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Icat realiza 1º Seminário de Conservação da Caatinga

Evento está com inscrições abertas e transcorrerá nos dias 14 e 15 de novembro
17/10/2017 às 07h27 - Atualizado em 18/10/2017 às 12h29
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O professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis destaca que o seminário contará com a participação de palestrantes nacionais e internacionais

Diana Monteiro - jornalista

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas promove nos dias 14 e 15 de novembro o 1º Seminário de Conservação da Caatinga frente às secas, à desertificação e às mudanças climáticas. O evento tem como objetivo promover o intercâmbio acadêmico-científico de alunos da graduação e pós-graduação com pesquisadores oriundos das Geociências e Ciências Ambientais. Também oportunizará a ampliação do debate interdisciplinar e interinstitucional, na perspectiva de fortalecer a cooperação para ações de monitoramento ambiental, visando subsidiar a identificação de áreas prioritárias para a conservação da caatinga, baseada num conjunto abrangente de critérios de vulnerabilidade climática e ecológica.

O professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis destaca que o seminário contará com a participação de palestrantes nacionais e internacionais para debater os seguintes temas definidos: Vulnerabilidade climática; Vulnerabilidade ecológica; Vulnerabilidade à desertificação; e Vulnerabilidade agrícola. “O debate centrado nessas quatro temáticas buscará fortalecer a cooperação entre entidades nacionais e internacionais, visando implantar e consolidar um programa de referência em pesquisas, metodologias, monitoramento, capacitação e subsídio a políticas públicas nas áreas de desmatamento, secas e desertificação da Caatinga”, reforçou.

O seminário tem como público-alvo a comunidade científica e acadêmica; estudantes; profissionais ligados à Inovação;Imprensa; grandes e médios produtores rurais; Cooperativas; Institutos de Pesquisa agropecuária; organizações não governamentais (ONG’s); e Poderes Executivo e Legislativo. “Os resultados de cada um dos quatro temas principais do seminário irão contribuir com propostas para a consolidação de um modelo de pesquisa interdisciplinar/transdisciplinar para mitigação dos impactos das mudanças climáticas, da seca e combater o avanço do desmatamento e da desertificação na Caatinga.”, frisou o professor Humberto, coordenador do Lapis.

Mais informações sobre o o seminário e inscrições aqui ou no Facebook.

Programa

Segundo Humberto Barbosa, as mudanças ambientais e climáticas projetadas para futuro próximo acarretam diversos prejuízos sociais e econômicos para a população. Esse fato se torna grave se consideradas as desigualdades sociais que caracterizam a região semiárida brasileira. “Nesse sentido, é importante que o Brasil apresente, no cenário internacional, um amplo programa nacional que busque uma melhor compreensão dessas alterações ambientais e promova estratégias de prevenção e mitigação dos efeitos desse processo”, diz.

Destaca que em nível local os municípios localizados na área de abrangência da Caatinga podem potencializar as ações de proteção ao bioma, de aproveitamento sustentável do seu potencial e de recuperação de áreas degradadas. Para tanto, por meio de um esforço de articulação, o Laboratório Lapis disponibiliza informações de satélite sobre a situação do uso e ocupação do solo de cada município, com foco na cobertura vegetal e no mapeamento das áreas suscetíveis ao processo de desertificação. “A Caatinga, pela sua importância biológica, genética, social e econômica, necessita de uma iniciativa semelhante, visando propiciar a elaboração de políticas de conservação a esse bioma exclusivamente brasileiro, afirma o pesquisador

Por meio de cooperação com a EUMETSAT o laboratório Lapis da Ufal tem um programa em desenvolvimento. A EUMETSAT é uma organização intergovernamental criada por meio de uma convenção internacional formada atualmente por um total de 30 Estados membros europeus: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária Croácia, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália , Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça e Turquia.

As atividades da EUMETSAT contribui para formar um sistema mundial de satélite meteorológico de observação a navegação espacial coordenado com outras nações. O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da instituição alagoana atua junto junto ao Instituto de Ciências Atmosféricas da UFAL e adota uma perspectiva multidisciplinar e transdisciplinar na formação de recursos humanos na área de meteorologia, sensoriamento remoto e meio ambiente, por meio de bolsistas de graduação, pós-graduação (mestrado e doutorado) e pós-doutorado sintonizados com as demandas sociais, dando grande ênfase na emergente questão de monitoramento ambiental do bioma Caatinga.

Impactos

Humberto Barbosa diz que diferenciar setorialmente os impactos observador e conseguir mapear a complexa rede de relações causa-efeito - diretas e indiretas, em escalas espaciais e horizontes temporais diferentes – que levam a esses impactos, não é tarefa trivial e imediata. “Por exemplo, num contexto urbano existem fatores físicos, institucionais e socioeconômicos intrínsecos ao sistema, tais como nível de pobreza, inadequação do domicílio, falta de infraestruturas, ocupação ilegal do solo, entre outros, que trazem por si só uma situação de risco, independentemente do fator climático”, enfatiza

O pesquisador acrescenta que as mudanças ambientais vão com muita probabilidade agravar as vulnerabilidades existentes, deixando as comunidades e sistemas ainda mais expostos a riscos de perdas e danos. “O programa em atividade contribui regionalmente para o rápido crescimento do conhecimento acumulado sobre mudanças climáticas, seca e conservação no muito importante e singular bioma brasileiro da Caatinga. A abordagem tem um potencial enorme para melhorar o planejamento da conservação baseado no conhecimento cientifico e fortalecer a formulação de políticas.”, afirma Humberto.