Museu Théo Brandão entrega prêmio de melhor artesão do ano

Solenidade da 11ª edição do Prêmio Gustavo Leite vai homenagear Petrônio Farias, de Pão de Açúcar

05/09/2014 17h51 - Atualizado em 05/09/2014 às 18h43
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O artesão Petrônio e sua família (foto Fernanda Rechenberg)

Jacqueline Batista – jornalista colaboradora

O Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB) vai realizar, na sexta-feira, 12, ás 19h, a entrega do Prêmio Gustavo Leite ao melhor artesão do ano. Em 2014, o ganhador é Petrônio Farias, morador da zona rural de Pão de Açúcar. O evento, que está em sua 11ª edição, acontece anualmente no MTB, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Após a entrega do prêmio, será aberta a exposição com peças do artista ganhador. Às 20h, haverá a exibição do filme Petrônio, o primeiro abraço, do fotógrafo e cineasta Celso Brandão. O evento é aberto ao público.

A premiação presta uma homenagem ao produtor cultural, iluminador e cenógrafo alagoano Gustavo Leite, que atuou junto aos artistas do interior do Estado, na divulgação e comercialização de suas obras. De acordo com a diretora do MTB, Fernanda Rechenberg, o prêmio é um importante reconhecimento e incentivo ao trabalho de artistas alagoanos. “Em especial destacamos àqueles com menor possibilidade de acesso ao mercado. Ao longo dos últimos 11 anos, a iniciativa do museu vem premiando e divulgando a obra de artistas muito originais”, ressaltou.

A maior parte das peças de Petrônio é vendida para clientes do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Pernambuco e Piauí. A notícia da premiação foi recebida com muita alegria. “É mais reconhecimento para o meu trabalho. Quando estamos na mídia, melhora tudo”, comemorou.

Madeira morta

Petrônio confecciona objetos artesanais utilitários, como cadeiras, mesas e bancos, além de esculturas criadas a partir de troncos retorcidos, encontrados no leito do Rio São Francisco e seus afluentes. A arte de Petrônio aproveita as formas dadas pela natureza. “Eu trabalho mais em cima do que a natureza faz. A gente vai para o mato, encontra um toco de pau e leva uma hora passando ao redor dele, tentando decifrar a forma. De vez em quando, a gente acerta e encontra umas peças que a natureza deixa pronta”, revelou o artesão.

O artista explica que não utiliza madeira verde como matéria-prima de seu trabalho. “Trabalho com madeira seca, já morta, quanto mais velha melhor”, ressaltou. Para esculpir uma peça, o tempo de trabalho pode durar entre vinte minutos a oito dias. “O difícil é o acesso à madeira. Tendo o material, não demora muito, mas cada dia que passa, a madeira está ficando mais escassa”, salientou.

Petrônio começou a trabalhar com arte há cerca de doze anos, depois de uma provocação do mestre Fernando Rodrigues. “Ele desafiou que eu não fazia ex-voto. Por já ter um pouco de experiência em fazer Judas, cabeças, mãos, foi simplesmente fácil demais. Daí por diante, ele me encomendou cinco ex-votos e eu fiz num dia só. Dei sequência e até hoje estou aqui, mas por desafio dele”, contou o artesão, que deixou de trabalhar com ex-votos para dar oportunidade ao filho. “Os trabalhos de coisas pequenas, eu passei para ele. Comecei a fazer cadeiras, mesas, bancos, ex-votos maiores, bonecos. Vendo meu material e dou oportunidade para ele ganhar o dinheiro dele”, revelou.

Exposição em cartaz

A exposição fica em cartaz, gratuitamente, até o dia 1° de novembro, nos horários abertos à visitação: das terças às sextas-feiras, das 9h às 17h, e aos sábados, das 14h às 17h. Mais informações pelos telefones 3214-1716, 1710 e 1715.