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Sistema desenvolvido na Ufal auxilia crianças à espera de transplante cardíaco

O professor Thiago Cordeiro foi responsável pela criação de um sistema de controle fisiológico para corações artificiais do tipo pulsátil em parceria com Incor
Por: Pedro Ivon – estagiário de Jornalismo - 05/10/2018 às 11h21
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Grupo de pesquisa que colaborou com o sistema

O transplante cardíaco ainda permanece como a melhor solução para quem sofre de doenças cardíacas crônicas. Para pacientes pediátricos a realidade não é diferente. Dispositivos de assistência ventricular (DAVs), também chamados de corações artificiais, vêm sendo frequentemente utilizados para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas que se encontram na fila de transplante cardíaco, à espera de um doador.

Com o objetivo de melhorar a condição do paciente sob o suporte desses dispositivos e de diminuir a taxa de mortalidade, o professor Thiago Cordeiro, do Instituto de Computação (IC) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador do curso de Engenharia da Computação, desenvolveu um sistema de controle fisiológico que foi utilizado com sucesso para esses dispositivos com base em modelos matemáticos.

O conceito inicial da pesquisa, envolvendo corações artificiais, foi desenvolvido no mestrado do professor Thiago, na Universidade Federal do Pará (UFPA), mas somente após a parceria com o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor) foi possível aprofundar os conceitos já presentes. A relação com o Incor começou quando o professor Antônio Marcus, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), orientador da tese de doutorado, encontrou com a professora Idágene Cestari, também orientadora do trabalho e diretora da Divisão de Bioengenharia do Instituto do Coração. “Durante uma conversa sem nenhuma pretensão, descobriram que estavam desenvolvendo pesquisas com o mesmo objetivo”, afirmou Thiago. A parceria se deu de forma imediata, sendo direcionada para a modelagem e simulação dos dispositivos já desenvolvidos no instituto.

Equipamentos pulsáteis já são utilizados pelo Incor em adultos há décadas, mas, segundo Cordeiro  é a primeira vez que um sistema de controle fisiológico em malha fechada foi proposto. Ele explica que a ideia agora é que o dispositivo funcione em sincronia com o batimento cardíaco do paciente. “Esses dispositivos são aplicados como uma ponte para o transplante. Eles entram em ação quando a condição ventricular da criança está muito debilitada e o transplante se faz necessário imediatamente. Devido a essa situação clínica, um DAV é utilizado para aumentar o tempo de vida dessa criança até que um doador compatível esteja disponível”, esclareceu.

Atualmente o Incor continua a pesquisa em outras áreas do dispositivo, como no desenvolvimento das válvulas cardíacas e no material utilizado. Por enquanto, testes em nível de simulação numérica são realizados, tendo como próximo passo a aplicação dessa simulação em experimentos in vitro, utilizando simuladores hidráulicos do sistema cardiovascular desenvolvidos no próprio Incor. Após a obtenção dos resultados, os pesquisadores esperam realizar os primeiros testes em animais.

Segundo o docente, o objetivo é que o sistema prolongue a vida do paciente por alguns dias, mas para alguém que está chegando a óbito, a eficácia da pesquisa é uma vitória e uma esperança a mais.