Cultura e ancestralidade marcam presença na Reunião Anual na SBPC em Alagoas

SBPC Afro e Indígena traz exposições e oficinas para fortalecer a cultura popular, negra e indígena
Por: Paulo Canuto, estudante de Jornalismo e Lucas Silva, estudante de Relações Públicas - 26/07/2018 às 15h25 - Atualizado em 26/07/2018 às 15h25
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(Fotos: Lucas Silva)

O segundo dia da SBPC Afro e Indígena teve início e as exposições continuaram marcando presença forte nas diversas tendas espalhadas pelo Campus A. C. Simões, em Maceió. Seguindo uma linha de homenagens, diversas exposições de cunho cultural fizeram parte da programação do evento desta terça-feira (24). Exposições em diferentes formatos trouxeram um pouco da história afro e indígena, sendo apresentadas na tenda Jovem e no Instituto de Educação Física.

Abrindo o hall de exposições temos a Exposição de Arte do Museu da Mestra Irinéia, que estará disponível durante toda a semana e traz algumas de suas obras para a SBPC Afro e Indígena, na sala 2 do Instituto de Educação Física Esporte (IEFE). Irinéia Rosa Nunes ou Dona Irinéia, como é conhecida, começou fazendo peças de utilidade junto com sua mãe, uma das mais conhecidas artesãs em cerâmica da arte popular do Brasil, tendo suas obras em diversos lugares do Brasil e do mundo. Fazendo parte do sistema de museus criado pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), a exposição traz a visibilidade para o artista. O ex-reitor da Uneal, Jairo Campos, falou um pouco sobre a exposição: “O foco é desconstruir esses estereótipos preconceituosos de que a cultura popular é menor, sem importância. Então a professora Ligia nos convidou para expor parte do acervo aqui na SBPC Afro e Indígena porque Irinéia, além de ser patrimônio mestra do estado, é uma mulher que brota de suas mãos uma singularidade, uma sabedoria da identidade alagoana e quilombola. Precisamos dar visibilidade a uma mulher simples, nacionalmente conhecida, mas pouco valorizada aqui no estado”.

Outra atividade da SBPC Afro e Indígena foi a oficina de tranças que reuniu diversas pessoas para conhecer esse modelo de negócio que, além de ser uma ferramenta profissional, carrega toda uma cultura de luta, resistência e aceitação da identidade da mulher negra. No primeiro momento da oficina, a artista Emanuele Divino ou como é chamada Nuele Divino, contou sobre a resistência ainda das mulheres em usar tranças por conta do preconceito, da rejeição na própria família, o que leva muitas mulheres a optarem por usar cabelos alisados e com padrões um pouco mais comuns. E não só a mulher negra, mas também ela enfatizou o fato do preconceito contra a mulher branca que quer usar as tranças: “Temos que quebrar essa segregação, de quem é negro ou de quem é branco, de quem pode e de quem não pode, tanto é que eu busquei esses espaços na SBPC porque nenhuma outra trancista quis mostrar o nosso trabalho, o que revela ainda mais o individualismo por conta de mercado”. O segundo momento foi o mais esperado, onde a trancista chamou diversas mulheres para poder ensinar suas técnicas, além de presentear com tranças feitas por ela na hora. 

Outro momento com grande destaque foi a exposição Afro-In junto com a exposição Estilo e Resistência na tenda da SBPC Jovem. A exposição trouxe uma serie de fotografias dando destaque à beleza da mulher negra e da mulher indígena em momentos do cotidiano, como contato com a natureza, mostrando gerações de mãe, filha e neta, destacando a cultura afro e indígena. as fotos foram tiradas pela fotografas São André Guido Juliete Santos e Maria Lucielma “A exposição fotográfica surgiu como resultado das rodas de conversa do projeto Fala Preta. O projeto tem como foco o fortalecimento da autoestima de jovens e mulheres negras e indígenas para estabelecer estratégias de enfrentamento ao racismo. Durante o processo de construção da exposição fotográfica buscamos imprimir nas nossas discussões e fotografias a linha de resistência das nossas ancestralidades e da importância de continuar a resistir nos dias atuais”, falou a curadora Ana Pereira e fundadora do Instituto Feminista Jarede Viana. Esse instituto, em parceria com o grupo Magia da Terra, da etnia Xucuru, criou a hastag #tire.a.venda.do.racismo como uma forma de engajar as pessoas sobre as causas de luta contra o racismo.

Uma amostra de curtas também se fez presente no segundo dia da SBPC Afro e Indígena, com a amostra dos curtas Do mar do Caribe à beira do Madeira, de Ariádne Quintela, professora do Instituto Federal de Rondônia e Balanceia, do cineasta premiado Juraci Júnior. Do mar do Caribe à beira do madeira é um projeto de extensão coordenado pela professora Ariádne enquanto o curta Balanceia é sobre os povos ribeirinhos da Amazônia. Num primeiro momento os cineastas contaram como foi a experiência de criação, gravação e algumas dicas para os interessados em seguir a carreira; posteriormente, houve a exibição dos dois curtas.

Um dia rico em atividades que misturaram cultura, identidade, ancestralidade além de apresentar para os presentes que cultura também pode ser um modelo de negócio.