Lapis da Ufal monitora poluição do ar causada por fuligem da África

Poluição oriunda de queimadas na República Democrática do Congo atinge Maceió e mais três cidades nordestinas
Por: Diana Monteiro - jornalista - 17/09/2019 às 10h13
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Foto: Reprodução da Internet

O dinâmico trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas, em uma de suas áreas de atuação, meio ambiente, tem possibilitado o acompanhamento da situação da fuligem vinda da África provocada por queimadas. A rotina de monitoramento da poluição do ar na América do Sul e África, identificou a fuligem na cidade de Mangai, localizada na República Democrática do Congo comprometendo a qualidade do ar das capitais Maceió, João Pessoa, Recife e Natal. A fumaça lançada na atmosfera chegou ao litoral nordestino e apresenta riscos à saúde da população, cujos maiores impactos são doenças respiratórias e cardiovasculares, sobretudo em crianças e idosos, grupos mais vulneráveis. 

O coordenador do Lapis Humberto Barbosa, do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Ufal,  explica como é feito o monitoramento. “Há mais de 12 anos, utilizamos o Sistema Eumetcast, para recepção de dados e produtos de satélites, da Agência Europeia para Exploração de Satélites Meteorológicos ( Eumetsat). O que nos permite ter acesso a dados de monitoramento de poluição do ar, incluindo material particulado, ozônio, dióxido de enxofre e monóxido de carbono", diz. 

Segundo o pesquisador, a poluição é microscópica, ou seja, invisível a olho nu, em função de ser um material particulado muito fino, pois o monóxido de carbono de queimadas é constituído de partículas mais finas do que um fio de cabelo e está acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS)  sobre o nível da qualidade do ar. “Daí, é comprometedor da saúde da população", enfatiza dizendo que o deslocamento é acompanhado 24 horas por meteorologistas do Lapis.  

Conforme as informações, a fumaça lançada na atmosfera pelas queimadas viaja seis mil quilômetros sobre o Atlântico até o litoral nordestino. Segundo Humberto, do ponto de vista climático, a circulação dos ventos transporta toda essa cinza das queimadas na Amazônia Legal para o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil, provocando chuva com poluição (material particulado), como o que ocorreu em São Paulo, quando a cidade escureceu em plena tarde, com a mistura de fuligem das queimadas e chuva. Essas cinzas afetam diretamente a qualidade do ar. E aproveita para explicar:  

“Há uma dinâmica de queimadas em várias partes do Globo. A partir de julho, tanto no Brasil quanto na África, as queimadas são práticas comuns, favorecidas por questões meteorológicas e ambientais. Realizando monitoramento da Amazônia Legal, deparamo-nos com uma grande quantidade de fumaça de queimadas vindas da África. Durante essa época do ano, a circulação dos ventos favorece ao transporte de partículas de fumaça da Amazônia para regiões do Centro-Sul. A Região Nordeste não é tão afetada, com exceção do Maranhão. Porém, há um sistema de alta pressão do Atlântico Sul que facilita o transporte de fumaça da região do Congo, na África, e neste caso, afeta a Costa do Nordeste”, reforça.   

Mais informações neste artigo do blog do Lapis.

Sobre a importância do trabalho do Lapis no monitoramento da situação, Humberto Barbosa destaca: “Em países da Europa, há uma preocupação maior com a qualidade do ar e com o nível de poluição, por ser muito nocivo à saúde e trazer prejuízos humanos, econômico e ambiental. No Brasil, ainda não há uma cultura de monitoramento da qualidade do ar, com exceção de poucas cidades do Sul e Sudeste. Esse monitoramento do Lapis é importante por alertar a população e as agências governamentais sobre os impactos, especialmente para os grupos mais vulneráveis”.

Informações sobre o assunto podem ser conferidas também pelo Youtube.
 

Ações científicas 

Criado no Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) em 2007, o Lapis tem a finalidade de formar recursos humanos aptos para o desenvolvimento de atividades de pesquisa e trabalhos operacionais em centros de pesquisas ou serviços de meteorologia, dentre outras instituições atuantes na área. Tem como duas áreas principais de atuação: o Monitoramento Meteorológico e o Monitoramento Ambiental, com a determinação de  índices de seca no Brasil, sobretudo no Nordeste brasileiro. 

Além de campo de aprendizado para alunos do curso de Meteorologia da Ufal, o laboratório também se sobressai como espaço de estudo científico do mestrado da instituição nessa área, tanto no eixo operacional como no eixo de desenvolvimento de pesquisa. Mais informações sobre o Lapis acesse aqui.