Cartilha Arqueologia Subaquática
Cartilha produzida pelos professores Luis Felipe Santos, Paulo Bava, Gilson Rambelli e Leandro Duran, da UFS, por meio da parceria da Expedição Científica do Baixo São Francisco com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal). Edição e revisão: Rose Ferreira. Diagramação: Thyeres Medeiros.
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Documento PDF (2.6MB)
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Você sabia que há
tesouros submersos
no Rio São Francisco?
Eles são, na verdade, patrimônios culturais.
E, a partir de agora, você vai aprender
a identificá-los e a preservá-los, com os
cientistas da Arqueologia Subaquática!
Universidade Federal de Alagoas (Ufal)
Josealdo Tonholo – Reitor
Eliane Cavalcanti – Vice-reitora
V Expedição Científica do Baixo São Francisco
Coordenadores:
Prof. Dr. Emerson Soares (Ufal)
Prof. Dr. José Vieira (Ufal)
Profª. Drª. Themis Silva (Ufal)
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas
(Fapeal)
Prof°. Dr. Fábio Guedes Gomes - Diretor-presidente
Prof°. Dr. João Vicente Lima - Diretor executivo de Ciência e
Tecnologia
Cartilha de Arqueologia Subaquática
Produção:
Prof°. Dr. Luis Felipe Santos (UFS)
Prof°. Dr. Paulo Bava (UFS)
Prof°. Dr. Gilson Rambelli (UFS)
Prof°. Dr. Leandro Duran (UFS)
Edição e revisão: Rose Ferreira
Diagramação: Thyeres Medeiros
Impressão: Agência de Produção Editorial de Alagoas (Apeal)
Tiragem: 287 exemplares
Disponível também em
www.ufal.br/expedicao-sao-francisco
ARQUEOLOGIA
A Arqueologia é a ciência que estuda as
pessoas de diferentes épocas e lugares,
através da análise e interpretação dos restos
m a te r i a i s d e i xa d o s n o p l a n e t a e q u e
resistiram à ação do tempo.
Assim, a Arqueologia Subaquática nada
mais é do que a “ versã o molha da da
Arqueologia”. Os arqueólogos e arqueólogas
mergulham para pesquisar, analisar e avaliar
as “descobertas” embaixo d'água, a exemplo
do Rio São Francisco.
A diferença é que a visitação a esses
sítios submersos só deve ser feita com o
auxílio de guias treinados, que saibam
explicar a história e a importância da
preservação desses bens.
Como se faz arqueologia
debaixo d’água?
Na água, não é possível utilizar pincéis ou acessórios
de metal, então precisamos fazer adaptações. Para
isso, usamos:
sugadora (uma espécie de aspirador de pó aquático);
pá de plástico;
quadrados rígidos, para medir o que deve ser
escavado;
uma câmera protegida para fotos e vídeos;
roupa de mergulho, nadadeiras e cilindro de
oxigênio nas costas.
Como o arqueólogo faz para
não esquecer o que encontra
nos mergulhos?
Tudo tem que ser bem documentado, mas
fotos e vídeos não são suficientes. É preciso
anotar os detalhes dos achados.
E como se escreve
dentro da água?
Com lápis normal, como o que você
usa! E se precisar corrigir alguma
coisa, a borracha entra em ação.
O segredo está no uso de um
papel especial (impermeável),
que é bem fininho, mas que não
se desfaz na água.
patrimônio cultural
Patrimônio é um bem cultural que
serve para construir a memória, “contar” a
história das comunidades e da sociedade.
Esses bens criam uma relação entre as
pessoas que vivem no presente e as que
viveram no passado.
ele pode ser:
material
imaterial
edificações
festas
embarcações
naufragadas
hábitos da
comunidade
objetos
rituais
obras de arte
danças
sítios arqueológicos
Os sítios arqueológicos estão
espalhados por todos os lugares. Podemos
encontrar vestígios de materiais tanto na
superf ície do solo que pisamos, como
a ba i xo d e l e , m a s t a m b é m d e fo rm a
submersa, embaixo d'água, como no Rio São
Francisco.
Esses materiais, que chegam a ter até
milhares de anos, podem nos mostram
como as pessoas daquela época viviam.
Conhecendo o nosso passado, as nossas
origens, podemos viver melhor o presente e
planejar o futuro, mantendo viva a memória
coletiva da nossa comunidade.
Sim! Nos últimos anos, os
pesquisadores do Laboratório de
Arqueologia de Ambientes Aquáticos, da
Universidade Federal de Sergipe (UFS), vêm
rea l i z a n d o i nve s t i d a s a rq u e o l ó g i c a s
subaquáticas em diferentes localidades ao
longo do Rio São Francisco, realizando a
identificação e registro de sítios
arqueológicos. As “descobertas” são feitas
sempre com a colaboração das
comunidades ribeirinhas e parceiros, como
a Expedição Científica do Baixo São
Francisco.
Como resultado desse trabalho, hoje contamos
com 18 sítios arqueológicos subaquáticos,
registrados junto ao IPHAN, e mais de uma
dezena em processo de registro. Todos esses
sítios são testemunhos de práticas humanas
(sociais) exercidas nas águas, pelas águas e com
as águas do Velho Chico. Como por exemplo:
embarcações nauf ragadas em diferentes
épocas; antigas áreas e estruturas portuárias;
lixeiras subaquáticas de séculos atrás; e muitos
outros elementos ligados à memória náutica e
ribeirinha, que são imateriais, como os modos de
fazer (carpintaria naval, modelismo naval, faina
pesqueira etc).
Quem deve proteger o
patrimônio arqueológico?
Devido ao seu grau de importância para
a nossa sociedade, o patrimônio arqueológico
é um bem cultural protegido por lei, sendo o
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN) e a Marinha do Brasil,
quando se trata de um patrimônio submerso,
as instituições responsáveis pela proteção e
gestão do patrimônio arqueológico brasileiro.
Então, caso você encontre um artefato,
um sítio arqueológico ou saiba que alguém
tem explorado um sítio arqueológico na sua
região sem autorização, entre em contato
com o IPHAN ou a Marinha do Brasil, para
receber as devidas orientações.
iphan
(61) 2024-6355
depam@iphan.gov.br
cgbm@iphan.gov.br
www.gov.br/iphan
marinha
do brasil
(82) 3211-1013
cprn.ouvidoria@marinha.mil.br
www.marinha.mil.br
Como eu posso ajudar na
preservação do patrimônio
cultural da minha região?
Você também pode nos ajudar a proteger o
patrimônio arqueológico de Sergipe e Alagoas!
Colabore com a Carta Arqueológica Subaquática do
Baixo Rio São Francisco, passando referências e
relatos sobre aquelas “coisas antigas” achadas ao
longo do rio.
Mas, atenção! Nunca leve para casa os
achados, pois é muito importante para o trabalho
arqueológico entendê-los em seus locais de origem,
o que chamamos de contexto arqueológico. Os
arqueólogos são como detetives que precisam
analisar a cena de um crime, por isso é essencial
manter os achados em seus locais de “descoberta”.
Para mais informações, acesse o site
www.linktr.ee/laaa.ufs ou aponte a câmera do seu
celular para o QR code.