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Lapis mostra temperatura de fevereiro 3° C mais alta do que em 2018

Segundo professor Humberto Barbosa, onda de calor foi resultado da presença constante de vórtices ciclônicos sobre Alagoas
Por: Thâmara Gonzaga – jornalista - 01/03/2019 às 11h02 - Atualizado em 01/03/2019 às 11h08
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Tendência é que as temperaturas diminuam nos próximos dias, mostra Lapis

Fevereiro chegou ao fim e a conversa na rua, no trabalho, na faculdade ou em casa foi uma só: “Que calor é esse?” De acordo com o professor do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Ufal, Humberto Barbosa, o segundo mês de 2019 registrou temperatura entre três ou quatro graus mais alta que o mesmo período do ano passado. 

“Temos chegado a 36°C ou 37°C, com sensação térmica de 40 a 41 graus. Ano passado, era 31°C, 32°C, às vezes, 33°C. É uma diferença razoável numa região onde a temperatura não varia muito”, afirma o pesquisador que coordena o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis). “Há duas semanas, a latitude de deslocamento do Sol estava bem em cima da nossa latitude. Isso faz com que os raios solares incidam diretamente e, com menos nuvens, o calor se torna ainda maior”, destaca. 

O motivo para o aumento da temperatura, explica Barbosa, foi que “na média, nessas últimas semanas de fevereiro de 2019, a cobertura de nuvens foi menor quando comparada com a de 2018. Isso significa que a radiação solar que chegou à superfície foi muito maior em relação ao ano anterior. Quanto menos nuvens, menos chuva, o solo também aquece mais, e isso dá uma sensação térmica de temperatura mais alta”, diz o docente. 

“Outro fenômeno que também colaborou para as temperaturas mais altas foi o fato de que, em fevereiro, estivemos com duas ou três incidências de vórtice ciclônico”, afirma. De acordo com o professor, o fenômeno é caracterizado por “ventos em altos níveis, que giram no sentido horário a 10 km de altitude. Eles fazem com que esses ventos, ao descer, ao chegar próximo da superfície, cheguem ainda mais secos e quentes, o que também corrobora para as temperaturas mais altas”, informa. 

O coordenador do Lapis esclarece que “são dois processos, de certa forma, relacionados: essa massa de ar seco, que tem ficado muito presente, é gerada pelos vórtices ciclônicos que têm também inibido a formação de chuvas. Menos nuvens, consequentemente, menos chuvas, umidade do solo mais baixa. Tudo contribui para esquentar”. O pesquisador ainda explica que “os vórtices são difíceis de prever, não há uma forma ou um indicador para saber onde vão surgir, pois estão desconectados dos oceanos”. E justifica: “São perturbações na alta atmosfera que têm uma pequena parcela dos oceanos, a própria atmosfera que gera e é difícil a previsibilidade”. 

Mas quando esse calor vai diminuir? De acordo o professor Humberto Barbosa, os vórtices ciclônicos “são sistemas que demoram dois ou três dias para se deslocar e, provavelmente, entre sábado e domingo, o tempo já comece a mudar, com aparecimento de mais nuvens e aconteça até uma chuva rápida ou moderada, a depender de outros fatores que possam interferir”, conta.  “Vamos torcer para que esses vórtices diminuam, pois estão com muita frequência em Maceió, para essa massa de ar seco ir embora. A tendência é que as temperaturas diminuam nos próximos dias, em função do deslocamento do centro do vórtice ciclônico para outras áreas da região”, adianta Humberto. 

De acordo com Barbosa, “os modelos ainda não têm destreza de 100%, mas os sinais interpretados indicam que nos próximos dias já haverá uma pequena mudança e esse calor pode diminuir um pouco”. O professor acrescenta: “Porém, não podemos esquecer que estamos no verão, então ainda não teremos a temperatura comum da quadra chuvosa, mas vai dar uma aliviada nos 37°”, projeta.

Para mais informações sobre os principais fenômenos meteorológicos que atuam no Nordeste neste verão, acesse aqui. 

Quadra chuvosa 

Segundo o professor Humberto, a previsão indica pouca chuva para a quadra chuvosa alagoana. “No Agreste e Sertão, de fevereiro a maio, são os meses que mais chove. Utilizamos modelos que dependem de outras informações meteorológicas, mas o que já vimos nos modelos gerados por centros internacionais é a informação de que seria chuva abaixo da média. O que está se confirmando para essas regiões”, diz. “Já há municípios que monitoramos no Semiárido de Alagoas que se encontram bastante secos. Em relação à região litorânea, o período chuvoso é de abril a julho, podendo se estender até agosto, mas a previsão também é de menos chuva”, informa o pesquisador. 

Barbosa explica que os modelos usados para avaliar as previsões usam a temperatura dos oceanos e são atualizados todo início de mês. “A última atualização foi no início de fevereiro e os modelos gerados apontaram uma probabilidade do que vai acontecer nos próximos três meses”, afirma. “O sinal agora de março, atualizado, indica chuva abaixo da média para Alagoas”, completa.