Conferência sobre o ambiente marítimo e Ciência e Tecnologia gera debate na SBPC

Avanços no ambiente marítimo e a importância da Ciência são discutidos por pesquisadores e alunos
Por Barbara Isis, estudante de Jornalismo
23/07/2018 15h00 - Atualizado em 25/07/2018 às 09h01
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Conferência questionou a importância de aumentar a consciência da sociedade sobre o que envolve os mares e a segurança marítima

Na manhã desta segunda-feira (23), aconteceu no Centro de interesse Comunitário (CIC), a conferência “Mar e CT&I”, apresentada pela pesquisadora do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, e debatida pelo capitão de mar e guerra, Willian de Souza Moreira.

A conferência abordou temas como a evolução da estrutura dos navios, a Ciência e a Tecnologia como influenciadoras nos avanços das embarcações e em como a modernidade impactou no ambiente marítimo, no comércio, nas comunicações, e nas políticas entre países, além de levantar questionamentos como a importância de aumentar a consciência da sociedade sobre o que envolve os mares e a segurança marítima.

Em sua fala inicial, Moreira levantou apontamentos, como a valoração acentuada do conhecimento científico e suas aplicações tecnológicas nos ambientes de terra, mar, ar, espaço e ciberespaço, e que esses novos estudos podem libertar os limites do homem com a natureza. Willian ainda mencionou sobre as linhas de inovações para equipamentos como os sistemas de propulsão, que é a tecnologia atual. Ainda seguindo o mar como palco de inovação, as comunicações transatlânticas são um exemplo disso.

“A verdadeira corrida tecnológica se desencadeou pelas comunicações. Observem de que época é o primeiro cabo submarino para comunicações, estou falando da metade do século 19. Imagina o que isso representou de alavancagem na inclinação dos estados, países, comércio e tudo mais”, salientou. Moreira ressaltou ainda que 99% das comunicações realizadas são transoceânicas feitas por cabos submarinos.

Sobre os avanços tecnológicos, o conferencista apontou que em todo o mundo aumenta a construção de parques eólicos no mar, além disso, quando se fala em perspectivas para o futuro, como a construção de navios autônomos, instalações marítimas inteligentes são a grande corrida tecnológica em busca da confiabilidade de sistemas de navegação.

Um dos últimos apontamentos abordados foi a questão dos riscos à natureza que preocupam os ambientalistas. Essas agressões são desde “águas de lastro”, que são as trocas de água de dentro do navio para garantir a segurança operacional e que acabam sendo responsáveis por uma bioinvasão, como emissões de gases, que segundo Moreira, cerca de 54 mil navios são responsáveis pela liberação de gases na atmosfera.

A estudante de doutorado em química pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Tatielle Pereira falou da importância da conferência para os avanços da pesquisa. “Achei interessante essa palestra pelo fato de abrir um leque de informações, e a gente também, de outras áreas, poder entender qual a posição que o Brasil ocupa nessas questões, se existem programas de pós- graduação, se existem grupos de pesquisa, se as tecnologias estão avançadas, se o Brasil depende 100% de outros países, e com essa conferência, pudemos perceber que o Brasil tem capacidade de autonomia tecnológica em alguns aspectos”.

A conferência pôde despertar a curiosidade de diversos alunos de graduação e ainda professores pesquisadores que participaram como ouvintes, demonstrando que o tema além de relevante, deve ser discutido para uma maior conscientização da sociedade sobre os assuntos que envolvem o ambiente marítimo e suas dimensões.