Estratégias de comunicação para fortalecer Ifes pautam primeiro dia do Cogecom

Evento transcorre com programação diversificada para a construção de ações conjuntas em defesa das Instituições Federais de Ensino Superior
Por: Diana Monteiro - jornalista e Janyelle Vieira - estagiária de Jornalismo - 21/08/2019 às 20h40 - Atualizado em 22/08/2019 às 14h56
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Mesa de abertura do 4º Encontro do Cogecom. Foto: Renner Boldrino

Começou nesta quarta-feira (21), no auditório da Reitoria da Ufal, Campus A. C. Simões, a 4ª edição do Encontro de Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais (Cogecom), com participação de representantes de várias instituições de ensino superior do país. Com o objetivo de assessorar a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) na área, o evento teve abertura ainda pela manhã e a diversificada programação visa à construção conjunta de ações entre as universidades federais, tendo a comunicação como fundamental em todo o processo de enfrentamento e defesa do ensino público superior.  

Dando boas-vindas aos participantes, a reitora Valéria Correia destacou a importância do encontro como símbolo de resistência e reforçou: “É uma satisfação receber cada um e cada uma de vocês na Universidade Federal de Alagoas, porque sabemos do importantíssimo papel das assessorias no tempo em que vivemos por trazer a luz da informação do conhecimento. A Carta de Maceió, como parte da programação, a ser construída, coletivamente, retratará a importância da comunicação diante da desafiante situação que acomete as universidades federais, pondo em risco a sua sobrevivência. Os meios de comunicação são fortes para a construção da contra-hegemonia”, disse a reitora ao tecer críticas ao Portal Único, em desenvolvimento, do governo federal. 

Valéria aproveitou a oportunidade para destacar a atuação da deputada federal Margarida Salomão, presente à mesa de abertura, como uma referência na luta e resistência em defesa da universidade pública. Ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Minas Gerais, Margarida preside a recém-criada Frente Parlamentar pela Valorização das Universidades Federais e em sua vinda à Ufal fez palestra na tarde desta quarta-feira , no Centro de Interesse Comunitário (CIC), sobre o Programa Future-se, do Ministério da Educação (MEC). 

Comunicação e estratégia 

Margarida Salomão enfatizou que as universidades brasileiras vêm sendo tratadas como problema e com difícil solução. Ela adiantou aos participantes do Cogecom que se pode trabalhar no conjunto com a Frente Parlamentar para fortalecimento da luta e destacou os desafios atuais e suas respectivas complexidades, ao fazer uma breve retrospectiva sobre o recente período da universidade expansionista, que marcou a educação superior passando a ser um sonho das classes populares. “A universidade vem sendo tratada como inimiga, porque é o lugar que se pensa e que se critica. Nossa principal missão é formar gente”, disse, acrescentando que sem mobilidade social o crescimento social fica estagnado. 

Ao reforçar o desafiante cenário em que as universidades se encontram e da importância do papel da comunicação para trabalhar o contra-ataque recebido, fez sugestões de estratégias conectadas com o seu real papel. “Vocês são importantes  para o enfrentamento ao desmonte da universidade pública. Divulgação de pesquisa, de projetos culturais e de extensão, convocação de lideranças, tornar a comunidade ativa em defesa da universidade, entrar na mídia local, assim como utilizar redes sociais como ferramentas, são algumas estratégias fundamentais que mostram o real papel da universidade na sociedade e vêm se contrapor à negatividade a qual as instituições de ensino superior vêm sendo expostas”, declarou Margarida dirigindo-se aos gestores de comunicação. 

Ações conjuntas 

Também na mesa de abertura o presidente do Cogecom, Márcio Guerra. Ao destacar a importância do citado Colégio de Gestores de Comunicação, fez elogios à atuação da reitora da Ufal em defesa da universidade pública: “A professora Valéria tem o respeito e admiração da Andifes pela atuante participação e luta em prol das universidades brasileiras”, frisou. Sobre o evento, que não conta com a totalidade de gestores das ifes, ele lamentou a ausência, considerando-a  já como reflexo de dificuldades por que passam as instituições.  “Ânimo e resistência. O papel da comunicação é diferenciado em todo o processo para a construção das ações conjuntas visando a defesa das universidades públicas”, enfatizou. 

A importância dos esforços para fortalecimento da comunicação para as Ifes com pontos em comum na Carta de Maceió, a ser elaborada pelos participantes do Colégio de Gestores, também foi destacado pela representante da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Rose Mara Pinheiro. O gestor de comunicação da Ufal, Júlio Arantes, deu as boas-vindas, agradecendo o esforço de cada representante para se fazer presente ao evento e reforçou o desafio em curso das assessorias de comunicação em cenário tão adverso enfrentado pelas universidades públicas brasileiras. Também integrou a mesa de abertura Eduardo Aquino Martinez, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). 

Programação da tarde 

À tarde, a programação contemplou a Oficina sobre Divulgação Científica ministrada pela jornalista Pamela Lang, representante da agência Fiocruz de Notícias (AFN), veículo da Coordenadoria de Comunicação Social da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. 

A jornalista, que apresentou a coordenação de comunicação da Fiocruz e a política de comunicação e divulgação do setor para o público, contou que a agência tem o objetivo de divulgar amplamente a produção científica da instituição. A agência dissemina informações de saúde, ciência e tecnologia, produz um glossário de doenças além de vídeos, entrevistas e infográficos com dados para abordar o assunto pesquisado. 

Ela destaca que a agência foi reconhecida como fonte de conteúdo noticioso e como um espaço de verificação de informação e que é necessário gerar interesse e indagação no público acerca da ciência. Para isso, o modelo dialógico e participativo é o mais eficiente. É fundamental deixar a divulgação científica acessível para toda a população, inclusive para a comunidade surda e ouvir as demandas da sociedade."Noticiar o lançamento da pesquisa não é fazer divulgação científica. É preciso realizar uma decodificação do discurso científico, ampliar o uso de recursos gráficos e plataformas digitais que abordam a pesquisa. A divulgação científica fortalece a imagem institucional e o diálogo com a sociedade" finaliza. 

Após o coffee break, a última atividade do dia foi com a professora Yanna Cristina Moraes Lira, dos cursos de Medicina e Enfermagem da Ufal, que ministrou a palestra Campanhas Institucionais de Combate ao Adoecimento Psíquico. O momento teve início com uma dinâmica para os espectadores que indicava a importância da escuta e o conhecimento da situação do indivíduo para que estratégias efetivas sejam definidas. 

A professora indicou a importância da abordagem deste assunto de forma responsável já que saúde mental é um assunto cada vez mais presente nos meios sociais. 

Evento continua com debates 

Na quinta-feira (22), a partir das 9 h para apresentação das Campanhas Nacionais/Resultado e próxima ações coletivas, com o coordenador de criação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e editor das campanhas, reitora Lúcia Pellanda, da UFCSPA, da Comissão de Comunicação da Andifes e Lívia Leite, assessora de políticas públicas da Andifes . Às 11h,  o professor André Azevedo, do UEL, Portal Unificado de Divulgação Científica. A partir das 14 h, está definida a apresentação de Relatos de Cases nas Ifes, seguida de debate. 

Na sexta-feira (23), a partir das 9h, a programação inicia com a apresentação de Relatos de Cases/Debate e às 14h o secretário Executivo da Andifes, Gustavo Balduíno, fará palestra sobre Análise da Conjuntura Atual da Comunicação. Às 16h, elaboração da Carta de Maceió.