Ufal discute adoção de pesos nas provas do Enem para 2016

Método era utilizado no antigo PSS para valorizar as áreas de afinidade dos candidatos

06/10/2015 16h45 - Atualizado em 06/10/2015 às 20h12
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Amauri Barros, pró-reitor de Graduação, diz que essa é uma medida que valoriza o desempenho dos alunos em matérias que eles se identificam mais

Manuella Soares - jornalista

A Pró-reitoria de Graduação da Universidade Federal de Alagoas iniciou, este ano, a discussão com as coordenações dos cursos para a utilização de pesos diferenciados, para implementação no próximo ano, a partir do Enem 2016. De acordo com o pró-reitor Amauri Barros, a ideia de usar o método precisou ser adiada por causa da greve dos servidores, já que os debates não foram concluídos.

Atualmente, boa parte das Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil, que utilizam o sistema Enem/Sisu como forma de acesso já adotam pesos nas quatro provas objetivas e na redação, ou seja, há uma valorização diferenciada. Ao contrário do que acontece na Ufal desde 2012, onde todas as provas têm o mesmo peso e a nota final é calculada pela média aritmética das cinco notas das provas. É esta média final que os candidatos utilizam para concorrer no Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

O sistema de pesos diferenciados nas provas, dependendo da área de concentração do curso escolhido, já foi utilizado pela Ufal no antigo Processo Seletivo Seriado (PSS), que encerrou em 2011. Segundo o pró-reitor de Graduação, Amauri Barros, uma das vantagens em adotar pesos diferenciados nas provas do Enem é valorizar o desempenho dos estudantes nas disciplinas que eles se identificam mais e, assim, diminuir a evasão e a retenção nos primeiros semestres do curso.

“Como exemplo, podemos afirmar que um candidato que faz opção por um curso da área de Ciências Exatas ou tecnológica deve ter um bom desempenho nas provas de Matemática e Ciências da Natureza, que neste último caso, a prova envolve as disciplinas de Biologia, Física e Química. Do mesmo modo, um candidato que escolhe um curso na área de Ciências da Saúde ou na área de Ciências Agrárias precisa, especialmente, de um bom desempenho na prova de Ciências da Natureza. Já para cursos nas áreas de Humanidades e Ciências Sociais Aplicadas os candidatos devem apresentar um bom desempenho nas provas de Linguagens e Códigos e Ciências Humanas, pois isso, contribuirá muito na identificação com o curso escolhido. Por fim, deixamos claro que um bom desempenho em Língua Portuguesa e Redação é uma necessidade para todos os cursos de graduação e para a formação cidadã do nossos alunos”, ressaltou Amauri.

Desde 2012, a Ufal utiliza o Enem como processo avaliativo, seguido do Sisu (banco de vagas) que funciona como processo seletivo e a única forma de acesso para a ampla maioria dos cursos de graduação presenciais. Apenas as licenciaturas de Música e Letras Libras não participam do Sisu. O curso de Música usa as notas do Enem para a primeira fase da seleção e, em seguida, realiza provas de habilidades musicais para a segunda fase. Já o de Letras Libras adota uma seleção diferenciada que também exige conhecimento básico na área.

Pela bem sucedida experiência com o Enem, a Ufal vem contribuindo com o Banco Nacional de Itens (BNI) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), elaborando questões de todas as áreas básicas do conhecimento e discutindo nacionalmente melhorias para o Exame. A Universidade possui uma equipe de elaboradores e revisores de itens e coordenadores de área sob a coordenação-geral do professor Alexandre Lima, da Pró-reitoria de Graduação.

“Nesses quatro anos de experiência acumulada com o Sisu, a Ufal agregou muita qualidade no processo seletivo, liderado pela Copeve e pela Prograd, ao ponto de nos tornarmos uma referência positiva para outras Ifes. Chegamos a dar consultoria e compartilhar experiências com a UFS [Universidade Federal de Sergipe] e UFBA [Universidade Federal da Bahia], por exemplo, e temos participado de vários eventos nacionais que discutem melhorias para este sistema a partir da Série Histórica do Sisu”, comentou Amauri Barros.