Ufal terá Laboratório de Biossegurança de Nível Biológico (NB-3)

Laboratório possibilitará a avaliação de diferentes testes de diagnósticos para doenças como a covid-19
Por Diana Monteiro - jornalista
22/04/2020 14h01
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Laboratório será um  novo campo de pesquisa aberto à colaboração de estudantes de diferentes cursos

A Universidade Federal de Alagoas já dispõe de uma comissão responsável pelo planejamento, implantação e funcionamento de um Laboratório de Biossegurança para manipulação de agentes que podem causar doenças graves ou potencialmente letais, a exemplo da covid-19. O espaço científico terá estrutura para avaliação de diferentes testes de diagnósticos, realização de estudo de seu processo de infecção, assim como a resposta imunológica dos pacientes acometidos pela pandemia.

A comissão representa mais uma missão encaminhada pelo reitor Josealdo Tonholo para ações de engajamento da Ufal no Estado voltadas à proteção e cuidados frente à pandemia do coronavírus. Integram a comissão  a Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propep), Hospital Universitário (HU) e pesquisadores com experiências nas áreas de saúde, microbiologia e virologia.

“A implantação de um Laboratório de Biossegurança classe 3 na Ufal é  um momento novo para a Instituição que se qualifica ainda mais porque já tem um grau de complexidade das pesquisas que são feitas com agentes, sobretudo naquelas que fazem uso de agentes biológicos e, portanto, necessitam de equipamento para dar maior segurança aos experimentos e aos pesquisadores”, diz o presidente da comissão Eurico Lôbo, que está na Gerência de Ensino e Pesquisa do Hospital Universitário. 

O laboratório será instalado como um anexo do HU e atenderá demandas importantes para o estado de Alagoas, sendo a de maior necessidade atualmente a covid-19.

Ao destacar a importância do laboratório em prol da ciência e da saúde a pró-reitora Iraildes Assunção reforça que a Ufal já desenvolve pesquisas que envolvem micro-organismos potencialmente perigosos que necessitam de uma atenção especial. “Portanto,   esse  aspecto já é considerado em vários laboratórios da Instituição com Níveis Biológicos NB -1 ou NB - 2, que correspondem aos níveis de biossegurança  de acordo com o risco que os agentes biológicos representam para os seres humanos e para os animais. Os pesquisadores da Ufal e do HU, bem como do estado, precisam estar preparados para trabalhar com segurança em situação de pandemia como essa que estamos enfrentando no momento”. A equipe de pesquisadores tem a coordenação da Propep. 

Eurico adianta que o Laboratório de Biossegurança NB 3 terá caráter institucional e será de uso coletivo. Tanto por pesquisadores da Ufal como para profissionais de elevada qualificação e experiência que desenvolvem pesquisas no HU na instituição ou oriundos de programas de doutoramento e pós-doutoramento. O laboratório se constituirá num  novo campo de pesquisa aberto à colaboração de estudantes de diferentes cursos de graduação e pós-graduação da Ufal.

Futuro Laboratório

Sobre o que consistem as ações de um Laboratório de Biossegurança, Iraildes diz que são espaços científicos, cuja classificação vai do Nível Biológico I (NB-1), que manipula microorganismos bem caracterizados e que representam um pequeno risco biológico, ao Nível Biológico IV (NB-4), onde são manipulados agentes individual e coletivo e para os quais não se dispõe de terapias eficientes. E enfatiza :

“Nesse grupo estão vírus como o Ebola. Em um laboratório NB-3, futuramente a ser implantado na Ufal, podem ser manipulados agentes que podem causar doenças graves ou potencialmente letais como resultado de exposição por inalação. Dessa maneira, a manipulação desses agentes é feita em cabines de segurança biológica ou outros dispositivos de contenção física, sendo necessário o uso de equipamento de proteção individual adequados. O laboratório possibilitará a realização de testes diagnósticos e de pesquisa envolvendo importantes agentes patogênicos de modo seguro em pesquisa, bem como a população em geral”, reforça.

Para a instalação do novo espaço científico Iraildes diz que a Ufal buscará recursos junto ao Ministério da Educação (MEC), bem como em agências de fomento a exemplo da Capes, CNPq e Fapeal, que é a Fundação de Amparo à Pesquisa em Alagoas.