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Profissionais se reúnem para falar sobre saúde mental de crianças e adolescentes

Projeto de pesquisa internacional envolve professores da Ufal com recursos britânicos e do Governo do Estado
Por: Naísia Xavier - jornalista colaboradora - 05/12/2018 às 10h54 - Atualizado em 05/12/2018 às 10h55
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Pesquisadores e gestores em saúde mental, reunidos na Famed Ufal

Cerca de 30 pesquisadores brasileiros e britânicos uniram esforços em um projeto de pesquisa cujo objetivo principal é estimar o impacto econômico das desordens psiquiátricas em crianças e adolescentes no Brasil. O projeto é uma parceria entre a London School of Economics (LSE), a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), com financiamento do Medical Research Council, da Fapeal (AL) e Fundect (MS).

O edital que contemplou o projeto foi lançado pelo Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e pelo Newton Fund (Fundo Newton), uma iniciativa do governo britânico que visa promover o desenvolvimento social e econômico dos países parceiros, por meio de pesquisa, ciência e da tecnologia. A iniciativa foi planejada para 36 meses, com orçamento R$1,4 milhão, dos quais aproximadamente R$100 mil são recursos da Fapeal. 

Entre as condições avaliadas estão transtornos de ansiedade, depressão, esquizofrenia, distúrbios alimentares, estresse pós traumático, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos de personalidade, tais como dos tipos paranoide, antissocial, borderline, histriônica ou narcisista; transtornos relacionados ao uso de substâncias, como drogas ilícitas, álcool, medicamentos ou cigarros, por exemplo. Ainda são incluídos nos estudos o transtorno do neurodesenvolvimento, como deficiências intelectuais; transtornos da comunicação, autismo, déficit de atenção e hiperatividade ou alterações dos movimentos; disforia de gênero; transtornos disruptivos do controle de impulsos e da conduta, como cleptomania, entre outros, além das vulnerabilidades emocionais resultantes de abusos físicos e psicológicos.

 “O interessante do nosso projeto é que estamos pensando nos impactos de longa duração da saúde mental das crianças e adolescentes, porque isso afeta seu sucesso na educação e depois no emprego e depois, também, a saúde física”, explica a psiquiatra britânica Sarah Evans-Lacko, PhD, coordenadora-geral do projeto e pesquisadora da LSE, especialista no papel dos serviços de saúde e apoio social na prevenção e tratamento de doenças mentais.

O título original em inglês do programa pode ser traduzido como Incrementando a capacidade do sistema de saúde brasileiro para dar apoio à saúde mental de crianças e adolescentes. O psiquiatra Cláudio Miranda, coordenador brasileiro das pesquisas, observa que o intuito é envolver “o sistema de cuidado como um todo, não só o SUS, mas também a parte de educação, justiça, conselhos tutelares, e estudar a integração de quem cuida de criança e adolescente sob a perspectiva da saúde mental”. 

“Estamos numa etapa de verificar quais são intervenções mais eficazes, para criar ferramentas para quem está planejando saúde mental e para quem está praticando e exercendo a função de tratar de saúde mental”, explica o pesquisador, que de 1999 a 2005 foi assessor regional em Saúde Mental na Organização Pan Americana da Saúde (Opas), em Washington DC, nos Estados Unidos. Neste cargo, entre outras atividades, assessorou governos de países do continente na área de saúde mental e coordenou estudos multicêntricos sobre a saúde mental na infância em diversos países, em colaboração com as universidades americanas de Columbia e Harvard.

Evento e Instituições

Alagoas foi escolhido como sede do primeiro encontro presencial do grupo multidisciplinar, que se reúne mensalmente por Skype desde abril. Os dois primeiros dias, entre 21 e 23 de novembro, foram dedicados a reuniões de trabalho e capacitação da equipe multidisciplinar de pesquisa em saúde, que também envolve alunos de mestrado e doutorado, na sede da Faculdade de Medicina da Ufal.

No dia 23, foi promovido um workshop com pesquisadores e gestores de saúde pública, envolvendo aproximadamente 30 pessoas de sete estados do Brasil, incluindo dois dos quatro pesquisadores da Inglaterra, numa interação que envolveu professionais de psiquiatria, psicologia, enfermagem, farmácia, assistência social e nutrição e técnicos da gestão pública de diversos municípios brasileiros e da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).

O psiquiatra brasileiro e pesquisador da LSE, Wagner Ribeiro, que atua como articulador internacional e coordenador executivo do grupo, facilitou as atividades do dia, focadas em “criar estratégias que estejam diretamente relacionadas com melhorar a capacidade do sistema público de saúde para atender a saúde mental, mas também melhorar a capacidade do sistema público de saúde de se integrar com os outros sistemas, como o educativo e o judiciário”, explica o especialista em determinantes sociais dos transtornos mentais, serviços de saúde mental e políticas públicas de saúde mental.

Participaram das atividades representantes das seguintes instituições: Coordenação Técnica do Serviço de Saúde Mental do município de São Paulo; Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Universidade Federal de São Paulo; Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Universidade Estadual de Londrina (PR); Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (MS); Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau); Secretaria Municipal de Saúde de Maceió; Secretaria Municipal de Assistência Social de Maceió; Secretaria Municipal de Educação de Maceió; Conselho Tutelar da 5ª Região (responsável pelos bairros de Jacintinho e Feitosa); os Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps AD) e Infanto Juvenil (Capsi) de Maceió e do curso de Medicina do Centro Universitário Tiradentes (Unit). Também estiveram presentes profissionais em saúde de Porto Alegre (RS) e do estado do Amazonas.