Primeiros Socorros Psicológicos

Reconhecer o sofrimento, oferecer uma presença segura e saber quando buscar ajuda também são formas de cuidado.

O sofrimento psíquico pode surgir em diferentes momentos da vida, diante de perdas, conflitos, adoecimento, situações traumáticas, dificuldades pessoais ou relacionadas ao trabalho. É uma experiência que pode envolver dimensões emocionais, físicas, relacionais e sociais e nem sempre significa a presença de um transtorno mental. Entre os sinais que merecem atenção estão tristeza persistente, isolamento, desesperança, alterações importantes do sono e do comportamento, crises intensas de ansiedade, irritabilidade e pensamentos relacionados à morte ou à autolesão. 

Um desafio mundial — e também do mundo do trabalho:

Dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025 mostram que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo. Essas condições estão entre as principais causas de incapacidade e ainda convivem com importantes lacunas de acesso ao cuidado em saúde mental. 

No Brasil, o impacto também aparece de forma expressiva no trabalho. Dados do Ministério da Previdência divulgados pela Fundacentro em 2025 registraram cerca de 472 mil benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais em 2024, evidenciando a crescente importância da saúde mental no campo da Saúde do Trabalhador. 

Esse cenário reforça que o ambiente e a organização do trabalho também precisam ser considerados. Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou o Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, no contexto da NR-1, que passou a explicitar esses fatores no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Entre eles podem estar aspectos relacionados à organização, às relações socioprofissionais e às condições em que o trabalho é realizado. 

No cotidiano, o sofrimento pode se manifestar por mudanças de humor, dificuldade de concentração, distanciamento dos colegas, apatia, atrasos frequentes e queda no desempenho. 

Perceber esses sinais não significa diagnosticar alguém. Significa reconhecer que uma pessoa pode estar precisando de acolhimento e ajuda.

O que são os Primeiros Socorros Psicológicos?

Os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) constituem uma forma de apoio humano, prático e não invasivo diante de situações de sofrimento intenso, estresse ou crise. Buscam oferecer segurança e acolhimento, identificar necessidades imediatas, escutar sem pressionar, fornecer informações adequadas e favorecer a conexão com a rede de apoio e com serviços especializados, quando necessário. 

Os princípios podem ser sintetizados em cinco ações: proteger, confortar, escutar, informar e encaminhar. 

Os PSP não substituem atendimento psicológico, psiquiátrico ou outro acompanhamento profissional. Também não significam investigar detalhadamente o que aconteceu, pressionar a pessoa a falar ou oferecer soluções prontas. 

Diante de alguém em sofrimento, procure manter uma postura calma, respeitosa e acolhedora. Escute sem julgar, respeite o tempo da pessoa, identifique necessidades imediatas e ajude-a a acessar pessoas ou serviços que possam oferecer o suporte necessário.

Você não precisa ter todas as respostas para ajudar. Acolher, escutar e conectar também são formas de cuidado.

Quando buscar ajuda profissional?

Sinais intensos ou persistentes, como isolamento acentuado, desesperança, alterações importantes do comportamento, crises graves de ansiedade, autolesão ou manifestação de intenção suicida exigem maior atenção.

Em situações com risco imediato à vida, tentativa de suicídio, grave alteração do estado mental ou risco para outras pessoas, a prioridade é garantir a segurança e acionar os serviços de urgência. Os PSP têm limites: reconhecer quando é necessário encaminhar também faz parte do cuidado.

 

Onde buscar ajuda

  • CVV – Centro de Valorização da Vida: telefone 188, gratuito, 24 horas por dia, em todo o Brasil. Também oferece atendimento por chat e outros canais.
    Acessar o CVV 

  • SUS: as Unidades Básicas de Saúde (UBS) constituem uma importante porta de entrada para o cuidado em saúde mental; situações que necessitam de atenção especializada podem ser acompanhadas pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em Alagoas, esses serviços integram a Rede de Atenção Psicossocial – RAPS.
    Conheça a Rede de Atenção Psicossocial de Alagoas 

  • Maceió: a rede municipal dispõe de Unidades de Saúde, CAPS e atendimento psicológico por Teleterapia.
    Veja onde buscar atendimento gratuito em saúde mental em Maceió 

  • Urgências e emergências: SAMU – 192, disponível 24 horas. Em Alagoas, a rede de urgência também inclui UPA, portas hospitalares e outros pontos da RAPS.
    SAMU Alagoas – informações oficiais 

  • Emergência psiquiátrica em Maceió: o Hospital Escola Portugal Ramalho integra a rede indicada pela Secretaria de Estado da Saúde para atendimento em situações de emergência psiquiátrica.
    Rede de atendimento e acolhimento em saúde mental em Alagoas 

Na UFAL, os servidores também podem buscar orientação junto ao SIASS/CQVT/PROGEP, especialmente para demandas relacionadas à saúde e ao trabalho.

Para saber mais:

Primeiros Socorros Psicológicos – Guia da OPAS/OMS

Saúde Mental no Trabalho – Organização Mundial da Saúde

Diretrizes da OMS sobre Saúde Mental no Trabalho

 





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