Pesquisa mostra que um em cada cinco professores já usa tecnologia no ensino

Com dois tipos de formação, os docentes da Ufal estarão aptos para o uso de TIC como prática pedagógica, inclusive em tempos de pandemia
Por Manuella Soares - jornalista
26/05/2020 16h23
context/imageCaption

Pesquisa aponta que um em cada cinco professores está preparado para trabalhar com tecnologias

A relação dos docentes da Ufal com as tecnologias aplicadas à educação ainda precisa ser aprofundada, porém é promissora. É o que revelou o resultado da autoavaliação disponível de 3 a 20 de abril no site da Universidade. Entre os 1.622 professores de graduação e pós, vinculados à Ufal, 384 responderam o formulário, o suficiente para validar a metodologia utilizada que inclui elementos humanos e técnicos.

O formulário questionou qual seria o nível de competência digital dos professores e qual a relação com as necessidades formativas docentes. Foram 23 perguntas contemplando três áreas avaliadas em 12 competências digitais, entre elas: A prática pedagógica para incorporar tecnologia às experiências de aprendizagem; a capacidade de avaliar o desempenho dos alunos por meio da tecnologia; utilizar recursos tecnológicos para promover a inclusão; e usar as TICs nas atividades de formação continuada e desenvolvimento profissional.

“Com apenas uma formação voltada pra integração docente-aluno a gente consegue superar a limitação da vasta maioria dos docentes em adotar estratégias de educação online em tempos de pandemia. Isso é um ponto positivo porque faz com que a gente esteja a poucos passos de ter competências digitais dos docentes da Ufal pra mudar esse cenário de interrupção total das aulas”, destacou o professor Ig Ibert Bittencourt, um dos líderes da ação.

Os resultados revelam que a maioria dos docentes possui domínio de tecnologias na educação, mas ainda precisa de formação para adotar tecnologias de forma integrada com seus alunos. O estudo mostra que apenas um em cada cinco docentes usa as TIC como prática pedagógica integrada, ou seja, onde o uso de tecnologias é frequente no planejamento das atividades e na interação com os alunos.

Em termos quantitativos, a pesquisa aponta que  um em cada cinco professores está preparado para essa modalidade de ensino. Outro dado importante é que um em cada quatro docentes possui formação e uso adequados sobre tecnologias para sua prática; e ainda, em cada sete professores, só um mostra clareza sobre o uso responsável das tecnologias.

Desta forma, o Grupo de Trabalho (GT) Formação, onde esta ação foi liderada pelos professores Ig Ibert Bittencourt (IC), Fernando Pimentel e Gonzalo Abio (Cedu), e Janaina Salmos (Arapiraca), concluiu que a maioria entende a importância das tecnologias na educação, mas precisariam de uma formação dirigida à integração para ficarem aptos à educação online.

Um dos desafios expostos com o resultado da autoavaliação é que os docentes sentem dificuldade de escolher, dentre as tantas opções encontradas na internet, quais materiais reusar e adaptar para os alunos e como criar seus próprios conteúdos.

TICs e Inclusão

O formulário respondido pelos professores da Ufal foi desenvolvido pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb), de forma online e gratuita, em parceria com a rede Escola Digital. Outra competência que o GT também estava interessado em avaliar era na área de Cidadania Digital, que destacava a capacidade do docente em utilizar recursos tecnológicos para promover a inclusão e a equidade educativa.

Neste quesito, a pesquisa indica que 47% dos docentes desconhecem tecnologias para promover inclusão e equidade, por isso, o relatório divulgado pelo GT sinaliza a importância de focar na formação específica sobre tecnologias digitais e acessibilidade.

Com esse mapeamento, o grupo deixou propostas de encaminhamentos para a Gestão da Ufal construir as demandas de formação voltadas aos docentes e sugeriu a criação de um Plano de Inovação Educacional para lidar com o desafio de volta às aulas em tempos de pandemia.

“Tem dois olhares pra isso, o primeiro é criar um plano de volta às aulas. O segundo, é um plano de inovação pós-pandemia. Independente da estratégia, o que recomendamos é o uso do Four in Balance, que é uma metodologia que tem sido muito adotada no Brasil na área educacional”, finalizou Bittencourt.