SBPC Afro e Indígena concede homenagem a Pai Alex

O sacerdote candomblecista recebeu a homenagem na manhã desta terça-feira, no campus Arapiraca
Por: Renata Menezes – jornalista e André Miranda – estudante de Jornalismo - 24/07/2018 às 17h05 - Atualizado em 25/07/2018 às 14h06
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Emocionado, Pai Alex fala sobre seu trabalho e agradece à comunidade acadêmica

Figura de destaque da cultura afro-brasileira em Arapiraca, o Pai Alex Gomes recebeu na manhã desta terça (24) uma homenagem da organização da SBPC Afro e Indígena, como reconhecimento da importância de seus trabalhos sociais.

O sacerdote é responsável por projetos culturais que envolvem crianças da comunidade do Cabaré Velho em atividades como o Afoxé, Coco de Roda e banda de Pífano, entre outras. Assim, segundo ele, é possível retirar os meninos e meninas do caminho do tráfico e da prostituição, problemas que assolam a juventude periférica de todo o Brasil. 

Emocionado em seu discurso, Pai Alex afirmou que tudo o que faz é em nome de construir uma sociedade melhor e mais igualitária, especialmente em relação às pessoas negras. “Eu faço parte dessa sociedade, sou uma das suas vítimas. Eu não posso ser sua palmatória, não admito dar continuidade a atitudes racistas”, comentou.

Ele ainda agradeceu à comunidade acadêmica pela concessão da homenagem e pela abertura que a SBPC Afro e Indígena deu para que a cultura afro-brasileira se apresente, destacando a importância desse diálogo para desmistificar as religiões de matriz africana. “Hoje em dia eu considero que a Ufal também é minha casa e agradeço aos pesquisadores pelo espaço que abrem para que a gente apresente a nossa verdade”, finalizou.

Para a professora Maria Ester Viegas, a homenagem foi mais do que merecida. "Pai Alex é uma pessoa que se debruça com delicadeza, com cuidado, com abnegação e com devoção às questões da religiosidade e é por meio dela que leva dignidade ao povo da periferia de Arapiraca", comenta. 

Minicurso: Territórios negros e expressões de resistência

Além de receber a homenagem da SBPC Afro e Indígena, o Pai Alex Gomes também participou da programação realizando um minicurso mediado pela professora Valéria Cavalcante (Ufal), na manhã desta terça-feira (24). Na ocasião, o Candomblé foi a pauta principal das discussões.

Segundo o candomblecista, é um erro comum da sociedade relacionar a palavra “macumba” com a religião africana de forma pejorativa. “Macumba significa um instrumento musical, flauta em angolano, e infelizmente é uma expressão popular para comparar o candomblé com magia negra e até mesmo criar um preconceito sobre ele”, comentou.

O sacerdote aproveitou o momento para apresentar o seu trabalho social realizado nas comunidades arapiraquenses em combate às drogas, permitindo aos jovens e crianças a valorização da identidade negra. Ele destacou que, além das atividades culturais, também são realizadas doação de alimentos, ações socioeducativas e de saúde, por meio de parceiros.

“Meu foco é preencher o tempo vago das crianças e jovens dos bairros periféricos de Arapiraca, de maneira que eles fiquem dispersos das más companhias. Às vezes levamos um grupo pequeno de crianças para que elas visitem o mar de Maceió, que lamentavelmente muitos não conhecem” frisou.