Lapis monitora chuvas e contribui com alerta para áreas de risco

Acompanhamento dos bairros que estão sofrendo com o afundamento é preocupação prioritária
Por: Lenilda Luna - jornalista - 24/05/2019 às 14h08 - Atualizado em 24/05/2019 às 17h27
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Professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis Ufal

Com as chuvas dos últimos dias, a tensão nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro fica ainda maior. O relatório do Serviço Geológico do Brasil confirmou que atividade de mais de quatro décadas de mineração da sal-gema na região é o fator determinante do afundamento do solo. Existem várias questões que devem ser equacionadas a partir desta constatação, mas a principal é evitar os riscos para os moradores.

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi chamada a colaborar com especialistas em várias áreas de conhecimento, da Psicologia à Geologia. Uma das tarefas assumidas pelos pesquisadores da Ufal é o monitoramento das condições meteorológicas e climáticas, o que está sendo feito com a colaboração do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis).

Segundo o coordenador do Lapis, o grande desafio é integrar as informações que chegam por meio do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) e do Lapis, para que esses dados sejam analisados e repassados rapidamente para as autoridades da Defesa Civil que são responsáveis pelo alerta à população e pelo plano de evacuação de emergência.

O monitoramento no Lapis é permanente e são emitidas informações a cada 15 minutos. “De acordo com o protocolo emitido pelo Cemaden, deve ser dado um alerta de emergência caso chova 30 milímetros em 1 hora ou 70 mm em 24 horas. Principalmente se a incidência de chuvas estiver mais intensa sobre os bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Esse índice pluviométrico é um gatilho de risco para essas áreas em afundamento”, alerta o pesquisador Humberto Barbosa.

O pesquisador garante que o monitoramento está sendo feito com bastante rigor, por meio de estações meteorológicas próximas à região afetada, que enviam dados em tempo real, via satélite, para as salas de controle. “No último ano, estamos verificando uma intensidade de chuvas abaixo da média, o que é uma informação positiva para essa situação específica. Não deve chover forte nos próximos sete dias. Vamos ter uma área de instabilidade que deve provocar chuvas de domingo para segunda”, informa o pesquisador.

Humberto Barbosa ressalta que o controle das condições climáticos está sendo feito e que a população pode receber esses dados, mas como está tendo muito ruído na comunicação, causando pânico, é importante buscar orientação com a Defesa Civil. “É preciso emitir alertas no caso de necessidade, sem causar pânico. É importante ter sirene para o caso de emergência e as pessoas precisam saber o que fazer e para onde ir nessa situação, principalmente idosos e crianças, que são a população mais vulnerável”, alerta o pesquisador.