Relatório da I Expedição Científica do Baixo São Francisco

Ano: 2018

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RELATORIO SÃO FRANCISCO FINAL JUNHO DE 2019 1 expedição cientifica.pdf
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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

Iº EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA DO BAIXO SÃO
FRANCISCO: RESGATE HISTÓRICO E RADIOGRAFIA
ATUAL DO VELHO CHICO
EQUIPE PRINCIPAL:
Coordenação:
Prof. Dr. Emerson Carlos Soares – UFAL/CECA
Vice-coordenação:
Prof. Dr. Leonardo Viana Pereira – UFAL/IC
Pesquisadores:
Prof. Dr. José Vieira Silva – UFAL/Campus Arapiraca
Prof. Dra. Themis de Jesus da Silva – UFAL/CECA
Dr. Carlos Alberto da Silva – EMBRAPA/Tabuleiros Costeiros
Dr. Marcus Aurélio Soares Cruz - EMBRAPA/Tabuleiros Costeiros
Prof. Dr. Elton Lima Santos - UFAL/CECA
Dra. Misleni Ricarte Lima – UFAL/CECA
Mestranda Vivian Costa Vasconcelos –UFAL/CECA
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Dr. Evaristo Pérez Rial- Instituto Español de Oceanografía-Centro de Vigo/Espanha
Profa. Dra. Jerusa Maria Oliveira – UFAL/ICBS
Prof. Dr. Gilberto Schwertner Filho – CTI-NE/IFCE
Prof. Dr. Rafael Navas – UFAL/CECA
Prof. Dr. Ricardo Araújo Ferreira Junior - UFAL/CECA
Doutorando Ticiano Almeida Oliveira – UFS-PRODEMA
Prof. Dr. Petrônio Alves Coelho Filho – UFAL/ Campus Arapiraca-unidade Penedo
Prof. Dr. Igor da Mata Oliveira – UFAL/ Campus Arapiraca-unidade Penedo
M.Sc. Renato Nunes Nascimento – UFAL/CECA
Eng. Remo Raulison de Oliveira – Robótica ambiental, CTI-NE

PESQUISADORES DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA:
Bolsista Guilherme Netter- UFAL/CECA
Bolsista Júlia de Souza Vieira – UFAL/ICBS
Bolsista Marco Yves de Aguiar – UFAL/Unidade Penedo
Bolsista Jhennipher da Silva Pereira – UFAL/Unidade Penedo
Bolsista Álex Fernando da Silva Santos- UFS/EMBRAPA
Bolsista Emily Valentim de Souza - UFAL/CECA
Bolsista Rivaldo Danilo dos Santos - UFAL/Unidade Penedo
Bolsista Teresa Reis Simões - UFAL/Unidade Penedo
PARCEIROS E APOIADORES:
CBHSF; FAPEAL; UFAL; EMBRAPA; EMATER; MCTI.

Maceió, 26 de junho de 2019.
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INTRODUÇÃO
O Baixo São Francisco é uma das regiões mais conflitantes do Nordeste, devido
localizar-se em ambiente árido, onde a água é a principal força motriz das comunidades
rurais, assim fatores ligados a pesca e aquicultura, geração de energia elétrica, poluição
oriunda dos esgotos das cidades, assoreamento, uso de agrotóxicos em culturas as
margens do rio, desmatamento da vegetação marginal, avanço da cunha salina, alterações
de vazão, endemismo de espécies, entre outras atividades, refletem diretamente na vida
social, econômica e ambiental desta mesorregião.
Segundo Rodrigues (2014), o crescimento populacional e crescente urbanização,
produz e libera no ambiente dezenas de milhares de compostos químicos. Dentre as áreas
que apresentam maior risco ambiental, destaca-se o entorno dos cursos de água, por onde
substâncias com potencial citotóxico são levadas para rios como o São Francisco
aumentando a poluição devido rejeitos da agricultura, e/ou das cidades marginais a sua
calha. Por outro lado, agrotóxicos quando aplicados sobre os campos de cultivo, atingem
os corpos límnicos através da água da chuva, irrigação ou por percolação no solo,
causando eutrofização e intoxicação para a comunidade aquática (Futon et al. 2001;
Cincinelli et al. 2013).
Os municípios localizados no entorno do Baixo São Francisco produzem
principalmente de cana-de-açúcar (34.000 ha) e arroz (1.590 ha) (IBGE, 2014). Por outro
lado, Nascimento e Oliveira (2016), observaram que as áreas dedicadas às pastagens
predominaram com cerca de 58,37% do total, enquanto a classe agrícola, ocupa 15,77%.
Quanto a vegetação nativa, a área corresponde a 10,96%, sendo dispersa por toda a área,
em pequenos fragmentos e concentrada na bacia do rio Moxotó. Sabe-se que parte destas
culturas utilizam pesticidas como base para o manejo, entretanto não existem informações
a respeito dos principais princípios ativos utilizados e dos impactos na qualidade da água
e as suas consequências para a vida aquática.
O regime de vazões do rio São Francisco nessa região é regido pelos reservatórios
localizados nas partes mais altas da bacia, como as barragens de Sobradinho, Itaparica e
Xingó, cujas afluências foram reduzidas nos últimos anos, devido ao uso inadequado da
terra, com redução da produção de água na bacia e aumento da erosão do solo, bem como
sucessivos períodos de seca (CHESF, 2017). Como consequência, há uma redução
gradual dos fluxos mínimos no rio, com impactos significativos, dentre os quais o avanço
da cunha salina na região da foz.

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Associados a esta questão, a menor capacidade depurativa do rio resultado de
vazões mais baixas ao longo de períodos mais longos, contribui significativamente para
a manutenção de poluentes em concentrações prejudiciais à biota, consumo e irrigação de
culturas (Medeiros et al., 2016). Para ser ter uma ideia, a vazão do rio São Francisco foi
reduzida drasticamente nos últimos anos de 1.300 m³/s em 2012 para 550 m³/s em 2017
(Resolução ANA no 1.291/2017), como efeito imediato foi detectado o aumento da
salinidade na foz do São Francisco, onde Santana et al. (2017), observou concentração
média de salinidade entre 0,17 a 28,87 ‰.
Existem várias consequências dessas reduções para o Baixo São Francisco, no
entanto, o avanço da cunha salina sobre o rio trouxe impactos significativos para os
ecossistemas e para a população local, com provável aumento da concentração de
poluentes, interferência negativa em atividades econômicas como a pesca e a rizicultura
e pode inviabilizar, em último caso, a utilização as águas para fins de abastecimento
humano. Possivelmente, os efeitos desta salinização estão promovendo alterações na
biota local, com aumento da competição entre espécies, diminuição dos estoques
pesqueiros, desaparecimento de algumas espécies de peixes e crustáceos, e o surgimento
de outros afeitos a ambientes salinizados (Soares et al., 2011; Gonçalves, 2016; Medeiros
et al., 2016; Barbosa & Soares, 2017; Barbosa et al., 2018).
Esse cenário tem mostrado sinais de piora nos últimos anos, e pode ser acelerado à
exploração excessiva de recursos naturais, como a remoção de mata ciliar em rios
tributários e o baixo nível de tratamento de esgoto urbano nos municípios da região, com
impactos agravados pela ocorrência de longos períodos de seca, levando a decisões
gerenciais que não promoveram adequadamente os usos múltiplos da água do rio (Cunha,
2015). A supressão da vegetação nas margens do rio contribui para o aumento do
assoreamento e processos erosivos do solo, influenciando na diminuição de organismos,
por serem importantes redutos de biodiversidade e indicador de preservação ambiental
(Chabaribery et al., 2008; Morais Filho, 2014; Aparecido et al., 2016).
Já a atividade da pesca do baixo São Francisco, tem acompanhado as mudanças no
regime hidrológico do rio e devido as alterações causadas pelas barragens e hidroelétricas,
estas contribuíram para a redução das áreas de captura e destruição de habitats como as
lagoas marginais, consideradas berçários de muitas espécies aquáticas, que
conjuntamente com métodos de capturas não permitidos, vem ocasionando o declínio da
biodiversidade de organismos aquáticos (Lourenço, 2016).

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Dados do início da década de 2010, indicavam a curimatã pacu Prochilodus
argenteus (Characiformes, Prochilodontidae) e o piau Leporinus obtusidens
(Anostomidae, Characiformes) como espécies mais abundantes (Barbosa e Soares 2009,
Soares et al., 2011), entretanto relatos de pescadores locais sugerem que desde 2015, estas
populações vêm declinando, e estes indivíduos que juntos, chegaram a representar cerca
de 55% das capturas na microrregião de Penedo, possivelmente não estejam entre as cinco
principais espécies comercializadas (Soares et al., 2011, Barbosa et al., 2017).
Tratando-se de outras atividades agropecuárias na região, verifica-se uma
diminuição da capacidade produtiva dos setores econômicos que dependem da flutuação
dos níveis de água para o seu desenvolvimento adequado, como o cultivo de arroz e a
piscicultura, por exemplo; e logicamente, uma diminuição nos índices de
desenvolvimento humano da população da região (Cunha, 2015). Contudo, a rizicultura,
vem sendo substituída gradativamente nos últimos anos pela carcinicultura, utilizando os
mesmos viveiros antes usados no cultivo de arroz, com pequenas obras de adequação,
reforço dos taludes e adequação das comportas de abastecimento d’água (Barbosa et al.,
2018).
A maioria das pessoas tem uma imagem da vida rural associada a um ambiente
tranquilo, harmonioso e saudável. O isolamento, os problemas financeiros, as condições
climáticas, a falta de cuidados com a saúde e a insegurança são fatores que podem ter
contribuído para a mudança dessa imagem (Poletto, 2009). Os transtornos mentais,
neurológicos e por uso de substâncias são responsáveis por 14% da carga global de
doenças, sendo que 75% da carga global de doenças neuropsiquiátricas advém de países
de baixa renda (OMS, 2008).
Os TMCs é uma terminologia utilizada para a caracterização de quadros
sintomáticos não psicóticos e sem patologia orgânica associada. Embora não preencham
os critérios formais para diagnóstico de depressão e/ou ansiedade, reúnem sintomas
depressivos e psicossomáticos, tais como insônia, fadiga, dificuldade de concentração
que, além de causarem intenso sofrimento psíquico, geram incapacidade funcional
(Carlotto, Amazarray, Chinazzo, & Taborda, 2011).
Devido a todas modificações que vem acontecendo no Baixo São Francisco, foi
realizada uma grande expedição de 8 dias em cinco pontos de coletas, com intuito de
coletar, conhecer, quantificar, analisar e investigar possíveis condições econômicas,
sociais e ambientais, quanto a aspectos de poluentes, e agrotóxicos, ictiofauna, limnologia
(qualidade físico-química e microbiológica), dados econômicos e sociais

das
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comunidades de pescadores e de agricultores, desmatamento e assoreamento das
margens, comercialização do pescado e intrusão salina, com a finalidade de retratar a
situação atual desta mesorregião.

MATERIAL E MÉTODOS
As coletas foram realizadas nos municípios Alagoanos de Traipú, Porto Real do
Colégio, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçú, região do Baixo São Francisco, perfazendo
um trajeto por hidrovia, de aproximadamente 140 km, no mês de outubro de 2018 (Figura
1).

Figura 1. Locais percorridos e estações de coleta da I Expedição do Baixo São Francisco.
WAT – Qualidade de água; CLI – Variáveis climáticas; SED- Sedimento; FIS – Coleta
de peixes; SOC – Coleta de aspectos sociais

Aplicação de questionários, entrevistas e reuniões
Foram realizadas visitas as secretarias de meio-ambiente e de agricultura, associação
de agricultores e colônia de pescadores de cada município alvo do estudo em conjunto com
a EMATER- Alagoas onde foram definidos os grupos e contatos buscando relatar a
experiência com agricultura, bem como os problemas e potencialidades existentes.
Posteriormente, em reuniões conduzidas nas sedes destas secretarias e no próprio barcolaboratório da expedição, aplicaram-se questionários semiestruturados sobre aspectos de uso
e ocupação do solo, educação ambiental, produção agropecuária, extensão rural, métodos de
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captura e conservação do pescado, principais problemas enfrentados, conflitos, uso de
agrotóxicos, etc. Em seguida, realizaram-se levantamentos in loco, através de registros
fotográficos e visitas às margens e áreas ribeirinhas a calha do rio São Francisco.
O método de pesquisa etnoecológico considera que o conhecimento do homem
sobre o ambiente sempre tem um efeito sobre seus atos. A sistematização buscou a análise
metodológica quantitativa e qualitativa dos dados levantados, através das vivências de
campo junto às comunidades pescadoras da região. Foram levantadas variáveis
ambientais, econômicas e sociais dos grupos entrevistados, a fim de demonstrar a
vulnerabilidade das comunidades/famílias em relação aos seus causadores de alterações.
Também são descritas as formas de resiliência e organização social dos grupos
acompanhados. Os dados foram coletados entre setembro e novembro de 2018.
Para o levantamento dos dados, foram realizadas conversas e atividades de
diagnóstico rápido participativo, seguindo a proposta de Walliman (2015) e o
monitoramento das informações seguiu a proposta de Franco (2004). Neste levantamento,
foram abordados temas, divididos em três grandes eixos: Produtivo, Social/Educacional
e Ambiental. Nestes, foram discutidos subtemas, levantados problemas, suas medidas de
ordenamento e a indicação de órgãos e entidades responsáveis.
Ações de educação ambiental nas comunidades
Durante o período da expedição foram realizadas visitas nas escolas dos
municípios/povoados ribeirinhos onde ocorreram as paradas para coletas de materiais,
informações e aplicação de questionários. Foram visitadas as seguintes escolas: Escola
Estadual Dona Santa Bulhões, em Porto Real do Colégio (AL); Escola Municipal de
Educação Básica General Artur da Costa e Silva, no Povoado Chinaré, em Igreja Nova (AL);
Escola Municipal de Educação Básica Prof° Douglas Apratto Tenório, em Penedo (AL); e
Escola Estadual Correia Titara, em Piaçabuçu (AL).
O objetivo desta atividade foi conhecer a realidade local, o grau de conhecimento e
envolvimento dos jovens com os problemas ambientais, além de questionar os alunos e
professores das escolas sobre a situação de degradação atual do Rio São Francisco. Foram
realizadas palestras com o intuito de informá-los sobre fatores de degradação do rio (tais
como assoreamento, desmatamento da mata ciliar e poluição), bem como instruí-los acerca
das possíveis soluções que podem ser realizadas individual ou coletivamente para superar tais
problemas a curto, médio e longo prazo.

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Coleta de sedimentos e amostras de solo
As coletas dos sedimentos e amostras de solos das margens e ilhas do baixo São
Francisco foram realizadas de maneira aleatória, sendo que em cada parada (município)
estabeleceu-se a coleta de cinco (5) amostras. Estas amostras foram coletas nas duas margens
(Alagoas e Sergipe) e três amostras do leito do rio (calha) e banco de sedimentos ou ilhas
resultantes do assoreamento. A profundidade de coleta das amostras, nas margens e banco de
sedimentos ou ilhas, foi de 20 cm, em média, conforme recomendado para análise física e de
fertilidade de solos (Filizola, 2006). As amostras, com até 3 kg de sedimentos, foram
acondicionadas em sacos plásticos e etiquetadas com a identificação do local (coordenadas
geodésicas) e data de coleta
A análise granulométrica foi realizada no laboratório de Física do Solo, da
Universidade Federal de Alagoas, Campus Arapiraca, através do processo de tamisação em
agitador de peneiras, constituído de seis malhas distintas de retenção (>2000 m; >600 m;
>500 m; >425 m; >250 m e >212 m) e uma de passagem (< 212 m), sendo esta última
referente às frações silte + argila, e parte da fração areia fina com granulometria menor do
que 212 m. As imagens foram realizada em lupa estereoscópica (40x) acoplada com sistema
digital de captura de 5 MP.
Caracterização dos metais pesados no pescado
Imediatamente à captura, amostras de músculo dos pescados foram obtidas a bordo
com a retirada de porções da musculatura da região latero-dorsal somando cerca de 30 g
a 150 g dependendo do tamanho do peixe para análise de metais e, posteriormente, foram
transportadas refrigeradas em caixas térmicas até o Laboratório de Estudos e Impactos
Ambientais (LabEIA) da Embrapa Tabuleiros Costeiros, em Aracaju, SE. Os peixes
foram identificados de acordo com Menezes e Figueiredo (1985) e Lessa e Nóbrega
(2000).
Todo o material biológico foi acondicionado em recipientes plásticos previamente
imersos em banho ácido de HNO3 10% v/v por 24 horas e enxaguados com água Mili-Q
(18 μΩ), devidamente identificado e estocado em temperaturas abaixo de -15 °C em
freezer até o momento da liofilização. Previamente a liofilização, as amostras foram
estocadas em ultra freezer a -80 ºC para acelerar esse processo. As amostras congeladas
foram liofilizadas por 48 horas utilizando um liofilizador Liotop modelo L101, vácuo
final de 3,7 μHg e posteriormente armazenadas em freezer a -15°C. Em seguida, foram
trituradas em um processador doméstico para obter amostras homogêneas. Entre cada

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trituração, o processador foi lavado com solução de ácido nítrico a 10% v/v e em seguida
com água Mili-Q (18 μΩ) para evitar contaminações cruzadas entre amostras.
No processo de digestão foi utilizado cerca de 0,40 g de músculo liofilizado pesado
diretamente nos tubos de digestão e, em seguida, adicionado 10 mL de ácido nítrico
(HNO3) na concentração de 7 M e 2 mL de peróxido de hidrogênio 30% v/v (H2O2, Merk,
EMSURE®) conforme metodologia adaptada de Jarić et al. (2011). O ácido nítrico PA
foi bidestilado em um purificador de ácidos Milestone modelo Duo-Pur Na digestão das
amostras foi utilizado um micro-ondas Mars na potência de 1.500 W por 40 minutos. Em
seguida, as amostras digeridas foram avolumadas para 15 mL com água Milli-Q Gehaka
modelo Master All (1,47 µΩ.cm) e conservadas a 4 °C até serem analisadas. A
determinação quantitativa dos metais foi analisada por um espectrômetro de massa com
plasma indutivamente acoplado (ICP-MS, Thermo, Alemanha). Na validação do método
analítico foi utilizado o material de referência certificado NIST- 1566b USA (tecido de
peixe) com base nos valores de recuperação dos analitos.

Coleta de parâmetros físico-químicos e metais pesados na água
Foram selecionados dezesseis pontos para coleta de amostras de água de forma
aleatória, buscando representar o comportamento médio das seções de medição do rio
presentes em cada município na medida do possível. Assim, sempre se buscou realizar
coletas próximas às duas margens e em um ponto intermediário, priorizando os horários
de maré alta (Figura 1).
As amostras de água (cerca de 45 amostras) foram coletadas na superfície e fundo
utilizando-se garrafa de Van Dorn. A água foi transferida a bordo para garrafas de
polietileno de 500 mL previamente limpas com detergente neutro e, em seguida, em
banho ácido de HNO3 10% v/v por 24 horas e enxaguados com água Mili-Q (18 μΩ),
devidamente identificadas, transportadas refrigeradas em caixas térmicas até o laboratório
e estocadas em temperaturas abaixo de -15 °C em freezer até o momento da análise.
As análises dos cátions sódio (Na), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn) e zinco
(Zn) na água foram feitas com espectrofotometria de Absorção Atômica (AAS), modelo
Varian Spectr 55B AA no Laboratório de Estudos Ambientais (Labeia) da Embrapa
Tabuleiros Costeiros, Aracaju, SE. As curvas de calibração foram preparadas com
soluções padrões multielementares SpecSol®. Os parâmetros físico/químicos pH,
temperatura da água, turbidez, condutividade elétrica, potencial de óxido-redução, totais
de sólidos dissolvidos e salinidade foram medidos in situ por meio da utilização de uma
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sonda multiparamétrica modelo Aquaread AP 2000. As análises de água também foram
comprovadas por espectofotômetro prove 100 (Merck) e fotômetro modelo HI 8333
(Hanna). As análises estatísticas dos dados foi realizada por meio do programa R e foram
produzidos mapas utilizando o QGIS.
A avaliação da condição ambiental e de usos múltiplos das águas amostradas foi
realizada por meio da comparação aos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA
nº 357, de 17 de março de 2005; pela Portaria de Consolidação nº 5 de 28/09/2017 do
Ministério da Saúde sobre padrões de potabilidade, e limites estabelecidos pelo
documento da FAO relacionado ao uso para irrigação (Ayers & Westcot, 1994).

Coleta da ictiofauna
Os peixes foram capturados por dois pescadores em duas embarcações com motor
de 5 Hp, com uso de malhadeiras com 100 metros e tarrafas de 6 metros, ambas de malha
30, 40 e 50 entre nós opostos, com faina diária de 6 horas. Os peixes capturados foram
identificados, quando possível a nível de ordem, família, gênero e espécie e
posteriormente fixados em formol a 10% e após 48 horas fixados em álcool 70%. A
identificação das espécies não realizadas no barco-laboratório e a confirmação das demais
foram feitas no Laboratório de Aquicultura e Análise de Águas- LAQUA/UFAL, onde
estão depositados em frascos de vidro com volume de 2 e 5 litros para montagem de
coleção ictiológica da expedição.

Geoprocessamento e geração de banco de dados da expedição
A aquisição de dados, durante a expedição, seguiu sistemáticas variadas, a depender
do tipo de informação que se desejava obter. Em cada um dos dezesseis locais de coleta
de água foram obtidas as coordenadas geográficas a partir da utilização de GPS e mapas.
Através da utilização do SIG de uso livre Quantum GIS (QGIS), versão 2.18.21, foi
possível gerar mapas de localização dos pontos de coleta de água geoespacializados no
percurso da expedição ao longo do Baixo São Francisco. O mesmo produto pôde ser
gerado para os pontos de coleta de peixe e sedimento.
Nos mesmos locais onde houve as coletas de água, realizou-se a análise em tempo
real dos principais parâmetros de qualidade de água através de sonda multiparâmetros
portátil, o que permitiu o acompanhamento imediato dos padrões observados,
possibilitando a identificação prévia de possíveis locais de contaminação, de aumento de
salinidade, variação de temperatura e pH, turbidez entre outros. A organização dessas
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análises em tabelas permitiu a geração de gráficos de variação de cada parâmetro ao longo
da região do Baixo São Francisco.

Doenças e transtornos mentais dos ribeirinhos e agricultores
Trata-se de um estudo epidemiológico quantitativo descritivo transversal. A
amostra foi constituída por trabalhadores de agricultura familiar residentes em Porto Real
do Colégio, Igreja Nova, Penedo e Piacabuçu.
Para a coleta de dados referentes aos problemas de saúde mental, foi utilizado o
questionário com variáveis sociodemográficas e o questionário de identificação de
distúrbios psiquiátricos em nível de atenção primária Self Report Questionnaire (SRQ20). O SRQ foi desenvolvido por Harding et al. (1980) e validado no Brasil por Mari e
Willians (1986). É composto por 20 questões elaboradas para detecção de distúrbios
“neuróticos”, chamados atualmente de TMC. Os escores obtidos sinalizam a
probabilidade de presença de TMC ou desconforto emocional, variando de 0 (nenhuma
probabilidade) a 20 (extrema probabilidade). Não inclui questões sobre sintomas
psicóticos nem sobre o consumo de álcool e outras drogas. Nessa pesquisa, foi adotado o
ponto de corte de 07 ou mais respostas positivas como indicativo de TMC.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados levantados sobre agricultura e pesca, por questões logísticas foram
aplicados nas regiões e comunidades que envolvem nos municípios de Porto Real do
Colégio, Igreja Nova e Piaçabuçú, totalizando cerca de 150 entrevistas.
Agricultura
Na região de Porto Real do Colégio considerado um município de baixo IDH e com
economia dependente exclusivamente de atividades agropecuárias (IBGE, 2019), a
expedição atuou na área que compreende o distrito irrigado de Itiúba. A área possui 894
hectares divididos em 227 lotes irrigados de pequenos agricultores familiares. A principal
atividade econômica detectada foi a rizicultura por inundação, por outro lado, a
CODEVASF (2019), afirma que cerca de 20% de suas terras são ocupadas com a
produção de peixes e cana de açúcar.
A rizicultura utiliza os canais de irrigação utilizando as águas do rio São Francisco
e administrados pela CODEVASF, com colheitas sazonais de (4 em 4 meses). A produção
intensiva, exige grande quantidade de insumos, tanto para recompor nutrientes do solo,
quanto para combater pragas e plantas indesejadas. O uso de agrotóxicos é frequente, pois
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há necessidade de uso de fungicidas, inseticidas, raticidas, herbicidas, além dos
fertilizantes químicos e ureia, fertilizante nitrogenado altamente solúvel.
Como o sistema de cultivo se dá por inundação, um fator preocupante pode ser os
resíduos desses agrotóxicos, muitas vezes aplicados em mistura (de nível de toxicidade e
risco ambiental altos) e podem ter estes contaminantes devolvidos aos canais de irrigação
e consequentemente a calha do rio. Além do dano ambiental, a baixa fiscalização e pouca
assistência técnica na região, contribuem para o uso descontrolado desses produtos. Em
um sistema de cultivo intensivo, o uso dos tratamentos convencionais provoca uma
perturbação na fisiologia das plantas, trazendo em consequência, desequilíbrio,
transformando em parasitas, seres, que, antes, mantinham um convívio harmônico com
as plantas, são as chamadas, doenças iatrogênicas (Chaboussou, 2006). Além desse ciclo
“vicioso” do uso excessivo de insumos com riscos de contaminação ao solo e ao ambiente,
há também o risco de contaminação dos agricultores, pois normalmente não fazem uso
dos equipamentos de proteção necessários à aplicação de agroquímicos.
Um dos maiores problemas com pragas que esses agricultores têm enfrentado,
provavelmente pelo desequilíbrio do uso de insumos químicos e o predomínio da
monocultura, agravados pelo alta nível de desflorestamento das margens dos cursos
d’água da região, são ratos e pássaros, que provavelmente por não encontrarem na região
outras fontes de alimentos e abrigo, utilizam as extensas plantações de arroz como
moradia e fonte de alimento, causando prejuízos aos agricultores. Esse fato pode também
ser agravado pela redução dos inimigos naturais desses dois organismos, aumentando sua
população.
Outro grande problema relatado e o aparecimento do arroz-preto, uma gramínea
com morfologia parecida com o arroz produzido comercialmente e considerado uma
invasora e que reduz a qualidade do produto final. Todos esses problemas são
minimizados, de acordo com os entrevistados, com o uso dos agrotóxicos.
Um fator a ser trabalhado na região corresponde a permanência dos jovens no meio
rural. Itiúba possui muitos jovens que migraram para os grandes centros, em busca de
estudo ou qualidade de vida diferente das condições encontradas no meio rural por suas
famílias, ao qual grande parte da população rural possui renda inferior a dois salários
mínimos.
Igreja Nova corresponde a 18ª economia do estado de Alagoas, apresentando IDH
de 0,568. O município possui uma agricultura diversificada. Sendo o polo do Distrito de
Irrigação de Boacica, fundado em 1984, pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales
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do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) que ocupa 2.762 ha, o distrito é grande
produtor de arroz (38%), mas o principal produto agrícola do distrito é a banana (59%) e
tendo a cana de açúcar com 3% da produção (CODEVASF, 2019).
113 moradores e agricultores são associados da ASMOCAN, produzindo frutas,
verduras e hortaliças em sistema agroecológico, além da criação de gado leiteiro, a
existência da agricultura e pecuária em conjunto permitem o aproveitamento do esterco
para a adubação dos cultivos vegetais. A comercialização desses alimentos envolve cerca
de 30 produtores sendo realizada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar
(PNAE), em feiras e mercadinhos de cidades vizinhas, sendo relatada como uma
conquista e orgulho para o grupo, pois permite a oferta de alimentos saudáveis, cultivados
com manejo agroecológico, na alimentação das crianças em escolas.
De acordo com os agricultores, o sistema de irrigação proveniente do rio Boacica,
grande fornecedor de água na área de Igreja Nova, foi prejudicado pelos altos índices de
nitrato em sua composição, acarretando danos a irrigação das culturas existentes, o que
favoreceu a captação das águas do rio São Francisco para irrigação do plantio de pequenas
unidades familiares.
Paralelamente, há casos de agricultores que se dedicam ao cultivo de cana-deaçúcar, favorecidos pelo incentivo e contratos com usinas sucroalcooleiras, porém com a
crise do setor nos últimos 10 anos, os pagamentos vêm ocorrendo com atrasos e de forma
descontinuada, sendo pagos sempre em anos subsequentes ou relativos a última safra, o
que tem causado prejuízos financeiros e sociais, pois são pequenos agricultores que
dependem dos ganhos da terra para sua manutenção. Adicionalmente, o sistema de cultivo
adotado para essa cultura é baseado no pacote tecnológico da Revolução Verde, altamente
dependente da utilização de adubos solúveis e agroquímicos. Outro fator relatado entre
os agricultores foi a redução da vegetação nativa nas margens do rio São Francisco, que
deram lugar ao cultivo de cana-de-açúcar durante o auge do ciclo econômico dessa cultura
e à introdução de pastagens para criação animal, o que tem contribuído para o cenário de
degradação ambiental da região.
Na microrregião de Penedo, a cidade de Piaçabuçú próximo a foz do rio São
Francisco, tem sua economia amparada no turismo, atividades pesqueiras e serviços. A
agricultura tem baixa representatividade na economia do município e tem enfrentado nos
últimos anos, graves problemas devido ao aumento da salinidade da água. Mesmo a
agricultura não apresentando importância econômica, a atividade tem grau secundário

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para a economia familiar, em especial na produção de autoconsumo, contribuindo para a
segurança alimentar das famílias, incluindo pescadores artesanais.
Em Piaçabuçu, o nível de salinidade do rio São Francisco aumentou
significativamente nos últimos 10 anos, dificultando a agricultura nessa região. Mesmo
nesse cenário, ainda existem cultivos de arroz adaptados a esse problema do avanço do
mar e da cunha salina sobre as águas do rio. Nessas adaptações incluem-se o uso de
pequenas lagoas, com água captada a partir dos níveis das marés “mortas”- período em
que o mar permanece com menos variações de altura é que se é possível captar a água do
rio São Francisco, reduzindo a captação do ambiente com maiores níveis de salinidade.
Todo o processo hídrico é realizado por bombeamento e transferido para essas lagoas,
onde permanece por um período de tempo antes de inundar as plantações de arroz.
Quanto as variedades da rizicultura na região, o arroz branco, divide espaço de
cultivo com o arroz vermelho, rico em antioxidantes, minerais e fibras, e, o arroz preto,
rico em ferro e antocianinas.
Com relação ao manejo, o uso dos fertilizantes sintéticos e altamente solúveis é
menos comum nessa região, visto que, com os problemas de alta salinidade do rio São
Francisco, as áreas de plantio vêm diminuindo ao longo dos anos, bem como a época de
plantio, pois uma alternativa encontrada foi a realização da cultura no período de maio a
junho, onde dependem menos das águas do rio. Nos períodos de entressafra, uma
alternativa para as áreas foi a utilização da criação de gado para manter os locais com
menos plantas espontâneas e contribuir para melhorar a fertilidade da área para a próxima
safra, com uso dos dejetos. Porém o uso de agrotóxicos ainda é comum, assim como as
pragas relatadas em outras produções ribeirinhas de arroz, com destaque para as aves,
agora consideradas um problema econômico, com ataque de pombos na época do plantio
e de espécies de passeriformes durante a maturação dos grãos.

Ictiofauna e pesca
Durante a expedição foram coletados cerca de 100 exemplares de peixes
apresentados na tabela abaixo:
Tabela 1. Espécies coletadas durante a expedição ao Baixo São Francisco
Ordem
Characiformes

Família

Espécie

n

Nome comum

Erythrinidae

Hoplias malabaricus

8

Traíra - N

Serrasalmidae

Myleus micans

9

Pacu-prata - N

14

Pygocentrus piraya

5

Serrasalmus brandtii

11 Pirambeba - N

Leporinus obtusidens

4

Piava - N

Schizodon knerii

3

Piau-de-vara - N

Prochilodontidae Prochilodus argenteus

1

Curimatã-pacu N

Siluriformes

Ariidae

Bagre marinus

10 Bagre-do-mar M

Perciformes

Centropomidae

Centropomus parallelus

8

Robalo - M

Centropomus undecimalis

2

Robalo-flecha M

Carangidae

Caranx latus

11 Xáreu - M

Gerreidae

Eugerres brasilianus

6

Carapeba - M

Archosargus
probatocephalus

8

Sargo-de-dente M

Cichla monoculus

14 Tucunaré - I

Oreochromis niloticus

10 Tilápia-do-nilo I

Guavina guavina

5

Anostomidae

Cichlidae

Eletridae

Piranha-preta - N

Amoreia - M

Tetraodontiformes Tetraodontidae
Lagocephalus laevigatus
4 Baiacu-arara -M
N = Nativa; M = Marinha e I = Introduzida; n = número de exemplares coletados
De acordo com estudos realizados por Barbosa & Soares, 2009 e Barbosa & Soares
(2017), A ictiofauma da bacia do rio São Francisco é composta por 32 famílias, 110
gêneros e 241 espécies, pertencem a sete ordens: Clupeiformes, Characiformes,
Siluriformes, Gymnotiformes, Cypriniformes, Sinbranchiformes e Perciformes. Na
distribuição das famílias, gêneros e espécies, por ordem, destacam-se as ordens
Characiformes com 13 famílias, 44 gêneros e 77 espécies e a ordem Siluriformes, com
10 famílias, 47 gêneros e 85 espécies, pela maior diversidade nestes táxons,
demonstrando grande capacidade de dispersão e especiação desses grupos. Os mesmos
autores concluíram que dentre as espécies nativas da bacia várias espécies apresentam
importância na alimentação humana, por isso alvo de intensa pesca, se destacavam:
curimatãs Prochilodus spp., dourado Salminus franciscanus, mandi-amarelo Pimelodus
maculatus, mandi-açu Duopalatinus emarginatus, piaus Leporinus spp. e Schizodon
knerii, traíras Hoplias spp., cascudo-preto Rhinelepis aspera, corvinas e piranha
Pygocentrus piraya.

15

Dados obtidos nos estudos de Soares et al. (2011) na microrregião de Penedo,
relataram predominância de 22 espécies em 2007, 18 espécies em 2008 e 17 espécies em
2009, das quais cerca de cinco representavam em média 80% da biomassa do pescado
desembarcado, com a curimatã-pacu Prochilodus argenteus, espécie endêmica da Bacia,
com percentual médio de 40,0%, seguido da família Anostomidae, tendo os piaus
Leporinus reinhardt e Leporinus obtusidens com 22,0%, alternando-se entre um
representante da família Engraulidae, a pilombeta Anchoviella vaillanti com 7% em 2007
e 18% em 2008 e dois representantes da família Centropomidae, o robalo Centropomus
undecimalis e C. parallelus com média de 10% para os três anos analisados.
Ao confrontarmos com os dados atuais obtidos pela expedição cientifica atual,
percebe-se o empobrecimento de espécies nativas na composição das capturas com 17
espécies coletadas, constatando o desaparecimento das curimatãs-pacús, pilombetas e
diminuição dos piaus, onde ocorreu prevalência da ordem Perciformes em detrimento dos
Characiformes, outrora mais abundantes, e aumento de espécies eurihalinas e marinhas e
exóticas com relação as nativas.
Quanto a atividade pesqueira no Baixo São Francisco, esta emprega embarcações
de pequeno porte e construídas com madeira, com comprimento entre três e sete metros,
sendo estas comuns nos municípios estudados e outras de maior porte (média de nove
metros) no município de Piaçabuçu/AL. De acordo com Soares et al. (2011), cerca de
80% dos desembarques registrados foram realizados por canoas a vela ou a motor. As
canoas são motorizadas com potência média de 2,5 a 5,0 hp, estas, frequentemente,
possuem a vela como segunda opção de propulsão (Sampaio et al., 2015).
Dados apresentados pelos representantes dos pescadores no município de Porto
Real Colégio informam que a Colônia de Pescadores Z 35 possuía, em 2017, 2100
associados. Devido a conflitos e disputas na Colônia, foi formada a Associação de
Pescadores de Porto Real do Colégio, fundada em 1995, que conta hoje com cerca de 500
associados com forte atuação à garantia do seguro-defeso para seus associados.
A atividade pesqueira tem sido alternada entre peixes e à captura do siri, no qual a
espécie representou grande volume de capturas nos últimos anos, motivada
principalmente pela queda dos estoques pesqueiros, e consequentemente, das capturas, de
curimatã-pacú – Prochilodus argenteus, uma das espécies outrora, mais abundantes no
Baixo São Francisco e pilombeta - Anchoviella sp. (Soares et al., 2011) com último
registro de captura ocorrido em 2012 na área do município. Os entrevistados relataram
fortes indícios de pesca com uso de bombas e bolinhos de arroz embebidos em formol
16

(métodos proibidos em legislação ambiental), e que possivelmente aliado a outros fatores
vem contribuindo com o declínio da atividade comprovada pelo desaparecimento de
espécies como Rhandia sp. e Pimelodella sp. - mandi, Oxidoras niger - caboge ,
Hipostomus sp. e Pimelodus spp. -cascudo, Anchoviella sp. -pilombeta e P. argenteus –
curimatã-pacú e com avanço da salinidade continente adentro, aumento das capturas do
Caranx latus - xaréu, peixe predominantemente marinho/estuarino.
Nos relatos durante a expedição no município de Igreja Nova, os associados
informaram que a colônia tem forte atuação na garantia do seguro-defeso e que dos seus
1.100 sócios ativos, 300 pescadores não tinham recebido o seguro-defeso em 2018,
ocasionados em parte, pelas dificuldades de acesso ao sistema Prev Web, pertencentes ao
INSS, possivelmente pela inconsistência no tipo de habitat de pescarias (por exemplo:
pescarias em ambientes estuarinos e marinhos, entretanto os mesmos pescam no rio e em
lagoas marginais). A exemplo do ocorrido nos estudos de Lima et al. (2010) e Soares et
al (2011), há forte presença do atravessador na comercialização do pescado onde o preço
pode variar de R$ 10,00/kg na venda direta ao consumidor e por R$ 5,00/kg ao
atravessador, chamado na região de cambista. Os entrevistados relataram o sumiço de
espécies na composição de capturas, a exemplo das curimatãs-pacús e piaus – Leporinus
sp.
O município de Piaçabuçu é considerado o principal polo pesqueiro da região,
devido a grandes índices de captura de camarão, tendo registros de mais de 242 toneladas
deste recurso capturadas em 2018. Com 17.203 habitantes, e IDH de 0,57 (IBGE, 2019),
o município não difere tanto dos demais da região, mas destaca-se pela pluriatividade
pesqueira, sendo esta realizada nas águas do estuário e da costa, mobilizadas pela
alteração da salinidade e diversidade de ambientes (salinos, estuarinos e dulciaquícolas).
Os dados levantados na região indicam quedas nas capturas da pilombeta, um dos
recursos que chegou a representar cerca de 18% das capturas na mesorregião de Penedo
equivalendo a terceira espécie mais capturada (Soares et al., 2011), praticamente
desapareceu da região, e como possíveis causas, a pouca vazão do rio e elevados índices
de contaminantes provenientes de esgotos das cidades podem ter contribuído para esta
diminuição. Assim como observado nos outros municípios, os pescadores relataram
queda nas capturas de curimatã-pacú e piaus, bem como do Centropomus sp. - robalo, e
aumento nas capturas de Calinectes sp. - siris e Megalops atlanticus -camuripin.
Adicionalmente, os entrevistados relataram algumas modalidades de pescarias que
prejudicam a ictiofauna e contribuem com a sobrepesca dos principais estoques, tais
17

como: pesca de batida, arrasto, arpão, rede de cerco ou lambuda (malha inferior a
permitida pelos órgãos ambientais), além de competição com pescadores de outras
regiões, implantação de cooperativa, necessidade de capacitação em mecânica e
manutenção de motores e cuidados com o descarte adequado de óleo dos motores das
embarcações de maior porte, exigindo para o sucesso da atividade, medidas protetivas de
espécies com aumento da fiscalização. Ações para conter roubos, drogas e violência nas
comunidades de pescadores e diminuição com atrasos no pagamento no seguro-defeso,
foram citadas como empecilhos para a atividade de pesca em Piaçabuçú.
Há registros de atividades oficiais esporádicas de peixamento no rio, porém estas ações
estão muito aquém do mínimo necessário para que se permita recompor a fauna piscosa do
rio, bem como seu equilíbrio ambiental. Com o agravamento do assoreamento e redução da
vazão do rio nos últimos anos, tem aumentado os problemas ambientais e, consequentemente,
reduzido à disponibilidade de peixes, tanto em número quanto em relação à quantidade de
espécies existentes e que povoam o rio.
A problemática ambiental na bacia do Rio São Francisco perpassa pela
indissociabilidade entre as questões sociais e ambientais, ao constatar-se que a maior
preocupação ambiental refere-se à regularização e fiscalização do seguro-defeso,
enquanto a social refere-se à captura proibida de espécies de peixes. A exemplo do
observado por Soares et al. (2011), a percepção da pesca artesanal no Baixo São Francisco
está relacionada à baixa produtividade pesqueira, à captura (incidental ou não) de espécies
cuja pesca está proibida ou controlada e às dificuldades de fiscalização e regulamentação
do seguro defeso para os pescadores artesanais. Para Diegues (2001), a análise
institucional local é uma ferramenta teórico-metodológica importante para se entender as
relações entre usuários, a área manejada, e as regras de acesso e de uso.
O registro de conflitos socioambientais no Baixo São Francisco advém de relações
com pecuaristas, na privatização das margens do rio e suas (poucas) lagoas marginais.
Furtado (1993) afirma que “a territorialidade da pesca é um espaço construído e disputado
por diversas outras categorias”. As disputas vão além dos estoques pesqueiros, uma vez
que a água é o recurso abundante preterido. Os relatos dos próprios pescadores retratam
os dois lados da atividade, seus problemas e potencialidades.
“O território da gente é todo o São Francisco, mas, estamos
sendo impedidos de ter acesso à terra e a água. Existem muitas
ameaças por parte dos latifundiários, fazendeiros e autoridades.
18

Ameaçam até com tiro, cercam todo o acesso às aguas”.
(Anônimo, 2018).
Nesse sentido, as atividades que reduzem as áreas tradicionais das comunidades
tradicionais e dificultam o acesso aos locais de trabalho, a citar a expansão urbana
indiscriminada, a expansão das monoculturas, a destruição de ecossistemas importantes
como o manguezal. A pesca artesanal praticada nestas águas, é a atividade que mais sofre
danos, devido à série de barragens que o rio São Francisco possui em sua extensão ou a
alteração do seu curso natural, que consequentemente geram uma mudança irreparável no
ciclo reprodutivo de suas espécies de peixes, o que acarreta na redução dos estoques,
afetando assim a atividade pesqueira.
Nas margens do rio São Francisco, a pesca em pequena escala sempre foi essencial
para a segurança alimentar e a redução da pobreza de suas comunidades. “A maioria dos
pescadores em pequena escala vivem em países em desenvolvimento e muitos deles
vivem em comunidades caracterizadas pela pobreza e insegurança alimentar” (FAO,
2016). Merece destaque o relato de um novo conflito agrário decorrente da apropriação
de ilhas formadas por bancos de areia, consequência do assoreamento e baixa vazão do
rio. Estes novos territórios rapidamente são habitados pelo gado de produtores locais, e
cercados, sendo conhecidos a partir de então por “ilhas de fulano”. Evidentemente estas
ilhas tornam-se bons atrativos para populações de peixes, aumentando os pontos de pesca.
Instala-se a disputa pelo território, uma vez que os extrativistas não estão autorizados a
aportar nestas ilhas recém empossadas. Foram relatadas cercamentos das margens das
ilhas e ameaças de morte por parte dos vigilantes.
Acserald (2004) afirma que “conflitos socioambientais colocam em questão a
distribuição do poder sobre o território e seus recursos”, evidenciando ação e história
produzidas pela ação coletiva. Logo, fatos sociais são construídos pelos próprios atores
nas determinadas ações históricas e que as divisões do campo mudam, fugindo do
determinismo rígido das posses de terra e criando novas configurações espaciais. As
adaptações a estas novas configurações resultam em conflitos, que reafirmam e
reconstroem as identidades e territorialidades específicas.
Às disputas territoriais, soma-se a qualidade das águas, com implicações sobre a
gestão do ambiente aquático e consequentemente, dos estoques pesqueiros e das
comunidades que fazem sua extração. Há indícios de contaminação das águas do Baixo
19

São Francisco por resíduos de agrotóxicos nas áreas de cultivo de arroz irrigado. O
somatório dos impactos socioambientais afeta a produção pesqueira, ampliando as
oscilações de produção e reduzindo o volume total. Além de diminuir a renda, aumenta a
incerteza da obtenção de pescado. Para enfrentar esses problemas, comunidades
pescadoras avançam na pluriatividade, atuando fora da pesca, mas afirmando-se enquanto
comunidade, a fim de não perder benefícios sociais, ou atuando tanto na pesca como fora
dela, com trabalhos eventuais e informais.
Educação ambiental, poluição, assoreamento, desmatamento e sedimentos
Através das reuniões e entrevistas realizadas com lideranças locais, municipais e
demais entrevistados, além e de observações in loco e coleta de amostras, foi possível
constatar que o Baixo Rio São Francisco recebe uma carga muito grande de esgotos das
cidades que margeiam o rio, todas as amostras coletadas nas cidades de Traipú, Porto Real
do Colégio, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçú, apresentaram altos índices de coliformes
fecais. Além disso, existem também as águas de drenagem dos projetos de irrigação que, na
sua grande maioria, não são tratadas antes de serem lançadas na sua calha principal.
Mesmo com o projeto de transposição do Rio São Francisco e promessas de recursos
por parte do Governo Federal para revitalização, através dos extintos Ministérios da
Integração Nacional e do Meio Ambiente, até o presente momento não há um histórico,
indícios ou registros de obras ou financiamento de atividades de revitalização de grande
envergadura, de caráter parcial ou global na região do baixo. Ademais, não foram verificadas
experiências exitosas que possam servir de modelos ou mesmo como incentivo ao
desenvolvimento de novos projetos para mitigar os impactos negativos da degradação
ambiental.
No trecho percorrido pela a expedição no baixo São Francisco, com cerca de 140 km,
há uma forte e acentuada degradação das matas ciliares e áreas de preservação permanente
(APPs) que margeiam as áreas do seu entorno. No contexto geral da política de
desenvolvimento, são incipientes as medidas para preservação ambiental ou mitigação dos
impactos promovidos pelos empreendimentos financiados das agências de fomento.
Contudo, o comitê da bacia hidrográfica do São Francisco-CBHSF, criado em 1997, tem
como objetivo estimular a recuperação de nascentes e preservação do rio São Francisco,
sendo um contraponto ao estado de degradação na bacia.
Em Alagoas, há um plano inicial de recuperação de nascentes dos principais afluentes
do Rio São Francisco, dentre eles o Rio Piauí, com 355 nascentes identificadas, o Rio
Boacica, com 154 nascentes em recuperação, com previsão para abranger os Rios Itiúba,
20

Tibiri, Batinga e Perucaba. Na região de Betume, no Estado de Sergipe, existem 144
nascentes identificadas nas bacias dos Rios Jacaré e Japaratuba, também com previsão de
recuperação.
Foi constatado a necessidade urgente de elaboração de um plano completo de
saneamento básico para todos os municípios da bacia do Velho Chico, no que diz respeito ao
tratamento de esgotos, água potável e resíduos sólidos. Os esgotos são lançados diretamente
no rio, sem nenhum tratamento ou anteparo para redução da carga de poluentes de origem
antrópica ou orgânica. De maneira geral, a totalidade dos municípios ribeirinhos do Baixo
São Francisco apresentam enormes dificuldades financeiras para estabelecer uma política
local de tratamento de resíduos sólidos. Neste contexto, as prefeituras se limitam a fazer a
coleta e o transporte dos resíduos sólidos para aterros sanitários, como o de Craíbas, em
Alagoas.
Há uma lacuna enorme ou ausência de programas de educação ambiental no âmbito
das comunidades ribeirinhas, de caráter permanente ou mesmo eventual e que tratem das
questões que atingem ou que provocam os problemas de degradação no rio. Desta forma,
torna-se difícil a conscientização da população, que são usuárias diretas das águas e dos
serviços ambientais prestados pelo o Velho Chico, quanto à identificação dos problemas e à
adoção de soluções mitigadoras para preservação e recuperação do ambiente. De certa forma,
há necessidade premente para o desenvolvimento de política educacional com ampla matriz
ambiental, tanto sustentável quanto responsável, focado no envolvimento das escolas das
comunidades e cidades ribeirinhas, principalmente no ensino fundamental. Enfatiza-se
fortemente que a efetividade destes programas de educação ambiental depende da sua
constância de execução e que seja encarado como meta de formação básica da população,
com participação e envolvimento efetivo das famílias ribeirinhas.
Quanto as ações de educação ambiental promovidas durante a expedição, foram
visitadas escolas com turmas do 5° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio.
As visitas foram realizadas em ambientes comunitários das escolas, com a reunião de várias
turmas para debater sobre as temáticas citadas anteriormente, explicitando as consequências
dos problemas decorrentes da degradação do rio na vida das populações ribeirinhas.
Em sua maioria, os alunos não souberam ou quiseram responder a respeito das
dificuldades que o Rio São Francisco enfrenta atualmente. Muitos demonstraram não terem
ciência dos impactos causados pelo assoreamento, desmatamento e poluição ambiental
(antrópica). Os professores afirmaram que o planejamento e o desenvolvimento de atividades

21

educacionais de contexto ambientais voltadas para solucionar tais problemas são poucas ou
nenhuma, tanto no nível das escolas, como no contexto comunitário.
Durante as apresentações e nas discussões em cada uma das escolas, as soluções
levantadas e lançadas como desafios para serem desenvolvidos juntos à comunidade como
um todo foram: plantio de mudas de espécies nativas (arbóreas e frutíferas), redução da
produção e tratamento do lixo doméstico, descarte correto do lixo produzido e ações de
conscientização nas escolas através do desenvolvimento de atividades recreativas, como a
realização de gincanas ambientais com a participação de pais e filhos.
Após as palestras nas escolas, os alunos foram convidados a visitar o barco da
expedição e conhecer as atividades e os trabalhos de pesquisa realizados pelos pesquisadores.
Através de uma visita guiada, puderam esclarecer dúvidas e conhecer as linhas de pesquisa
trabalhadas, os equipamentos, parte da equipe de pesquisadores e alunos envolvidos e o barco
robótico Iracema.

A

B

C

D
C

22

E

F

G
E

H
E

Figura 2 – Registro das palestras nas escolas ribeirinhas e visitas dos alunos e professores ao barco da
1ª Expedição Científica do Baixo São Francisco. A e B - Dona Santa Bulhões; C e D - Gen
Artur da Costa e Silva; E e F - Prof° Douglas Apratto Tenório; G - Correia Titara. H - Barco
robótico IRACEMA. Fonte: José Vieira Silva (2018).

É possível atestar que a temática ambiental é tratada de forma superficial nos projetos
pedagógicos das escolas e não há estímulos e recursos oficiais (federal, estadual e municipal)
para desenvolvê-las de maneira efetiva. As poucas ações isoladas não apresentam conexão
clara com os problemas enfrentados pelas comunidades ribeirinhas. Por outro lado, os
gestores públicos das áreas ambiental e afins, bem como os promotores de desenvolvimento
regional tratam os atuais problemas ambientais do rio de forma isolada e não foi constatada
integração entre as poucas ações de proteção ambiental desenvolvidas na região do baixo São
Francisco. Para fins de planejamento futuro dos agentes públicos que atuam na bacia do baixo
São Francisco, é fortemente recomendado que incluam dentre os temas, as políticas de
educação ambiental focadas nas questões dos problemas atuais de degradação ambiental do
rio, incluindo obrigatoriamente a participação das escolas dos municípios, principalmente
aquelas das séries iniciais.
Há um forte traço cultural presente nas populações ribeirinhas no que diz respeito a
esperar que o Estado resolva todos seus problemas. Esta cultura do “vitimismo” tem
mascarado e desvirtuado completamente o papel que cada indivíduo precisa assumir perante
os compromissos e obrigações inerentes à resolução da questão ambiental do rio. Outro
23

agravante, diz respeito aos interesses econômicos e políticos regionais que se sobrepõem aos
interesses ambientais, bem como aos próprios problemas identificados em toda a bacia do rio
São Francisco. Isto pode ser percebido através do relato dos secretários que apontam para o
aumento do número de outorgas legais concedidas pela ANA (Agência Nacional de Águas)
ao longo de todo o curso do rio, para atender demandas de caráter puramente político.
No que tange ao levantamento e identificação dos problemas de degradação ambiental
no baixo São Francisco, há relatos sobre a fraca atuação dos órgãos de fiscalização ambiental,
nas esferas municipal, estadual e federal. Tanto entre a população quanto entre os órgãos
públicos locais, a percepção é que, na maioria dos casos, as ações de fiscalização são
realizadas somente em locais pontuais e em determinados períodos esporádicos do ano. A
própria população ribeirinha aponta para a necessidade de reforçar ou fortalecer as FPI
(Fiscalizações Preventivas Integradas) e que, se as mesmas tivessem um caráter permanente,
ajudariam a reduzir os problemas ambientais identificados no baixo São Francisco.
As margens do rio São Francisco, no trecho correspondente ao trajeto entre Traipu e
Penedo, é preciso registrar que o estado vizinho de Sergipe apresenta-se visível e
sensivelmente mais preservado do que as áreas marginais de Alagoas, onde uns poucos
resquícios isolados de matas ciliares são registrados. No entanto, os fragmentos de matas
ciliares do lado de Sergipe estão longe de atenderem à legislação ambiental para um rio
Nacional, do porte e envergadura do Rio São Francisco (Figuras 3A, B, C, D e E).

A

B

24

C

D

E

F

Figura 3 – Trecho da primeira coleta de amostras, em Traipu – AL (A), Porto Real do Colégio – AL /
Propriá – SE (B), Povoado Chinaré, em Igreja Nova – AL (C), Penedo – AL / Neopólis – SE
(D) e Piaçabuçu – AL (E). Local de estimativa da largura do rio (158 m), por meio de um
transecto (F). Em destaque a formação de bancos de sedimentos, supressão das matas ciliares
e substituição por atividades agrícolas. Fonte: Imagem do Google Earth, 2018.

Nas duas margens do trecho percorrido pela expedição, as matas ciliares e as áreas de
proteção permanentes (APPs) intactas são praticamente inexistentes. Nos poucos casos de
presença de matas ciliares, no lado referente à Sergipe, apesar de não atender ou corresponder
ao preconizado na legislação ambiental, pode-se registrar ainda que há uma pequena
diversidade de espécies nativas do bioma correspondente, dispersas em pequenos fragmentos
ou árvores isoladas, onde muitas estavam em fase reprodutiva e produzindo sementes
(Figuras 4A, B, C e D).

A

B

25

D

C

Figura 4 – Registros fotográficos das margens do rio São Francisco, com forte supressão das matas
ciliares e áreas de proteção permanentes (APPs) (A e B) e fragmentos de áreas preservadas
(C e D)

Na maioria dos lugares, a vegetação ciliar que margeia o rio não atende aos valores
preconizados legalmente e que não tem protegido de forma efetiva o curso do mesmo. No
trecho entre Penedo e Piaçabuçu, também é perceptível que há um aumento substancial dos
sinais de antropização das matas ciliares e um maior nível de degradação nas margens do
Estado de Sergipe. Há um processo inverso de preservação das matas ciliares das margens,
onde as margens do rio no Estado de Alagoas apresentam uma maior presença de vegetação
ciliar e nativa em áreas antropizadas, porém com inúmeros registros de total ausência de mata
ciliar ou de preocupação dos ribeirinhos com a preservação do rio. Além das matas ciliares
nas duas margens do rio, é perceptível que as áreas de proteção permanentes (APPs),
correspondentes às serras e encostas, também apresentam uma forte degradação ambiental,
com desmatamento ou supressão total da vegetação nativa até às margens do rio. Ao longo
do trecho percorrido, de Traipú a Piaçabuçu (Alagoas), o cenário de degradação ambiental da
vegetação é dominante, ao mesmo instante em que não foi verificado nenhum registro de
ação efetiva de preservação, recuperação ou de atenuação/mitigação das áreas degradadas,
nem de curto, médio ou de longo prazo.
A redução da vazão juntamente com o assoreamento do rio, reduziu a largura efetiva
do rio, de modo que em alguns lugares esta largura corresponde tão somente a ¼ (25%) da
largura média original do rio (Figura 5F). Nas ilhas resultantes dos bancos de assoreamentos,
há registro de intenso uso recreativo e disputa entre pescadores, população ribeirinha e
criadores de animais (bovinos, bubalinos, muares, asininos e equinos) para ocupação e
apropriação das mesmas (Figuras 5A, B, C, D, E e F).

26

A

B

C

D
D

E

F

Figura 5 – Registros fotográficos da formação dos bancos de sedimentos no leito principal do rio e a
ocupação por pessoas e animais. Fonte: José Vieira Silva (2018).

As políticas sociais e ambientais, no âmbito das esferas federal, estadual e municipal,
assim como das ações de agências públicas e privadas, não apresentam capilaridade ou
acolhida no âmbito das comunidades ribeirinhas, que estão alheias aos problemas atuais e aos
fatos causadores dos mesmos. Em relação à vegetação das matas ciliares e das APPs, não
existem ações efetivas ou possíveis soluções para recuperar ou atenuar a atual degradação do
rio São Francisco. É perceptível que há esforços de uns poucos ativistas e defensores do
Velho Chico, porém a extensão dos problemas ambientais e sociais, em muito suplantam as
ações desenvolvidas pelos mesmos.
Quanto ao assoreamento e sedimentos, é possível verificar uma forte ação erosiva das
águas sobre as margens do rio São Francisco, mesmo com baixa vazão, provocando
27

desbarrancamento e arraste das matas ciliares e dos sedimentos para o leito do rio (Figuras 6
A, B e C). Estes perfis visualizados nas barreiras erodidas contam uma história sobre a
dinâmica do transporte de sedimentos ao longo dos tempos. A existência de camadas
laminares de deposição e composição diferentes aponta para grandes variações no regime
hídrico do rio, ano-a-ano, porém sem uma datação específica (Figuras 6C e D).

A

B

C

D

Figura 6 – Ocorrências de erosão hídrica nas margens do rio São Francisco, no trecho entre Traipu e
Porto Real do Colégio – AL. Detalhes dos perfis de erosão com ênfase para o padrão das
camadas de deposição de sedimentos ao longo do tempo. Fonte: José Vieira Silva (2018).

A incidência de bancos de areia e a carga de sedimentos mineral e orgânico resultantes
do processo de erosão hídrica e assoreamento são visíveis em toda extensão do rio percorrido,
de Traipu à Piaçabuçu – AL, e apresenta uma dinâmica de arraste e de formação muito
variável com a vazão do rio. Apesar de navegável em toda extensão, a calha principal do rio
apresenta sérias limitações quanto ao tráfego de grandes embarcações onde, devido ao
assoreamento e redução da vazão do rio, em muitos trechos a profundidade média é inferior
a 2 m.
A deposição de sedimentos de granulometria variável, além de reduzir a profundidade
média do rio, promove o surgimento de novos afloramentos de sedimentos acima do espelho

28

d’água. Em termos de composição, os novos bancos de sedimentos (com até 3 anos de
formação) são constituídos de areias fina e média e silte, com material bastante retrabalhado
pelas águas, enquanto que, nos bancos com mais antigos, há presença visível e em maiores
proporções de silte e argilas (Figuras 7, 8, 9, 10 e 11).
Os sedimentos encontrados nos locais de coletas das amostras, entre margens, banco
de sedimentos e leito da calha principal, são predominantemente constituídos de areia (média
e fina), silte e argila, com granulometria variando de 0,001 a 0,60 mm, possuindo ainda alguns
agregados suportados por lama e fragmentos líticos. Porém nas amostras da calha principal
do rio, foi encontrada uma pequena fração com granulometria acima de 0,6 mm
(caracterizada como areias média e grossa).

Figura 7 – Caracterização e análise granulométrica dos sedimentos e amostras de solos das margens,
banco de assoreamento e do leito do Rio São Francisco, em Traipu – AL.

29

Figura 8 – Caracterização e análise granulométrica dos sedimentos e amostras de solos das margens,
banco de assoreamento e do leito do Rio São Francisco, em Porto Real do Colégio – AL.

Figura 9 – Caracterização e análise granulométrica dos sedimentos e amostras de solos das margens,
banco de assoreamento e do leito do Rio São Francisco, em Igreja Nova – AL.

30

Figura 10 – Caracterização e análise granulométrica dos sedimentos e amostras de solos das margens,
banco de assoreamento e do leito do Rio São Francisco, em Penedo – AL.

Figura 11 – Caracterização e análise granulométrica dos sedimentos e amostras de solos das margens,
banco de assoreamento e do leito do Rio São Francisco, em Piaçabuçu – AL.

Os sedimentos possuem esfericidade variável (baixa, média e alta), com diferentes
graus de retrabalho e rolamento, com grande variação de forma e plano de fragmentação
variando de muito angulosos e subangulosos a subarredondados e arredondados.
Minerologicamente, os sedimentos são compostos predominantemente por quartzo,
31

feldspato, argilominerais e outros minerais máficos (minoria). Todas as amostras de solos
coletados foram constituídas basicamente de areia, em três escalas de granulometria (grossa,
média e fina) e uma fração considerável de silte e argila nas amostras coletadas nas margens
preservadas do rio e nos locais de águas paradas.
Nas margens, tanto de Alagoas quanto de Sergipe, é possível verificar nos solos das
áreas preservadas, que suas constituições granulométricas apresentam uma predominância de
fração argila e silte, completamente distinta dos sedimentos encontrados no leito principal do
rio. Os sedimentos de águas correntes apresentaram uma granulometria maior quando
confrontado com os sedimentos de águas paradas, cuja granulometria é menor e constituída
basicamente de areia fina e da fração silte + argila. Os sedimentos de águas correntes
apresentam um grau de desgaste e rolamento mais acentuados do que aqueles encontrados
nos locais de águas de menores correntezas ou mesmo paradas. A granulometria dos
sedimentos das ilhas ou banco formados na calha principal do rio formados a mais de cinco
anos e com vegetação arbórea estabelecida, é predominantemente pequena, constituída de
materiais à base de silte e argilas. Nos bancos com característica arenosa, recém-formados
(menos de três anos), há a predominância de sedimentos classificado como areia média e fina
e poucos sedimentos classificados como silte e argila.
Em Piaçabuçu, é possível verificar uma redução no tamanho das partículas dos
sedimentos, tanto nas águas paradas como nas ilhas e margens. Por outro lado, na calha
principal com água corrente, ainda pode-se verificar sedimentos com composição
granulométrica predominante de areia média misturada com uma fração constituída de limo
e material organoargiloso (lama). Há que se enfatizar que, em todos locais de coletas no leito
do rio em Piaçabuçu, há um aumento substancial da salinidade da água, em relação aos
demais locais de coleta, com condutividade elétrica da água (CEH2O) que variou de 8 a 15
dS.m-1, de acordo com a hora do dia e com a profundidade do rio. Com a redução do volume
da vazão e redução da velocidade da água na calha do rio, aumentou a deposição de
sedimentos de menor tamanho, como areia fina, silte e argila e, muito provavelmente, esta
tenha sido a dinâmica de formação e consolidação dos bancos de sedimentos encontrados no
leito do rio.
Metais pesados no pescado
Em relação à precisão e exatidão do método analítico, os valores de recuperação
dos analitos encontram-se dentro da faixa de 85% a 120% aceitável para a análise de
elementos traços (Tabela 2).

32

Tabela 2. Recuperação percentual no material de referência e limite de detecção dos metais e
metaloides (n=3).

Elemento

Recuperação
(%)

Limite de detecção
(mg/kg)

As

102,2 ± 4,2

0,072

Cd

97,8 ± 9,7

0,023

Pb

97,8 ± 2,3

0,089

Cu

99,0 ± 0,34

0,89

Fe

116, 7 ± 0,64

15,9

Mn

85,8 ± 0,83

2,05

As concentrações dos metais das amostras de pescado estão representadas em
mg/kg em base úmida (Tabela 3) para fins de comparação com os valores na mesma base
publicados pela legislação brasileira.

33

Tabela 3. Concentrações médias ± desvio padrão dos metais (mg/kg peso úmido) em quinze espécies de peixes do Baixo São Francisco.
Espécies

Número de
exemplares

Arsênio

Cádmio

Chumbo

Zinco

Cobre

Cromo

Ferro

Manganês

Bagre

1

1,96 ± 0,34

< 0,023

< 0,089

7,31 ± 1,42

0,52 ± 0,07

0,33 ± 0,01

12,23 ± 2,52

< 2,05

Baiacu

1

2,42 ± 0,63

< 0,023

< 0,089

16,61 ± 4,39

0,39 ± 0,29

0,19 ± 0,06

5,64 ± 2,63

< 2,05

Carapeba

3

0,20 ± 0,01

< 0,023

< 0,089

6,99 ± 1,09

0,34 ± 0,04

1,25 ± 0,09

18,41 ± 1,02

< 2,05

Curimatã pacu

1

0,16 ± 0,02

< 0,023

< 0,089

10,71 ± 0,57

0,48 ± 0,07

0,27 ± 0,07

12,85 ± 0,61

1,33 ± 0,07

Pacu

7

0,18 ± 0,02

< 0,023

0,03 ± 0,01

6,30 ± 0,51

0,41 ± 0,04

0,73 ± 0,08

12,95 ± 0,20

0,99 ± 0,20

Piau branco

2

0,06 ± 0,00

< 0,023

< 0,089

6,65 ± 0,46

0,43 ±0,03

0,19 ± 0,03

6,78 ± 0,37

0,67 ± 0,03

Piau pintado

3

0,05 ± 0,00

< 0,023

0,03 ± 0,01

6,68 ± 0,33

0,39 ± 0,13

0,33 ± 0,01

9,33 ± 0,83

0,83 ± 0,15

3

0,07 ± 0,00

0,01 ±
0,00

0,02 ± 0,01

8,22 ± 0,23

0,40 ± 0,10

0,75 ± 0,21

11,64 ± 0,38

1,07 ± 0,30

Piranha
vermelha

1

0,09 ± 0,01

< 0,023

< 0,089

8,56 ± 0,67

0,36 ± 0,01

0,22 ± 0,01

9,19 ± 0,03

0,67 ± 0,11

Robalo

4

0,34 ± 0,02

< 0,023

< 0,089

4,54 ± 0,37

< 0,89

0,31 ± 0,03

6,77 ± 1,86

0,57 ± 0,17

Sargo

2

0,50 ± 0,29

< 0,023

< 0,089

5,96 ± 2,64

0,32 ± 0,25

0,20 ± 0,02

8,32± 2,33

0,44 ± 0,21

Tilápia

3

0,10 ± 0,01

< 0,023

< 0,089

5,99 ± 0,59

0,45 ± 0,05

0,20 ± 0,03

5,54 ± 0,77

0,72 ± 0,03

Traíra

2

0,11 ± 0,01

< 0,023

< 0,089

7,12 ± 0,09

< 0,89

0,28 ± 0,01

5,64 ± 0,02

0,82 ± 0,02

Tucunaré

6

0,11 ± 0,01

< 0,023

< 0,089

8,66 ± 0,28

0,30 ± 0,05

0,27 ± 0,06

11,08 ± 0,34

0,66 ± 0,21

Xareú

1

0,22 ± 0,01

< 0,023

< 0,089

5,86 ± 0,51

0,62 ± 0,03

0,11 ± 0,01

9,99 ± 1,58

0,69 ± 0,17

Pirambeba

34

Arsênio
A concentração média de arsênio foi de 0,44 ± 0,09 mg/kg. O teor mínimo médio
de 0,05 ± 0,00 mg/kg foi detectado no piau pintado capturado em Traipú/AL e o maior
de 2,42 ± 0,63 mg. kg-1 no baiacu procedente de Piaçabuçu/AL. Valores acima do LMT
de 1,0 mg/kg para o arsênio (Anvisa, 2013) foram encontrados para o baiacu (2,42 ± 0,63
mg/kg) e bagre (1,96 ± 0,34 mg/kg), ambos capturados em Piaçabuçu/AL.
A toxicidade do arsênio (As) depende do estado de oxidação, espécies químicas,
exposição e da dose, solubilidade nos meios biológicos e da taxa de excreção. O principal
fator para determinar os riscos à saúde humana é forma química e o arsênio inorganico é
mais tóxico que as formas orgânicas (ATSDR, 2007; SANTOS et al.; 2013), podendo as
formas variar grandemente dependendo do organismo, ambiente e região geográfica
(MAHER et al, 2018). O arsênio inorgânico em doses crônicas pode provocar irritação
do estômago, intestino, pulmão e pele, bem como decréscimo na produção de células
vermelhas e brancas no sangue (DESESSO, 2001), hiperpigmentação e diabetes (TSENG
et al., 2000) e a ingestão de quantidades significantes deste elemento pode intensificar o
desenvolvimento de câncer, em particular, câncer linfático, de pele, pulmão e fígado
(ATSDR, 2007). Arsênio em níveis subletais pode representar mutação ou danos no DNA
dos peixes (AHMED et al. 2011)
Com exceção de um exemplar das pirambebas, capturadas em Traipu/AL, que
apresentou teor de cádmio de 0,01± 0,00 mg/kg, todos os demais exemplares das 14
espécies de peixes analisadas apresentaram níveis abaixo do limite de detecção de 0,023
mg/kg. Todas as quinze espécies avaliadas apresentaram concentrações de cádmio abaixo
do LMT de 0,05 mg/kg publicado pela Resolução Anvisa Nº 42 de 29 de agosto de 2013
(ANVISA, 2013).
Cádmio
As contribuições antrópicas de cádmio ao ambiente podem advir de processos
industriais como fundição ou galvanoplastia e também pelo uso de fertilizantes químicos.
As implicações de saúde da exposição de cádmio são agravadas pela incapacidade relativa
dos seres humanos de excretar cádmio (DURAL et al., 2007). Efeitos deletérios causados
por exposição em longo prazo ou a altas doses de cádmio foram relatados à causas de
insuficiência renal e amolecimento dos ossos (VANNOORT e THOMSOn 2006), e à
cancer de próstata (GRAY et al. 2005). Gomes e Sato, 2011 encontraram níveis de cádmio
em Prochilodus argenteus capturados à jusante da represa de três Marias/MG no Rio São
Francisco de 0,26 ± 0,08 mg/kg no período chuvoso e de 0,24 ± 0,04 mg/kg no período
35

seco, similares aos observados nesse estudo de 0,16 ± 0,02 mg/kg para essa mesma
espécie ( tabela 3).
Zinco
A concentração média de zinco foi de 7,74 ± 0,94 mg/kg sendo que o menor valor
médio de 4,54 ± 0,37 mg/kg foi observado no robalo e o maior valor médio de 16,61 ±
4,39 mg/kg no baiacu. Nenhuma das espécies analisadas no presente estudo apresentaram
níveis de zinco acima do LMT de 50 mg/kg previsto na legislação brasileira conforme
Decreto n.° 55.871 de 26/03/1965. Níveis de Zn em Prochilodus argenteus, capturados à
jusante da represa de três Marias/MG no RSF de 4,76 ± 2,62 mg/kg no período chuvoso
e de 2,88 ± 1, 31 mg/kg no período chuvoso, inferiores aos observados nesse estudo de
10,71 ± 0,57 mg/kg para essa mesma espécie (GOMES e SATO, 2011).
O zinco é um micronutriente essencial para todos os organismos com múltiplas
funções bioquímicas, sendo necessário em níveis elevados no organismo para manter
certas funções biológicas como constituinte de várias enzimas. Peixes com um teor médio
de zinco de cerca de 3 a 5 mg/kg é uma boa fonte para este elemento essencial.
(OEHLENSCHLAGER, 2002). A deficiência em zinco provoca transtornos como
diarreia, distúrbios da função cerebral, retardo do crescimento, declínio de defesa
imunológica, lesões de olhos e pele, mau funcionamento de cicatrização de feridas e
outras doenças de pele (ROTH e KIRCHGAESSNER, 1991). A toxicidade do zinco é
refletida em ambas as formas agudas e crônicas. Os consumos de 150 a 450 mg por dia
alteram o metabolismo do ferro, reduzindo os níveis de HDL e a função imunológica.
Chumbo
O chumbo não foi detectado em 12 espécies analisadas, sendo que duas, pacu
Myleus micans e piau pintado Leporinus obtusidens, apresentaram teores de 0,03 ± 0,01
mg/kg e a pirambeba Serrasalmus brandtii de 0,02 ± 0,01 mg/kg. Nenhuma das quinze
espécies de peixes avaliados registraram concentrações de chumbo acima do LMT de 0,3
mg/kg (ANVISA, 2013).
O acúmulo de chumbo nos organismos pode causar efeitos adversos como danos
neurológicos, doenças renais, efeitos cardiovasculares e reprodutivos. A forma orgânica
é a mais tóxica e absorvida pelos organismos, porém a inorgânica é a mais frequente
(GARZA et al., 2006).
Cromo
A concentração média de cromo no presente estudo foi de 0,37 ± 0,05 mg/kg. Os
menores e maiores teores médios encontrados no tecido muscular dos peixes foram de
36

0,11±0,02 mg/kg no único exemplar de xaréu capturado em Penedo/AL e de 1,25±0,09
nas carapebas pescadas em Brejo Grande/SE. Todas as espécies avaliadas apresentaram
concentrações médias de cromo superiores ao LMT de 0,1 mg/kg prescrito no Decreto
n.55.871 de 26/03/1965 para qualquer alimento.
Vários estudos apontam que os compostos de cromo (VI) podem aumentar o risco
de câncer de pulmão (Ishikawa et al. 1994). A saúde dos peixes também pode ser afetada
pela exposição ao cromo. A presença de cromo junto com outros metais foi relacionada
ao aumento do nível de glicogênio em diferentes órgãos dos peixes, indicando estresse
devido à exposição ao metal (JAVED e USMANI 2011, 2013).
Manganês
O teor médio de manganês foi de 0,79±0,14 mg/kg, sendo o menor valor médio
de 0,44±0,21 mg/kg detectado no único exemplar de sargo pescado em Piaçabuçu/AL e
o maior no único exemplar de curimatã-pacu de 1,33 ± 0,07 mg/kg capturado em
Chinaré/AL. Não há na legislação brasileira limites máximos em pescados prescritos para
esse metal.
Manganês é um elemento essencial para os seres humanos e deficiência de Mn
causa anormalidades esqueléticas e reprodutivas (SIVAPERUMAL et al. 2007) e, a
ingestão excessiva de Mn pode resultar em distúrbio neurológico (MORENO et al. 2009).
Esse metal ocorre naturalmente e pode ser liberado em corpos de água através de
escoamento ou lixiviação facilitado pelas atividades agrícolas, enquanto as fontes
antropogênicas incluem os agrotóxicos.
Ferro
A média geral da concentração de ferro nas espécies avaliadas foi de 9,76 ± 1,03
mg/kg. O menor valor médio de 5,54 ± 0,77 mg/kg foi encontrado nas tilápias
provenientes de Neópolis/SE e o maior de 18,41±1,02 mg/kg nas carapebas capturados
em Brejo Grande/SE. A legislação brasileira não estabelece valores do LMT para os
níveis de ferro em pescado.
O ferro no corpo humano está associado ao transporte de oxigênio através da
hemoglobina, sendo considerado um dos elementos mais importantes para o ser humano
(SOUZA et al, 2009). Segundo a WHO (Word Health Organization) a quantidade diária
necessária para um homem adulto é de 20 mg.
Cobre
O nível médio de cobre encontrado nos peixes foi de 0,45 ± 0,09 mg/kg e os
menores e maiores valores médios foram de 0,30 ± 0,05 mg/kg nos tucunarés pescados
37

ao longo do RSF e 0,62 ± 0,03 mg/kg no único exemplar de xaréu capturado em
Penedo/AL, respectivamente. Todos os peixes avaliados nesse estudo apresentaram
teores de cobre inferiores ao LMT de 30 mg/kg estabelecido no Decreto n.55.871 de
26/03/1965. O cobre é um metal essencial para o organismo e é facilmente regulado pelo
metabolismo, o que dificulta muito a sua bioacumulação (Pereira et al, 2010).
Intrusão salina
As águas coletadas, tanto em superfície quanto no fundo, do ponto 0 na localidade
de Traipu até o ponto 13 entre Penedo (AL) e Neopólis (SE) foram enquadradas como
“águas doces” (águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰) segundo a resolução
CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005 (Tabela 3). A salinidade média foi 0,02 ±
0,004 ‰ e valores mínimos de 0,02‰ e máximos de 0,03‰ (Figuras 2 e 3). Os valores
de condutividade elétrica (CE) apresentaram média de 0,07 ± 0,003 dS/cm, estando as
águas classificadas como de nenhuma restrição ao seu uso para fins de irrigação e culturas
segundo a FAO (Tabela 3).
Tabela 3. Limites comparativos para avaliação ambiental e de usos múltiplos para os parâmetros
medidos nas amostras de água coletadas no Baixo São Francisco

Parâmetro

Limites

Fonte

pH

6,0 a 9,0
Águas doces < 0,5 ‰
0,5 ‰ < Águas salobras < 30,0‰
30,0‰ > Águas salinas

CONAMA 357/05

Salinidade
CE (dS.m-1)
Restrição ao
uso para
irrigação

Nenhuma < 0,7
0,7 < Moderada < 3,0
Severa > 3,0

Na

200,0 mg/L

Cu

2,0 mg/L

Fe

0,3 mg/L

Mn

0,1 mg/L

Zn

5,0 mg/L

CONAMA 357/05

FAO
(Ayers & Westcot, 1994)
Portaria 05/2017 MS
Potabilidade
Portaria 05/2017 MS
Potabilidade
Portaria 05/2017 MS
Potabilidade
Portaria 05/2017 MS
Potabilidade
Portaria 05/2017 MS
Potabilidade

Tabela 4. Análise da estatística descritiva dos parâmetros medidos nos pontos 1 a 13 no Baixo
São Francisco
Parâmetros

Na

Cu

Unidades

Fe

Mn

Zn

mg/L

Salin.

CE

ppt

dS/cm

pH

Temp.
°C

Média

3,69

0,01

0,05

0,01

0,01

0,02

0,07

8,63

28,18

Dsv. padrão

0,49

0,00

0,02

0,01

0,01

0,004

0,003

0,40

0,33

38

Mínimo

3,20

0,00

0,02

0,00

0,00

0,02

0,06

7,67

27,70

Máximo

5,50

0,017

0,079

0,023

0,024

0,03

0,08

9,20

29,10

Os níveis de sódio (Na+) das águas superficiais e de fundo dos pontos 0 até o ponto
13 apresentaram concentração média de 3,69 ± 0,49 mg/L e valores mínimos de 3,20
mg/L e máximos de 3,50 mg/L. Esses valores da concentração de sódio na água
encontram-se abaixo do limite de potabilidade de 200 mg/L definido para esse parâmetro
pela Portaria de Consolidação nº 5 de 28/09/2017 do Ministério da Saúde, sendo viável
para o consumo humano.
As concentrações médias de cobre (0,01 ± 0,00 mg/L), ferro (0,05 ± 0,02 mg/L,
manganês (0,01 ± 0,01 mg/L) e zinco (0,01 ± 0,01 mg/L) observados nas águas coletadas
entre Traipú e Penedo apresentaram valores abaixo dos limites de 2,0 mg/L, 0,3 mg/L,
0,1 mg/L e 5,0 mg/L, respectivamente, estabelecidos pela mesma portaria acima.
Segundo Bassoi & Guazelli (2004) valores de cobre inferiores a 0,02 mg/L são usuais em
águas doces, assim como zinco em concentrações de 0,001 a 0,10 mg/L e de manganês
da ordem de 0,2 mg/L, raramente ultrapassando 1,0 mg/L. Os valores descritos pelos
autores acima estão na mesma ordem de grandeza ou superiores àqueles obtidos nas águas
doces do Baixo São Francisco.

Tabela 5. Análise da estatística descritiva dos parâmetros medidos em amostras superficiais nos
pontos 14 a 16 no Baixo São Francisco
Parâmetros

Na

Cu

Unidades

Fe

Mn

Zn

mg/L

Salin.

CE

pH

ppt

dS/cm

Temp.
°C

Média

592,50

0,02

0,04

0,01

0,02

3,55

6,47

7,86

28,25

Dsv. padrão

365,57

0,00

0,02

0,01

0,00

1,35

2,35

0,23

0,07

Mínimo

334,00

0,014

0,021

0,006

0,013

2,59

4,81

7,70

28,20

Máximo

851,00

0,017

0,052

0,016

0,018

4,50

8,13

8,02

28,30

Tabela 6. Análise da estatística dos parâmetros medidos em amostras em profundidade nos pontos
14 a 16 no Baixo São Francisco
Parâmetros

Na

Cu

Unidades

Fe

Mn

Zn

mg/L

Salin.

CE

pH

ppt

dS/cm

Temp.
°C

Média

2625,00

0,03

0,05

0,01

0,02

11,23

19,23

6,94

27,90

Dsv. padrão

2566,80

0,01

0,02

0,01

0,01

8,13

12,31

1,11

0,00

Mínimo

810,00

0,024

0,035

0,002

0,019

5,48

10,52

6,15

27,90

Máximo

4440,00

0,04

0,060

0,020

0,030

16,98

27,94

7,720

27,90
39

Nos pontos 14 e 15 (Piaçabuçu) e no ponto 16 (Brejo Grande), as águas coletadas
em superfície (Tabela 5) e em profundidade (Tabela 6) foram enquadradas como “águas
salobras” (águas com salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 ‰), conforme a
resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005 (Tabela 1). A salinidade superficial
variou de 2,59‰ a 4,50 ‰ (Figura 12) e de 5,48‰ a 16,98‰ (Figura 13) nas águas de
fundo no trecho do rio São Francisco na localidade de Piaçabuçu/AL a Brejo Grande/SE.
As águas amostradas no fundo apresentaram as maiores salinidades devido ao fato de que
maiores teores de sais dissolvidos nessas águas conferem maiores densidades da água que
se distribuem abaixo de águas superficiais de menores salinidades e densidades.
Em relação aos teores de sódio das águas salobras na localidade de Piaçabuçu, o
menor valor de 334,0 mg/L foi observado na água superficial e o maior teor de 4.400,0
mg/L na água de fundo. Esses valores encontram-se acima do limite de potabilidade de
200 mg/L definido para esse parâmetro pela Portaria de Consolidação nº 5 de 28/09/2017
do Ministério da Saúde, sendo inviável seu uso para o consumo humano. Quanto aos
limites estabelecidos para os demais cátions que compõem essa portaria, os níveis médios
nas águas superficiais e de fundo foram para o cobre de 0,02 ± 0,00 mg/L e 0,03 ± 0,01
mg/L; ferro de 0,04 ± 0,02 mg/L e 0,05 ± 0,02 mg/L; manganês de 0,01 ± 0,01 mg/L e
zinco de 0,02 ± 0,00 mg/L e 0,02 ± 0,01 mg/L, respectivamente, encontram-se abaixo do
limite estabelecido para consumo humano. Observa-se uma tendência de maiores
concentrações desses cátions em águas de fundo em relação às superficiais da estação
Piaçabuçu, sendo que o mesmo comportamento foi registrado para a condutividade
elétrica com menores valores médios de 6,47 ± 2,35 dS/cm na superfície e maiores de
19,23 ± 12,31 dS/cm em profundidade, valores que enquadram essas águas em águas de
risco severo para utilização com fins de irrigação de culturas segundo a FAO.

40

Figura 12 – Variação da salinidade média nas amostras de águas de superfície coletadas na
região do Baixo São Francisco

Figura 13 – Variação da salinidade média nas amostras de águas em profundidade coletadas na
região do Baixo São Francisco

De maneira geral, na matriz de correlação entre a concentração dos sais e os
parâmetros ambientais nos pontos de coleta da água (Tabela 7) pode ser verificada a alta
correlação positiva entre salinidade, condutividade térmica e níveis de K, Ca, Mg, Na e
Cu na água. Os íons Fe, Mn e Zn não apresentaram sinais de correlações com as demais
variáveis. A Salinidade e a Condutividade elétrica apresentaram correlações altas entre si
41

e com os sais K, Ca, Mg, Na e Cu, além de indicar um comportamento inverso à variação
do pH da água nessa região.
Os maiores valores de salinidade e condutividade elétrica observados nos pontos
14 e 15 próximos da foz do rio São Francisco na localidade de Piaçabuçu/AL estão
coerentes com os descritos por Da Silva et al. (2010) no estudo sobre a variabilidade
espacial de parâmetros de qualidade de água na bacia do rio São Francisco que aponta a
influência das águas do Oceano Atlântico nos processos de troca de água do rio e oceano
decorrentes dos fluxos da maré nesse estuário. De acordo com Gonçalves (2016) o
problema da salinização do rio São Francisco na região da foz, a exemplo de Piaçabuçu,
está vinculado a diminuição das cotas máximas (vazões liberadas), ou seja, a redução de
cheias que conseguem empurrar a cunha salina de volta para o mar.
Tabela 7 – Matriz de correlação das variáveis medidas no Baixo São Francisco
K

Ca

Mg

Na

Cu

Fe

Mn

Zn

Sal.

pH

Temp.

CE

1.0000

0.9989

0.9997

0.9998

0.8908

-0.1791

0.3682

0.4694

0.9889

-0.8152

-0.2099

0.9797

1.0000

0.9996

0.9991

0.8826

-0.1768

0.3712

0.4765

0.9819

-0.8051

-0.2173

0.9707

1.0000

0.9996

0.8880

-0.1739

0.3656

0.4730

0.9862

-0.8106

-0.2107

0.9762

1.0000

0.8894

-0.1811

0.3695

0.4681

0.9875

-0.8088

-0.2094

0.9779

1.0000

-0.1411

0.1973

0.4094

0.9092

-0.8030

-0.2504

0.9116

Fe

1.0000 -0.4355 -0.2464

-0.1641

0.2298

0.5775 -0.1573

Mn

1.0000

0.1150

0.3388

-0.2060

-0.1639

0.3266

1.0000

0.4513

-0.5479

-0.5580

0.4427

1.0000

-0.8346

-0.2198

0.9986

1.0000

0.3940 -0.8372

K
Ca
Mg
Na
Cu

Zn
Sal.
pH
Temp.

1.0000 -0.2228

CE

1.0000

Os dados de nitrito e amônia foram maiores nas coletas realizadas nos municípios de
Porto Real do Colégio, Penedo, e Piaçabuçú, com valores médios de 0,5 ± 0,1 mg/L e 2,5 ±
0,3 mg/L, respectivamente, quanto aos dados de ferro, alcalinidade e dureza, estes foram
estatisticamente superiores em Piaçabuçú com valores médios de 2,01 ± 0,2 mg/L, 48,00 ±
1,5 mg/L e 196,5 ± 3,7 mg/L.

Banco de dados de informações coletadas na expedição
Para facilitar o acesso a todas as informações coletadas, resultados de análises,
gráficos, fotos e percursos, foi criado com a plataforma My Maps do Google Maps, um
mapa online interativo (Figura 14) onde através de camadas (layers) qualquer usuário

42

pode visualizar todas as informações que compõem o banco de dados obtidos pela
expedição de forma espacializada, ou seja, com sua localização em forma de ponto na
superfície, e o detalhamento informativo sobre cada ponto. Este acervo encontra-se
disponível em https://goo.gl/s2LxL2.
A partir da utilização conjunta do banco de dados da expedição com outras
informações ligadas, principalmente, as condições socioambientais e econômicas dos
municípios, os gestores de atividades que se relacionem com os usos múltiplos dos
recursos hídricos no Baixo São Francisco possuem relevantes dados que permitem um
melhor planejamento de políticas públicas para a revitalização desta região, e que
atendam as demandas da população gerando um menor impacto ambiental e promovendo
o desenvolvimento sustentável local.

Figura 14. Exibição inicial do mapa online disponibilizado pela Expedição.

43

Figura 15. Exemplo das informações disponibilizadas em cada ponto das camadas.

Saúde mental de agricultores ribeirinhos do baixo São Francisco
Foram entrevistados 43 trabalhadores de agricultura familiar residentes em Porto
Real do Colégio, Igreja Nova, Penedo e Piacabuçu (Tabela 1). A maioria era do sexo
masculino (40- 93%), casado (28 – 65,1%), cultivava arroz (13 – 30,2%) e trabalhava
com pesca (7 – 16,3%) (Tabela 1). A média de idade foi de 45,7 (± 14,3) anos, variando
de 21 a 69 anos (Tabela 8).
A pesquisa verificou uma frequência de 7 (16,3%) pessoas com TMC (Tabela 2).
Os itens do instrumento com maiores afirmações positivas foram: Falta de apetite; sentese nervoso, tenso ou preocupado; cansa-se com facilidade; dor de cabeça frequente;
assusta-se com facilidade, tem sensações desagradáveis no estômago (Tabela 2).
Duas pessoas afirmaram que já teve depressão ao longo da vida. As duas foram
positivas para o resultado de TMC. Apenas um desses alegou fazer tratamento
medicamentoso. Outras duas pessoas fazem uso de medicação, mas não foram positivas
para o resultado de TMC (Tabela 9).

44

Tabela 8- Características gerais de trabalhadores agrícolas ribeirinhos da região do baixo São
Francisco, Alagoas, Brasil.

Sexo

Porto Real

Igreja

do Colégio

Nova

Masculino

10 (25%)

Feminino
Total
Media

Penedo

Piacabuçu

Total

9 (22,5%)

11 (27,5%)

10 (25%)

40 (93%)

2 (66,7%)

-

1 (33,3%)

-

3 (7%)

12 (27,9%)

9 (20,9%)

12 (27,9%)

10 (23,3%)

43 (100%)

45,7 ± 14,28 (Máx: 69 e Mín: 21 anos)

de

idade
Estado civil

Casado

Separado

Solteiro

Viúvo

Sem
reposta

Masculino

26 (65%)

2 (5%)

6 (15%)

1 (2,5%)

5 (12,5%)

Feminino

2 (66,7%)

-

-

1 (33,3%)

-

Total

28 (65,1%)

2 (4,7%)

6 (13,9%)

2 (4,7%)

5 (11,6%)

Cultivo de

13 (30,2%)

7 (16,3%)

Pesca

arroz
Tabela 9 – Características de transtornos mentais comuns de trabalhadores agrícolas ribeirinhos
da região do baixo São Francisco, Alagoas, Brasil.

Sexo

Porto Real

Igreja

Penedo

Piacabuçu

Total

do Colégio

Nova

Masculino

1 (16,7%)

3 (50%)

2 (33,3%)

-

6 (85,7%)

Feminino

1 (100%)

-

-

-

1 (14,3%)

Total

2 (28,6%)

3 (42,8%)

2 (28,6%)

-

7 (16,3%)

Sim

Não

Total

3 (100%)

-

3 (7,5%)

Sim

Não

Total

Masculino

1 (100%)

-

1 (2,5%)

Feminino

1 (100%)

-

1 (33,3%)

Usa remédio psiquiátrico

Masculino

Já teve depressão

Itens do Instrumento SQR – 20 com mais afirmações positivas
Falta de apetite

13 (30,2%)

Sente-se nervoso, tenso ou preocupado

13 (30,2%)

Cansa-se com facilidade

13 (30,2%)
45

Dor de cabeça frequente

12 (27,9%)

Assusta-se com facilidade

12 (27,9%)

Tem sensações desagradáveis no estômago

12 (27,9%)

Os transtornos mentais são influenciados por uma combinação de fatores
biológicos, psicológicos e sociais. Afetam pessoas de todas as idades, em todos os países
e causam sofrimento aos indivíduos, às famílias e às comunidades. A maioria dos casos
pode ser diagnosticada e tratada (Poletto, 2009).
Esse estudo identificou 7 (16,3%) pessoas com TMC e os itens do instrumento com
maiores afirmações positivas foram: Falta de apetite; sente-se nervoso, tenso ou
preocupado; cansa-se com facilidade; dor de cabeça frequente; assusta-se com facilidade,
tem sensações desagradáveis no estômago. Esses itens apontam para a necessidade de se
promover um cuidado voltado aos sinais e sintomas de ansiedade que podem estar
presentes nessa comunidade.
O transtorno de ansiedade generalizada se caracteriza por uma preocupação intensa
e persistente, incluindo redução de desempenho no ambiente laboral. Além disso, o
indivíduo não consegue melhorar essa preocupação, sente-se como se estivesse com os
nervos à “flor da pele”, fadigado, irritável, com dificuldade de concentração, tenso e com
sono irregular (DSM-5, 2014).
As comunidades agrícolas são caracterizadas por um número de fatores favoráveis
à saúde e bem-estar. No entanto, estas passaram por mudanças na tecnologia de produção,
em que métodos de trabalho foram criados para vencer a sua demanda, ocorrendo
alterações significativas no comportamento dos agricultores. Além disso, a modernização
tem sido responsável pelo desemprego, o desenraizamento do campo, a desagregação da
família e da comunidade, além de responder pela migração e expulsão
em massa da população rural para as cidades (Martins, 2001). Esses fatores podem estar
influenciando no desencadeamento de TMC.
Duas pessoas afirmaram que já teve depressão ao longo da vida. As duas foram
positivas para o resultado de TMC. Apenas um desses alegou fazer tratamento
medicamentoso. O transtorno depressivo maior é caracterizado pelo humor triste, vazio
ou irritabilidade. O indivíduo pode apresentar perda de interesse pelas atividades do
cotidiano, sentimento de inutilidade e culpa, perda da autoestima, ideias de morte e
suicídio, perturbações do sono e alterações do apetite, além destes podem estar presentes
os sintomas somáticos. É caracterizado por episódios distintos de pelo menos duas
46

semanas de duração, alguns ocorrendo por um período maior de tempo e pode ocorrer
episodicamente ou recorrente ou crônica (DSM V, 2014).
Os 43 trabalhadores entrevistados tinham predominância do sexo masculino, eram
casados e cultivavam arroz ou viviam da pesca. De acordo com os mesmos, uma das
maiores dificuldades enfrentadas no momento é a degradação, assoreamento e poluição
do rio.
CONCLUSÕES
O crescimento econômico, baseado na agroindústria irrigada, na expansão urbana,
e consequentemente no desmatamento intensivo, resultaram em altos níveis de
degradação ambiental e poluição das águas, assoreamento do rio, as suas lagoas
marginais, aumento do teor de metais pesados, salinização de áreas irrigadas, ocupação
desordenada de ambientes costeiros, dentre tantos outros exemplos de degradação
ambiental.
O problema de salinização na foz do Rio São Francisco foi agravado com a redução da
vazão do rio devido à crise hídrica e execução do plano de regularização de vazão do rio pelo
gestor nacional de águas e energia, aumentando a ocorrência, magnitude e o alcance da
“cunha salina” no Baixo São Francisco.
Foram registrados problemas com a captação e abastecimento de água de alguns
municípios e povoados mais próximos da foz devido ao aumento da salinidade da agua do
rio. Para amenizar o problema, foi necessária a intervenção tanto do CBHSF como do poder
público constituído. Coliformes fecais, índices de metais pesados e qualidade água com
nitrito, amônia e fósforo com teores elevados foram observados em todas as cidades visitadas.
Há espécies consideradas extintas, como o Pirá, que é símbolo do rio e desaparecimento
da curimatã-pacú, pilombeta e camarão-pitú, além da diminuição da captura de algumas
espécies como os piaús. Este problema de redução das espécies de peixes também tem sido
agravado pela falta de trabalho de conscientização das colônias de pescadores, no que diz
respeito ao controle sobre a atividade e intensidade de pesca. Desta forma, é altamente
recomendado às autoridades públicas constituídas e aos gestores ambientais das esferas
públicas e privadas, que atuam na bacia do São Francisco, que procurem desenvolver ações
efetivas para recompor e manter as populações das diferentes espécies de peixes nativos do
rio e que estão em extinção gradual.
A revitalização do Rio São Francisco se faz necessária visando promover um
melhor volume de água limpa. A vida do rio caminha junto com a vida dos moradores
ribeirinhos. Esses moradores que trabalham com o cultivo e a pesca vêm apresentando
47

TMC que necessitam de um cuidado multidisciplinar voltado para a promoção da
qualidade de vida e da saúde mental. Os gestores dos municípios estudados devem estar
alerta para a promoção da saúde mental e a revitalização do rio, visando o bem estar dos
que ali vivem.
As comunidades pesqueiras da Foz do São Francisco ainda não possuem a
propriedade da terra, ela é utilizada de forma coletiva nos espaços das águas como os rios,
açudes, lagoas e o mar, além das terras de beira d’água. Estes possuem um conjunto de
regras e de condutas vivenciadas com a coletividade para o uso dos recursos naturais.
O agravamento de um conflito socioambiental trouxe às comunidades um
sentimento de apego a terra. Reterritorializar-se, a partir da organização social, é cada vez
mais necessário, para o avanço dos processos, não apenas jurídicos, mas sociais, de
fortalecimento das identidades e consequentemente, das garantias dos territórios.
As frutas e verduras e uma boa parte do gado leiteiro mantém sua origem de
produção sem agroquímicos, a produção de grãos mantem-se em sua maioria no modo
convencional, e talvez, por isso, ainda continue a apresentar novas doenças e pragas. Esta
produção pode causar impactos ao meio ambiente e consequentemente ao rio São
Francisco através dos resíduos químicos, que podem retornar as águas e causar danos a
toda a fauna e flora aquática.
Mesmo com o apoio das equipes de assistência técnica, o número de profissionais
é pequeno para um número muito grande de produtores. Por consequência disso em sua
maioria, acabam utilizando técnicas convencionais de cultivo com o uso de fertilizantes
solúveis como ureia e superfosfato.
Com relação a produção de arroz é frequente o uso de agrotóxicos. Foi relatado
pelos agricultores o uso dos seguintes ingredientes ativos: Cresoxim-metílico,
Epoxiconazol (Fungicida - Medianamente tóxico); Acetamiprido, Alfa-Cipermetrina
(Inseticida - Medianamente tóxico); Brodifacoum (compostos anticoagulante derivado da
hidroxicumarina – Raticida - Medianamente tóxico); Endosulfan (Inseticida - Altamente
tóxico); Imazapique, Imazapir (Herbicida - Altamente tóxico). As experiências de
produção de arroz em sistema agroecológico e orgânico podem servir de base para um
processo de transição do atual modelo adotado para modos mais sustentáveis de
produção.
Em todas as experiências visitadas, a pesca possui importância econômica, seja para
renda como para o abastecimento das famílias. Essa atividade vem apresentando redução,

48

de acordo com os relatos dos grupos, tanto na quantidade de pescado, quanto na
diversidade de espécies.
As experiências de produção agroecológica podem servir de base para ampliação
desse modo de produção, buscando melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias.
O acesso à terra pode ser um fator limitante a manutenção das famílias no meio rural, pois
aquelas que tem a atividade econômica voltada para a pesca não possuem áreas suficiente
para a produção agrícola.
Os metais e o metaloide arsênio presentes nas quinze espécies de peixes capturados
no Baixo São Francisco apresentaram as concentrações médias na seguinte ordem
decrescente: Fe > Zn > Mn > Cu > As > Cr > Pb > Cd. O ferro foi o metal mais abundante,
seguido do zinco, no tecido muscular dos peixes estudados.
As concentrações de cádmio e chumbo encontradas no tecido muscular dos peixes
avaliados não apresentam risco à saúde humana associado ao consumo dessas espécies
com base nos Limites Máximos de Tolerância (LMT).
Concentrações de arsênio acima do LMT foram detectadas em duas espécies:
baiacu Lagocephalus laevigatus e bagre Bagre marinus podendo apresentar potencial
risco à saúde humana associado ao consumo desses pescados. A ocorrência de exemplares
únicos dessas espécies na amostragem dos peixes, bem como em outras: curimatã pacu
Prochilodus argenteus, piranha vermelha Pygocentrus piraya e xareú Caranx latus
resulta em baixa precisão dos resultados analíticos do arsênio e de todos os metais
avaliados para essas espécies.
Os níveis de cromo acima do LMT registrados em todas as espécies estudadas
indicam que o meio está impactado por esse metal, expondo risco à saúde das populações
da região do Baixo São Francisco que frequentemente consomem essas espécies.
Em trabalhos futuros, é recomendável a ampliação do universo amostral com um
maior número de indivíduos por espécie objetivando melhor acuracidade dos resultados.
Em face aos dados apresentados, é necessária a continuidade desse trabalho em diferentes
épocas do ano (verão e inverno) e análise de metais nos diferentes compartimentos
ambientais, água e solo, para evidenciar possíveis inter-relações com as pressões
antropogênicas e os processos geoquímicos presentes na região do Baixo São Francisco.

49

PERSPECTIVAS FUTURAS
Espera-se que haja continuidade da expedição para que consigamos aumentar o
volume de informações e contribuir com dados mais robustos sobre a situação do rio
Baixo São Francisco. Com a realização de mais campanhas, pretende-se criar um
programa de biomonitoramento na região e um sistema de coletas em tempo real.
Os dados de enzimas anti-estresse não foram disponibilizados no relatório por
ausência de pagamento das análises e da responsável por esta etapa, desta forma,
esperamos que o CBHSF regularize esta situação para que não prejudique a geração de
informações com maior riqueza em detalhes.
A próxima expedição está prevista para o mês de novembro do corrente ano, onde
esperamos cobrir mais áreas e municípios com 10 dias de trabalhos em campo e mais
pesquisadores envolvidos, para isso esperamos o aporte de recursos do CBHSF,
FAPEAL, SEAP-MAPA e demais parceiros.

AGRADECIMENTOS
A toda a equipe da I Expedição Científica do Baixo São Francisco. Ao Comitê da
Bacia Hidrográfica do rio São Francisco (CBHSF), e a Fundação ao Amparo à pesquisa
e Inovação de Alagoas (FAPEAL), pelo aporte financeiro.
Nossos agradecimentos a todos que colaboraram direta e indiretamente para a
realização das atividades e análises relatadas neste documento. Colaboraram com a coleta de
amostras de sedimentos o professor Ricardo Ferreira Araújo (UFAL) e o bolsista Alex
Fernando da Silva Santos (EMBRAPA/SE) e, com as análises de sedimentos, o Engenheiro
Agrônomo Ricardo Barros da Silva (UFAL Arapiraca). Nas visitas às escolas, contamos com
a valiosa e inestimável colaboração do pesquisador Evaristo Rial, do Centro Oceanográfico
de Vigo da Espanha.
Agradecemos aos Secretários de Agricultura e de Meio Ambiente e aos técnicos dos
municípios pela receptividade e participação das reuniões, a citar, o Sr. Jackson Borges
(Traipú), Antônio Marcos da Silva (Porto Real do Colégio), Aureliano A. Dias Neto e
Antenor Nerys Filho (Igreja Nova), Manoel Messias Limas, Paulo Freire e Lucas Primo
(Penedo), Otávio Augusto Nascimento e José Alípio de Araújo Filho (Piaçabuçu).
Ao Engenheiro Agrônomo e futuro parceiro no desenvolvimento das atividades
ambientais, Henrique Lessa (técnico do IMA, em Penedo - AL), bem como aos técnicos da
CODEVASF em Penedo, Ana Helena, Álvaro Albuquerque e Maciel Oliveira, que nos

50

receberam gentilmente para uma conversa muito enriquecedora sobre os problemas
enfrentados atualmente pelo rio São Francisco.
Agradecimento especial ao Engenheiro Agrônomo William Antônio Rodrigues e ao
Supervisor Geral Aldo José Alves Toledo, bem como a todo demais Técnicos da EMATERAL, Flávio Jodeklan, Gilvan Correia e Luiz Carlos Agostinho, que estiveram presentes e
deram todo o suporte necessário à realização das visitas e reuniões durante toda a expedição.
Aos diretores das escolas públicas, municipais e estaduais, Bruno de Jesus Silva (Porto
Real do Colégio), Vânia Santos Menezes (Chinaré, Igreja Nova) e Marciel Pinheiro Costa
(Penedo), que nos receberam e disponibilizaram seus alunos e professores para participarem
das palestras e visitas. Bem como agradecemos aos Alunos e Professoras da Escola Estadual
Correia Titara, em Piaçabuçu, que se deslocaram para nos visitar no barco da expedição.

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53

MORAIS FILHO, J.Z. O Assoreamento nos Lagos Igapó I e II na cidade de Londrina - PR.
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POPP, J. H. Geologia Geral. 4ª ed. Rio de Janeiro; São Paulo: LTC – Livros Técnicos e
Científicos Editora Ltda., 1988.
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RAMALHO, Cristiano Wellington. Ah, esse povo do mar!: um estudo sobre trabalho e
pertencimento na pesca artesanal pernambucana. 1. ed. São Paulo; Campinas: Editora
Polis; Ceres-Unicamp, 2006.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção / Milton
Santos. - 4. ed. 2. reimpr. - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.
SILVA, A. M; SCHULZ, H. E; CAMARGO, P. B. Erosão e Hidrossedimentologia em
Bacias Hidrográficas. Rima Editora. São Carlos, 2004.
SILVA, L. G. A faina, a festa e o rito: uma etnografia histórica sobre as gentes do mar.
Campinas, SP: Papirus, 2001.
VANUCCI, Marta. Os manguezais e nós. Editora Edusp, São Paulo/SP, 1999.
WALLIMAN, Nicholas. Métodos de Pesquisa. São Paulo, 2015.

54

ANEXO
O impacto da expedição rendeu mais de 50 reportagens, incluindo sites, jornais e
televisão, abaixo alguns endereços eletrônicos do trabalho:
https://ufal.br/ufal/noticias/2018/10/seminario-apresentara-resultado-da-expedicaocientifica-no-baixo-sao-francisco
https://ufal.br/ufal/noticias/2018/10/seminario-apresentara-resultado-daexpedicao-cientifica-no-baixo-sao-francisco
https://diariodopoder.com.br/ufal-lidera-expedicao-cientifica-na-regiao-do-baixo-saofrancisco/
http://g1.globo.com/al/alagoas/gazeta-rural/videos/t/edicoes/v/bioseguranca-naagricultura-e-debatido-durante-simposio-de-ecotoxicologia/7137204/
https://globoplay.globo.com/v/7130190/programa/
https://www.cti.gov.br/pt-br/noticias/barco-aut%C3%B4nomo-iracema-integraexpedi%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-no-baixo-rio-s%C3%A3o-francisco
http://g1.globo.com/al/alagoas/altv-2edicao/videos/v/quase-40-pesquisadoresparticipam-de-expedicao-cientifica-no-rio-sao-francisco-em-al/7093319/

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56
                
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