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Nova diretora quer trazer a Ufal para a Pinacoteca

Ela pretende movimentar o circuito das artes e ampliar a interação com a sociedade
16/05/2018 às 15h29
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Ivvy Quintella quer mais interação da comunidade universitária com a Pinacoteca

Simoneide Araújo - jornalista colaboradora

O mais importante museu de arte contemporânea do Estado está com nova direção. Convidada pela reitora Valéria Correia, a professora Ivvy Pessôa Quintella assume a Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas com o compromisso de manter a vivacidade desse equipamento cultural e o lugar central que ocupa em sua área de atuação, ampliar a interação com a sociedade e trazer a comunidade acadêmica para vivenciar esse ambiente.

Umas das ações da nova gestão será reabrir o terceiro salão da Pina, local que abriga exposição de longa duração com parte do acervo do museu. No próximo ano, será feita a renovação da exposição permanente. Outro projeto de Ivvy para o futuro é adquirir novas obras e realizar o sonho de a Pina receber exposições de grandes nomes da arte. “Com isso, Alagoas passaria a fazer parte do circuito nacional das artes. Por que não? Estrutura para isso nós temos”, revelou.

Instalada no Espaço Cultural, na Praça Sinimbu, a Pinacoteca tem papel central por ser um equipamento da Ufal [vinculado à Coordenação de Assuntos Culturais da Pró-reitoria de Extensão] e, do ponto de vista da arte contemporânea, tem um papel histórico e educativo-cultural. “O museu participou de todas as fases relacionadas à arte contemporânea em Alagoas, desde 1981, e tem um histórico muito forte e importante, por isso, temos de manter sua relevância, seu papel primordial, seu eixo norteador para o campo das artes visuais. Mais do que manter esse eixo, temos de ampliá-lo”, registrou Ivvy.

A diretora quer ampliar o papel social e educativo que tem o museu na sociedade, a exemplo do projeto A Escola vai à Pinacoteca, que vai ser mantido e ampliado. “No entanto, temos de ampliar o impacto da Pina em relação à própria Ufal. Poucos professores e alunos vêm conhecer e visitar. Queremos muito aumentar o envolvimento dos nossos técnicos, docentes e universitários. Vamos trazer a Ufal para dentro da Pinacoteca.

Uma das ações propostas é fazer uma divulgação mais massiva nas unidades do Campus A.C. Simões, propor parceria com professores e buscar meios para viabilizar as visitas, como por exemplo, oferecer transporte para os alunos. “Queremos que todos - de todas as áreas - conheçam e se apropriem desse espaço que é da Universidade. Não só ter o conhecimento que ele existe, mas que o vivenciem de uma forma muito mais intensa", revelou a diretora.

A Pinacoteca tem um papel educativo muito forte não só para quem faz Arquitetura, Design e as Licenciaturas. Ela também é um espaço multidisciplinar que envolve várias áreas do conhecimento. “Queremos trazer os alunos das engenharias e de outras áreas não só para eles conhecerem, mas para mostrar que também lidamos com a parte estrutural, com montagem, iluminação, acústica, logística e uma série de coisas”, completou Ivvy.

Projetos e sonhos

Além do trabalho educativo com as escolas, Ivvy pretende desenvolver projetos voltados para os artistas locais. “Vamos oferecer cursos de capacitação para orientar os artistas na montagem de projetos artísticos e portfólio, por exemplo. Queremos também dar apoio, no sentido de criarmos uma espécie de curadoria itinerante pelos ateliês, trabalhar uma linha editorial com cada um dos artistas, como uma espécie de ‘coaching dos artistas’. Tem gente que faz um trabalho muito legal e está precisando apenas de apoio e orientação”, anunciou.

Em termos de sociedade civil, além da questão educativa com escolas e centros sociais, Ivvy tem vários projetos e alguns sonhos. “Uma das primeiras propostas que falei para o Ricardo [Cabús, coordenador de Assuntos Culturais] é que queria melhorar a estrutura da Pinacoteca para que também seja um ponto de encontro aqui no Centro da cidade. Minha proposta é abrir um café, um lugar acolhedor, onde as pessoas possam bater um bom papo, fazer reuniões, adquirir poster do artista ou um catálogo das exposições”, disse.

Segundo Ivvy, seria o ‘Café da Pina’, para ter essa pegada artística e despertar o interesse das pessoas de visitarem a Pinacoteca numa sexta ou sábado à tarde. A ideia é oferecer um ambiente o mais agradável possível. Ivvy lembra que, em breve, a Ufal vai entregar o auditório Guedes de Miranda reformado, que também fica no Espaço Cultural. “Então, quem vier para as apresentações pode também visitar nossas exposições e tomar um café antes do evento. Isso pode trazer mais vida para esses locais”, revelou.

Mudanças na estrutura

Na área da museologia, criada bem mais recente, Ivvy propõe a reformulação da reserva técnica, onde é guardado o acervo do museu. “Queremos colocar em um local mais adequado para melhorar a logística do setor”, anunciou.

Como a Pina funciona no primeiro andar do Espaço Cultural e fica em frente ao auditório Guedes de Miranda, Ivvy quer melhorar a acessibilidade e o ambiente que leva aos dois ambientes. “Já solicitamos a reforma da escada e melhora da iluminação. Meu papel, enquanto arquiteta, é trazer essa visão mais estrutural. Sou muito da ação, assim como o professor Ricardo. Sabemos das dificuldades financeiras, mas a gestão da Ufal está bem simpática a essa ideia que apresentamos”, destacou.

Quem é Ivvy Quintela

Ivvy Pessôa Quintella é professora do Centro de Tecnologia (Ctec) da Ufal. Tem graduação e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade e doutorado, também nessa área, na federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.

Sua ligação com a Pinacoteca vem desde a época de estudante. Ela foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação científica (Pibic), com pesquisa sobre arte contemporânea em Alagoas, coordenada pela professora, curadora e crítica de arte Célia Campos. “Nessa época a gente já vinha muito para Pina. Nós íamos a todas as vernissages e fazíamos as críticas das exposições, tínhamos contato com os artistas, escrevíamos artigos para jornais, enfim, a Pina foi o eixo estruturante da pesquisa, por ser o equipamento de arte contemporânea mais importante do Estado”, revelou Ivvy.

Depois, já como professora, ensinou disciplinas de História da arte, de teoria e de estética. E a relação com a Pinacoteca só aumentou. Nesse período, Ivvy fez parte do Conselho Curatorial [hoje extinto], como representante docente. Após retornar de seu doutorado, passou a fazer parte da Comissão de Pauta do museu, até assumir como diretora, no final do último mês abril.