Ufal se destaca em concurso de aplicativos da Secretaria da Fazenda

Numa maratona de três dias de programação, estudantes e servidor desenvolveram apps para facilitar os serviços prestados pela Sefaz

28/08/2017 16h50 - Atualizado em 29/08/2017 às 15h36
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Servidor da Ufal ganha prêmio no Hackathon

Thâmara Gonzaga – jornalista

Foram três dias de uma maratona puxada e desafiadora, na busca de transformar códigos de programação em algo acessível e útil para sociedade alagoana. E os resultados de tanto esforço não poderiam ter sido melhores para estudantes, ex-alunos do Instituto de Computação (IC) e também para um servidor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da Ufal. Eles conquistaram o primeiro lugar em categorias do Hackathon Insano – 72 horas, competição promovida pela Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz/AL), realizada de 18 a 20 de agosto, que tinha como desafio o desenvolvimento de aplicativos para telefones móveis que aproximassem a sociedade dos serviços prestados pelo órgão.

Na categoria Economiza Alagoas do concurso, os estudantes do curso de Ciência da Computação, Rubens Pessoa e Yves Bastos, junto a Bartolomeu Rodrigues, conquistaram o primeiro lugar com o app "Appelou". “A proposta [do aplicativo] é pesquisar o melhor preço de um determinado produto. Essa consulta é feita nos estabelecimentos próximos ao usuário e com base nos valores declarados nas notas fiscais”, explica Rubens Pessoa. “Fico feliz por ter representado o Instituto de Computação e por trazer este sucesso também para a Ufal”, destaca. Assim como cada equipe vencedora, eles ganharam um prêmio de R$ 10 mil para dividir entre os integrantes.

Rubens conta que nunca havia participado de um hackathon, mas afirma que já faz parte do seu interesse o desenvolvimento de aplicativos e que gostou da experiência. “Foi a minha primeira participação em um evento desse tipo e, sem dúvidas, muito importante para o crescimento pessoal e profissional”, diz. “Essa experiência de criar um negócio e um produto em 72 horas vai, com certeza, ficar marcada na minha vida”, contou o estudante que é estagiário na Ilhasoft como desenvolvedor de aplicativos iOS.

Atualmente, muitos jovens vêm se dedicando à criação de apps. Enquanto desenvolvedor já premiado, Rubens dá dicas para criar um bom aplicativo. “Acho que duas coisas são principais. A primeira: tire sua ideia do papel. Uma ideia por si só não tem valor até que ela se torne realidade. A segunda: em vez de focar em funcionalidades, foque no usuário final. Tente entendê-lo”, ressalta. “É mais interessante um app com menos funcionalidades e que conquiste o usuário final com um design atrativo, facilidade de uso, etc., do que um com muitas funcionalidades onde a sua complexidade acaba afastando o usuário final”, aponta. “Como desenvolvedor eu sei que é muito fácil de se seduzir pela ideia de adicionar muitas funções, mas quando nos propomos a lançar algo para o público, o primeiro e principal objetivo deve ser conquistar o usuário”, complementa. 

Mais aluno da Ufal em primeiro lugar

Também estudante do IC, Daniel San Ferreira da Rocha, junto com Lucas Miranda de Barros (ex-aluno de computação da Ufal), Luiza Mesquita e Antônio Victor Ferreira de Lima formaram a equipe Iceberg e conquistaram o primeiro lugar na Categoria Nota Fiscal Cidadã. “É sempre muito gratificante poder trazer conquistas para o Instituto de Computação e para a Ufal. Lugares esses que estão sendo fundamentais para o meu crescimento profissional”, afirma Daniel San da Rocha.

O aplicativo desenvolvido pelos jovens foi o "Participa". “Os principais objetivos dele são incentivar os cidadãos a denunciarem estabelecimentos que não emitem a nota fiscal, ou que não pedem, não colocam o CPF do comprador ou, ainda, que lhe dão a nota fiscal, mas não prestam conta com a Sefaz”, esclarece. “Um outro objetivo também é incentivar as pessoas a colocarem o CPF nas notas das suas compras, para isso o usuário poderá acompanhar seu saldo em dinheiro, verificar quantas notas já foram computadas para o próximo sorteio realizado pela Secretaria, compartilhar suas notas com uma instituição social para dobrar seus pontos, além de poder acompanhar um pequeno ranking de engajamentos dos seus amigos”, acrescenta.

Com interesse pelo desenvolvimento de apps, ele já tinha participado de um hackathon com duração de apenas um dia. “Nesse, infelizmente, não consegui conquistar nenhuma premiação, mas toda a experiência é sempre válida para o nosso crescimento profissional”, diz o estudante que, atualmente, atua como desenvolvedor Android na Ilhasoft.

Para Daniel San, o evento foi um verdadeiro teste. “Participar de um evento desse tipo nos desafia a aplicar ao máximo as nossas habilidades, tanto pessoais quanto profissionais, como organização, planejamento, relacionamento interpessoal e conhecimento técnico do que será desenvolvido”, argumenta. “Participar de iniciativas como essa são de extrema importância, pois, no mínimo, você terá a oportunidade de expandir seu network, conhecendo outros profissionais”, reconhece.

Para os que querem investir na atividade de desenvolvedor, o estudante aconselha: “Enquanto empreendedor, o ‘cara’ das ideias, o mais importante é manter o aplicativo simples e intuitivo, procurando sempre resolver o problema de algum público”, destaca. “Estudar bem o seu público - alvo é muito importante para resolver o problema dele. Sua ideia não vale de nada se não botar a mão na massa para conseguir aplicá-la na solução de algum problema”.

Ele destaca também a importância dos estudos: “Enquanto profissional da área de computação, diria que é muito importante construir um conhecimento sólido nas tecnologias que se pretende usar e estar sempre estudando para usar o que for de mais novo na área de interesse. Desta maneira, conseguirá entregar o melhor app que o usuário final já usou, rápido e sem travamentos”.

Servidor do NTI também foi premiado

Para o analista do Núcleo de Tecnologia da Informação da Ufal (NTI), João Roberto, esse concurso também foi a primeira experiência numa maratona de desenvolvimento de aplicativos e que já trouxe um excelente resultado. Ao somar o trabalho com Harrison Guedes, eles conquistaram a primeira colocação na categoria Contribuinte Conectado. 

"O app foi a implementação do projeto Contribuinte Conectado, idealizado por alguns servidores fazendários”, esclareceu Roberto. Segundo o servidor da Ufal, “o objetivo foi reunir todos os serviços voltados para o contribuinte PJ [pessoa jurídica], que hoje são oferecidos no site da Sefaz/AL. Dois exemplos desses serviços seriam a situação cadastral da empresa do contribuinte e a emissão de Certidões de Débito”.

 Ele conta que, antes do evento, não tinha nem interesse em desenvolver aplicativos. “Inclusive, foi o primeiro app que criei. Arriscamos e conseguimos sair com o prêmio”, afirma mostrando que a ousadia parece ser uma marca daqueles que resolvem lidar com a tecnologia.

Como sugestão para aqueles que querem seguir na área de desenvolvedor de app, Roberto afirma: “a minha única dica é deixar a programação de apps em segundo plano e priorizar o valor de negócio que a solução pode trazer à sociedade ou a uma instituição”.

Com graduação e mestrado em Ciência da Computação, o servidor da Ufal reconhece que além da premiação em dinheiro, “foi um privilégio poder desenvolver um software que irá ajudar o contribuinte alagoano”.

 

Confira os vencedores do Hackathon Insano/ Sefaz AL:

 

Categoria Economiza Alagoas – Equipe vencedora: Crimeia

Yves Raphael de Almeida Bastos (Aluno do IC/Ufal)

Rubens Pessoa de Barros Filho (Aluno do IC/Ufal)

Bartolomeu Rodrigues Neto

 

Categoria Participa – Equipe vencedora: Iceberg

Daniel San Ferreira da Rocha (Aluno do IC/Ufal)

Lucas Miranda de Barros (Ex-aluno do IC/Ufal)

Luiza Mesquita

Antônio Victor Ferreira de Lima

 

Categoria Contribuinte Conectado – Equipe: HJ

João Roberto dos Santos Júnior (servidor do NTI Ufal)

Harrison Ricardo de Alves Guedes

 

Categoria GP-Mob – Equipe: Plus

Tiago Alves Nogueira de Souza

Clenisson Calaça Cavalcante Gomes

Luana Lins da Rocha

Danilo Rodrigues de Macedo