Medicina debate a arte dos sentidos na saúde

As atividades têm participação ativa do projeto “Medicina, Diversão e Arte” que promove ações para a atuação humanizada do profissional dessa área

08/10/2013 10h40 - Atualizado em 14/08/2014 às 10h30
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O médico Vítor Pordeus destaca a importância da alagoana Nise da Silveira, que revolucionou a psiquiatria implantando o tratamento baseado na arte e cultura

Diana Monteiro – jornalista

Prossegue até sexta-feira, 11, no auditório da Faculdade de Medicina (Famed), a III Semana de Arte e Cultura promovida pelo curso da Universidade Federal de Alagoas. A abertura na manhã desta segunda-feira, 7, foi  marcada pela conferência do ator e médico carioca Vitor Pordeus,  que enfocou  a temática  “A arte dos sentidos  na saúde”. Vitor encenou e interagiu com os participantes sintonizando-se com o propósito do evento, que é debater a atuação humanizada do profissional dessa área por meio da arte e cultura, vislumbrando  uma nova concepção de vida com perspectiva na melhoria  de qualidade de vida.

A III Semana de arte e cultura da Faculdade de Medicina tem a coordenação da professora Edna Bezerra e na abertura contou com a participação do diretor Francisco Passos; da coordenadora do curso, Yasmin Albuquerque e alunos. O pró-reitor de Extensão, Eduardo Lyra, representou a gestão.

Além de palestras, oficinas, debates e apresentações culturais, durante os dois horários, no hall do prédio novo da Famed vêm acontecendo exposições de desenhos e outras manifestações artísticas com fotos, desenhos, e espaço de cuidados, envolvendo os três segmentos do curso de Medicina. O evento conta com o apoio da Proex e Sala de Cuidado Antônio Piranema.

Os integrantes do projeto Medicina, Diversão e Arte apresentaram também as ações promovidas junto aos pacientes do Hospital Universitário, mostrando às visitas feitas pela equipe à Ala de Quimioterapia. Expressão corporal, conversas, poesias, contos, estão entre as atividades do Projeto.

Humanização  

O corpo não é máquina, a pobreza é a principal doença. A sociedade está agonizando e arte é função social”, disse Vitor Pordeus, que destacou a revolução que a alagoana Nise da Silveira, de renome nacional e internacional, fez na psiquiatria humanizando o tratamento de doenças mentais, como a esquizofrenia, por meio da arte e cultura.

A alagoana Nise da Silveira fez o curso na Bahia, foi a primeira mulher a se formar em medicina naquele Estado e pela atuação política exercida foi perseguida pela ditadura militar, onde amargou dois anos de cárcere. Ao sair foi lotada para trabalhar no Engenho de Dentro, no Hospício Pedro II, o primeiro hospício do Brasil.

Corajosamente, Nise da Silveira disse não a todo o tratamento feito até então aos pacientes, dizendo que “cheirava à tortura”. Começou então a trabalhar com oficinas junto aos pacientes dotadas de 17 atividades diferentes, e dentre elas duas se destacaram: a pintura e a escultura”, frisou Vitor, que é médico do Instituto Municipal Nise da Silveira. Sua atuação profissional junto aos pacientes acometidos de esquizofrenia na promoção de atividades é centrada na arte e cultura. Tem formação na área de imunologia realizada em Israel, onde continua como bolsista pesquisador.

Na terça-feira, 8, Vitor Pordeus será o facilitador da Oficina “Ações expressivas” (parte II), no auditório da Famed e na quarta-feira, 9, dará continuidade a terceira parte  da atividade. Ambas estão definidas para às 14 horas. Mais informações: 3214 -1152.