Pesquisa registra novo gênero e espécie de microparasita da carapeba

Estudo é realizado no Laboratório de Aquicultura(Laqua) instalado no Centro de Ciências Agrárias (Ceca) da Ufal
Por: Diana Monteiro - jornalista - 07/12/2018 às 07h40 - Atualizado em 10/12/2018 às 14h46
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Eugerres brasilianus carapeba. Foto: Acervo pessoal

A carapeba é um dos peixes costeiros mais apreciados no Nordeste e em Alagoas, tem boa qualidade proteica e índice baixo de gordura.  É um dos peixes entre as seis espécies mais capturadas no litoral sul e Foz do São Francisco, entretanto, informações sobre a espécie ainda são incipientes pela falta de estudos aprofundados relacionados ao seu cultivo e modelo reprodutivo. 

Diante dessa realidade, um grupo de pesquisadores do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) da Universidade Federal de Alagoas iniciou em 2012 ampla pesquisa com foco na espécie que contempla a biologia reprodutiva em ambiente natural, reprodução em cativeiro, cultivo e microparasitas que infectam a carapeba. A mais recente descoberta dos pesquisadores trata do microparasita Alagoaspara eugerres que, de acordo com o pesquisador Emerson Soares, é o primeiro registro mundial desse novo gênero da espécie. 

“No Brasil existem poucos grupos de pesquisa com a carapeba e o da Ufal consiste em um dos mais avançados na área de microparasita. Sua descoberta servirá para entendermos se este causa danos ao animal e às pessoas que se alimentam do peixe parasitado. Ademais, é um novo gênero descoberto e desconhecido para ciência”, afirma Emerson, coordenador do Laqua, onde o estudo científico está em desenvolvimento.   

A pesquisa foi dividida em etapas, e de 2012 a 2013 tratou sobre a identificação da dieta natural da espécie e a biologia reprodutiva. Há cinco anos vêm sendo realizados estudos sobre reprodução em cativeiro, manutenção de reprodutores em cativeiro, elaboração de uma dieta artificial para a espécie e identificação de parasitas e microparasitas. 

Com o avanço da pesquisa Emerson aproveita para reforçar: “A nova descoberta abre um leque porque é o primeiro registro da espécie no mundo e toda uma gama de informações serão necessárias para compreender aspectos deste novo gênero. Novas descobertas virão a partir deste nosso trabalho”. 

O pesquisador explica que a denominação do microparasita de Alagoas eugerres é em homenagem ao Estado e todas as espécies novas encontradas deste gênero receberão este nome mundialmente. Soares aproveitou para informar que no começo de 2019 o novo gênero e a espécie de microparasita descoberto serão publicados na revista Parasitology Research, da Suiça, editada pela Springer Nature. 

Ciclo reprodutivo e parceria 

Espécie cientificamente denominada de Eugerres brasilianus o ciclo reprodutivo da carapeba tem relação com o clima e com a qualidade do ecossistema. Segundo Emerson, na falta ou escassez de chuva, a reprodução do peixe é prejudicada. Ela frequenta o mar, o estuário e a água doce e, devido à essa interação, o cuidado com a poluição em qualquer destes ambientes influenciam na sua reprodução, principalmente nas áreas de mangue. 

“A espécie entra na água doce para se proteger e viver parte de seu ciclo de vida. Vai ao estuário para se alimentar e para a reprodução. O peixe frequenta a área costeira marinha, também, para se alimentar e reproduzir, e retorna à água doce para viver o seu resto de ciclo de vida. Por isso, é chamado de peixe diádromo, por viver nestes ambientes”, explica o pesquisador. 

O estudo científico conta com a parceria do Centro Abel Salazar, da Universidade do Porto e do Laboratório de Microscopia, sob coordenação do professor Gildemberg Amorim. Conta com a participação dos seguintes pesquisadores: Emerson Soares (coordenação da biologia reprodutiva e manutenção de reprodutores); Themis Silva, Renato Nascimento e Carlos Azevedo (coordenação de microparasitas); e Elton Santos (coordenação de aspectos nutricionais).