Pesquisador da Ufal analisa candidaturas coletivas nas eleições municipais de 2020

Em ascensão no país, candidaturas coletivas de mulheres e partidos de esquerda e centro-esquerda
Por Jacqueline Freire - jornalista
27/01/2021 17h29 - Atualizado em 27/01/2021 às 21h28
context/imageCaption

Professor da Ufal, Leonardo Leal

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Alagoas em parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), analisou as propostas de candidaturas coletivas nas eleições municipais de 2020. O estudo levou em conta que as candidaturas e mandatos coletivos têm se expandido nos últimos anos e se tornado um espaço de inovação nas campanhas eleitorais e no exercício de cargos legislativos no Brasil.

Segundo Leonardo Leal, um dos coordenadores da pesquisa e professor do curso de Administração da Ufal, durante o levantamento dos dados se observou que as candidaturas coletivas estão em ascensão no Brasil, mas ainda são excepcionalidades nos pleitos eleitorais legislativos. “Identificamos 313 casos de candidaturas coletivas e um total de 7% dessas candidaturas tiveram êxito e se tornaram, assim, mandatos coletivos”, comentou Leal.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Leal explicou que apesar de ainda não possuírem regulamentação, os mandatos coletivos estão em ascensão no país. Além disso, as candidaturas coletivas são preferidas, proporcionalmente, por mulheres, jovens e pessoas autodeclaradas pretas, se comparadas às candidaturas convencionais. Outro destaque nos dados levantados pelos pesquisadores é que as candidaturas coletivas para vereador tiveram prevalência entre os candidatos filiados a partidos políticos de ideologia de esquerda e de centro-esquerda.

Além de fornecer um mapeamento e análise das candidaturas coletivas ao poder legislativo nas eleições municipais brasileiras de 2020, a pesquisa deve levantar questões e indicar uma agenda de pesquisas sobre as implicações, dilemas, contradições e potencialidades dos mandatos coletivos como inovações sociais ainda em fase de experimentação no Brasil.

O estudo, também coordenado pelo professor Leonardo Secchi , da Udesc, é pioneiro no Brasil e pode se tornar importante para área de ciência política no país. “Este pode se tornar um campo novo nas pesquisas, representando formas de pesquisa sobre temas contemporâneos de inovações democráticas no Brasil", afirmou Secchi.

Para ler o relatório da pesquisa, clique aqui