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Artigo ressalta papel dos camponeses na agrobiodiversidade

A pesquisa mostra que eles preservam um dos maiores patrimônios da humanidade: as sementes crioulas
06/03/2018 às 09h17 - Atualizado em 07/03/2018 às 15h00
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Foto: Arquivo pesquisadores em trabalho de campo, Distrito de Piau, Piranhas/AL

Letícia Sant’Ana - estagiária de Jornalismo

No Semiárido de Alagoas os camponeses estabelecem uma relação comunitária, baseada na preservação e troca de sementes crioulas, por meio dos Bancos Comunitários de Sementes. 

De acordo o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), estes produtos são passados de geração em geração e preservadas nos muitos bancos de sementes que existem no Brasil.

Em meio a uma economia mundializada, formada pela atuação de grandes corporações empresariais, o papel desempenhado pelos camponeses é de grande relevância, materializando uma resistência territorial, alicerçada na autonomia de cultivo, na segurança alimentar e na agrobiodiversidade.

Foi a partir dessa relação comunitária que o professor do curso de Geografia, Lucas Lima, e o estudante Flávio dos Santos, ambos do Campus do Sertão, produziram o artigo intitulado No Semiárido de Alagoas, a resistência germina na terra: a luta territorial em defesa das sementes crioulas, publicado na Revista do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma (Nera/Unesp).

A pesquisa faz parte das investigações elaboradas pelo Observatório de Estudos da Luta por Terra e Território (Obelutte/Gepar/Ufal) e os resultados apontaram que os camponeses do Semiárido de Alagoas preservam um dos maiores patrimônios da humanidade: as sementes crioulas. Elas integram a cultura comunitária, são mais resistentes às condições referentes ao clima, relevo e tipo de solo encontradas no Semiárido e não passaram por alteração genética em laboratório.  

Apesar da conquista da Lei Estadual 6.903/2008, que preconiza o apoio ao fortalecimento dos Bancos Comunitários de Sementes, o Governo de Alagoas adquire sementes de empresas para distribuição no Semiárido. Segundo os pesquisadores, os gastos com a aquisição desses produtos comprados de empresas dentro e fora do Estado, no período de 2008 a 2016, foram de aproximadamente R$ 80 milhões. Enquanto isso, não houve investimento para compra e distribuição de sementes crioulas, conforme prevê a Lei.

O trabalho aponta que a ausência de apoio aos Bancos Comunitários de Sementes tem resultado em avanço dos cultivos transgênicos no Semiárido de Alagoas, especialmente, do milho, e, por sua vez, contaminado algumas propriedades camponesas onde existem cultivos oriundos de sementes crioulas.

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