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Umidade do solo no Semiárido brasileiro é monitorada pelo Lapis

Monitoramento por satélite é mais um produto lançado pelo laboratório da Ufal
27/04/2018 às 09h28 - Atualizado em 02/05/2018 às 12h28
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Imagem fornecida por satélite

Ascom Ufal

O planejamento agrícola, em qualquer região, depende do monitoramento da umidade do solo que será utilizado. Nas últimas décadas, muitos estudos são realizados para desenvolver técnicas de sensoriamento remoto para caracterizar a variabilidade espacial e temporal da umidade em grandes áreas. O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis/Ufal) lançou novas ferramentas que auxiliam nas práticas agrícolas com alta precisão.

De acordo com o professor Humberto Barbosa, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Icat) e coordenador do Lapis, um dos fatores que limitam a produtividade no Semiárido brasileiro, é a disponibilidade de água no solo. “Em alguns anos, o suprimento de água às plantas é suficiente para atingir altas produtividades, enquanto, em outros, pode levar à perda total das colheitas”, ressalta.

O professor explica que a determinação da umidade do solo consiste de uma variável fundamental para o crescimento das plantas e para a produtividade agrícola, principalmente em condições de seca, fenômeno regional que afeta a segurança alimentar, mais do que qualquer outro desastre natural. Mas, Humberto acredita que as quantidades de redes de informações para o monitoramento da umidade do solo in situ no Brasil ainda não são suficientes, devido a extensão geográfica do país.

Nesse contexto, o Lapis disponibiliza em sua plataforma SimaCaatinga um produto de monitoramento da umidade do solo no Semiárido, do satélite SMOS (Soil Moisture Ocean Salinity). Lançado em 2009 e operado pela Agência Espacial Europeia, o satélite foi projetado para fazer medições coincidentes de emissão de superfície e retroespalhamento, com capacidade de perceber as condições do solo por meio da cobertura de vegetação moderada.

“O SMOS fornece observações da umidade superficial do solo [0-5 cm de profundidade], com resolução espacial de aproximadamente 5 km e cobertura global no prazo de três dias no Equador e dois dias em latitudes boreais. O produto reporta a estimativa do teor de umidade do solo com precisão de 0.04 m3/m3”, destaca Humberto.

Este é um dos primeiros satélites lançados com objetivo principal de medir o teor de água presente nos 5 cm superficiais no solo, o que é feito por meio da medição de energia emitida pela superfície na faixa de microondas. O professor explica que a emissão da superfície é influenciada pela presença de água no solo, que altera suas propriedades dielétricas.

“Essas novas ferramentas de suporte à tomada de decisão irão auxiliar no planejamento de novas práticas agrícolas, contribuindo para a superação de problemas ocasionados por eventos climáticos extremos como secas, estiagens e também chuvas intensas. Deve-se ressaltar que eventos pluviométricos intensos e prolongados constituem-se em um fator com potencial de desencadear processos de deslizamentos de terras e intensificação dos processos erosivos.  Assim sendo, tais impactos exigem diferentes tipos de avaliação, novas tecnologias de monitoramento e avanços tecnológicos no tratamento e gestão das águas para, consequentemente, melhorar as estimativas da umidade do solo”, conclui Barbosa.

Para mais informações, leia o artigo Evaluation of the SMOS-Derived Soil Water Deficit Index as Agricultural Drought Index in Northeast of Brazil.