Pinacoteca da Ufal faz 40 anos de dedicação às artes visuais em Alagoas

Resgate histórico mostra a trajetória desse importante equipamento cultural
Por Janaina Alves – relações públicas
23/09/2021 15h52 - Atualizado em 23/09/2021 às 19h16
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Visitação de grupo escolar CMEI na mostra de longa duração do acervo da Pinacoteca (Fotos Pinacoteca)

Inaugurada em 24 de setembro de 1981, a Pinacoteca Universitária é um importante equipamento cultural vinculado à Pró-reitoria de Extensão (Proex), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Em 2021, o equipamento completa 40 anos dedicados às artes visuais e, por isso, reunimos algumas histórias que marcaram essas quatro décadas numa homenagem aos artistas e servidores que fazem parte da Pinacoteca da Ufal.

Criada inicialmente com a proposta de ser uma galeria, seu funcionamento inicial se deu no subsolo do Museu Théo Brandão, localizado no bairro do Jaraguá, em Maceió. Em 1988 foi transferida para o Espaço Cultural Universitário, no Centro da Cidade, ocupando atualmente três salões no primeiro andar do prédio. De acordo com a diretora da Pinacoteca, Íris Daniele, desde a sua fundação, a Pinacoteca realiza e recebe exposições de artes visuais das mais variadas técnicas e estilos, que vão desde a cultura popular ao contemporâneo, com obras de artistas de Alagoas, do Brasil e do Exterior. “A Pinacoteca realiza também cursos e eventos em parceria com instituições culturais públicas e privadas, a exemplo da Funarte nos anos 1980 e Itaú Cultural nos anos 2000”, completou.

Na década de 1990, após reforma, o equipamento cultural apresentou seu novo direcionamento institucional, com ênfase em arte contemporânea e desde então, tem sido espaço destinado a mostras temporárias, alcançando visibilidade local e nacional.

Exposições de destaque

Ao longo das suas quatro décadas, a Pinacoteca da Ufal sediou grandes exposições e foi casa para obras de renomados artistas. Em 1988 aconteceu a exposição Quatro Vozes, que marcou a reabertura do Espaço Cultural. Na ocasião, foram expostas obras dos artistas David Largman, Jadir Freire, Mário Azevedo e Rogério Gomes, então gestor da Pinacoteca.

Em 1999, a exposição Olhar Alagoas: Arte Contemporânea marcou a reabertura definitiva da Pinacoteca Universitária no primeiro andar do Espaço Cultural da Ufal, inaugurando as novas instalações, com amplo espaço expositivo destinado às mostras temporárias. Naquele ano, 15 obras foram doadas ao acervo.

Essa mesma exposição foi levada 20 anos mais tarde para o Sesc em Arapiraca e teve 2,5 mil visitações, sendo uma das maiores audiências em exposições coletivas na história da Pinacoteca. “Levamos as maiores e mais pesadas obras do acervo, as chamadas ‘gigantes da Pina’ e envolvemos 10 alunos de diversos cursos do Campus Arapiraca, que atuaram como mediadores durante toda a exposição. Recebeu grupos de estudantes de, ao menos, 13 municípios do Agreste, da Zona da Mata, da região metropolitana, capital e do Baixo São Francisco, que tiveram contato com obras do acervo”, acrescentou Iris Danielle.

Nos anos 2000 também abrigou grandes exposições. O universo de três mulheres e seu reflexo na arte contemporânea, em 2001, com obras da design de moda Vera Arruda e das artistas plásticas Jeanine Toledo e Daniela Aguilar; além de Barro Oco, no mesmo ano, com obras de Eva Le Campiom. Em 2009 o destaque foi para a exposição Maceiópolis, Maceioca, Maceiótima, do artista Lula Nogueira, com mais de 1,8 mil visitantes. E a exposição Jardim em Suspenso, de Karla Mellanias, em 2017, com quase 1,2 mil visitantes. “Esses números mostram que o povo alagoano gosta e consome cultura. Basta que ela esteja acessível. Por isso a importância da Pinacoteca como um ambiente que ofereça espaço para que nossos artistas e nosso povo se encontrem”, acrescentou a diretora do museu de artes visuais da Ufal.

Outro marco importante na história da Pinacoteca é que desde 2006 as exposições passaram a ser selecionadas por um Conselho Curador. Após mudanças no Estatuto e Regimento da Ufal esse conselho passou a ser designado Comissão de Pauta e é formado por artistas, professores e servidores da Pinacoteca. “Antes disso, os artistas eram convidados a expor ou mesmo solicitavam espaço para suas obras e não havia critérios estabelecidos, nem editais públicos”, explicou.

Diálogo com a comunidade universitária

Enquanto equipamento cultural da Ufal, a Pinacoteca dialoga constantemente com a comunidade universitária. Estudantes de diversos cursos de graduação da Ufal têm contribuído para o funcionamento da Pinacoteca ao longo dos últimos 22 anos. A maioria deles atuou no atendimento ao público, durante a visitação tanto de grupos, como individualmente. A diretora da Pinacoteca avalia que o contato com a arte e com o público contribui para o desenvolvimento dos estudantes tanto como pessoas, como também como profissionais, ampliando as suas percepções e possibilidades de atuação como profissionais.

Mas não só isso, a participação de estudantes se dá também por meio das atividades que os próprios estudantes organizam, a exemplo da exposição fotográfica MEU na moda 2ª edição: Povo Alagoano, fruto dos trabalhos de conclusão de curso da turma de 2015 do curso de Produção de Moda, da Escola Técnica de Artes da Ufal.

Além disso, existem também os editais de extensão como o Proinart, que em 2018 levou aos salões da Pinacoteca a exposição Cidades & Signos: um intercurso pela arte, com a participação de alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Design, Teatro e Direito.

Ações durante a Pandemia

Mesmo antes da pandemia da covid-19 a visitação ao acervo da Pinacoteca estava fechada em razão da reforma que acontece no prédio do Espaço Cultural. No entanto, durante a fase de isolamento social, a equipe de servidores buscou alternativas para fazer com que a arte estivesse próxima da população.

Assim, algumas ações on-line foram adotadas: “Realizamos o Quiz da Pina, Quiz da Pina Ufal, nas redes sociais e diariamente uma nova obra de arte era apresentada para os seguidores; além dos Jogos da Pina Ufal, para baixar e jogar. O objetivo das ações foi proporcionar maior contato entre a sociedade e o acervo do museu pelo ambiente virtual”, explicou a diretora da Pinacoteca.

Outro projeto desenvolvido durante a pandemia aconteceu em parceria com a Escola Estadual Onélia Campelo, localizada no bairro Santos Dumont, em Maceió. O projeto foi desenvolvido pelo professor de arte Luciano Falcão e levou, durante todo o mês de outubro de 2020, o acervo da Pinacoteca Universitária da Ufal para alunos do ensino fundamental e médio. Os resultados foram publicados nas redes sociais do Museu, numa campanha batizada de Onélia Pinaconectada: interpretações do acervo da Pina Ufal. Foram aplicadas aos alunos diversas atividades sobre a Pinacoteca, as obras que compõem o acervo e sobre os profissionais que trabalham em museus de um modo em geral. Além do chamado passeio virtual, a partir do qual alunos do ensino médio produziram livres interpretações das obras, nos mais variados formatos, releituras e associações nas formas de pinturas corporais, arte digital, colagem e desenhos.

“Vale ressaltar o emprenho de toda a equipe da Pinacoteca para que essas ações e projetos avançassem. Atualmente somos cinco servidores, sendo duas servidoras na área administrativa e duas museólogas, além de mim, como diretora”, finalizou Íris Danielle.