Museu Théo Brandão abre exposição com ilustrações em estilo mangá

Abertura será nesta sexta-feira, 12, às 19h, na sede do MTB

09/12/2014 19h05 - Atualizado em 10/12/2014 às 00h28
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Fogo Corredor

Jacqueline Batista – jornalista colaboradora

A partir da próxima sexta-feira, 12, às 19h, o Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore irá apresentar ao público a exposição As 50 histórias que minha avó contava. São narrativas folclóricas sobre lendas, contos relacionados a criaturas extraordinárias como A mulher da capa preta, As caboclinhas, Fogo Corredor, Dona Fulorzinha, São Longuinho e entre outras referências que fazem parte do imaginário popular, especialmente no interior do Brasil.

O trabalho é um dos que foram selecionados por meio do edital de exposições temporárias para o ano de 2014 e, como o próprio título da exposição sugere, as histórias são narrativas contadas por uma avó, cuja ouvinte é a artista e estudante de Design, Mariana Petrovana. Quando criança, a neta passava longos períodos em companhia da avó materna, em um sítio, localizado em União dos Palmares. Mariana nunca esqueceu essas histórias e, agora, resolveu recontá-las de um jeito bem particular.

Para contar as histórias de sua infância, Mariana tem a colaboração da artista Janaina Freitas, que também é estudante de Design. Elas fazem parte do Studio Pau Brasil, especializado em artes visuais. Mariana é professora de desenho e produtora de ilustrações e quadrinhos. Janaina é arte-finalista, artista plástica, colaboradora na produção artística do Studio e escreve artigos e críticas sobre mangá, anime, quadrinhos e cultura pop japonesa.

Este mangá japonês se caracteriza, entre outros aspectos, pelo uso das ilustrações em preto e branco. Os desenhos da exposição, entretanto, utilizam mais cores. Mariana explica que o trabalho desenvolvido para a exposição é um mangá brasileiro. “Como um produto derivado, esses quadrinhos sofrem hibridização. Ele não é um mangá japonês, com todos os códigos visuais e culturais. Esse estilo híbrido faz uso das técnicas de desenho, narrativa e alguns elementos metalinguísticos para enriquecimento da história” salienta.

A esquematização usada para a composição das imagens revela um protagonista e os antagonistas em um jogo de branco e preto. Miguel (o protagonista) tem o cabelo claro e as roupas quase ausentes de preenchimento, enquanto que as entidades e assombrações (antagonistas) são praticamente todas escuras, criando um contraste. “Essa característica também foi herdada do mangá e adaptada, pois o uso de cores e texturas já é parte da hibridização do estilo”, explica Mariana.

A artista acentua que o mangá brasileiro, embora tenha semelhanças com o estilo japonês, reflete aspectos sociais e culturais do Brasil. “Esses aspectos estão delineados desde os temas abordados nas histórias, até a forma de falar, com inserção de termos linguísticos regionais e o uso de signos que refletem elementos encontrados em nosso país”, destaca. Ainda de acordo com Mariana, a escolha desse estilo aconteceu por influência da cultura japonesa, no que se refere à utilização de elementos folclóricos nas narrativas.

Os japoneses possuem folclore e mitologia ricos em entidades, deuses e criaturas. Esses elementos são amplamente explorados em suas histórias desde os tempos mais antigos. Tais personagens foram atualizados, ganharam nova roupagem, tornando-se interessantes para os novos públicos. No Brasil, também temos um rico folclore, composto por uma variedade de entidades, mitos e crenças. Pensando nisso, nós do Studio começamos a registrar essas histórias”, conta.

SERVIÇO

Exposição: As 50 histórias que minha avó contava

Abertura: sexta-feira, 12, às 19h

Local: Museu Théo Brandão

Período: até o dia 28 de fevereiro

Horário de visitação: de terça a sexta, das 9h às 17h. Aos sábados, das 14h às 17h.

Entrada franca.