberes acerca do conhecimento agroecológico.
Figura 1: Acompanhamento técnico aos agricultores (as) do Lago do São Francisco,
Piranhas-AL.
227
Tabela 1: Instalações de Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) na promoção
de forrageiras e culturas alimentares, Piranhas-AL
Nº
01
02
03
04
05
06
07
08
09
Forrageiras e Culturas Alimentares
Agricultores
Comunidades
Alaisio Nobre Pereira
Alto do Capiá
Joao Baltazar da Silva
Dois Riachos
Irandir Alves Lacerda
Dois Riachos
Aloisio Manoel Lima
Dois Riachos
Ronaldo dos santos
Dois Riachos
José Alderis da Silva
Picos
Rodrigo Vieira de Farias
Ouricuri
José Mário Rodrigues Lacerda
Dois Riachos
Jorge Bezerra Rodrigues
Salinas
Na tabela 2, os CATs em apicultura contemplam dez agricultores cadastrados e
experimentadores que estão em processo das instalações, inseridos em seis comunidades
(Queimada Redonda, Passagem do Meio, Lages, Sítio Volta, Panelas, Barrão). A
atividade apícola é potencial e consolidada no município e território do alto sertão, haja
visto, do empreendimento instalado da cooperativa dos produtores de mel, insumos e
produtos da agricultura familiar (COOPEAPIS).
Tabela 2: Instalações Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) na promoção da
apicultura, Piranhas-AL
228
Nº
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
Agricultores
Manoel Eraldo Araújo
Lucas Silva Vieira
José Adeilson Felix da Silva
Damião Bezerra Lima
Ivan Lisboa
José Ivan Bezerra da Silva
Joelson Viana Porfírio
Jose Everaldo Rodrigues Filho
Jivanilson Silva dos Santos
Abraão de Souza Barros
Comunidades
Queimada Redonda
Lages
Passagem do Meio
Sítio Volta
Queimada Redonda
Passagem do Meio
Passagem do Meio
Panelas
Lages
Sítio Barrão
3.2 Projeto Dom Helder Câmara
O Projeto Dom Helder Câmara (PDHC) é executado através de instrumento
específico de parceria que entre si celebram a Agência Nacional de Assistência Técnica
e Extensão Rural (ANATER) e o Instituto de Inovação Para o Desenvolvimento Rural
Sustentável (EMATER), que tem a finalidade de prestação dos serviços de ATER em 21
municípios do semiárido alagoano (alto e médio sertão) aos agricultores(as) familiares
em situação pobreza e de extrema pobreza, no âmbito do Programa de Fomento às
Atividades Produtivas Rurais.
O objetivo do PDHC é promover a inclusão produtiva e social das famílias de
agricultores e agricultoras familiares, contribuindo para o enfrentamento das condições
de pobreza no semiárido alagoano e melhoria da qualidade de vida, através de ações
estratégicas de combate à pobreza com inclusão social e produtiva à 1974 famílias de
agricultores (as), com a finalidade de reduzir a vulnerabilidade de famílias em situação
de extrema pobreza.
O público beneficiário da ação de ATER neste projeto será, prioritariamente,
aquele estabelecido na legislação federal concernente à agricultura familiar. Neste
sentido, destacamse, agricultores familiares (AF) mulheres agricultoras (MA); mulheres jovens rurais
(MJR). Após a etapa de identificação serão selecionados a quantidade de agricultores (as)
rurais nos municípios, área de atuação do projeto, por categoria social, conforme critério
de renda, para enquadramento como beneficiários (as).
3.2.1 Piranhas
229
Além do programa Lagoas do São Francisco, há em execução concomitante do
PDHC, com cadastros de 104 famílias, das quais 50 receberam o fomento agropecuário
no valor de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais) para empreendimentos sociais no
âmbito da ovinocultura, avicultura e suinocultura com infraestruturas que caracterizam
os recursos locais e a promoção da ambiência animal, com raças adaptadas às condições
climática do semiárido e do bioma Caatinga. As demais 74 famílias receberam
acompanhamento sistemático de orientações técnicas alicerçadas na Agroecologia e na
transição a estilos de agricultura de base ecológica e de baixo carbono.
Outras demandas são atendidas no âmbito das políticas públicas, à exemplo do
PAA - doação simultânea que a EMATER cadastrou 10 beneficiários (as) da agricultura
familiar cooperados da COPEAPIS com vendas limite por família individual de até R$
6.500,00 (seis mil e quinhentos reais), sendo o mel e bolos diversos os produtos do
processamento agroindustrial localizado no distrito Piau; foram emitidas e renovadas 800
declaração de aptidão ao PRONAF (DAP); realizado 80 cadastrados ambientais (CAR)
visando o registro e a regulação fundiária no aspecto ambiental; a cadeia produtiva do
leite é pequena, com número de 03 beneficiários atendidos sistematicamente nas
temáticas produção e conservação de forragens, plantio de palma forrageira (Figura 2),
nutrição animal, manejo zootécnico e boas práticas de higiene da ordenha.
Figura 2: Acompanhamento técnico aos agricultores (as) do PDHC, Piranhas-AL.
A ATER remota foi uma estratégia de acompanhamento e monitoramento das
famílias do PDHC para o pandemia COVID-19, quais a equipe técnica realizou
orientações técnicas, encontros e atendimentos virtuais as demandas diárias da produção
agropecuária no âmbito da convivência com o semiárido. Limitações na zona rural para
230
o enfrentamento a pandemia foi a conectividade - regular a instável, ora também inviável
a conexão, redes móveis - sinal das operadoras baixo a inexistentes e a qualidade do
aparelho celular - memória RAM. Dentre os desafios elencam-se o distanciamento físico
entre o agente de ATER, os grupos sociais e a família beneficiária, o fluxo das
documentações e a saudade.
3.2.2 Pão de Açúcar
As ações de ATER do PDHC totalizam 70 beneficiários no município de Pão de
Açúcar, com 09 desistências com razões diversas, tais, oportunidades de trabalho em
centros urbanos no sul/sudeste/centro-oeste no território brasileiro.
Na tabela 3 vê-se as diversas cadeias produtivas apoiadas e desenvolvidas no
âmbito do programa, com destaque a suinocultura familiar com 17 fomentos,
representando 47,22% dos projetos para os empreendimentos socioprodutivos. Em
seguida a atividade ovinocaprinocultura representa 25%, seguida da avicultura 11.11% e
as atividades não agrícolas totalizando 18,75% do montante, compreendidas atividades
de artesanato, confecção e produção de doces/salgados. A diversidade dos
empreendimentos sociais destaca as pluriatividades dos negócios orientados pela ATER
emancipa, valora o potencial endógeno dos camponeses e camponesas. Quando analisado
por categoria, têm-se 52.94% e 47,05% beneficiários (as) recebem fomento e apoio
técnico especializado para o desenvolvimento das diversas atividades agropecuárias e não
agrícolas, respectivamente.
Quanto à questão de gênero nos programas reunidos de fomento e ATER, 92,65%
e 7,35%, são cadastrados (as) mulheres e homens, respectivos. É destacável o papel e o
protagonismo das mulheres no campo, na proteção da família, segurança alimentar e no
provimento à vida, ao cuidado domiciliar e comunitário, como vivenciados nos espaços
das relações sociais dos trabalhos de ATER. É notório o cuidado e zelo das mesmas nas
criações, assiduidade nas atividades coletivas, nos registros e guardiães das anotações do
diário da atividade empreendida. Ao contrário, somente os homens que tem criações de
bovinos, plantam feijão, milho e palma.
A atividade suinocultura vem sendo realizado orientações técnicas para o
tratamento dos dejetos sólidos e líquidos por meio de fossas impermeabilizada, visando
o ajustamento do passivo ambiental. Também, tem o grupo de mulheres que se organizam
para criações em granja coletiva na comunidade Meirús.
231
Em relação ao PAA - doação simultânea, 29 famílias cadastradas, com a compra
dos produtos oriundos dos quintais produtivos: limão, banana, macaxeira, batata-doce,
mamão, frangos e ovos.
Tabela 3: Cadeia produtiva e programas de ATER no município de Pão de Açúcar-AL
Cadeia
produtiva
Ovino
Caprino
Suíno
Aves
Artesanato
Confecção
Doces e salgado
Total
Categoria
Fomento ATER
03
06
17
04
02
02
02
36
03
06
18
05
00
00
00
32
Gênero
Mulher
Homem
06
12
31
08
02
02
02
63
00
00
04
01
00
00
00
05
Total
06
12
35
09
02
02
02
3.3 Projeto Fomento
O acordo de cooperação técnica (ACT) entre EMATER/SEAGRI/Ministério da
Cidadania (MC) tem a finalidade de prestar os serviços de ATER aos agricultores (as)
familiares em situação pobreza e de extrema pobreza nas gerências regionais do Agreste
I, Agreste II, Médio Sertão e Grande Mata Alagoana do Estado de Alagoas no âmbito do
Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais.
O Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais visa desenvolver ações
estratégicas de combate à pobreza com inclusão social e produtiva das famílias através
dos serviços de ATER. Objetiva reduzir a vulnerabilidade de famílias em situação de
pobreza, ampliar a segurança alimentar e nutricional, aumentar a renda e incentivar o
acesso a outras políticas públicas no âmbito municipal e estadual.
As ações são viabilizadas por meio de atividades estratégicas de inclusão
produtiva rural, que articula a oferta de ATER e o repasse de recursos financeiros não
reembolsáveis para apoiar a estruturação produtiva das famílias através de projetos
agropecuários e não agrícolas inseridos nas seguintes cadeias produtivas:
• Pecuária: avicultura, bovinocultura, caprinocultura, ovinocultura, piscicultura,
suinocultura;
• Agrícola: fruticultura, horticultura, raízes e tubérculos;
• Não-agrícola: atividades diversas desenvolvidas no meio rural para subsistência das
famílias.
232
A gestão do projeto está fundamentada no modelo de gestão participativa,
conforme pactuado no ACT entre MC/SEAD/SEAGRI/EMATER, os papéis de cada
instituição são descritos abaixo:
❖ MC, emite lista orientadora com famílias oriundas do CadUnico com recorte de renda
de extrema pobreza;
❖ SEAGRI indica o fiscal do projeto para análise e aprovação das propostas colocadas
no Sistema de Informatizado de Assistência Técnica e Extensão Rural – SIATER;
❖ EMATER/AL – Entidade executora, seleciona o público beneficiário, qualifica a
demanda e elabora os projetos produtivos para aquisição do fomento.
3.3.1 Traipu
No município de Traipu, região agreste I, são atendidas pela ATER total de 110
unidades produtivas pelo projeto de fomento às atividades produtivas rurais, sendo 90
beneficiárias do sexo gênero feminino e 20 do sexo masculino.
O município foi beneficiado em dois momentos pelos projetos contrato ACT/2014
e o contrato ACT/2017, quantitativos de 42 e 68 projetos, respectivamente. Os projetos
do contrato de 2014 beneficiaram unidades produtivas que possuíam a tecnologia social
cisterna da 1ª água (água de beber para consumo humano, capacidade 16 mil litros) e a 2ª
água (produção agrícola e dessedentação animal), cisterna calçadão, com 52 mil litros.
O recurso liberado pelo governo referente ao contrato de 2014 totalizou um
montante de R$126.000,00 reais, ou seja, cada família recebeu R$3.000 reais em parcelas
de R$1.800 e 1.200 reais. O contrato de 2017 injetou na economia local do município
valores de R$163.200,00 reais. Cada família recebeu um fomento de R$2.400,00 reais,
em parcelas de R$1.400,00 e R$1.000,00 reais, sendo os recursos para apoiar os projetos
agropecuários e não agrícolas inseridos nas cadeias produtivas destacadas acima (Figura
3).
Atualmente, estão ativos e acompanhados pela EMATER, 76 projetos, sendo 46
projetos na cadeia produtiva da ovinocultura, 20 projetos na avicultura e 10 projetos na
suinocultura. Além do projeto de fomento às atividades produtivas rurais, a EMATER
também executa e acompanha programas como o PAA estadual - doação simultânea,
desenvolvimento e inclusão social na política pública emissão de declarações de aptidão
ao Pronaf – DAP (ano 2021 - 348 emissões e renovações) e nas inscrições anuais do
Programa Garantia Safra, ano safra 2020/2021 - 1.256 inscritos e safra 2021/2022: 1.313
233
inscritos). Cerca de 1.500 agricultores e agricultoras receberam sementes do programa
Planta Alagoas, das quais 76 receberam acompanhamento continuado desde o plantio até
a colheita.
Figura 3: Fomento rural apoia o empreendedorismo socioprodutivo de agricultores (as),
Traipu-AL.
4. São Brás
O município de São Brás está localizado às margens do Rio São Francisco, no
estado de Alagoas. Suas terras foram habitadas pelos índios das tribos Tupinambás,
Karapatós, Aconãs e Kariris. Com a chegada dos bandeirantes a partir do século XVII, a
região começou a ser colonizada e surgiu o desenvolvimento da atividade agropecuária,
com destaque a bovinocultura e atividade orizícola já foi de grande empenho
socioeconômico.
As atividades da ATER iniciou em setembro de 2021 visita técnica aos
agricultores do povoado Lagoa Comprida, extensionista Patrícia Lanne. O objetivo da
atividade foi apresentar os serviços de ATER no âmbito das políticas e programas
públicos desenvolvidos pela EMATER. Posteriormente foi realizada reunião com o
Supervisor Regional da Emater Agreste I, Agentes de Ater (Patrícia Lanne e Guilherme
Menezes), Secretário Municipal de Agricultura, Agentes do Banco do Nordeste de
Sergipe, lideranças municipais e da comunidade local (agricultores e pescadores) e
colônia de pescadores demandaram a criação de associação comunitária no povoado com
objetivo de viabilizar as iniciativas dos associados transformando-as em ações de
estímulo à produção e à comercialização agropecuária. Em novembro realizou reunião
234
para discutir sobre o estatuto social da associação, estrutura administração, funções,
participação e livros de registros (ata das atividades, cadastros de sócios (as) entre outras.
5. Igreja Nova
O município de Igreja Nova pulsa o setor agropecuário diversificado, com
atividade em regime de sequeiro (feijão, milho, mandioca, inhame, laranja, quintais
produtivos e pastagem) nas comunidades de Alecrim, Quaresma e Cabo do Pasto, além
de área destaque 2.672 hectares irrigadas com as culturas da cana de açúcar, arroz,
pastagem, horticultura e fruticultura - destaque a bananicultura, localizada no perímetro
irrigado do Boacica (DIB).
É um dos municípios do baixo são francisco com maiores produtores de arroz do
estado de Alagoas, com reconhecida importância no desenvolvimento socioeconômico.
Além disso, tem-se atividades aquícolas, com destaque a criação de tilápias, tambaquis e
camarões. No município está localizado dois parques industriais do agronegócio, à saber
a unidade Marituba - usina Caeté, do setor sucroenergético, do Grupo Carlos Lyra, e
noutro o setor orizícola industrial, através da UBA (Usina de Beneficiamento de Arroz),
pertencente ao Grupo Santana.
O projeto público do perímetro de irrigação do Boacica possui uma área irrigável
de cerca de 2.762 hectares, com infraestrutura: - 150 km de canais; - 146 km de drenos;
- 122 km de estradas; - 46,6 km de diques; - 3 estações de bombeamento.
O DIB conta com 767 lotes que possuem como principal cultura o arroz. Além
dela, são produzidas ainda cana-de-açúcar e frutas, além das atividades de piscicultura,
carcinicultura e bovinocultura leiteira. Atualmente aproximadamente 275 agricultores
produzem arroz no município, com média de produtividade de 8 ton ha¹. A banana
irrigada é produzida nos povoados Cajueiro e Chinaré com aproximadamente 30 ha, além
da mandioca e macaxeira, bastante produzida em todo território Igrejanovense com
aproximadamente 5.000 toneladas de produção anual. A atividade apícola é promovida
no povoado Jenipapo, com o processo associativo de 30 apicultores, onde está instalada
a agroindústria casa do mel (em construção).
A EMATER com serviços de ATER atendem sistematicamente 120 agricultores
(as), com assistência técnica voltada às culturas do arroz, banana, macaxeira, milho e
feijão. Foram emitidos aproximadamente 500 DAPs no ano de 2021 e 100 CAR emitidos
ou retificados. Quanto ao PAA estadual - doação simultânea foram cadastrados (as) 26
agricultores (as), 04 entidades beneficiadas (CAPS, CRAS Palmeira dos Negros, creche
235
municipal, escola municipal do povoado Capim Grosso), movimentação financeira local
R$ 167.556,69 reais, comercializados 59,1 toneladas de alimentos. O programa Planta
Alagoas distribuiu sementes de milho, feijão e arroz para 550 beneficiários (as) (Figura
4).
Figura 4: Ações da EMATER no PAA estadual – doação simultânea e no programa Planta
Alagoas, Igreja Nova-AL.
6. Penedo
O município de Penedo totaliza 80 agricultores (as) diretamente assistidos pela
EMATER, possuindo uma diversidade de culturas, com destaque a atividade a
horticultura no sítio Nazário, raízes (macaxeira e mandioca) e túberas (inhame), com
potencial para a fruticultura (culturas do maracujá, banana, laranja e mamão) no território
municipal.
Os serviços de ATER contemplou a emissão de 250 DAPs no ano de 2021. O
PAA estadual - modalidade doação simultânea no ano de 2020/2021 cadastrou 16
agricultores (as), beneficiando diretamente 07 entidades públicas e privadas, sendo: Casa
do Bom Samaritano, Centro Juvenil Nossa Senhora Auxiliadora, CAPS Oceano Carleal,
ACRESC, Escola Profissional Lar de Nazaré, Casa de Ranquines e Serviço de
Convivência e Fortalecimento de Vínculo. O PAA movimentou mais de R$100.000,00
reais na economia do município (Figura 5).
Figura 5: Ações da EMATER no PAA estadual – doação simultânea, Penedo-AL.
236
O Programa Planta Alagoas beneficiou 230 agricultores (as) com sementes de
feijão de arranca, milho e feijão de corda, além de 2 toneladas de sementes de arroz para
os rizicultores do Povoado Marizeiro.
A criação de pequenos animais cresce ano a ano no município, com destaque a
suinocultura no povoado Quilombola Tabuleiro dos Negros. Embora no município ainda
prevaleça estilos da agricultura convencional, herança da monocultura da cana-de-açúcar,
gradativamente promovemos a transição agroecológica as unidades de produção familiar
com orientações ao controle alternativo de insetos-praga, preparo e uso de extratos
botânicos e calda fitoprotetoras e práticas agroecológicas para a recuperação do solo,
principalmente em áreas de cultivo de hortaliças.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ações da ATER pública da EMATER/AL desenvolvem-se em prol à promoção
do desenvolvimento rural sustentável alinhados aos objetivos de desenvolvimento
sustentável/Organização das Nações Unidas (ODS/ONU) e a política/programa nacional
da NOVATER de promover a inclusão social, a diversificação, os valores locais e
culturais dos povos tradicionais e agricultores (as) alicerçados nas bases da Agroecologia,
visando a oferta regular e continuada dos alimentos in natura e processados aos circuitos
curtos de comercialização (feiras livres) e mercado institucional (PAA e PNAE), fixando
e empoderamento a família rural no papel social prover a segurança, soberania alimentar
e nutricional à humanidade.
Os projetos executados e em conclusão PDHC, fomento rural e Lagos do São
Francisco tem espelhados formas exitosas de desenvolver a ATER participativa, que
reconhece e valoriza os saberes dos povos das comunidades, desenvolver formas
organizacionais em grupo e associações para produção e comercialização e a pedagogia
237
da alternância, do exemplo como os CATs e as unidades de referência em sistema de
produção agroecológico e tecnologias sociais (biodigestor, fogão ecológico e círculo
bananeira - reuso da água cinza para produção agroalimentar).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
http://www.emater.al.gov.br/institucional/, acesso em 30-11-2021.
CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia e desenvolvimento sustentável:
perspectivas para uma nova extensão rural. Agroecologia e desenvolvimento rural
sustentável, Porto Alegre, v.1, n. 1, p. 16-37, jan/mar, 2000.
PINTO, Abelardo G. A construção de uma nova extensão rural: o potencial dos
técnicos da rede pública de São Paulo. 114 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia
Agrícola). Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 1998.
VERDEJO, M. E. Diagnóstico Rural Participativo: Guia Prático DRP. Brasília, MDA/
Secretaria da Agricultura Familiar, 2006.
238
CARACTERIZAÇÃO E MONITORAMENTO DA AÇÃO ANTRÓPICA NO BSF
A PARTIR DE IMAGENS MULTIESPECTRAIS E RGB OBTIDAS POR VANT
(VEÍCULO AÉREO NÃO TRIPULADO)
Rychardson Rocha de Araujo e João Thiago Gomes de Farias
Universidade Federal de Sergipe (UFS) e CODEVASF – 5ª SR/AL
INTRODUÇÃO
Ocupando 8% do território nacional, a bacia hidrográfica do rio São Francisco
(BHSF) compreende uma extensão 2.863 km e uma área de drenagem de
aproximadamente 640 mil km². O São Francisco passa por cinco estados brasileiros:
Minas Gerais, onde o rio nasce na Serra da Canastra, percorrendo os estados da Bahia e
Pernambuco, até o Oceano Atlântico, onde deságua na divisa dos estados de Alagoas e
Sergipe.
O Rio São Francisco é responsável por, aproximadamente, 70% da
disponibilidade hídrica superficiais do Nordeste com uma população de 18,2 milhões de
habitantes. Constituindo uma das 12 regiões hidrográficas brasileiras, a bacia foi dividida
em quatro regiões fisiográficas: Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco. No Alto,
Médio e Baixo São Francisco, há predominância de solos com aptidão para a agricultura
irrigada. A região possui cerca de 35,5 milhões de hectares agricultáveis, com maior
concentração nas áreas urbanas e vales observando-se o crescimento da agricultura de
sequeiro, em especial para a produção de milho e soja, da pecuária, com ênfase na
bovinocultura e caprinocultura, da pesca e aquicultura, da indústria e agroindústria, das
atividades minerais, e das atividades ligadas ao turismo e lazer.
A expansão urbana e agrícola sobre as áreas com recursos naturais vem causando
impactos ambientais que devem ser investigados e seus benefícios ponderados com os
danos gerados. Assim, a substituição da vegetação nativa para implantação de lavouras,
a instalação de indústrias ou a liberação de produtos tóxicos na natureza geram passivos
ambientais e seus efeitos nocivos precisam ser mitigados.
No Brasil o uso das geotecnologias é recorrente em diversas áreas do
conhecimento científico, tornando-se indispensáveis em pesquisas geográficas e no
monitoramento ambiental. Aliada as geotecnologias está o geoprocessamento de
informações de dados da superfície terrestre, englobando o agrupamento de tecnologias
associadas à coleta de dados, processamento e tratamento da informação espacial, análise
239
e oferta de informações com referência geográfica. Com o avanço da tecnologia digital
os custos para o mapeamento da paisagem têm diminuído e, atualmente, os Veículos
Aéreos Não Tripulados (VANT) tem se popularizado como nova plataforma para o
sensoriamento remoto.
Os VANT são utilizados em diversas aplicações como cadastro de propriedades,
documentação arqueológica, agricultura de precisão, pesquisas geomorfológicas de
detalhe, no monitoramento de áreas degradadas, identificação de corpos hídricos, entre
outras. A utilização de VANT em estudos ambientais colabora em tempo real na precisão
e reconhecimento de áreas de variadas extensões, oferecendo suporte com auxílio de
imagens aéreas de alta resolução, propiciando o mapeamento das áreas de estudo e o
desenvolvimento das pesquisas nesse âmbito.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho é corroborar as potencialidades de
utilização do VANT em caracterização e monitoramento de campo da ação antrópica na
bacia do Rio São Francisco, utilizando imagens multiespectrais e RGB e atestar sua
aplicabilidade na análise de dados de cálculo de áreas de voçorocas, identificação de áreas
de assoreamento provocados por processos erosivos, determinação de áreas de
preservação permanente (APPs) e caracterização da cobertura vegetal com imagens
multiespectrais.
METODOLOGIA
Para a realização dessa pesquisa, utilizou-se o equipamento VANT eBee Plus com
tecnologia RTK/PPK embarcada, permitindo a acurácia posicional de até 3 cm sem
utilização de pontos de controle em solo (Figura 1). A câmera utilizada para obtenção das
imagens RGB foi a senseFly S.O.D.A. com resolução 5,472 x 3,648 px (3:2) (Figura 2A).
Para obtenção das imagens multiespectrais foi utilizado a câmera Micasense Parrot
Sequoia (Figura 2B) que possui 4 sensores espectrais autocalibrados através de um sensor
solar integrado a câmera, que realiza a calibração radiométrica das imagens em tempo
real, facilitando assim o processamento das imagens e resultando em análises mais
precisas, além disso a Parrot Sequoia também possui um sensor RGB de 16 megapixel
integrado a seu corpo.
240
Figura 1. Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) - Modelo eBee Plus RTK/PPK
A
B
Figura 2. (A) Câmera senseFly S.O.D.A. - (B) Micasense Parrot Sequoia
O planejamento de cada voo foi realizado no software eMotion 3. A altura do voo
foi estabelecida em 120 metros, velocidade média de 12 m/s -1 e sobreposição frontal e
lateral de 80% (Figura 3A e 3B). Os locais de lançamento do VANT foram reconhecidos
previamente pois se faz necessário um raio de 50 m sem obstáculos para que a aeronave
possa decolar e pousar sem problema de barreiras físicas em solo (Figura 4).
241
A
B
I
Figura 3. (A) Planejamento de voo software eMotion 3 e (B) Monitoramento do voo em
tempo real
Figura 4. Lançamento do VANT eBee Plus
O mapeamento aéreo foi realizado ultrapassando a área dos limites de interesse.
Este procedimento é necessário para evitar o efeito de bordadura no processamento e
delimitar a área de estudo. As imagens foram ajustadas georreferenciadas em coordenadas
242
de referência à superfície terrestre com auxílio de uma base GNSS RTK em solo (Figura
5). O procedimento foi realizado no software eMotion 3 utilizando o arquivo “.log”,
gerado após a execução de cada plano de voo.
Figura 5. Base GNSS RTK em solo.
Para o processamento das imagens, foi utilizado o software Agisoft Metashepe
Profissional®. O software possui um fluxo automatizado para processar as imagens,
utilizando algoritmos SIFT (Scale-Invarinat Feature Transform). Este algoritmo é capaz
de identificar pontos de interesse, geração de descritores e correspondência entre os
pontos, caracterizando os pontos homólogos. As imagens correspondentes são definidas
pelas coordenadas espaciais, capturadas pelo sistema RTK/PPK da aeronave.
Nesse modelo de mapeamento aéreo, o produto gerado é o modelo digital de
superfície (MDS), com identificação dos objetos acima do solo. Para obtenção do modelo
digital de elevação (MDE) foi realizado a filtragem da nuvem de pontos sobre a forma de
uma malha triangular. O MDE foi utilizado para a geração do ortomosaico e todos os
conjuntos de dados foram exportados em formato Geotiff. Os mapas finais serão
elaborados com auxílios do software livre QGIS.
RESULTADOS ESPERADOS
Os resultados preliminares estão restritos ao processamento inicial das cidades de
Piranhas, Pão de Açúcar e Traipu, em Alagoas (Tabela 1; Figuras 6 e 7). Os demais dados
243
das cidades de Propriá-SE, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu, em Alagoas, estão em fase
de processamento.
Tabela 1 - Áreas de mapeamento e seus respectivos municípios.
MUNICÍPIO
Piranhas – AL
Pão de Açúcar – AL
Traipu – AL
ÁREA
MAPEADA
76 ha
50 ha
60 ha
ÁREA
PROCESSADA
60 ha
48 ha
58 há
RGB
410
358
260
Nº DE FOTOS
MULTIESPECTRAL
95
479
263
Figura 6. Área de estudo no município de Pão de Açúcar - Al. 2021
A
B
Figura 7. Área de estudo no município de Piranhas – Al (A) e Traipu – Al (B). 2021
CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Com a conclusão do processamento das imagens RGB e multiespectrais, pretendese identificar e calcular presença de voçorocas, áreas de assoreamento, identificação de
244
pontos de contaminação por lançamento de esgoto, qualidade e caracterização da
cobertura vegetal com imagens.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
APARECIDO, C. F. F.; VANZELA, L. S.; VAZQUEZ, G. H.; LIMA, R. C. Manejo de
bacias hidrográficas e sua influência sobre os recursos hídricos. Revista Irriga, Botucatu,
v. 21, n. 2, p. 239-256, mai./jun. 2016. Disponível em: doi:
https://doi.org/10.15809/irriga.2016v21n2p239-256
CASTRO, CÉSAR NUNES DE. Revitalização da bacia hidrográfica do rio São Francisco
: histórico, diagnóstico e desafios / César Nunes de Castro, Caroline Nascimento Pereira.
– Brasília : IPEA, 2019.
COUTINHO, L. M. Mapeamento de uso do solo e Áreas de Preservação Permanente
(APP) na bacia do Córrego Itabira, Cachoeiro de Itapemirim-ES. In: Simpósio Brasileiro
de Sensoriamento Remoto, 17. 2015, João Pessoa. Anais... João Pessoa: INPE, 2015.
JÚNIOR, L. R. A. Análise de produtos cartográficos obtidos com câmera digital não
métrica acoplada a um veículo aéreo não tripulado em áreas urbanas e rurais no estado de
goiás. 2015. 114 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) Instituto de Estudos
Socioambientais, Universidade Federal de Goiás. Goiânia, 2015.
LEITE, M. E; ALMEIDA, M. I. S; VELOSO, G. A; FERREIRA, M. F. F. Sensoriamento
remoto aplicado ao mapeamento da dinâmica do uso do solo na Bacia do Rio Pacuí, no
norte de Minas Gerais, nos anos de 1989,1999 e 2009. Revista do departamento de
geografia – USP. São Paulo, v. 23, 2012. Disponível em: <
http://www.revistas.usp.br/rdg/article/view/47211/50947 >
LINHARES, M. M. A. Uso de veículo aéreo não tripulado na determinação de índice de
vegetação em área de pastagem em Nova Mutum-MT. 2016. 121 f. Dissertação (Mestrado
em Geografia) Instituto de Estudos Socioambientais, Universidade Federal de Goiás.
Goiânia, 2016.
MELESSE, A.M. et al. Remote Sensing Sensors and Applications in Environmental
Resources Mapping and Modelling. Sensor, v.7, p. 3209-3241, 2007.
245
FOSSAS AGROECOLÓGICAS PARA O TRATAMENTO DE EFLUENTES
SANITÁRIOS EM ESCOLA MUNICIPAIS DO BAIXO SÃO FRANCISCO
Eduardo Lucena Cavalcante de Amorim
CTEC – UFAL
INTRODUÇÃO
Os efluentes e resíduos gerados de atividades sanitárias humanas são normalmente
tratados por sistemas convencionais, como as fossas sépticas, que se instaladas de maneira
errada podem provocar impactos ambientes e à saúde humana. O lançamento de esgoto
em córregos e rios é uma das principais causas da degradação de mananciais de água
potável, sendo desejável a pesquisa de formas eficientes de tratamento do esgoto
domiciliar in loco e reuso.
O custo elevado e a falta de mão de obra qualificada para a construção correta de
sistemas convencionais, aliado à falta de infraestrutura em sistemas de esgotamento
sanitário nas zonas rurais dos municípios brasileiros, são fatores que agravam o problema
fora do meio urbano.
A região do baixo São Francisco possui afluentes importantes, a situação dos
domicílios sem tratamento de esgoto se apresenta como uma questão imperativa, pois o
lançamento de efluentes sanitários não tratados diretamente no leito do rio é um dos
principais problemas que a bacia enfrenta.
Diante do exposto, a utilização de “Fossas Agroecológicas” pode ser uma alternativa
viável para resolver parte do problema supramencionado, pois beneficiará escolas e
comunidades da zona rural de municípios da região do baixo São Francisco. O presente
relatório visa apresentar as ações especificamente relacionadas à implantação de fossas
agroecológicas para tratamento do esgoto sanitário em Escolas municipais em municípios
do baixo São Francisco.
METODOLOGIA
Antes da realização da IV Expedição Científica do Rio São Francisco foram
realizadas visitas e oficinas em quatro escolas contempladas com a construção de fossas
agroecológicas. Os municípios e escolas que foram contemplados com as fossas
agroecológicas foram: Piranhas-AL (Escola Municipal Frei Damião), Pão de Açúcar-AL
(Escola Municipal Ronalço dos Anjos), Igreja Nova-AL (Escola Municipal de Educação
246
Básica Rivanda Santos Gomes) e Penedo-AL (Escola Municipal de Educação Básica
Wilton Lisboa Lucena).
Durante a Expedição foram realizadas ações de educação ambiental, nas escolas
citadas anteriormente, integrada à entrega das fossas agroecológicas com a finalidade de
emponderar a comunidade escolar do sistema de tratamento de esgoto da escola.
Após a Expedição às ações de capacitação e acompanhamento da operação e
monitoramento das fossas agroecológicas continuam sendo realizadas. Além disso, o
acompanhamento da conclusão das obras de fossas agroecológicas e mobilização de
outros municípios para construção do sistema de tratamento de esgoto em escolas.
- Construção das Fossas agroecológicas
A opção pela implantação das Bacias de Evapotranspiração (BET) (Figura 1), para o
tratamento de águas escuras, em conjunto com Círculos de Bananeira (CB), para o
tratamento de águas cinzas, utilizou não só o critério ambiental, por se tratarem de solução
sustentável e barata para o tratamento de esgoto em zona rural, mas também condições
hidrogeológicas locais verificadas em visita a campo.
Figura 1 - Ilustrações das seções transversais e longitudinais do BET.
Fonte: Ormonde, 2014.
O dimensionamento do Círculo de Bananeiras é empírico e, segundo Leal (2016)
- EMATER/MG, deve ser escavado um círculo de 1,40 m de diâmetro e 0,60 m de
profundidade, formando um cilindro no solo (V = π X 0,72 X 0,60 = 0,92 m 3) (Figura 2).
Figura 2: Desenho esquemático do círculo de bananeiras.
247
Fonte: Leal, 2016.
Por fim, apresenta-se uma planta esquemática para implantação do conjunto BET,
CB, CG e CPs (Figura 3).
Figura 3: Planta esquemática do BET com o CB.
Fonte: DHF Consultoria e Engenharia, 2019.
A primeira capacitação ocorreu, em 15 de setembro de 2021, na secretaria de
agricultura localizada no Piau em Piranhas/AL (Figura 4). Ainda no dia 15 de setembro
de 2021 foi realizada uma visita à Escola Municipal Frei Damião, a qual foi implantanda
a fossa agroecológica, com a finalidade de levantar de informações necessárias para
implantação e locação do sistema de tratamento (Figura 5)
248
Figura 4: Capacitação realizada à equipe de Piranhas para construção das fossas
agroecológicas.
Figura 5: Visita à Escola Municipal Frei Damião.
No dia 16 de setembro de 2021 foi realizada uma capacitação na Escola Municipal
Ronalço dos Anjos, localizada em Pão de Açúcar /AL, para treinamento da equipe que
construiu a fossa agroecológica e também para realização de levantamento de
informações necessárias para implantação do sistema de tratamento (Figura 6).
No dia 20 de outubro de 2021 foi realizada uma capacitação na Escola Municipal de
Educação Básica Rivanda Santos Gomes, localizada no povoado Cajueiro em Pão de
Açúcar/AL, para treinamento da equipe que construiu a fossa agroecológica e também
para realização de levantamento de informações necessárias para implantação do sistema
de tratamento (Figura 7).
Figura 6: Visita à Escola Municipal Ronalço dos Anjos.
249
Figura 7: Visita à Escola Municipal de Educação Básica Rivanda Santos Gomes.
Além disso, também foi realizada uma oficina virtual para capacitação da equipe de
engenharia da prefeitura de Penedo/AL para construção da fossa agroecológica na Escola
Municipal de Educação Básica Wilton Lisboa Lucena.
RESULTADOS OBTIDOS
Ações durante a expedição
Durante a expedição, no dia 01 de novembro de 2021, foi realizada a entrega da
fossa agroecológica na Escola Municipal Frei Damião, localizada no Povoado Passagem
do Meio em Piranhas/AL. Também foi realizada ação de educação ambiental integrada à
entrega da fossa agroecológica (Figura 8). Detalhes da construção da fossa agroecológica
na Escola Municipal Frei Damião, localizada no Povoado Passagem do Meio em
Piranhas/AL (Figura 9).
Figura 8: Entrega da fossa agroecológica e educação ambiental na Escola Municipal
Frei Damião, localizada no Povoado Passagem do Meio em Piranhas/AL.
250
Figura 9: Detalhes da construção da fossa agroecológica e educação ambiental na Escola
Municipal Frei Damião, no Povoado Passagem do Meio em Piranhas/AL.
251
No dia 2 de novembro de 2021 foi realizada a entrega da fossa agroecológica na
Escola Municipal Ronalço dos Anjos, localizada em Pão de Açúcar/AL. Também foi
realizada ação de educação ambiental integrada à entrega da fossa agroecológica, (Figura
10).
Figura 10: Entrega da fossa agroecológica e educação ambiental na Escola Municipal
Ronalço dos Anjos, localizada em Pão de Açúcar/AL.
No dia 6 de novembro de 2021 foi realizada uma visita à Escola Municipal de
Educação Básica Rivanda Santos Gomes para acompanhamento da construção da fossa
252
agroecológica na E. M. de Educação Básica Rivanda Santos Gomes, localizada no
povoado Cajueiro em Igreja Nova/AL.
No dia 8 de novembro de 2021 foi realizada uma visita à Escola Municipal de
Educação Básica Wilton Lisboa Lucena, em Penedo/AL, para acompanhamento da
construção da fossa agroecológica, bem como a realização de educação ambiental
integrada.
Ações pós-expedição
A equipe da expedição continua realizando ações de capacitação e
acompanhamento da operação e monitoramento das fossas agroecológicas construídas.
Além disso, o acompanhamento da conclusão das obras de fossas agroecológicas e
mobilização de outros municípios para construção do sistema de tratamento de esgoto em
escolas.
Também foi realizada uma reunião virtual com representantes do BNDES, em 01
de dezembro de 2021, para apresentar a experiência da expedição na construção das
fossas agroecológicas e ações de educação ambiental (Figura 11).
Figura 14: Reunião virtual com representantes do BNDES.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CBHSF. Plano de recursos hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco 20162025. 2016. Disponível em: <http://bit.ly/2Qaxuvp>. Acesso em: 20 mai. 2019.
GALBIATI, A. F. Tratamento domiciliar de águas negras através de tanque de
evapotranspiração. 2009. 52 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Tecnologias
Ambientais, Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul, Campo Grande, MS, 2009.
253
VIEIRA, I. Bacia de evapotranspiração. Criciúma: Setelombas, 2010. Disponível em:
<http://bit.ly/2VQPbX0>. Acesso em: 20 mai. 2019.
LEAL, J.T.C.P. Círculo de bananeiras para tratamento de efluentes rurais. Belo
Horizonte: EMATER-MG, 2016. 5 p.
ORMONDE, K.X.O. O passo a passo da construção de um tanque de evapotranspiração.
2014. Disponível em: <http://bit.ly/2Im8jT3>. Acesso em: 25 maio 2019.
PRODUÇÃO AUDIOVISUAL ”MEMÓRIAS DO VELHO CHICO”
Emerson Fonseca Oliveira Filho
Graduando do curso de Agroecologia – CECA / UFAL.
INTRODUÇÃO:
Na IV Expedição Científica do Baixo São Francisco foi feito um levantamento
através da oralidade ancestral dos pescadores e ribeirinhos mais antigos de todo o baixo,
esse levantamento tem como objetivo confirmar o que os pesquisadores vêm encontrando
de resultados no barco laboratório nos últimos quatro anos de pesquisa, cruzando as
informações para um diagnóstico mais preciso sobre as condições atuais do rio no que diz
respeito a pesca, agricultura, navegação e qualidade da água.
METODOLOGIA:
As entrevistas foram realizadas do dia 01 a 10 de novembro de 2021, todas
registradas em áudio e vídeo, sendo utilizados para gravação desse material câmeras do
tipo DSLR Canon 80d, Canon T7i, ambas com qualidade de imagem full HD, e para a
captação de áudio foram utilizados microfones direcionais RODE PRO, que fornecem
um áudio de alta qualidade, os registros foram feitos nos municípios de Piranhas, Pão de
Açúcar, São Brás (figura 01), Penedo, Propriá e Neópolis (figura 02). Com esses
equipamentos, foi possível registrar as vivências das pessoas entrevistadas, que
forneceram informações valiosas sobre como era a pesca na região, quais as espécies de
peixes eram abundantes há trinta ou quarenta anos atrás, a navegabilidade no rio, a vazão
254
natural do rio, as grandes enchentes e o impacto disso na agricultura local, e o que mudou
depois da instalação das usinas hidroelétricas na região do baixo São Francisco.
Figura 01. Entrevista pescador de São Brás – AL.
Figura 02. Entrevista pescador de Neópolis – SE.
255
RESULTADOS PARCIAIS:
Depois da instalação das usinas hidroelétricas na região do baixo São Francisco
os impactos ambientais e sociais tornam-se muito evidentes, as grandes embarcações que
navegavam livremente em toda extensão do rio e que realizavam atividades comerciais e
de transporte de pessoas tiveram que parar as suas atividades devido a vazão reduzida,
trazendo um impacto negativo principalmente para o comércio em muitos municípios, a
atividade pesqueira foi talvez a mais afetada, o fenômeno da piracema não ocorre mais,
o que comprometeu a reprodução das espécies, diminuindo drasticamente ao longo dos
anos a população de peixes no rio, causando assim o desaparecimento de algumas
espécies nativas como, por exemplo, a Tubarana, o Mandin, o Camurupim, a Xira, a
Pilombeta, e o camarão Pitú que praticamente está extinto no São Francisco, isso afetou
drasticamente a subsistência dos pescadores que hoje saem para pescar e por diversas
vezes retornam para suas casas sem ter conseguido pescar nada, as espécies nativas que
ainda ocorrem em relativa abundância são: o Piau, a Pirambeba e o Pacu, as espécies
exóticas também são encontradas segundo relatos desses pescadores a exemplo do
Tucunaré, Tilápia e o Cará-Boi. A agricultura também foi comprometida pois as práticas
de cultivo eram similares as que ocorriam no rio Nilo na África, as enchentes naturais que
ocorriam anualmente, inundavam as margens e as várzeas, depositando uma grande
quantidade de matéria orgânica, propiciando assim uma excelente colheita para os
agricultores, gerando renda e uma melhor qualidade de vida, no entanto com a vazão do
rio tão baixa esse tipo de agricultura desapareceu, e por fim o lançamento de efluentes
domésticos sem tratamento adequado que compromete a qualidade da água do Rio São
Francisco e a saúde dos ribeirinhos.
256
A GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO BAIXO RIO SÃO FRANCISCO
Angelo José Rodrigues Lima
Observatório da Governança das Águas (OGA – MT)
1 - INTRODUÇÃO
Este relatório tem o objetivo de apresentar a experiência e o trabalho relativo ao
tema da governança desenvolvido durante a IV Expedição Científica do Rio São Franciso.
O relatório também apresentará a situação da governança dos municípios do Baixo Rio
São Francisco para entender os desafios e as perspectivas de trabalho para realizar a
gestão das águas na região, em especial com um olhar integrando água – ambiente –
saneamento e manejo e uso do território. Ressalta-se o aprendizado obtido ao buscar
compreender o que cada um dos componentes da Expedição estava realizando.
2- METODOLOGIA
A Metodologia inicialmente apresentada para trabalhar o tema da governança foi
a realização de palestras apresentando o Protocolo de Monitoramento da Governança das
Águas que foi construído na rede do Observatório da Governança das Águas.
O oferecimento da palestra foi possível graças à colaboração do Professor Vieira
que inseriu o responsável por este relatório na rede de WhatsApp dos diversos municípios
por onde a expedição passou.
3- RESULTADOS ESPERADOS.
3.1. Contextualizando a metodologia e o trabalho de campo.
Antes de falar dos resultados, considerando a metodologia apresentada é
importante falar do conceito de governança que adotamos para construir o Protocolo de
Monitoramento da Governança das Águas
O conceito de governança é bastante amplo e por isso a apresentação sobre ele
será focada naquilo que foi incorporado na construção do conceito adotado pelo
257
Observatório da Governança das Águas que tem total conexão com o modelo de gestão
de recursos hídricos preconizado pela Lei 9433/97, conhecida como a Lei das Águas.
A governança hídrica pode ser definida pelos sistemas políticos, sociais, econômicos e
administrativos que afetam os usos, o desenvolvimento e a gestão dos recursos hídricos,
referindo-se ainda a entrega ou serviços de água para diferentes usos e usuários (ZUFFO;
ZUFFO, 2016).
Na prática, espera-se que a governança da água determine quem fica com o que,
quando, como e, quem tem o direito à água, aos serviços e aos benefícios correlatos, o
que pressupõe o reflexo das aspirações da sociedade na tomada de decisões pela
administração pública, e não a defesa de interesses específicos de determinados setores
(ZUFFO; ZUFFO, 2016).
A Organização das Nações Unidas – ONU publicou, em 2013, “O guia do
usuário para avaliação da governança”, o qual propõe a análise da dinâmica da
governança a partir de quatro dimensões: dimensão social, diz respeito à igualdade de
acesso e uso dos recursos hídricos, incluindo a distribuição equitativa de tais recursos e
serviços aos vários atores sociais e econômicos; dimensão econômica, dá destaque à
eficiência na locação de água e uso; dimensão política, concentra-se em fornecer
igualdade de direitos e oportunidades aos interessados para participação nos processos de
tomada de decisão; e dimensão ambiental, enfatiza os usos sustentáveis da água e dos
serviços ecossistêmicos existentes (ZUFFO; ZUFFO, 2016).
Já a Global Water Partnership (2002, p. 1) define a governança das águas como
“o conjunto de sistemas políticos, sociais, econômicos e administrativos disponíveis
para aproveitar e gerenciar os recursos hídricos, e distribuir os serviços hídricos nos
distintos níveis da sociedade”.
Foi a partir destes conceitos e do modelo de governança das águas adotado a partir
da Política Nacional de Recursos Hídricos que foi construído o Protocolo de
Monitoramento da Governança das Águas e foi ele que incialmente foi sugerido para
apresentar nos municípios do baixo Rio São Francisco.
A construção do Protocolo foi estimulada a partir do momento que o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) caracteriza-se como um
sistema complexo e ousado, assentado na necessidade de intensa articulação e ação
coordenada entre as diferentes esferas, atores e políticas para a sua efetiva implementação
indicando assim que a Governança é um elemento importante deste Sistema. Tendo
258
governança, é muito provável que se obtenha maiores resultados de gestão. Por isso, a
construção do Protocolo de Monitoramento da Governança das Águas.
O que é o Protocolo de Monitoramento da Governança das Águas?
O Protocolo é uma ferramenta para monitorar a governança das águas. No âmbito
do Protocolo foram construídos 55 indicadores de governança distribuídos nas 5
dimensões abaixo.
Figura 1. As cinco dimensões do Protocolo de Monitoramento da Governança das Águas.
Pode-se observar e compreender o que os indicadores verificam em cada uma das
dimensões, possibilitando assim, uma análise da governança por dimensão e por
indicadores.
Quais são os benefícios de adotar o Protocolo de Monitoramento da Governança das
Águas?
É essencial compreender, de forma resumida, quais são os benefícios de adotar o
Protocolo (Figura 2).
259
Figura 2. Os benefícios do monitoramento da governança.
Como foi o trabalho de campo?
O trabalho de campo relativo a esta atividade iniciou-se na cidade de Piranhas,
quando da realização de uma reunião com a presença do Prefeito, Secretário de Meio
Ambiente, Professor Vieira, Professor Eduardo e outros colegas (Figura 3).
Figura 3. Reunião com a gestão municipal de Piranhas - AL.
Nesta reunião, a intenção era de apresentar o Protocolo, porém, logo se percebeu
que com a presença do Prefeito Municipal, o debate teve de ser mais pragmático e menos
conceitual, o que acabou combinando de forma adequada com o pensamento da
Expedição de fortalecer a construção de um Fórum de Prefeitos do Baixo São Francisco.
Aliás, um dos indicadores de governança que está na Dimensão Relações
Intergovernamentais, é exatamente verificar a existência de Fóruns de Prefeitos, Fóruns
de Secretários de Meio Ambiente e outros fóruns no âmbito das estruturas do Poder
260
Público Federal, Estadual e Municipal para articulação e integração de políticas públicas
a partir da bacia hidrográfica como unidade de planejamento. Dentre as Secretarias da
Prefeitura, existe a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Pesca.
- Estrutura da Secretaria em Piranhas
Segundo o Secretário de Meio Ambiente e Pesca, a estrutura da Secretaria é
composta pelo Secretário, por um Engenheiro Sanitarista, um Técnico na área jurídica e
mais 2 (funcionários) na área de pesca.
Não tem orçamento próprio, usa a receita compartilhada, porém, considerando o
ICMS Verde desenvolveram a Política Municipal de Resíduos Sólidos e por isso, deverão
receber a partir do ano que vem em torno de R$14.000,00 (catorze mil reais).
Importante ressaltar que após esta reunião realizada em Piranhas, todas as outras
realizadas nos outros municípios se deram da mesma forma.
Pão de Açucar - AL
A reunião realizada em Pão de Açucar também teve a presença do Prefeito,
Professor Vieira e diversos Secretários. Novamente o diálogo foi em torno da construção
do Fórum de Prefeitos. O Prefeito Municipal se mostrou bastante sensível para colaborar
com a formação do Fórum, inclusive, colocando a cidade de Pão de Açucar para sediar a
1ª reunião deste Fórum.
No que diz respeito à estrutura da Prefeitura, abaixo apresenta-se o organograma
da Prefeitura, que demonstra a existência de uma Secretaria Municipal de Agricultura,
Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
É de chamar a atenção de que o município tenha incorporado os recursos hídricos
na pasta da Secretaria, porém, é importante saber qual é a estrutura que existe para saber
se de fato, ela permite que o município também implemente alguma política pública
relacionada à água.
Não tivemos sucesso na obtenção da informação de qual é a estrutura desta
Secretaria, nem mesmo as fotos da reunião.
Outra questão importante foi que depois desta reunião, foi realizado um diálogo
com o Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – Sr. Maciel
Nunes de Oliveira que concordou em colaborar com a construção do Fórum de Prefeitos
do Baixo Rio São Francisco.
261
Traipu - AL
Em Traipu, a reunião aconteceu com a presença do Prefeito Municipal, Presidente
do CBH São Francisco e do Professor Vieira e também foi apresentada a proposta da
formação do Fórum de Prefeitos (Figura 4).
O Prefeito Municipal também disse que ia colaborar com a formação do Fórum e
desta forma ficou de participar das articulações para a construção deste.
Figura 4. Reunião com a gestão municipal de Traipu - AL.
O Secretário informou que a estrutura da Secretaria de Meio Ambiente é composta
apenas por ele e que tem também a Secretaria de Agricultura que tem o Secretário,
Coordenador de pesca, Médico Veterinária. Técnico em Agropecuária, 2 auxiliares de
serviços gerais e 3 auxiliares administrativos.
GARARU (SE)
No município de Gararu, a passagem foi rápida, mas o Professor Vieira conversou
rapidamente com a Prefeita Municipal que se prontificou em colaborar com a formação
do Fórum de Prefeitos. Na estrutura administrativa da Prefeitura, existe a Secretaria
Municipal de Agricultura e Meio Ambiente.
No site da Prefeitura encontram-se informações sobre as competências da
Secretaria, mas não tem informação sobre a estrutura desta.
SÃO BRÁS (AL)
A reunião em São Brás aconteceu com a presença do Prefeito, Professor Vieira e
outros Secretários. O Prefeito Municipal que parece bastante comprometido com a causa
do São Francisco, pois inclusive compareceu na abertura da Expedição que foi realizada
em Piranhas, também se mostrou sensível a formação do Fórum.
262
A Prefeitura não tem uma Secretaria de Meio Ambiente.
PROPRIÁ (AL)
A reunião no município de Propriá também contou com a presença do Prefeito,
Professor Vieira e outros secretários. O Prefeito Municipal também se colocou à
disposição para colaborar com a formação do Fórum de Prefeitos
Na estrutura da Prefeitura, existe a Secretaria Municipal de Turismo e
Desenvolvimento Sustentável, porém, não foi possível saber a estrutura desta secretaria,
nem mesmo buscando no site da Prefeitura Municipal.
IGREJA NOVA/SE (CHINARÉ)
Em Igreja Nova foi realizada a reunião com a Prefeita Municipal, tendo a presença
do Professor Emerson e do Professor Vieira, Professor Jackson (Mestre do Rio) e
Secretários e Secretárias. A reunião foi bastante interessante pois muitos assuntos foram
tratados, sendo que um deles foi a construção do Fórum de Prefeitos e a Prefeita
Municipal saiu bastante sensibilizada para colaborar com a formação do Fórum.
Na estrutura administrativa do município existe a Secretaria Municipal de
Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, porém, não foi possível ter acesso as informações
sobre a estrutura da Secretaria.
PENEDO (AL)
Em Penedo não teve reunião com o Prefeito Municipal, pois ele não se encontrava
presente na cidade. Ficou estabelecido que o Prefeito faria uma reunião em Maceió com
a participação do Professor Vieira.
Na estrutura administrativa da Prefeitura, existe a Secretaria Municipal de Meio
Ambiente e Recursos Hídricos.
Em conversa informal com o Secretário de Meio Ambiente, foi obtida a
informação de que existe um corpo técnico de 10 profissionais, porém, no site da
Prefeitura esta informação não foi encontrada.
Vale registrar que em Penedo tem na estrutura administrativa a presença do
Serviço Autônomo de Água e Esgoto do município.
PIAÇABUÇU (AL)
263
A reunião em Piaçabuçu também não aconteceu pelo fato do Prefeito Municipal
não se encontrar na cidade e ficou estabelecida que haverá uma reunião online com o
Prefeito. No site da Prefeitura verifica-se que não existe uma Secretaria de Meio
Ambiente e não foi possível saber em que pasta a questão ambiental é atendida.
Palestra para os Expedicionários e para público externo no dia 7 de novembro
No dia 7 de novembro, foi realizada uma apresentação sobre o Observatório da
Governança das Águas e o Protocolo de Monitoramento.
Para assistir basta acessar o link:
https://www.instagram.com/tv/CV_0hnKFON9/?utm_medium=copy_link
Oportunidade de participar de uma entrevista sobre o São Francisco e a
Expedição.
https://globoplay.globo.com/v/10031919/
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Os desafios que existem para a gestão das águas no Baixo Rio São Francisco são
enormes, por isso, nos parece necessário chamar a atenção para o tema da governança dos
municípios para que tenham condições de implementar políticas públicas relacionadas
com a água e o saneamento.
São muitos problemas que puderam ser verificados no Baixo São Francisco,
portanto, é necessário que os municípios também tenham estrutura para dar conta disso.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é um grande parceiro neste
processo, por exemplo, vários planos municipais de saneamento foram elaborados com
os recursos da cobrança pelo uso da água aprovados pelo CBH São Francisco.
Será importante reforçar o tema e a importância da governança para a sociedade
do Baixo Rio São Francisco, pois sem esta será difícil que os municípios atendam a
demanda e os desafios da região.
Foi uma bela oportunidade de analisar a questão, ao mesmo tempo em que é
preocupante a falta de estrutura dos municípios da região do Baixo São Francisco, o que
infelizmente não é uma exclusividade da região.
Talvez seja importante realizar um levantamento mais detalhado para ter um
quadro da governança dos municípios, inclusive para que isto possa ser tratado no Fórum
de Prefeitos.
264
A governança é um elemento importante para a implantação de políticas públicas,
sem esta é muito difícil que isto aconteça, inclusive pode dificultar a participação social
na construção destas políticas.
O Rio da Minha Aldeia - Fernando Pessoa
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o tejo não mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele
4- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
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