Pesquisadores estão empenhados em encontrar respostas para desastre ambiental no NE

As equipes da Ufal estão trocando informações e percorrendo todo o litoral alagoano
Por: Lenilda Luna - jornalista - 30/10/2019 às 15h42 - Atualizado em 30/10/2019 às 16h29
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Amostra analisada no LaPro

Cerca de 15 equipes de pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estão se dedicando a monitorar e avaliar os danos causados pelo grave desastre ambiental provocado pela mancha de petróleo que atingiu a costa nordestina. Apesar dos recursos financeiros limitados, esses pesquisadores estão percorrendo o litoral, mergulhando, coletando materiais, analisando substâncias e interpretando imagens de satélite.

São cientistas de várias especialidades, como Biologia, Engenharia de Pesca, Farmácia, Biotecnologia, Engenharia de Petróleo, Química, Engenharia Sanitária, Engenharia de Materiais, Meteorologia, entre outras. As atividades estão exigindo deslocamentos e equipamentos que não estavam previstos na programação das Unidades Acadêmicas, mas o empenho em colaborar com a redução de danos tem feito os cientistas superarem obstáculos.

O professor Leonardo Oliveira, do Laboratório de Processos (LaPro) do Centro de Tecnologia, é um desses pesquisadores envolvidos na mobilização científica e acadêmica para enfrentar a crise. “Organizamos uma ação estudantil nos mutirões de limpeza, com informações sobre metodologias de remoção de óleo mais eficientes e sustentáveis. No âmbito da pesquisa, estamos colaborando na avaliação das amostras coletadas nas praias”, relata o professor.

Cláudio Sampaio, professor de Engenharia de Pesca e de Licenciatura em Ciências Biológicas da Unidade de Penedo, está acompanhando equipes de mergulho para avaliar a contaminação de corais. Ele participa ainda de ações de conscientização da região do baixo São Francisco, reunindo com pescadores e fazendo palestras em escolas públicas.

O professor Renato Gaban-Lima também está caminhando longos percursos nesse levantamento. “Percorremos o trecho de Miai de Baixo até a Foz do São Francisco, o que corresponde a cerca de 40 km de praia. Em cada ida a campo gastamos cerca de 4 horas na amostragem e algumas a mais estudando as aves das Dunas de Piaçabuçu, tudo com recursos próprios”, relata o pesquisador

Marília Goulart, pesquisadora do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Ufal, é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e, nessa condição, participou de reunião realizada nesta segunda-feira (29), em Recife, com a participação de pesquisadores, militares da Marinha, técnicos das secretarias de Estado do Meio Ambiente da maioria dos estados nordestinos. “Foram debatidas questões como a análise da origem; Impactos e monitoramento da população e ecossistemas; barreiras de contenção; recolhimento e tratamento”, destacou a cientista.

O professor Emerson Soares, que está coordenando a força-tarefa de pesquisadores da Ufal, procura acompanhar os relatos de todas as equipes e organizar as intervenções, além de realizar suas próprias coletas e análises. “Estamos fazendo o levantamento dos recursos necessários para ampliar o nosso trabalho. Esse é um acidente de proporções inéditas para a nossa região. Após esta ação emergencial, vamos buscar consolidar um programa permanente de monitoramento da nossa costa”, finaliza o pesquisador.