Ufal inaugura laboratório para pesquisas com células tronco

Equipamento de última geração deve alavancar estudos sobre a ELA
Por Blenda Machado - estagiária de Jornalismo (texto e fotos)
24/10/2019 07h15 - Atualizado em 24/10/2019 às 17h59
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Inauguração do Laif deve alavancar pesquisas sobre a ELA em Alagoas

No último dia 17 de outubro, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) inaugurou o Laboratório de Inovação Farmacológica (Laif). Sediado no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), o novo laboratório deve servir para pesquisas com células tronco e sobre novos medicamentos para doenças raras, a exemplo da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). 

A solenidade de entrega do laboratório contou com a presença da reitora Valéria Correia, a diretora do ICBS, Iracilda Lima, o vice-diretor do ICBS, Renato Rodarte, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Fábio Guedes, o professor e coordenador do Laif, Marcelo Duzzioni, o pesquisador do Laif, Axel Cofré, o diretor presidente da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), Gerson Guimarães, o presidente do Instituto Dr. Hermerson Casado Gama, Hermerson Casado Gama, o superintendente de infraestrutura da Ufal, o engenheiro civil Diogo Henrique e o presidente do Centro Acadêmico do ICBS, Jackson Araujo.

Hermerson Casado, idealizador deste projeto e portador da ELA, afirmou que o laboratório "trará grandes oportunidades e poderes, e grandes poderes trazem grandes responsabilidades. E parafraseando Buzy Aldrey, ao infinito e além’’. Para a Reitora Valéria Correia, ‘a entrega do Laif é importante para a universidade e para a sociedade, porque o Laif é o primeiro laboratório de Alagoas que irá trabalhar a partir de células-tronco para o enfrentamento das doenças neurológicas raras . "Este laboratório ratifica o compromisso que a Universidade Pública tem com a sociedade através de suas pesquisas” disse a reitora.

O projeto que resultou na construção do Laif recebeu do Fundo Nacional de Saúde (FNS) um investimento de R$ 2,3 milhões do Ministério da Saúde em 2017. O novo laboratório tem aproximadamente 70 m² e contém dois ambientes de pesquisa, um voltado para experimentação molecular e outro para o cultivo de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Esses espaços são preenchidos com equipamentos de última geração, como por exemplo, um QuantStudio 3, uma centrífuga refrigerada para microtubos, um ultrapurificador de água DNAse e RNAse Free, um ultrafreezer -80°c, estufas de CO2 e um microscópio invertido de fluorescência, e entre outros equipamentos.

A Fapeal e o Governo do Estado atuaram na captação de recursos. Para o diretor da Fundação, professor Fábio Guedes, a conclusão do projeto avançou após muita luta, onde "foram necessárias brigas com o preconceito sobre o que poderia ser feito aqui em Alagoas. Hoje, temos a reposta”.

O pesquisador Axel Cofré, contou sobre a tecnologia utilizada no Laif foi prêmio Nobel de 2012."Trabalhamos com a tecnologia que possibilita você produzir células troncos de um determinado paciente dentro do próprio laboratório’’, explicando que, ‘‘por exemplo, podemos pegar a célula de um paciente de esclerose lateral amiotrófica e transformar qualquer célula do organismo dele, em uma célula tronco. E, conseguimos estudar especificamente a doença ELA’’, completa dizendo, ‘‘podemos fazer análise de bioquímica, microscopia, genético, proteínas. Então são vários leques diferentes de possibilidades de experimentação que podemos fazer aqui dentro desse laboratório’’.

O coordenador do Laif, professor Marcelo Duzzioni, afirmou que ‘‘o laboratório irá desenvolver pesquisas na área de doenças raras, em especial a ELA e iremos usar toda essa estrutura para buscar uma alternativa terapêutica para o tratamento desta doença’’. O doutor em Farmacologia ainda disse que ‘‘hoje nós temos no Brasil uma única medicação aprovada pela Anvisa e que traz poucos benefícios aos pacientes. A nossa esperança é encontrar algo melhor, com eficácia e segurança comprovadas’’.

A diretora do ICBS, Iracilda Maria, apontou: ‘‘com esse laboratório inaugurado, nós demos um salto, no início de pesquisas de células-tronco, no sentido de estudar doenças degenerativas neurológicas. E, devemos a essa inauguração hoje, a uma ideia inicial do médico Hemerson Casado, que aqui nos procurou há quatro anos atrás, buscando uma alternativa para se iniciar o estudo dessas doenças, principalmente a esclerose lateral amiotrófica. Depois disso nós conseguimos reunir uma equipe que teve a frente o professor Marcelo Duzzioni e a partir daí foi construindo o projeto que com auxílio de diversas pessoas que também deram uma força para aprovação deste projeto’’.

‘‘Com a construção desse laboratório nós iremos contribuir para a evolução da cura da ELA’’, afirmou o presidente do Centro Acadêmico do ICBS, Jackson Araújo., ‘‘É uma honra para os estudantes do ICBS receber essa verba nesse momento. Porque dizem que a nós estamos resistimos e estamos resistindo consciente e com produção e com a construção de um futuro’’, disse.

Sobre o Laif

O professor e coordenador do Laif, Marcelo Duzzioni, juntamente com um grupo de pesquisadores da Ufal e de outras instituições nacionais e internacionais, irá desenvolver o projeto intitulado “Investigação de novas estratégias para o tratamento da esclerose lateral amiotrófica (ELA): estudos in vitro com células-tronco pluripotentes induzidas”, com o objetivo de encontrar uma alternativa terapêutica para a ELA. O projeto foi enviado ao Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (Decit/SCTIE/MS) e aprovado pelo Fundo Nacional da Saúde (FNS). A ELA é considerada uma doença rara e também conhecida como doença do neurônio motor ou de Lou Gehrig, que leva a degeneração dos neurônios motores, resultando na perda do controle dos músculos voluntários.

O professor Marcelo foi em busca de parceiros em outros setores da Ufal, em outras instituições nacionais Instituto Carlos Chagas (Fiocruz) do Paraná, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e internacionais Texas A&amp, M University Health Science Center, Hanyang University, College of Medicine e Penn State University. Na tentativa de construir um projeto de pesquisa voltado a investigar novas estratégias terapêuticas.

Com esse laboratório, serão desenvolvidas pesquisas com células de portadores de ELA. ‘‘esperamos encontrar alguma substância promissora na prevenção ou tratamento da ELA, e então, futuramente ver a aplicabilidade ‘segurança e eficácia’ em humanos, etapas fundamentais no desenvolvimento de novos medicamentos’, comenta o coordenador Duzzioni.

Segundo o Duzzioni, o paciente que é diagnosticado com a esclerose lateral amiotrófica, o melhor tratamento, ‘‘não é com medicação, mas sim, com atendimento multiprofissional, então hoje é uma equipe de profissionais que dão a melhor qualidade de vida a esses pacientes’’, comenta.

Marcelo Duzzioni, contou da oportunidade que os estudantes terão, ‘‘hoje temos o pesquisador Axel Cofré, ele veio para Alagoas para trabalhar nesse laboratório, e a doutoranda Fernanda Maria de Souza Araujo, e futuramente selecionaremos alunos de graduação e pós-graduação para ajudar no desenvolvimento deste projeto. Periodicamente o grupo de pesquisa se reúne para apresentação de artigos científicos sobre ELA, uma oportunidade para os voluntários do Laif participarem das discussões’’.

Instituto

Em 2014, foi fundado o Instituto Hermerson Casado Gama, pelo médico cirurgião cardiovascular Hemerson Casado, após o mesmo ser diagnosticado com ELA, no mesmo ano. ‘‘No início, eu pensei em ensinar cardiologia, mas aquilo, não seria bom para o meu psicológico, então eu decidi fazer um trabalho de ativista e iniciei o instituto’’, disse o médico.

A organização sem fins lucrativos, sediada em Maceió, Alagoas, visa servir a população brasileira ao transmitir informações sobre doenças raras e seus tratamentos, bem como luta pelos direitos destes pacientes oferecendo orientação sobre benefícios previstos em lei.