Pesquisadores avaliam impacto ambiental da cana-de-açúcar


27/03/2009 11h08 - Atualizado em 13/08/2014 às 00h37
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professor Bastiaan Knoppers, coordenador geral do Projeto

Rose Ferreira – jornalista

Com o título “O impacto de poluentes da monocultura da cana-de-açúcar em estuários e águas costeiras do NE-E do Brasil: transporte, destino e estratégias de gerenciamento sustentável”, o Projeto Polcamar analisa o impacto ambiental da monocultura da cana-de-açúcar sobre o sistema estuarino-lagunar de Mundaú-Manguaba e seus rios afluentes, bem como sobre o estuário deltáico do Rio Paraíba do Sul, no norte fluminense.

Iniciado em 2006, o Projeto faz parte do Programa Ciências do Mar Cooperação Internacional do Acordo Bilateral em Ciência e Tecnologia Brasil-Alemanha do CNPq/MCT/BMBF e se estende até julho de 2009. Desenvolvida por sete universidades brasileiras e cinco alemãs, como Ufal, Uerj, Puc-Rio, Universität Bremen e Zentrum für Marine und Atmosphärische Wissenschaften, a pesquisa tem agregado alunos de mestrado e doutorado, principalmente brasileiros, contando atualmente com 16 bolsas DTI e ITI.

Segundo o professor Bastiaan Knoppers, coordenador geral do Projeto, a parceria da Ufal tem sido marcante. “Na verdade, o Labmar foi o ponto de partida de todos os trabalhos laboratoriais, análises específicas hidroquímicas e toxicologia do projeto. Isso demonstra que a parceria com universidades nacionais é tão importante quanto a parceria internacional, porque o Brasil tem se desenvolvido muito nas áreas de oceanografia química e biogeoquímica marinha”, destaca.

O Polcamar surgiu ao se perceber problemas ambientais decorrentes do lançamento do vinhoto nas águas, substância gerada na etapa de processamento da cana-de-açúcar. A produção de vinhoto aumentou proporcionalmente à demanda de combustíveis, sendo lançada sem nenhum tratamento nas lagoas. “Mas já houve um grande incentivo de controle ambiental por parte dos órgãos municipais e estaduais. Hoje, o vinhoto tem sido reciclado e utilizado para adubação”, salienta.

Por conta dessa medida preventiva, foi detectado que a qualidade em geral das águas parece ter melhorado, mas ainda há a ameaça constante dos detritos domésticos e industriais. “Essa melhoria se deve ao fato de as lagoas atuarem como um sistema auto-decompositor muito eficiente, em virtude da alta atividade bacteriana”, justifica. No entanto, essa aparente melhora deixa em aberto uma questão – a contaminação do lençol freático –, que provavelmente será a próxima etapa do projeto.

A importância do Polcamar está na formação de recursos humanos, além da busca por estabelecer a qualidade ambiental, ao analisar o grau de impacto na área de contaminação e poluição. Para detectar qual o destino dos eventuais contaminantes que afetam o meio ambiente, uma nova abordagem científica tem sido utilizada. “Neste projeto, houve a junção das melhores técnicas de ambos os lados (brasileiro e alemão), visando conseguir respostas mais aprofundadas sobre a questão ambiental”, explica o coordenador do projeto.

A meta final é fornecer subsídios ao desenvolvimento sustentável dos ambientes em questão, “o que torna este tema atual e relevante, tendo em vista a monocultura para geração de combustível interessar o mundo”, finaliza Bastiaan Knoppers, que também integra o Programa de Geoquímica Ambiental do curso de pós-graduação em Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Evento do Projeto em Maceió

Neste mês de março, pesquisadores do Projeto se reuniram em Maceió para um mini-wokshop com apresentações orais e painéis dos resultados intermediários alcançados no estudo das lagoas Mundaú e Manguaba, e do Rio Paraíba do Sul. Na oportunidade, foram discutidos temas como condições físico-químicas, nutrientes e biomassa fitoplanctônica das águas, processos de degradação de matéria orgânica, ligninas nos sedimentos dos sistemas, dentre outros.