Desenvolvimento de Ações de Promoção de Saúde Bucal nas Comunidades Ribeirinhas do Baixo São Francisco Frente ao Diagnóstico das Condições Odontológicas: Relato de Experiência
Autoras: Christiane Cavalcante Feitoza e Daniela Ferreira de Oliveira. http://doi.org/10.21270/archi.v11i4.5469
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Relato de Experiência
Desenvolvimento de Ações de Promoção de Saúde Bucal nas Comunidades
Ribeirinhas do Baixo São Francisco Frente ao Diagnóstico das Condições
Odontológicas: Relato de Experiência
Development of Oral Health Promotion Actions in the Riverside Communities of Baixo São Francisco in View of
Diagnosis of Dental Conditions: Experience Report
Desarrollo de Acciones de Promoción de la Salud Bucal en las Comunidades Ribereñas del Baixo São Francisco
ante el Diagnóstico de Afecciones Dentales: Relato de Experiencia
Daniela Ferreira de OLIVEIRA
Discente do curso de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Faculdade de odontologia da Universidade Federal de
Alagoas (FOUFAL), 57072-970 Maceió-AL, Brasil
https://orcid.org/0000-0003-4965-2416
Christiane Cavalcante FEITOZA
Professora Adjunta nas disciplinas de Fisiologia Humana, Anatomia Humana e Biofísica da Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
campus Arapiraca, 57309-005 Arapiraca-AL, Brasil
https://orcid.org/0000-0002-2925-9804
Resumo
Doenças bucais podem ser evitadas por meio de medidas preventivas e de promoção e educação em saúde. Os ribeirinhos do
Baixo São Francisco apresentam uma baixa condição socioeconômica, e por esse motivo infelizmente muitas vezes não
conseguem ter acesso a uma saúde bucal de qualidade. Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas em parceria com
outras universidades e órgãos ambientais inovou com ações de promoção da saúde bucal voltadas para a comunidade
ribeirinha das cidades do Baixo São Francisco. Esse estudo objetivou-se em relatar uma experiência vivenciada nas
comunidades ribeirinhas durante a III Expedição Científica do Baixo São Francisco, entre os dias 29 de novembro a 10 de
dezembro de 2020. A pesquisa observacional do tipo pesquisa-ação pode ser desenvolvida através da articulação da equipe
de coordenação da Expedição professores, secretários de educação, meio ambiente e saúde, com a equipe da EMATER, dos
municípios. Cartazes e atividades recreativas foram utilizadas juntamente com a distribuição de kits de higiene oral. Também
foram realizadas uma breve análise da condição bucal das crianças dos municípios visitados. Com isso, foi possível constatar a
presença de diversas maloclusões e de dentes cariados, assim como perda de elementos dentais de forma precoce. Diante de
uma população que se encontra em vulnerabilidade social, este estudo contribuiu com uma visão sobre a experiência dos
cirurgiões dentistas, que deve ser considerada parte interessada e importante na implementação e sustentabilidade do
programa de saúde bucal para a população ribeirinhas.
Descritores: Saúde Bucal; Cárie Dentária; Epidemiologia.
Abstract
Oral diseases can be prevented through preventive measures and health promotion and education. The riverside inhabitants of
Baixo São Francisco have a low socioeconomic status, and for this reason, unfortunately, they often are unable to access
quality oral health. Researchers at the Federal University of Alagoas in partnership with other universities and environmental
agencies, innovated with oral health promotion actions aimed at the riverside community in the cities of Baixo São Francisco.
This study aimed to report an experience lived in the riverside communities during the III Scientific Expedition of Baixo São
Francisco, between November 29th and December 10th, 2020. Observational research of the action-research type can be
developed through articulation of the Expedition`s coordination team, teachers, education, environment and health secretaries,
with the EMATER team, from the municipalities. Posters and recreational activities were used together with the distribution of
oral hygiene kits. A brief analysis of the oral condition of children in the cities visited was also carried out. With that, it was
possible to verify the presence of several malocclusions and decayed teeth, as well as loss of dental elements at an early stage.
In the face of a population that is in social vulnerability, this study contributed with a view on the experience of dental surgeons,
which should be considered an interesting and important part in the implementation and sustainability of the oral health program
for the riverside population.
Descriptors: Oral Health; Dental Caries; Epidemiology.
Resumen
Las enfermedades bucodentales se pueden prevenir mediante medidas preventivas y promoción y educación de la salud. Los
habitantes ribereños del Baixo São Francisco tienen un nivel socioeconómico bajo, por lo que, lamentablemente, muchas veces
no pueden acceder a una salud bucal de calidad. Investigadores de la Universidad Federal de Alagoas en alianza con otras
universidades y agencias ambientales, innovaron con acciones de promoción de la salud bucal dirigidas a la comunidad
ribereña en las ciudades del Baixo São Francisco. Este estudio tuvo como objetivo reportar una experiencia vivida en las
comunidades ribereñas durante la III Expedición Científica del Baixo São Francisco, entre el 29 de noviembre y el 10 de
diciembre de 2020. La investigación observacional del tipo investigación-acción se puede desarrollar a través de la articulación
del equipo de coordinación de la Expedición, docentes, secretarias de educación, medio ambiente y salud, con el equipo de
EMATER, de los municipios. Se utilizaron carteles y actividades recreativas junto con la distribución de kits de higiene bucal.
También se realizó un breve análisis del estado bucal de los niños de las ciudades visitadas. Así, fue posible verificar la
presencia de varias maloclusiones y dientes cariados, así como la pérdida de elementos dentarios en una etapa temprana.
Ante una población en situación de vulnerabilidad social, este estudio aportó una mirada a la experiencia de los cirujanos
dentistas, que deben ser considerados parte interesada e importante en la implementación y sostenibilidad del programa de
salud bucal para la población ribereña.
Descriptores: Salud Bucal; Caries Dental; Epidemiología.
INTRODUÇÃO
A Odontologia é a especialidade que
estuda as estruturas da boca e regiões
adjacentes, suas doenças e tratamentos. Dentre
as enfermidades mais frequentes estão a cárie,
a doença periodontal e a má oclusão. É uma
área que mesmo com todos os avanços do
Sistema Único de Saúde (SUS), ainda enfrenta
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inúmeras dificuldades.
Muitas doenças bucais podem ser
evitadas por meio de medidas preventivas e de
promoção e educação em saúde. A Promoção
da Saúde (PS) exige a compreensão da relação
do ser humano com sua história, suas crenças e
hábitos, relações com o mundo, com seu
ambiente sociocultural, suas necessidades e
direitos. Trabalhar educação em saúde é
contribuir para que através do conhecimento
motivacional ocorram pequenas mudanças na
vida das pessoas, o que pode levar ao bemestar físico e emocional do indivíduo e contribuir
também para uma melhor relação entre o
profissional da saúde e o sujeito que está sendo
beneficiado com a ação1.
Os programas de Promoção de Saúde
Bucal seguem como base um serviço de saúde
democrático, universal, integral e igualitário. A
Odontologia, por muito tempo dedicou-se à
elaboração e aprimoramento de técnicas
operatórias e não conseguiu concentrar
esforços na área de prevenção e promoção da
saúde. Com a chegada do Cirurgião-Dentista ao
Programa Saúde da Família, uma nova
perspectiva foi gerada sobre um modelo de
atenção e acesso às ações de saúde bucal,
propiciando uma
atenção integral
aos
indivíduos2.
Infelizmente, o acesso à saúde bucal
não chega a todas as comunidades. O termo
ribeirinho designa qualquer população que vive
às margens de rios. Os ribeirinhos do Baixo São
Francisco
apresentam
uma
condição
socioeconômica e cultural muito pobre,
sobrevivem e sustentam suas famílias com a
pesca e agricultura, que dependem diretamente
do Rio São Francisco. Este rio apresenta
diversas funções para a comunidade que se
forma a suas margens, atuando como fonte de
renda, barreira geográfica e ponte ambiental,
restringindo e ao mesmo tempo criando formas
de interação3.
Partindo desse preâmbulo, a III
Expedição Científica do São Francisco,
realizada em dezembro de 2020, por
pesquisadores da Universidade Federal de
Alagoas em parceria com outras universidades
e órgãos ambientais, neste ano, inovou com
ações de promoção da saúde bucal voltadas
para a comunidade ribeirinha das cidades do
Baixo São Francisco. O objetivo foi levar
esperança a estes menos favorecidos,
mostrando que são importantes e que a
sociedade também olha por eles, através do
compartilhamento
de
forma
lúdica
de
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informações sobre a prevenção das doenças
bucais para despertar a importância do
autocuidado quanto à saúde da boca e saúde
geral.
MATERIAL E MÉTODO
Este trabalho caracteriza-se como
qualitativo, observacional, com metodologia de
pesquisa-ação, ou seja, além do objeto de
estudo e pesquisa, ações educativas foram
desenvolvidas diariamente entre os dias
01/12/2020 e 09/12/2020, em prol da sociedade,
cujo público-alvo foi a comunidade ribeirinha do
Baixo São Francisco. O cenário de atuação foi
às escolas públicas e associações dos
moradores dos municípios de Alagoas:
Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, São Brás,
Porto Real do Colégio, Igreja Nova, Penedo,
Piaçabuçu e em Sergipe, Brejo Grande.
Esta pesquisa-ação em promoção de
saúde bucal foi coordenada por uma profissional
de Odontologia e por uma acadêmica do
mesmo curso da UFAL; contou com o apoio da
equipe da III Expedição do Baixo São Francisco,
que nas edições anteriores perceberam a
necessidade de se fazer algo a mais por esse
público, indo além das ações socioambientais e
vislumbraram a Possibilidade de integrar ações
de saúde, neste ano, Saúde Bucal.
A dinâmica para organizar as ações
aconteceu através da articulação entre a
coordenação
da
Expedição,
com
os
professores, secretários de educação, meio
ambiente e saúde, com a equipe da EMATER
de cada município. Assim, através de prévias
reuniões virtuais devido à pandemia da COVID19, planejaram-se as possibilidades de
atividades a serem aplicadas em cada
comunidade, levando-se em consideração as
peculiaridades de cada região, a forma de
acesso às escolas e à associação de
moradores. Em cada município, a equipe da
EMATER, juntamente com os motoristas da
Universidade Federal de Alagoas e da
Universidade Federal de Sergipe ficaram
também com a incumbência de levar a equipe
da expedição até as unidades acolhedoras da
ação.
Como
ferramentas
auxiliares
no
desenvolvimento das ações foram utilizados
vídeos educativos de saúde bucal, cartazes com
tópicos sobre como manter um sorriso saudável,
placas personalizadas foram utilizadas em
gincanas educativas de mitos e verdades na
Odontologia, onde foram feitas perguntas como:
Meu dente já nasceu cariado? Escova de
cerdas duras são melhores para escovar os
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dentes? Quanto mais creme dental na escova
de dente melhor é a escovação? Minha gengiva
sangrou, devo parar de escovar? Todas essas
perguntas tiveram por finalidade aguçar a
curiosidade das crianças e dos pais e,
consequentemente, interagir com os ribeirinhos
e sanar dúvidas frequentes sobre a
Odontologia. Foram também disponibilizadas
atividades de caça-palavras, palavras cruzadas
e pinturas com a temática em questão: saúde
bucal, cárie e placa bacteriana, hábitos
alimentares e sua relação com a doença cárie,
hábitos de higiene bucal.
No âmbito da pesquisa, foi feito um
levantamento do tipo de oclusão, da incidência
de cárie dentária e perda de primeiros molares
permanentes nas crianças das instituições de 214 anos, seguindo todo o protocolo de
biossegurança (Álcool gel 70%, luvas, máscaras
e abaixadores de língua descartáveis). O exame
clínico foi realizado individualmente seguindo
um odontograma adaptado, em uma sala
reservada para a consulta de cada criança,
onde os responsáveis presentes foram
esclarecidos e receberam um termo de
consentimento livre e esclarecido.
Esta ação também foi contemplada com
cinco mil kits de higiene bucal, instrumentos
indispensáveis para o autocuidado da boca,
doados pela Colgate- Palmolive, que foram
distribuídos após as atividades educativas, em
todos os pontos visitados pela Expedição. Cada
kit era composto por uma escova dental, um
creme dental e um folheto educativo. As
crianças que não puderam comparecer à ação,
devido ao período de pandemia, tiveram os kits
entregues aos representantes escolares que se
responsabilizaram em entregar junto com as
atividades didáticas ou cestas básicas cujos
responsáveis iam buscar mensalmente nas
escolas.
RESULTADOS
As ações de promoção da saúde bucal
desenvolvidas durante a III expedição do Baixo
São Francisco surgiram da necessidade de
traçar um perfil das condições odontológicas
das crianças dessas comunidades ribeirinhas,
promover ações que pudessem disponibilizar
boas lições à população e estimular mudanças
de hábitos para prevenção das doenças bucais,
sensibilizando gestores e profissionais da
odontologia e educação para a importância do
investimento e valorização da Saúde Bucal.
Durante as visitas, observou-se o
contexto geral das famílias de cada município
ribeirinho visitado. Em grande parte das
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cidades, foi possível ver que as casas são
construídas em alvenaria e o esgoto é coletado
por meio de fossas sépticas ou a céu aberto,
tendo como destino final o rio. Segundo relatos
dos professores das instituições visitadas, as
crianças são de origem familiar humilde e
frequentam a escola para terem ao menos uma
refeição garantida, a merenda escolar, visto que
muitas famílias não têm condições de oferecer
as três refeições diárias mínimas. Com a
pandemia, tal condição tornou-se mais crítica, e
em alguns municípios, as cestas básicas para
auxílio alimentar estão sendo distribuídas aos
responsáveis.
Com relação às atividades assistenciais
desenvolvidas nas comunidades, tivemos uma
experiência satisfatória com todas elas. Durante
cada visita foi possível interagir com as
crianças, pais e professores e saber das
dificuldades enfrentadas pela população. A
experiência obtida durante essa série de
atividades foi fundamental para uma formação
diferenciada de todos os expedicionários,
desenvolvendo um aprimoramento científico,
técnico e humano.
Cada escola e associação receberam
positivamente as atividades; os alunos se
reuniram mantendo o distanciamento social, o
uso de máscara e álcool gel, no pátio das
escolas na espera de nossa apresentação. A
presença de alguns pais também foi observada,
o que tornou as atividades ainda mais
dinâmicas.
Inicialmente realizava-se uma palestra
com os alunos e professores acerca de dicas
como manter um sorriso saudável; nessa
palestra deixava-se claro para os ouvintes a
importância do uso correto da escova de dente,
do fio e do creme dental, a importância de
abandonar hábitos deletérios para a saúde
bucal e como também acrescentar na rotina,
hábitos que proporcionam uma melhor
qualidade na saúde bucal (Figura 1).
As gincanas de mito e verdade foram
acompanhadas com perguntas que pudessem
despertar o saber dos estudantes e sanar suas
curiosidades, onde as crianças interagiram para
justificar sua resposta de mito ou verdade e
ganharam brindes como camisa, canetas e
blocos de notas, o que estimulava ainda mais a
participação de cada ribeirinho (Figura 2).
O ensino da técnica de escovação foi
ilustrado com auxílio de bocas em manequins e
escovas dentais; devido ao período de
pandemia não foi possível realizar o
monitoramento de escovação entre os alunos,
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contudo alguns foram convidados para
demonstrar nos manequins a forma que
realizavam a escovação em casa (Figura 3). Os
alunos também tiveram a oportunidade de
realizar atividades de caça-palavras e palavras
cruzadas
com
temas
relacionados
à
odontologia(Figura 4); em algumas cidades
onde as escolas dispunham de projetor
multimídia, como data show, foi possível
proporcionar para as crianças uma sessão
cinema, com um vídeo educativo curto que
relatava a importância de desenvolver todos os
processos relacionados a higiene bucal, desde
escovar os dentes após cada refeição, ao uso
do fio dental e realizar a escovação da língua.
Figura 3: Ensino de técnica de escovação em manequim com as
crianças da Cidade de Brejo Grande.
Figura 1: Palestra de promoção e prevenção a saúde bucal para a
comunidade Quilombola do Município de Brejo Grande
Figura 4: Estudantes do Município de Pão de
desenvolvendo atividades recreativas de caça-palavras
Figura 2: Entrega de prêmios para as crianças da Escola Messias
Calumbi em Piaçabuçu.
Açúcar
Os filmes do Dr. Dentuço e da Dra.
Escovita (Colgate) foram os escolhidos para as
sessões pipocas” (Figura 5). Além da parte
educativa, foi possível realizar um levantamento
piloto das condições odontológicas das crianças
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de cada município, onde avaliou-se o perfil
oclusal das crianças, a incidência de cárie e a
perda de dentes decíduos de forma prematura
ou ainda, dos próprios dentes permanentes. A
avaliação foi realizada dentro de uma sala, com
apenas um dentista e uma acadêmica de
Odontologia e as crianças eram chamadas
individualmente para a consulta, respeitando as
diretrizes do Conselho Nacional de Saúde
(Figura 6). Ao final de cada atividade nas
escolas a equipe fazia a distribuição de kits de
higiene bucal para as crianças e para os adultos
que se fizeram presente nas palestras
(Figura 7).
Figura 7: Entrega de kits de higiene oral para a população do
Município de São Brás.
Figura 5: Sessão de cinema educativo na Escola Municipal de
Chinaré.
Como
resultado
parcial,
pode-se
identificar a presença de diversas más oclusões
na maioria dos participantes. Com relação à
perda
precoce
de
elementos
dentais,
infelizmente, constatou-se nessa amostra de
mais de 100 crianças, com idade entre 2-14
anos, que mais de 50% têm ou já tinham tido
cárie dentária e que, no grupo dos ribeirinhos
entre 8-10 anos, mais de 40% já haviam perdido
pelo menos 1 primeiro molar permanente ou já o
apresentava muito destruído por cárie. Vale
ressaltar, que o ser humano apresenta 4
primeiros molares permanentes e que estes
erupcionam (nascem) por volta dos 6 anos de
vida e devem permanecer na boca durante toda
a vida. Tal condição de doença bucal
atualmente
ainda
é
uma
realidade,
principalmente em regiões que se encontram
em
vulnerabilidade
social,
como
as
comunidades visitadas ao longo do Velho Chico.
DISCUSSÃO
Figura 6: Avaliação da dentição dos alunos na cidade de Chinaré.
O Brasil possui discrepâncias regionais e
sociais gritantes, e essas discrepâncias também
são vistas nos índices de saúde bucal, onde a
região Norte e Nordeste acabam se destacando
negativamente.
Países
desenvolvidos
já
apresentam um baixo índice de cárie, porém
países subdesenvolvidos apresentam grandes
números de pessoas desassistidas no âmbito
da saúde bucal.
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Além dessa variação entre os países,
existe uma variação quando se compara a
região, capital e interior, sendo no interior
encontradas as piores condições de saúde
bucal. Isso por muitas vezes ocorre devido ao
difícil acesso aos serviços de saúde,
comprometendo assim, os princípios que regem
o
Sistema
Único
de
Saúde
(SUS):
universalidade e integralidade4,5.
As comunidades ribeirinhas destacam-se
quando o assunto em questão é a
acessibilidade dos serviços de saúde. Existem
fatores naturais que intensificam essa
dificuldade de acesso, como por exemplo, os
períodos de cheia e de seca, por isso a doença
cárie torna-se mais evidente em algumas
comunidades4,6.
Crianças ribeirinhas do Brasil estão
sendo alvo de muitos estudos, relacionando a
perda precoce de dentes decíduos e a
qualidade da saúde bucal dos que têm pouco ou
nenhum acesso aos serviços de saúde, bem
como os conhecimentos de educação em saúde
bucal. A integridade e preservação dos dentes
decíduos também vem sendo estudada, pois
apresenta uma forte correlação com as más
oclusões dentárias. A preservação dos dentes
decíduos é vista como fundamental para a
manutenção do comprimento do arco dentário e
a conservação do espaço para os sucessores
permanentes, contribuindo para o melhor
posicionamento e consequentemente, para um
melhor desenvolvimento da oclusão na fase de
dentição decídua, mista e permanente6,7.
Crianças que têm a perda prematura dos
dentes decíduos também tendem a desenvolver
alguns problemas psicológicos que acabam
repercutindo em problemas de inferioridade e
insatisfação do indivíduo. Estudos relatam que a
maior porcentagem de crianças que são
submetidas a procedimentos ortodônticos na
dentição permanente é devido a perda precoce
dos dentes decíduos. A perda precoce também
pode levar a alteração da cronologia8,9.
É importante o desenvolvimento de
ações que invistam em estratégias de educação
em saúde bucal nessas comunidades. As
estratégias precisam ser dinâmicas e criativas,
pois ao longo do tempo perdem a eficácia se
não forem reforçadas. A equipe de saúde local
deve sempre se preocupar em favorecer a
autonomia e a capacidade de compreender a
influência do meio na saúde das pessoas10. A
cárie ainda é a principal causa de perdas
dentárias no Brasil, os principais pontos que
mantêm esses índices altos são a dificuldade de
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acesso aos serviços de saúde, e também
muitos ainda têm a falsa ideia que por o dente
decíduo ser temporário não necessitam de
cuidado como os dentes permanentes11.
Frente à pandemia, vários pais não
liberaram seus filhos para participarem das
atividades, alegando que os filhos só irão para a
escola quando a vacina contra a COVID-19
estiver liberada para todos. Nesse contexto,
alguns secretários municipais de educação e da
saúde, também não permitiram a mobilização
dos alunos para irem ao encontro da III
Expedição.
Direcionando o olhar para a questão
odontológica, vários pontos foram levantados
como limitadores do acesso aos serviços,
apesar dos professores relatarem que algumas
escolas recebem visita de dentistas do PSF e
direciona o atendimento dos escolares, porém,
para aqueles que já apresentam a doença em
estágio avançado: dor, abscesso e grandes
destruições dentárias, ou seja, seguindo ainda o
modelo extracionista.
A recorrência da falta de materiais
odontológicos que inviabiliza o atendimento da
população, a falta de ações dos profissionais de
saúde do município em atividades educativas
nas escolas, a dificuldade de acesso à Unidade
Básica de Saúde (UBS), a distância de muitos
povoados até o posto de saúde, o descaso e
desinformação de muitos pais que não
conseguem prevenir as doenças nos seus filhos
e nem os levam para o atendimento, quando
este existe, é motivo de evasão das visitas
periódicas ao dentista.
Tais pontos negativos sinalizam a
necessidade do desenvolvimento preponderante
de ações preventivas, de maior envolvimento
dos gestores, maior compromisso dos
profissionais
de
odontologia
e
melhor
informação à comunidade, no sentido de que a
visita ao dentista seja regular para que o
profissional possa atuar de forma a evitar o
problema (dor) e não de já solucioná-lo através
de mutilações (exodontias) e assim, diminuir,
consequentemente a perda de elementos
dentais por cárie, minimizando os agravos para
a saúde geral da população.
Por meio dessas reflexões, torna-se
evidente a importância de destacar a vivência
do expedicionário, cientista, pesquisador, aluno
de graduação, em atividades de projeto de
extensão e trabalhos sociais, o que leva ao
desenvolvimento de habilidades práticas
profissionais e ao desenvolvimento de noções
de coletividade.
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A
importância
da
atuação
da
Odontologia deve ir além da clínica, extrapolar o
limite físico das paredes de consultórios.
Apresenta significância social, com dever de
transformar as problemáticas de saúde na
sociedade. A Promoção da Saúde Bucal deve
estar voltada para os aspectos sociais, indo
além dos limites da técnica em si de
tratamentos curativos, deparando-se com as
reais necessidades em saúde, onde as
verdadeiras respostas para os problemas
estruturais começam a serem visualizados no
cotidiano das comunidades, principalmente as
que estão em situação de vulnerabilidades
sociais como é o caso das comunidades
ribeirinhas.
CONCLUSÃO
Diante de uma população que se
encontra em vulnerabilidade social, este estudo
contribuiu com uma visão sobre a vivência dos
expedicionários que deve ser considerada
extremamente importante na implementação e
sustentabilidade do programa de saúde bucal
para a população ribeirinhas.
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Os autores declaram não haver conflitos de interesse
AUTOR PARA CORRESPONDÊNCIA
Daniela Ferreira de Oliveira
Loteamento Santa Amélia, Rua 4 C, Quadra E, Bairro
Santa Amélia,
57063-033, Maceió-AL, Brasil
E-mail: daniferreira.oliver@gmail.com
Submetido em 24/05/2021
Aceito em 02/08/2021
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