Pesquisadores coletam novas mostras de água no Litoral Sul

Objetivo é realizar pesquisas sobre as manchas de óleo encontradas
Por: Manoel Oliveira Jr. - estagiários de Relações Públicas - 27/12/2019 às 08h54 - Atualizado em 27/12/2019 às 08h58
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Fotos: Manoel Oliveira Jr.

Pesquisadores da Ufal que participam da força-tarefa de investigação acerca do desastre com derramamento de óleo nas praias do Nordeste fizeram novas coletas, no dia 19 de dezembro. Começando na praia de Ponta Verde, a equipe seguiu realizando coletas até a Foz do Rio Coruripe, passando ainda pela Praia do Francês, Barra de São Miguel, Piaçabuçu e Feliz Deserto. As coletas são realizadas de acordo com o Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA).  

As pesquisas investigam a balneabilidade das águas por meio de análise microbiológica, além da presença de metais pesados, que podem ser decorrentes de acidentes como o derramamento de óleo. Em alguns pontos foram localizados metais que, inicialmente, não foram identificados pela equipe, sendo colhidos para análise em laboratório. 

“O trabalho que o grupo vem desenvolvendo é multidisciplinar e tem como enfoque identificar e remediar possíveis danos ao meio ambiente. Uma das pesquisas do grupo é a biorremediação que consiste em uma técnica de introdução de microrganismos ou gerando condições propícias para o seu desenvolvimento, com o objetivo de acelerar a biodegradação dos componentes de petróleo”, contou a professora Dayana Gusmão, do Centro de Tecnologia (Ctec) da Ufal, que participou da atividade.

Sobre a metodologia utilizada nos estudos, a professora explicou: “É um estudo ex situ. Os estudos são divididos em duas etapas. A primeira é a identificação e seleção da biota de cada região contaminada; e em um segundo momento, o monitoramento do processo de biorremediação em unidades de simulação com o sedimento contaminado por óleo. A primeira etapa já está sendo concluída e verificou-se alguns fungos de caráter promissor para a degradação. Na segunda etapa do projeto, serão avaliados na simulação a biota local, a implementação de nutrientes e a adição de microrganismos, a fim de acelerar o processo de degradação”. E completa: “Para entendimento do processo de biorremediação são utilizados o monitoramento dos parâmetros físico-químicos, quantificação dos teores de nutrientes, e as percentagens dos hidrocarbonetos ao longo de todo o experimento”. 

Também participaram da atividade o professor Emerson Soares, do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), e o coordenador de gerenciamento costeiro do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL), Ricardo César, responsável pelas análises macrobiológicas, investigando a salinidade da água, presença de coliformes fecais e demais fatores que influem na balneabilidade da água. Após o fim da atividade, todas as amostras coletadas foram enviadas para estudos em laboratórios da Ufal e do IMA. O Instituto realiza coletas semanais de novas amostras às terças e quartas-feiras.