Ufal oferta melhor curso de Ciência da Computação do Nordeste

Empenho de professores e alunos deram à graduação a melhor avaliação do MEC na região e a colocação entre os seis melhores do país
13/01/2016 às 16h48 - Atualizado em 13/01/2016 às 17h38
context/imageCaption

Baldoino Fonseca ressalta que integração entre alunos e professores foi essencial para conseguir conceito máximo para o curso

Jhonathan Pino – jornalista

Quando receberam o resultado do Conceito Preliminar de Curso (CPC), em dezembro passado, professores e alunos de Ciência da Computação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) sabiam que a nota 5, dada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), viria apenas confirmar a qualidade do curso. O percentual de 95% de seus docentes com dedicação exclusiva, o desempenho dos discentes e a infraestrutura em expansão foram fatores que colaboraram para que ele se tornasse a única graduação do Estado a receber o conceito máximo do Ministério da Educação (MEC), como também um dos seis melhores avaliados no país.

O curso da Ufal está ao lado de cursos de Ciência da Computação das universidades federais de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, de Juiz de Fora (UFJF) e do Amazonas (UFAM), em Manaus, além das universidades do Oeste Paulista, em Presidente Prudente-SP, e a Estadual do Centro Oeste, de Guarapuava-PR. De acordo com o coordenador, Baldoino Fonseca, a infraestrutura e a integração dos professores e alunos na produção de conhecimento fazem com que o curso não deixe a desejar em qualidade em relação às outras grandes instituições do país.

“Pode ser que a infraestrutura não seja melhor que a UFPE [Universidade Federal de Pernambuco], por exemplo, mas podemos dizer que é tão boa quanto ela. A UFPE não ficou muito distante [recebeu conceito 4], ela ficou muito próxima, mas ali fez diferença um pouco a questão dos alunos que foram fazer o Enade [Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes]; a opinião que os alunos têm sobre o curso e a infraestrutura”, pontuou Baldoino.

Na hora de formar a nota do CPC, o Inep reúne as avaliações do quadro docente, da infraestrutura do curso, as respostas dos estudantes a um questionário produzido pelo Enade e o desempenho dos alunos no exame. Nesse último fator, a disponibilidade dos docentes para tirar as dúvidas foi um fator decisivo para que os alunos fizessem um bom exame.

“Os professores daqui sempre tentam entender também o aluno e isso é uma coisa importante. O professor não pode apenas ir para sala de aula e passar o conteúdo. Além daquele momento, eles também se preocupam com os alunos fora da sala de aula. Outro ponto importante é que durante as aulas a gente tende a responder questões do Enade dos anos passados, tenta exercitar os alunos para responderem as questões. Isso não só para a fixação do conteúdo, mas também para mostrar que eles estão aprendendo”, detalhou o coordenador.

Aluno X professor

Os apontamentos acima também estavam presentes nos relatos de Caio Barbos e Leonildo Mello. Ambos alunos do curso de Ciência da Computação, comentaram que não são raras as vezes em que os professores tiram um tempo a mais para responder suas dúvidas e essa ajuda extra deve ter sido levado em conta pelos alunos, na hora em que eles tiveram de responder ao questionário do Enade, em 2014.

Leonildo, por exemplo, fica ao menos 12 horas diárias no IC. Ele diz que se sente à vontade no Instituto de Computação (IC), além disso, acaba assistindo as aulas aos sábados e costuma sanar suas dúvidas nos corredores. “As aulas são boas e os alunos se ajudam muito aqui. Tem os grupos de estudos, monitoria voluntária e, quando temos uma dúvida ou outra, um vai suprindo a deficiência do outro”, disse.

Caio acha que a carga das disciplinas é bem pesada para quem inicia o curso. “Alguns alunos vêm de colégios, mas não têm a mentalidade de Universidade. Eles estudam, mas o que estudam não é o necessário para poder passar em todas as disciplinas. São muitas matérias difíceis ao mesmo tempo e eles ainda não estão preparados para enfrentar isso logo no início”, acreditou.

A cada semestre entram 40 novos alunos e para atender a essa demanda o IC disponibiliza laboratórios equipados com computadores, que servem tanto para o curso de Engenharia, como para Ciência da Computação. Há também alguns equipamentos para área de robótica e a possibilidade de participação de projetos integrados do instituto com empresas internacionais na área de tecnologia. O egresso ainda tem a possibilidade de continuar sua formação no IC, nos cursos de mestrado em Modelagem Computacional e Informática.

Baldoino ainda ressalta que a maior parte dos docentes tiveram seus doutorados realizados em parceria com grandes universidades do país, ou mesmo em países como Estados Unidos, Canadá e Europa. “As disciplinas daqui são dadas num nível muito alto, então a gente cobra muito, mas também fornece muito suporte. As disciplinas têm sempre algum monitor. A outra coisa interessante é que os professores ficam sempre no instituto para sanar as dúvidas e isso tende a levar o aluno a um nível muito alto”, comentou.

O retorno de todo esse trabalho pode ser visto na absorção dos alunos pelo mercado. Ainda como estudantes, eles acumulam experiências em áreas como processamento de imagens, segurança e variabilidade de softwares, inteligência artificial e mineração de dados e isso os ajuda no momento em que deixam a Ufal.  “O mercado está muito aquecido, hoje em dia, dificilmente um aluno que passa por aqui, falta trabalho para ele. Uma coisa também muito interessante é que na Computação está muito frequente o trabalho remoto, muitos dos alunos estão trabalhando em casa, para empresas americanas ou na Europa. O que é mais interessante é que a gente também tem formado muito bem os alunos para esse mercado, então nossas disciplinas não são somente teóricas; elas têm um embasamento muito teórico e prático”, frisou o coordenador.