Reitora discute reativar Banco de Dados de Pessoas Desaparecidas

Reunião buscou alternativas para o retorno do projeto da Ufal em parceria com o Ministério da Justiça
Por: Izadora Garcia - relações públicas - 28/06/2019 às 08h57
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Reunião sobre reativação de parceria na Ufal. Foto: Thiago Prado

A reitora Valéria Correia se reuniu, na tarde da última terça-feira (26), com a diretora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, Iracilda Lima, e com o coordenador do Laboratório de DNA Forense, o professor Luiz Antônio Ferreira, com o intuito de discutir propostas para a reativação do Banco de Dados de Pessoas Desaparecidas (BDPD). O projeto apresentado à Gestão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também foi encaminhado para o Ministério da Justiça.

O sistema será composto por dois bancos integrados: um, de acesso público, com informações sobre as pessoas desaparecidas como nome, cor dos olhos e da pele, altura, tatuagens e marcas de nascença. O outro banco guardará informações sobre o perfil genético da família para identificação de cadáveres e restos mortais por meio do estudo do DNA.

De acordo com o coordenador da iniciativa, a ideia é reativar esse banco como uma forma de auxiliar, principalmente, os familiares de pessoas desaparecidas. O que aconteceria como uma parceria institucional entre a Ufal e o Ministério da Justiça.

“Nós já tivemos um banco nesses moldes há alguns anos. Nosso objetivo maior era e ainda é atender a uma demanda da sociedade, que é o cadastro dos desaparecidos, bem como das famílias dos desaparecidos, que ficam desamparadas nesses casos”, pontuou o professor Luiz Antônio.

Segundo o docente, a principal necessidade do projeto é articular diversas entidades para que o trabalho seja efetivo. “Precisa haver uma parceria entre a Universidade e as polícias Civil e Militar, a Justiça Estadual, os Institutos de Criminalista e Identificação, o IML e o Conselho Tutelar. Tudo isso para que seja um sistema integrado”, afirmou. Além disso, Luiz afirma que é necessária uma divulgação incisiva do Banco para que as famílias saibam como ter acesso ao serviço.

Durante a reunião, a Gestão se comprometeu a providenciar uma reunião com o superintendente regional da Polícia Federal, o delegado Rolando Alexandre Souza, além de tentar o contato com o Ministério da Justiça para apresentar o projeto pelas vias institucionais e de acionar a bancada alagoana para intermediar esses diálogos.

A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela reitora Valéria Correia. “Essa iniciativa tem uma grande relevância social, se considerarmos o número de pessoas desaparecidas e a situação angustiante de vulnerabilidade em que suas famílias se encontram. Faremos o possível para viabilizar essa reativação”, concluiu.

Laboratório de DNA Forense é referência nacional

O Laboratório de DNA Forense, há quase duas décadas, atua na identificação de pessoas no estado de Alagoas, é chefiado pelo professor Luiz Antônio. No último ano, o docente foi homenageado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas como amigo do Núcleo de Promoção da Filiação (NPF) pelo serviço prestado com exames gratuitos de paternidade.

O professor é referência nacional em genética e na identificação de pessoas por meio do DNA. Luiz Antônio já colaborou com a Secretaria de Direitos Humanos, no Araguaia, com o objetivo de encontrar restos mortais dos desaparecidos políticos durante a ditadura militar no país; ajudou a desenvolver um banco de dados para armazenagem e comparação de informações e comparação do DNA dos membros das Forças Armadas, além de ser responsável pelo convênio com o TJ-AL que já realizou mais de 10 mil testes de paternidade.