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Simpósio de Aquicultura e Ecotoxicologia debate cultivo sustentável de espécies

Além de palestras, evento ofertou aos participantes minicursos nas citadas áreas que apresentam avançados estudos
Por: Diana Monteiro - jornalista - 30/10/2018 às 15h05 - Atualizado em 30/10/2018 às 15h02
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Coordenador do simpósio Emerson Soares com Lília Pereira e Anivaldo Miranda, palestrantes (Fotos: Diana Monteiro)

Os variados temas voltados ao cultivo de diferentes espécies pautaram o 2º Simpósio de Aquicultura Sustentável e Ecotoxicologia Aquática (SASEAqua) encerrado no final da manhã desta terça-feira (30) no auditório do LCCV (Laboratório de Computação Científica e Visualização), no Campus A. C. Simões. O evento mobilizou nas palestras e minicursos representantes da comunidade acadêmica dos cursos de Zootecnia e Engenharia de Pesca, da Universidade Federal de Alagoas e do curso de Técnico Agrícola, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Campus Satuba, além de representantes de outras instituições de ensino superior do país.

A abertura na tarde de segunda-feira (29), contou com a participação de Anivaldo Miranda, presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco ( CBHSF), que contextualizou a gestão dos recursos hídricos no Brasil e citou o trabalho ampliado realizado pelo Comitê nessa área. Focando no tema “O Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco e o Semiáriado: desafios econômicos e sociais, Anivaldo aproveitou para destacar a importância da parceria da academia na árdua luta da gestão de recursos hídricos no Brasil.

A terra é um ecossistema vivo. Toda vez que formos encarar o meio ambiente, temos que ter consciência que somos dependentes desse ecossistema. Temos que ter a percepção de que somos 70% água e água é a mãe da vida. O que é difícil na convivência humana é a mudança de comportamento e temos muito pouco tempo para essa mudança para encontrar um modo harmonioso para convivência no planeta Terra", frisou Anivaldo, ao chamar a atenção para a desafiante situação em curso.

Ao destacar a Bacia do São Francisco e o trabalho desenvolvido pelo Comitê ele citou a mata atlântica, a caatinga e o cerrado, como os três biomas que estão na citada bacia, que ocupa uma área de 639 km2, percorre 2.866 km até desembocar no Atlântico e corta em todo esse percurso 505 municípios ribeirinhos, da nascente, em Minas Gerais, até a foz, em Alagoas/Sergipe. “O cerrado é a caixa d'água do Brasil e assim como a caatinga e a mata atlântica, sofre devastação contínua. O coração pulsante do Rio São Francisco está no Aquífero Urucuia (águas subterrâneas), localizado no Sudoeste da Bahia”, frisou Anivaldo ao citar a existência do uso sem controle da água. Acrescentou que dois milhões de pessoas dependem da qualidade das águas de Xingó.

Ele informou que no Plano de Recursos da Bacia do São Francisco propõe três pactos: O Pacto de Legalidade, o Pacto da Revitalização e o Pacto das Águas. Voltou a afirmar a importância da parceria da academia no desafiante trabalho de gestão de recursos hídricos do Brasil e aproveitou para agradecer o convite recebido para participar do importante simpósio promovido pela Ufal.

Palestra científica

O primeiro dia do evento também contou com a participação da professora Lílian Pereira Souza Santos, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que discorreu sobre o estudo que desenvolve no Laboratório de Cultivo e Ecotoxicologia (Lace), daquela instituição. Não oportunidade ela fez palestra sobre a pesquisa denominada de O copepoda Tisbe biminiensis: um novo organismo-teste em ecotoxicologia marinha.

A pesquisadora aproveitou para levar ao conhecimento dos participantes os demais projetos em desenvolvimento no Laboratório Lace, da UFPE voltados à área específica de estudo: Larvicidas naturais e sintéticos; Extratos de macroalgas bentônicas; Sedimentos em possíveis estações controles; Efeito de hipoxia e amônia; Microplásticos (futuro); e Monitoramento em Suape usando os náuplios para água e sedimento (PQS) e Estaleiros).

No segundo e último dia (30), do simpósio foram abordados os seguintes temas: Ecotoxicologia e o uso de biomarcadores biliares, bioquímicos e comportamentais em peixes sentinela de estuários equatoriais, com o pesquisador Paulo Carvalho, da UFPE;Tecnologia de Bioflocos: um Modelo de Produção Sustentável, com o professor William Bauer, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande do Sul; e Larvicultura de atum (Thunnus thynnus) e dorada (Sparus aurata) em sistema de água verde e renovação parcial, com Carlos Alberto Silva, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Tabuleiros Costeiros e professor Associado 1 do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco.

Estudos avançados

O professor Emerson Soares, que integra a comissão organizadora e coordena na Ufal o Laboratório de Aquicultura (Laqua), instalado no Centro de Ciências Agrárias (Ceca) destacou que Alagoas é conhecido como o Estado das Águas, apresentando grande potencial para aquicultura e pesca, graças à disponibilidade de recursos hídricos e variabilidade de espécies aquícolas. No entanto, segundo o pesquisador, cada ano os recursos pesqueiros estão depreciando e como alternativa para a recuperação dos estoques pesqueiros é o surgimento da aquicultura.

O cultivo de organismos aquáticos precisa ser realizado de forma racional, para que perdurem os estoques hídricos, que é o ponto chave para o cultivo tanto de peixes quanto de camarão. Pensando nisso, cada vez mais as pesquisas têm buscando soluções para cultivo sustentável de diferentes espécies. Um deles seria os cultivos multitróficos onde maximiza a produção podendo consorciar espécies vegetais com aquícolas (aquaponia) ou sistema bioflocos. Em ambos os sistemas apresentam as vantagens de produzir mais de uma espécie no mesmo ciclo de produção, reutilização da água do cultivo e a sua produção pode ser feita em menores áreas comparadas ao sistema de produção convencional.

Emerson destaca que o Estado apresenta três grandes multiplicadores e disseminadores de informações aquícola, que são o curso de Zootecnia localizado no Centro de Ciências Agrárias, o de Engenharia de Pesca na Unidade Penedo (ambos da Ufal) e o Curso de Técnico Agrícola, no Instituto Federal de Alagoas (Ifal) Campus Satuba.

No ano passado foi realizado o primeiro simpósio de aquicultura sustentável e ecotoxicologia aquática de Alagoas e para dar continuidade aos debates, realizamos a segunda edição do evento, que se propõe divulgar, discutir e disseminar sobre temática de cultivo sustentável de organismos aquáticos e ecotoxicologia aquática, de forma a torná-lo importante no calendário do Estado e congregar profissionais em linhas de produção mais sustentáveis e com rastreabilidade e segurança alimentar”, frisou. Os professores Misleni Ricarte, Elton Santos, Renato Nunes e Vivian Vasconcelos, também participaram da comissão organizadora do evento.