1º Fórum Popular da Ufal é encerrado com plenária

Durante a sessão, participantes e organizadores puderam avaliar impactos do evento
Por: Izadora Garcia - relações públicas - 06/07/2019 às 20h55 - Atualizado em 08/07/2019 às 10h12

Na manhã de hoje (6), foi realizada a plenária de encerramento do 1º Fórum Popular da Ufal, no auditório Nabuco Lopes do Campus A.C. Simões. O evento contou com a participação de representantes dos eixos temáticos que compartilharam as principais deliberações de cada área, com a mediação da pró-reitora de Extensão, Joelma Albuquerque. Além disso, foi realizada uma reflexão coletiva sobre a importância do evento. A reitora, Valéria Correia, também participou da atividade, instituindo oficialmente o Conselho Consultivo Popular da Universidade Federal de Alagoas.

“Esse evento inaugura uma nova história na Universidade, com a participação efetiva dos movimentos populares em uma atividade específica para escutar suas demandas. O Fórum não se encerra aqui, ele é um pontapé inicial. Temos agora o nosso Conselho Consultivo Popular instaurado, que precisamos fortalecer em um processo contínuo. Além disso, não pode haver o memoricídio desse evento, então faremos um documentário e um livro de registro”, afirmou a reitora.   

Cada um dos 7 eixos – Educação; Direitos Humanos, Violência e Justiça; Meio Ambiente e Trabalho; Saúde; Comunicação; Tecnologia e Produção – contou com a participação ativa de membros dos movimentos sociais e da comunidade universitária, promovendo debates sobre como a Ufal e outras instituições de ensino superior podem atuar no enfrentamento das urgentes demandas sociais e suas problemáticas. Foram três dias de atividades, contabilizando cerca de 22 horas de evento, com mesas, oficinas, grupos de trabalho e cursos.

De acordo com a comissão organizadora da Fórum, foram mais de 600 inscritos dentre estudantes, servidores técnicos, docentes e componentes de movimentos sociais. Estima-se que o evento tenha reunido 54 grupos, com participantes de 25 municípios alagoanos, com representações de comunidades remanescentes de quilombolas, indígenas, populações em situação de rua e movimentos agrários.

“Esse evento vem sendo construído desde novembro do ano passado. Tomamos como ponto de partida a organização científica da universidade nas áreas dos eixos temáticos e chamamos reuniões com pessoas que gostariam de coordenar esses grupos. Após isso, fomos estruturando, chamando os movimentos, fizemos reuniões preparatórias descentralizadas nos campi Arapiraca, Sertão e A.C. Simões, explicando como seria o evento e solicitando que os movimentos se reunissem em suas bases para discutir as demandas e questões que gostariam que a Universidade respondesse”, explicou Joelma Albuquerque.

Segundo a pró-reitora, todo o debate realizado durante o evento foi sistematizado e os registros ajudarão a compor o regimento com diretrizes para ensino, pesquisa e extensão que contemplem a dimensão social na Universidade Federal de Alagoas.

Universidade conectada às demandas sociais

Durante a plenária de encerramento, os participantes e a comissão organizadora puderam realizar reflexões sobre a dimensão e a importância do evento. Também foram expostos os encaminhamentos gerados por cada um dos sete eixos temáticos, que servirão de subsídios para a construção de um regimento inclusivo.

“Foi muito importante a participação, muito representativa, e conseguimos atingir o objetivo do Fórum de sistematizar esses debates, diálogos e sugestões para compor um documento final que será apresentado à comunidade universitária para elaborar políticas institucionais que dialoguem com o conteúdo desse documento”, afirmou Joelma Albuquerque.

Os participantes avaliaram positivamente o evento. “Queria agradecer a Ufal por estar abrindo as portas para nós. Antes, não tínhamos acesso ao ambiente universitário. Essa universidade é nossa e é também de todo povo brasileiro, mas, pela primeira vez, ela está verdadeiramente aberta para nós. Nesses dias de evento eu me senti gente, gente de verdade, de ocupar um lugar na Ufal. Quem sabe, um dia, eu volto aqui como estudante de geografia, que é o meu sonho”, disse Edneide Nascimento, da comunidade quilombola Monte do Carmo, de Mata Grande.

“Esse é um momento único na minha vida. Eu pude passar meu conhecimento para os professores de uma universidade, que vão passar para os seus alunos, e esses estudantes serão interlocutores desse conhecimento. Com isso, vamos replicando tudo que foi dito por aqui” avaliou Mareval Gomes Ricardo, da comunidade quilombola de Lagoa das Pedras, em Água Branca.

“Estou emocionada desde o início deste evento. A construção de um Fórum Popular é a efetivação da democracia dentro das universidades. E a Universidade Federal de Alagoas se constitui como um exemplo para todo o Brasil”, afirmou Maria Inês Bravo, professora adjunta aposentada da UFRJ, docente associada da Uerj e pesquisadora reconhecida nacionalmente.

De acordo com a reitora da Ufal, o evento cumpriu seu papel de inserir as demandas do povo nas discussões que regem o ensino público superior.

“É do nosso interesse que o povo esteja dentro da Universidade. Para isso, enfrentamos e enfrentaremos desafios a partir dos que não têm a mesma visão que a nossa – de que a Ufal deve servir, atender e respeitar a cultura popular, os povos originários e os movimentos sociais. Mas estamos construindo essa força no cotidiano, no seio da Universidade”, finalizou.