Radar da Ufal emite alerta de perigo potencial por causa das chuvas

Imagens mostram chuvas concentradas em área de bacias de rios que já causaram enchentes
Por Manuella Soares - jornalista
15/04/2021 13h31 - Atualizado em 15/04/2021 às 15h29
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Imagem do Satélite GOES 16 - Fonte INMET

O Radar Meteorológico da Ufal tem registrado chuvas intensas nas últimas 24h e as informações geradas na estação localizada no Campus A.C Simões ajudam a Defesa Civil e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh). Os alertas para Alagoas são nas bandeiras amarela, devido ao perigo potencial de chuvas intensas; e laranja e vermelha, por causa do acumulado de chuvas. O Radar funciona 24 horas por dia, o ano inteiro, gerando diversos outros produtos importantes.

De acordo com o professor Heliofábio Gomes, do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), a previsão é que, pelo menos, até amanhã à noite permaneça assim. “Tem pontos de Maceió que já choveu quase 500 mm em cinco dias. Só na região do Tabuleiro já foram 423mm. A média para Maceió é 207 mm”, disse, sobre o registro médio normal para um mês inteiro nessa época do ano.

Na imagem do Radar da Ufal, divulgada pelo professor, mostra a distribuição de chuva sobre o litoral nordestino, cobrindo, inclusive, a área das bacias de rios em Alagoas que já sofreram grandes cheias que atingiram diversos municípios.

“Além dos problemas urbanos em Maceió, também deve nos deixar alerta para as áreas ao longo dos rios Jacuípe/Una [divisa PE/AL] e Mundaú. Os valores de vazão neste ciclo são absurdos. Acho que muitos lembram o que ocorreu em 2010 em Branquinha, União dos Palmares, Rio Largo, São José da Laje, etc...”, alertou o professor Kleython de Araújo Monteiro, do Instituto de Geografia e Meio Ambiente (Igdema), lembrando que as enchentes daquele ano foram devastadoras para a população.

O professor explica que a vazão média do rio Mundaú é aproximadamente 31 metros cúbicos por segundo (m³/s). Nos anos de 1989 e 2000, quando também tiveram registros de enchentes com destruição e população desabrigada, o rio atingiu a marca de mil metros cúbicos por segundo. Os dados da cheia de 2010 não são precisos porque a estação meteorológica também foi destruída.

Heliofábio reforça que mantém contato com o diretor da Sala de Alerta , Vinicius Nunes Pinho, ex-aluno da pós-graduação em Meteorologia da Ufal, e as equipes seguem de prontidão. Já foram emitidos alertas por meio de mensagem de texto pelo celular para os moradores das regiões de risco. Mas, o professor teme pelas chuvas dos próximos dias: “Se continuar com alguns eventos como esse [de ontem] até o mês de maio, vai ser complicado para as comunidades ribeirinhas”.

Em caso de risco, a orientação é ligar para a Defesa Civil, pelo 199, ou Resgate do Corpo de Bombeiros, por meio do 193.