Campus Arapiraca tem projeto que ajuda dependentes químicos

Composto por uma equipe de 18 pessoas, professores e colaboradores, o projeto visa colaborar com a atenção da saúde da população usuária de drogas
Por: Pedro Ivon – estagiário de Jornalismo - 11/06/2019 às 08h05 - Atualizado em 06/06/2019 às 11h38
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Projeto é realizado por alunos do Campus Arapiraca

Os projetos de extensão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal)  são a ponte para ajudar a sociedade e, um deles, é o Intervenções de Saúde a Usuários de Cocaína/Crack em Comunidades Acolhedoras: Promovendo Círculos Comunitários, coordenado pela professora Elaine Virgínia. Visando realizar intervenções e colaborar com a atenção da saúde da população que faz uso de drogas nas comunidades acolhedoras do Centro de Atenção a População de Rua (Centro Pop), o projeto tem a participação de professores e alunos do Campus Arapiraca.

A ideia partiu do trabalho de doutorado da enfermeira Ana Caroline, aluna do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PGCS) do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal). A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Biologia Molecular e Expressão Gênica (Labmeg), tendo como título Polimorfismos em genes do 5htt, tph1, tph2, ifng, tnfa, il-10, enos comorbidades psiquiátricas e comportamento aditivo em usuários de cocaína/crack na população alagoana, Brasil.

A partir disso surgiu a ideia de conciliar o desenvolvimento da pesquisa, envolvendo as desordens psiquiátricas em usuários de drogas, e as atividades extensionistas.

Sobre o projeto 

Contando atualmente com três docentes e 15 colaboradores, incluindo alunos, doutorandos, bolsistas e auxiliares técnicos, o projeto tem atividades de acordo com os objetivos e realiza avaliações clínicas com a população, a fim de estratificar os fatores de risco em relação à saúde.

As ações são desenvolvidas com a aplicação de instrumentos para investigar distúrbios psiquiátricos e níveis de impulsividade e agressividade, para depois realizar instruções em saúde, focando naquilo que foi identificado no perfil dos acolhidos. Segundo os membros, o objetivo é diminuir os impactos dos problemas de saúde e melhorar a qualidade de vida dos que participam das atividades.

“Nós sempre buscamos nos relacionar com outros projetos, buscando apoio para interferir de uma forma mais completa nas comunidades, que contam com pessoas, na maioria das vezes, desprovidas de conhecimento”, ressaltou a professora Elaine Virgínia. Isso é feito devido ao fato de que algumas comunidades são distantes da Universidade, até mesmo na zona urbana de Arapiraca.

As redes sociais ajudam na interação entre os membros e na comunicação com as comunidades, construindo um vínculo com os responsáveis. “Nós conseguimos desenvolver as ações de maneira a complementar, para melhor dispor o conhecimento para a comunidade”, mencionou Ana Caroline. 

Benefícios sociais e acadêmicos 

Além dos benefícios sociais existentes para a população de dependentes químicos, há relatos de bons reflexos nos participantes do projeto. “Enquanto doutoranda, consegui aproximar o projeto e os resultados identificados junto à sociedade, o que mostra cada vez mais a importância da pesquisa inserida na comunidade”, destacou Ana Caroline, aluna do PGCS.

Além dela, Lino José da Silva, que está cursando o 9º período de Psicologia da Ufal, deu seu testemunho sobre a atividade: “Proporciona uma enorme contribuição para minha formação enquanto bacharel em Psicologia, pois esse campo de intervenção está repleto de uma prática que, de forma direta, me permite oferecer, enquanto estudante, a execução daquilo que refletimos e treinamos em sala de aula”. Ainda segundo Lino, Intervenções de Saúde a Usuários de Cocaína/Crack em Comunidades Acolhedoras possibilita a formação do respeito ético-político com relação à população, que possui suas problemáticas permeadas de complexidades resultantes do sofrimento bio-psíquico.

Para os dependentes químicos, são ofertados serviços que auxiliam no tratamento da dependência e na autonomia da comunidade.