Reitor avalia estragos causados às pesquisas do Ceca

Eurico Lôbo entrega relatório à assessoria jurídica que apresentará quais ações cabíveis serão tomadas

06/11/2013 19h47 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h30
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Reunião no gabiente do reitor Eurico Lôbo para avaliar danos causados às pesquisas do Ceca

Simoneide Araújo - jornalista

O reitor da Universidade Federal de Alagoas, Eurico Lôbo, fez uma reunião na tarde desta quarta-feira, 6, com a direção do Centro de Ciências Agrárias (Ceca), para avaliar os danos causados ao Centro decorrentes da ação de integrantes dos movimentos sociais de trabalhadores sem-terra. Pelo levantamento feito até agora, a destruição de experimentos que levaram anos de pesquisas é um prejuízo incalculável e não tem como ser recuperado.

Os secretários de Estado da Ciência e Tecnologia e Inovação, Eduardo Setton, e da Agricultura, Henrique Soares, também participaram da reunião e lamentaram o ocorrido no Ceca, na terça-feira (5). “Este momento tem um valor simbólico. Estamos aqui como um ato de solidariedade para com a Universidade e, particularmente, com o Ceca, que é um patrimônio do Estado. Lá há pesquisas estruturantes, principalmente na área de agricultura familiar e da cana de açúcar”, destacou Setton.

O reitor recebeu do diretor do Ceca, Paulo Vanderlei, um relatório parcial sobre as ações do sem-terra que destruíram estrutura de estufa de produção de plântulas [Embrião de uma planta contido numa semente] de cana. Foram cerca de 30 mil plântulas que seriam utilizadas no Programa de Melhoramento Genético da Cana de Açúcar (PMGCA). De acordo com o documento, houve a destruição do jardim clonal de variedades RB [República do Brasil] produzidas pela Ufal. “Esse jardim é uma exigência do Ministério da Agricultura para manter amostras vivas de todas as cultivares protegidas junto ao órgão produtor; sem esse jardim o registro pode ser cancelado”, relatou Paulo Vanderlei.

Outro ponto do relatório consta a destruição de estufa de vidro utilizada para experimentos com diversas culturas. “Esses experimentos eram conduzidos por alunos de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado) para elaboração de trabalhos de conclusão e curso, dissertações e teses. Agora, tudo está perdido. Nossos pesquisadores vão começar do zero e nossos alunos podem não concluir seus cursos no tempo correspondente às bolsas de Capes e CNPq”, reforçou o diretor.

Eurico Lôbo encaminhou o relatório à assessoria jurídica da Universidade, que apresentará quais medidas cabíveis devem ser tomadas. “É lamentável essa conduta dos movimentos sociais. Estranho a atitude dos trabalhadores sem-terra já que sempre tivemos uma relação colaborativa na área de educação no campo e de agricultura familiar”, declarou.

Para o reitor, a destruição impacta não só na Ufal, mas em todas as instituições que compõem a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa). “A Ufal tem a liderança nessas pesquisas de melhoramento genético da cana de açúcar e é referência. São anos de pesquisa, mas não é só isso; nossa Universidade também desenvolve no Ceca ações de fortalecimento da agricultura familiar e ações sociais, como educação no campo”, ressaltou.

O reitor fala ainda do prejuízo social para a Ufal e para os pesquisadores, atingidos pela ação dos movimentos sociais dos trabalhadores sem-terra. “São meses, anos de trabalho destruídos; os prejuízos são incalculáveis”, lamentou.

Eurico Lôbo agradeceu, em nome da Ufal e da comunidade científica, sobretudo do Ceca, a atitude do governo estadual, que, por meio da Secti, vai arcar financeiramente para minimizar os danos materiais causados ao Ceca. “Sabemos que não dá para recuperar os anos de pesquisa destruídos, mas vamos contribuir para recuperar a parte de estrutura física danificada”, anunciou Setton.