Pesquisadores avaliam pandemia em AL e apontam tendência de estabilização

Análises são das últimas três semanas a partir de critérios indicados pelo C4NE; duas regiões mostram evidências de controle
Por Manuella Soares - jornalista
20/07/2020 18h47 - Atualizado em 22/07/2020 às 15h19
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Notificações em AL entre 5 e 18 de julho

O cenário já mostra uma tendência de estabilização e até controle da pandemia em algumas regiões de Alagoas. É o que aponta o último boletim do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, divulgado nesta segunda-feira (20). As análises são referentes à 29ª Semana Epidemiológica (SE), que encerrou no último sábado (18).

De acordo com os pesquisadores, dos 11 agrupamentos territoriais definidos no Estado, a região metropolitana de Maceió e o litoral norte apresentaram queda simultânea de novos casos e óbitos nas duas últimas semanas epidemiológicas.

“São as únicas do Estado que atendem aos critérios indicados pelo Subcomitê de Epidemiologia do C4NE [Comitê Científico de Combate ao Conoravírus no Nordeste] quanto ao controle de transmissão. As demais, apesar de apresentarem sinais de melhora na última semana, ainda devem consolidar essa tendência ao longo da atual semana”, ressaltou o documento.

Os cientistas da Ufal e da UFMG avaliam que os gráficos de Maceió, que concentra um terço da população de Alagoas, indicam uma estabilidade de novos casos e diminuição no número de óbitos. Mas o ritmo de desaceleração da pandemia é lento e ainda preocupa.

“A comparação entre os números da 27ª à 29ª SE indica que a redução foi consideravelmente menor na última semana. A soma desse resultado com outros gargalos, como defasagem e lacunas relacionadas à testagem, faz com que acendamos ainda mais o sinal de alerta para a situação de Maceió que está iniciando a fase amarela do modelo de distanciamento controlado implantado pelo governo estadual”, salientaram os pesquisadores.

O boletim do Observatório também considera importante a redução das taxas de ocupação de leitos hospitalares disponibilizados para o tratamento de covid, que estava em 63% até o dia 19 de julho, e 25% nas UTIs intermediárias. Outro aspecto positivo apresentado no documento é o comportamento das 3ª, 4ª, 5ª, 7ª e 8ª regiões de saúde, que apresentaram sinais de queda dos indicadores, podendo levar ao controle da pandemia, caso essa tendência seja mantida na atual semana.

Sinal de alerta

O Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19 apontou sinais de descontrole da transmissão da doença nas 6ª, 9ª e 10ª regiões de saúde do Estado. De acordo com os dados, na última semana, a 6ª região, que compreende os municípios do Baixo São Francisco, registrou um aumento de 146% nos novos casos e 20% a mais de óbitos. Já na 9ª região, onde ficam os municípios do Médio Sertão, foram mais 83% de óbitos notificados em relação à 28ª Semana Epidemiológica.

Os pesquisadores ainda salientam que o poder de testagem populacional de Alagoas é baixo e os resultados dos testes moleculares chegam atrasados, ultrapassando as 48 horas recomendadas. Outro fator apontado no boletim que pode mascarar a real situação do Estado é a falta de inquéritos sorológicos que mostrem dados sobre a população imunizada.

A recomendação do subcomitê é para que os gestores reforcem para a população a “importância das medidas de distanciamento social e da adoção de comportamentos de proteção coletiva, como o uso adequado de máscaras em lugares públicos, evitar aglomerações e higienização das mãos e superfícies”.

Formada por pesquisadores nas áreas de matemática, epidemiologia, nutrição, ciência social e economia, vinculados ao Núcleo de Bioestatística em Saúde e Nutrição [da Fanut]; ao Grupo Cidadania e Políticas Públicas [do ICS] e à Unidade de Santana do Ipanema da Ufal, a equipe também enfatiza: “Reforçamos a necessidade da adoção de políticas públicas para o cumprimento das demais medidas indicadas pelo C4NE, como estratégias para identificar, isolar e rastrear novos focos, contenção de surto em locais de alta vulnerabilidade, monitoramento de riscos externos e participação da sociedade nas tomadas de decisão”.

Clique aqui para conferir o boletim na íntegra