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Programação diversificada marca 19º Seminário de Pesquisa e Enfermagem

Reitora participou de roda de conversa sobre os 30 anos do SUS
Por: Diana Monteiro - jornalista - 05/10/2018 às 09h35 - Atualizado em 05/10/2018 às 09h40
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Valéria Correia deu sua contribuição numa roda de conversa sobre o SUS

Seminário, rodas de conversa, minicursos, apresentação de trabalhos de pesquisa e extensão e atividades culturais pautaram a 19ª edição do Seminário de Pesquisa e Enfermagem (Semafen) da Universidade Federal de Alagoas. O evento foi promovido por alunos do 8º período do curso e aberto na última quarta-feira (3) com o tema Diversidade Cultural e políticas afirmativas, abordado pela diretora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), Lígia dos Santos Ferreira.

“O seminário ocorre ininterruptamente há 19 anos e objetiva divulgar a produção científica do curso de Enfermagem e dos projetos de extensão em desenvolvimento, oportunizando também a apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), pelos alunos do 10º período”, afirmou a professora e coordenadora do evento, Laís Miranda, ao destacar a apresentação de 97 trabalhos, além dos TCCs. As professoras Roberta Sarpelão, Carolina Vieira e Fernanda Monteiro, da Esenfar também participaram da organização do Semafen.

Em torno da temática central Diversidade Cultural: implicações para o processo de cuidar em Enfermagem, a comunidade universitária e convidados participaram da programação com temas relacionados ao cuidado nas redes de saúde pública sobre a violência contra as mulheres; aos povos e comunidades tradicionais; territórios, resistências e o direito à cidade; e violência de gênero na assistência ao parto, envolveram a comunidade acadêmica, convidados e participantes no debate.

A reitora Valéria Correira, na tarde da quinta-feira (4) participou da roda de conversa intitulada 30 anos do SUS: conquistas, desafios e perspectivas, coordenada pela professora Lenira Wanderley, da Esenfar. Na oportunidade, Valéria destacou a luta empreendida nessas três décadas para consolidar a saúde pública no país e aproveitou para tecer críticas à falta de investimento e ao risco de privatização afirmando que saúde não é mercadoria.

“Pensar o SUS é pensar a realidade que ele nasce e como nasce, mas, mesmo com avanços não está ainda plenamente consolidado. As mudanças propostas nessa área que vem se desenhando desde a década de 80, são muito preocupantes”, disse Valéria ao fazer uma breve retrospectiva sobre a situação. Ela aproveitou para destacar a luta e mobilização social iniciadas no final na década de 70, a Reforma Sanitária no país e a Emenda Constitucional nº 95, já aprovada no Congresso Nacional. “Estudos apontam que a emenda representa um verdadeiro desmonte não só do SUS , mas da saúde pública do Brasi”, afirmou.

Valéria informou que uma pesquisa realizada em 2015 constatou que 71% dos recursos eram destinados à saúde privada, ficando o restante (29%), para a saúde pública. “Mesmo com obstáculos, o SUS cresceu em serviços como o PSF [Programa Saúde da Família], que cobre 84% da população brasileira e chega a lugares inimagináveis. Somos referência no tratamento de câncer, Aids e mundialmente na cobertura de vacinação”, frisou Valéria sobre a positividade do SUS e da necessidade da revogação da emenda constitucional para não comprometer ainda mais as ações na área.