Tecnologia criada pelo Lapis vai monitorar dados médicos de idosos

Dados do programa foram publicados em artigo; frente de trabalho é liderada pelo docente da Ufal, Humberto Barbosa
Por Thâmara Gonzaga – jornalista
25/03/2022 16h01
Professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis e líder da frente de trabalho com pesquisadores do Nordeste que desenvolveu o sistema

Professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis e líder da frente de trabalho com pesquisadores do Nordeste que desenvolveu o sistema

Durante a pandemia, pesquisadores de diversas instituições se uniram em busca de soluções que pudessem atenuar os efeitos causados pela covid-19. As particularidades dos idosos, um dos grupos mais afetados pela doença, passaram a ser estudadas por especialistas das mais diversas áreas do conhecimento. Na Universidade Federal de Alagoas, o professor do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), Humberto Barbosa, lidera uma frente de trabalho com pesquisadores do Nordeste que desenvolveu um sistema que monitora a variabilidade da frequência cardíaca (VFC)de pessoas com mais de 60 anos.

“Elaboramos um algoritmo que foi incorporado a um sistema de monitoramento remoto que conta com outras diversas funcionalidades. No período da pandemia, o sistema foi entregue a profissionais de saúde para que pudessem realizar o acompanhamento dos seus pacientes por meio de dispositivo vestível [fixado em alguma parte da roupa ou do corpo]”, explicou o pesquisador da Ufal.

Ainda de acordo com Barbosa, por meio dessa tecnologia, “os idosos passaram a ser monitorados com relação a sua qualidade de sono, quantidade de passos diários, nível de atividade física, velocidade da marcha, variabilidade de frequência cardíaca, entre outras condições”.

Ao falar sobre a importância de acompanhar a VFC, o docente esclarece que “mudanças nos padrões desse marcador fornecem um indicador sensível e precoce de possíveis declínios na saúde”. E continua: “Mecanismos autônomos eficientes proporcionam uma alta VFC, o que é um sinal de boa adaptação a fatores intrínsecos e extrínsecos, caracterizando um indivíduo saudável. Ao contrário, a baixa VFC reflete uma adaptação anormal e insuficiente do sistema nervoso autônomo, que pode indicar a presença de mudanças fisiológicas relevantes para a saúde”.

Em relação ao público com mais de 60 anos, Barbosa destaca que “a VFC pode ser considerada um biomarcador precoce de deficiência cognitiva e que este índice deve ser avaliado dentro de uma perspectiva preventiva para minimizar os impactos causados pelo envelhecimento”.

O software foi criado em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (Nutes) da Universidade Estadual da Paraíba, e do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) do Icat da Ufal, do qual Barbosa é coordenador. “Nessa primeira fase, o sistema é gratuito, aberto para profissionais de saúde e pesquisadores que buscam realizar o monitoramento remoto de pacientes idosos”, informou Barbosa, pesquisador da Federal de Alagoas. Para ter acesso ao sistema, clique aqui

Telemedicina

O sistema de monitoramento remoto de VFC de idosos já é o segundo desenvolvido pelos pesquisadores que integram o projeto liderado por Humberto Barbosa. O primeiro foi o software Monitor Covid Amazonas, que já conquistou o certificado de depósito no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Segundo o docente, com base no Monitor Covid, foram levantadas informações relevantes e “a criação conjunta de bancos de dados fortaleceu ainda mais o desenvolvimento de modelos matemáticos para acompanhamento e predição da saúde do idoso”.

“Os projetos desenvolvidos se encontram dentro dos domínios da Telemedicina e Análise de Dados Médicos, área que recebeu fortes incentivos devido ao cenário pandêmico enfrentado no último ano. Além disso, esse cenário estimulou a elaboração de novas modalidades de cuidado voltadas à população idosa, tendo em vista que este grupo populacional foi o que mais sofreu os impactos causados pela pandemia”, destacou o docente.

Os dois programas são resultados de atividades realizadas e financiadas no contexto do edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) Epidemias. Para saber mais, acesse aqui.

Artigo na Sensors

Com o título Monitoramento da Variabilidade da Frequência Cardíaca usando dispositivos vestíveis comerciais como um indicador de saúde da pessoa idosa durante a pandemia [em inglês, HRV Monitoring Using Commercial Wearable Devices as a Health Indicator for Older Persons during the Pandemic], a experiência obtida com o sistema foi publicada, em março, na revista científica Sensors. “Essa publicação pertence a diversas áreas do saber, tais como ciências da computação e medicina. Possui alto fator de impacto e alta classificação pela Capes, apresentando uma boa relevância acadêmica”, informou Barbosa.

O docente explica que o foco do artigo foi apresentar as etapas de validação do algoritmo e aplicabilidade na população. “O objetivo é de que essa ferramenta possa ser útil no acompanhamento desse indicador de saúde a partir do monitoramento remoto e contínuo”, ressaltou.

O artigo foi liderado pela estudante de doutorado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Eujessika Rodrigues. Ela, que pesquisa na área de envelhecimento humano, é bolsista do projeto na área de Telemedicina e Análise de Dados Médicos, conduzido pelo docente da Ufal.

“É uma pesquisadora atuante no Laboratório de Computação Biomédica do Núcleo de Tecnologia Estratégicas em Saúde (Nutes), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), e realiza contribuições acadêmicas com a Ufal. Unindo as expertises das três instituições, os estudos voltados ao uso de sensores para acompanhamento da saúde dos idosos foram iniciados em cooperação”, esclareceu Barbosa.

Para conferir o artigo, clique aqui