Conferência na 70ª reunião da SBPC recebe primeira mulher a relacionar Zika vírus e microcefalia

A pesquisadora é pioneira no assunto e fundou a primeira ONG brasileira que cuida especificamente de crianças com microcefalia
Por Kerolaine Costa- estudante de Jornalismo
28/07/2018 07h15 - Atualizado em 28/07/2018 às 07h27
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Médica Adriana Suely de Oliveira Melo, por Kerolaine Costa

A conferência: Zika Virus e microcefalia: da descoberta aos dias atuais, aconteceu no auditório da Famed, na Ufal e contou com a presença da médica Adriana Suely de Oliveira Melo, que foi a primeira mulher a relacionar a epidemia de microcefalia ao Zika vírus e foi honrada com alguns prêmios, como o Faz Diferença e Walter Schmidt de Medicina. A pesquisadora contou como a ideia foi desenvolvida e explicou sobre as variações da doença e suas fases.

As pesquisas começaram depois que uma criança que estava tendo o desenvolvimento normal, após a mãe ter tido o vírus Zika, apresentou uma demora maior que o desejável para desenvolver o cérebro. “O caso aconteceu em 2016, no meio das comemorações pelo fato de que o vírus não matava como a dengue, mas não se sabia que ele era ainda mais perigoso", afirmou a médica.

Mesmo com poucos recursos para manter um laboratório, Adriana Melo coletava cerca de 20 amostras diárias de gestantes expostas ao vírus. Existem variações da doença e ela pode vir de forma severa, moderada ou leve. Na forma mais agressiva, a criança apresenta hidrocefalia. “As mães ficavam felizes quando a cabeça das crianças começava a crescer, mas isso não é bom, porque o crescimento era devido ao aumento de líquido e não ao correto desenvolvimento do cérebro”, explica.

É importante que todas as gestantes passem por exames antes de nascer. o bebê A médica apresentou vídeos de alguns bebês cuidados em sua ONG, que nascem com o tamanho da cabeça considerado normal, impossibilitando um reconhecimento visual da síndrome congênita do Zika, isso significa que muitos podem ter nascido e até ido a óbito por falta de um diagnóstico médico.

Com a ajuda de uma parte da população, Adriana Melo faz parte da primeira ONG brasileira especializada em cuidado de crianças com microcefalia. A partir de alguns pacientes, foi identificado que com o acompanhamento médico adequado e fisioterapia intensiva desde o momento do nascimento é possível que a criança consiga coordenar os sentidos e vir a andar e se comunicar.