Grande público participa de mesa-redonda sobre literatura africana e afro-brasileira

Escassez de escritoras negras no mercado brasileiro foi o destaque na discussão
Por: Veruscka Alcântara, jornalista colaboradora - 24/07/2018 às 15h05 - Atualizado em 24/07/2018 às 15h06
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Debate foi coordenado pela professora Adriana Deodato, e contou com a presença da escritora Lívia Natália e da professora Christian Sales (Foto: José Moura)

Um auditório lotado e compenetrado. Assim foi a mesa-redonda sobre literatura africana e afro-brasileira realizada na tarde desta segunda-feira (23), na SBPC Agro- Indígena na Ufal Campus do Sertão. O debate, coordenado pela professora Adriana Deodato, contou com a presença da escritora Lívia Natália, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e com a professora do campus Christian Sales.

Entre os assuntos abordados, a escassez de escritoras negras no mercado brasileiro foi o destaque. Lívia ressaltou a sua experiência enquanto poetisa, mulher e negra e falou sobre situações vivenciadas ao longo dos seus 38 anos. Ela contou ainda sua trajetória e introdução ao mundo da leitura e escrita. “Certa vez na escola fui repreendida e a professora nos colocou de castigo na biblioteca. Ali tive o meu primeiro contato com os livros e despertei para a leitura. Eu costumo dizer que se a gente não lê, a gente não desperta afeto”, falou a escritora.

A escritora relatou ainda casos de racismo sofridos ao longo da vida, mas que por ter uma base familiar sólida, com afirmação das suas raízes, conseguiu conviver com determinadas situações e fazer valer a sua opinião e voz.

A professora Christian, que também é baiana, falou de situações inusitadas que vivenciou devido a cor da sua pele e também ressaltou o fortalecimento da sua raça pela sua família, o que a fez enfrentar as diversidades ao longo da sua trajetória.