Pesquisa da Ufal alerta sobre venda indevida de remédio para cães e gatos

Hormônio contraceptivo usado sem receita pode causar hiperplasia mamária nos animais; frente parlamentar estuda revisar a comercialização do medicamento
Por Jacqueline Freire – jornalista
11/12/2020 09h34 - Atualizado em 16/12/2020 às 15h43
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Gatos com Hiperplasia Fibroepitelial Mamária

Uma recente pesquisa realizada na Universidade Federal de Alagoas vem alertando a bancada federal sobre uma possível revisão na forma de comercialização de medicamentos hormonais (progestinas) sem controle de receita veterinária em todo o país, vendidos com o intuito de se evitar a reprodução de cadelas e gatas.

O estudo, realizado pela médica veterinária e pesquisadora Evelyne Marques de Melo, do mestrado em Saúde Animal, mostrou que o uso da progestina pode estar relacionado ao acometimento de várias doenças, com maiores prejuízos à espécie felina, a exemplo da Hiperplasia Fibroepitelial Mamária (HFMF).

Ainda segundo a pesquisa, a doença HFMF ocorre de modo mais grave e complexo com risco de óbito nos felinos expostos a um fármaco hormonal à base de progesterona, utilizado com finalidade contraceptiva. “O grande problema é que estes fármacos são comercializados em todo o país sem controle médico-veterinário, ou seja, não se exige receita prescrita para o acesso de compra e venda nas lojas agropecuárias e farmácias veterinárias, o que tem resultado em uso indiscriminado generalizado por pessoal inabilitado (tutores/donos dos animas e pelos comerciantes), que por não compreenderem tecnicamente os momentos exatos do ciclo reprodutivo animal a ser administrado o fármaco, facilitam doenças sérias”, explica a pesquisadora.

A legislação que trata do controle de fármacos veterinários da classe dos que interferem no metabolismo animal não incluiu o rigor de receita veterinária para os hormônios femininos (progestinas) contemplando somente o controle para os hormônios masculinos (derivados de testosterona).

Segundo Evelyne, um dos maiores feitos da pesquisa é poder contribuir para uma mudança no cenário nacional por meio da produção acadêmica da Ufal. “Já se encontra em mãos do Secretário Executivo do Mapa [Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento] documento formulado explicando o problema. O pleito foi levado pela via parlamentar federal por meio do presidente da Frente Parlamentar de Proteção dos Direitos dos Animais, o deputado Marx Beltrão, e uma discussão técnica será convocada”, explicou.

E continua: “Ao nosso observar, há indicativo de inclusão das progestinas na Lista C5, referente às substâncias sujeitas ao controle especial quando utilizadas por veterinário, com vistas à garantir segurança comercial neste país minimizando agravos aos animais ao qual o fármaco de destina”.