Ufal tem casos no mapa de experiências de parcerias entre universidades e gestão

O objetivo do guia é destacar a cooperação para a sustentabilidade ambiental e social nas cidades
Por Lenilda Luna - jornalista
03/06/2022 09h55 - Atualizado em 03/06/2022 às 11h27
Iniciativas reconhecidas entre IES e municípios do Brasil

Iniciativas reconhecidas entre IES e municípios do Brasil

As Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras sempre cooperaram bastante com as gestões públicas, em todas as esferas. Mas durante a pandemia de Covid-19, a importância dessa cooperação técnica e científica para o planejamento de ações nas cidades ficou ainda mais evidente para o público em geral. Essa parceria entre o conhecimento científico e a gestão das cidades também é fundamental para cumprir o que foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015, como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030. 

Para exemplificar as experiências de parceria e cooperação entre as Universidades e as Prefeituras Municipais brasileiras, o Instituto Cidades Sustentáveis convidou a Universidade de São Paulo (USP), que por sua vez convidou o Núcleo de Estudos do Estatuto da Cidade, coordenado pela professora Regina Dulce Lins, da Faculdade de Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), para fazer um levantamento de experiências nas cidades brasileiras. “As duas equipes trabalharam bastante, na maior parte do tempo online, porque o levantamento foi feito durante o distanciamento social imposto pela pandemia”, narra a professora Regina. 

Segundo a pesquisadora, foram mais de 50 entrevistas, com critérios que incluíram envolver todas as regiões do país e ter um relato mais completo sobre a parceria, instrumentos jurídicos, metodologia científica, relevância para a população do município e quantos objetivos para o desenvolvimento sustentável foram abordados na experiência. “No final, fizemos um guia com dez experiências e parcerias entre municípios e Instituições de Ensino Superior (IES). Fiquei muito feliz por incluir nessa relação dois casos da Ufal, o que demonstra o compromisso dos nossos pesquisadores em colaborar com a melhoria da qualidade de vida nas cidades”, destacou Regina Dulce. 

Caso 4 - Sistema de Monitoramento da Covid-19 em Maragogi 

Entre os dez relatos no portal do Programa Cidades Sustentáveis, das experiências e parcerias entre os municípios e Institutos de Educação Superior, o Sistema de Monitoramento da Covid-19 em Maragogi foi indicado como caso 4. Pesquisadores da Ufal, contribuíram com conhecimentos técnicos para o monitoramento da Covid-19, gerando uma base de dados para as ações de combate à pandemia. Além de integrar o Consórcio Nordeste, acompanharam as ações de algumas prefeituras de cidades em situação mais crítica. Maragogi, no extremo litoral norte de Alagoas, foi uma delas. 

“A cooperação entre o Laboratório de Estatística e Ciência de Dados (LED), do Instituto de Matemática Aplicada e Computacional da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e o município de Maragogi está em curso desde março de 2020, com o objetivo de entender melhor a dinâmica da pandemia de Covid-19 em um cenário monitorado, desenvolvendo soluções para coleta, tratamento, análise e projeção de dados relativos à epidemia no município, para auxiliar o planejamento de intervenções públicas por meio da análise automatizada dos casos”, consta no guia. 

Segundo o professor Krerley Oliveira, que coordenou esse projeto, foi importante contar com a colaboração do gestor municipal para o andamento do projeto. “O prefeito Sérgio Lira sempre apoiou a interação da universidade com o município. O fato dele e do secretário de Saúde terem formação em Medicina, ajudou a comunicação.A parceria com outras universidades enriqueceu a proposta inicial e permitiu obter resultados muito interessantes. Mas, no final, o que contou mesmo foi a dedicação dos alunos,  professores e servidores do município envolvidos no projeto”, destaca o pesquisador da Ufal. 

Os resultados dessa parceria foram determinantes para o controle da contaminação em Maragogi. Segundo o relato da experiência, além de criar uma base de dados para o monitoramento da pandemia e do avanço da vacinação, foi criado um sistema para identificação de assintomáticos, para que eles fossem isolados, antes de disseminar o vírus. “Foram treinados 108 funcionários municipais do Programa de Saúde da Família e cerca de cem da Secretaria de Educação”, destaca o relato. 

O professor Krerley destaca que os resultados dessa experiência colaboraram para expandir as ações para outros municípios, no período mais dramático da pandemia de Covid-19. “É muito bom saber que deixamos um legado que está sendo usado até hoje e pode servir para mapear as novas epidemias, como por exemplo a de dengue que estamos vivendo agora. Essa experiência nos levou a desenvolver um projeto para a vigilância epidemiológica com a Prefeitura  de Florianópolis, o qual estaremos  renovando esse ano”, informa o pesquisador. 

Caso 5 - Expedição Científica do Baixo São Francisco 

Esse projeto da Ufal, coordenado pelo professor Emerson Soares, do Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (Laqua), do Centro de Engenharia e Ciências Agrárias (Ceca), envolve também pesquisadores de outros laboratórios da Ufal e de outras instituições, além das prefeituras das cidades ribeirinhas, por onde a expedição navega, com paradas nas cidades para desenvolver várias ações de pesquisa e extensão. A expedição científica à região do Baixo Rio São Francisco, que percorre anualmente cerca de 240 km do leito do rio, é realizada desde  2018. 

“Em três anos de experiência, a expedição tem produzido conhecimentos científicos aplicados à realidade e apoiado ações públicas para a resolução de problemas específicos dos municípios dessa porção do Rio São Francisco. Em 2018, 2019 e 2020, foram realizadas expedições de cinco e de dez dias, e a adesão das prefeituras foi acontecendo gradativamente, de acordo com suas particularidades e necessidades. O objetivo geral da parceria é implementar um programa de biomonitoramento participativo e multidisciplinar por meio de parceria entre a UFAL e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), incorporando ações de educação ambiental da população do Baixo São Francisco”, consta no relato do guia. 

O professor Emerson Soares destacou a importância de constar entre os dez relatos organizados pelas equipes da Ufal e da USP para o Programa Cidades Sustentáveis. “É fundamental essa articulação entre as universidades e gestão municipal. Durante a expedição fizemos essa aproximação para que as ações sejam mais efetivas, pensando em saneamento básico, saúde, educação e melhoria de qualidade de vida. A universidade, com seus conhecimentos, pode contribuir com as prefeituras. Precisamos ter essa ambição de, até 2030, realizar trabalhos para melhorar a qualidade ambiental e social das cidades”, conclui o pesquisador da Ufal. 

Papel da Universidade

O reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, destacou a importância de ter dois projetos da universidade indicados como referências no mapa de parcerias entre Instituições do Ensino Superior e gestões municipais. “Esse é o efetivo sentido de uma universidade no contexto contemporâneo. Uma universidade que pesquisa e age em favor da sua comunidade, mas preza por fazer isso dentro dos preceitos de conhecimentos mais atuais”, ressalta Tonholo. 

Tonholo considera a relevância e o alcance dos projetos incluídos no mapa das parcerias para cidades sustentáveis. “Ter dois entre os dez casos citados, aqui de Alagoas, seria um privilégio muito grande, se não fosse o reflexo do alto grau de interação e de importância que a nossa Universidade Federal de Alagoas tem para esse estado, sendo o maior vetor de desenvolvimento, em âmbito federal, aqui em Alagoas”, declara o reitor da Ufal. 

Além dos dois projetos referenciados no mapa, o reitor Josealdo Tonholo destaca que a Ufal tem muitas outras parcerias com a sociedade alagoana. “Muitos outros trabalhos realizados na nossa universidade merecem ser iluminados pelos holofotes nacionais. Tomo a liberdade de exemplificar alguns, como a ação no bairro do Vergel, com as marisqueiras; eo projeto com os quilombolas albinos, em Santana do Mundaú; são ações da universidade com grande impacto social e que possibilitam um aprendizado muito rico para os nossos estudantes”, finaliza o reitor. 

Colaborações acadêmicas:

https://www.cidadessustentaveis.org.br/paginas/colaboracoes-academicas_10casos

https://www.cidadessustentaveis.org.br/paginas/colaboracoes-academicas_caso4

https://www.cidadessustentaveis.org.br/paginas/colaboracoes-academicas_caso5