Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal (e-book)

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PERFIL SOCIOECONÔMICO
E CULTURAL DOS (AS)
ESTUDANTES DA UFAL
Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na
Educação Superior

Universidade Federal de Alagoas
Josealdo Tonholo
Reitor
Eliane Aparecida Holanda Cavalcanti
Vice-reitora
Ubirajara Oliveira
Chefe de Gabinete
Bruno Morais Silva
Diretor-Geral (DAP)
Alexandre Lima Marques da Silva
Pró-reitor Estudantil (Proest)
Amauri da Silva Barros
Pró-reitor de Graduação (Prograd)
Iraildes Pereira Assunção
Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação (Propep)
Clayton Antônio Santos da Silva
Pró-reitor de Extensão (Proex)
Renato Luís Pinto Miranda
Pró-reitor de Gestão Institucional (Proginst)
Wellington da Silva Pereira
Pró-reitor de Gestão de Pessoas e do Trabalho (Progep)
Dilson Batista Ferreira
Superintendente de Infraestrutura (Sinfra)
Célio Fernando de Sousa Rodrigues
Superintendente do HUPAA-Ufal/Ebserh

Universidade Federal de Alagoas
Pró-Reitoria Estudantil
Editora da Universidade Federal de Alagoas

PERFIL SOCIOECONÔMICO
E CULTURAL DOS (AS)
ESTUDANTES DA UFAL
Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na
Educação Superior

Maceió/AL
2020

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
Reitor
Josealdo Tonholo
Vice-reitora
Eliane Aparecida Holanda Cavalcanti
Diretor da Edufal
Elder Patrick Maia Alves
Conselho Editorial Edufal
Elder Patrick Maia Alves Presidente
Fernanda Lins de Lima Secretária
Adriana Nunes de Souza
Bruno Cesar Cavalcanti
Cicero Péricles de Oliveira Carvalho
Elaine Cristina Pimentel Costa
Gauss Silvestre Andrade Lima
Maria Helena Mendes Lessa
João Xavier de Araújo Junior
Jorge Eduardo de Oliveira
Maria Alice Araújo Oliveira
Maria Amélia Jundurian Corá
Michelle Reis de Macedo
Rachel Rocha de Almeida Barros
Thiago Trindade Matias
Walter Matias Lima

Comissão editorial da Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior
Elaine Cristina Pimentel Costa
Renato Luís Pinto Miranda
Cicero Péricles de Carvalho
Fábio Guedes Gomes
Cesar Nonato Bezerra Candeias
Fonte dos dados
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior – Andifes - V
Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e
Cultural dos(as) Graduandos(as) das Ifes - 2018
Texto, organização, análise e interpretação
dos dados
Prof. Dr. Elder Patrick Maia Alves
Tabulação dos dados
Alex Renner – Gerente de Assistência Estudantil
– Proest
Thayse Fonseca Assistente social - Proest
Revisão de Língua Portuguesa e Normalização
Mauricélia Ramos
Projeto de editoração eletrônica
Mariana Lessa

Projeto de capa
Catalogação naAnelizzy
fonte Souto
Catalogação na fonte
Universidade
Federal
de Alagoas
Universidade
Federal
de Alagoas
Biblioteca
Central
Biblioteca
Central
Bibliotecário:
Marcelino
de Carvalho
Freitas
Neto – –CRB-4
Bibliotecário:
Marcelino
de Carvalho
Freitas Neto
– CRB-4
1767 – 1767

P438

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da UFAL
[recurso eletrônico] : coleção UFAL e políticas públicas de
gestão na educação superior / Maceió : EDUFAL : Proest,
2020.
179 f. : il.
Material em PDF.
Bibliografia: f. 177-179.
1. Economia - Aspectos sociológicos. 2. Estudantes. 3. Política pública. 4.
Ensino superior. I. Título.
CDU: 378.014

ISBN: 978-65-5624-001-5
Direitos desta edição reservados à
Edufal - Editora da Universidade Federal de Alagoas
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A. C. Simões
CIC - Centro de Interesse Comunitário
Cidade Universitária, Maceió/AL Cep.: 57072-970
Contatos: www.edufal.com.br | contato@edufal.com.br | (82) 3214-1111/1113

Editora afiliada:

Equipe Edufal

Equipe Proest Campus Arapiraca

Elder Patrick Maia Alves
Fernanda Lins de Lima
Mariana Lessa de Santana
Diva Souza Lessa
Mauricélia Batista Ramos de Farias
Adelânia Ferreira de Melo
Marta de Carvalho Silva
Anelizzy Marianna Souto Santos

Ana Valéria Santos da Silva
Camila Mayara Barbosa Santos
Charles Carili Costa Silva
José Valdir de Souza Lima
Maria de Lourdes R. da Silva
Maria Luanna da Silva Leite
Maria Madalena Lima dos Santos
Marla de Cerqueira Alves
Mônica Vanderlei dos Santos Bezerra
Vanessa Costa Santos
Lays Caiçara de Medeiros

Equipe Proest
Alexandre Lima Marques da Silva
Alex Renner Silva Santos
Andreza Ferreira da Silva
Antonyone Vilela Borges
Carlos Henrique Calixto dos Santos
Danielle Marinho Barros da Silva
Edvan Claudino Soares da Silva
Elisângela Ferreira da Silva
Erivaldo Farias Gomes
Everton Fabrício Calado
Fabiana Ferreira Marques
Gilmar Sarmento da Silva Júnior
Jean Bernardo da Silva Vieira
José Cícero Pinto dos Santos
José Marcos Gomes
Jose Ulisses Filho
Lanni Sarmento da Rocha
Lilian Nobre Pinheiro da Silva
Lucélia Maria Lima da Silva
Maria do Carmo Leite Azevedo
Maria Tereza Albuquerque e Silva
Milena de Castro Fernandes
Rafael Carvalho Cunha
Tatiana Durão D’Ávila Luz
Thayse dos Santos Fonseca Pinheiro
Vanessa Andreza Carmo Valença
Thanyara de Medeiros Lima Rolim

Equipe Proest Unidade de Ensino
Penedo
Joelma Trajano dos Santos
Janegeyce da Costa Petuba
Equipe Proest Unidade de Ensino
de Palmeira dos índios
Tathiana Lúcia Braga Netto
Laura Priscila de Almeida Santos
Equipe Proest Unidade de Ensino
de Viçosa
Viviane Maria de Almeida Reis da Silva
Equipe Proest Campus do Sertão
Delmiro Gouveia
Aluísio Norberto dos Santos
Ana Carolina Santana Costa
Maria Edilma de Jesus Santos
Maria Katia Silva de Melo
Santana do Ipanema
Geizyelle Magna Alves dos Santos
Vieira

SUMÁRIO

PREFÁCIO..............................................................8
APRESENTAÇÃO...................................................11
INTRODUÇÃO.......................................................13
1 DESENHO METODOLÓGICO...............................18
2 POPULAÇÃO ESTUDANTIL.................................28
3 ESCOLARIDADE DA MÃE E DO PAI....................40
4 RENDA FAMILIAR..............................................48
5 RAÇA.................................................................72
6 MORADIA..........................................................87
7 DEFICIÊNCIA...................................................101
8 SEXO, GÊNERO E ORIENTAÇÃO SEXUAL.........104
9 FAIXA ETÁRIA.................................................116
10 SITUAÇÃO CONJUGAL...................................119
11 TRABALHO E RENDA.....................................124
12 TRAJETÓRIA ESCOLAR.................................135
13 VIDA ACADÊMICA..........................................139
14 SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA......................157
15 CULTURA.......................................................167
CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................175
REFERÊNCIAS....................................................177

PREFÁCIO

O

s
dados,
indicadores,
informações
e
interpretações que se seguem fazem parte da
coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na
Educação Superior, editada pela Editora da Universidade
Federal de Alagoas (Edufal). Tal coleção não poderia
ser inaugurada de forma mais fecunda e relevante. O
domínio e o uso sistemático dos dados e indicadores
socioeconômicos e culturais da comunidade estudantil
da Ufal representam uma conquista valiosa.
Este material poderá e deverá ser utilizado
como um guia norteador para a tomada de decisão
por parte da gestão superior da universidade, assim
como coordenadores de cursos, diretores de unidades
acadêmicas, diretores dos campi fora de sede, técnicosadministrativos, professores, pesquisadores, estudantes
e todo o conjunto de cidadãos e cidadãs interessados
pela vida estudantil e acadêmica da Ufal. Poderá também
se tornar uma fonte imprescindível de novas pesquisas
e análises acerca da comunidade estudantil da Ufal,
especialmente por parte dos pesquisadores das áreas
das ciências humanas e das ciências sociais aplicadas,

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

que, por meio deste material, poderão produzir novos e
valiosos conhecimentos.
Não se faz política pública sem dados e
indicadores claros e precisos. O processo de tomada de
decisão depende, para a sua eficácia, da qualidade das
informações, dos dados e dos indicadores disponíveis. No
caso das políticas públicas educacionais, especialmente
aquelas voltadas à assistência estudantil, esse aspecto
é ainda mais verdadeiro. Felizmente, em razão das
pesquisas realizadas pelo Fórum Nacional dos Próreitores de Assuntos Comunitários e Estudantis
(Fonaprace), entidade vinculada à Associação Nacional
dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
Superior (Andifes), dispomos no Brasil de séries históricas
bastante valiosas. No entanto, mesmo de posse desse
notável repertório, temos feito pouco uso institucional,
técnico e científico desse conjunto de dados.
O conteúdo deste trabalho representa um
avanço institucional significativo. Trata-se de um
instrumento imprescindível para o processo de gestão
das políticas educacionais no âmbito da Universidade
Federal de Alagoas. Esta é uma publicação inédita,
capaz de alterar a tradição de formulação, tomada de
decisão, implementação, monitoramento e avaliação
das políticas públicas educacionais existentes na Ufal.
Este é um passo decisivo para se dar forma definitiva
à cultura organizacional do uso de dados, indicadores
e interpretações claras e rigorosas acerca dos aspectos
socioeconômicos e culturais dos (as) estudantes da Ufal.
Desse modo, além de divulgar o resultado
dessas pesquisas junto às diversas instituições locais,

9

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

estaduais, regionais, nacionais e internacionais
(governos, movimentos sociais, empresas, órgãos de
fomento, organizações não-governamentais, entre
outros), é imperioso que os diversos setores e unidades
internas da Universidade Federal de Alagoas utilizem
tais dados e interpretações como fonte permanente de
consulta para planejamento, ação e tomada de decisão.
Por fim, é importante assinalar que os dados
e análises apresentados por este livro tornam-se
ainda mais relevantes em contextos de pandemias,
crises, calamidades e emergências como as ameaças
representadas pela Covid-19. Uma das principais
variáveis presentes no livro diz respeito a variável saúde
e qualidade de vida dos(as) estudantes da Ufal.
Josealdo Tonholo
Reitor da Universidade Federal de Alagoas

10

APRESENTAÇÃO

O

livro que apresenta uma profunda análise dos
dados sobre o perfil socioeconômico e cultural
dos(as) estudantes da Universidade Federal de
Alagoas é um importante guia para promover as diversas
ações e acesso à saúde por parte da comunidade
estudantil. Tais informações permitem o planejamento
com mais eficácia de todo um conjunto de ações para
a promoção da saúde estudantil, sobretudo visando
enfrentar pandemias e calamidades como a do Covid-19.
Neste importante trabalho, elaborado pela
Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), é
possível ter acesso a um detalhado e rico diagnóstico
dos(as) estudantes da Ufal, que foi baseado na última
pesquisa realizada pelo Fórum Nacional dos Próreitores de Assuntos Comunitários e Estudantis
(Fonaprace), realizada no ano de 2018. Este diagnóstico
estimula e propicia aos gestores formularem diretrizes
e políticas públicas de atendimento aos(as) estudantes
universitários(as), buscando a constante defesa da
educação pública, gratuita e com qualidade.

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Este trabalho ganha ainda maior importância
em decorrência da ampliação das políticas de
inclusão de acesso às universidades públicas, para
os(as) estudantes em perfil de vulnerabilidade
socioeconômica. Particularmente, dentro do contexto
da Ufal, a Pró-Reitoria Estudantil tem procurado
oferecer possibilidades diversas de manutenção dos
estudantes, através dos editais de seleção de novos
bolsistas em perfil de vulnerabilidade, bem como
promover outras ações que busquem estimular
o sentimento de pertencimento e acolhimento
institucional, a partir de ações voltadas para as práticas
esportivas e desenvolvimento de ações culturais.
Alexandre Lima Marques da Silva
Pró-reitor Estudantil

12

INTRODUÇÃO

A

s ações de combate à pobreza e à desigualdade
social tornaram-se uma das características
das sociedades democráticas e modernas. No
Brasil, nestas últimas décadas, foram criados vários
mecanismos, as políticas públicas, que levaram à
melhoria de vida, ao bem-estar social e à conquista da
cidadania por um amplo contingente da população. Entre
as categorias beneficiadas estão mulheres e assalariados,
e grupos mais específicos, como afrodescendentes,
indígenas, assentados da reforma agrária, moradores
dos aglomerados subnormais, pessoas com deficiência,
entre outros. As políticas públicas transformaram-se
em grandes instrumentos para o reconhecimento de
direitos e a superação de déficits, permitindo, assim, a
redução da pobreza e da desigualdade.
Num país de dimensões continentais como o
nosso, essas intervenções apresentam diferenças
regionais significativas, gerando uma variação de
impactos em função das características de cada
uma delas. Nos estados nordestinos, duas grandes
e conectadas políticas públicas atuam com destaque

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

na vida social e econômica regional: o Sistema Único
de Saúde (SUS) e a educação pública, nos seus três
níveis governamentais (municipal, estadual e federal).
Em cada um dos estados, esse sistema público
apresenta números expressivos. Em Alagoas, o SUS,
com seus postos de saúde, hospitais e, principalmente,
o Programa de Saúde da Família (PSF), um dos seus
braços, com seu efetivo de 5.800 agentes de saúde,
cobrem 2,3 milhões de alagoanos, os mais pobres. A
rede de ensino estadual e municipal, com quase um
milhão de alunos inscritos, responde, ainda de forma
limitada, pela oferta de educação num Estado conhecido
pelos históricos indicadores sociais negativos.
A esse sistema de saúde e educação pública,
responsável pelas melhorias na área social, somamse os programas de transferência direta de renda,
como o Programa Bolsa Família (PBF), e a cobertura
previdenciária, principalmente o Benefício de Prestação
Continuada (BPC), que passaram a fazer parte da vida da
maioria dos alagoanos. Numa região subdesenvolvida, a
mais atrasada do país, os programas de desenvolvimento
econômico, como o microcrédito produtivo urbano, o
crédito agrícola, as compras públicas da agricultura
familiar e a universalização do acesso à energia elétrica,
têm gerado impactos sociais reconhecidos por inúmeros
estudos acadêmicos e pelos organismos internacionais.
Sem conhecer o papel dessas políticas, seria impossível
compreender a vida cotidiana de quase todos os
nordestinos, especialmente dos alagoanos.
É neste quadro mais amplo que se entende o papel
das universidades públicas como um dos instrumentos

14

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

de superação da pobreza e desigualdade. Nas duas
últimas décadas (2000-2018), Alagoas, como todos
os estados brasileiros, conheceu uma expansão da
oferta do ensino superior, passando de 22 mil para
106 mil matrículas. Esse crescimento ocorreu tanto
na rede estatal, pelos investimentos públicos nas duas
universidades estaduais, Universidade Estadual de
Alagoas (Uneal) e Universidade de Ciências da Saúde
de Alagoas (Uncisal) e, principalmente, pela expansão
da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que triplicou
a oferta de vagas, de 13 mil para 39 mil; como nas
instituições privadas, que multiplicaram sete vezes
o número de inscritos, passando de nove mil para 67
mil alunos. Esse fenômeno pode ser compreendido pela
melhoria de renda neste período, expansão do ensino
médio, entrada das escolas privadas de outros estados
e pelo apoio significativo de políticas públicas, como o
Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa
Universidade para Todos (ProUni).
Tabela 1 – Expansão do ensino superior – Alagoas – 2000-2018
ESTUDANTES

DOCENTES

INSTITUIÇÕES

2000

2018

2000

2000

2018

PÚBLICAS

13.188

39.661

1.462 2.768

5

4

PRIVADAS

9.463

67.090

390

2.415

6

25

TOTAL

22.651

106.751

1.852 5.183

11

29

2018

Fonte: Censo do Ensino Superior (Inep/Mec), 2019.

15

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

O acesso mais amplo à universidade, pela
expansão da rede de ensino superior e sua consequente
interiorização, configura um indicativo desse movimento
de combate à pobreza e à desigualdade. Até poucas
décadas passadas, frequentar um curso superior era
um privilégio de poucos. Mas, se no geral, essa expansão
abre as possibilidades futuras para milhares de jovens, o
crescimento da rede pública e gratuita, particularmente,
vai ainda mais diretamente cumprir esse papel.
Esta pesquisa demonstra justamente tal mudança
de paradigma, direcionada à realidade da Ufal, hoje uma
das maiores instituições de pesquisa regional e centro
de excelência na formação profissional. O trabalho
produzido pela Edufal em parceria com a Proest, ao
apresentar o perfil dos estudantes da universidade,
desenhou um retrato do conjunto de seus estudantes,
numa linguagem direta e clara, combinando o manuseio
responsável e rigoroso das categorias sociológicas
ao uso meticuloso do instrumental estatístico. A
instituição abarca um grande contingente de estudantes
(o 18º maior do Brasil), identificado com os traços
de diversidade da sociedade alagoana. Além disso, é
constituída, atualmente por uma maioria feminina
(54%), com uma composição étnico-racial de maioria
parda, negra e indígena, graças ao mecanismo das
cotas sociais, responsável pelo ingresso de 35% de seus
alunos. De toda população acadêmica, são considerados
pobres 80% de seus estudantes, e o número expressivo
de 6.600 deles utilizam os serviços sociais ofertados
pela instituição (bolsas, auxílios, gratuidades). Esses e
muitos outros indicadores analisados neste trabalho,

16

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

traduzem a realidade de uma universidade federal
que, nestas últimas décadas, encontrou nas políticas
públicas sua maior base de desenvolvimento.
O conhecimento dessas mudanças colabora para
uma maior compreensão sobre o papel efetivo da Ufal
nas transformações da realidade alagoana, nas suas
variadas dimensões – social, econômica, ambiental.
A universidade, ao cumprir com seu compromisso de
assegurar o acesso a um ambiente de ensino-aprendizagem
democrático, diverso e de excelência acadêmica, com a
garantia de condições dignas a seus estudantes, está
contribuindo, desta forma, para a melhoria de vida, o
bem-estar social e a conquista da cidadania para uma
grande parcela da população. Portanto, para todos nós,
professores, técnicos-administrativos e estudantes,
a leitura desta pesquisa mostra-se como uma
oportunidade de autoconhecimento em duplo sentido:
colabora para entendermos os impactos das políticas
públicas no meio acadêmico e na sociedade alagoana e
compreendermos nosso protagonismo enquanto agentes
dessa transformação. Uma excelente leitura!
Prof. Dr. Cícero Péricles de Oliveira Carvalho
Professor da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade – Feac|Ufal.

17

1 DESENHO METODOLÓGICO

Os dados utilizados neste material foram coletados
e divulgados pelo Fórum Nacional de Pró-reitores de
Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace),
entidade da Associação Nacional dos Dirigentes das
Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Os
dados utilizados referem-se à V Pesquisa Nacional de
Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos
(as) das Ifes – 2018, realizada em 2018 e divulgada em
2019. Essa pesquisa nacional corresponde ao quinto
ciclo de pesquisas acerca do perfil socioeconômico
dos (as) graduandos das Ifes, realizado nos anos de
1996, 2003, 2010, 2014 e 2018, compondo assim uma
alentada e robusta série histórica de 22 anos.
A V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico
e Cultural dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018
foi aplicada junto a 63 instituições federais de ensino
superior e mais o Centro Federal de Educação
Tecnológica de Minas Gerais e o Centro Federal de
Educação Tecnológica do Rio de Janeiro. A primeira
etapa da pesquisa consistiu na mobilização dos agentes
pesquisados. As reitorias, pró-reitorias de assuntos

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

estudantis, assessorias de comunicação e órgão de
tecnologia da informação das Ifes buscaram informar,
estimular e esclarecer todos (as) os (as) discentes acerca
da relevância da pesquisa. No caso da Ufal, a Assessoria
de Comunicação (Ascom), junto à Pró-Reitoria Estudantil
(Proest), concederam entrevistas para esclarecer e
mobilizar a comunidade acadêmica.
A segunda fase da pesquisa referiu-se à coleta dos
dados propriamente dita. Esses foram coletados entre
os meses de fevereiro e junho de 2018. O instrumento
de coleta foi um questionário, tipo survey, composto por
81 perguntas estruturadas. Cada instituição decidiu
o método de coleta; já o conteúdo das perguntas foi o
mesmo. Algumas instituições optaram por condicionar
a realização da matrícula ao preenchimento do
questionário; outras, somente permitiram ao estudante
realizar a renovação de matrícula após o preenchimento
do questionário; algumas optaram por hospedar o
questionário no sistema acadêmico do (a) estudante,
que somente teve acesso às suas funcionalidades, após
preencher o questionário.
Para obter maior participação dos (as) estudantes,
assim como facilitar o acesso destes aos questionários,
e ainda promover maior adesão às respostas, a
pesquisa desenvolveu interfaces com ilustrações e
ambientes semelhantes às telas dos smartphones,
buscando propiciar mais familiaridade e conforto,
aproximando-se, assim, das práticas e das rotinas
tecnológicas, criativas e estéticas dos (as) estudantes
das Ifes brasileiras.

19

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

A terceira fase da pesquisa correspondeu ao
desenho amostral. O universo da pesquisa foi formado
pela totalidade das 63 instituições federais de ensino
superior que integram a Andifes, além do Centro Federal
de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro e do Centro
Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais,
totalizando 65 instituições. Compuseram o universo
geral da amostra todos(as) os(as) estudantes presenciais
de graduação com matrículas regularmente ativas em
2018, perfazendo um universo de 1.200.300 (um milhão,
duzentos mil e trezentos alunos), que ingressaram entre
o ano 2000 e 2018.
As 63 Ifes, mais o Cefet-MG e o Cefet-RJ, enviaram
para a composição da pesquisa o cadastro de discentes, a
partir do qual foi definido o plano amostral, que se refere
ao tamanho mínimo e seguro da amostra. Desse modo,
a população direta de interesse, que constitui o públicoalvo da pesquisa, foi composta pelos (as) estudantes
com matrículas ativas nas 65 Ifes. O cadastro discente
foi composto por 15 itens.

20

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Tabela 2 – Informações contidas no cadastro discente das
65 Ifes - 2018
Seq.

Item

1

Número do CPF

2

Nome completo

3

Endereço eletrônico – e-mail

4

Ano de ingresso na Ifes

5

Semestre de ingresso na Ifes

6

Código e-MEC da Ifes

7

Nome da Ifes

8

Código e-MEC do curso

9

Nome do curso

10

Área de conhecimento do curso

11

Turno do curso

12

Grau do curso

13

Campus

14

Cidade

15

Estado

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Diante do cadastro discente e do tamanho do
universo da pesquisa, adotou-se a metodologia de
amostra aleatória estratificada (AAE), na qual cada
estrato correspondeu a uma Ifes, resultando em uma
desagregação por cada Ifes. De acordo com a V Pesquisa
Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as)
Graduandos (as) das Ifes – 2018, para a especificação
do tamanho da amostra por meio da AAE, optou-se pelo
recurso stratasize do pacote samplingbook do programa
estatístico R. Como consequência, o tamanho da amostra

21

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

idealizada para a Ufal foi de 3.669 discentes, que
correspondeu a 12,5% do universo total da instituição.
O período final da coleta dos dados ocorreu em
junho de 2018, durante o qual foram armazenados
426.664 mil questionários respondidos integralmente,
o que resultou em uma amostra de 35,3%. Esse total
foi organizado em um banco de dados, cujo tratamento
quantitativo foi realizado por meio do software
Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). No
final, combinando diferentes metodologias de plano
amostral, obteu-se junto à Ufal uma amostra de
18.094 estudantes, o que correspondeu a 62,41% do
universo. Esse percentual foi o 9º maior do total das 65
instituições, o que significou uma amostra estatística
bastante significativa e uma adesão muito satisfatória
dos (as) discentes da Ufal.
Tão importante quanto apresentar os dados e
divulgá-los é interpretá-los. Por isso, diante da amostra
coletada junto aos discentes da Ufal, e da metodologia
estatística utilizada pela V Pesquisa Nacional de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as)
das Ifes – 2018, optou-se, neste trabalho, por seguir as
variáveis que estruturaram o conteúdo da interpretação
da referida pesquisa, realizando alguns ajustes, como,
por exemplo, uma adaptação do sequenciamento das
variáveis, que denominaremos, a partir de agora, de
variáveis sociológicas estruturais.
Nos estudos sociológicos clássicos (GOLDTHORPE,
1972; ERIKSON, 1979; FERNANDES, 1965; HASENBALG,
1988; SILVA, 1979) e contemporâneos (GUIMARÃES,
1999; RIBEIRO, 2004; SCALON, 2006; SALATA, 2011),

22

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

nacionais e internacionais, acerca da estratificação
social, da mobilidade social e da desigualdade social nas
sociedades de classes (FERNANDES, 2006), as variáveis
classe e raça figuram como as mais relevantes para
compreender a trajetória de estratificação, mobilidade
social e desigualdade socioeconômica dos indivíduos.
A classe, de maneira bastante sintética, é
representada pela renda e a ocupação dos indivíduos.
Já a raça, corresponde aos marcadores físicos da cor da
pele e os traços físicos das pessoas, que podem favorecer
e/ou dificultar que os indivíduos obtenham vantagens
ou experimentem desvantagens, ao longo das suas
trajetórias profissionais e escolares. Dada a importância
da origem familiar nas trajetórias dos indivíduos,
decidimos abordar e interpretar primeiro os dados
referentes as seis primeiras variáveis (escolaridade da
mãe e do pai; renda familiar; raça; moradia; deficiência
e gênero), atribuindo, assim, um peso causal maior a
essas variáveis sociológicas estruturais.

23

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Tabela 3 – Sequência das variáveis sociológicas estruturais
Seq.

Variável sociológica estrutural

1

Escolaridade da mãe e do pai

2

Renda familiar

3

Raça

4

Moradia

5

Deficiência

6

Sexo, gênero e orientação sexual

7

Faixa etária

8

Situação conjugal

9

Trabalho e renda

10

Trajetória escolar

11

Vida acadêmica

12

Saúde e qualidade de vida

13

Cultura

Fonte: adaptado de Fonaprace/Andifes, 2019.

Como será explicado e analisado ao longo
da apresentação e análise dos dados, essa escolha
metodológica não significa que as demais variáveis
estruturais (vida acadêmica; trajetória escolar; saúde e
qualidade de vida; e cultura, por exemplo) não sejam
relevantes. Significa apenas que as seis primeiras
variáveis (1 – escolaridade da mãe e do pai; 2 – renda
familiar; 3 – raça; 4 – moradia; 5- deficiência; 6-gênero)
compõem uma grande unidade, que exerce forte influência
sobre as demais. Tal influência não corresponde a uma
determinação absoluta, apenas significa que exercem
um peso causal bastante forte.

24

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

O background familiar (instrução do pai e da
mãe; ocupação do pai e da mãe; raça e região de origem
familiar) exerce um grau acentuado de influência sobre
os demais aspectos e/ou variáveis. Como se observa na
Figura 1, adaptada dos estudos de Hasenbalg e Silva
(1988), as quatro dimensões que compõem o background
familiar decidem, em grande medida, as oportunidades
de instrução (escolaridade) e ocupação (trabalho) dos
indivíduos (neste caso, a população estudantil da Ufal)
e, por conseguinte, a renda que irão obter ao longo das
suas vidas profissionais.
Figura 1 – Modelo do processo de mobilidade
socioeconômica ascendente

Fonte: adaptado de Hasenbalg e Silva, 1988.

25

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Em síntese, significa que a escolha dessa
abordagem, que atribui um peso causal maior à
origem familiar (background familiar) na trajetória
de estratificação e mobilidade socioeconômica dos
indivíduos, tem mais chances de explicar a composição
do perfil socioeconômico e cultural da população
estudantil da Ufal. Dessa forma, essa metodologia
reúne maiores possibilidades de explicar, por exemplo,
fenômenos como a crescente demanda por auxílios e
serviços de assistência estudantil (bolsas, Restaurante
Universitário, moradia, etc.) e do número, cada vez
maior, de estudantes que trabalham, ou que estão à
procura de trabalho.
Por fim, para enriquecer a análise e interpretação
dos dados e indicadores, o conteúdo desta publicação
promove uma triangulação metodológica entre os
dados e indicadores da V Pesquisa Nacional de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das
Ifes – 2018, os dados e indicadores desagregados sobre
a Ufal, e os dados presentes na Síntese dos Indicadores
Sociais 2017 e 2018, publicada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE)

26

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Figura 2 – Triangulação metodológica

Fonte: elaboração própria

27

2 POPULAÇÃO ESTUDANTIL

Em 2018, havia no Brasil 63 universidades
federais, que, junto ao Cefet-MG e ao Cefet-RJ,
totalizavam 1,2 milhões de matriculados. Desse
total, 28.994 estavam regularmente matriculados
na graduação da Universidade Federal de Alagoas, o
que representava 2,4% do contingente de estudantes
das Ifes. Desses, 16,8% ingressaram até 2012; 65%
ingressaram entre 2013 e 2016; e 18,2% em 2017.
Dos 28.994 matriculados, 20.596 (71,1%) estudavam
no Campus A. C. Simões, em Maceió; 5.455 (18.8%)
estavam matriculados no Campus Arapiraca; e 2.943
(10,1%) eram do Campus do Sertão.

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 1 – Matriculados – Ufal – 2018 – Por campus

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Em 2018, a Ufal era a 18º instituição federal
de ensino superior com maior população estudantil
entre todas as 65 universidades federais brasileiras.
Nos últimos vinte anos, a Universidade Federal
de Alagoas experimentou um crescimento sem
precedentes. Nos seus quase sessenta anos, os últimos
vinte representam o mais significativo momento de
crescimento institucional, com destaque especial para
o processo de interiorização, materializado com a
criação, inauguração e funcionamento do Campus de
Arapiraca, em 2006, e o Campus do Sertão, em 2010.
Os indicadores educacionais (número de estudantes
matriculados, quantidade de cursos criados, programas
de pós-graduação, fluxo de concluintes, entre outros)
demonstram, de maneira inequívoca, a pujança e a
contundência desse crescimento.

29

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Em 2001, a Universidade Federal de Alagoas
dispunha de 11.116 graduandos regularmente
matriculados; oito anos depois, em 2009, a instituição
registrou 17.278 estudantes, número que saltou para
28.994, em 2018. No intervalo de uma série histórica de
17 anos, o crescimento percentual foi de 160%. Nesse
mesmo período, o crescimento médio anual foi de 9,4%.
Gráfico 2 – Contingente de estudantes matriculados – Ufal
2001-2018

Fonte: Ufal, 2019.

Conforme demonstra a V Pesquisa Nacional de
Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos
(as) das Ifes-2018, o contingente de matriculados
na Ufal representou 2,4% do total de estudantes de
graduação das 65 universidades federais brasileiras em

30

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

2018, posicionando a instituição como a 18º Ifes mais
populosa do Brasil.
Tabela 4 – Graduandos (as) – Segundo Ifes (em números
absolutos e em %)
Col.
Freq.

Ifes
%

Col.
Freq.

Ifes
%

Col.
Freq.

Ifes
%

1º
51.191

UFPA
4,3%

25º
19.852

UFMS
1,7

49º
8.048

UNIFEI
0,7

2º
50.571

UFRJ
4,2

26º
18.425

UFPEL
1,5

50º
7.712

UNIFEI
0,6

3º
7.155

UFF
3,9

27º
18.228

UFCG
1,5

51º
7.210

CEFET-RS
00

4º
38.678

UFBA
3,2

28º
17.838

UFJF
1,5

52º
7.152

UFRA
0,6

5º
37.354

UNB
3,1

29º
15.929

UFRRJ
1,3

53º
6.984

UNIVASF
0,6

6º
34.205

UFSC
2,8

30º
15.587

UFV
1,3

54º
6.985

UFMT
0,6

7º
33.579

UFMA
2,8

31º
15.153

UFT
1,3

55º
6.959

UFRR
0,6

8º
32.714

UFTPR
2,7

32º
15.088

UFRPE
1,3

56º
UNIFAL-MG
6.533
0,5

9º
32.204

UFPR
2,7

33º
14.790

UFABC
1,2

57º
CEFET MG
6.397
0

10º
31.850

UFRN
2,7

34º
14.036

UFSCAR
1,2

58º
5.503

UFOPA
0,4

UFPE
2,6

35º
13.443

UNIFESP
1,1

59º
5.190

UNIFESSPA
0,4

12º
30.952

UFRGS
2,6

36º
UNIPAMPA
12.865
1,1

60º
4.375

UNILAB
0,4

13º
30.633

UFG
2,6

37º
12.102

UFOP
1,0

61º
4.339

UNILA
0,4

14º
30.348

UFMG
2,5

38º
11.376

UFAC
0,9

62º
3.396

UFSB
0,3

11º
31.419

31

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

15º
29.616

UFPB
2,5

39º
UNIRIO
11.011
0,9

63º
3.348

UFOB
0,3

16º
29.991

UFC
2,5

40º
10.844

UFLA
0,9

64º
3.264

UFCA
0,3

17º
29.393

UFAM
2,4

41º
FURG
10.670
0,9

65º
2.713

UFCSPA
0,2

18º
28.994

UFAL
2,4

42º
10.591

UFRB
0,9

Total = 1.200,300
100

19º
28.481

UFMT
2,4

43º
10.370

UNIR
0,9

20º
28.457

UFS
2,4

44º
10.328

UFSJ
0,9
UNIFAP
0,8

21º
27.483

UFPI
2,3

45º
9.151

22º
21.334

UFSM
1,8

46º
9.703

UFERSA
0,8

23º
26.656

UFU
2,2

47º
9.466

UFFS
0,8

24º
25.418

UFES
2,1

48º
8.949

UFVJM
0,7

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Para aferir a relevância da população estudantil
da Ufal na composição da população total do estado de
Alagoas, podemos fazer uso de um indicador utilizado
pela V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e
Cultural dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018. O
indicador refere-se à taxa de estudantes no ensino
superior federal a cada mil habitantes. O cálculo é feito
a partir da divisão entre o número de matriculados e
a população de cada unidade federativa, multiplicado
por 1.000.

32

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

A Ufal tem uma taxa bastante elevada, figurando
na 11º colocação nesse indicador entre as 27 unidades
federativas brasileiras. Significa que o quantitativo da
população estudantil da Ufal é bastante expressivo, se
comparado à composição quantitativa geral da população
do estado de Alagoas. Digno de nota é a última posição
ocupada por São Paulo. Tal aspecto se deve ao fato de
que as universidades estaduais paulistas recrutaram,
ao longo da formação da sociedade local, muito mais
estudantes do que as universidades federais, algumas
criadas recentemente. Ademais, a população do estado
de São Paulo é, de longe, a maior do país, correspondendo
a 22% do total da população brasileira.

33

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Tabela 5 – Graduandos (as) e taxa de cobertura por
Unidade da Federação - 2018
UF

Número

População

Taxa de estudantes no
ensino superior federal a
cada 1.000 habitantes

AC

11.376

869.265

13,09

DF

37.354

2.974.703

12,56

SE

28.457

2.278.308

12,49

RR

6.959

576.568

12,07

PB

47.845

3.996.496

11,97

RN

41.553

3.479.010

11,94

AP

9.151

829.494

11,03

MS

27.564

2.748.023

10,03

TO

15.156

1.555.229

9,75

RS

100.539

11.329.605

8,87

AL

28.994

3.322.820

8,73

PI

27.782

3.264.531

8,51

MT

28.481

3.441.998

8,27

PA

68.842

8.513.497

8,09

RJ

131.872

17.159.960

7,68

MG

160.601

21.040.662

7,63

AM

29.393

4.080.611

7,20

ES

25.418

3.972.388

6,40

PR

71.642

11.348.937

6,31

RO

10.305

1.757.589

5,86

BRASIL

1.200.300

208.494.900

5,76

SC

37.705

7.075.494

5,33

PE

50.229

9.496.294

5,29

MA

33.579

7.035.055

4,77

GO

30.633

6.921.161

4,43

CE

36.987

9.075.649

4,08

BA

59.616

14.812.617

4,02

SP

42.269

45.538.936

0,93

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

34

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

De acordo com a V Pesquisa Nacional de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as)
das Ifes – 2018, o total de estudantes matriculados
nas Ifes brasileiras estavam assim distribuído, por
grande área de conhecimento, seguindo a classificação
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq).
Gráfico 3 - Distribuição dos estudantes das Ifes por grande
área do conhecimento do CNPQ – Brasil – 2018.

Fonte: Andifes/Fonaprace, 2019.

No conteúdo original da V Pesquisa Nacional de
Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos
(as) das Ifes – 2018, há ainda uma nona grande área do
conhecimento, a multidisciplinar, com 1,7% do total de
estudantes matriculados. Como oficialmente essa área

35

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

não consta na classificação das oito grandes áreas do
conhecimento tipificadas pelo CNPq, e sim a denominação
“outros”, decidimos, para fins comparativos e por
semelhança temática, somar a área multidisciplinar
com a área de ciências sociais aplicadas. Desse modo,
se a distribuição em âmbito nacional, por grande área
do conhecimento segundo o CNPq, for comparada com a
distribuição da Ufal, temos o seguinte quadro.
Gráfico 4 – Comparativo entre os percentuais de estudantes
matriculados por área de conhecimento, segundo o CNPq –
Ifes Brasil e Ufal – 2018

Fonte: adaptado a partir da fonte Andifes/Fonaprace, 2019.

36

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

O crescimento da população estudantil da Ufal,
registrado na série histórica de 2001 a 2018, deixou a
instituição entre as vinte com maior população estudantil
entre as Ifes. Esse crescimento também foi observado no
conjunto das 63 instituições federais de ensino superior
brasileiras. É digno de nota, como observa a V Pesquisa
Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as)
Graduandos (as) das Ifes – 2018, que entre 2003 e 2017
constatou-se um crescimento de 260% no total de vagas
ofertadas pelas Ifes. Essa expansão representou um
crescimento médio anual de 17,3%.
Gráfico 5 - Vagas ofertadas na graduação presencial nas
universidades federais de 2003 a 2017

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

37

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

O acentuado número de vagas observado no
período decorreu da criação, instalação e funcionamento
de novas universidades federais entre os anos de 2005
e 2017, especialmente na região Nordeste. O percentual
de crescimento durante o referido período foi de 40%.
Já os campi aumentaram em 176%, saindo de 148, em
2002, para 408, em 2017.
O intenso e promissor crescimento da população
estudantil-acadêmica matriculada junto às instituições
federais de ensino superior foi seguido de uma maior
diversificação e diferenciação do perfil geral dos
estudantes, acompanhando a estrutura sociológica da
sociedade brasileira. Aumentou-se, consideravelmente, o
número de pobres e em vulnerabilidade socioeconômica;
o número de estudantes pretos e pardos; a quantidade
de homossexuais; o percentual de alunos egressos
de escolas públicas; a quantidade de estudantes com
alguma deficiência; o total dos que trabalham; e o
números dos (as) que são pais e mães.
No âmbito da Ufal não foi diferente. O crescimento
da sua população estudantil veio acompanhado de uma
mudança educacional, social e cultural bastante relevante,
pois incorporou à população estudantil da universidade
um novo e significativo contingente de estudantes de
origem familiar pobre e economicamente vulneráveis;
de um quantitativo expressivo de pretos e pardos; de
um contingente relevante de estudantes homossexuais
e com novas orientações sexuais. Essa profunda
mudança na composição da população estudantil da
Ufal reclama a formulação e implementação de novas
políticas educacionais, que assegurem a permanência

38

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

estudantil, o respeito aos direitos humanos e ao bemestar coletivo e individual; que permita a afirmação das
identidades étnico-culturais e o exercício da diversidade
artístico-cultural.

39

3 ESCOLARIDADE DA MÃE E
DO PAI

Não há dúvida de que a origem familiar,
especialmente durante a primeira infância (de zero
a seis anos de idade) e a segunda infância (de sete a
doze anos de idade), exerce uma grande influência na
trajetória estudantil e na vida escolar-acadêmica dos
indivíduos. Essa influência é exercida notadamente
pela escolaridade do pai e da mãe, a qual é decisiva,
pois ela determina, em grande medida, as chances e as
possibilidades de mobilidade educacional ascendente.
Os estudos sociológicos, tanto aqueles que dispõem
de técnicas quantitativas, quanto aqueles que recorrem
às técnicas qualitativas, evidenciam que os filhos dos
pais mais escolarizados, em regra, também são mais
escolarizados. O oposto também é verdadeiro: os filhos
dos pais menos escolarizados também se tornam menos
escolarizados. Como consequência, os primeiros, uma
vez mais escolarizados, têm mais chances de obterem
empregos/ocupações que remuneram mais e melhor.
Novamente, o oposto é verdadeiro: aqueles com menor
escolaridade, em regra, conseguem os empregos/
trabalhos que remuneram menos.

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

A valiosa pesquisa Síntese dos Indicadores
Sociais, publicada anualmente pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra que
ocorreu uma grande mobilidade educacional no
Brasil nos últimos 40 anos, registrando-se um
aumento significativo das chances de mobilidade
intergeracionais entre pais e filhos. Mesmo diante
dessa realidade contemporânea, a desigualdade de
oportunidades educacionais se manteve relativamente
alta no Brasil. Para mensurar os efeitos da escolaridade
dos pais sobre os filhos, o IBGE separou sete níveis
educacionais (1 - sem instrução; 2 - fundamental
incompleto; 3 - fundamental completo; 4 - médio
incompleto; 5 - médio completo; 6 - superior incompleto;
7 - superior completo) e calculou como se distribui
o nível de escolaridade obtido pelos filhos para cada
grau de instrução original dos pais. Esse procedimento
permitiu evidenciar o movimento intergeracional (paifilho) de origem e destino educacional.

41

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 6 - Distribuição percentual do nível de instrução
dos filhos de 25 a 65 anos de idade, segundo o nível de
instrução dos pais - Brasil – 2014

Fonte: IBGE, 2017.

O gráfico 6 evidencia que há uma acentuada
desigualdade educacional nas chances de mobilidade
educacional entre os filhos de pais mais escolarizados
e os filhos de pais menos escolarizados. Quanto maior
o nível de escolaridade do pai, maior é o percentual de
filhos que obtiveram o ensino superior completo. Apenas
4,6% dos filhos cujos pais não possuem qualquer
instrução alcançaram o ensino superior completo.
Por outro lado, 69,6% dos filhos cujos pais possuíam
o ensino superior completo também conseguiram
alcançar esse nível de escolaridade, evidenciando um

42

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

elevado percentual de reprodução educacional entre
pais e filhos no Brasil.
Entre os pais com o ensino fundamental
incompleto, apenas 14,9% dos filhos alcançam o ensino
superior. Entre os pais com fundamental completo
e médio incompleto, esse percentual sobe para
26,2%. Entre os pais com médio completo e superior
incompleto, o percentual de filhos com ensino superior
completo sobe para 42%. Como se vê, há uma escala
bastante clara. Quanto maior a escolaridade de origem
(pai), maior a escolaridade de destino (filho). Como
assinala o IBGE, esses dados demonstram a existência
de uma barreira intergeracional que dificulta ou facilita
a elevação da escolaridade, dependendo da educação
paterna (IBGE, 2017).
De acordo com a V Pesquisa Nacional de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das
Ifes – 2018, do total de estudantes matriculados nas Ifes
brasileiras, a maioria absoluta, 69,2%, é de filhos de
pais que não possuíam o ensino superior, ou seja, que
não tiveram acesso à universidade. Sendo que 34,4%
deles são filhos de mães que estão entre não possuir
qualquer escolaridade e possuir apenas o ensino médio
incompleto. Significa que, uma vez completado o ensino
superior, a geração de discentes matriculados hoje
nas Ifes do país pode experimentar uma das maiores
mobilidades educacionais da história brasileira.

43

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Tabela 6 – Nível de escolaridade da mãe, pai, ou da pessoa
responsável pela criação dos (as) graduando (as) (em %) – 2018
Escolaridade

Mãe ou quem
criou como tal

Pai ou quem
criou como tal

Sem instrução, não alfabetizada/o

2,5

3,0

Sem instrução, mas sabe ler e
escrever

2,2

2,6

Ensino
Fundamental
incompleto

11,2

12,5

Ensino Fundamental 1 completo

4,0

4,5

Ensino
Fundamental
incompleto

5,0

7,0

3,1

4,3

1

2

Ensino Fundamental 2 completo
Ensino Médio incompleto

6,0

6,1

Ensino Médio completo

28,8

26,2

Ensino Superior incompleto

5,8

5,6

20,5

16,2

10,31

7,11

100

100

Ensino Superior completo
Especialização,
doutorado

mestrado

ou

Total

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

O nível de escolaridade das mães e dos pais
dos estudantes da Ufal é ainda menor do que aqueles
registrados na média nacional das 63 Ifes brasileiras
(mais o Cefet-MG e o Cefet-RJ), o que revela um desafio
ainda maior por parte deles. Se no âmbito nacional,
20,5% das mães dos estudantes das Ifes alcançaram o
ensino superior completo, na Ufal esse percentual cai
para 16,2%. Se na média nacional, 28,8% das mães
dos (as) matriculados (as) alcançaram o ensino médio

44

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

completo, entre os que estudam na Ufal esse percentual
cai para 26,6%.
Figura 3 – Escolaridade da mãe - Ufal - 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Em média, em âmbito nacional, a escolaridade da
mãe é maior do que a dos pais dos estudantes das Ifes.
Isso se deve ao maior tempo dedicado aos estudos por

45

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

parte das mulheres brasileiras nos últimos 40 anos, o
que levou a um adiamento do casamento e das funções
domésticas. Esse aspecto permitiu às mulheres ingressar
no mercado de trabalho mais qualificadas, obtendo
maiores e melhores remunerações. Por exemplo, 20,5%
das mães dos alunos das Ifes alcançaram o ensino
superior completo, ao passo que a taxa entre os pais
foi de 16,2%, uma diferença de 4,3%. Essa diferença se
repete entre as mães e os pais dos que estudam na Ufal.
Entre as mães dos(as) estudantes da Ufal, 16,2%
alcançaram o ensino superior; já entre os pais, esse
percentual cai para 11,6%, bem abaixo do percentual dos
pais dos estudantes das demais Ifes, que foi de 16,2%.
Significa que, comparativamente, uma vez concluído o
ensino superior, os estudantes da Ufal terão alcançado
uma mobilidade educacional ascendente ainda mais
significativa do que aqueles das demais Ifes brasileiras.
Figura 4 - Escolaridade do pai - Ufal - 2018

46

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

47

4 RENDA FAMILIAR

A renda familiar corresponde a uma variável
sociológica estrutural que exerce a maior influência na
trajetória acadêmica dos estudantes da Ufal. Segundo a
V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018, 70,2% dos
estudantes das Ifes brasileiras pertencem a famílias com
renda per capita de até um e meio salário mínimo. Entre
os discentes da Ufal, esse percentual sobe para 80,2%.
Significa que, em 2018, dos 28.994 alunos, nada menos
do que 23.195 pertenciam a famílias cuja renda per capita
era de até um salário mínimo e meio, R$ 1.567,50, em
valores de 2020. No Campus Arapiraca, esse percentual
sobe para 94% e no Campus do Sertão esse percentual
sobre para 95%. Significa que dos 8.398 matriculados
no campus de Arapiraca e do Sertão, a quase totalidade
pertencem a famílias com renda mensal per capita de
até um salário mínimo e meio. Esses dados não deixam
dúvida: os estudantes das Ifes brasileiras pertencem
a famílias majoritariamente pobres e, no caso da Ufal,
essa assertiva é ainda mais verdadeira.
A pobreza é um fenômeno multidimensional, que
envolve diversos aspectos da trajetória socioeconômica

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

e cultural dos indivíduos ao longo das suas vidas.
Abarca diversas dimensões, como a escolaridade e/ou
instrução do núcleo familiar (pai e mãe); a ocupação/
profissão do núcleo familiar (pai e mãe); a raça; o gênero;
as oportunidades socioeconômicas que o bairro, a
cidade, a região e o pais oferecem (políticas públicas de
saúde, educação, moradia, proteção social, transporte,
cultura, comunicação, segurança, etc.,); assim como
os fatores econômicos conjunturais e estruturais (taxa
de juros, crescimento da renda, expansão do crédito,
investimento público em capacitação profissional,
políticas de transferência de renda, valorização do
salário mínimo, entre outros). Esse conjunto de fatores
e dimensões decidem, em grande medida, as taxas
de desigualdade socioeconômica e as chances de
mobilidade social ascendente das pessoas e das famílias
nas sociedades contemporâneas.
A pobreza socioeconômica somente pode ser
compreendida e explicada mobilizando fatores objetivos
e subjetivos. O primeiro decorre da escolaridade e
ocupação dos pais, raça, gênero e região de nascimento.
Já o segundo, concerne à disciplina e à concentração
nos estudos; impacto emocional diante do preconceito
racial; impacto psíquico diante da violência de gênero;
disposição para conciliar os estudos com longas
jornada de trabalho; impacto físico diante dos longos
deslocamentos para a escola e universidade; domínio dos
códigos estéticos que favorece o interesse pelo consumo
de determinados conteúdos artísticos e culturais; entre
outros. No entanto, para os objetivos desta publicação
a classificação de pobreza está referida apenas à

49

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

dimensão monetária. Logo, seguindo essa dimensão,
serão utilizados apenas indicadores monetários, como
a renda per capta, a linha de extrema pobreza e a linha
de pobreza.
A renda per capita familiar corresponde à soma
do rendimento mensal da família (somatório da renda
de todos os membros da família – renda familiar bruta)
dividida pelo número de membros (pais, filhos, netos, etc.)
residentes em um determinado domicílio. Assim, em uma
família que obtém uma renda mensal de dois salários
mínimos (R$ 2.090,00) e possui três membros, a renda
per capita será de R$ 692,60. Do mesmo modo, em uma
família que obtém dois salários mínimos por mês e possui
quatro membros, a renda per capita será de R$ 522,50.
Tabela 7 – Simulação da renda per capita familiar
Renda familiar (em
salários mínimos e R$)

Número de
membros

Renda familiar per
capita

2 S.M = 2.090,00

3

696,66

2 S.M = 2.090,00

4

522,50

3 S.M = 3.135,00

5

627,00

3 S.M = 3.135,00

6

522,50

4 S.M = 3.135,00

7

447,85

Fonte: elaboração própria

Como evidencia a V Pesquisa Nacional de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das
Ifes – 2018, 26,6% dos (as) alunos (as) das Ifes pertencem

50

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

a famílias com rendas per capita de até meio salário
mínimo, o que significa mais de 300 mil alunos com renda
familiar per capita de até R$ 522,50. Por outro lado, o
somatório dos grupos dos estudantes que pertencem a
famílias que possuem renda per capita de mais de três a
vinte salários mínimos perfaz apenas 10,1%.
Tabela 8 - Graduandos (as) por faixa de renda mensal
familiar per capita
Faixa de renda mensal familiar per capita

%

Até meio SM

26,6

Mais de meio a 1 SM

26,9

Mais de 1 a 1 e meio SM

16,6

SUB-TOTAL ATÉ 1 E MEIO SM

70,2

Mais de 1 e meio a 3 SM

16,7

Mais de 3 a 5 SM

5,9

Mais de 5 a 7 SM

2,8

Mais de 7 a 10 SM

0,8

Mais de 10 a 20 SM

0,6

Mais de 20 SM

0,1

Não respondeu

3,0

TOTAL

100,0

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

É notável o crescimento do contingente de
estudantes matriculados nas Ifes originários de famílias
pobres e muito pobres, pois em 1996, apenas 3,3% deles
pertenciam a famílias com renda familiar per capta de até
meio salário mínimo. Em 2018, esse percentual saltou
para 26,6%, um crescimento de pouco mais 800% em 22

51

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anos – um crescimento médio anual de 36,3%. Significa
que, nos últimos 22 anos, os estudantes membros de
famílias muito pobres ingressaram maciçamente nas
universidades federais brasileiras.
Gráfico 7 - Percentual de (as) graduandos (as) das Ifes,
segundo faixas de renda mensal familiar per capita
selecionadas, por ano de realização da Pesquisa de Perfil –
1996 – 2018 (em %)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

O maior contingente de estudantes membros
de famílias pobres e muito pobres está no Norte
e no Nordeste. Em 2018, 44,8% dos estudantes
matriculados nas universidades federais situadas na
região Norte pertenciam a famílias com renda per capta
mensal de até meio salário mínimo. No Nordeste, esse

52

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

percentual era de 38,3%. Já no Sul, Sudeste e CentroOeste, era de 13,6%, 17,8% e 18,6%, respectivamente.
Significa que o Norte e o Nordeste têm duas ou três
vezes mais muito pobres matriculados nas Ifes do que
o Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Essa assimetria se repete, quando o corte se
refere aos estudantes que pertencem a famílias com
renda per capita de até um salário mínimo. Em 2018,
70,6% dos matriculados nas Ifes situados na região
Norte pertenciam a famílias com renda per capita de
até um salário mínimo. No Nordeste, esse percentual
foi de 64,9%. No Sul, Sudeste e Centro-oeste, por sua
vez, os percentuais foram de 40,4%, 45,6% e 45,9%,
respectivamente, demonstrando que os alunos das
universidades federais do Norte e do Nordeste pertencem
a famílias bem mais pobres dos que os matriculados nas
universidades federais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

53

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Gráfico 8 – Estudantes membros de famílias com renda
mensal per capta de até meio salário mínimo – regiões
brasileiras – 2018 (%)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Uma vez frequentando a universidade, um
dos maiores desafios para os estudantes oriundos
de famílias pobres ou muito pobres é a permanência
nela, sobretudo no Norte e Nordeste. No âmbito das
Ifes, perguntados sobre as maiores dificuldades
que impactam no desempenho acadêmico, 24,7%
responderam as dificuldades financeiras, e 12,6%
apontaram a carga horaria excessiva de trabalho. Ora,
somadas, essas razões, que decorrem de problemas
materiais e econômicas familiares, totalizam 37,3%.

54

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 9 - Dificuldades estudantis que impactam no
desempenho acadêmico (em %) – 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Se o percentual de 24,7% daqueles que têm
dificuldade de realizar as atividades acadêmicas em
razão das dificuldades financeiras for desagregado,
de acordo com as clivagens de renda per capita,
tem-se a confirmação de quanto a renda per capita
familiar é decisiva para a permanência do estudante
na universidade. Dos estudantes oriundos de famílias
com renda per capta de até meio salário mínimo, 38,8%
destacaram o aspecto financeiro como uma causa que
impacta no desempenho acadêmico. Por outro lado,
quanto maior a renda per capita familiar, menos o
problema financeiro é destacado.

55

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Gráfico 10 - Percentual de discentes que acusam o impacto
da dificuldade financeira sobre seu rendimento acadêmico
por renda per capita – 2018 (em %)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Se a dificuldade financeira for desagregada por
raça, o quadro também é nítido. Entre os (as) estudantes
brancos, 20,2% destacaram a dificuldade financeira
como algo que impacta o desempenho acadêmico; entre
os (as) estudantes pardos, esse aspecto subiu para 27,1%,
e entre os (as) estudantes pretos(as) não-quilombolas o
percentual chega a 33,8%. Os(as) estudantes pardos(as)
e pretos(as) sentem mais as dificuldades financeiras
e, logo, esse aspecto impacta mais no desempenho
acadêmico.

56

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 11 - Percentual de discentes que acusam o impacto
da dificuldade financeira sobre seu rendimento acadêmico
por cor ou raça – 2018 (em %).

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Em 2018, 80,2% dos estudantes da Ufal
pertenciam a famílias com renda per capita de até um
salário mínimo e meio. Esse percentual é superior ao
percentual nacional (70,2%) e regional (78,3%). Significa
que na Ufal há mais pobres e muito pobres do que no
Brasil e no Nordeste.

57

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Gráfico 12 – Estudantes da Ufal com renda mensal familiar
per capita de até um salário mínimo e meio

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Se o percentual de estudantes pobres da Ufal for
desagregado por campus, temos o seguinte cenário: 78%
dos (as) matriculados (as) no A.C. Simões pertencem
a famílias com renda mensal per capita de até um e
meio salário mínimo; percentual que sobe para 94% no
Campus Arapiraca e 95% no Campus do Sertão.

58

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 13 – Estudantes matriculados (as) no A.C Simões
pertencentes a famílias de acordo com a faixa de renda
familiar per capita

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Já no Campus Arapiraca, os percentuais de
estudantes em relação à renda per capita dividem-se da
seguinte maneira:

59

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 14 – Estudantes matriculados no Campus
Arapiraca de acordo com a faixa de renda familiar per capita

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Já no Campus do Sertão, os percentuais são os
seguintes:
Gráfico 15 – Estudantes matriculados no Campus do
Sertão pertencentes a famílias de acordo com a faixa de
renda familiar per capita

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

60

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Como assinalado antes, a quase totalidade dos
estudantes matriculados nos campi de Arapiraca e do
Sertão pertencem a famílias pobres ou muito pobres.
Essa afirmação pode ser corroborada com auxílio da
pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais, publicada
pelo IBGE, em 2019. De acordo com o instituto, o Banco
Mundial utiliza uma das medidas de aferição da linha de
pobreza mais recorrentes no mundo, adotando-se dois
cortes. O primeiro refere-se à classificação da linha de
extrema pobreza. O valor de US$ 1,90 diário per capita
em paridade de poder de compra (PPC) é considerado
o limite para a classificação de extrema pobreza. Pela
cotação do mês de março de 2020, o valor de US$ 1,90
diário per capita corresponde a uma renda familiar per
capita de R$ 300,00.
Segundo o IBGE, em 2016, 6,6% da população
brasileira vivia abaixo da extrema pobreza, número
que cresceu para 7,4% em 2017, abarcando mais de
15 milhões de pessoas. Depois do Maranhão, Alagoas
é o estado brasileiro que possui o maior percentual de
habitantes vivendo em extrema pobreza. Em 2015, esse
percentual foi de 12,5%, e em 2018 passou para 17,2%,
quando dos 3,3 milhões de habitantes do estado, 17,2%
viviam abaixo da linha da extrema pobreza, o que
representou 567,6 mil habitantes.
Quanto ao critério monetário de classificação da
pobreza, o Banco Mundial utiliza o valor de US$ 5,5 diário
per capta, que, em valores de março de 2020, correspondeu
a quantia de R$ 825,00 como renda familiar per capita.
De acordo com o IBGE, em 2018, 26,5% da população
brasileira (cerca de 54 milhões de pessoas) viviam abaixo

61

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

da linha da pobreza. Novamente, em Alagoas, esse
percentual é maior. No total, 48,9% da população de
Alagoas vivia abaixo da linha da pobreza (1,6 milhões de
pessoas), sendo superado apenas pelo Maranhão (54,1%).
Gráfico 16 – Proporção de pessoas residentes em domicílios
particulares permanentes com rendimento real efetivo
domiciliar per capita de até US$ 5,50 diários – Brasil –
Unidades Federativas 2017

Fonte: IBGE, 2019.

62

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

No âmbito da Ufal, 81,8% dos estudantes
assinalaram que têm dificuldades que interferem
significativamente na sua vida ou no contexto acadêmico.
Figura 5 - Dificuldades

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Desse percentual de 81,8%, 21,4% dos (as)
estudantes da Ufal, indagados (as) sobre as dificuldades
que interferem na vida ou no contexto acadêmico,
responderam como sendo as dificuldades financeiras. Do
total, 13,3% responderam que é a carga horária excessiva
de trabalho o fator que mais dificulta e interfere na vida ou
no contexto acadêmico. Ora, o estudante somente assume
uma carga horaria de trabalho excessiva, submetendose a longas jornadas de trabalho, como será analisado,
porque necessita de uma remuneração, uma vez que,

63

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

muito provavelmente, pertence a famílias situadas abaixo
da linha da extrema pobreza ou da pobreza.
Gráfico 17 – Dificuldades que interferem na vida ou no
contexto acadêmico – Estudantes Ufal - 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Os dados e indicadores evidenciam que ocorreu
um ingresso acentuado de alunos (as) pobres nas Ifes
brasileiras nas últimas duas décadas. Acompanhando
esse movimento, felizmente os recursos destinados
para assistência estudantil também foram elevados,
especialmente entre 2008 e 2016. Em 2008, foi criado
e implementado o Plano Nacional de Assistência

64

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Estudantil, destinado a propiciar a permanência
de estudantes de baixa renda e em vulnerabilidade
socioeconômica matriculados (as) na Ifes. O programa
repassa recursos financeiros para viabilizar a moradia
estudantil, alimentação, transporte, saúde, cultura,
inclusão digital, esporte, creche e apoio pedagógico
(MEC, 2018). Em 2010, o plano foi regulamentado e
consolidado por meio do Decreto nº 7.234, que criou
o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes).
Gráfico 18 – Evolução dos recursos do Pnaes (2008-2018) –
Brasil (em R$ mil)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Em 2016, o recurso nacional destinado ao Pnaes
ultrapassou R$ 1 bilhão. Em uma série histórica de dez
anos, os recursos do Pnaes alcançaram um crescimento
de mais de 700%. Também ocorreu um crescimento

65

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

bastante acentuado do repasse dos recursos do
Pnaes para fazer frente às demandas e necessidades
estudantis da Ufal. Em 2012, foram efetivamente pagos,
em auxílios e bolsas para assistência estudantil, R$
8,5 milhões; em 2019, esse montante elevou-se para
R$ 19,6 milhões.
Gráfico 19 - Orçamento da Política Nacional de Assistência
Estudantil (Pnaes) Ufal em R$ milhões - 2012-2017

Fonte: Ufal, 2019

Durante as últimas duas décadas, o ingresso de
estudantes pobres nas Ifes brasileira foi acompanhado
de uma diversificação das modalidades de auxílio
estudantil. Na Ufal, não foi diferente. Na instituição,
tanto ocorreu uma elevação do número de auxílios

66

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

e bolsas destinados à assistência estudantil, quanto
ocorreu uma diversificação de ações, como, por
exemplo, o auxílio moradia para os(as) estudantes do
Campus Arapiraca e do Sertão, que não dispõem de
residência universitária.
Gráfico 20 – Auxílio moradia – Campus Arapiraca e Campus
do Sertão - Ufal-2015- 2018 – (em número de estudantes)

Fonte: Ufal, 2019

Salta aos olhos, em uma longa série histórica (de
1999 a 2018), o crescimento do contingente de estudantes
com gratuidade junto ao Restaurante Universitário do
Campus A.C. Simões (em Maceió) e do Campus Delza
Gitaí (antigo Centro de Ciências Agrárias), em Rio Largo.
Em 1999, 631 dispunham desse auxílio, mas em 2018
3 mil estudantes dispunham desse auxílio estudantil

67

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

imprescindível, notadamente para os pertencentes a
famílias pobres ou muito pobres – classificados como
em vulnerabilidade socioeconômica.
Gráfico 21 – Número de estudantes assistidos (as) com
gratuidade nos Restaurantes Universitários dos campi A. C.
Simões e Delza Gitaí – Ufal – 1999-2018

Fonte: Ufal, 2019

O auxílio alimentação na forma de gratuidade para
os estudantes em vulnerabilidade não se confunde com
o número de refeições ofertadas diariamente nos dois
restaurantes universitários para a toda comunidade
acadêmica. Em 2018, por exemplo, foram servidas,
no total, 781 mil refeições nos três restaurantes
universitários do A.C. Simões, do Campus Delza Gitaí e
da Unidade Educacional de Viçosa.

68

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Também digno de estaque foi o crescimento das
bolsas que objetivam a permanência dos discentes na
universidade, nomeadas de Bolsa Permanência ou Bolsa
Pró-Graduando, que repassam para os(as) estudantes
em vulnerabilidade socioeconômica uma quantia mensal
para manutenção das suas atividades acadêmicas.
Novamente, em uma significativa série histórica (de 2009
a 2018), ocorreu um crescimento bastante acentuado
dessa modalidade de auxílio, saindo de 764 bolsas, em
2009, para 3.722, em 2018, divididas entre os campi A.
C. Simões, Arapiraca e do Sertão.
Gráfico 22 – Modalidade de bolsa destinada à permanência
na Ufal

Fonte: Ufal, 2019

Também ocorreu, na série histórica entre 2003 e
2018, um crescimento do número de vagas na Residência

69

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Universitária de Alagoas (RUA), de 83 para 144 vagas.
Inaugurada em 2014, a Nova Residência Universitária de
Alagoas passou a se localizar no Campus A. C. Simões,
contando com nova estrutura predial. O aumento do
contingente de estudantes pobres e vulneráveis nas
últimas duas décadas levou a uma maior procura pelos
serviços de assistência estudantil. Em 2018, 22,8%
dos discentes da Ufal afirmaram que participaram ou
participam de algum programa de assistência estudantil.
Significa que dos 28.998 alunos da Ufal, 6.612 utilizavam
e necessitavam de bolsa, auxílios, gratuidades, etc.
Figura 6 - Participação

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Dos 6.612 que utilizaram ou utilizavam os serviços
de assistência estudantil, 9% obtinham ou obtiveram

70

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

bolsa permanência da instituição; 8,3% utilizavam ou
utilizaram a oferta de alimentação (gratuidade parcial
ou total) e 3,0% utilizavam ou utilizaram os serviços de
moradia (residência universitária e auxílio moradia).
Gráfico 23 – Serviços de assistência estudantil utilizados
pelos estudantes da Ufal 2018 (em %).

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Mesmo constatando um crescimento dos recursos
financeiros para a assistência estudantil no âmbito da
Ufal, a composição socioeconômica da sociedade alagoana
demonstra que esses recursos ainda são insuficientes.

71

5 RAÇA

Uma vez que as ciências sociais já demonstraram,
desde a década de 1940, que os seres humanos, em
suas práticas comportamentais cotidianas, não se
diferenciam por componentes biológicos, físicos e/
ou raciais, por que então utilizar o conceito de raça?
Ora, demonstrou-se que os seres humanos não são
condicionados por heranças biológicas de origem física
e/ou racial que os tornam mais ou menos superiores
– como entre muitas espécies do mundo animal – e
sim por aspectos socioculturais e socioeconômicos
presentes na formação histórica de cada sociedade.
Então, por que mobilizar o conceito de raça como uma
variável explicativa?
Embora
essa
descoberta
científica
seja
inteiramente
verdadeira,
as
sociedades
que
atravessaram longos períodos de escravidão das
populações negras originárias do continente africano,
como a sociedade brasileira e a norte-americana,
discriminam cotidianamente e classificam os indivíduos
de acordo com a cor da pele e os traços fenotípicos.
Significa que, no seu cotidiano, os indivíduos pretos

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

e pardos sofrem toda sorte de preconceito étnicoracial, o que dificulta sobremaneira a sua mobilidade
socioeconômica e educacional. Essa é outra descoberta
científica, também oriunda das ciências sociais.
A variável raça também está inteiramente
ligada à renda familiar, estabelecendo um amálgama
histórico e estrutural entre raça e classe. A maioria
das famílias brasileiras pobres e muito pobres também
são compostas por indivíduos pretos e pardos. A raça
é, sem dúvida, um fator de obstáculo, ou de facilitação
da mobilidade socioeconômica e educacional. Para
demonstrar tal assertiva, podemos repetir o exemplo
da mobilidade educacional intergeracional (pai e filho)
publicado pelo IBGE, utilizando agora o corte raça.
Como demonstra o gráfico 24, entre os filhos de
pais brancos os quais não possuíam qualquer instrução,
6,2% alcançaram o ensino superior completo; ao passo
que, entre os filhos de pais pretos ou pardos, esse
percentual cai para 3,7%. No outro extremo, entre os
filhos de brancos que concluíram o ensino superior,
71,7% também obtiveram o ensino superior; ao passo
que, entre os filhos de pais pretos ou pardos cujos pais
completaram o ensino superior, esse percentual se
reduz para 58,3%.

73

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 24 - Distribuição percentual do nível de instrução
dos filhos de 25 a 65 anos de idade, segundo cor ou raça e o
nível de instrução dos genitores - Brasil – 2014

Fonte: IBGE, 2018.

Se no exemplo anterior sobre mobilidade
educacional fica clara a existência de uma escala,
quanto maior a escolaridade da origem (pais) maiores
as chances do destino (filho) alcançar o ensino
superior. Essa mesma escala se repete quanto à raça:
quanto maior a escolaridade dos pais branco, maiores
as chances de o filho alcançar o ensino superior. No
caso do pai preto ou pardo, também quanto maior a
escolaridade maiores as chances de o filho alcançar
o ensino superior completo. No entanto, no caso dos
filhos com pais pretos ou pardos as chances gerais

74

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

diminuem acentuadamente. Essa redução de chances
fica bastante evidente, quando observados os demais
graus de escolaridade apresentados no gráfico 24.
Entre os filhos de brancos que concluíram o
ensino fundamental ou pararam no ensino médio,
31,8% obtiveram o ensino superior completo. Entre
os filhos de pretos e pardos que também concluíram o
ensino fundamental ou pararam no ensino médio, esse
percentual cai para 18,5%, quase metade. Entre os
filhos de pais brancos que concluíram o ensino médio e
pararam no ensino superior, 49,5% concluíram o ensino
superior. Entre os filhos de pais pretos ou pardos que
também concluíram o ensino médio e também pararam
no ensino superior, esse percentual se reduz para 28,4%.
A V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico
e Cultural dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018
demonstra que o recorte racial impacta na composição
da renda familiar per capita dos estudantes das Ifes
brasileiras. Estudantes brancos são originários de
famílias que possuem uma renda per capita de R$
1.720,59, ao passo que pardos pertencem a famílias cuja
renda domiciliar per capita é de R$ 1.033,03. Já pretosnão quilombolas pertencem às famílias cuja renda
familiar per capita é de apenas R$ 912,94 – R$ 807,65 a
menos do que o estudante branco. Ou seja, a renda per
capita familiar de pretos não-quilombolas corresponde a
53% da renda familiar per capita de estudantes brancos.

75

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Tabela 9 - Diferenças relativas ao percentual das rendas
familiares per capita, de acordo com a cor ou raça dos (as)
graduandos (as) – 2018
Cor ou raça

Renda familiar per capita (em R$)

Amarela

R$ 1.320,36

Branca

R$ 1.720,59

Parda

R$ 1.033,03

Preta-quilombola

R$ 625,85

Preta-não quilombola

R$ 912,94

Indígena aldeado

R$ 414,52

Indígena não aldeado

R$ 854,02

Sem declaração

R$ 1.489,77

Média geral
Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

R$ 1.328,08

As assimetrias de renda, escolaridade e profissão
entre os grupos étnico-raciais vêm sendo explicadas há
bastante tempo pela sociologia brasileira (FERNANDES,
2006; HASENBALG; SILVA, 1999; GUIMARÃES, 2003;
LIMA, 2012; RIBEIRO, 2007). Um dos conceitos mais
reveladores criados por esses estudiosos foi cunhado
por Hasenbalg e Silva (1988). De acordo com os autores,
pretos e pardos (não-brancos) brasileiros fazem parte de
um longo ciclo cumulativo de desvantagens. Significa
que, ao longo do processo de formação da sociedade
brasileira e suas etapas socioeconômicas (sociedade
escravocrata colonial; sociedade rural, patriarcal
oligárquica; e sociedade urbana-industrial de classes),
as gerações de pretos e pardos (os não-brancos)
sofreram uma desvantagem competitiva, educacional,
profissional e econômica.

76

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Pode ser afirmado que, como resultado
da discriminação racial no passado, cada
nova geração de não-brancos está em
posição de desvantagem porque se origina
desproporcionalmente de famílias de
baixa posição social. [...] os filhos de pais
não-brancos acumulam menos recursos
competitivos que os filhos de pais brancos
– incluindo níveis de habilidade, educação
e aspirações. Por outro lado, uma vez
que uma geração nova ou coorte de idade
inicia o ciclo de vida adulta, o racismo e a
discriminação racial continuarão a interferir
no processo de mobilidade intrageracional,
de tal forma a restringir as realizações dos
não-brancos, relativamente aos brancos
da mesma origem social. Além dos efeitos
diretos do comportamento discriminatório,
uma organização social racista limita
também a motivação e o nível de aspirações
dos não-brancos (HASENBALG, 1979, p.
208-209).

Essas desvantagens histórico-sociais ficaram
ainda mais evidenciadas durante o intenso processo
de industrialização vivido no Brasil entre as décadas
de 1950 e 1970, quando as populações não-brancas
sentiram com maior força as desvantagens históricas
acumuladas desde o período da escravidão. Sendo netos
e bisnetos de escravos e escravas, dispuseram de poucas
condições educacionais, técnicas e profissionais, que
lhes permitissem obter boas ocupações e os melhores
postos de trabalhos, ficando excluídos, em grande
medida, dos benefícios do processo de modernização
econômica e do processo de mobilidade socioeconômica
vividos no Brasil nesse período.

77

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Um fenômeno alentador é que, conforme a V
Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos (as) das Ifes-2018, a grande
elevação do número de vagas nas Ifes nas últimas
duas décadas também possibilitou o ingresso de um
grande contingente de estudantes pretos (as) e pardos
(as). O gráfico 25 evidencia o crescimento, em números
absolutos, da população de pretos e pardos nas Ifes
brasileiras, durante a série histórica de 2003 a 2018.
Gráfico 25 - Graduandos (as) segundo cor ou raça – 2003 a
2018 – Brasil (em mil)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Em números absolutos, a população de estudantes
pretos matriculada nas Ifes brasileiras saltou de 27,6
mil, em 2003, para 143,5 mil, em 2018 – um crescimento
de mais de 400% em 15 anos. Do mesmo modo, o total

78

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

de pardos, em 2003, 132,8 mil, saltando para 470,2 mil,
em 2018 (um crescimento de mais de 250% em 15 anos).
Em 2018, o total de pretos e pardos já era superior ao
total de brancos.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad/IBGE), entre 2003 e 2018 ocorreu
um aumento significativo dos indivíduos que se
declararam pretos e pardos no Brasil. Mesmo diante
desse crescimento geral na composição da população
brasileira, o aumento percentual dos estudantes das
Ifes que se declararam pretos foi superior durante esse
período. O mesmo vale para a população indígena.
Em 2003, 52% da população brasileira se
autodeclarou branca. Nesse mesmo ano, 59,4% dos
matriculados nas Ifes eram brancos. Ou seja, havia um
percentual maior de brancos dentro da Ifes, do que no
total da sociedade brasileira. Essa relação se inverteu em
2018, quando 43,3% dos brasileiros se autodeclararam
brancos e 38,6% dos estudantes matriculados nas Ifes
se disseram brancos, equilibrando, portanto, a relação
ente a população brasileira e a população matriculada
nas Ifes.
Já entre os pardos, em 2003, 41,5% do total
se declararam pardos no país e 28,3% daqueles
matriculados nas Ifes, demonstrando um descompasso
acentuado entre a população brasileira geral e a
população das Ifes. Como ocorreu um crescimento geral
do contingente daqueles que se declararam pardos na
população brasileira geral e daqueles que se declararam
pardos nas Ifes, essa assimetria permaneceu. Em 2018,
52,5% da população brasileira se declarou parda; na

79

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

população estudantil das Ifes, esse percentual foi de
39,2%. Já entre os pretos, 5,9% da população brasileira
se disse preta, em 2003, mesmo percentual registrado
entre os matriculados nas Ifes. Em 2018, 8,1% da
população brasileira se declarou preta, ao passo que
12% da população estudantil das Ifes se declarou preta.
Em grande medida, o crescimento da população
preta nas Ifes, entre 2003 e 2018, decorreu da
implementação das políticas de cotas em algumas
universidades federais, especialmente a partir de 2005.
Paulatinamente, as Ifes brasileiras foram adotando
critérios específicos de cotas étnico-raciais, culminando
na formulação, aprovação e implementação do Programa
Nacional de Ações Afirmativas, tornado obrigatório por
meio da Lei nº 12.711 de 2012.
Em 2018, 12,1% dos estudantes da Ufal se
declararam pretos, entre pretos quilombolas e pretos
não-quilombolas, e os pardos constituíam 52,7%. Entre
os indígenas eram 1,1%, entre indígenas aldeados e
não aldeados. Somados, pretos, pardos e indígenas
constituíam 65,9% da população estudantil da Ufal.

80

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Figura 7 - Raça

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Entre as Ifes brasileiras, em 2018, o total de pardos,
pretos e indígenas somava 42,1%, bem inferior ao perfil
registrado na Ufal. A maior diferença está no contingente
de pardos. Entre as Ifes, esses representaram 39,2% dos
estudantes matriculados, ao passo que, na Ufal, esse
percentual foi de 52,7%.

81

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 26 – Comparativo entre os estudantes brancos,
pretos, pardos e indígenas das Ifes e da Ufal – Brasil, 2018

Fonte: Elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2018.

No âmbito da Ufal, 35% dos estudantes
ingressaram a partir de cotas sociais, educacionais e
étnico-raciais; percentual bastante significativo.

82

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 27 – Formas de ingresso na Ufal (em %)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

Do total dos ingressantes por meio das cotas,
20,7% dos estudantes da Ufal entraram na instituição
por meio das cotas étnico-raciais, destinadas para
pretos, pardos e indígenas.
Gráfico 28 – Distribuição dos ingressantes por tipo de
cota – Ufal – 2018 (em %)

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2018.

83

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Em 2012, ainda antes da implementação da lei
de cotas, conforme observa a V Pesquisa Nacional de
Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos
(as) das Ifes-2018, o Grupo de Estudos Multidisciplinar
da Ação Afirmativa (Gemaa), do Instituto de Estudos
Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (Iesp/Uerj), construiu o Índice de Inclusão
Racial (IIR). O IIR consiste em obter a proporção agregada
da população de pretos, pardos e indígenas (PPI) entre
os estudantes matriculados e dividi-la pela proporção
desses mesmos grupos na população geral de cada uma
das unidades federativas (DAFLON; JÚNIOR; CAMPOS,
2013). De acordo com os parâmetros estabelecidos,
quanto mais próximo de 1 (um), mais significativa é
a inclusão racial. Aplicados os parâmetros do IIR, os
índices estavam assim distribuídos nos anos de 2012 e
2014 por região brasileira.
Tabela 10 – Distribuição do Indicador de Inclusão Racial
(IIR) por região brasileira – 2012-2014
Região

IIR em 2012

IIR 2014

Norte

0,18

0,37

Nordeste

0,19

0,38

Sul

0,48

0,70

Sudeste

0,09

0,47

Centro-oeste

0,14

0,44

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2018.

84

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

De 2014 a 2018, de acordo com o método de
cálculo do Índice de Inclusão Racial (IIR), o indicador
alcançou um aumento significativo. Conforme assinala
a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e
Cultural dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018: “É
notável o fato de que o Índice de Inclusão Racial flutue
em torno de 1 na maioria das unidades da Federação, ou
seja, o perfil racial dos estudantes das Ifes se aproxima
bastante daquele da população”. Como evidencia a
tabela 11, Alagoas obteve um IIR de 0,99, situando o
estado na 10º colocação com melhor IIR. Essa posição
de destaque se deve, em grande medida, ao crescimento
dos grupos de pretos, pardos e indígenas na instituição
nos últimos 20 anos, evidenciando o êxito das políticas
de cotas, especialmente as étnico-raciais.

85

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Tabela 11 – Índice de Inclusão Racial (IIR) - Graduandos (as)
por raça, segundo as unidades da Federação – 2018 (em %)
Posição

UF

Branca

Parda

Preta

Indígena

Amarela

% Pop.
Geral

IIR

1º

RS

78,8

11,4

6,6

0,4

0,5

16,4

1,11

1º

RO

25,7

54,6

11,7

4,2

1,9

63,3

1,11

2º

TO

16,2

54,9

23,7

2,0

2,3

73,2

1,10

3º

SE

18,8

60,4

16,2

0,5

2,6

70,5

1,09

4º

AC

15,7

66,8

11,6

1,1

3,0

74,3

1,07

5º

RR

15,9

55,1

6,1

20,8

1,1

63,3

1,05

6º

BA

18,0

46,7

30,5

1,1

1,3

76,7

1,02

6º

PB

34,5

50,5

8,6

1,2

3,4

58,9

1,02

8º

PA

17,7

62,4

14,8

1,5

2,1

77,6

1,01

9º

AP

21,9

59,21

14,5

1,5

1,6

75,0

1,00

10º

CE

29,2

56,4

9,1

1,0

2,0

66,8

0,99

10º

AL

27,0

53,2

12,4

0,8

3,3

67,2

0,99

10º

PI

22,0

58,5

14,6

0,3

2,7

73,5

0,99

10º

MT

43,6

45,2

14,3

1,3

2,5

61,4

0,99

11º

AM

20,4

65,6

5,3

3,6

2,9

77,9

0,95

11º

GO

40,8

43,4

10,4

0,4

2,3

56,7

0,95

11º

MA

21,8

53,7

18,6

1,2

2,3

76,7

0,95

12º

PE

35,5

45,7

11,6

1,4

2,7

62,4

0,94

12º

SP

61,0

24,2

8,2

0,3

3,8

34,7

0,94

13º

MS

47,1

38,5

7,1

2,4

3,1

51,5

0,93

14º

DF

41,8

39,4

12,0

0,5

2,1

56,2

0,92

15º

RN

42,9

44,8

8,0

0,3

2,0

57,8

0,91

16º

RJ

49,1

31,4

14,9

0,4

1,3

51,8

0,90

17º

MG

47,1

37,3

10,7

0,2

1,6

53,7

0,89

18º

ES

47,5

37,0

11,2

0,5

1,3

57,2

0.85

19º

SC

85,0

9,0

2,7

0,4

0,8

25,6

0,77

20º

PR

74,1

17,6

3,6

0,2

2,7

28,5

0,74

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2018.

86

6 MORADIA

A variável moradia está diretamente ligada às
principais variáveis sociológicas estruturais que
envolvem a família do estudante – escolaridade dos
pais, renda per capita, raça e gênero. A variável
moradia, de acordo com a V Pesquisa Nacional de
Perfil Socioeconômico dos (as) Graduandos (as)
das Ifes 2018, abarca cinco aspectos: 1) local de
residência; 2) tipo da moradia; 3) meio de transporte;
4) tempo de deslocamento; e 5) distância do trajeto até
a universidade.
Apenas para fazer uso de um indicador nacional e
cruzá-lo com a realidade do estado de Alagoas, podemos
utilizar o seguinte exemplo. De acordo com a Síntese
dos Indicadores Sociais, IBGE-2018, as condições
básicas de moradia podem ser divididas em três
aspectos, que devem estar disponíveis simultaneamente
nos domicílios: 1) coleta (direta ou indireta) de lixo; 2)
abastecimento de água potável por rede; 3) esgotamento
por rede coletora ou pluvial. Como demonstra o gráfico
29, por exemplo, apenas 42,5% da população residente
na região metropolitana (RM) de Maceió (cidade que

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

abriga o principal campus da Ufal) dispõe dos serviços
de coleta (direta ou indireta) de lixo, de abastecimento
de água potável por rede e de esgotamento por rede
coletora ou pluvial simultaneamente. Residir em um
domicilio que não dispõe de um dos serviços de coleta
(direta ou indireta) de lixo, de abastecimento de água
potável por rede e/ou esgotamento por rede coletora ou
pluvial dificulta em demasia o desempenho acadêmico
dos(as) estudantes e a qualidade de vida de modo geral.
Gráfico 29 - Proporção de pessoas residentes em domicílios
com acesso simultâneo aos três serviços de saneamento
básico, segundo as Regiões Metropolitanas Brasil – 2016

Fonte: IBGE, 2019.

88

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

De acordo com a V Pesquisa de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as)
das Ifes – 2018, 77,2% dos estudantes das Ifes residem
no mesmo município onde realizam a graduação, e
22,8% realizam a migração pendular para estudar
– ou seja, deslocam-se diariamente para frequentar
a universidade. Na Ufal, 70,1% dos graduandos
(as) residem no mesmo município onde realizam
a graduação e outros 29,9% realizam a migração
pendular todos os dias.
Figura 8 - Residência

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Praticamente 30% dos estudantes da Ufal realizam
diariamente a migração pendular, a qual produz um
custo na vida acadêmica e estudantil dos (as) graduandos
(as), como, por exemplo, o cansaço do deslocamento

89

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

cotidiano, o risco de exposição, intercorrências e
acidentes durante os trajetos.
Conforme destaca a V Pesquisa de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as)
das Ifes – 2018, os estudantes que dispõem de menor
renda familiar per capita são aqueles que mais realizam
a migração pendular. Dos que pertencem a famílias com
renda per capita de até um salário mínimo e meio, 24,8%
não residem no município onde o seu curso se localiza.
Por outro lado, entre os estudantes que possuem
renda per capita entre mais de um salário mínimo e meio
e três salários, esse percentual cai para 19,4%. E entre
aqueles que pertencem a famílias com renda per capita
de mais de três salários mínimos, apenas 14,8% não
residem no município de oferta do curso. Não por acaso,
41,8% dos matriculados no Campus Arapiraca, e 47,8%
dos que são do Campus do Sertão não residem nos
municípios onde estudam. Como restou demonstrado
antes, 94% dos estudantes do Campus Arapiraca e 95%
dos estudantes do Sertão pertencem a famílias com
renda per capita de até um salário mínimo e meio.

90

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 30 - Residência

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Os dados apresentados atestam a necessidade
de investimentos por parte do governo federal que
permitam a construção, instalação e funcionamento de
residências universitárias no Campus Arapiraca e no
Campus do Sertão, contribuindo, assim, diretamente
para a fixação dos (as) estudantes nos locais de estudo,
promovendo a redução da mobilidade pendular dos mais
pobres e vulneráveis. Como demonstra a V Pesquisa de
Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos
(as) das Ifes – 2018, a situação específica de moradia
entre os estudantes das Ifes estava distribuída da
seguinte maneira.

91

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Tabela 12 – Graduandos (as), segundo a situação da
moradia em 2014 e 2018 (em %)
Situação da moradia

2014

2018

Na casa dos pais

46,8

49,0

Com companheiro/a ou cônjuge

12,6

12,7

Sozinho

11,2

11,3

Em república

13,7

9,9

Na casa de outros familiares

6,4

6,3

Em moradia coletiva

1,0

4,6

Em pensão/hotel/pensionato

2,6

2,2

Na casa de amigos

3,2

2,1

Em moradia pertencente à universidade

2,6

1,8

Total

100

100

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Já no caso da Ufal, a situação específica de
moradia dos estudantes estava assim distribuída.
Gráfico 31 – Situação de moradia entre os estudantes da Ufal

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

92

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Dois aspectos saltam aos olhos na comparação da
situação de moradia entre os estudantes das Ifes e os da
Ufal. Primeiro, o percentual de estudantes que residem com
os pais entre os que estudam na universidade alagoana é
maior, revelando a dependência que têm dos pais, o que
torna ainda mais evidente a influência da renda per capita
familiar. Segundo, o percentual de estudantes da Ufal que
moram com companheiro (a) ou cônjuge também é maior,
pois, como será apresentado, o contingente de casados
na Ufal é superior ao percentual de casados entre as Ifes.
A renda familiar per capita ainda impacta
diretamente nas nove situações de moradia tipificadas
na V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos
(as) Graduandos (as) das Ifes – 2018. Quanto menor a
renda per capita familiar, maior o percentual dos que
residem em repúblicas, pensões, moradias coletivas
e moradias estudantis. Por outro lado, quanto maior
a renda familiar per capita, maior o contingente de
estudantes que residem na casa dos pais, sozinhos e
com companheiro (as) ou cônjuge.
A variável raça também impacta diretamente na
situação de moradia dos estudantes das Ifes: 50,2% dos
(as) estudantes brancos moram sozinhos (as), ao passo
que entre os pardos esse percentual cai para 33,3%.
Entre os pretos não-quilombolas, cai para apenas 9,6%,
uma diferença bastante expressiva em relação aos(as)
estudantes brancos(as). Em relação às repúblicas,
49,6% dos estudantes brancos das Ifes residem nessa
situação; já entre os pardos, esse percentual cai para
34,1%, reduzindo-se ainda mais entre os pretos nãoquilombolas, 10,2%.

93

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 32 – Situação de moradia de estudantes das Ifes,
segundo cor ou raça (em %)

Fonte: elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2019.

Um dos aspectos mais relevantes inscritos na
variável moradia diz respeito ao meio de transporte
utilizado para chegar à universidade. A tabela
13 apresenta uma comparação entre os meios de
transportes mais utilizados pelos estudantes das Ifes
entre 2014 e 2018.

94

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Tabela 13 - Graduandos (as), segundo o meio de transporte
utilizado – 2014 e 2018 (em %)
Meio de transporte
2014
2018
Transporte coletivo
53,8
51,4
Transporte próprio
20,1
20,3
A pé
15,4
16,1
Bicicleta
2,9
3,9
Carona
3,5
3,9
Transporte locado
3,6
3,8
Táxi
0,6
0,6
Total
100
100
Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

O meio de transporte utilizado para chegar até
a universidade pode gerar diversos obstáculos e/ou
facilidades. Um e outro interferem no desempenho
acadêmico dos estudantes e na qualidade de vida em
geral. Como se pode constatar, entre estudantes das
Ifes o comparativo entre 2014 e 2018 demonstra que
os deslocamentos utilizando o transporte coletivo, o
transporte próprio e a pé se mantiveram praticamente
os mesmos. Chama atenção o percentual de
deslocamento a pé, 16,1%, em 2018. Esse percentual
revela que um contingente significativo de estudantes
reside bem próximos ou relativamente próximos da
universidade. Aplicados esses aspectos à Ufal, tem-se
um quadro diferente.

95

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 33 – Deslocamento para a universidade – Ufal – 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019

Como se pode notar, os(as) estudantes da Ufal se
deslocam bem menos a pé dos que os das demais Ifes.
Esse aspecto ocorre por duas razões. Primeiro, porque
a migração pendular entre os(as) discentes da Ufal é
bem maior; segundo, porque a localização do principal
campus da Ufal (A. C. Simões) dificulta, em certa
medida, o deslocamento a pé, uma vez que o campus
se situa em uma região distante de muitos dos bairros
onde residem os estudantes. Por fim, há outro aspecto
que salta aos olhos, que é o percentual de transporte
locado junto a prefeituras, escolas, etc. Na Ufal, esse
percentual é de 15,6%; nas Ifes é de apenas 3,8%. Essa
discrepância revela como é forte a migração pendular
entre os(as) estudantes da Ufal e também como é grande
a dependência do transporte locado (principalmente
pelas prefeituras), e como esse aspecto pode impactar

96

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

no desempenho acadêmico e na qualidade de vida de
modo geral.
Gráfico 34 – Comparativo entre meios de transporte utilizados
para chegar à universidade – Ufal e Ifes – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Outro aspecto de grande relevância concerne
ao tempo gasto no deslocamento até a universidade.
Esse é um fato bastante preocupante, pois produz
muito desgaste físico, cansaço e constrangimento,
principalmente para as estudantes, em razão do
excesso de passageiros nos transportes públicos, das
demoras nos pontos de ônibus, da escassez de linhas
diretas para os campi e, como consequência, do longo
tempo em que permanecem no transporte no trajeto
para a universidade. Não por acaso, no âmbito das Ifes,
os(as) estudantes atribuem à demora no deslocamento

97

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

para a universidade um dos fatores que os levaram
e os levam a pensar em abandonar o curso. Quanto
mais demorado é o trajeto, maior o percentual dos que
pensaram nessa possibilidade.
Gráfico 35 – Graduandos (as) que já pensaram em
abandonar o curso, segundo o tempo de deslocamento até a
universidade – Ifes – (em %) – 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Na Ufal, 16% dos(as) discentes afirmaram que o
tempo de deslocamento é um dos problemas que mais
interferem diretamente na vida ou no contexto acadêmico.
Mais uma vez, torna-se elucidativa a comparação entre
o conjunto das Ifes e a Ufal. Entre os(as) estudantes
das Ifes, 23% conseguem chegar à universidade em
menos de 15 minutos. Entre os discentes da Ufal, esse

98

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

percentual cai para 13,6%. Entre os discentes das Ifes,
26,2% gastam mais de 30 minutos e até 1 hora para
chegar à universidade. Entre os(as) estudantes da Ufal,
esse percentual sobe para 36,5%.
Gráfico 36 – Comparativo do tempo gasto para chegar à
universidade – Ufal e Ifes – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Não menos relevante é a distância percorrida
pelo estudante para chegar à universidade. Entre
os(as) discentes das Ifes, 10% percorrem menos de
um quilômetro; entre os(as) discentes da Ufal, esse
percentual cai para 3,4%. Entre os(as) estudantes das
Ifes, 5,6% percorrem uma distância de mais de 50 até
100 quilômetros para chegar até a universidade; entre
os(as) discentes da Ufal, esse percentual sobe para
10,4%.

99

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 37 – Comparativo distância percorrida para chegar
a universidade – Ufal e Ifes – 2018 (em KM)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Os dados mobilizados permitem inferir que,
comparados aos discentes das Ifes, os(as) estudantes
da Ufal percorrem distâncias superiores e gastam mais
tempo para chegar à universidade, além de que realizam
mais a migração pendular. Também pertencem a
famílias cuja renda familiar per capita não lhes permite
melhores condições de moradia.

100

7 DEFICIÊNCIA

As dificuldades de se lidar com deficiências podem
ser ainda mais severas no espaço acadêmico, dado o
grau de exigência, a carga de estudos e as rotinas de
concentração intelectual. No entanto, dependendo
da rede de cuidados, da proteção familiar e das
políticas de mobilidade e bem-estar promovidas pelas
universidades, essas dificuldades podem ser mitigadas.
A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos
(as) Graduandos (as) das Ifes – 2018 utilizou a variável
deficiência para mensurar o contingente de estudantes
que apresentam alguma deficiência. Os indicadores
acerca dessa população específica, notadamente no
espaço acadêmico, são extremamente úteis para o
desenho de novas políticas de acesso, mobilidade,
bem-estar acadêmico e qualidade de vida desse grupo.
É preciso olhar, cada vez mais, para a potencialidade
desse grupo, para a promoção de bem-estar e dignidade
que a universidade pode e deve promover.
Em 2018, 55.847 estudantes com algum tipo
de deficiência estavam matriculados nas Ifes, o que
representou um aumento de 78,8% em relação a 2014.

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Essa significativa elevação pode ser atribuída à Lei nº
13.409/2016, que passou a acrescentar pessoas com
deficiência aos sistemas de cotas das Ifes. No total, 5%
disseram apresentar algum tipo de deficiência; na Ufal
esse percentual foi de 5%. Desagregando por campus,
o Campus do Sertão apresenta o maior percentual de
discentes que se declararam deficientes, 6%.
Gráfico 38 – Deficiência

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Em números absolutos, a Ufal registrou os
seguintes números por tipos de deficiência.

102

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Tabela 14 – Tipo de deficiência – Ufal – 2018
Tipo de deficiência

Quantidade

Baixa visão ou visão subnormal

1.078

Cegueira

21

Auditiva

87

Surdez

43

Surdocegueira

10

Física

130

Intelectual

50

Deficiência múltipla

8

Transtorno global do desenvolvimento

21

Altas habilidade\superdotação

64

Total

1.512

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

103

8 SEXO, GÊNERO E
ORIENTAÇÃO SEXUAL

Os aspectos relacionados ao sexo, gênero e
orientação sexual constituem uma variável bastante
singular e relevante. Condensados em torno do
gênero, da construção da sexualidade e da afirmação
de novas identidades sexuais, essa variável revela um
forte grau de determinação que incide sobre o gênero.
Os dados e indicadores nacionais, como também
os dados envolvendo as Ifes e os (as) estudantes da
Ufal, demonstram que, assim como a raça, o gênero
é um fator decisivo que pode facilitar ou dificultar a
mobilidade educacional, o desempenho acadêmico e o
bem-estar em geral.
É útil mobilizar um indicador sociológico nacional
para evidenciar parte das determinações do gênero.
Trata-se, mais uma vez, da síntese dos indicadores
sociais, publicada pelo IBGE, em 2019. O instituto
investigou as razões pelas quais jovens deixam de
estudar, separando um grupo etário dos 18 aos 29
anos e cruzou com dois grupos educacionais: 1) grupo
que não havia concluído o ensino médio e não estava,
portanto, formalmente habilitado para ingressar no

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

ensino superior; 2) grupo que havia concluído o ensino
médio, mas que, no entanto, não havia completado o
ensino superior. Os dois segmentos foram submetidos
ao corte de sexo/gênero.
Para o primeiro grupo, 52,5% dos homens
disseram não ter concluído o ensino médio, porque
trabalham, estão procurando trabalho ou conseguiram
ocupação que vai começar em breve; 33,6% deles
responderam ainda não ter interesse. Por sua vez,
23,2% das mulheres disseram não ter concluído o
ensino médio, porque trabalham, estão procurando
ocupação, ou conseguiram trabalho que vai começar
em breve; 21,5% delas disseram ainda não ter interesse.
Chama atenção o fato de que a segunda maior razão
de não conclusão do ensino médio foi ter que cuidar
dos afazeres domésticos, de crianças, adolescentes,
idosos, ou pessoas com necessidades especiais. Essa
razão foi apontada por 39,5% das mulheres, e apenas
0,9% dos homens.
Ora, fica demonstrado que há três grandes
causas para que as mulheres e os homens brasileiros
não concluam o ensino médio: 1) trabalho; 2) cuidados
domésticos; 3) falta de interesse. No entanto, as duas
primeiras causas incidem fortemente sobre as mulheres,
somando 62,7%, ao passo que somente a primeira incide
sobre os homens. Significa que, de acordo com a divisão
do trabalho social existente entre homens e mulheres
na sociedade brasileira, elas abandonam os estudos no
nível do ensino médio tanto por razões vinculadas ao
trabalho, quanto por causa dos afazeres domésticos –
que constituem outra modalidade de trabalho.

105

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 39 - Distribuição percentual da população de 18 a
29 anos que não estudava, nem havia concluído o ensino
médio por motivo principal de não estudar, segundo o sexo
- Brasil – 2017

Fonte: IBGE, 2019.

Algo semelhante acontece com os homens e
mulheres que não concluíram o ensino superior. O
IBGE utilizou a mesma metodologia: separou um grupo
etário (18 a 29 anos) e identificou as razões pelas quais
homens e mulheres não concluíram o ensino superior.
O resultado é um pouco distinto, mais matizado, mas
novamente desvantajoso para as mulheres. Entre os
homens, 48,9% responderam que não concluíram o
ensino superior porque trabalham, estão procurando,
ou conseguiram trabalho que vai começar em breve.

106

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Entre as mulheres, esse percentual foi de 33,6%. Ainda
entre os homens, 15,8% afirmaram ter abandonado o
ensino superior por falta de dinheiro para arcar com
as despesas da faculdade (mensalidade, transporte,
material acadêmico, etc.). Entre as mulheres, esse
percentual sobe para 18,5%. Ainda sobre os homens,
13,9% explicaram que abandonaram por falta de
interesse; sobre as mulheres, esse percentual cai para
11,4%. Por fim, dentre as principais causas, 0,5% dos
homens disseram que abandonaram o ensino superior
por ter que cuidar dos afazeres domésticos. Entre as
mulheres, esse percentual é de 14,7%.
Há quatro principais razões para que homens e
mulheres não concluam o ensino superior no Brasil:
1) trabalho; 2) ausência de recursos financeiros; 3)
necessidade de cuidar dos afazeres domésticos e 4)
desinteresse. Ora, novamente os percentuais discrepam
entre homens e mulheres. As quatro razões incidem sobre
as mulheres, e para os homens apenas três: trabalho,
falta de recursos financeiros e desinteresse. Ora, as
mulheres abandonam o ensino superior por razões
ligadas ao trabalho, por falta de recursos financeiros,
por terem que assumir funções domésticas (outra
modalidade de trabalho) e por eventual desinteresse.
Embora os percentuais não sejam tão contundentes
quanto as razões para o abandono do ensino médio, fica
evidente que a divisão social do trabalho entre homens
e mulheres dificulta muito mais a conclusão do ensino
superior entre elas do que entre eles.

107

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 40 - Distribuição percentual da população de 18 a
29 anos que não estudava, havia concluído o ensino médio,
mas não havia concluído o ensino superior por motivo
principal de não estudar, segundo o sexo – Brasil – 2017

Fonte: IBGE, 2019

A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018 demonstra
que, na série histórica de 1996 a 2018, o percentual
de estudantes do sexo feminino saltou de 51,4%
para 54,6%, acompanhando, em linhas gerais, o
crescimento da população feminina na sociedade
brasileira, registrado na Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad/IBGE). Atestou que, em 1996, as
mulheres representavam 51,2% da população brasileira,
permanecendo praticamente o mesmo em 2018, 51,2%.

108

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Como consequência, os estudantes do sexo masculino
representavam 48,6% das matrículas nas Ifes em
1996, caindo para 45,1%, em 2018. Do mesmo modo, a
população masculina representava 48,8% da sociedade
brasileira em 1996, permanecendo praticamente o
mesmo em 2018, 48,9%. Os percentuais entre discentes
do sexo feminino e do sexo masculino também são
bastante próximos entre as Ifes e a Ufal.
Gráfico 41 – Sexo feminino e masculino – Comparativo Ifes
e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

A superioridade quantitativa das estudantes em
comparação aos estudantes se consolida ainda mais,
quando se relaciona o sexo com os cortes de faixa-etária.
No agregado geral, há bem mais mulheres (54,6%) do
que homens (45,1) matriculadas nas Ifes brasileiras.

109

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Quando se desagrega pelas três principais faixas-etárias
estudantis, essa diferença se acentua. Entre discentes de
17 anos e menos, 58,9% são do sexo feminino e 40,8% do
sexo masculino, enquanto que entre os de 18 a 24 anos,
56,5% são do sexo feminino e 43,2% do sexo masculino.
Estudantes do sexo feminino com 25 anos ou mais são
50,6%, e 49,1% do sexo masculino. Como assinala a V
Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as)
Graduandos (as) das Ifes – 2018, o equilíbrio nessa última
faixa-etária provavelmente se deve ao fato de que, nessa
altura da vida, as mulheres interrompem ou abandonam
o ensino superior em razão dos afazeres domésticos,
especialmente o cuidado dos filhos.
Gráfico 42 - Graduandos (as) por sexo, segundo faixa etária
(em %) – 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

110

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

No âmbito da Ufal, a divisão de sexo em cada
um dos campi da instituição é bastante assimétrica,
especialmente no Campus Arapiraca e do Sertão. No
primeiro, 58,3% dos estudantes são do sexo feminino
e 41,6% do sexo masculino. Já no campus do Sertão,
são do sexo feminino 57,1% e do sexo masculino 42,7%
dos(as) discentes. Como as mulheres são maioria
nos três campi, e também há uma grande migração
pendular diária daqueles que fazem uso massivo do
transporte coletivo ou locado, há sempre a ameaça de
constrangimentos e assédio sexual nesses espaços.
Esse é sempre um fator de preocupação e aflição por
parte das estudantes e suas famílias.
Gráfico 43 – Sexo

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

O gênero é uma construção sociocultural bastante
complexa, permeada por fatores objetivos e subjetivos.

111

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Nas últimas duas décadas, uma série de mudanças
intersubjetivas produziram novas identidades de gênero,
novas práticas e vínculos amorosos, assim como novas
demandas por reconhecimento. Aliado à emergência
desses novos aspectos, consolidou-se um movimento
global, nacional, regional, estadual e local em defesa da
diversidade sexual, acompanhado de uma contundente
denúncia das assimetrias e da violência de gênero.
No âmbito da Ufal, 44,1% das estudantes se
disseram mulheres cisgênero e 38,7% se disserem
homens cisgênero. Cisgênero é uma palavra
contemporânea designada para identificar o gênero
com o qual o indivíduo se identifica, é a pessoa que
se identifica com o sexo biológico de nascimento. Por
exemplo, uma pessoa que nasceu com a genitália
feminina, foi socializada de acordo com os padrões
socioculturais femininos da sua sociedade, incorporou
e adotou traços físicos e comportamentais de “mulher”,
como vestimentas, gestualidade, voz, cabelo, entre
outros, é uma pessoa cisgênero. Já o indivíduo
transgênero se refere a uma pessoa que não se identifica
com o sexo biológico de nascimento. Por exemplo,
o indivíduo nasceu com a genitália masculina, foi
socializado de acordo com os padrões socioculturais
de masculinidade da sua sociedade, lidou com a carga
especifica dos hormônios masculinos, mas se identifica
com o tipo físico feminino e com a feminilidade.

112

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 44 – Mulher

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Comparando-se as identificações de gêneros
entre os(as) estudantes das Ifes e da Ufal, há algumas
diferenças relevantes. Existe um percentual menor
de cisgênero na Ufal do que nas Ifes. Nessas, há um
percentual de 50,4% de mulheres cisgênero, quando
na Ufal temos 44,1%. Nas Ifes, 41,4% se identificaram
como homens cisgênero, ao passo que na Ufal 38,7% é
o percentual.

113

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 45 – Comparativo de gênero – Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

No que se refere à orientação sexual no âmbito
das Ifes, o percentual de homossexuais masculino
é superior ao de homossexuais femininos, 11,9% e
4,2%, respectivamente. Por outro lado, como assinala
a V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos
(as) Graduandos (as) das Ifes – 2018, o percentual
de discentes do sexo feminino que se disseram
bissexual é maior do que a proporção daqueles do
sexo masculino que se declararam bissexuais, 10,5% e
4,4%, respectivamente. No que se refere à orientação
sexual, a Ufal apresenta percentuais maiores quanto
aos estudantes heterossexuais e menores quanto aos
homossexuais, comparando-se com as Ifes.

114

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 46 - Graduandos (as) por orientação sexual – Ifes e
Ufal - 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

115

9 FAIXA ETÁRIA

As variáveis faixa etária, situação conjugal
e trabalho estão muito próximas, avizinham-se e
relacionam-se mutuamente. Quanto menos jovens
os estudantes ingressam na universidade, maiores
as possibilidades de já terem se casado e assumido
maternidade ou paternidade, e, por conseguinte, a
necessidade de dispor de um trabalho.
A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018 definiu três
grupos etários entre os matriculados: 17 anos e menos;
de 18 a 24 anos; e mais de 25 anos. A comparação
desses três grupos etários entre Ifes e Ufal, demonstra
que o percentual de estudantes muito jovens (17 anos e
menos) na Ufal é menor do que nas Ifes, assim como é
bem maior a proporção de discentes da Ufal com mais de
25 anos. Nas Ifes, os(as) estudantes com 25 anos e mais
representam 32%, ao passo que na Ufal esse percentual
é de 40,4%.

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 47 – Graduandos(as), segundo a faixa etária –
Comparativo Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Quando se desagrega por campus, a tendência
de estudantes menos jovens permanece, mas agora
com uma especificidade. No campus A.C. Simões, o
percentual de graduandos (as) com 25 anos e mais de
idade, 42,4%, é bem superior a essa faixa etária no
Campus Arapiraca, 32,1%, e bem próximo ao percentual
do Campus do Sertão, 41,7%. Os dados sugerem que,
tanto os estudantes do Campus A. C. Simões, quanto
os do Campus do Sertão são menos jovens, porque
trabalham e também já assumiram compromissos
conjugais e familiares.

117

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 48 – Faixa de idade

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

118

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

10 SITUAÇÃO CONJUGAL

O percentual de estudantes solteiros (as) na Ufal
é menor do que no restante das Ifes. Por conseguinte,
a universidade alagoana apresenta uma taxa maior de
casados (as) ou em relação estável, pois sua taxa de casado
(a) ou em relação estável é de 18,8% e já no restante das
Ifes é de 13,2%. Significa que 5.433 estudantes da Ufal
são casados (as) ou mantém relação estável.
Gráfico 49 - Graduandos (as) por estado civil – Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

119

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Não por acaso, o percentual de estudantes que já
são pais e mães na Ufal (16,2%) é superior ao restante
das Ifes (11,4%), ou seja, 4.681 deles são pais e mães. E
mais, a proporção daqueles que têm mais de um (a) filho
(a) também é maior entre os matriculados na instituição.
A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos
(as) Graduandos (as) das Ifes – 2018 destaca que 6,4%
dos discentes das Ifes têm apenas um filho; na Ufal,
esse percentual sobe para 9,7%. Entre os(as) estudantes
das Ifes, 3,3% têm dois filhos e 4,7% é o percentual da
Ufal. Por fim, nas Ifes 1,2% tem três filhos e na Ufal o
percentual é de 1,4%.
Gráfico 50 – Graduandos (as) por maternidade e
paternidade – Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

120

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Estudantes mães e pais têm um duplo desafio:
conciliar estudos com a maternidade e a paternidade.
Para os casados, ou que vivem uma relação estável, esse
desafio é bem presente no cotidiano, mas para solteiros
(as) que têm filhos, o desafio é ainda maior. Conforme
salienta a V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos (as) das Ifes – 2018, 68,5% dos
estudantes solteiros com filhos são do sexo feminino.
Parte desse elevado percentual se deve à maior proporção
de mulheres na população brasileira em geral, mas se
deve, sobretudo, ao fato de que as mulheres assumem
os afazeres domésticos e afetivo-emocionais muito mais
do que os homens, liderando um número bastante
significativo de famílias monoparentais na sociedade
brasileira contemporânea.
Entre as Ifes, 85,3% dos estudantes moram com
os filhos; na Ufal, são 89,1%. Quando perguntados
com quem ficam os filhos menores de 5 anos, os (as)
estudantes das Ifes afirmaram que 66,2% deixam com
os familiares; na Ufal esse percentual sobe para 75,9%,
demonstrando que necessitam mais da rede familiar de
apoio afetivo-emocional para cuidar dos filhos durante
o horário dos estudos do que os demais estudantes das
Ifes. Nessas, 11,3% afirmaram que deixam os filhos em
instituições de ensino privadas, ao passo que na Ufal
esse percentual é de 9,8%.
Digno de destaque é o fato de que, entre discentes
das Ifes, 10,8% deixam os filhos aos cuidados de outras
instituições educacionais públicas e na Ufal somente 4%
o fazem. Como se pode inferir, esses últimos dispõem
de uma oferta menor de instituições educacionais

121

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

para deixar os filhos. Chama atenção também a
importância das creches das próprias universidades
federais: entre as Ifes, 0,8% utilizam esse serviço, já
entre os (as) estudantes da Ufal esse percentual é de
2,2%.
É revelador também o fato de que entre os
(as) discentes das Ifes, 4,8% levam os filhos para a
universidade, e 3,9% fazem o mesmo na Ufal. Essa é
uma mudança que impacta o cotidiano das aulas e
das atividades acadêmicas de modo geral, exigindo das
Ifes, em particular dos(das) docentes, novas estratégias
didáticas para lidar com a presença de crianças
em espaços acadêmico-científicos. Trata-se de uma
oportunidade alvissareira para a construção de novas
metodologias e inovações didáticas.
É preocupante o fato de que 1,6% dos (as)
estudantes das Ifes e 1% dos (as) da Ufal informarem que
deixam os filhos menores de cinco anos sozinhos. Ora,
é mais aconselhável para o bem-estar das crianças que
os responsáveis as levem para a universidade, ao invés
de permanecerem sozinhas. Do mesmo modo, é muito
mais fecundo para o desenvolvimento e o aprendizado
dos (as) estudantes mães e pais que os filhos estejam
consigo nas aulas, ao invés de permanecerem a sós.
Certamente, a presença dos filhos deixa pais e mães
mais serenos (as), seguros (as) e concentrados (as) no
aprendizado dos conteúdos científicos.

122

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 51 – Com quem ficam os filhos menores de 5 anos
dos (as) estudantes das Ifes que possuem pelo menos uma
criança nessa faixa etária

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

123

11 TRABALHO E RENDA

A variável trabalho/renda é extremamente
reveladora acerca da estrutura socioeconômica dos
discentes da Ufal. Em 2018, do total de estudantes
das Ifes, 29,9% trabalhavam; já na Ufal os estudantes
trabalhadores correspondiam a 36%. Tanto o trabalho
quanto a ausência dele têm implicações. Os que estudam
e são pais e mães, em geral, precisam trabalhar, assim
como aqueles oriundos das famílias com menor renda per
capta. O trabalho pode facilitar o desempenho acadêmico,
assim como pode sobrecarregar e comprometer o seu
desempenho. Para compreender esses aspectos, é preciso
aumentar a escala de análise empírica do trabalho entre
as populações jovens no Brasil, porque somente assim
é possível chegar às especificidades do trabalho entre os
(as) matriculados (as) na Ufal.
É preciso assinalar que o desemprego tem sido
um fenômeno recorrente entre os jovens brasileiros,
crescendo nos últimos anos. De acordo com o IBGE, em
2016, de toda a população brasileira desocupada, 54,9%
eram pessoas entre 16 e 29 anos de idade, revelando
que, entre todos os grupos etários, a desocupação era
maior entre os jovens. Utilizando outro parâmetro, a

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

taxa de desocupação das pessoas entre 16 e 29 anos de
idade por unidade federativa, o instituto constatou que
a maioria das unidades federativas apresenta elevadas
taxas de desocupação para os indivíduos de 16 a 29
anos de idade, acima da média nacional. A maioria dos
estados do Nordeste apresentaram elevadas taxas de
desocupação para esse grupo etário. No caso de Alagoas,
a taxa de desocupação foi de 26,4%.
Gráfico 52 – Taxa de desocupação das pessoas de 16 a 29
anos de idade, segundo as Unidades da Federação – 2016

Fonte: IBGE, 2019.

125

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Na análise ampla sobre o mercado de trabalho
brasileiro, o IBGE lança mão de um indicador bastante
específico e valioso, a taxa composta da subutilização
da força de trabalho. Esse indicador é composto por
três componentes: 1) desocupação; 2) insuficiência de
horas trabalhadas; 3) e força de trabalho potencial.
Utilizado esse indicador para os diferentes grupos
etários, a taxa composta de subutilização da força de
trabalho entre os jovens foi de 32,8%, em 2016. Ou
seja, conforme pontua o instituto, de cada três jovens
brasileiros que faziam parte da força de trabalho, um
tinha a sua força de trabalho subutilizada. O principal
componente do indicador taxa de subutilização da
força de trabalho é a desocupação. Nesse item, como
se vê, entre os jovens, o percentual saiu de 47%, em
2012, para 58,8%, em 2016.

126

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 53 – Taxa composta de subutilização da força de
trabalho e distribuição percentual em componentes, das
pessoas de 16 anos ou mais de idade e de 16 a 29 anos de
idade – Brasil 2012/2016

Fonte: IBGE, 2019.

O contrário da desocupação é a ocupação. Esse
indicador é bastante utilizado para aferir e analisar a
dinâmica do mercado de trabalho e, de acordo com o
IBGE, esse indicador apresenta muitas assimetrias
regionais. Em 2016, em âmbito nacional, esse indicador
registrou a taxa de ocupação de 58,4% para os jovens (de
16 a 29 anos) em trabalhos formais. No entanto, todos
os estados do Norte e Nordeste registraram uma taxa de
ocupação inferior a nacional, sendo o estado com menor
taxa o Maranhão, com apenas 30,1%. Alagoas registrou
uma taxa de ocupação para os jovens de 45,2%.

127

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 54 – Proporção de pessoas de 16 a 29 anos de idade
ocupadas na semana de referência em trabalhos formais,
segundo as Unidades da Federação e os Municípios das
Capitais – 2016

Fonte: IBGE, 2019.

128

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Conforme destaca a V Pesquisa de Perfil
Socioeconômico e cultural dos Graduandos (as) das Ifes
– 2018, 40,6% dos estudantes das instituições federais
estavam desocupados. Esses aspectos evidenciam
a competição e a dificuldade de ocupação junto ao
mercado de trabalho por parte dos que têm entre 16 e
29 anos de idade. Para ficar clara a situação de trabalho
dos alunos da Ufal, podemos compará-la com as Ifes,
destacando três componentes: 1) trabalha (ocupado); 2)
não trabalha e não está à procura de trabalho (inativo); 3)
não trabalha e está à procura de trabalho (desocupado).
Gráfico 55 – Graduandos (as), segundo a situação de
trabalho – Ifes e Ufal (em%)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

129

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

É possível depreender dois aspectos. Primeiro,
estudantes da Ufal trabalham mais dos que os das
Ifes, porque são menos jovens, têm filhos e pertencem
às famílias com menor renda per capita. Segundo, eles
(elas) apresentam uma taxa de desocupação (46%)
superior à taxa das Ifes (40,65), pois necessitam mais
e estão mais à procura de trabalho. Significa que
temos uma comunidade discente composta por muitos
trabalhadores e trabalhadoras ocupados e ocupadas,
e também muitos trabalhadores e trabalhadoras
desocupados e desocupadas, à procura de trabalho.
Esses aspectos podem ser reforçados com a
desagregação do trabalho por campus. Como se pode
constatar, o maior percentual de trabalhadores (as) está
no Campus A. C. Simões: 39%. Isso ocorre porque a
região metropolitana de Maceió reúne o maior número
de empresas, de atividades produtivas e de atividades de
serviços, além de serviços públicos estadual e federal,
concentrando grande parte da riqueza produzida no
estado, responsável por 41% do Produto Interno Bruto
(PIB) de Alagoas (IBGE, 2019). Outro fator de destaque
é o elevado percentual de estudantes à procura de
trabalho nos campi de Arapiraca e do Sertão, com taxas
de 50% e 55%, respectivamente.

130

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 56 – Trabalho

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Os percentuais relacionados aos vínculos de
trabalho mantidos pelos estudantes das Ifes fornecem
uma medida valiosa e permitem estabelecer novamente
uma comparação segura entre as Ifes e a Ufal. No âmbito
das Ifes, 31,7% dos(das) discentes que trabalham possuem
vínculos empregatícios por meio de carteira de trabalho
formalmente assinada. Na Ufal, esse percentual sobe para
41,5%. Significa, como restou demostrado antes, que
esse elevado percentual se deve menos às oportunidades
de oferta de trabalho existentes na economia alagoana e
mais à busca e à necessidade permanente por parte dos
(as) estudantes. No âmbito das Ifes, 17% daqueles (as) que
trabalham são funcionários públicos, percentual que, na

131

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Ufal, sobe para 20,2%. Esse dado sugere que, como são
menos jovens, os estudantes da instituição alagoana já
realizaram concurso público para cargos cuja exigência
formal foi apenas o ensino médio.
Chama atenção, por seu turno, o reduzido
percentual de vínculo empregatício mediante estágio na
Ufal (11,4%) em relação às Ifes (24,4%). Como o estágio
é um campo de trabalho bastante promissor, essa
relação de trabalho pode ser expandida e aprimorada.
Por fim, o percentual de estudantes que trabalha sem
carteira assinada é expressivo, tanto nas Ifes, quanto
na Ufal, 13% e 14%, respectivamente, revelando um
alto grau de precarização.
Gráfico 57 – Vínculo no trabalho dos (as) estudantes
ocupados (as) – Ifes e Ufal (em %)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

132

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Por fim, vale a pena passar em revista os aspectos
relativos à jornada de trabalho. A V Pesquisa de Perfil
Socioeconômico e cultural dos Graduandos (as) das Ifes
– 2018 tipificou sete jornadas semanais de trabalho:
menos de 15 horas; mais de 15 a 20 horas; mais de 20 a
25 horas; mais de 25 a 30 horas; mais de 30 a 40 horas;
mais de 40 a 44 horas; mais de 44 horas.
No âmbito das Ifes, 21,5% dos estudantes
realizam uma jornada de trabalho de 30 a 40 horas
semanais e outros 17,7% têm jornada de 40 a 44
horas. Na Ufal, esses percentuais sobem para 22,2% e
18,3%, respectivamente. Comparando-se as jornadas
de trabalho entre estudantes das Ifes e da Ufal, os
percentuais são semelhantes. Salta aos olhos, no caso
da Ufal, que 8,6% realizam mais de 44 horas semanais
de trabalho, quando entre as Ifes esse percentual é de
6,6%. Os que realizam longas e excessivas jornadas de
trabalho, acima de 40 horas semanais, que é a realidade
de 26,9% dos (as) estudantes trabalhadores da Ufal, têm
muitas dificuldades de manter, de maneira saudável
e proveitosa, a rotina dos estudos e das atividades
acadêmicas. Por outro lado, é o salário e a renda mensal
decorrentes dessas longas e extenuantes jornadas
de trabalho que permitem a manutenção material da
família e dos (as) próprios (as) estudantes.

133

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 58 - Graduandos (as) ocupados (as), segundo
jornada de trabalho – Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

134

12 TRAJETÓRIA ESCOLAR

As quatro próximas variáveis – trajetória escolar,
vida acadêmica, saúde e qualidade de vida e cultura –
constituem uma unidade relacional. A trajetória escolar
e as relações familiares com a dimensão escolar e
intelectual marcam bastante os estudantes ao longo do
ensino fundamental, médio e durante a vida acadêmica
no ensino superior. Do mesmo modo, por passarem
bastante tempo na universidade, vivendo as rotinas
acadêmicas, especialmente os (as) que ingressam em
atividades de pesquisa, a saúde e a qualidade de vida
passam a depender bastante das vivências acadêmicas.
Por conseguinte, tudo isso repercute nas práticas
culturais, no acesso e consumo de conteúdos de arte,
entretenimento e cultura.
De acordo com a V Pesquisa de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos
(as) das Ifes – 2018, 81,1% dos (as) estudantes
matriculados (as) realizaram o ensino médio padrão
e outros 14,2%, o ensino médio integrado ao ensino
técnico. Na Ufal, esses percentuais são de 81,4% e
13,3%, respectivamente.

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 59 – Modalidades de ensino médio

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Do total de estudantes matriculados na Ufal em
2018, 80,7% ingressaram por meio do Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem) e do Sistema de Seleção
Unificada (MEC/Sisu), a grande maioria é egressa da
escola pública. No âmbito das Ifes, 60,4% são egressos
da escola pública; na Ufal, são 54,3%. Uma comparação
entre a Ifes e a Ufal permite evidenciar a relevância da
escola pública.

136

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 60 – Tipo de escola de ensino médio cursada – Ifes e Ufal

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Antes de ingressar na universidade, muitos
estudantes passaram pelos cursinhos preparatórios.
Embora significativos, é notável que, tantos nas Ifes,
quanto na Ufal, a maioria dos(as) estudantes não
precisou recorrer aos cursinhos para assegurar a sua
vaga no ensino superior público. Esse aspecto se deve,
como assinalado antes, à grande expansão do número
de vagas nas Ifes nos últimos 20 anos.

137

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 61 – Graduandos (as) que frequentaram cursinhos
preparatórios – Ifes e Ufal – 2018 (%).

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

138

13 VIDA ACADÊMICA

Esta é uma variável que traz dados e indicadores
extremamente relevantes para o planejamento das ações
e políticas acadêmicas da universidade, pois abarca a
intensidade e frequência dos estudos, as dificuldades
pedagógicas, as dificuldades para estudar, determinados
tipos de violência, assédio moral, além da adesão aos
cursos e inserção nas rotinas acadêmicas.
Em 2018, do total de estudantes matriculados
na Ufal, 81% ingressaram na instituição por meio da
primeira opção de curso, o que revela uma forte convicção
da primeira opção previamente definida.

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Figura 9 – Ingressos

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Por outro lado, também é relativamente alto o
percentual de estudantes que afirmaram que trocariam
de curso. No âmbito das Ifes, 60,1% afirmaram que
não trocariam de curso e outros 20,7% destacaram que
sim, e 19,3% não souberam responder. No âmbito da
Ufal, 61% não trocariam de curso, 22,5% afirmaram
que trocariam e 16,5% não souberam responder. A
intenção e/ou o projeto de troca de curso decorre de
vários fatores: 1) dificuldades de inserção no mercado de
trabalho, após a conclusão do curso; 2) dificuldade de
compreensão e aplicação dos conteúdos; 3) dificuldades
com o corpo docente; 4) falta de clareza quanto às
atribuições e competência do futuro profissional, entre

140

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

outros. De todo modo, o comparativo entre as Ifes e a
Ufal mostra que o percentual daqueles que trocariam de
curso é relativamente alto, exigindo das coordenações
dos cursos e das políticas de acompanhamento
pedagógico por parte da Ifes o refinamento de pesquisas
que permitam mapear e compreender as causas que
conduzem a mudanças e trocas de cursos.
Gráfico 62 – Estudantes que trocariam de curso – Ifes e
Ufal – 2018 (em %)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

No escopo da vida acadêmica, um indicador bastante
relevante é o tempo médio que discentes se dedicam aos
estudos semanalmente, fora da sala de aula. Entre as Ifes,
32,2% dedicaram-se menos de 5 horas semanalmente
aos estudos; em seguida, 36,3% disseram que se dedicam

141

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

entre 5 e 10 horas semanais; os que assinalaram mais de
10 a 15 horas foram 13,4%. Na Ufal, 38,2% afirmaram se
dedicar menos de 5 horas semanais, 34,3% mais de 5 a
dez 10, e se dedicam mais de 10 a 15 horas 11,2% dos(as)
pesquisados. Neste indicador, o comparativo entre as Ifes
e a Ufal permite constatar que os(as) discentes estudam
menos ou se dedicam menos aos estudos fora da sala de
aula. Esse aspecto se deve ao fato, como demonstrado
antes, que os(as) discentes da Ufal trabalham mais e
possuem mais vínculos conjugais e familiares, restando
muito menos tempo livre para os estudos.
Gráfico 63 – Tempo médio dedicado aos estudos fora da
sala de aula – Ifes e Ufal – 2018 (em %).

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos das Ifes – 2018 desagregou o

142

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

tempo semanal gasto com os estudos fora da sala
de aula de acordo com as oito grandes áreas do
conhecimento tipificadas pelo CNPq, incluída também
a área multidisciplinar. De fato, como sugerem outras
pesquisas, os estudantes da área de Saúde são os que
dedicam mais tempo semanal aos estudos fora da sala
de aula: 9,5% dos estudantes da área dedicam mais de
25 horas semanais aos estudos fora da sala de aula.
Tabela 15 – Graduandos (as) segundo a área de
conhecimento do curso em que estão matriculados e tempo
médio semanal de estudos – 2018 (em %)
Área
do
conhecimento

Menos
de 5
horas

Mais de
5 a 10
horas

Mais de
10 a 15
horas

Mais de
15 a 20
horas

Mais de
20 a 25
horas

Mais
de 25
horas

Ciências da terra

32,0

35,7

13,81

7,9

4,5

6,0

Ciências
biológicas

33,0

38,9

12,8

7,5

3,8

4,0

Engenharias

23,4

35,6

16,7

10,2

6,0

8,0

Ciências da
saúde

23,9

35,5

15,5

9,6

6,1

9,5

Ciências
agrárias

30,9

40,0

14,1

7,1

3,5

4,3

Ciências sociais
aplicadas

40,8

34,1

10,6

6,3

3,5

4,7

Ciências
humanas

35,9

38,0

12,1

6,7

3,5

3,7

Linguística,
letras e artes

37,7

37,8

11,3

6,2

3,1

4,0

Multidisciplinar

39,1

36,6

11,5

6,1

2,8

3,7

Total

32,2

36,3

13,4

7,8

4,4

5,9

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace|Andifes.

143

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Mais um indicador pode elucidar as especificidades
acadêmicas entre as Ifes e a Ufal. Dessa vez, o indicador
é a frequência de uso da biblioteca durante a semana.
Entre os estudantes das Ifes, 21,6% assinalaram que
não frequentam a biblioteca, outros 23,2% disseram que
menos de uma vez; 18,3% responderam que apenas uma
vez e 26,7% assinalaram duas ou três vezes. É possível
verificar também a frequência semanal da biblioteca por
região do país.
Gráfico 64 – Graduandos (as) por frequência de uso do
espaço físico da biblioteca, segundo região geográfica de
campus (em %) – 2018

Fonte: Andifes/Fonaprace, 2019.

144

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Na Ufal, os percentuais de utilização semanal
da biblioteca são os seguintes: 19% não utilizam; 23%
utilizam menos de uma vez; 20,8% disseram utilizar
uma vez e 28,1% afirmaram utilizar duas ou três
vezes. No comparativo desse indicador entre as Ifes
e a Ufal, é alentador contatar que os(as) discentes da
instituição estão utilizando a biblioteca nos parâmetros
de regularidade semelhantes aos nacionais.
É preciso lembrar ainda que a biblioteca é mais
do que um local de estudo, pesquisa e aprendizado
acadêmico-científico.
Mais
do
que
frequentar
pontualmente ou assiduamente a biblioteca, a
frequência e uso da dela revela práticas mais ampliadas
ou menos ampliadas de sociabilidade e socialização
acadêmica entre os(as) estudantes, que, muitas vezes,
têm na biblioteca um ponto de encontros, acolhimento,
lazer e descanso. Como a Ufal possui uma forte
migração pendular (29,9%) e um contingente elevado
de estudantes trabalhadores, além daqueles oriundos
de famílias pobres e muito pobres, a biblioteca (central
e setoriais) é também um espaço de permanência,
encontros e acolhimento.

145

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 65 – Frequência semanal da biblioteca – Ifes e Ufal
– 2018 (em %)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Tão relevante quanto os indicadores anteriores, é
o indicador de participação em atividades ou programas
acadêmicos. Esse indicador é uma bússola valiosa,
pois permite mensurar e analisar o grau de adesão,
engajamento e fixação dos (as) estudantes em atividades e
programas imprescindíveis para a formação acadêmica e
intelectual, tais quais: 1) empresas juniores; 2) monitorias
em disciplinas; 3) Pibid (Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação à Docência); 4) estágios não obrigatórios
extracurriculares; 5) atividades de extensão, pesquisa;
e 6) Programas de Educação Tutorial (PET); 7) Pibic
(Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica).
Em âmbito nacional, o destaque é para pesquisa e
estágio não obrigatório, com 13,2% e 13,1% dos estudantes

146

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

participando dessas atividades, respectivamente. Ainda
em âmbito nacional, 37,8% não participam de atividade
ou programa acadêmico.
Gráfico 66 – Participação em atividades ou programas
acadêmicos (em %) – 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

No que tange ao indicador de participação em
atividades ou programas acadêmicos, a Ufal apresenta
um quadro que pode e deve ser melhorado. Não é fácil,
dada estrutura socioeconômica da sociedade local e, por
conseguinte, dos (as) estudantes da Ufal, mas é possível.
No total, 45,4% dos (as) estudantes não participam de
atividades ou programas acadêmicos. Esse percentual
discrepa da média das Ifes nacionais, que é de 37,6%
– uma diferença de 7,8%, que certamente ocorre, mais
uma vez, em razão do elevado percentual dos que

147

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

realizam a migração pendular, do alto índice dos que
são trabalhadores e trabalhadoras, e também do fato de
que um percentual elevado já são pais e mães.
Todos esses aspectos concorrem para dificultar
que os(as) discentes se dediquem às atividades de
monitoria, empresa júnior, ensino (Pibid e PLI),
Programa de Educação Tutorial (PET), pesquisa (Pibic
e Pibit), extensão, estágio não obrigatório, entre outros,
atividades que exigem tempo livre disponível para
permanecer na universidade durante boa parte do dia,
alguns dias da semana.
Gráfico 67 – Participação em atividades ou programas
acadêmicos – Ifes e Ufal – 2018 (em %)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

148

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Ainda inscritos na variável vida acadêmica, dois
itens se destacam e trazem, mais uma vez, subsídios
imprescindíveis. Esses itens correspondem à evasão e
ao trancamento. De acordo com a V Pesquisa de Perfil
Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduando (as) das
Ifes 2018, há um consenso na literatura especializada
acerca da definição de evasão. Compreende-se a evasão
como sendo a perda do vínculo junto a instituição e ao
curso, voluntário ou não. Perguntados se já haviam
pensados em abandonar o curso, 52,8% dos (as)
estudantes das Ifes afirmaram que sim. Na Ufal, esse
percentual é um pouco superior, 54,7%.
Indagados sobre as razões pelas quais pensaram
em abandonar os cursos, os (as) estudantes responderam
de acordo com algumas causas apresentadas.
Comparando as respostas das Ifes e da Ufal, de acordo
com as causas especificas, vê-se que as principais
razões são de ordem financeira, o nível de exigência
do curso e ainda a dificuldade de conciliar trabalho e
estudo, tanto nas Ifes, quanto na Ufal. Nessa última se
destaca também os problemas de saúde.

149

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 68 – Percentual de discentes que pensaram em
abandonar o curso, segundo motivo para abandonar o curso
– Ifes e Ufal – 2018 (em %).

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2019.

Buscando refinar os dados, a supracitada pesquisa
cruzou a intenção de abandonar o curso por parte dos
estudantes com os estratos de renda dos (as) estudantes
por renda mensal familiar per capita. O cruzamento
dessas duas variáveis e o cotejamento entre as Ifes e a
Ufal, evidencia que 83,5% dos (as) estudantes da Ufal
com renda familiar mensal per capita de até um e meio
salário mínimo já pensaram em abandonar o curso.
Percentual bem superior ao das Ifes, nessa mesma faixa
de renda, que foi de 54,4%.

150

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 69 – Percentual de discentes que pensaram em
abandonar o curso por faixa de renda familiar mensal per
capita – Ifes e Ufal – 2018 (em).

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2019.

Passando das intenções ao ato prático e formal
de realizar o trancamento geral da matrícula junto ao
curso, os (as) estudantes das Ifes assinalaram que, no
total, 14,3% de fato trancaram o curso. Há, portanto,
uma longa distância entre pensar em trancar o curso e,
de fato, fazê-lo. Na Ufal, o percentual é de 14,6%. Quanto
às razões dos trancamentos, foram tipificadas oito
razões: 1) risco de jubilamento; 2) licença maternidade;
3) dificuldades de compreender os conteúdos das
disciplinas; 4) impedimento financeiro; 5) insatisfação
com o curso; 6) impedimento de saúde; 7) motivo de
trabalho; 8) e outro motivo. Comparando a incidência
dos percentuais, de acordo com cada causa, entre Ifes e

151

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Ufal, destaca-se o impedimento financeiro, a insatisfação
com o curso, os impedimentos de saúde e o motivo de
trabalho, além do item outros.
Três aspectos chamam atenção no comparativo
entre Ifes e Ufal.O primeiro diz respeito ao percentual
de licença maternidade. Nas Ifes, 4,7% das estudantes
trancam o curso em razão da maternidade; já na Ufal
esse percentual é de 7,4%. Essa discrepância demonstra,
como destacado antes, que há um grande contingente
de estudantes mães na Ufal. Esse fator deve ser levado
em conta, principalmente por parte das coordenações
dos cursos, em parceria com a Pró-Reitoria de
Graduação (Prograd) e Pró-Reitoria Estudantil (Proest),
no momento de construção de novas políticas e planos
de ação com vistas a permanência das estudantes
mães na instituição. O segundo aspecto concerne ao
impedimento financeiro. Novamente, se somarmos o
impedimento financeiro com os motivos de trabalho,
temos 36,2% dos (as) estudantes que trancaram o curso
pela combinatória dessas duas razões. Entre as Ifes,
esse percentual é de 32,4%. Por fim, chama atenção
ainda o percentual de trancamentos em decorrência da
insatisfação com o curso, 14,5%, o que sugere problemas
de ordem pedagógica, acadêmica e organizacional.
Entre as Ifes, esse percentual cai para 11,2%.

152

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 70 – Percentual de discentes que fizeram
trancamentos gerais de matrícula, segundo motivo de
trancamento – Ifes e Ufal 2018 (em).

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2019.

No âmbito da Ufal, se impõe um cotejamento entre
as razões que levaram os(as) estudantes a realizarem
o trancamento geral do curso de acordo com o sexo.
Essa comparação revela algumas nuances. Entre os
4.257 estudantes que efetuaram o trancamento geral
da matrícula na Ufal, 51,6% são do sexo feminino e
48,4% do sexo masculino. As estudantes do sexo
feminino realizam mais o trancamento geral da
matrícula mais em razão de impedimentos de saúde e
de licença maternidade. O destaque constatado quanto
ao impedimento de saúde, por parte das estudantes
do sexo feminino, exige um cuidado especial à saúde
desse grupo especifico. Além desse aspecto, o fator

153

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

maternidade, cujo o percentual é elevado entre as
estudantes da Ufal, como se viu, exige um conjunto de
ações específicas. Por outro lado, o motivo de trabalho
é, de longe, a causa que mais leva os estudantes do sexo
masculino a efetuarem o trancamento geral do curso.
É preciso destacar ainda que o elevado percentual do
item outros demonstra a necessidade de refinamento
da pergunta e do instrumento de coleta do dado.
Gráfico 71 – Percentual de discentes do sexo feminino e
do masculino da Ufal para cada motivo de trancamento –
2018 (em %).

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2019.

154

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Por fim, podemos alcançar um bom grau de
refinamento desagregando os motivos de trancamento
geral do curso de acordo com as faixas de renda
familiar per capita dos (as) estudantes. Realizando esse
procedimento, vê-se um fenômeno digno de nota. Entre
os (as) estudantes com renda per capita familiar de até
um e meio salário mínimo, uma das principais causas
para o trancamento geral do curso é o impedimento
financeiro. Esse aspecto ocorre porque os estudantes
dessa faixa de renda dispõem de poucos recursos
para fazer frente às despesas cotidianas, transporte,
alimentação, materiais acadêmicos, entre outros.
O motivo de trabalho também é outro forte fator
que leva os (as) estudantes dessa faixa de renda a
efetuarem o trancamento geral do curso. Por outro
lado, o motivo trabalho é a causa que mais incide
sobre o grupo de estudantes que dispõem de maior
renda per capita domiciliar - mais de três salários
mínimos. Ora, esse aspecto ocorre porque, neste caso,
o (a) estudante realiza o trancamento geral do curso
pois precisa se dedicar integralmente à sua atividade
laboral. Nesse caso, o (a) estudante que dispõe de
maior renda per capita precisa efetivar o trancamento
geral do curso para que o curso não “comprometa” ou
“dificulte” o desempenho do seu trabalho. Ou seja, ele
precisa efetivar o trancamento geral para que continue
obtendo uma renda per capita familiar minimamente
satisfatória. Cabe destacar também que o (a) estudante
que possui maior renda per capita também é aquele
que apresenta maior insatisfação com o curso.

155

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 72 – Percentual de discentes da Ufal, segundo faixa
de Renda mensal per capita por razões para trancamento
geral de matrícula – 2018 (em %).

Fonte: Elaborado a partir de Fonaprace/Andifes, 2019.

156

14 SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

A saúde e a qualidade de vida abarcam aspectos
como saúde física e mental, cuidados médicos,
odontológicos, acesso aos serviços psicológicos, bemestar, alimentação saudável e apropriada, entre outros.
O fator alimentação, por exemplo, foi investigado pela
V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos
(as) Graduandos das Ifes – 2018, revelando aspectos
bastante relevantes. Os dados das Ifes e os dados
desagregados da Ufal permitem uma comparação
acerca dos percentuais de quantidade de refeições
realizadas por dia pelos discentes. Nota-se que 6% dos
(as) estudantes da Ufal realizam apenas duas refeições
por dia, seja por excesso de atividades (trabalho, aulas,
provas, seminários, etc.), seja por carência material,
essa escassez de refeições pode prejudicar a saúde dos
(as) mesmos (as).

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 73 – Número de refeições realizadas habitualmente
por dia – Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Desagregando o local onde os (as) estudantes da
Ufal realizam as suas refeições, nota-se a relevância dos
restaurantes universitários, onde 13,8% deles realizam
uma ou duas refeições diárias, presentes hoje no Campos
A.C. Simões, no Campus Delza Gitaí e na Unidade de
Ensino de Viçosa. Percebe-se também um percentual
de destaque para os que realizam as refeições em suas
próprias residências.

158

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 74 – Refeições

Fonte: Andifes/Fonaprace, 2019.

Uma vez que as atividades acadêmicas exigem
muito da atividade mental e intelectual, uma das
práticas que mais contribuem para a manutenção da
saúde e do bem-estar dos (as) estudantes é a prática
regular de atividades físicas. Em âmbito nacional,
39,9% informaram que não praticam nenhuma
atividade física. No âmbito da Ufal, 44,7% dos (as)
discentes não praticam nenhum tipo de atividade física.
Trata-se de um hábito que precisa ser estimulado,
por ser outro fator que pode comprometer a saúde da
comunidade estudantil.

159

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 75 – Frequência

Fonte: Andifes/Fonaprace, 2019.

A frequência e a modalidade de auxílios aos
serviços médicos são fatores importantes do bemestar e das possibilidades de promoção à saúde dos
(as) discentes. A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e
Cultural dos (as) Graduandos das Ifes – 2018 destacou
seis modalidades de acesso a serviços de saúde.
Comparando-se essas seis modalidades entre as Ifes e
a Ufal, temos:

160

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 76 – Rede em que procura por atendimento médico

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

A saúde bucal é outro aspecto que foi aferido pela
V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as)
Graduandos das Ifes – 2018. A pesquisa destacou quatro
modalidades: 1) vai ao dentista quando se manifesta
algum problema; 2) vai periodicamente ao dentista, para
fins de prevenção; 3) vai ao dentista para tratamento
especializado; 4) nunca vai ao dentista. Novamente, a
comparação entre as Ifes e a Ufal é elucidativa.

161

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 77 – Cuidados dentários – Ifes e Ufal – 2018 (em %)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

A saúde psicológica foi outro fator destacado na
supracitada pesquisa. Em âmbito nacional, 67,6% dos
(as) estudantes afirmaram que nunca procuraram auxílio
psicológico, 13% procuraram atendimento psicológico
há mais de um ano, 9% procuraram atendimento e 9,7%
informaram que estavam realizando acompanhamento
psicológico. Comparando os resultados nacionais com a
Ufal, temos o seguinte quadro:

162

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 78 – Procurou atendimento psicológico alguma vez
na vida – Ifes e Ufal – 2018 (em%)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Na supracitada pesquisa, também foi perguntado
acerca do uso de medicação psiquiátrica, mesmo que
utilizada durante pouco tempo. No escopo nacional,
83,7% afirmaram que nunca tomaram qualquer
medicação psiquiátrica; 9,8% haviam tomado e parado,
e 6,5% faziam uso regular. Na Ufal, esses percentuais
foram, de 89%, 7% e 4%, respectivamente.
Em âmbito nacional, 83,5% dos estudantes das Ifes
disseram que sofrem ou já sofreram alguma dificuldade
emocional e que essa interferiu no desempenho
acadêmico e nos estudos. Na Ufal, esse percentual caiu
para 77,7%. Entre os tipos de dificuldades emocionais
mais citadas, destaca-se ansiedade; insônia ou alteração

163

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

significativa do sono; sensação de desamparo, desespero
e desesperança; tristeza persistente e desânimo; e falta de
vontade de fazer as coisas. Comparando os percentuais
específicos de cada tipo de dificuldade emocional entre
Ifes e Ufal, temos
Gráfico 79 – Dificuldades emocionais que interferem na
vida acadêmica nos últimos doze meses – Ifes e Ufal – 2018
– (em %)

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Outro aspecto relevante quanto às dificuldades
emocionais diz respeito ao assédio moral, notadamente
aquele exercido por docentes. Em âmbito nacional,
16,8% dos(as) discentes disseram que já haviam sofrido
assédio moral; na Ufal, foram 14,1%. Perguntados se

164

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

haviam formalizado a reclamação por assédio moral,
54,9% disseram que não, pois acreditaram que não
resultaria em nada; e 20,9% disseram que não o fizeram
por medo; outros 16,6% disseram não ter feito por não
saber como; e 7,5% formalizaram a reclamação.
Gráfico 80 – Formalização

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

O percentual de consumo de três substâncias foi
aferido na pesquisa: álcool, tabaco e drogas não lícitas.
No âmbito da Ufal, 93% dos (as) estudantes assinalaram
nunca ter utilizado tabaco. Quanto ao uso de drogas
não lícitas, 95,2% disseram que nunca utilizaram.
Ainda, 2,8% % mencionaram que menos de uma vez por
semana e 0,9% declaram utilizar nos finais de semana.
Quanto ao uso de álcool, o resultado foi o seguinte:

165

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 81 – Bebidas alcoólicas

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

166

15 CULTURA

A última variável desta publicação refere-se ao
consumo de conteúdos de arte, cultura, entretenimento,
informação e a realização de atividades políticas. O
consumo do conteúdo de atividades artísticas e cultural
(filmes, séries, livros, músicas, shows, espetáculos,
entre outros) facilita a compreensão dos conteúdos
científicos, potencializa a imaginação intelectual e
fomenta a criatividade de um modo geral.
A V Pesquisa de Perfil Socioeconômico e Cultural
dos (as) Graduandos das Ifes – 2018, cita diretamente
um conceito cunhado pelo sociólogo francês Pierre
Bourdieu (1930-2001) e que ficou conhecido em
diversas áreas do conhecimento: o capital cultural.
O conceito de capital cultural foi criado para traduzir
uma das formas de dominação mais recorrente nas
sociedades contemporâneas: a dominação cultural. A
categoria foi desenvolvida para se referir ao domínio de
conteúdos escolares, artísticos, culturais e acadêmicos
por parte de determinados indivíduos, instituições e
classes sociais. Evoca desde a posse de um diploma de
curso superior obtido em uma instituição de prestígio
até os modos de falar, vestir, andar, se alimentar e

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

consumir dos indivíduos. Dependendo de como são
realizadas todas essas práticas, e qual o conteúdo
das mesmas, os indivíduos se classificam e são
classificados como mais cultos, superiores, criativos,
capazes e competentes, dotados de um volume maior
ou menor de capital cultural.
Uma das maiores transformações culturais e
políticas que ocorrem na vida dos indivíduos é o ingresso
na universidade, uma vez que durante quatro ou cinco
anos (as vezes até mais) um conjunto de novas relações,
percepções, valores, conteúdos culturais e científicos são
internalizados e incorporados (BOURDIEU, 1999). Como
consequência, a universidade transforma inteiramente
as vidas dos seus membros, desencadeando novas
percepções, juízos, ideologias, novos hábitos, práticas e
predileções estéticas e culturais antes inexistentes.
De acordo com a supracitada pesquisa, há um
aumento de 40,4% na participação política de estudantes,
após o ingresso na universidade. Perguntados sobre as
atividades políticas e as práticas de ativismo político, 28%
dos (das) estudantes das Ifes afirmaram realizar alguma
dessas atividades. Na Ufal, esse percentual cai um
pouco, ficando em 24,1%. São bastante multifacetadas
as atividades políticas e de militância social, nas quais
os (as) estudantes se engajam: movimento feminista;
movimento LGBT; movimento sindicalista; partido
político; atletas estudantis; movimento artísticocultural; movimento ambiental; movimento estudantil;
movimento negro e organização religiosa. Mais uma vez,
a comparação entre Ifes e Ufal é bastante oportuna.

168

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

Gráfico 82 – Participação em movimentos civis organizados
– Ifes e Ufal – 2018

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Nos últimos dez anos, a sociedade brasileira se
digitalizou e as práticas de informação e comunicação se
alteraram bastante. Das variadas fontes de informação
utilizadas, 38,8% já correspondem às informações e
notícias presentes nas redes sociais, canais digitais,
blogs, etc. E mais 44,2% são fontes hospedadas na
internet, obtidas e consumidas junto a jornais, revistas,
plataformas de comunicação, etc., ou seja, o espaço
digital corresponde a 83% das fontes de informação dos
(as) estudantes da Ufal.

169

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 83 - Informações

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

O domínio das funcionalidades do computador
também foi aferido pela supracitada pesquisa. Entre
os(as) estudantes das Ifes, 80% afirmaram ter muita
experiência ou ter experiência no uso do computador.
Na Ufal, esse percentual foi de 74,3%.
Outro
aspecto
extremamente
relevante
mensurado na pesquisa foi o domínio de idiomas, algo
inteiramente necessário para o desempenho de muitas
atividades profissionais e corporativas, assim como
para quem pretende continuar os estudos nos níveis
de mestrado e doutorado. Dessa vez, a comparação
entre as Ifes e a Ufal é ainda mais fecunda. Para fins
comparativos, basta cotejar apenas as duas línguas
mais utilizadas dos livros, periódicos e trabalhos
científicos de modo geral, o inglês e o espanhol – com
destaque para o primeiro. O quadro comparativo

170

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

revela um déficit no domínio de idiomas estratégico,
notadamente no quesito bom para a língua inglesa.
Tabela 16 - Domínio de línguas estrangeiras, segundo
idiomas – Ifes e Ufal – 2018 (em %).
Idioma

Ifes

Ufal

Bom

Regular

Nenhum

Bom

Regular Nenhum

INGLÊS

33,2

40,1

26,7

19,7

40,6

39,7

ESPANHOL

10,9

45,8

43,3

9,0

45

46

Fonte: elaborado a partir Fonaprace/Andifes, 2019.

Digno de nota ainda é o impacto que as relações
acadêmicas e intelectuais produzem nas práticas
e hábitos de consumo artístico-culturais dos(as)
estudantes, após o ingresso na universidade. Diversas
pesquisas ao redor do mundo evidenciam tal impacto,
registrando-se uma elevação no número de livros lidos,
filmes assistidos, peças de teatro, shows frequentados,
entre outros. No Brasil, no âmbito das Ifes, o aumento
no número de obras lidas chegou a 50,2%; o número
de filmes assistidos foi a 42%; e a participação política
chegou a 40,4%. Embora tenha também ocorrido
redução, notadamente no número de peças e shows
assistidos, o impacto dos filmes, livros e participação
política é bastante significativo.

171

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Gráfico 84 – Percentual de discentes que percebem a
frequência de livros lidos, filmes e shows assistidos e de
participação política – 2018

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

Importa assinalar, ainda, que não foram aferidas as
práticas e consumo cultural dos conteúdos audiovisuais
(filmes, séries, documentários e músicas) mediante os
serviços digitais de streaming. É importante lembrar
que, como informa o Global Digital Yearbook (2019), o
Brasil apresenta a segunda maior média mundial de
horas diárias gastas na internet, nove horas e vinte nove
minutos, superado apenas pela Filipinas. Desse total,
os brasileiros usam em média quatro horas e quarenta
e cinco minutos por dia acessando a internet por meio
dos dispositivos digitais móveis, principalmente os
smartphones, situando o Brasil na terceira maior média
de tempo de uso da internet móvel.

172

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

De acordo com o IBGE, em 2017, 75% dos
domicílios permanentes no Brasil dispunham de acesso
regular à internet. Nesse mesmo ano, de todo o universo
da população brasileira entre dez anos ou mais de idade
(181 milhões de pessoas), 70% utilizaram regularmente
a internet, crescimento significativo comparado com
o ano anterior, que foi de 64,7% (Pnad/IBGE, 2019),
predominando o uso do smartphone. Salta aos olhos que
81,8% de toda população brasileira, com dez ou mais
anos de idade que utilizou a internet, o fez para assistir
a vídeos, séries e filmes.
Gráfico 85 – Acesso à internet

Fonte: IBGE, 2018.

173

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Já no âmbito da Ufal, é notável o aumento nas
práticas de consumo artístico-culturais por parte dos
(as) estudantes após o ingresso no ensino superior.
O aumento do consumo de obras literárias chegou a
59,8%, assim como o consumo de filmes, que alcançou
o percentual de 46,1%.
Gráfico 86 – Elevação do acesso à conteúdos culturais

Fonte: Fonaprace/Andifes, 2019.

174

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não há dúvida que os dados apresentados neste
trabalho podem ser de grande valia para a condução
do planejamento a curto, médio e longo prazo no
âmbito da Ufal. Temos agora um grande desafio: fazer
este material chegar às diversas instâncias decisórias
da universidade, tornando-se regular a consulta a
este material, fazendo de tais dados e análises uma
bússola empírica que pode e deve nortear as reflexões,
as discussões, o planejamento, as ações e as decisões
envolvendo as atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Além de se fazer conhecer, este material necessita
ser incorporado, utilizado e consultado pelos três
segmentos que compõem a comunidade acadêmica:
docentes, técnico-administrativos e estudantes. Para
que esse uso seja difundido e utilizado cotidianamente é
necessário, todavia, que ações propriamente didáticas e
pedagógicas (seminários, cursos, minicursos, palestras,
disciplinas, entre outros) acerca deste conteúdo sejam
criadas e voltadas para os três segmentos.
Somente
assim,
se
poderá
conhecer
cientificamente, com o rigor e a precisão necessários, a

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

comunidade estudantil da Ufal, tornando esse exercício
cada vez mais frequente, estimulando a realização de
pesquisas, investigações, mapeamentos, diagnósticos e
prognósticos inspirados por esta publicação.
Resta agora, a partir desta primeira experiência,
atualizar os dados no curto e médio prazo, publicando
novamente novos dados e análises acerca do perfil
socioeconômico e cultural dos (as) estudantes da Ufal,
publicando, no futuro, sucessivas edições deste livro.

176

REFERÊNCIAS

BOURDIEU, P.; PASSERON, J.C. Os herdeiros: os
estudantes e a cultura. Florianópolis: Editora da
UFSC, 2018.
FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade
de classes. Rio de Janeiro: Globo, 2006.
GODDARD, J.; KEMPTON, L. Connecting universities to
regional growth: a practical guide. Brussels, EU, 2011.
GUIMARÃES, Antônio Sérgio. Racismo e antirracismo
no Brasil. São Paulo, Editora 34, 1999.
HASENBALG, C.; SILVA, N. Estrutura social,
mobilidade e raça. Rio de Janeiro, IUPERJ, 1988.
HASENBALG, C.; SILVA, N.; LIMA, M. Cor e
estratificação social. Rio de Janeiro, Contracapa, 1999.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS
EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Censo da Educação
Superior: INEP, 2019.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA. Síntese dos Indicadores Sociais.
Brasília: IBGE, 2018.

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA. Síntese dos Indicadores Sociais.
Brasília: IBGE, 2019.
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E
TECNOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO. V Pesquisa de
Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) graduando
(as) das Ifes – 2018. Vitória: Ifes, 2018.
RIBEIRO, C. A. C. Estrutura de classe e mobilidade
social no Brasil. São Paulo: Edusc, 2007.
SCALON, C. Ensaios de estratificação. Argvmentvm,
Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: https://
datareportal.com/global-digital-yearbook. Acesso em:
18 mar. 2020.
SALATA, André. Ensino superior no Brasil nas
últimas décadas: redução nas desigualdades de
acesso? Disponível em http://www.scielo.br/pdf/ts/
v30n2/1809-4554-ts-30-02-219.pdf. Acesso em: 20
abr. 2020.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Plano de
desenvolvimento
Institucional,
PDI-2019-2020.
Maceió: Ufal, 2019.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2002. Maceió: Ufal, 2002.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2003. Maceió: Ufal, 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2004. Maceió: Ufal, 2004.

178

Perfil socioeconômico e cultural dos(as) estudantes da Ufal

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2007. Maceió: Ufal, 2007.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2008. Maceió: Ufal, 2008.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2009. Maceió: Ufal, 2009.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2010. Maceió: Ufal, 2010.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2011. Maceió: Ufal, 2011.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2012. Maceió: Ufal, 2012.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2013. Maceió: Ufal, 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2014. Maceió: Ufal, 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2015. Maceió: Ufal, 2015.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2016. Maceió: Ufal, 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2017. Maceió: Ufal, 2017.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Relatório
de Gestão: Ufal/2018. Maceió: Ufal, 2018.

179

Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação Superior

Coleção
Ufal e Políticas
Públicas de Gestão
na Educação Superior

O livro Per�l Socioeconômico e Cultural dos (as) Estudantes da Ufal é o primeiro
produto editorial da Coleção Ufal e Políticas Públicas de Gestão na Educação
Superior. Esta é uma coleção que tem como objetivo divulgar os dados, os
indicadores, os impactos e as análises das principais políticas públicas formuladas e implementadas pela instituição. Como instituição pública de ensino
superior, a Ufal tem como missão oferecer, de forma gratuita e de qualidade, as
atividades de ensino, pesquisa e extensão. Essas atividades, no entanto, estabelecem interfaces com outros serviços, igualmente gratuitos, prestados pela
instituição, tais quais os serviços de saúde (realizados no Hospital Universitário HU), os serviços jurídicos (realizados pelo Escritório Modelo, da Faculdade de
Direito – FDA) e os serviços de assistência estudantil, implementados pela
Pró-Reitoria Estudantil (Proest). Nem sempre os impactos dessas políticas têm a
devida visibilidade por parte da comunidade acadêmica e por parte da sociedade em geral. Para tornar tais impactos mais conhecidos, esta coleção foi criada.

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